Correio B

Mesa Ao Vivo

Maior circuito gastronômico do País será realizado em Campo Grande

O evento acontecerá em Campo Grande nos dias 14 e 15 de agosto, com entrada gratuita, reunindo chefs renomados, aulas-show, palestras, feira de vinhos, festival de produtores e experiências que valorizam os sabores do Pantanal

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Mato Grosso do Sul será palco, pela primeira vez, de um dos mais importantes eventos gastronômicos do Brasil. Nos dias 14 e 15 de agosto, o Mesa Ao Vivo Mato Grosso do Sul desembarca em Campo Grande com uma programação gratuita voltada à valorização da cozinha pantaneira, reunindo grandes nomes da gastronomia nacional, chefs regionais, pesquisadores, produtores e o público em geral no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camillo.

Considerado o maior circuito de experiências gastronômicas do País, o evento chega ao Estado com o tema “Sabores do Mato Grosso do Sul: uma cozinha que nasce do Pantanal, das fronteiras e da biodiversidade”, destacando ingredientes, técnicas e tradições que fazem da culinária sul-mato-grossense uma das mais singulares do Brasil.

Ao longo de dois dias, a programação contará com aulas-show, palestras, debates, exibição de documentário, feira de vinhos nacionais, festival de produtores artesanais e experiências gastronômicas. A participação é gratuita, mediante inscrição prévia, que deve ser feita pelo site oficial do evento.

IDENTIDADE E TURISMO

A chegada do Mesa Ao Vivo Mato Grosso do Sul representa um importante passo na consolidação do Estado como destino de turismo gastronômico.

A proposta é mostrar ao Brasil uma culinária construída a partir da diversidade ambiental do Pantanal e da influência cultural das fronteiras com Paraguai e Bolívia, além das contribuições indígenas e afro-brasileiras.

Entre os destaques da programação estão chefs consagrados nacionalmente, como Rodrigo Oliveira, do restaurante Mocotó; Jefferson Rueda, de A Casa do Porco; Ivan Ralston, do Tuju; Mara Salles, do restaurante Tordesilhas; Ian Baiocchi, do Grupo Íz; Cadu Evangelisti, da Broca; Jéssica Trindade, dos restaurantes Chez Claude e Madame Olympe; Marcos Livi, do Grupo Bah; Flávia Quaresma e o confeiteiro Lucas Corazza.

Eles dividirão espaço com chefs e pesquisadores sul-mato-grossenses responsáveis por difundir a culinária regional, em uma programação que coloca os ingredientes do Pantanal no centro das discussões gastronômicas.

COZINHA PANTANEIRA 

Organizado pela revista Prazeres da Mesa, em parceria com o chef e pesquisador Paulo Machado, referência internacional na pesquisa da gastronomia pantaneira, o evento dará visibilidade aos sabores característicos do Estado.

Durante as aulas, o público poderá conhecer histórias, receitas e técnicas relacionadas a ingredientes e tradições locais, como erva-mate, sobá de Campo Grande,corredor bioceânico, lambreado pantaneiro, hi-hi, influências culturais das fronteiras com Paraguai e Bolívia.

Também participam da programação chefs como Ricardo Cher, Juanita Battilani, Indiara Múcio, Magda Moraes, Maria das Graças de Oliveira, Paco Kawijian, Marcílio Galeano, Arildo Flores, Lucas Caslu, Sylvio Trujillo, Marlon Libório e Fábio Hasegawa, entre outros representantes da gastronomia regional.

PALESTRAS E DOCUMENTÁRIO

Além das aulas práticas, o Mesa Ao Vivo Mato Grosso do Sul contará com palestras ministradas por Ivan Achcar, Jefferson Rueda e Mohamad Hindi, abordando tendências da gastronomia contemporânea, sustentabilidade, valorização dos produtores e inovação.

Outro destaque será a exibição do documentário “Mulheres da Fronteira – Uma Comitiva de Sabores pelo Pantanal”, dirigido por Paulo Machado.

O filme percorre cozinhas do Pantanal para contar histórias de mulheres que preservam receitas tradicionais, fortalecem comunidades e mantêm viva a identidade gastronômica da região por meio dos saberes passados entre gerações.

FESTIVAL FAROFA DO BRASIL

A programação também inclui o Festival Farofa do Brasil, reunindo barracas de produtores artesanais de diversas regiões do País.

