Correio B

Capa da semana Correio B+ - Com exclusividade

Entrevista com a atriz Giselle Prattes, destaque no filme "Minha Vida com Shurastey" e "Diana"

"Camilla é o oposto de mim e isso foi o que mais me atraiu. Ela carrega uma narrativa pública muito consolidada, mas o meu trabalho foi investigar a mulher por trás do julgamento. Eu não podia suavizá-la, nem caricaturá-la".

Continue lendo...

Giselle de Prattes começou no teatro antes mesmo de compreender que aquilo poderia se tornar profissão. Aos sete anos, insistiu para entrar em uma companhia infantil que funcionava atrás de sua casa, em Niterói. Pouco depois, já integrava o elenco fixo. Aos 11, acumulava recortes de jornal suficientes para garantir seu DRT. A infância e a adolescência foram atravessadas por ensaios, temporadas e pelo convívio cotidiano com o palco.

“Eu comecei muito pequena, sem qualquer manual ou referência dentro de casa. Fui a primeira artista da família. Não existia estratégia, existia vocação. Durante muitos anos vivi equilibrando sobrevivência e ofício — mas nunca permiti que as circunstâncias definissem quem eu era como artista. Eu sempre soube que talento exige disciplina e que paixão, sozinha, não sustenta uma trajetória. Foi o estudo constante que me manteve de pé.”

Criada pela mãe e pelo avô — um homem erudito, profundamente ligado à ópera e às operetas — cresceu em um ambiente onde música e dramaturgia faziam parte da rotina doméstica.

Estudou no Conservatório de Música de Niterói, aprendeu partitura, flauta transversa e desenvolveu um ouvido musical apurado. Mais tarde, consolidou sua formação na CAL e na Faculdade da Cidade. O aprimoramento nunca cessou: cursos, preparadores e investigação técnica permanente.

A maternidade chegou aos 17 anos e tornou-se parte estruturante de sua trajetória. Ao contrário do que muitos poderiam prever, não interrompeu o caminho artístico — redimensionou-o. “Ser mãe tão jovem me obrigou a amadurecer antes do tempo. Enquanto muitas pessoas estavam começando a descobrir quem eram, eu já precisava sustentar decisões, sustentar uma casa e sustentar um sonho. A maternidade não diminuiu a minha ambição artística — ela aprofundou o meu senso de responsabilidade. Eu nunca quis que meus filhos crescessem acreditando que eu havia desistido de mim.”

Foto: Carlos Costa

O primogênito, Nicolas, hoje ator reconhecido nacionalmente, cresceu acompanhando ensaios, coxias e bastidores. Anos depois, a família se ampliaria com a chegada de Maria Fernanda, consolidando uma estrutura afetiva que sempre caminhou paralelamente à construção profissional da mãe. A arte, no entanto, sempre foi anterior aos vínculos públicos que hoje acompanham seu nome.

Entre estudos dentro e fora do país, ensaios e trabalhos como backing vocal — inclusive ao lado de Tim Maia e Jorge Ben Jor — Giselle conciliava palco e maternidade. No fim da década de 1990, foi aprovada no concurso Garotas do Zodíaco e passou a integrar o elenco do programa Planeta Xuxa (1999/2000), ampliando sua projeção nacional em um dos maiores fenômenos televisivos da época. Houve períodos de maior visibilidade e, por outro lado, fases de recolhimento, inclusive dedicadas à formação em Psicologia, etapa que hoje reconhece como decisiva para ampliar sua escuta e sua compreensão do comportamento humano — elementos que atravessam sua atuação.

Giselle em "Diana" - Divulgação

Durante muitos anos, sua carreira concentrou-se no teatro e na música. A partir de 2015, o audiovisual passou a ocupar espaço central, inaugurando uma nova etapa profissional. As participações em novelas e séries como Babilônia, Rock Story, Tempo de Amar, Verão 90, Malhação - Seu Lugar no Mundo, e Reis, além de filmes como O Segredo de Davi, O Melhor Verão das Nossas Vidas, Depois do Universo e Perdida, ampliaram seu repertório e demandaram outro tipo de precisão técnica — mais econômica, mais contida, mas igualmente intensa.

