Correio B

ENTREVISTA

Antonio Calloni, o Júlio de "Éramos Seis", da Globo

Na novela, o ator faz mais um personagem com data marcada para sair do ar

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Antonio Calloni se tornou, nos últimos anos, um dos atores mais requisitados de sua geração na tevê. Porém, pelo menos nas novelas, vem interpretando personagens com prazo de validade curto dentro das histórias. Foi o que aconteceu em “Os Dias Eram Assim”, em que o empreiteiro Arnaldo morria de infarto no começo da segunda fase; em “O Sétimo Guardião”, onde apareceu por 16 capítulos; e agora, como o vendedor de tecidos Júlio, na quinta versão de “Éramos Seis”. “Foi coincidência, mas não reclamo. Acho maravilhoso fazer um trabalho com mais calma e dedicação. Mas, se tiver de fazer uma novela inteira, farei, sem problema”, garante.

Na história, Júlio se esforça para honrar todos os compromissos financeiros de sua família – principalmente o financiamento do casarão em que mora e a educação dos quatro filhos que tem com Lola, papel de Gloria Pires. Para aliviar o estresse e desabafar suas frustrações, porém, recorre ao cabaré da trama, onde mantém um caso com Marion, vivida por Ellen Rocche. É lá também que Júlio toma umas doses a mais, preocupando sempre a mulher e fragilizando ainda mais sua própria saúde. “Acho que o peso de ser o provedor de quatro filhos em uma casa gigantesca que a esposa quis comprar é muito grande para o Júlio. Isso é algo que a gente carrega até hoje. Já mudou, mas ainda precisa melhorar. Essa carga realmente adoece as pessoas”, analisa.

P – Em “Éramos Seis”, qual é o seu maior desafio?

R – Fazer um homem simples. A simplicidade é extremamente difícil. Confesso, modéstia à parte, que também me considero um homem simples, não tenho grandes arroubos de excentricidade. Mas fazer esse universo, artisticamente falando, é difícil. Você precisa torná-lo interessante. Esse é o desafio aqui e eu estou adorando fazer.

P – Fisicamente, você está mais magro que em “Assédio”, seu último trabalho exibido na tevê antes de “Éramos Seis”. Foi proposital?

R – O Júlio tem úlcera. Acho que ele gosta de comer. Mas, ao mesmo tempo, não pode exagerar, porque ataca o estômago. Então, para esse personagem, achei que era melhor perder um pouquinho de peso. Nessas horas, o que costumo fazer é comer de tudo, só que menos um pouco. Eu ando de bicicleta e, quando não consigo, subo as escadas do prédio – o que também é muito bom. São dez andares. Academia eu não frequento. Não tenho nada contra, mas prefiro atividades ao ar livre. Porém, não sei quanto eu perdi.

P – “Assédio” chamou bastante atenção. O que representou, na sua opinião, para sua carreira?

R – Foi um dos trabalhos mais incríveis que já fiz. Fundamental para esse tema, que precisa acabar. Politicamente, é um trabalho muito importante não só para o Brasil, mas para o mundo todo. Quanto mais a gente discutir essa questão, mas ela tende a ser resolvida. E o mais rápido possível, que é o que espero.

P – Em novelas, você tem feito personagens que não ficam até o final. Isso é um pedido seu?

R – Coincidência, mas não reclamo. Acho maravilhoso, dá para fazer um trabalho com mais calma e dedicação. Mas, se eu tiver de fazer uma novela inteira, farei, sem problema nenhum. Em “Éramos Seis”, a previsão é que eu fique até o capítulo 48. Em “O Sétimo Guardião”, foram 16. Talvez, na próxima, eu faça inteira (risos).

P – Suas cenas em “Éramos Seis” mostram, cada vez mais, a questão do alcoolismo de Júlio. De que forma esse tema será abordado?

R – Essa é a válvula de escape do Júlio, é onde ele consegue se desafogar um pouco dessa pressão de ser o provedor, de ter de pagar a casa e a educação de quatro filhos. Até hoje isso é comum. Na história, o Júlio até fala com a Lola sobre vender a casa, mas aquele é o sonho dela e ele aceita. A contradição do personagem é essa e é muito bonita: ele é apaixonado pela Lola e quer que a família seja feliz.

P – Mas ele tem uma amante...