Os visitantes poderão conhecer, degustar e adquirir produtos típicos, além de participar de uma feira dedicada aos vinhos brasileiros.

Outra atração será a experiência A Ferro e Fogo, comandada pelo chef Marcos Livi, que explora diferentes técnicas de preparo na brasa e celebra a cultura do churrasco.

A proposta é oferecer experiências gastronômicas durante todo o dia, permitindo que o público monte o seu roteiro entre degustações, compras e atividades.

POTENCIAL GASTRONÔMICO DE MS

Para o chef Paulo Machado, o Mesa Ao Vivo Mato Grosso do Sul é uma oportunidade de apresentar nacionalmente a riqueza gastronômica sul-mato-grossense.

“O Mesa ao Vivo é um dos eventos mais desejados da gastronomia brasileira porque reúne o que há de mais contemporâneo na cozinha, valoriza grandes chefs, pequenos produtores, cultura, pesquisa e educação gastronômica”, afirma.

A diretora da revista Prazeres da Mesa e sócia do núcleo Mundo Mesa, Mariella Lazaretti, destaca que Mato Grosso do Sul possui uma riqueza gastronômica ainda pouco conhecida pelos brasileiros.

“Para nós é uma alegria alcançar mais um estado, neste caso uma região que tem muito pouca divulgação e que acreditamos ter uma riqueza gastronômica imensa, com muita biodiversidade, o Pantanal, rios, peixes e ingredientes de que os brasileiros ainda não têm conhecimento, além das técnicas que misturam três países –Brasil, Paraguai e Bolívia – e saberes indígenas e negros”, destaca.

O evento conta com apoio da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur-MS). Para o diretor-presidente da instituição, Bruno Wendling, o evento reforça o posicionamento do Estado como um importante destino turístico.         

“Fico muito feliz de recebermos a primeira edição do principal evento de gastronomia do País, o que reforça o posicionamento de Mato Grosso do Sul também quanto à sua identidade gastronômica”, pontua.

PROGRAMAÇÃO PARALELA

A celebração da gastronomia pantaneira terá início no dia 13 de agosto, com a Pizza dos Chefs, realizada na Tasto Forneria & Pizzaria Napolitana.

A experiência reunirá Cadu Evangelisti, Mohamad Hindi, Mara Salles, Ivan Achcar e Igor Yukio, que vão preparar um rodízio de pizzas autorais para um público limitado a 100 pessoas, acompanhado por música ao vivo e drinks.

Nos dias seguintes acontecem os tradicionais Jantares Magnos, quando chefs convidados elaboram menus colaborativos ao lado dos restaurantes anfitriões.

No dia 14 de agosto, o Território Ristorante recebe Rodrigo Oliveira, Ian Baiocchi, Flávia Quaresma, Marcos Livi, Jefferson Rueda e o chef da casa, Fábio Hasegawa.

Já no dia 15 de agosto, o restaurante Origens 67, no Hotel Slaviero Prime, promove um jantar comandado por Paulo Machado, Mara Salles, Jéssica Trindade, Mohamad Hindi, Cadu Evangelisti e Indiara Múcio, celebrando ingredientes típicos do Pantanal.

Serviço

Mesa Ao Vivo Mato  Grosso do Sul
Data: 14 e 15 de agosto;
Local: Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camillo, Campo Grande;
Entrada: gratuita;
Inscrições: obrigatórias para aulas e palestras, com vagas limitadas, pelo site www.mesaaovivoms.com.br.

Pizza dos Chefs
Data: 13 de agosto;
Horário: às 20h;
Local: Tasto Forneria & Pizzaria Napolitana;
Valor: R$ 250 (bebidas à parte).

Jantar Magno – Território
Data: 14 de agosto;
Horário: às 20h;
Valor: R$ 450 (bebidas à parte).

Jantar Magno – Origens 67
Data: 15 de agosto;
Horário: às 20h;
Local: Slaviero Prime Hotel
Valor: R$ 450, com harmonização de vinhos Pizzato e taxa de serviço de 10%.
 

cinema

Seis filmes seguem na disputa para representar o Brasil no Oscar

Decisão sobre o título deverá ser tomada em 16 de setembro

09/09/2026 22h00

sSeis filmes brasileiros que continuam em disputa pela vaga de representante do Brasil no Oscar 2027

sSeis filmes brasileiros que continuam em disputa pela vaga de representante do Brasil no Oscar 2027 Foto: Divulgação

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A Academia Brasileira de Cinema anunciou nesta quarta-feira (9) os seis filmes brasileiros que continuam em disputa pela vaga de representante do Brasil no Oscar 2027.  A decisão sobre o longa que vai tentar uma vaga na categoria de melhor filme internacional será tomada em 16 de setembro.