No palco, porém, permanece aquilo que define como “presença absoluta”. Ao longo dos anos, esteve em montagens como Para Sempre Abba, Os Saltimbancos Trapalhões, no papel da Gata Karina, Kiss Me, Kate – O Beijo da Megera e, mais recentemente, deu vida a Carmem Miranda em Chatô e os Diários Associados. É justamente no teatro musical, no entanto, que vive hoje um dos maiores desafios da carreira: interpretar Camilla Parker Bowles na montagem brasileira de “Diana – A Princesa do Povo”, que estreia a partir de 27 de fevereiro, com temporadas no Rio de Janeiro e em São Paulo.

“Camilla é o oposto de mim e isso foi o que mais me atraiu. Ela carrega uma narrativa pública muito consolidada, mas o meu trabalho foi investigar a mulher por trás do julgamento. Eu não podia suavizá-la, nem caricaturá-la. Precisei encontrar humanidade na dureza, vulnerabilidade na força. Construí um novo eixo corporal, um padrão vocal mais aterrado, outra lógica emocional. É um processo que ainda está acontecendo — e talvez nunca termine.”

Para a construção da personagem, Giselle mergulhou em biografias raras, pesquisou subtextos históricos e buscou referências dramáticas na literatura clássica para compreender tensões de poder, desejo e ambiguidade moral.

A composição vocal e corporal foi minuciosa, respeitando o contexto inglês sem recorrer a modelos replicados. Para ela, maturidade artística está justamente na capacidade de sustentar camadas e ambiguidades sem recorrer a soluções fáceis.

Paralelamente ao teatro, integra o elenco do filme “Minha Vida com Shurastey”, produção inspirada em um fenômeno contemporâneo que mobilizou milhões de pessoas. No longa, interpreta a tia de Jesse — personagem real, ligada diretamente à memória afetiva do público. O projeto traz ainda um encontro simbólico: mãe e filho dividindo a cena.

“Entrar em ‘Minha Vida com Shurastey’ foi dialogar com uma história que já pertencia ao público. Existe uma responsabilidade diferente quando você interpreta uma memória coletiva. E dividir a cena com meu filho foi algo profundamente simbólico. Não foi apenas um encontro profissional, foi um encontro de trajetórias. Quando arte e afeto se encontram, o resultado ganha uma camada que vai além da técnica.”

Hoje, sua relação com a escolha de projetos é consciente. Se no início aceitava oportunidades movida pela urgência de estar em cena, agora prioriza densidade, coerência e complexidade feminina. Busca personagens que provoquem reflexão e exijam maturidade emocional.

Ao olhar para o futuro, Giselle se vê em plena expansão. Deseja consolidar sua presença em grandes produções de teatro musical, ampliar o espaço no audiovisual e, eventualmente, participar da criação de projetos culturais desde sua origem. Reconhece o valor da crítica especializada e do reconhecimento institucional como consequência de uma trajetória consistente — nunca como ponto de partida.

Entre palcos e telas, Giselle de Prattes vive uma fase que não representa começo nem recomeço, mas consolidação. Uma artista que atravessou diferentes etapas da vida sem abandonar o ofício — e que hoje ocupa, com maturidade e consistência, o espaço que construiu ao longo do tempo. Se pudesse sintetizar sua história, escolheria uma ideia simples e firme: “Eu não acredito em tempo certo para dar certo. Acredito em tempo de amadurecer, de reconstruir e de florescer. A minha história não é sobre atalhos, é sobre permanência”, finaliza.

A atriz é Capa do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ela fala sobre trabalhos, carreira, escolhas, família e novos projetos.

A atriz Giselle Prattes é a Capa do Correio B+ desta semana - Foto: Sergio Baia - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flavia Viana

CE - Olhando para o início da sua trajetória, o que te levou, de fato, a escolher a atuação como caminho — houve um momento de decisão ou foi algo que se construiu aos poucos?
GP -
Foi algo que se construiu muito cedo, quase de forma intuitiva. Eu comecei aos 7 anos no teatro infantil, em Niterói, e desde o início já existia um encantamento muito grande com aquele universo. Não foi uma decisão racional, foi uma necessidade de expressão. Com o tempo, aquilo que começou como encantamento foi ganhando forma de profissão. A vida foi me colocando dentro desse caminho e eu fui ficando.

