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Capa da semana Correio B+ - Com exclusividade

Entrevista com a atriz Giselle Prattes, destaque no filme "Minha Vida com Shurastey" e "Diana"

"Camilla é o oposto de mim e isso foi o que mais me atraiu. Ela carrega uma narrativa pública muito consolidada, mas o meu trabalho foi investigar a mulher por trás do julgamento. Eu não podia suavizá-la, nem caricaturá-la".

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Giselle de Prattes começou no teatro antes mesmo de compreender que aquilo poderia se tornar profissão. Aos sete anos, insistiu para entrar em uma companhia infantil que funcionava atrás de sua casa, em Niterói. Pouco depois, já integrava o elenco fixo. Aos 11, acumulava recortes de jornal suficientes para garantir seu DRT. A infância e a adolescência foram atravessadas por ensaios, temporadas e pelo convívio cotidiano com o palco.

“Eu comecei muito pequena, sem qualquer manual ou referência dentro de casa. Fui a primeira artista da família. Não existia estratégia, existia vocação. Durante muitos anos vivi equilibrando sobrevivência e ofício — mas nunca permiti que as circunstâncias definissem quem eu era como artista. Eu sempre soube que talento exige disciplina e que paixão, sozinha, não sustenta uma trajetória. Foi o estudo constante que me manteve de pé.”

Criada pela mãe e pelo avô — um homem erudito, profundamente ligado à ópera e às operetas — cresceu em um ambiente onde música e dramaturgia faziam parte da rotina doméstica.

Estudou no Conservatório de Música de Niterói, aprendeu partitura, flauta transversa e desenvolveu um ouvido musical apurado. Mais tarde, consolidou sua formação na CAL e na Faculdade da Cidade. O aprimoramento nunca cessou: cursos, preparadores e investigação técnica permanente.

A maternidade chegou aos 17 anos e tornou-se parte estruturante de sua trajetória. Ao contrário do que muitos poderiam prever, não interrompeu o caminho artístico — redimensionou-o. “Ser mãe tão jovem me obrigou a amadurecer antes do tempo. Enquanto muitas pessoas estavam começando a descobrir quem eram, eu já precisava sustentar decisões, sustentar uma casa e sustentar um sonho. A maternidade não diminuiu a minha ambição artística — ela aprofundou o meu senso de responsabilidade. Eu nunca quis que meus filhos crescessem acreditando que eu havia desistido de mim.”

Foto: Carlos Costa

O primogênito, Nicolas, hoje ator reconhecido nacionalmente, cresceu acompanhando ensaios, coxias e bastidores. Anos depois, a família se ampliaria com a chegada de Maria Fernanda, consolidando uma estrutura afetiva que sempre caminhou paralelamente à construção profissional da mãe. A arte, no entanto, sempre foi anterior aos vínculos públicos que hoje acompanham seu nome.

Entre estudos dentro e fora do país, ensaios e trabalhos como backing vocal — inclusive ao lado de Tim Maia e Jorge Ben Jor — Giselle conciliava palco e maternidade. No fim da década de 1990, foi aprovada no concurso Garotas do Zodíaco e passou a integrar o elenco do programa Planeta Xuxa (1999/2000), ampliando sua projeção nacional em um dos maiores fenômenos televisivos da época. Houve períodos de maior visibilidade e, por outro lado, fases de recolhimento, inclusive dedicadas à formação em Psicologia, etapa que hoje reconhece como decisiva para ampliar sua escuta e sua compreensão do comportamento humano — elementos que atravessam sua atuação.

Giselle em "Diana" - Divulgação

Durante muitos anos, sua carreira concentrou-se no teatro e na música. A partir de 2015, o audiovisual passou a ocupar espaço central, inaugurando uma nova etapa profissional. As participações em novelas e séries como Babilônia, Rock Story, Tempo de Amar, Verão 90, Malhação - Seu Lugar no Mundo, e Reis, além de filmes como O Segredo de Davi, O Melhor Verão das Nossas Vidas, Depois do Universo e Perdida, ampliaram seu repertório e demandaram outro tipo de precisão técnica — mais econômica, mais contida, mas igualmente intensa.

