Correio B

CULINÁRIA

Aprenda a fazer uma deliciosa feijoada para melhorar seu fim de semana

A feijoada é considerada o prato nacional por excelência e desafia seus dotes culinários na deliciosa receita deste fim de semana

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Criada no norte de Portugal, a feijoada abrasileirou-se de tal forma que a maioria das pessoas tem a convicção de que se trata de uma criação nacional. Informações desencontradas, que, com o tempo, foram ganhando ares de verdade, reforçam o equívoco. 

Um dos mitos dá conta de que o prato teria sido inventado nas senzalas, pelos escravos.

No preparo, os cativos cozinhariam feijão-preto com as carnes rejeitadas pelos senhores de engenho. Não é verdade. A comida dos escravos limitava-se quase que somente a feijão com farinha, e os lusitanos apreciavam, sim, as carnes ditas recusadas. Quem afirma é Luís da Câmara Cascudo (1898-1986).

O historiador, etnógrafo e folclorista potiguar, autor de “História da Alimentação no Brasil”, que, desde a publicação, nos anos 1960, tornou-se a grande referência sobre o assunto, diz que a técnica da feijoada é europeia, similar aos vários tipos de cozidos encontrados na França, na Espanha e, entre outros países, também em Portugal. Segundo o escritor, o prato surgiu como o conhecemos no fim do século 19.

Outro argumento de peso para a suposta origem brasileira da feijoada seria o que se constrói em torno do mito da miscigenação racial. 

Reunindo, sempre miticamente, elementos indígenas, africanos e portugueses, a feijoada acabou se tornando um símbolo verde e amarelo bem antes do futebol e mesmo do samba.

O primeiro registro, na imprensa, a fazer menção à feijoada brasileira teria aparecido no Diário de Pernambuco, em março de 1827, a princípio, portanto, anteriormente à cronologia apontada por Cascudo. A nota dizia que, na Locanda da Águia d’Ouro – na Rua dos Cruzes, na cidade de Recife –, era servida, às quintas-feiras, “excelente feijoada à brasileira, tudo por preço cômodo” (sic).

Mas, a exemplo do que ocorre com a maioria dos filhos da terra, e, cada vez mais, com pessoas estrangeiras, você certamente tem a sua própria história para contar envolvendo essa verdadeira mania nacional.  

O feijão-preto é o que predomina na infinidade de variações que cada estado do País apresenta conforme as apropriações locais. Mas, na Bahia e em alguns outros estados, a receita oficial da feijoada leva o feijão-carioquinha.

O uso do coentro e de outras hortaliças ou especiarias, além das guarnições, sofre, do mesmo modo, uma variação considerável. 

Por exemplo, na capa deste Caderno B do fim de semana passado, uma das sugestões culinárias foi a receita de couve à mineira, prato que, para muitos, tem a sua razão de existir nela – a feijoada.

Também a presença das carnes pode ser bem mais eclética do que se imagina, avançando muito além das partes do porco (orelha, rabo, pés, costelas, etc), que se consagraram como a opção número um por aqui. Em um giro por outras regiões, do Brasil e do mundo, encontra-se todo tipo de invenção.

A cachupa, feijoada de Cabo Verde, na África, pode conter grãos de milho cozidos, peixe e vegetais. A feijoada à transmontana, uma das versões portuguesas do prato, é preparada com feijão-vermelho e carne de porco. 

A poveira, também de Portugal, leva feijão-branco. Em Moçambique, a pedida é carne de galinha e camarão.  

Embora também encontrada em outros estados do Norte e do Nordeste, a maniçoba é conhecida como a “feijoada paraense” e simplesmente abole o feijão no preparo, substituindo-o pela folha da mandioca.

“Uma feijoada completa é tão local quanto a Baía de Guanabara”, vaticinou Câmara Cascudo, nos tempos em que o Rio de Janeiro tinha mais força como expressão representativa de hábitos e de modos de todo o País. Se você for capaz de dizer que a feijoada é tão local quanto o Pantanal, deve ser capaz também de fazer a receita desta página. Aceita o desafio?

Feijoada

Ingredientes (para 6 pessoas)

> 250 gramas de feijão-preto;

> 150 gramas de carne-seca;

> 100 gramas de rabo de porco salgado;

> 100 gramas de orelha de porco salgada;

> 150 gramas de costela de porco salgada;

> 150 gramas de paio;

> 150 gramas de linguiça calabresa;

> 150 gramas de lombo de porco salgado;

> 150 gramas de toucinho defumado em cubos;

> 100 gramas de cebola em cubos;

> 50 gramas de alho amassado;

> 4 folhas de louro;

> Pimenta-do-reino a gosto;

> Sal a gosto;

> 2 unidades de laranja-pera;

> 50 ml de cachaça;

> 50 ml de suco de laranja.