CE - Nos primeiros anos de carreira, quais foram os aprendizados mais determinantes para a artista que você se tornaria depois?
GP -
 Disciplina e resiliência. Começar muito jovem, sem referências dentro da família, me fez aprender na prática. O teatro infantil, naquela época, era muito intenso ensaios, apresentações, críticas, rotina. E depois vieram os desafios da vida pessoal, que também foram grandes. Isso tudo me ensinou que talento sozinho não sustenta uma carreira. É preciso constância, estudo e muita persistência.

CE - Ao longo do tempo, sua carreira passou por diferentes fases e linguagens. Houve algum ponto de virada em que você percebeu uma mudança mais clara no seu posicionamento como atriz?
GP -
Sim, principalmente no meu retorno ao teatro musical em uma fase mais madura da vida. Quando você volta com mais vivência, mais repertório emocional, a forma de atuar muda completamente. Você deixa de apenas executar e passa a construir com mais consciência. Esse foi um ponto de virada importante para mim.

CE - Em que momento você sentiu que deixou de apenas aceitar oportunidades para começar a fazer escolhas mais conscientes sobre os projetos que queria construir?
GP -
Isso veio com o tempo e com a maturidade. No início, eu aceitava as oportunidades porque queria trabalhar, aprender, me manter ativa. Mas depois de viver algumas pausas e recomeços, passei a olhar para os projetos de outra forma. Hoje eu penso no que aquele trabalho representa dentro da minha trajetória. Se ele me desafia, se me acrescenta, se faz sentido para o momento que estou vivendo.

CE - Sua trajetória transita entre teatro musical, televisão e cinema. O que cada uma dessas experiências foi te ensinando ao longo do caminho?
GP -
 Cada linguagem ensina algo muito específico. O teatro me ensinou presença, escuta e entrega. É um espaço onde você precisa estar inteira o tempo todo.

A televisão me ensinou precisão e sutileza. A câmera exige economia e consciência de cada gesto. E o cinema me trouxe um mergulho mais íntimo, mais interno, uma construção mais silenciosa da emoção. Todas essas experiências se complementam e me ajudam a construir personagens de forma mais completa.

CE - O teatro musical ocupa um lugar importante na sua carreira. O que te faz retornar a essa linguagem mesmo depois de experiências no audiovisual?
GP -
 O teatro musical reúne muito do que eu amo na arte. Ele exige técnica, disciplina, emoção e presença. É uma linguagem muito completa, que envolve corpo, voz e interpretação de forma simultânea. E existe também a troca com o público, que é imediata e muito potente. Isso me move muito.

CE - Ao longo dos anos, você percebe uma mudança no tipo de personagem que passou a te interessar? O que hoje se tornou essencial para que um papel faça sentido para você?
GP - 
Sim, completamente. Hoje eu me interesso por personagens que tenham camadas, que tragam contradições, conflitos humanos reais. Mulheres complexas, que não sejam óbvias. O essencial para mim hoje é que o papel me provoque. Que me tire da zona de conforto e me faça crescer como atriz.

CE - Chegando ao momento atual, você está em cartaz com “Diana – A Princesa do Povo”. O que esse trabalho representa dentro da sua trajetória?
GP -
 Esse trabalho representa um momento de aprofundamento. É um espetáculo que exige muito de mim tecnicamente e emocionalmente. E também representa um encontro com uma fase mais madura da minha carreira, em que consigo acessar a personagem com mais consciência e repertório.

CE - A construção de Camilla Parker Bowles traz uma complexidade emocional e histórica. Como tem sido esse processo e em que ele dialoga com a atriz que você se tornou hoje?
GP -
 Tem sido um processo intenso. Camilla é uma figura carregada de julgamento, e isso exige um cuidado muito grande na construção.

Eu precisei tirar o julgamento e buscar compreender a mulher por trás da imagem pública. Esse processo dialoga muito com a atriz que eu acredito, com o trabalho que busca diariamente descobrir e melhorar ,  exige maturidade, escuta e profundidade emocional.