No palco, porém, permanece aquilo que define como “presença absoluta”. Ao longo dos anos, esteve em montagens como Para Sempre Abba, Os Saltimbancos Trapalhões, no papel da Gata Karina, Kiss Me, Kate – O Beijo da Megera e, mais recentemente, deu vida a Carmem Miranda em Chatô e os Diários Associados. É justamente no teatro musical, no entanto, que vive hoje um dos maiores desafios da carreira: interpretar Camilla Parker Bowles na montagem brasileira de “Diana – A Princesa do Povo”, que estreia a partir de 27 de fevereiro, com temporadas no Rio de Janeiro e em São Paulo.

“Camilla é o oposto de mim e isso foi o que mais me atraiu. Ela carrega uma narrativa pública muito consolidada, mas o meu trabalho foi investigar a mulher por trás do julgamento. Eu não podia suavizá-la, nem caricaturá-la. Precisei encontrar humanidade na dureza, vulnerabilidade na força. Construí um novo eixo corporal, um padrão vocal mais aterrado, outra lógica emocional. É um processo que ainda está acontecendo — e talvez nunca termine.”

Para a construção da personagem, Giselle mergulhou em biografias raras, pesquisou subtextos históricos e buscou referências dramáticas na literatura clássica para compreender tensões de poder, desejo e ambiguidade moral.

A composição vocal e corporal foi minuciosa, respeitando o contexto inglês sem recorrer a modelos replicados. Para ela, maturidade artística está justamente na capacidade de sustentar camadas e ambiguidades sem recorrer a soluções fáceis.

Paralelamente ao teatro, integra o elenco do filme “Minha Vida com Shurastey”, produção inspirada em um fenômeno contemporâneo que mobilizou milhões de pessoas. No longa, interpreta a tia de Jesse — personagem real, ligada diretamente à memória afetiva do público. O projeto traz ainda um encontro simbólico: mãe e filho dividindo a cena.

“Entrar em ‘Minha Vida com Shurastey’ foi dialogar com uma história que já pertencia ao público. Existe uma responsabilidade diferente quando você interpreta uma memória coletiva. E dividir a cena com meu filho foi algo profundamente simbólico. Não foi apenas um encontro profissional, foi um encontro de trajetórias. Quando arte e afeto se encontram, o resultado ganha uma camada que vai além da técnica.”

Hoje, sua relação com a escolha de projetos é consciente. Se no início aceitava oportunidades movida pela urgência de estar em cena, agora prioriza densidade, coerência e complexidade feminina. Busca personagens que provoquem reflexão e exijam maturidade emocional.

Ao olhar para o futuro, Giselle se vê em plena expansão. Deseja consolidar sua presença em grandes produções de teatro musical, ampliar o espaço no audiovisual e, eventualmente, participar da criação de projetos culturais desde sua origem. Reconhece o valor da crítica especializada e do reconhecimento institucional como consequência de uma trajetória consistente — nunca como ponto de partida.

Entre palcos e telas, Giselle de Prattes vive uma fase que não representa começo nem recomeço, mas consolidação. Uma artista que atravessou diferentes etapas da vida sem abandonar o ofício — e que hoje ocupa, com maturidade e consistência, o espaço que construiu ao longo do tempo. Se pudesse sintetizar sua história, escolheria uma ideia simples e firme: “Eu não acredito em tempo certo para dar certo. Acredito em tempo de amadurecer, de reconstruir e de florescer. A minha história não é sobre atalhos, é sobre permanência”, finaliza.

A atriz é Capa do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ela fala sobre trabalhos, carreira, escolhas, família e novos projetos.

A atriz Giselle Prattes é a Capa do Correio B+ desta semana - Foto: Sergio Baia - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flavia Viana

CE - Olhando para o início da sua trajetória, o que te levou, de fato, a escolher a atuação como caminho — houve um momento de decisão ou foi algo que se construiu aos poucos?
GP -
Foi algo que se construiu muito cedo, quase de forma intuitiva. Eu comecei aos 7 anos no teatro infantil, em Niterói, e desde o início já existia um encantamento muito grande com aquele universo. Não foi uma decisão racional, foi uma necessidade de expressão. Com o tempo, aquilo que começou como encantamento foi ganhando forma de profissão. A vida foi me colocando dentro desse caminho e eu fui ficando.

