Correio B

Capa da semana Correio B+ - Com exclusividade

Entrevista com a atriz Giselle Prattes, destaque no filme "Minha Vida com Shurastey" e "Diana"

"Camilla é o oposto de mim e isso foi o que mais me atraiu. Ela carrega uma narrativa pública muito consolidada, mas o meu trabalho foi investigar a mulher por trás do julgamento. Eu não podia suavizá-la, nem caricaturá-la".

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Giselle de Prattes começou no teatro antes mesmo de compreender que aquilo poderia se tornar profissão. Aos sete anos, insistiu para entrar em uma companhia infantil que funcionava atrás de sua casa, em Niterói. Pouco depois, já integrava o elenco fixo. Aos 11, acumulava recortes de jornal suficientes para garantir seu DRT. A infância e a adolescência foram atravessadas por ensaios, temporadas e pelo convívio cotidiano com o palco.

“Eu comecei muito pequena, sem qualquer manual ou referência dentro de casa. Fui a primeira artista da família. Não existia estratégia, existia vocação. Durante muitos anos vivi equilibrando sobrevivência e ofício — mas nunca permiti que as circunstâncias definissem quem eu era como artista. Eu sempre soube que talento exige disciplina e que paixão, sozinha, não sustenta uma trajetória. Foi o estudo constante que me manteve de pé.”

Criada pela mãe e pelo avô — um homem erudito, profundamente ligado à ópera e às operetas — cresceu em um ambiente onde música e dramaturgia faziam parte da rotina doméstica.

Estudou no Conservatório de Música de Niterói, aprendeu partitura, flauta transversa e desenvolveu um ouvido musical apurado. Mais tarde, consolidou sua formação na CAL e na Faculdade da Cidade. O aprimoramento nunca cessou: cursos, preparadores e investigação técnica permanente.

A maternidade chegou aos 17 anos e tornou-se parte estruturante de sua trajetória. Ao contrário do que muitos poderiam prever, não interrompeu o caminho artístico — redimensionou-o. “Ser mãe tão jovem me obrigou a amadurecer antes do tempo. Enquanto muitas pessoas estavam começando a descobrir quem eram, eu já precisava sustentar decisões, sustentar uma casa e sustentar um sonho. A maternidade não diminuiu a minha ambição artística — ela aprofundou o meu senso de responsabilidade. Eu nunca quis que meus filhos crescessem acreditando que eu havia desistido de mim.”

Foto: Carlos Costa

O primogênito, Nicolas, hoje ator reconhecido nacionalmente, cresceu acompanhando ensaios, coxias e bastidores. Anos depois, a família se ampliaria com a chegada de Maria Fernanda, consolidando uma estrutura afetiva que sempre caminhou paralelamente à construção profissional da mãe. A arte, no entanto, sempre foi anterior aos vínculos públicos que hoje acompanham seu nome.

Entre estudos dentro e fora do país, ensaios e trabalhos como backing vocal — inclusive ao lado de Tim Maia e Jorge Ben Jor — Giselle conciliava palco e maternidade. No fim da década de 1990, foi aprovada no concurso Garotas do Zodíaco e passou a integrar o elenco do programa Planeta Xuxa (1999/2000), ampliando sua projeção nacional em um dos maiores fenômenos televisivos da época. Houve períodos de maior visibilidade e, por outro lado, fases de recolhimento, inclusive dedicadas à formação em Psicologia, etapa que hoje reconhece como decisiva para ampliar sua escuta e sua compreensão do comportamento humano — elementos que atravessam sua atuação.

Giselle em "Diana" - Divulgação

Durante muitos anos, sua carreira concentrou-se no teatro e na música. A partir de 2015, o audiovisual passou a ocupar espaço central, inaugurando uma nova etapa profissional. As participações em novelas e séries como Babilônia, Rock Story, Tempo de Amar, Verão 90, Malhação - Seu Lugar no Mundo, e Reis, além de filmes como O Segredo de Davi, O Melhor Verão das Nossas Vidas, Depois do Universo e Perdida, ampliaram seu repertório e demandaram outro tipo de precisão técnica — mais econômica, mais contida, mas igualmente intensa.