A atriz Giselle Prattes é a Capa do Correio B+ desta semana - Foto: Sergio Baia - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flavia Viana

CE - Paralelamente, você integra o elenco do filme “Minha Vida com Shurastey”. Como esse projeto se encaixa nesse momento da sua carreira?
GP -
 Esse projeto chega em um momento muito bonito, porque amplia meu olhar para o audiovisual. É uma história que já carrega uma conexão emocional muito forte com o público, e poder fazer parte disso foi muito especial. Ele dialoga com esse momento de expansão da minha carreira.

CE - Trabalhar ao lado do seu filho nesse filme adiciona uma camada pessoal à experiência. Como essa relação atravessa sua trajetória artística ao longo do tempo?
GP -
 A arte sempre esteve muito presente na nossa relação. Meu filho começou no palco muito cedo, em um espetáculo que eu produzia e no qual também atuava. Então existe uma história artística entre nós. Trabalhar juntos hoje foi um encontro muito simbólico. Existe troca, cumplicidade e um entendimento muito profundo do que é esse caminho.

CE - Depois de uma carreira marcada por diferentes fases, linguagens e recomeços, como você definiria o momento que vive hoje — mais como continuidade ou como um novo capítulo? E já existem planos futuros?
GP -
 Eu vejo como um novo capítulo. A minha trajetória sempre teve recomeços, e hoje eu sinto que estou em um momento de expansão e mais consciência artística. Quero continuar transitando entre o teatro musical e o audiovisual, buscar personagens cada vez mais complexas e, quem sabe, também começar a desenvolver projetos como produtora. Eu me sinto em movimento e isso, para mim, é essencial.


 

FELPUDA

A vereadora Isa Jane Marcondes está andando em campo minado, pois a cada...Leia a coluna de hoje

Leia a coluna desta quarta-feira (25)

25/03/2026 00h03

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

Continue Lendo...

Millôr Fernandes - escritor brasileiro

"Ninguém sabe o que você ouve, mas todo mundo ouve muito bem o que você fala”.

 

FELPUDA

A vereadora Isa Jane Marcondes está andando em campo minado, pois a cada fiscalização que realiza e posta em suas redes sociais, torna-se alvo de saraivada de ataques, inclusive dos seus colegas da Câmara Municipal de Dourados. Persistente, ela anda se desviando das minas espalhadas em cada órgão público que visita para constatar se os serviços estão indo ao encontro do que a população quer. Ela verifica, inclusive, o que teria sido varrido para debaixo do tapete. A realidade, dizem, é que há aqueles que desejam tirá-la do páreo de voos mais altos. Vai saber...

Diálogo

Eclético

O deputado Paulo Duarte está buscando novo rumo e, assim, deve deixar o PSB para se filiar, ao que tudo indica, no PSDB. O parlamentar tem trajetória partidária um tanto quanto extensa em sua vida política. Ele foi filiado ao PT.

Mais

E, inclusive, integrou o “núcleo duro” da administração petista em MS. Saiu do PT em 2016 e migrou para o PDT. Mas não durou muito, pois logo mudou de sigla, filiando-se ao MDB. Posteriormente, buscou abrigo no PSB e agora consta que estaria indo para o PSDB. Ufa!

DiálogoDr. Afonso Simões Corrêa, que está participando do programa de residência médica em Oncologia Clínica na USP, em São Paulo

 

DiálogoFlávia Ceretta

Eu juro!

O governador Eduardo Riedel jurou por todos os santos e arcanjos que não conversou sobre política com Lula, quando ele esteve em Campo Grande. Disse que o diálogo entre eles foi sobre, em suas palavras, “investimentos no Estado; falei para ele a respeito da rota bioceânica, da necessidade de manter o aporte para o acesso; conversamos do êxito da concessão, que foi uma delegação de parte das rodovias federais, e também de projetos que estão na Casa Civil e devem ser enviados ao Senado para aprovação da CAE, aqueles 200 milhões de dólares, que temos 50 de contrapartida”. Então, tá...

Palanque

A ministra Simone Tebet bateu o martelo com Lula e trocará MDB, seu partido por três décadas, pelo PSB, cuja figura mais ilustre é o vice-presidente Alckmin. Ela disputará uma das vagas ao Senado, mas por São Paulo, estado com maior colégio eleitoral do País, para “fazer palanque” para o lulismo. Em sua trajetória política em Mato Grosso do Sul foi deputada estadual, prefeita, vice-governadora e senadora.