R – Só que não se apaixona. Tem o caso com a Marion, do cabaré. É uma relação bonita porque, além do sexo, há um companheirismo e uma intimidade de amigos. Tudo que ele não consegue falar em casa, diz para ela. E a Marion tem essa sabedoria de entender, uma inteligência de vida bem interessante. Ele precisa desabafar com alguém os conflitos, as frustrações, mas não se apaixona. Ela é uma confidente. Na época, era uma coisa muito comum o homem dar suas saidinhas, ter uma amante e a mulher fingia que estava tudo bem.

P – Hoje, como você acha que as mulheres encaram esse tipo de situação?

R – A cabeça da sociedade mudou, embora o machismo ainda esteja mais presente do que eu gostaria e do que as mulheres gostariam. Sem dúvida, houve avanços, mas podemos melhorar muito. O empoderamento feminino está cada vez mais presente, sentimos isso e ainda bem! Até hoje, há resquícios daquela criação machista. Mas esse tipo de compreensão que a mulher tinha já não existe mais. Agora, é “ok, se ele dá as saidinhas dele, eu vou dar as minhas também”.

P – Em dezembro, o Viva vai reprisar “O Clone”. Quais são suas lembranças dessa época?

R – Até hoje, é inacreditável como essa novela tomou conta do mundo. Recebo mensagens dos países mais diferentes do planeta. É impressionante como deu certo. E que delícia ter feito. Vou assistir de novo e me divertir. Às vezes, vejo no Instagram algumas cenas, tem gente que coloca ali.

P – O que você acha que mudou na sua vida de lá para cá?

R – Interiormente, vamos ganhando experiência, maturidade e calma. O senso de paciência sobre as coisas melhorou muito. Gostaria de ser bem mais paciente do que eu sou, mas melhorei bastante. O tempo faz a gente compreender o movimento da vida. Essa foi uma mudança que eu gostei de viver.

Voz da experiência

Para interpretar Júlio em “Éramos Seis”, Calloni contou com uma ajuda importante. A Globo promoveu um workshop da equipe do remake com profissionais que participaram de outras versões do romance de Maria José Dupré, publicado em 1943. Nicette Bruno, que viveu Lola na versão de 1977, produzida pela extinta Rede Tupi, e Othon Bastos, que interpretou Júlio na adaptação mais recente antes da atual, de 1994, feita pelo SBT, conversaram com o grupo. “Ele falou muito da novela, do papel, foi bem generoso. Sou bem agradecido ao Othon”, lembra Calloni.

Mesmo assim, Calloni não viu outras versões de “Éramos Seis” para interpretar o patriarca da família Lemos no texto de Angela Chaves. Até porque, para ele, é preciso que cada leitura que se faça dessa história acompanhe as mudanças da época em que é feita. “Isso, claro, sem descaracterizar a história original. Torço para que, daqui a alguns anos, seja refeita essa novela e com uma nova visão, de outro período. Isso é bem estimulante”, defende.

Direções incertas

A carreira tão bem-sucedida de Antonio Calloni na televisão pode fazer parecer que o paulistano de 57 anos direcionou sua vida para chegar ao ponto em que está. Mas, pelo menos de maneira consciente, o ator garante que isso não acontece. “Não tenho nenhum planejamento. A vida tem de ter movimento e não pode parar. E eu gosto de seguir o fluxo, não crio muitas expectativas. Prefiro ter fé de que as coisas vão acontecer do jeito que elas têm de acontecer”, filosofa.

A dedicação intensa a veículos como a tevê e o cinema, no entanto, fazem com que Calloni precise abrir de alguns hobbies em sua vida. Inclusive dos mais simples. “Gosto muito de ver séries e de ler, por exemplo. Mas não consigo no ritmo que eu gostaria. Amo viajar e fica difícil, porque o tempo que dedicamos a uma novela é muito intenso”, confessa.

Instantâneas

# Antonio Calloni começou a atuar em 1978, fazendo teatro de periferia, em São Paulo.

# Em 1980, inscreveu-se no curso de teatro de Célia Helena, com três anos de estudo, e esteve também no Centro de Pesquisa Teatral (CPT), dirigido por Antunes Filho.

# Sua estreia na tevê aconteceu em 1986, na minissérie “Anos Dourados”, da Globo.

# Em 33 anos de carreira na tevê, Calloni fez apenas dois trabalhos fora da Globo. O primeiro foi a novela “Brasileiras e Brasileiros”, do SBT, em 1990, e o segundo foi “74.5: Uma Onda no Ar”, na Manchete, em 1994.