CE - Nos primeiros anos de carreira, quais foram os aprendizados mais determinantes para a artista que você se tornaria depois?
GP -
 Disciplina e resiliência. Começar muito jovem, sem referências dentro da família, me fez aprender na prática. O teatro infantil, naquela época, era muito intenso ensaios, apresentações, críticas, rotina. E depois vieram os desafios da vida pessoal, que também foram grandes. Isso tudo me ensinou que talento sozinho não sustenta uma carreira. É preciso constância, estudo e muita persistência.

CE - Ao longo do tempo, sua carreira passou por diferentes fases e linguagens. Houve algum ponto de virada em que você percebeu uma mudança mais clara no seu posicionamento como atriz?
GP -
Sim, principalmente no meu retorno ao teatro musical em uma fase mais madura da vida. Quando você volta com mais vivência, mais repertório emocional, a forma de atuar muda completamente. Você deixa de apenas executar e passa a construir com mais consciência. Esse foi um ponto de virada importante para mim.

CE - Em que momento você sentiu que deixou de apenas aceitar oportunidades para começar a fazer escolhas mais conscientes sobre os projetos que queria construir?
GP -
Isso veio com o tempo e com a maturidade. No início, eu aceitava as oportunidades porque queria trabalhar, aprender, me manter ativa. Mas depois de viver algumas pausas e recomeços, passei a olhar para os projetos de outra forma. Hoje eu penso no que aquele trabalho representa dentro da minha trajetória. Se ele me desafia, se me acrescenta, se faz sentido para o momento que estou vivendo.

CE - Sua trajetória transita entre teatro musical, televisão e cinema. O que cada uma dessas experiências foi te ensinando ao longo do caminho?
GP -
 Cada linguagem ensina algo muito específico. O teatro me ensinou presença, escuta e entrega. É um espaço onde você precisa estar inteira o tempo todo.

A televisão me ensinou precisão e sutileza. A câmera exige economia e consciência de cada gesto. E o cinema me trouxe um mergulho mais íntimo, mais interno, uma construção mais silenciosa da emoção. Todas essas experiências se complementam e me ajudam a construir personagens de forma mais completa.

CE - O teatro musical ocupa um lugar importante na sua carreira. O que te faz retornar a essa linguagem mesmo depois de experiências no audiovisual?
GP -
 O teatro musical reúne muito do que eu amo na arte. Ele exige técnica, disciplina, emoção e presença. É uma linguagem muito completa, que envolve corpo, voz e interpretação de forma simultânea. E existe também a troca com o público, que é imediata e muito potente. Isso me move muito.

CE - Ao longo dos anos, você percebe uma mudança no tipo de personagem que passou a te interessar? O que hoje se tornou essencial para que um papel faça sentido para você?
GP - 
Sim, completamente. Hoje eu me interesso por personagens que tenham camadas, que tragam contradições, conflitos humanos reais. Mulheres complexas, que não sejam óbvias. O essencial para mim hoje é que o papel me provoque. Que me tire da zona de conforto e me faça crescer como atriz.

CE - Chegando ao momento atual, você está em cartaz com “Diana – A Princesa do Povo”. O que esse trabalho representa dentro da sua trajetória?
GP -
 Esse trabalho representa um momento de aprofundamento. É um espetáculo que exige muito de mim tecnicamente e emocionalmente. E também representa um encontro com uma fase mais madura da minha carreira, em que consigo acessar a personagem com mais consciência e repertório.

CE - A construção de Camilla Parker Bowles traz uma complexidade emocional e histórica. Como tem sido esse processo e em que ele dialoga com a atriz que você se tornou hoje?
GP -
 Tem sido um processo intenso. Camilla é uma figura carregada de julgamento, e isso exige um cuidado muito grande na construção.

Eu precisei tirar o julgamento e buscar compreender a mulher por trás da imagem pública. Esse processo dialoga muito com a atriz que eu acredito, com o trabalho que busca diariamente descobrir e melhorar ,  exige maturidade, escuta e profundidade emocional.

A atriz Giselle Prattes é a Capa do Correio B+ desta semana - Foto: Sergio Baia - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flavia Viana

CE - Paralelamente, você integra o elenco do filme “Minha Vida com Shurastey”. Como esse projeto se encaixa nesse momento da sua carreira?
GP -
 Esse projeto chega em um momento muito bonito, porque amplia meu olhar para o audiovisual. É uma história que já carrega uma conexão emocional muito forte com o público, e poder fazer parte disso foi muito especial. Ele dialoga com esse momento de expansão da minha carreira.