Recuo

Com a reta final da janela partidária e algumas definições para composição de chapas e, até mesmo, interesse de alçar outros voos, políticos decidiram fazer análise mais detidamente do cenário eleitoral. Assim, já se verifica certa disposição de algumas pré-candidaturas serem mantidas. Uma delas seria a da vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira (PL). Ela teria cogitado até se filiar ao Novo para disputar o Senado. Porém...

Aniversariantes

Elaine Batista de Oliveira,
Alfredo Zamlutti Júnior,
Lauane Braz Andrekowiski Volpe Camargo,
Vilmar Vendramin,
Andréa Elizabeth Ojeda,
Clelia Casanobas Pereira,
Ilda Vilalba Lima,
Aline de Oliveira Silva,
Cicero Pucci,
Antônio Fernandes Teixeira,
Constantinos Mastroyannis,
Goro Shiota,
Izaura Saad do Amaral,
José Aparecido Miguel,
Luis Adolar Camargo Kieling,
Paulo Ricardo Sbardelote,
Darci Rocha Rodovalho,
Elcimar Serafim de Souza,
Marizeth de Faria Molina,
Eva Lefreve,
Miguel Cherbakian Primo,
Amaury D’Anunzio de Miranda Leal,
Eduardo Orsi Abdul Ahad,
Dra. Janete Lima Miguel,
Dr. Sidney Valieri,
Pércio de Andrade Filho,
Ana Carolina Correia,
Adelino Augusto Arakaki Martins,
Maria Neusa de Souza,
Thomaz Lipparelli,
Cristiane Iguma Câmara,
Bertildes Oliveira de Abreu,
Rose Mary Monteiro,
Joaquim Alcides Carrijo,
Luis Antonio de Oliveira,
Wagner Dagoberto Baptista,
Osmar Marques do Amaral,
Aparecido Camazano Alamino,
Alceu Roque Rech,
Zely Vieira Recalde,
Antônio Vladimir Furine,
Hélio Aldo dos Santos,
Magdalena Ferraz Baís,
Roseny Rodrigues Nogueira,
Maria Pereira Motta,
Leôncio de Souza Brito Filho,
Dr. Carlos Benigno Tokarski,
Nilza Maria Coutinho,
Maria Helena Pinheiro,
Zulmira de Freitas,
Nilton Nantes Coelho,
Arialú Paula Nogueira,
José Ernesto de Souza Faria,
Gabriel Meudau Lemos,
Marilda Coelho Lima,
Otávio Otaviano da Silva Pereira,
Maria Emília da Silva,
Pedro Paulo Gentil,
Dirceu Teixeira Nogueira,
Mirna Gonçalves,
Geraldo Carvalho Corrêa,
Nilson Arantes,
Altagno Sandin Bacarje,
Dilma Alvarenga da Silva,
Agenor de Figueiredo,
Fábio da Costa Rondon,
Maria Aparecida Barros de Moura,
Lodemir Cânepa Penajo,
Carlos Augusto Melke,
Taís Oliveira Pena,
Cristina de Melo Hamana,
Assis Alves Pimenta,
Allan Kardec Victor Hugo dos Santos,
Juliene Aparecida da Silva Gomes,
Wanir Maria Gasparetto da Silva,
Edilson Carlos Araujo de Oliveira,
Dayselene de Lara,
Anuncia Gimenes Ayala,
Antonio da Silva,
José Mário Facioli,
Gustavo Kiotoshi Shiota,
Everton Santos Garcia,
Edmilson Amaral da Rosa,
Carlos Uechi,
José Antonio Amaral Camargo,
Milton de Souza Leite,
Rodrigo Fernandes Ramos,
Silvia Aparecida da Silva Rocha,
Eloisa Fernandes dos Santos,
Ademir Gonçalves da Silva,
Thamara Silva Dauzacker Furlan,
Andreia Gomes Gusman,
Guilherme Coppi,
Rubens José Franco Cozza,
Silvania Gobi Monteiro Fernandes,
Márcio José da Cruz Martins,
Cenise Fatima do Vale Montini Jonson,
Dianary Carvalho Borges,
Carlos Eduardo Tedesco Silva,
Douglas Tiago Campos,
Katiussia Ribeiro Vieira,
Nelma Ortolan Franzim,
Sara Rosane Barcelos Moreira,
Luciane de Araújo Martins,
Everton Armôa Martos,
Humberto Dauber,
Carlos Henrique Suzuki,
Vicente Martins,
Quirino Areco