Cinema Correio B+

Pretty in Pink aos 40: o final reescrito, a trilha e o filme que definiu uma geração

Quatro décadas depois, o clássico de John Hughes segue atual ao revelar como classe, desejo e música moldaram uma das histórias mais influentes do cinema adolescente

16/05/2026 13h00

Pretty in Pink aos 40: o final reescrito, a trilha e o filme que definiu uma geração

Pretty in Pink aos 40: o final reescrito, a trilha e o filme que definiu uma geração Foto: Divulgação

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Nos anos 1980, adolescentes aprenderam rapidamente a reconhecer — e a esperar — os filmes assinados por John Hughes. O diretor que parecia saber “falar com a juventude” partia de fórmulas simples, mas o que o distinguia era menos a estrutura e mais o olhar: havia empatia, havia observação, e havia um interesse genuíno por personagens que o cinema raramente colocava no centro.

Em O Clube dos Cinco e Gatinhas e Gatões, os improváveis protagonistas deixavam de ser coadjuvantes sociais para se tornarem narradores de histórias sobre formatura, primeiro beijo e os desencontros silenciosos com os pais.

Em 1986, Hughes consolida esse movimento com um clássico imediato: A Garota de Rosa Shocking (Pretty in Pink), um filme que, quatro décadas depois, não funciona apenas como registro de uma geração, mas como um modelo emocional de como o cinema aprendeu a olhar para a juventude sem reduzir suas contradições.

Com roteiro de Hughes e direção de Howard Deutch, o filme nasce de um gesto simples e raro: levar adolescentes a sério. Não como arquétipos, mas como sujeitos atravessados por classe, desejo, vergonha e pertencimento.

A história de Andie Walsh, uma jovem de origem humilde que se apaixona por um garoto rico em meio a um ambiente hostil, é estruturalmente simples, mas emocionalmente precisa. É esse deslocamento — do clichê para a experiência — que sustenta sua longevidade cultural.

A lógica de classe que organiza o desejo

Se existe algo que diferencia Pretty in Pink de outras comédias românticas adolescentes da época, é a forma como o filme inscreve o romance dentro de uma estrutura social clara. Andie não é apenas uma outsider por estilo ou personalidade.

Ela é economicamente deslocada. A escola funciona como um microcosmo de hierarquias que não precisam ser explicadas porque já estão naturalizadas.

Blane, o interesse amoroso, não representa apenas um ideal romântico. Ele é também o acesso a um mundo que Andie observa de fora. E é justamente essa interseção entre desejo e pertencimento que o filme recusa simplificar. Quando Blane hesita, quando se afasta pressionado pelos amigos, o que está em jogo não é apenas covardia emocional, mas a dificuldade de atravessar uma barreira que o próprio filme insiste em tornar visível.

Nesse sentido, o conflito nunca foi exatamente um triângulo amoroso entre Andie, Blane e Duckie. O que se disputa ali é a possibilidade de circular entre mundos que não se misturam com facilidade.

Duckie e o gesto que atravessa gerações

Quarenta anos depois, poucas cenas resistem com tanta força quanto a dança de Duckie ao som de Try a Little Tenderness. O que poderia ser apenas um momento excêntrico se transforma, com o tempo, em uma espécie de manifesto involuntário sobre exposição e vulnerabilidade.

O próprio Jon Cryer revisitou recentemente a cena como um ponto de afirmação do personagem, um instante em que Duckie tenta provar seu valor em um mundo que o marginaliza.

Na época, parte do elenco considerou o momento constrangedor. Hoje, ele funciona como um dos gestos mais reconhecíveis do cinema adolescente, justamente porque não busca aprovação.

Há algo de profundamente contemporâneo nessa leitura. Em um ambiente cultural que recompensa a curadoria da imagem, Duckie permanece como um corpo fora de lugar que insiste em existir sem mediação.

Um final reescrito e o que ele revela

Um dos aspectos mais reveladores da história de Pretty in Pink está fora da tela. O final original previa que Andie terminaria com Duckie, mas a reação negativa do público em testes levou John Hughes a reescrever o desfecho, substituindo-o pelo encontro com Blane no baile.

Essa mudança não é apenas uma curiosidade de bastidor. Ela revela o quanto o filme já operava dentro de uma negociação com as expectativas do público. A lógica do conto de fadas — a ideia de que a protagonista deve terminar com o objeto de desejo — se impõe sobre a alternativa mais ambígua, reorganizando não apenas o final, mas a própria leitura emocional da história.