CE - Trabalhar ao lado do seu filho nesse filme adiciona uma camada pessoal à experiência. Como essa relação atravessa sua trajetória artística ao longo do tempo?
GP -
 A arte sempre esteve muito presente na nossa relação. Meu filho começou no palco muito cedo, em um espetáculo que eu produzia e no qual também atuava. Então existe uma história artística entre nós. Trabalhar juntos hoje foi um encontro muito simbólico. Existe troca, cumplicidade e um entendimento muito profundo do que é esse caminho.

CE - Depois de uma carreira marcada por diferentes fases, linguagens e recomeços, como você definiria o momento que vive hoje — mais como continuidade ou como um novo capítulo? E já existem planos futuros?
GP -
 Eu vejo como um novo capítulo. A minha trajetória sempre teve recomeços, e hoje eu sinto que estou em um momento de expansão e mais consciência artística. Quero continuar transitando entre o teatro musical e o audiovisual, buscar personagens cada vez mais complexas e, quem sabe, também começar a desenvolver projetos como produtora. Eu me sinto em movimento e isso, para mim, é essencial.


 

Astrologia Correio B+

A energia do Tarô da semana entre 14 e 20 de setembro. Período de celebrar as vitórias e esforços

O Seis de Paus anuncia uma semana de vitórias, reconhecimento e confiança para celebrar os frutos do esforço e assumir o próprio valor. Depois de um período de lutas e persistência, conquistas começam a ganhar forma e a produzir resultados visíveis.

13/09/2026 12h00

A energia do Tarô da semana entre 14 e 20 de setembro. Período de celebrar as vitórias e esforços

A energia do Tarô da semana entre 14 e 20 de setembro. Período de celebrar as vitórias e esforços Foto: Divulgação

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Há momentos em que a vida nos coloca diante de uma pergunta aparentemente simples: somos capazes de reconhecer o nosso próprio valor antes que alguém venha reconhecê-lo por nós? O Seis de Paus chega esta semana trazendo essa reflexão.

É uma carta tradicionalmente associada à vitória, ao sucesso e à visibilidade, mas sua mensagem mais profunda talvez esteja menos no aplauso que vem de fora do que na capacidade de perceber, por dentro, o caminho que já foi percorrido.

Na imagem tradicional do Tarô, vemos uma figura que retorna de uma batalha sendo recebida e celebrada. Há ali a sensação de triunfo, de missão cumprida, de algo que finalmente deu certo depois de esforço e persistência.

Mas nem toda vitória precisa ser grandiosa aos olhos do mundo. Algumas das batalhas mais importantes acontecem em silêncio. Podem significar vencer uma insegurança, sustentar uma decisão difícil, abandonar uma dúvida antiga, concluir aquilo que parecia interminável ou simplesmente voltar a acreditar em si mesmo.

É por isso que o Seis de Paus pode falar de reconhecimento, mas não necessariamente de fama. Às vezes, o que chega é uma confirmação discreta: um elogio, uma resposta positiva, uma aprovação, um convite, uma oportunidade ou uma situação que finalmente começa a caminhar.

Pequenos acontecimentos podem adquirir um significado maior quando aparecem depois de um período em que foi preciso continuar sem qualquer garantia de resultado.

Existe, nessa carta, uma espécie de passagem entre o esforço invisível e aquilo que começa a ser percebido. Talentos podem encontrar espaço, projetos podem ganhar atenção e pessoas que vinham trabalhando nos bastidores podem ser chamadas para ocupar uma posição mais evidente. O que foi construído com dedicação deixa de passar despercebido.

Daí a frase que sintetiza uma de suas mensagens: “Seja excelente.”

Não como uma exigência de perfeição, mas como um convite para reconhecer aquilo que fazemos particularmente bem. Ninguém faz exatamente o que você faz da maneira como você faz. Cada pessoa possui habilidades, experiências, sensibilidades e uma combinação de características que não pode ser reproduzida. O Seis de Paus pede que isso seja assumido sem constrangimento.