 

Modo de Preparo

Coloque de molho em água fria, da noite para o dia, o feijão e as carnes salgadas, separadamente. No dia seguinte, troque a água do feijão e dê uma fervida nas carnes. 

Em um caldeirão bem largo, faça um refogado com a metade do alho, da cebola, do louro, do toucinho, pimenta-do-reino e óleo. Adicione as carnes dessalgadas e desengorduradas e refogue bem. Depois de refogadas, adicione a cachaça para desprender os resíduos do fundo da panela. 

Espere o álcool evaporar por completo. Coloque o feijão com a segunda água do molho e 50 ml de suco de laranja e deixe ferver. Abaixe o fogo, tampe a panela e cozinhe. Durante o cozimento, mexa de vez em quando para as carnes não grudarem no fundo e, se for preciso, acrescente água. 

Vá retirando as carnes à medida que forem ficando macias e reserve-as em uma travessa. Deixe o feijão cozinhar até que fique tenro. Quando o feijão estiver macio, faça, em uma frigideira, um refogado com o restante do alho, da cebola, do louro, do toucinho, pimenta-do-reino e óleo. 

Junte a esse refogado uma concha de grãos de feijão. Amasse esses grãos com as costas da concha e refogue bem. Incorpore esse refogado ao caldeirão de feijão. Verifique o tempero e corrija, se necessário. Caso o caldo esteja muito líquido, aumente o fogo e cozinhe com o caldeirão destampado. 

Caso queira engrossá-lo, amasse o feijão com as costas de uma concha ou com um socador. Passe o feijão para uma tigela, distribua as porções de carne em travessas, corte as laranjas em pedaços e sirva.

Moda Correio B+

Coluna Entre Costuras e CuLtura: Quando o fitness vira clube e o bem-estar se torna comunidade

O que vemos não é só ativação de marca. É construção de comunidade.

22/03/2026 17h30

Coluna Entre Costuras e CuLtura: Quando o fitness vira clube e o bem-estar se torna comunidade

Coluna Entre Costuras e CuLtura: Quando o fitness vira clube e o bem-estar se torna comunidade Foto: Divulgação

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Não é mais apenas sobre treinar...

Nos últimos anos, marcas fitness deixaram de vender roupas para vender experiências. Quadras de tênis transformadas em clubes de verão, aulas que terminam em brunch coletivo, eventos que misturam esporte, música e networking. O movimento é claro: performance agora caminha ao lado de pertencimento.

O que vemos não é só ativação de marca, é construção de comunidade, do produto à experiência. Marcas como a Lululemon entenderam algo fundamental: o consumidor contemporâneo não quer apenas vestir um lifestyle quer vivê-lo.

Ao transformar espaços esportivos em clubes sociais temporários, essas empresas criam algo muito mais poderoso do que uma campanha publicitária. Criam memória afetiva. Criam conexão entre pessoas. Criam identidade coletiva. O exercício físico deixa de ser atividade individual e passa a ser evento social, e o novo luxo é pertencer

Existe uma mudança silenciosa acontecendo. Se antes o luxo era exclusividade material, hoje ele está cada vez mais associado à experiência compartilhada.

Participar de um treino especial, estar em um evento com curadoria estética, postar uma manhã de tênis ao lado de pessoas que compartilham os mesmos valores tudo isso constrói narrativa social, e pertencimento é um dos ativos emocionais mais valiosos da atualidade.

Sentir-se parte de um grupo que valoriza saúde, bem-estar e estilo de vida ativo reforça identidade, e identidade é capital simbólico, autocuidado como ato coletivo. Outro ponto interessante é como o autocuidado deixa de ser um gesto solitário e se transforma em prática coletiva.

Treinar em grupo, participar de encontros organizados por marcas, compartilhar rituais de bem-estar tudo isso fortalece disciplina e engajamento. Quando o cuidado é coletivo, ele se sustenta com mais facilidade.

Há também uma camada estratégica: comunidades engajadas são mais leais. Pessoas não abandonam apenas um produto abandonam um grupo, uma rotina, uma rede social, e isso é muito mais difícil. Fitness como extensão da marca pessoal.