No palco, porém, permanece aquilo que define como “presença absoluta”. Ao longo dos anos, esteve em montagens como Para Sempre Abba, Os Saltimbancos Trapalhões, no papel da Gata Karina, Kiss Me, Kate – O Beijo da Megera e, mais recentemente, deu vida a Carmem Miranda em Chatô e os Diários Associados. É justamente no teatro musical, no entanto, que vive hoje um dos maiores desafios da carreira: interpretar Camilla Parker Bowles na montagem brasileira de “Diana – A Princesa do Povo”, que estreia a partir de 27 de fevereiro, com temporadas no Rio de Janeiro e em São Paulo.

“Camilla é o oposto de mim e isso foi o que mais me atraiu. Ela carrega uma narrativa pública muito consolidada, mas o meu trabalho foi investigar a mulher por trás do julgamento. Eu não podia suavizá-la, nem caricaturá-la. Precisei encontrar humanidade na dureza, vulnerabilidade na força. Construí um novo eixo corporal, um padrão vocal mais aterrado, outra lógica emocional. É um processo que ainda está acontecendo — e talvez nunca termine.”

Para a construção da personagem, Giselle mergulhou em biografias raras, pesquisou subtextos históricos e buscou referências dramáticas na literatura clássica para compreender tensões de poder, desejo e ambiguidade moral.

A composição vocal e corporal foi minuciosa, respeitando o contexto inglês sem recorrer a modelos replicados. Para ela, maturidade artística está justamente na capacidade de sustentar camadas e ambiguidades sem recorrer a soluções fáceis.

Paralelamente ao teatro, integra o elenco do filme “Minha Vida com Shurastey”, produção inspirada em um fenômeno contemporâneo que mobilizou milhões de pessoas. No longa, interpreta a tia de Jesse — personagem real, ligada diretamente à memória afetiva do público. O projeto traz ainda um encontro simbólico: mãe e filho dividindo a cena.

“Entrar em ‘Minha Vida com Shurastey’ foi dialogar com uma história que já pertencia ao público. Existe uma responsabilidade diferente quando você interpreta uma memória coletiva. E dividir a cena com meu filho foi algo profundamente simbólico. Não foi apenas um encontro profissional, foi um encontro de trajetórias. Quando arte e afeto se encontram, o resultado ganha uma camada que vai além da técnica.”

Hoje, sua relação com a escolha de projetos é consciente. Se no início aceitava oportunidades movida pela urgência de estar em cena, agora prioriza densidade, coerência e complexidade feminina. Busca personagens que provoquem reflexão e exijam maturidade emocional.

Ao olhar para o futuro, Giselle se vê em plena expansão. Deseja consolidar sua presença em grandes produções de teatro musical, ampliar o espaço no audiovisual e, eventualmente, participar da criação de projetos culturais desde sua origem. Reconhece o valor da crítica especializada e do reconhecimento institucional como consequência de uma trajetória consistente — nunca como ponto de partida.

Entre palcos e telas, Giselle de Prattes vive uma fase que não representa começo nem recomeço, mas consolidação. Uma artista que atravessou diferentes etapas da vida sem abandonar o ofício — e que hoje ocupa, com maturidade e consistência, o espaço que construiu ao longo do tempo. Se pudesse sintetizar sua história, escolheria uma ideia simples e firme: “Eu não acredito em tempo certo para dar certo. Acredito em tempo de amadurecer, de reconstruir e de florescer. A minha história não é sobre atalhos, é sobre permanência”, finaliza.

A atriz é Capa do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ela fala sobre trabalhos, carreira, escolhas, família e novos projetos.

A atriz Giselle Prattes é a Capa do Correio B+ desta semana - Foto: Sergio Baia - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flavia Viana

CE - Olhando para o início da sua trajetória, o que te levou, de fato, a escolher a atuação como caminho — houve um momento de decisão ou foi algo que se construiu aos poucos?
GP -
Foi algo que se construiu muito cedo, quase de forma intuitiva. Eu comecei aos 7 anos no teatro infantil, em Niterói, e desde o início já existia um encantamento muito grande com aquele universo. Não foi uma decisão racional, foi uma necessidade de expressão. Com o tempo, aquilo que começou como encantamento foi ganhando forma de profissão. A vida foi me colocando dentro desse caminho e eu fui ficando.