Talvez você tenha aprendido, em algum momento, que chamar atenção demais poderia ser perigoso. Que era melhor não falar sobre as próprias qualidades, não ocupar muito espaço, não parecer pretensioso. Talvez tenha desenvolvido o hábito de diminuir uma conquista antes que alguém pudesse diminuí-la por você. Ou tenha evitado mostrar determinado talento por receio de provocar inveja, críticas ou desconforto.

O problema é quando a modéstia deixa de ser uma escolha e passa a ser uma forma de invisibilidade.

O Seis de Paus lembra que reconhecer uma capacidade não é o mesmo que acreditar ser superior. Falar sobre o próprio trabalho não significa desmerecer o trabalho alheio. Aceitar um elogio não é arrogância. Existe uma diferença importante entre vaidade e consciência do próprio valor.

A carta também pode nos fazer olhar para a maneira como buscamos aprovação. Ser reconhecido é agradável. Afinal, todos precisamos, em alguma medida, sentir que aquilo que fazemos é visto e tem significado. Mas existe uma diferença entre receber reconhecimento e depender dele.

Quando a autoestima passa a depender exclusivamente do olhar externo, o elogio se transforma em necessidade. Cada aprovação confirma o nosso valor por alguns instantes; cada silêncio pode parecer uma rejeição. A comparação cresce, e até a conquista de outra pessoa pode ser interpretada como uma ameaça à nossa própria importância.

Essa é a sombra do Seis de Paus: transformar a vitória em competição.

A carta propõe o movimento contrário. É possível celebrar uma conquista sem precisar ser melhor do que ninguém. É possível gostar de ser admirado sem transformar a admiração em medida de valor. É possível receber os aplausos quando eles chegam e, ainda assim, saber quem somos quando eles cessam.

Talvez essa seja uma das maiores maturidades sugeridas pelo Seis de Paus: não precisar diminuir a própria luz, mas também não precisar usá-la para ofuscar ninguém.

Na vida prática, a carta pode aparecer justamente quando é necessário ocupar um lugar que já foi conquistado. Apresentar uma ideia, falar sobre um projeto, pedir uma remuneração mais justa, rever os próprios preços, candidatar-se a uma posição, assumir uma liderança ou simplesmente dizer com clareza o que se pensa. Há momentos em que esperar que os outros percebam espontaneamente o nosso valor pode significar esperar tempo demais.

Isso não significa transformar a própria vida em uma vitrine. Significa não esconder aquilo que temos a oferecer.

O Seis de Paus também fala sobre a importância de reconhecer a própria trajetória. Talvez você esteja olhando apenas para aquilo que ainda falta e não consiga perceber o quanto já avançou.

Talvez esteja tão acostumado às próprias conquistas que já não as considere conquistas. Ou tenha colocado a régua tão alto que nenhum resultado parece suficiente.

A carta sugere uma pausa para olhar para trás.

Não para viver de glórias passadas, mas para compreender o que foi necessário atravessar até chegar aqui. Há uma diferença entre acomodar-se diante do que já foi conquistado e permitir-se reconhecer o caminho percorrido. Uma coisa interrompe o movimento; a outra devolve confiança para continuar.

Por isso, esta pode ser uma semana de pequenas vitórias que funcionam como sinais de confirmação. Não necessariamente o grande triunfo que muda tudo de uma vez, mas aquela sensação de que alguma coisa finalmente começa a responder.

Uma porta que se abre, uma conversa que avança, um trabalho que é valorizado, uma oportunidade que surge ou simplesmente a percepção íntima de que uma antiga insegurança já não tem o mesmo poder.

O Seis de Paus nos lembra que algumas vitórias precisam primeiro ser reconhecidas por nós para depois serem reconhecidas pelo mundo.

E talvez seja esse o verdadeiro sentido de “ser excelente”: não tentar corresponder a uma imagem ideal de perfeição, mas levar a sério aquilo que existe de singular em nós. Desenvolver nossos talentos. Dar forma ao que sabemos fazer. Permitir que nosso trabalho fale. E não pedir desculpas por ocupar o espaço que conquistamos.

No fim, a pergunta da carta não é apenas se os outros reconhecem você. É se você próprio consegue reconhecer a pessoa que se tornou depois de tudo o que atravessou. Porque há momentos em que o aplauso mais importante não vem da plateia. Vem de dentro.

