Promovido pela nutricionista funcional e integrativa Luanna Caramalac no Dia do Nutricionista, que foi celebrado nesta segunda-feira, o evento Além da Aparência reuniu cerca de 30 mulheres no Instituto LCM, no The Place Corporate, e marcou também os cinco anos de atuação da instituição na Capital.
A proposta do encontro foi discutir uma mudança percebida em diferentes áreas relacionadas à beleza: a procura crescente por resultados mais naturais, individualizados e menos associados à transformação radical da aparência.
No talk, porém, a conversa foi além dos procedimentos estéticos e trouxe uma reflexão sobre aquilo que sustenta a imagem que aparece externamente.
“Estamos vivendo um momento em que as pessoas buscam cada vez mais o cuidado de dentro para fora”, resumiu Luanna durante a abertura da conversa.
Para a nutricionista, a alimentação não deve ser compreendida apenas como uma ferramenta para emagrecer ou modificar o corpo. Sua atuação profissional parte de uma visão mais ampla, que considera a relação entre nutrição, prevenção, qualidade de vida e as necessidades individuais de cada paciente.
MAIS DO QUE DIETA
Ao celebrar cinco anos do Instituto LCM, Luanna também compartilhou parte de sua trajetória pessoal e profissional. A nutricionista afirmou que sua compreensão sobre saúde ultrapassa a ideia de prescrever dietas ou estabelecer regras universais de alimentação.
“É a nutrição que eu acredito, que não é só uma nutrição de fazer uma dieta. É de fato ir à causa, à raiz do problema do paciente, tratar o todo”, afirmou.
Segundo ela, cada pessoa possui uma rotina, um histórico e necessidades, o que exige acompanhamento individualizado. Essa perspectiva busca afastar soluções imediatistas e aproximar o cuidado de hábitos que possam ser sustentados ao longo do tempo.
A ideia central do evento foi justamente mostrar que saúde e aparência não precisam ser tratadas como assuntos completamente separados.
Alterações na pele, no cabelo e no corpo podem levar pessoas a buscar respostas exclusivamente em produtos ou procedimentos, quando outros fatores relacionados à saúde também merecem a atenção.
Essa integração foi um dos principais pontos discutidos pelas convidadas.
BELEZA ALÉM DO ESPELHO
A empreendedora e especialista em saúde das sobrancelhas Thielly Prado levou ao encontro a experiência de quem acompanha diariamente mulheres em busca de mudanças na imagem.
Para ela, a transformação observada nos últimos anos vai além da procura por determinados procedimentos. Muitas clientes passaram a buscar espaços de cuidado, pausa e acolhimento.
Thielly relacionou essa mudança ao período da pandemia, quando muitas pessoas foram obrigadas a desacelerar e passaram mais tempo dentro de casa.
“Depois da pandemia, eu vi o quanto as pessoas já não estavam mais buscando somente [fazer] uma sobrancelha, uma escova ou um pé e mão. Todo mundo começou a buscar essa paz”, afirmou.
Segundo ela, o contato cotidiano com mulheres também permite perceber como questões aparentemente relacionadas à estética podem estar conectadas a outras dimensões da vida.
“Não é só sobrancelha, não é só botox, não é só harmonização. É um todo”, disse.
A profissional ressaltou que sinais percebidos externamente podem despertar dúvidas sobre alimentação, rotina e acompanhamento de saúde.
A intenção, segundo ela, não é transformar a aparência em um diagnóstico, mas compreender que o autocuidado pode exigir uma rede de profissionais e diferentes formas de atenção.
Da esquerda para a direita: Thielly Prado, empreendedora e especialista em saúde das sobrancelhas; Natália Morota, biomédica especializada em harmonização facial e rejuvenescimento; Anna Paula Abreu, cerimonialista que conduziu o evento; Luanna Caramalac, nutricionista funcional e integrativa; e a médica Viviane Orro - Foto: DivulgaçãoCEREJA DO BOLO
A biomédica Natália Morota, especializada em harmonização facial e rejuvenescimento, também defendeu uma abordagem que não coloque os procedimentos estéticos como única resposta para a busca por autoestima.