Os títulos que continuam em disputa são:

  • 100 Dias, de Carlos Saldanha;
  • A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai;
  • A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo;
  • Feito Pipa, de Allan Deberton;
  • Nosso Segredo, de Grace Passô;
  • Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins.

A lista dos finalistas saiu de uma pré-lista de 15 filmes,  divulgada pela Academia Brasileira de Cinema no mês de agosto.

Oscar

Ter sido escolhido como o representante brasileiro ao Oscar não significa que o filme já terá garantida uma indicação ao prêmio. Cada país indica um filme como representante para a disputa. O Oscar analisa essas indicações e faz uma seleção dos filmes que, de fato, vão concorrer ao principal prêmio do cinema mundial.

A cerimônia que premiará os melhores filmes do Oscar está marcada para 14 de março de 2027.

Em 2025, o Brasil conquistou o primeiro Oscar com o filme Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, na categoria de melhor filme internacional. Neste ano, o Brasil voltou a ser indicado com o filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, que acabou perdendo o prêmio para o norueguês Valor Sentimental.

 

Preservação da fauna

Projeto monitora bugios e macacos-prego no corredor do Rio Sucuriú

Nove grupos de primatas já foram identificados na região; entre eles, a família formada por Baru, Pequi e o filhote Bacuri, acompanhada ao longo das campanhas de campo

09/09/2026 08h30

Mãe e filhote bugio-preto

Mãe e filhote bugio-preto Foto: Divulgação

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No alto das árvores que formam o corredor do Rio Sucuriú, em Inocência, no leste de Mato Grosso do Sul, famílias de bugios e macacos-prego vêm sendo acompanhadas de perto por pesquisadores do projeto Sucuriú, da Arauco.

O trabalho busca entender como esses animais vivem, se deslocam e utilizam a paisagem, reunindo informações que podem contribuir para a conservação das espécies e para a manutenção da conectividade entre áreas de vegetação.

Ao todo, nove grupos de primatas já foram identificados na área monitorada pelo projeto Sucuriú. O acompanhamento é direcionado principalmente ao bugio-preto (Alouatta caraya) e ao macaco-prego-do-papo-amarelo (Sapajus cay), espécies classificadas como Vulneráveis (VU) no Brasil, categoria que indica alto risco de extinção na natureza.

“Esse é um trabalho construído ao longo do tempo. Não se trata apenas de saber se determinada espécie está presente, mas de reunir informações sobre os grupos, seus deslocamentos e as áreas que utilizam. A combinação das metodologias permite ampliar esse conhecimento e criar uma base cada vez mais consistente para as ações de conservação”, afirma Gonzalo Flores, Especialista de Biodiversidade da Arauco.

Entre os grupos que passaram a ser reconhecidos pelas equipes está uma família de bugios formada por Baru (pai), Pequi (mãe) e Bacuri (filho).

O filhote nasceu durante o período de monitoramento e recebeu o nome após uma votação que reuniu mais de 270 participantes, entre trabalhadores da obra e integrantes da comunidade externa.

Desde então, a família continua sendo reencontrada durante as campanhas. Nos registros mais recentes, Bacuri apareceu interagindo com os pais, enquanto outros filhotes do grupo foram observados em momentos de brincadeira.

As imagens ajudam os pesquisadores a acompanhar o desenvolvimento dos animais e compreender melhor a dinâmica das famílias ao longo do tempo.

“A possibilidade de reencontrar os mesmos grupos ao longo das campanhas é muito importante porque permite acompanhar essas famílias no tempo. No caso de Baru, Pequi e Bacuri, seguimos registrando o grupo e reunindo informações que ajudam a compreender sua composição, o uso da paisagem e seus deslocamentos pelo corredor do Rio Sucuriú”, explica Carolina Garcia, bióloga e responsável técnica da Sauá Consultoria Ambiental.

HABITANTES DA MATA

A vida dos bugios e macacos-prego está diretamente ligada à continuidade da vegetação. Como vivem e se deslocam predominantemente pelas árvores, essas espécies dependem da conexão entre as copas para alcançar alimento, abrigo e outras áreas utilizadas pelos grupos.