No amor, o Seis de Paus traz magnetismo, confiança e reconhecimento. É uma carta que pode devolver entusiasmo às relações e favorecer uma retomada da admiração pelo parceiro e pela história construída a dois. As conquistas de um podem ser motivo de alegria para o outro, fortalecendo a parceria por meio de incentivo e orgulho mútuos.

Também pode haver mais disposição para tornar um vínculo visível, com encontros, convites, planos e demonstrações de afeto. Para os casais, o momento favorece olhar para o que deu certo, em vez de concentrar toda a atenção no que ainda precisa ser resolvido.

Mas o Seis de Paus pede cuidado com o ego. Amor não combina com competição para saber quem recebe mais atenção, quem é mais bem-sucedido ou quem está sempre certo. A carta faz uma pergunta importante: você quer ser admirado ou quer ser conhecido?

A admiração pode nascer da imagem que projetamos; a intimidade exige espaço para mostrar também inseguranças, limites e fragilidades.

Para quem está solteiro, o magnetismo aumenta e a semana favorece encontros, convites e novas aproximações. Alguém pode se interessar pela sua segurança e determinação, e mensagens ou sinais de interesse podem surgir com mais clareza.

Ainda assim, vale não confundir admiração com vínculo: o Seis de Paus pede discernimento para perceber quem se encanta apenas pelo seu brilho e quem realmente deseja conhecer você.

No trabalho, o Seis de Paus é uma carta de reconhecimento profissional. Pode indicar elogios, aprovação de um projeto, retorno positivo ou a percepção de que aquilo que você vem fazendo finalmente começa a ser notado. Para quem trabalhou muito tempo nos bastidores, uma ideia pode ganhar espaço, uma competência ser reconhecida ou uma nova oportunidade surgir.

Por isso, não é hora de esconder o que sabe fazer. A carta não recomenda arrogância, mas também não combina com falsa modéstia. Apresentar ideias, mostrar resultados e defender suas competências não é necessariamente autopromoção: é permitir que os outros enxerguem o que você construiu.

Para quem procura emprego, vale deixar claros seus diferenciais e experiências. Para quem já está trabalhando, pode surgir uma nova responsabilidade, posição de maior destaque ou oportunidade de liderança. E o reconhecimento também traz responsabilidade: quando passamos a ser vistos, nossas atitudes ganham mais impacto.

Liderar não significa centralizar tudo. Saber reconhecer quem ajudou a construir uma conquista também faz parte dela. No ambiente profissional, evite disputas desnecessárias e não sinta necessidade de provar que é melhor do que ninguém. O Seis de Paus lembra que reputação se constrói com consistência. Deixe que o trabalho fale por você.

Na vida financeira, o Seis de Paus fala de recompensas ligadas a esforço, competência e mérito. Pode indicar pagamento, bônus, aumento, novos clientes ou uma oportunidade de melhorar gradualmente a situação. A carta também convida a reconhecer o valor do próprio trabalho: saber cobrar, negociar e apresentar suas competências faz parte de uma troca equilibrada.

Para quem tem um projeto ou trabalha de forma autônoma, é uma boa semana para divulgar o que faz e mostrar resultados. Mas existe um alerta para não transformar a conquista em necessidade de ostentação. Gastar para impressionar ou sustentar uma imagem de sucesso pode comprometer justamente aquilo que foi construído.

Celebre a vitória, mas não precise prová-la.

Na carreira, o Seis de Paus favorece crescimento, reputação, autoridade e maior visibilidade. Ser mais observado pode abrir portas, especialmente para quem deseja uma promoção, uma mudança de área ou o reconhecimento de um trabalho que vinha sendo feito nos bastidores.

Quem busca novos caminhos pode descobrir que não precisa começar do zero. Experiências anteriores, quando vistas sob outra perspectiva, podem revelar competências valiosas. A carta recomenda identificar o que você aprendeu, os problemas que sabe resolver e aquilo que faz hoje melhor do que fazia antes.

Para quem deseja uma promoção, é importante tornar suas contribuições visíveis. Mostre resultados, apresente projetos e fale sobre seus objetivos. Esperar que os outros percebam espontaneamente tudo o que você fez nem sempre é a melhor estratégia.