CE - Nos primeiros anos de carreira, quais foram os aprendizados mais determinantes para a artista que você se tornaria depois?
GP -
 Disciplina e resiliência. Começar muito jovem, sem referências dentro da família, me fez aprender na prática. O teatro infantil, naquela época, era muito intenso ensaios, apresentações, críticas, rotina. E depois vieram os desafios da vida pessoal, que também foram grandes. Isso tudo me ensinou que talento sozinho não sustenta uma carreira. É preciso constância, estudo e muita persistência.

CE - Ao longo do tempo, sua carreira passou por diferentes fases e linguagens. Houve algum ponto de virada em que você percebeu uma mudança mais clara no seu posicionamento como atriz?
GP -
Sim, principalmente no meu retorno ao teatro musical em uma fase mais madura da vida. Quando você volta com mais vivência, mais repertório emocional, a forma de atuar muda completamente. Você deixa de apenas executar e passa a construir com mais consciência. Esse foi um ponto de virada importante para mim.

CE - Em que momento você sentiu que deixou de apenas aceitar oportunidades para começar a fazer escolhas mais conscientes sobre os projetos que queria construir?
GP -
Isso veio com o tempo e com a maturidade. No início, eu aceitava as oportunidades porque queria trabalhar, aprender, me manter ativa. Mas depois de viver algumas pausas e recomeços, passei a olhar para os projetos de outra forma. Hoje eu penso no que aquele trabalho representa dentro da minha trajetória. Se ele me desafia, se me acrescenta, se faz sentido para o momento que estou vivendo.

CE - Sua trajetória transita entre teatro musical, televisão e cinema. O que cada uma dessas experiências foi te ensinando ao longo do caminho?
GP -
 Cada linguagem ensina algo muito específico. O teatro me ensinou presença, escuta e entrega. É um espaço onde você precisa estar inteira o tempo todo.

A televisão me ensinou precisão e sutileza. A câmera exige economia e consciência de cada gesto. E o cinema me trouxe um mergulho mais íntimo, mais interno, uma construção mais silenciosa da emoção. Todas essas experiências se complementam e me ajudam a construir personagens de forma mais completa.

CE - O teatro musical ocupa um lugar importante na sua carreira. O que te faz retornar a essa linguagem mesmo depois de experiências no audiovisual?
GP -
 O teatro musical reúne muito do que eu amo na arte. Ele exige técnica, disciplina, emoção e presença. É uma linguagem muito completa, que envolve corpo, voz e interpretação de forma simultânea. E existe também a troca com o público, que é imediata e muito potente. Isso me move muito.

CE - Ao longo dos anos, você percebe uma mudança no tipo de personagem que passou a te interessar? O que hoje se tornou essencial para que um papel faça sentido para você?
GP - 
Sim, completamente. Hoje eu me interesso por personagens que tenham camadas, que tragam contradições, conflitos humanos reais. Mulheres complexas, que não sejam óbvias. O essencial para mim hoje é que o papel me provoque. Que me tire da zona de conforto e me faça crescer como atriz.

CE - Chegando ao momento atual, você está em cartaz com “Diana – A Princesa do Povo”. O que esse trabalho representa dentro da sua trajetória?
GP -
 Esse trabalho representa um momento de aprofundamento. É um espetáculo que exige muito de mim tecnicamente e emocionalmente. E também representa um encontro com uma fase mais madura da minha carreira, em que consigo acessar a personagem com mais consciência e repertório.

CE - A construção de Camilla Parker Bowles traz uma complexidade emocional e histórica. Como tem sido esse processo e em que ele dialoga com a atriz que você se tornou hoje?
GP -
 Tem sido um processo intenso. Camilla é uma figura carregada de julgamento, e isso exige um cuidado muito grande na construção.

Eu precisei tirar o julgamento e buscar compreender a mulher por trás da imagem pública. Esse processo dialoga muito com a atriz que eu acredito, com o trabalho que busca diariamente descobrir e melhorar ,  exige maturidade, escuta e profundidade emocional.

A atriz Giselle Prattes é a Capa do Correio B+ desta semana - Foto: Sergio Baia - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flavia Viana

CE - Paralelamente, você integra o elenco do filme “Minha Vida com Shurastey”. Como esse projeto se encaixa nesse momento da sua carreira?
GP -
 Esse projeto chega em um momento muito bonito, porque amplia meu olhar para o audiovisual. É uma história que já carrega uma conexão emocional muito forte com o público, e poder fazer parte disso foi muito especial. Ele dialoga com esse momento de expansão da minha carreira.