Com 16 anos de atuação na área da beleza, ela afirmou que passou a compreender a estética de forma diferente ao perceber o impacto que a relação de uma pessoa com a própria imagem pode ter em outras áreas da vida.
“Quando a gente transforma uma mulher, a vida dela inteira muda. Como a gente se vê, a gente começa a se comportar de outra forma”, afirmou.
Ao mesmo tempo, Natália destacou que intervenções externas não substituem os cuidados básicos relacionados à saúde.
Para ela, alimentação adequada, atividade física e acompanhamento profissional fazem parte de uma estrutura que sustenta os resultados buscados também na estética.
“Não adianta fazer um estímulo de colágeno se a paciente não tem nutrientes suficientes para sustentar aquilo. A estética é a cereja do bolo”, comparou.
A fala também trouxe um alerta sobre a procura por soluções rápidas para emagrecimento ou transformação corporal sem o acompanhamento adequado. A popularização de medicamentos e procedimentos não elimina, segundo as participantes, a necessidade de avaliação individual e orientação profissional.
IMAGEM QUE VESTE
A influenciadora e empresária de moda Bruna Gonçalves acrescentou ao debate a relação entre vestuário, identidade e autoestima.
Para ela, a imagem é importante na maneira como uma pessoa se apresenta ao mundo, mas não é suficiente para definir quem ela é.
“A beleza faz sentido a partir da imagem que a gente entrega quando chega a um lugar, mas quem permanece é a nossa essência”, afirmou.
Bruna relacionou o cuidado com a aparência à capacidade de reconhecer a identidade. Vestir uma roupa e se sentir bem, segundo ela, pode ser uma forma de reconhecer qualidades que já existem, e não necessariamente criar uma nova versão de si mesma.
Em sua fala, contou que momentos difíceis de sua vida também mudaram sua maneira de enxergar o autocuidado.
“A beleza externa, como eu cuido de mim por fora, me ajudou muito. Porque a beleza externa também pode refletir aquilo que está interno”, disse.
Para a empresária, a forma como uma mulher ocupa os espaços, se relaciona com outras pessoas e constrói sua presença também faz parte daquilo que pode ser entendido como beleza.
SAÚDE VEM ANTES
A médica Viviane Orro trouxe para a conversa sua experiência de mudança profissional. Atuante anteriormente na terapia intensiva e na nefrologia, ela decidiu, após a pandemia e um período de sobrecarga, fazer uma transição para a área da medicina estética e dos procedimentos faciais.
A mudança, segundo ela, também foi motivada pela necessidade de buscar mais qualidade de vida. Durante a pandemia, Viviane esteve na linha de frente da assistência médica e afirmou que o período modificou profundamente sua relação com o trabalho e com o cuidado pessoal.
“Eu precisava ter mais tempo com a minha família e mais tempo para cuidar de mim”, contou.
Na nova área de atuação, porém, ela disse ter levado consigo uma percepção construída durante os anos em que trabalhou com pacientes em situações graves: a importância de um organismo saudável e adequadamente acompanhado.
“A profissão da nutricionista é muito mais importante do que as pessoas têm exata noção. Se a gente tem um corpo nutrido, um corpo saudável, a nossa expectativa de vida muda, o nosso humor muda, a nossa energia muda”, afirmou.
Mesmo trabalhando atualmente com estética, Viviane defendeu que os procedimentos devem ocupar um lugar complementar no cuidado. “A beleza é segundo plano. A estética é segundo plano”, disse.
Para a médica, o ponto de partida precisa ser a saúde e a capacidade de uma pessoa de reconhecer a autoimagem sem transformar cada característica natural em um problema a ser corrigido. “Ela tem que olhar no espelho e falar: ‘Eu sou linda. Essas rugas são a minha história’”, afirmou.

Lucimar Lescano e Marcelo Lescano - Foto: Arquivo Pessoal
Gabriel Rosa, Karol Suguikawa e Nichola Oher - Foto: André Ligeiro