No ano seguinte, Howard Deutch e Hughes parecem revisitar essa decisão em Some Kind of Wonderful. O filme de 1987 funciona quase como uma variação estrutural de Pretty in Pink, mas desta vez mantendo o desfecho que havia sido abandonado: a escolha pelo melhor amigo, pela intimidade construída fora das hierarquias sociais.

Pretty in Pink aos 40: o final reescrito, a trilha e o filme que definiu uma geraçãoPretty in Pink aos 40: o final reescrito, a trilha e o filme que definiu uma geração - Divulgação

Ainda assim, embora tenha conquistado seu próprio público ao longo do tempo, nunca se aproximou do impacto cultural do filme anterior, como se a resolução mais coerente emocionalmente não fosse necessariamente a mais potente dentro do imaginário coletivo.

Mesmo tendo que alterar o fim, Pretty in Pink ainda tenta preservar Duckie, oferecendo a ele um gesto de continuidade, quase como uma promessa de que sua história não termina ali. É um compromisso curioso entre frustração e consolo, que diz muito sobre o tipo de romantismo que o cinema dos anos 1980 estava disposto a sustentar.

A trilha sonora como narrativa

Poucos filmes incorporaram a música de forma tão orgânica quanto Pretty in Pink. Não como pano de fundo, mas como extensão emocional dos personagens. O próprio John Hughes deixou claro que a trilha nunca foi um elemento secundário, mas parte central da construção do filme.

O diretor Howard Deutch inicialmente pensava em uma abordagem mais tradicional, baseada em música incidental, mas Hughes interfere diretamente nessa decisão ao insistir no uso de canções contemporâneas — não como hits isolados, mas como uma curadoria capaz de dialogar com o estado emocional das cenas.

A seleção mistura new wave, pós-punk e soul de maneira que hoje parece não apenas representativa, mas definidora de uma época. Esse desenho fica ainda mais evidente no processo de construção do final. Antes da mudança, o Orchestral Manoeuvres in the Dark havia composto Goddess of Love, pensada para o desfecho original com Duckie.

Com a alteração da narrativa, Hughes pede uma nova música que funcione emocionalmente para o reencontro entre Andie e Blane. OMD escreve If You Leave em menos de 24 horas.

O resultado não é apenas funcional. A música redefine o final, suaviza o conflito de classe, desloca a ambiguidade e entrega ao público uma sensação de resolução que o roteiro, por si só, talvez não sustentasse.

Esse é um ponto-chave para entender a trilha como curadoria. Ela não acompanha a história. Em momentos decisivos, ela a reorganiza.

Essa lógica explica por que tantas faixas parecem não apenas encaixar, mas definir momentos. Left of Center, de Suzanne Vega, não é apenas uma música; funciona quase como uma descrição da própria Andie. 

Please Please Please Let Me Get What I Want, dos Smiths, condensa o desejo adolescente em sua forma mais crua. E Bring on the Dancing Horses, do Echo & The Bunnymen, acrescenta uma camada de deslocamento que reforça a sensação de inadequação dos personagens.

Quarenta anos depois, o impacto dessa curadoria ainda é visível. Pretty in Pink ajudou a consolidar um modelo que se tornaria dominante nos anos seguintes: o de trilhas compostas por canções cuidadosamente selecionadas, capazes de viver fora do filme sem perder conexão com ele.

Mas talvez o mais interessante seja perceber que essa trilha não funciona apenas como nostalgia. Ela continua operando porque traduz algo que o filme também entende bem: a adolescência não é silenciosa. Ela se organiza por referências, por músicas, por aquilo que se escuta para tentar dar forma ao que ainda não se sabe nomear.

E, nesse sentido, Pretty in Pink não apenas usou música. Ele ajudou o cinema a escutar seus personagens. O relançamento em vinil rosa, com a inclusão de faixas como Otis Redding e Talk Back, não é apenas uma estratégia de mercado, mas o reconhecimento de que essa trilha continua sendo uma das mais influentes do cinema moderno, frequentemente listada entre as melhores já feitas.

O retorno aos cinemas e o que ainda resiste

Em 2026, Pretty in Pink voltou às salas em versão remasterizada em 4K, acompanhada de material inédito com Howard Deutch, reforçando algo que o tempo já tinha demonstrado: esse não é um filme que depende da nostalgia para existir.

Ele continua sendo revisitado porque ainda oferece uma leitura reconhecível sobre pertencimento, desejo e identidade. E talvez seja esse o ponto mais interessante ao olhar para seus 40 anos. O que poderia ter se tornado apenas um artefato dos anos 1980 permanece ativo porque nunca foi apenas sobre aquela década.