COLABOROU TATYANE GAMEIRO

COMPORTAMENTO E SOCIEDADE

Sociedade Pesquisa mostra que 80% dos brasileiros se sentem felizes

Levantamento da Ipsos mostra crescimento nos níveis de bem-estar, com destaque para relações pessoais, saúde e espiritualidade como pilares da felicidade entre brasileiros

24/03/2026 08h00

Relações pessoais e o sentimento de ser amado ou valorizado estão entre as maiores causas de felicidade no Brasil

Relações pessoais e o sentimento de ser amado ou valorizado estão entre as maiores causas de felicidade no Brasil Freepik

Continue Lendo...

Os brasileiros estão mais felizes atualmente do que estavam há um ano. É o que revela o Ipsos Happiness Report 2026, pesquisa global que mede a percepção de felicidade em 29 países e aponta um avanço significativo nos níveis de satisfação da população.

No Brasil, 80% dos entrevistados afirmam estar felizes ou muito felizes (um crescimento de dois pontos porcentuais em relação a 2025), colocando o País entre os mais satisfeitos do mundo, na sétima posição do ranking internacional.

O levantamento mostra que 28% dos brasileiros se consideram muito felizes e 52% felizes. Enquanto 15% dizem não estar muito felizes e apenas 5% afirmam não estar felizes de forma alguma. Os números brasileiros superam a média global, que registra 74% de pessoas felizes, sendo 18% muito felizes.

O cenário nacional acompanha uma tendência internacional: em 25 dos 29 países pesquisados, os níveis de felicidade aumentaram em comparação ao ano anterior.

Apenas três países registraram queda. O dado indica uma melhora generalizada na percepção de bem-estar, possivelmente influenciada por fatores como maior estabilidade econômica e recuperação social após períodos de crise.

Os dados do levantamento revelam uma compreensão mais ampla sobre o que significa ser feliz. No Brasil, essa percepção está fortemente associada a vínculos afetivos, saúde e propósito de vida – elementos que, mesmo diante de desafios econômicos, sustentam níveis elevados de satisfação.

Ao mesmo tempo, o estudo evidencia que a felicidade não é distribuída de forma uniforme e pode variar de acordo com fatores como idade, renda e contexto social.

MOTOR DA FELICIDADE

No Brasil, a felicidade tem raízes profundas nas relações humanas e no bem-estar emocional. O principal fator apontado pelos entrevistados é o sentimento de ser amado ou valorizado, citado por 34%. Em seguida, aparecem a saúde física e mental (31%) e o relacionamento com a família e os filhos (29%).

Esses resultados mostram que, mais do que condições materiais, são os vínculos afetivos e a qualidade de vida que sustentam a sensação de felicidade entre os brasileiros.

A tendência também se repete globalmente: sentir-se apreciado e ter boas relações familiares aparecem como os principais motores da felicidade em diversos países.

Outro ponto de destaque é o papel da espiritualidade. No Brasil, 22% dos entrevistados apontam a fé ou a vida espiritual como um fator relevante para a felicidade – mais que o dobro da média global, que é de 10%.

O dado reforça uma característica cultural marcante do País, onde a religiosidade segue sendo um elemento importante na construção do bem-estar.

Além disso, fatores como perceber que a vida tem sentido e ter controle sobre a própria trajetória também aparecem entre os elementos que contribuem para a felicidade, indicando uma combinação entre aspectos emocionais, sociais e subjetivos.

DIFERENÇAS ENTRE GÊNEROS

A pesquisa também revela nuances importantes quando se observa o recorte por gênero. Entre os brasileiros que se dizem muito felizes, os homens aparecem em maior proporção (29%) em comparação às mulheres (26%).

No entanto, quando se trata do grupo que se declara feliz, as mulheres lideram, com 54%, frente a 50% dos homens.

Os dados sugerem que, embora os níveis gerais de felicidade sejam semelhantes entre os gêneros, a intensidade dessa percepção pode variar. Ainda assim, a soma total de pessoas satisfeitas com a vida se mantém elevada em ambos os grupos.