O Seis de Paus também traz uma mensagem para quem se compara demais. Ele não pede que você vença a corrida de ninguém, apenas que reconheça o caminho que já percorreu. Quando olhamos o tempo todo para quem está à frente, esquecemos de perceber quantas batalhas já vencemos.

Sua mensagem é: continue avançando, mas sem transformar a vida numa disputa.

O verdadeiro triunfo do Seis de Paus não está em convencer os outros de que você venceu. Está em saber que avançou. Aceite os elogios, comemore suas conquistas e ocupe seu espaço, mas não se esqueça de tudo o que existia antes dos aplausos.

Toda vitória tem uma história que não aparece na fotografia.

Talvez a pergunta mais importante da semana seja: se ninguém estivesse olhando, você ainda reconheceria o valor do que fez?

Se a resposta for sim, existe uma força muito mais sólida por trás dessa vitória.

"A primeira e maior vitória é vencer a si mesmo; ser vencido por si mesmo é, de todas as coisas, a mais vergonhosa e vil." — Platão

Uma ótima semana e muita luz,

Ana Cristina Paixão

Gastronomia Correio B+

Cachaça não é tudo igual: de amendoim a louro, conheça 10 versões para harmonizar à mesa

Além do tradicional carvalho, diferentes tipos de madeira influenciam aromas, sabores e características da bebida brasileira

13/09/2026 10h34

Cachaça não é tudo igual: de amendoim a louro, conheça 10 versões para harmonizar à mesa

Cachaça não é tudo igual: de amendoim a louro, conheça 10 versões para harmonizar à mesa Foto: Divulgação

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Você sabia que a cachaça vai muito além da famosa caipirinha? Para ganhar diferentes aromas, sabores e características, a madeira onde fica armazenada a ‘água ardente’ influencia diretamente no paladar e no perfil da bebida.

Em celebração ao Dia Nacional da Cachaça, celebrado hoje 13 de setembro, Delfino Golfeto, cachacier e fundador da Água Doce Sabores do Brasil, revela 10 espécies brasileiras utilizadas no envelhecimento do destilado e indica pratos que podem harmonizar com cada versão.

“A madeira tem papel importante no envelhecimento da cachaça, já que o contato com a bebida pode influenciar a cor, o aroma e o sabor. O resultado varia de acordo com o tipo utilizado, o tempo de contato, as condições de armazenamento, entre outros fatores. Por isso, uma mesma cachaça pode apresentar características diferentes conforme a madeira escolhida e o período de maturação”, revela Delfino.

Amendoim: para um perfil equilibrado

Apesar do nome, o amendoim também é uma madeira utilizada no envelhecimento de cachaça. Considerada uma madeira "neutra", ela diminui a acidez e amacia o destilado sem alterar de forma drástica a cor ou o sabor original da cana-de-açúcar, sendo excelente para coquetelaria. A espécie contribui para uma bebida equilibrada e de perfil mais macio, que pode ser harmonizada com frango assado, carne suína, castanhas, queijos semiduros e sobremesas de chocolate ou caramelo.

Grápia: suavidade com toque amadeirado

Considerada uma madeira neutra a semineutra, ela altera pouco a cor da cachaça, deixando um tom amarelo-palha bem claro, e reduz a acidez da bebida, mantendo o sabor original da cana-de-açúcar com notas suavemente adocicadas. Pode contribuir para as características amadeiradas do destilado, sem necessariamente resultar em um perfil excessivamente intenso. Na mesa, pode acompanhar carnes assadas, queijos semiduros e sobremesas com caramelo, mel ou frutas secas.

Peroba: uma opção pouco conhecida

Entre as espécies menos familiares ao consumidor, a peroba também aparece entre as madeiras utilizadas para armazenamento de cachaça. É uma madeira que confere uma coloração amarelada e um toque sutilmente amargo e seco ao destilado. Ela ajuda a amaciar a cachaça sem mascarar o seu perfil original. Por seu perfil menos explorado, pode ser apresentada em degustações acompanhadas de petiscos, carnes brancas, queijos e pratos de intensidade média.