Foi, desde o início, sobre o desconforto de tentar ocupar um lugar no mundo sem saber exatamente onde esse lugar está.

E essa não é uma questão que envelhece.

CULINÁRIA

Conheça três adaptações de receitas clássicas sem a adição de farinha de trigo

Conheça três adaptações de receitas clássicas para celíacos; farinha de arroz, fécula de batata e amidos são opções sem glúten para substituir o trigo tradicional

16/05/2026 10h30

A farinha de arroz, ingrediente utilizado nessa quiche, é um dos principais substitutos da farinha de trigo, por isso muito utilizado em pratos salgados

A farinha de arroz, ingrediente utilizado nessa quiche, é um dos principais substitutos da farinha de trigo, por isso muito utilizado em pratos salgados Fotos/Divulgação

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Celebrado neste sábado, o Dia do Celíaco chama atenção para a necessidade de uma alimentação totalmente livre de glúten para pessoas diagnosticadas com doença celíaca.

A condição exige mudanças permanentes na rotina, atenção aos ingredientes utilizados e cuidados rigorosos para evitar contaminação cruzada durante o preparo dos alimentos.

Considerada uma doença autoimune e inflamatória, a doença celíaca é desencadeada pela ingestão de glúten, proteína presente no trigo, na cevada e no centeio.

Quando consumido por pessoas celíacas, o glúten provoca uma reação do organismo que atinge principalmente o intestino delgado, prejudicando a absorção de nutrientes e podendo desencadear sintomas como dores abdominais, diarreia, anemia, fadiga, perda de peso e desconfortos gastrointestinais recorrentes. Em alguns casos, os sinais são mais discretos, o que contribui para o subdiagnóstico.

Estudos científicos apontam que cerca de 1% da população mundial convive com a doença celíaca, embora muitos pacientes ainda não saibam que têm a condição.

Por isso, a data também reforça a importância da informação, do diagnóstico precoce e da ampliação do acesso a alimentos seguros e inclusivos.

Nos últimos anos, o mercado alimentício passou a oferecer mais opções voltadas ao público celíaco, impulsionando adaptações culinárias que permitem manter receitas tradicionais no cardápio sem abrir mão do sabor.

Ingredientes naturalmente sem glúten, como farinha de arroz, fécula de batata e amidos vegetais, ganharam espaço nas cozinhas domésticas e na indústria alimentícia, possibilitando versões alternativas de massas, salgados, pães e sobremesas.

Além de atender pessoas com doença celíaca, as adaptações também atendem consumidores que buscam reduzir o consumo de glúten no dia a dia ou experimentar novas possibilidades culinárias. 

Veja a seguir releituras de pratos clássicos bastante presentes na rotina dos brasileiros. As receitas utilizam ingredientes alternativos ao trigo e mostram que é possível adaptar preparos tradicionais de maneira prática, acessível e saborosa.

Massa de pastel com vários recheios

Ingredientes

Para a massa

  •  2 xícaras (chá) de farinha de arroz (300 g);
  •  1 xícara (chá) de fécula de batata (200 g);
  •  ½ xícara (chá) de amido de milho (50 g);
  •  4 ovos;
  •  1 colher (sopa) de azeite de oliva (13 ml);
  •  2 colheres (sopa) de óleo vegetal (26 ml);
  •  ½ xícara (chá) de água (140 ml);
  •  1 ½ colher (chá) de sal (7,5 g);
  •  1 colher (chá) de fermento químico (4 g);
  •  1 gema de ovo para pincelar.


Para o recheio de frango cremoso

  •  2 peitos de frango;
  •  6 xícaras (chá) de água;
  •  2 colheres (sopa) de óleo;
  •  2 cebolas picadas;
  •  2 tomates sem pele picados;
  •  Sal, pimenta do reino e salsinha picada a gosto;
  •  1 vidro de requeijão cremoso.

Para o recheio de carne refogada

  •  500 g de carne moída;
  •  1 cebola pequena;
  •  1 colher (sopa) de azeite;
  •  Sal a gosto;
  •  4 tomates sem pele;
  •  Pimenta do reino moída a gosto;
  •  Cheiro-verde picado a gosto.

Modo de Preparo

Massa

Em um recipiente, coloque a farinha de arroz, a fécula de batata, o amido de milho, o fermento e o sal. Faça uma cavidade no meio desses ingredientes e adicione o óleo vegetal, o azeite de oliva, os ovos (passe os ovos em uma peneira para evitar pontos amarelos na massa), e misture. Adicione a água e mexa até que não grude nas mãos ou no recipiente.