Mãe e filhote bugio-pretoPai bugio-preto - Foto: Divulgação

Por isso, saber onde os animais estão e como circulam pelo território é uma informação importante para compreender a conectividade dos ambientes ao longo do corredor do Rio Sucuriú.

Além de sua importância como parte da fauna local, os primatas exercem funções fundamentais nos ecossistemas. Ao consumirem frutos e se deslocarem entre diferentes áreas, transportam e dispersam sementes, contribuindo para a regeneração da vegetação e para a diversidade das florestas.

A dependência que possuem de ambientes florestais também faz com que sejam considerados bioindicadores, já que a presença e a dinâmica desses animais podem ajudar a revelar as condições de conservação e conectividade das áreas onde vivem.

TECNOLOGIA ALIADA

Para acompanhar os animais, as equipes combinam diferentes métodos. O trabalho inclui observação direta em campo, armadilhas fotográficas – as chamadas câmeras-trap – e drones equipados com sensores termais.

Cada ferramenta oferece uma possibilidade diferente de observação. Enquanto o acompanhamento em solo permite registrar mais detalhes sobre o comportamento e a composição dos grupos, os drones ajudam a localizar animais em regiões onde a vegetação fechada dificulta a visualização.

Os números mostram a diferença no alcance das metodologias. Em aproximadamente 25 horas de busca ativa em campo, dois grupos foram identificados. Já em cerca de 24 horas de voo, os drones localizaram sete dos nove grupos conhecidos na área monitorada: seis de bugios e um de macacos-prego.

A tecnologia, no entanto, não substitui o trabalho realizado diretamente na mata. A combinação dos métodos permite ampliar a capacidade de localizar e reencontrar os animais durante as campanhas.

Nas próximas etapas, também está previsto o uso de GPS – telemetria em macacos-prego, recurso que poderá fornecer novas informações sobre os deslocamentos da espécie.

O trabalho técnico é desenvolvido pela Sauá Consultoria Ambiental, parceira do projeto Sucuriú e integrante do Grupo de Assessoramento Técnico (GAT) do Plano de Ação Nacional para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção da Ictiofauna, Herpetofauna e Primatas do Cerrado, Pantanal e Amazônia (PAN CERPAM), coordenado pelo ICMBio.

FAUNA DIVERSA

Embora os primatas sejam um dos principais focos do acompanhamento, o monitoramento também vem revelando a diversidade de outros animais presentes na região.

As câmeras instaladas no território já registraram espécies como tatu-canastra, anta, lobo-guará, tamanduá-bandeira e jaguatirica. Um grupo de queixadas com mais de 10 indivíduos também foi identificado.

A construção dessa base de informações permite acompanhar a fauna antes, durante e depois das intervenções previstas na região. Parte dos dados será utilizada para avaliar medidas de mitigação relacionadas às obras de captação de água e do emissário de efluentes tratados.

As intervenções exigirão alterações em trechos de vegetação próximos ao rio e podem criar descontinuidades no dossel – a camada formada pelas copas das árvores –, afetando especialmente espécies arborícolas.

Para reduzir esse impacto, estão previstas duas passagens superiores de fauna, estruturas suspensas com aproximadamente 180 metros de vão livre. A expectativa é de que elas ajudem a restabelecer a conexão entre os trechos de vegetação.

O monitoramento atual permitirá entender como os primatas utilizam a paisagem antes da implantação das estruturas, prevista para o primeiro semestre de 2027. Depois, as campanhas continuarão para verificar se os animais passam a utilizar as travessias e se elas cumprem a função de reconectar os ambientes.

Ao todo, estão previstas 20 campanhas de monitoramento ao longo de cinco anos, com quatro etapas realizadas anualmente.

RECONHECIMENTO

O uso de drones termais para localizar primatas em áreas de vegetação fechada também rendeu reconhecimento ao trabalho realizado no corredor do Rio Sucuriú. A iniciativa conquistou o Prêmio Destaques do Setor ABTCP 2026, na categoria Recursos Naturais e Bioeconomia.

Entre os pontos destacados estão o caráter não invasivo do monitoramento, o desenvolvimento de parâmetros específicos para detectar primatas e a combinação de diferentes metodologias para acompanhar os grupos e avaliar a conectividade da paisagem.

A entrega do prêmio está marcada para o dia 6 de outubro.

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