Relações pessoais e o sentimento de ser amado ou valorizado estão entre as maiores causas de felicidade no BrasilEspiritualidade é duas vezes mais relevante para a felicidade dos brasileiros do que para a média global - Foto: Freepik

VARIAÇÃO AO LONGO DA VIDA

O estudo também analisa como a felicidade muda com a idade – e os resultados mostram um padrão curioso. A satisfação com a vida tende a ser alta na juventude, sofre uma queda por volta dos 50 anos e volta a crescer nas décadas seguintes, atingindo seu pico após os 70 anos.

Globalmente, pessoas com mais de 70 anos apresentam os maiores níveis de felicidade, enquanto aquelas na faixa dos 50 anos estão entre as menos satisfeitas.

No Brasil, a faixa etária entre 50 e 74 anos concentra o maior índice de felicidade, com 82% das pessoas se declarando felizes ou muito felizes. O dado indica que, apesar de desafios comuns à meia-idade, como questões profissionais ou financeiras, há uma retomada significativa do bem-estar com o avanço da idade.

Por outro lado, a geração Z – formada por jovens nascidos entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2010 – é a que apresenta o maior porcentual de pessoas que se dizem nada felizes, embora esse número ainda seja relativamente baixo, de 6%.

UM DOS MAIS FELIZES

No ranking global, o Brasil aparece entre os países com maior índice de felicidade. As primeiras posições são ocupadas por Indonésia (86%), Países Baixos (84%), México (83%) e Colômbia (83%). Com 80% da população feliz, o Brasil figura logo atrás, consolidando-se como um dos países mais satisfeitos entre os pesquisados.

A trajetória também é positiva no longo prazo. Desde 2011, o índice de felicidade no Brasil aumentou três pontos porcentuais, contrariando uma tendência de queda observada em alguns países ao longo dos anos.

Esse crescimento indica que, apesar de desafios econômicos e sociais, a percepção de bem-estar no País tem se mantido resiliente, sustentada principalmente por fatores não materiais.

DINHEIRO NÃO TRAZ FELICIDADE, MAS AJUDA

Se por um lado a felicidade está ligada a aspectos emocionais e relacionais, a infelicidade tem uma origem mais concreta. No Brasil, a situação financeira é o principal fator de insatisfação, citado por 54% dos entrevistados.

Na sequência, aparecem a saúde mental e o bem-estar (37%) e as condições de moradia (27%). O padrão é semelhante ao observado globalmente, em que a situação financeira também lidera como principal causa de infelicidade, com 57% das menções.

O impacto das finanças é transversal e atinge todas as gerações. Entre os baby boomers, 68% apontam esse fator como a principal causa de infelicidade. O índice cai para 62% na geração X e para 49% entre millennials e geração Z, mas ainda se mantém como o principal motivo em todos os grupos.

A pesquisa também evidencia uma relação direta entre renda e felicidade. Pessoas com maior poder aquisitivo tendem a ser mais felizes (79%) do que aquelas com renda mais baixa (67%), o que reforça a importância das condições materiais na qualidade de vida.

Apesar do peso das finanças na infelicidade, a percepção sobre a economia apresentou melhora este ano. Em 18 dos 29 países analisados, mais pessoas passaram a acreditar que a economia nacional está mais forte do que no ano anterior.

Essa mudança pode ter contribuído para o aumento geral da felicidade, visto que reduz a insegurança e melhora as expectativas em relação ao futuro.

O estudo sugere que, embora fatores econômicos não sejam os principais responsáveis pela felicidade, eles exercem forte influência quando se trata de insatisfação, especialmente em contextos de instabilidade.

METODOLOGIA

O Ipsos Happiness Report 2026 foi realizado entre 24 de dezembro de 2025 e 9 de janeiro de 2026, com a participação de 23.268 adultos em 29 países. As entrevistas foram conduzidas por meio de plataformas on-line, com exceção da Índia, onde parte da coleta foi feita presencialmente.

No Brasil, a amostra contou com cerca de mil entrevistados, com margem de erro estimada em 3,5 pontos porcentuais. Os dados foram ajustados para refletir o perfil demográfico da população adulta, com base nos censos mais recentes.

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).