Deixe a massa descansar na geladeira por 30 minutos antes de abri-la.

Preaqueça o forno a 180° C por 10 minutos.

Em uma superfície lisa e limpa polvilhe a farinha de arroz e abra a massa com as mãos. Polvilhe a massa com a farinha e termine de espichá-la com o auxílio de um rolo também enfarinhado.

Quando a massa estiver fina, corte no formato desejado e adicione o recheio de sua preferência. Feche os pastéis.

Coloque-os em uma forma antiaderente e pincele a sua superfície com uma gema de ovo. Asse por 15 minutos a 180° C.
recheio de frango cremoso

Cozinhe os peitos de frango na água temperada com um pouco de sal e pimenta até ficarem macios. Escorra e desfie. Aqueça o óleo e doure a cebola.

Adicione o tomate e mexa até murchar. Junte o frango desfiado e cozinhe por alguns minutos. Acrescente o requeijão cremoso e misture bem. Acerte o sal, tempere com pimenta do reino e a salsinha. Aguarde esfriar para utilizar.

Recheio de carne refogada

Aqueça uma panela com o azeite. Refogue a cebola. Acrescente a carne e frite até que fique bem sequinha. Junte os tomates e refogue por alguns minutos. Tempere com o sal e a pimenta e junte o cheiro-verde picado. Misture bem.

Quiche lorraine

Ingredientes

Para a massa

  •  2 xícaras (chá) de farinha de arroz;
  •  125 g de manteiga gelada cortada em cubos;
  •  1 pitada de sal;
  •  100 ml de água gelada;
  •  50 ml de azeite.

Para o recheio

  •  50 ml de azeite;
  •  150 g de bacon em cubos;
  •  4 ovos;
  •  400 ml de creme de leite;
  •  120 g de queijo emmental ralado;
  •  Sal e pimenta-do-reino a gosto;
  •  10 g de noz-moscada.

Para a montagem

  •  4 ovos;
  •  400 g de farinha de linhaça dourada;
  •  400 g de farinha panko.

Modo de Preparo

Para fazer a massa, em um recipiente, misture a farinha de arroz, o sal e a manteiga com a ponta dos dedos, até formar uma farofa. Acrescente a água gelada aos poucos, até que a massa fique homogênea.

Coloque na geladeira coberta por um filme plástico por 25 minutos. Em seguida, abra a massa e forre a forma untada com o azeite. Faça furos na massa com um garfo e coloque para assar no forno preaquecido a 180° C por 10 minutos.

Para o recheio, em uma frigideira, aqueça o azeite e frite o bacon em fogo baixo até dourar. Retire e deixe escorrer. Em um recipiente junte os ovos, o creme de leite e o queijo ralado e misture bem com a ajuda de um fouet. Tempere com sal, pimenta e noz-moscada. Em seguida, acrescente o bacon.

Despeje a mistura uniformemente sobre a massa pré-assada e volte novamente ao forno por mais 25 minutos ou até começar a dourar e o recheio ficar firme. Desenforme e sirva em seguida.

Coxinha de batata-doce

Ingredientes

Para a massa

  •  4 batatas-doces cozidas e amassadas;
  •  1 colher (sopa) de azeite;
  •  Sal;
  •  2 colheres (sopa) de farinha de arroz.

Para o recheio

  •  1 xícara (chá) de azeite;
  •  2 dentes de alho amassados;
  •  ½ cebola cortada em cubos;
  •  400 g de frango desfiado;
  •  2 tomates sem sementes cortados em cubos;
  •  Sal e pimenta-do-reino a gosto;
  •  250 g de creme de ricota ou requeijão;
  •  Cebolinha ou salsinha picada (opcional).

Para a montagem

  •  4 ovos;
  •  400 g de farinha de linhaça dourada;
  •  400 g de farinha panko.

Modo de Preparo

  • Refogue a cebola e o alho na manteiga. 
  • Acrescente os cogumelos até dourar. 
  • Adicione o arroz e mexa por dois minutos. 
  • Coloque o vinho e espere evaporar. 
  • Aos poucos, adicione o caldo (uma concha por vez), mexendo sempre. 
  • Quando o arroz estiver al dente e cremoso (cerca de 18 minutos), desligue o fogo. 
  • Incorpore o parmesão e a salsinha. Sirva imediatamente.

 

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