Louro: aromas que pedem pratos bem temperados

Mais conhecido como tempero, o louro também pode aparecer como madeira utilizada no armazenamento da bebida. Esta madeira transfere para a cachaça notas marcadamente florais e de especiarias, como o cravo-da-índia e canela, além de proporcionar um fundo levemente adstringente e medicinal. Seu perfil aromático pode combinar com carnes de panela, pratos com ervas, feijão, preparos com molhos e receitas tradicionais brasileiras.

Amburana: para quem gosta de aromas marcantes

Uma das madeiras mais conhecidas entre os apreciadores de cachaça, a amburana pode conferir notas adocicadas e de especiarias ao destilado. Ela reduz a acidez e confere um fundo floral e marcadamente adocicado, com aromas que lembram baunilha e canela. O perfil aromático combina com carne suína, costela com molho agridoce, queijos curados e sobremesas com doce de leite ou caramelo.

Bálsamo: intensidade para acompanhar sabores fortes

O bálsamo pode proporcionar características herbais e amadeiradas, de especiarias, como cravo, e uma sensação levemente picante e adstringente ao paladar dando mais personalidade à bebida. Por isso, a sugestão é servi-lo com carnes vermelhas, embutidos, queijos maturados e pratos com temperos mais intensos.

Jatobá: madeira brasileira para bebidas complexas

Conhecido pela resistência de sua madeira, o jatobá também pode ser utilizado no envelhecimento de cachaças. Se trata de uma madeira densa que confere à cachaça uma coloração âmbar ou avermelhada muito bonita e intensa. No paladar, traz robustez com notas que remetem a frutas secas, especiarias e um leve toque amadeirado resinoso. Sua influência pode resultar em notas amadeiradas e especiadas, que conversam bem com carnes assadas, costelas, queijos de sabor intenso e chocolate amargo.

Jequitibá: equilíbrio para pratos delicados

Com influência mais discreta, o jequitibá é uma opção para quem prefere perceber com maior clareza as características originais da cachaça. Há duas versões que podem ser utilizadas. O Jequitibá-branco preserva as características originais da cachaça sem alterar sua cor. Já o Jequitibá-rosa confere uma coloração dourada sutil e sabores macios semelhantes aos do carvalho. Por isso, ambas podem acompanhar peixes, aves, saladas, frutos do mar e queijos suaves.

Freijó: leveza que valoriza o destilado

O freijó apresenta influência mais suave sobre a bebida, contribuindo para um perfil equilibrado. Bastante utilizada na região Norte e Nordeste, funciona de forma semelhante ao Jequitibá-branco. É uma madeira que praticamente não solta cor ou aromas fortes, focando em reduzir a agressividade do álcool e amaciar o destilado, preservando a pureza da cana. É uma alternativa para acompanhar entradas, peixes, frutos do mar, queijos frescos e pratos leves.

Ipê: personalidade para pratos grelhados

O ipê, tanto amarelo quanto roxo, também aparece entre as espécies brasileiras utilizadas no armazenamento de cachaça. Transfere uma coloração dourada escura ou alaranjada à bebida. O ipê amacia consideravelmente o destilado, agregando notas de especiarias e aromas que lembram nozes e castanhas, com um final de boca macio e aveludado. Por seu potencial de conferir maior estrutura ao destilado, pode ser combinado com carnes grelhadas, linguiças, preparos defumados e queijos curados.

Há uma curiosidade na produção da bebida brasileira. O carvalho é o principal tipo de madeira usado no envelhecimento e armazenamento da cachaça, embora seja uma madeira importada principalmente das variedades Carvalho Americano e Carvalho Europeu. Ele lidera o mercado por ser o padrão mundial na maturação de destilados e por agregar notas muito apreciadas de baunilha, coco, mel e caramelo. No Brasil, a castanheira frequentemente é chamada de "carvalho brasileiro", sendo utilizada na produção e trazendo notas intensas de castanhas, chocolate e amêndoas.

“A cachaça é um dos produtos que mais representam a nossa cultura e tem uma diversidade que muitas vezes não é conhecida pelo consumidor. Quando falamos das diferentes madeiras utilizadas em seu processo, mostramos que uma mesma bebida pode proporcionar experiências muito distintas. E isso também abre possibilidades interessantes para a gastronomia, com harmonizações que vão muito além da caipirinha”, finaliza Delfino.

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