CE - Trabalhar ao lado do seu filho nesse filme adiciona uma camada pessoal à experiência. Como essa relação atravessa sua trajetória artística ao longo do tempo?
GP -
 A arte sempre esteve muito presente na nossa relação. Meu filho começou no palco muito cedo, em um espetáculo que eu produzia e no qual também atuava. Então existe uma história artística entre nós. Trabalhar juntos hoje foi um encontro muito simbólico. Existe troca, cumplicidade e um entendimento muito profundo do que é esse caminho.

CE - Depois de uma carreira marcada por diferentes fases, linguagens e recomeços, como você definiria o momento que vive hoje — mais como continuidade ou como um novo capítulo? E já existem planos futuros?
GP -
 Eu vejo como um novo capítulo. A minha trajetória sempre teve recomeços, e hoje eu sinto que estou em um momento de expansão e mais consciência artística. Quero continuar transitando entre o teatro musical e o audiovisual, buscar personagens cada vez mais complexas e, quem sabe, também começar a desenvolver projetos como produtora. Eu me sinto em movimento e isso, para mim, é essencial.


 

HISTÓRIA DE MS

Fundação Barbosa Rodrigues digitaliza acervo do jornal Diário da Serra e o disponibiliza on-line

Projeto da Fundação Barbosa Rodrigues garante a preservação de milhares de páginas que registram a formação do Estado e o cotidiano sul-mato-grossense

25/06/2026 08h30

Ao longo de seus 30 anos de circulação, o Diário da Serra registrou momentos históricos do Estado e fez parte do cotidiano de milhares de sul-mato-grossenses

Ao longo de seus 30 anos de circulação, o Diário da Serra registrou momentos históricos do Estado e fez parte do cotidiano de milhares de sul-mato-grossenses Arquivo

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Durante três décadas, o Diário da Serra registrou os principais acontecimentos políticos, econômicos, culturais e esportivos de Campo Grande e Mato Grosso do Sul.

Agora, quase 28 anos após a circulação de sua última edição, em 15 de novembro de 1998, parte dessa memória volta a ficar acessível ao público por meio de um projeto de digitalização que pretende preservar um dos mais importantes patrimônios documentais da imprensa regional.

A partir do dia 10 de julho, os primeiros volumes digitalizados do acervo estarão disponíveis gratuitamente no site da Fundação Barbosa Rodrigues. O projeto é apenas o início de um trabalho de longo prazo que pretende tornar acessíveis cerca de 210 livros encadernados, reunindo milhares de exemplares do jornal.

Segundo a presidente da Fundação Barbosa Rodrigues, Nara Borges, a iniciativa nasceu da necessidade de preservar documentos históricos que sofrem os efeitos naturais do tempo.

“O acervo já estava sob a guarda da fundação e entendemos que era necessário iniciar um processo de digitalização para garantir sua preservação. Estamos falando de um patrimônio documental que registra momentos fundamentais da história de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul”, afirma.

Nesta primeira etapa, foram digitalizados 10 volumes, somando aproximadamente 7 mil páginas. A expectativa é de que o restante do trabalho seja realizado gradualmente ao longo dos próximos anos.

“O projeto é grande e exige muito cuidado. Por isso optamos por fazer a digitalização em etapas. Ainda há muito material pela frente”, explica.

ANTES DE MS NASCER

A história do Diário da Serra se confunde com a própria trajetória de MS.

O jornal foi lançado em 28 de maio de 1968, quando ainda faltavam nove anos para a divisão do antigo Mato Grosso e a criação do novo estado.

Integrante dos Diários Associados, conglomerado fundado por Assis Chateaubriand, o periódico chegou a Campo Grande em um momento de intensa expansão dos meios de comunicação brasileiros.

A inauguração ocorreu apenas um mês após a morte de Chateaubriand e acabou se transformando também em uma homenagem ao empresário e jornalista responsável pela construção de uma das maiores redes de comunicação da América Latina.

A cerimônia reuniu artistas, intelectuais, políticos e autoridades. O bispo dom Antônio Barbosa abençoou as instalações, enquanto o governador Pedro Pedrossian acionou o painel eletrônico da moderna rotativa Bühler, fazendo surgir o primeiro exemplar impresso.