Coluna Entre Costuras e CuLtura: Quando o fitness vira clube e o bem-estar se torna comunidadeColuna Entre Costuras e CuLtura: Quando o fitness vira clube e o bem-estar se torna comunidade - Divulgação

Vivemos em uma era em que saúde e disposição também comunicam posicionamento. Estar ativo, participar de eventos esportivos, integrar comunidades wellness reforça atributos como disciplina, energia e equilíbrio. A roupa esportiva deixa a academia e entra no cotidiano. O treino vira parte da identidade pública, não é apenas sobre performance física, é sobre narrativa pessoal.

Entre costuras e cultura, observo que moda, beleza e agora o fitness seguem o mesmo caminho: deixam de vender objeto e passam a vender pertencimento. O corpo ativo vira linguagem, a comunidade vira vitrine, o autocuidado vira experiência social.

Dicas: como participar dessa tendência com consciência

- Escolha comunidades alinhadas aos seus valores. Nem todo evento fitness é sobre saúde, alguns são apenas estética. Priorize espaços que promovam bem-estar genuíno.

- Use a experiência como conexão, não como competição. O foco deve ser energia compartilhada, não performance comparativa.

- Integre o social ao seu ritmo real. Participar de grupos pode fortalecer disciplina, mas não substitui escutar o próprio corpo.

- Construa sua marca pessoal com coerência. Se o lifestyle ativo faz sentido para você, incorpore-o de forma natural não apenas como tendência.

- Lembre-se: pertencimento não deve exigir performance constante. Comunidade saudável acolhe constância, não perfeição. No fim, talvez o verdadeiro movimento não esteja apenas na quadra.

Essa é na maneira como transformamos cuidado em cultura, e cultura em comunidade.

Coluna Entre Costuras e CuLtura: Quando o fitness vira clube e o bem-estar se torna comunidadeGabriela Rosa - Divulgação

 

Comportamento Correio B+

Coluna Desatando nós: O cansaço invisível das mulheres

"A carga mental é o trabalho invisível de pensar, lembrar, planejar e antecipar tudo o que mantém a vida familiar funcionando", explica a Dra. em psicologia Vanessa Abdo

22/03/2026 14h00

Coluna Desatando nós: O cansaço invisível das mulheres

Coluna Desatando nós: O cansaço invisível das mulheres Foto: Divulgação

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Muitas mulheres chegam ao consultório dizendo que estão cansadas. Não é apenas cansaço físico. É um esgotamento mais profundo, difícil de explicar. Quando começamos a conversar, aparece algo que tem nome, mas ainda é pouco reconhecido no cotidiano das famílias: a carga mental.

A carga mental é o trabalho invisível de pensar, lembrar, planejar e antecipar tudo o que mantém a vida familiar funcionando. Não se trata apenas de fazer tarefas. Trata-se de lembrar a consulta médica do filho, organizar a rotina da casa, pensar no material da escola, prever aniversários, resolver conflitos, administrar emoções e garantir que tudo aconteça.

Inclusive ter que pedir para o parceiro lavar louça (uma ação óbvia que precisa ser feita, é exaustiva!). Mas é só pedir! Eles dizem! 

E elas exaaaaustas!

Mesmo em famílias onde as tarefas são divididas, muitas mulheres continuam sendo as responsáveis por coordenar mentalmente a vida de todos. São elas que pensam no que precisa ser feito, delegam, lembram, acompanham e verificam se tudo foi realizado. Esse trabalho não aparece nas listas de tarefas, mas ocupa espaço constante na mente.

Com o tempo, essa sobrecarga produz irritação, sensação de injustiça e um cansaço difícil de explicar. Muitas mulheres passam a se sentir culpadas por estarem sempre exaustas, enquanto muitos homens acreditam que estão colaborando porque executam tarefas pontuais. O problema é que a gestão emocional e organizacional da família continua concentrada em uma pessoa.

Falar sobre carga mental não é transformar relações em disputa. É reconhecer um desequilíbrio que ainda existe em muitas famílias e que impacta diretamente a saúde mental das mulheres. Quando essa responsabilidade passa a ser realmente compartilhada, não apenas nas tarefas, mas também no planejamento e na responsabilidade emocional, as relações se tornam mais leves.

Dividir a vida não é apenas dividir o que se faz. É também dividir o que se pensa, o que se lembra e o que se sustenta emocionalmente dentro de uma família.

Vamos desatar esses nós?

Coluna Desatando nós: O cansaço invisível das mulheresVanessa Abdo - Dra. em psicologia - Divulgação

 

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