Ao longo de seus 30 anos de circulação, o Diário da Serra registrou momentos históricos do Estado e fez parte do cotidiano de milhares de sul-mato-grossensesO governador Pedro Pedrossian acionando o painel eletrônico da rotativa Bühler, em 1968 - Foto: Arquivo

Representando os Diários Associados, João Calmon destacou que o novo jornal fazia parte do projeto idealizado por Chateaubriand de levar veículos de comunicação a todos os estados brasileiros.

BERÇO DO JORNALISMO

Ao longo de sua trajetória, o Diário da Serra se tornou uma verdadeira escola de jornalismo.

Centenas de profissionais passaram pela redação, ajudando a construir a identidade da imprensa regional.

Entre as décadas de 1970 e 1990, o jornal protagonizou uma intensa disputa editorial com o Correio do Estado.

Ao longo de seus 30 anos de circulação, o Diário da Serra registrou momentos históricos do Estado e fez parte do cotidiano de milhares de sul-mato-grossensesRedação do Diário da Serra em um dos prédios pelos quais o jornal passou - Foto: Arquivo

A rivalidade era comparada aos grandes clássicos do futebol. Política e esporte concentravam boa parte da competição, mas a busca por reportagens exclusivas acontecia em todas as editorias.

Repórteres cultivavam fontes estratégicas, perseguiam furos de reportagem e acompanhavam diariamente o trabalho do concorrente. O resultado era uma cobertura cada vez mais qualificada.

Quem mais se beneficiava dessa disputa era o leitor, que recebia informações aprofundadas e análises sobre os acontecimentos que moldavam a vida da cidade e do Estado.

Entre as inúmeras coberturas históricas, o jornal testemunhou a divisão de Mato Grosso, em 1977, acompanhou a instalação da nova unidade federativa, registrou campanhas eleitorais, crises econômicas, conquistas esportivas e mudanças urbanas que transformaram Campo Grande.

QUANDO O JORNAL PAROU

Entre as milhares de páginas que ajudam a contar a história de Campo Grande e Mato Grosso do Sul, uma delas registra um episódio que quase interrompeu a trajetória do Diário da Serra.

No dia 4 de outubro de 1977, quando faltavam apenas sete dias para a instalação oficial do novo estado, o teto da redação do jornal desabou sobre parte das instalações da sede, localizada na Avenida Calógeras.

O acidente ocorreu por volta das 17h. Segundo relatos publicados na época, funcionários perceberam que o forro de gesso apresentava rachaduras e começava a ceder. Inicialmente, acreditou-se que alguém estivesse realizando algum serviço sobre a estrutura.

Em poucos instantes, porém, a situação se agravou. Ao perceber o risco iminente, o diretor do jornal, César Quintas, ordenou que todos deixassem o local imediatamente.

A decisão evitou uma tragédia. Segundos depois, telhado, forro e parte da estrutura vieram abaixo com um estrondo, ouvido a grande distância, destruindo a redação, setores de diagramação e parte do parque gráfico. Apenas a jornalista Ana Lúcia Divas sofreu ferimentos leves em uma das pernas.

A repercussão foi imediata. Na edição do dia seguinte, o Correio do Estado, principal concorrente do Diário da Serra, estampou imagens da destruição e manifestou solidariedade aos profissionais atingidos. Mais do que isso, colocou sua estrutura à disposição para que o rival pudesse continuar produzindo e imprimindo suas edições.

MEMÓRIA PRESERVADA

Para garantir a qualidade da reprodução, a equipe optou por utilizar a fotografia, em vez de scanners convencionais.

O trabalho foi realizado pelo fotógrafo João Pedro Félix Escobar, que registrou cuidadosamente cada página dos exemplares.

“Chegamos a estudar a aquisição de equipamentos específicos para digitalização, mas a fotografia apresentou resultados melhores na preservação da qualidade das imagens e dos detalhes das páginas”, explica Nara.

O processo exigiu atenção especial em razão da fragilidade do material. Depois de décadas armazenados, muitos exemplares apresentam desgaste natural do papel, exigindo manuseio cuidadoso, para evitar danos.

Mesmo com a criação da versão digital, o acervo físico permanecerá sob a guarda da Fundação Barbosa Rodrigues.

“O material original continuará sendo preservado. A digitalização não substitui o acervo físico. Pelo contrário, ela ajuda a protegê-lo, reduzindo a necessidade de manuseio constante”, destaca.

Ao longo de seus 30 anos de circulação, o Diário da Serra registrou momentos históricos do Estado e fez parte do cotidiano de milhares de sul-mato-grossenses

 

Diálogo

Não deixa de ser curioso, para não dizer outra coisa...Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta quinta-feira (25)

25/06/2026 00h01

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Roberto Shinyashiki - escritor brasileiro

"A vida não é um quadro pronto, e sim uma obra de arte que se revela com uma nova pincelada a cada dia”.

FELPUDA

Não deixa de ser curioso, para não dizer outra coisa. Um motorista flagrado transportando “apenas” 613 quilos de cocaína conseguiu, em primeira instância, ser enquadrado na condição de beneficiário do chamado tráfico privilegiado. Mas o Ministério Público recorreu e entendeu que carregar mais de meia tonelada de droga para outro estado não combina exatamente com a figura da inocente “mula” do tráfico”. O benefício foi retirado e a pena recalculada. Afinal, há certas “encomendas” que simplesmente não cabem na bagagem da ingenuidade.

MAIS

A jovem Dally Ugla, da Aldeia Córrego do Meio, em Sidrolândia, entrou para a história ao conquistar o primeiro título do Beleza Originária 2026, realizado na Aldeia Brejão, na Terra Indígena Nioaque. A coroação destacou não apenas a beleza, mas também a representatividade, o conhecimento das tradições e o orgulho das raízes indígenas. O evento reuniu representantes de diversas aldeias da região em uma celebração da cultura, da identidade e do protagonismo dos povos originários. A programação incluiu apresentações culturais, manifestações tradicionais e uma feira gastronômica, fortalecendo a integração entre as comunidades.

O prefeito André Guimarães ressaltou que a iniciativa evidenciou a riqueza da cultura indígena e defendeu que o projeto continue crescendo para preservar as tradições e fortalecer a identidade dos povos originários. Idealizadora do evento, Claudilene Souza comemorou o sucesso da estreia, afirmando que o Beleza Originária nasceu do sonho de valorizar a história, a cultura e a beleza das origens indígenas. A primeira edição deixa como legado o incentivo ao orgulho das raízes e a valorização das novas gerações indígenas.

DESISTIU

Diziam que Freud explicava tudo. A política de Mato Grosso do Sul, porém, faria o pai da psicanálise pedir aposentadoria. Na direita, dois pré-candidatos ao Senado, de acordo com pesquisas, estariam “embolados”, mas justamente o que aparece correndo atrás da dupla dos “preferidos”, age como favorito absoluto. Já na esquerda, quem amarga posição distante nos levantamentos de preferência popular, segue tratando a eleição como mera formalidade. Convicção é uma coisa; matemática eleitoral é outra, ensina a política.

"DESILUDIDO"

E o roteiro fica ainda mais intrigante. Uma liderança que já brilhou, tipo top das galáxias, hoje parece esquecida tal qual pinguim de geladeira em gaveta de guarda-roupa velho. Para completar a “desilusão 
de Freud”, três figuras que durante anos caminharam lado a lado, agora disputarão cargos por partidos diferentes. Se continuarem dividindo o mesmo eleitorado, podem terminar unidos apenas na fila dos derrotados. A conferir.

BARRA PESADA

A Justiça mandou um comerciante de Campo Grande pagar R$ 5 mil por danos morais a um entregador por aplicativo, que foi agredido com uma barra de ferro durante discussão. O capacete evitou tragédia maior. A tese de legítima defesa não convenceu o juiz, que considerou a reação desproporcional e incompatível com qualquer solução civilizada de conflito. O acordo anterior valia apenas pelo capacete danificado. A barra de ferro saiu cara e ainda rendeu condenação.

Aniversariantes

  • Marinez Muller Cesco (Dedê Cesco), 
  • Tina Rodrigues Wunderlich, 
  • Lilian Ferro, 
  • Julie Abuhassan Gonçalves,
  • Rosineide Cunha Lemos de Deus, 
  • Ademir Panucci,
  • Cristiane Santana Farias,
  • Florisbela de Souza,
  • Irene Satsico Oshiro,
  • João Batista Campagnani Ferreira,
  • Dr. Luiz Carlos Takita,
  • Marcos Antonio Momesso,
  • Ayres José Cerioli,
  • Dr. Estanislau Santos Ciasca,
  • João Francisco,
  • Ornei de Almeida,
  • Telma Cristina Serrou Pimentel,
  • Nauile de Barros,
  • Juliane Maeda Guenka,
  • Juarez Lemes de Souza,
  • Renata Volpe,
  • Loy Pael Nogueira,
  • Carolina Medeiros Fabris,
  • Dr. Giovanni Pires Viana, 
  • Dr. Ruy Luiz Falcão Novaes,
  • Wolfram Enok Pessoa Sandes,
  • Juliana Marcondes Rezende,
  • Cleide de Moraes Deduch,
  • Luzia Morel Lino,
  • Ivone Ferreira Emídio e Silva,
  • Erlenice Maria Peron Palhano, 
  • Nelsi Mota Holzschuh,
  • Amanda Santos,
  • José Robson Samara Rodrigues de Almeida,
  • Dr. Renato Augusto Casemiro de Oliveira,
  • Jercé Euzébio de Souza,
  • Matheus Enzo Shiraishi,
  • Aparecido dos Santos,
  • Lauro Andrei Monteiro de Carvalho,
  • Adriano Borges Toscano Júnior, 
  • Nair Fonseca Higa,
  • Guilherme Duarte Jafar,
  • Leila Andréa Schneider,
  • Dr. Marcos Raymundo Marinho,
  • Dr. Gustavo Passarelli Silva, 
  • Zuleide Paniago, 
  • Sílvia Mariani,
  • Lúcia Maria Gonçalves de Resende,
  • Francisca Silva Neves,
  • Ivone Figliolino,
  • Ana Clara Higa,
  • Antonio Roberto Rogoski,
  • Cleonice Moraes Freitas,
  • Aparecida Maria Fortes,
  • Marcela Tanaka,
  • Jorge de Souza Mareco,
  • Márcia Carvalho Lima,
  • Dr. Amadeu Hugo Alessi,
  • Alexandra Guimarães,
  • Joana Joelma Duarte Amaral,
  • Ana Aparecida Ribeiro de Barros,
  • Célia Rosinei dos Santos Nunes de Souza,
  • Lilian Carolina da Silva,
  • Laura Patricia Daniel Palumbo Fernandes,
  • Leila Maria Maciel Figueira
  • Dra. Rosângela de Andrade Thomaz, 
  • Marília Porto Antunes,
  • Nádia Maria Barbosa Prado,
  • Willian Guttemberg Assis,
  • Sebastião Felix da Silva,
  • Layla Hellen Murad,
  • Paulo Roberto Martins,
  • Karine de Barros Preza,
  • Osmar Silva e Luz,
  • Vanessa Cardoso,
  • Wellington Lander Borges,
  • Celso Hideyuki Akamine,
  • Edvandro Cesar Dorisbor,
  • Bruna Viveiros Barros,
  • Gabriel Simplicio,
  • Carlos Augusto da Silva (Carlinhos do TRR),
  • Elidio Antonio Ferreira,
  • Carlos Alberto Benites dos Santos,
  • Juliano Bueno Dias,
  • Adalberto da Silva Ramos,
  • Ilka de Souza Fernandes,
  • Rosana Sanches Nakayama,
  • Geisa Vidal Duarte Oguchi,
  • Eliano Bottega Ebeling,
  • Iris Mara Oliveira Gomes Orros,
  • Ailene de Oliveira Figueiredo,
  • Fabiana Keylla Schneider,
  • Raquel Canzi Duialibi,
  • Juliana Yuri Sakihama, 
  • Jefferson Goes Medina,
  • Alexandre Cavalcanti Barbosa,     
  • Caetano Humberto Bruno,                
  • Juliano Henrique Cícero Dias,            
  • Silvino de Freitas Adrião,        
  • João Baptista Coelho Gomes,
  • Estevan Daniel Leite,                   
  • Ivete Roland Benitez,                   
  • Márcio Barbosa da Silva,
  • Elenice Aparecida Camargo,
  • Benedita Gomes de Lucena,    
  • Célia Regina Gomes Aleixo.

Colaborou Tatyane Gameiro

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