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Capa B+: Entrevista exclusiva com a atriz Carina Sacchelli que viverá Helena Jobim nas telonas

"Tem sido um mergulho maravilhoso pesquisar sobre a vida de uma mulher tão especial como Helena Jobim"

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Carina Sacchelli é uma das estrelas do longa “Morando com o Crush”, com direção de Hsu Chien, que teve sua estréia dia 23 de maio nos cinemas. Em cena, ela dá vida a Antonia, a mãe do protagonista (Vitor Figueiredo) que, coincidentemente, acaba namorando o pai (Marcos Pasquim) de sua nora (Giulia Benite).

"Morando com o crush" é uma comédia romântica deliciosa com roteiro de Sylvio Gonçalves e direção se Hsu Chien. Um filme leve, engraçado, para ser visto com toda a família. No filme, Luana (Giulia Benite) tem um crush na escola, Hugo, interpretado por Vitor Figueiredo", explica.

Em breve, Carina vai rodar “Helena”, uma produção que mistura ficção e documentário sobre a vida da escritora Helena Jobim, irmã mais nova do poeta Tom Jobim. No projeto, com direção de Ernane Alves, a atriz vai interpretar a protagonista em cenas da reconstituição de sua juventude. A obra ainda contará com poesias declamadas por artistas, como Sandy, Deborah Secco e Bruno Gagliasso.

A atriz ainda vai começar uma tour da peça “Pra você lembrar de mim” pelo interior de SP. O espetáculo, que ficou em cartaz em 2023 entre Rio e SP, mostra a relação de um pai (Eduardo Martini) com Alzheimer que passa a ser cuidado pela filha (Carina).  

Com 40 anos de idade e 18 de carreira, a paulistana se formou pela CAL ( Centro de Artes das Laranjeiras) e fez especialização em “Acting for film”, em New York. Tendo feito mais de 50 filmes publicitários, Carina Sacchelli também já atuou em mais de 15 peças e trabalha como produtora, captando recursos para levantar espetáculos.

Em seu currículo ainda constam trabalhos na TV como o infantil “Sitio do pica-pau amarelo”, na Globo, a série “O negócio”, na HBO, e as novelas "Poder paralelo" e "Cidadão brasileiro", na Record. Atualmente, pode ser vista dando vida a uma stripper no longa “Virando a mesa”, de Caio Cobra, e em "Chiquititas". Ambas na Netflix. No cinema, atuou em filmes como “Um dia cinco estrelas”, de Hsu Chien, e “Destinos opostos”, de Walther Neto, sobre o rally dos sertões. 

Carina é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana. e em entrevista ao Caderno ela fala de seus atuais trabalhos e também sobre viver Helena Jobim, irmã do poeta Tom Jobim no cinema.

Carina Sacchelli é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Carlos Salles - Diagramação Denis Felipe e Denise Neves

CE - Carina Sachelli, você atua no filme de comédia “Morando com o Crush”, que estreiou semana passada nos cinemas. O que pode nos contar sobre o projeto que tem Marcos Pasquim e Giulia Benite no elenco?
CS -
 "Morando com o crush" é uma comédia romântica deliciosa com roteiro de Sylvio Gonçalves e direção se Hsu Chien. Um filme leve, engraçado, para ser visto com toda a família. No filme, Luana (Giulia Benite) tem um crush na escola, Hugo, interpretado por Vitor Figueiredo. O pai de Luana ( Marcos Pasquim ) começa a namorar com Antônia (minha personagem), e descobrem que Antonia é mãe de Hugo. Além disso, eles decidem morar juntos, ou seja, os adolescentes Luana e Hugo irão morar na mesma casa, sendo que um é o crush do outro. 

CE - Em “Morando com o Crush”, você dá vida à uma mulher que tem um filho adolescente. Na vida real, você é mãe de dois meninos pequenos. Como é conciliar a maternidade com a carreira de atriz que não costuma ter rotina?
CS -
"Tenho um filho de 3 anos e um de 3 meses. Não dou conta de tudo. Toda noite vou dormir pensando: "Davi não comeu legumes hoje" , "Preciso agendar o pediatra", ou "Não terminei de ler o texto da peça que recebi há 1 semana". Sempre tenho a sensação de que estou devendo algo. Mas já entendi que isso é normal. Atualmente estou mais dedicada à maternidade, então está tudo mais tranquilo, na medida do possível. Estou amamentando e meus compromissos são agendados de acordo com horário das mamadas. Logo logo volto a filmar ( Filme "Helena") e reestreio minha peça com Eduardo Martini "Pra você lembrar de mim" e a rotina volta a ser mais agitada . Mas eu consegui ter uma rotina dentro da vida sem rotina de uma atriz.

CE - Ainda em 2024, muitas mulheres se sentem culpadas por dividirem a atenção da família com a profissão. E você?
CS -
 Claro que sinto. Para filmar "Morando com o Crush" fiquei mais de 1 mês no Rio Grande do Sul filmando. Foi horrível ficar longe do Davi, ele tinha quase 2 anos. Usava meu único dia de folga na semana para vir pra SP, passar 24 horas com Davi e voltava pro RS. Tudo valeu a pena. Fizemos um filme lindo e Davi ficou ótimo sob cuidados do meu marido e da minha mãe. 

Foto: Carlos Salles

CE - Aliás, você tem no currículo com vários trabalhos no cinema, como “Um dia cinco estrelas” e “Destinos opostos”, mas tem poucos projetos na TV. É uma escolha? Acha que estar na Tv aberta ainda é fundamental para o reconhecimento dos artistas?
CS - 
Não é uma escolha. Adoraria fazer mais TV, porém tive mais oportunidades no cinema e no teatro, o que tem sido maravilhoso! O teatro é minha casa, o lugar que me acolheu aos 22 anos, onde comecei minha carreira e onde me sinto mais a vontade. O cinema é uma paixão, cada dia maior. A TV faz parte da minha vida. Cresci assistindo novelas com minha mãe e minha avó. Sou noveleira assumida. Estar na TV aberta no Brasil ainda alavanca o reconhecimento dos artistas com o público. Porém esse reconhecimento não é necessariamente sinônimo de relevância ou qualidade de trabalho. 

CE - Vários projetos dos quais você participou são de comédia. Fazer rir é mais fácil ou difícil?
CS - 
Eu tenho facilidade em fazer comédia. São 20 anos de experiência e muitas peças com Eduardo Martini,  um muso do humor e meu mestre. Mas nunca é fácil. Sinto que fazer humor está mais relacionado ao timing do texto e fazer drama mais relacionado à emoção.

CE - Em breve, você vai rodar um filme interpretando a renomada Helena Jobim. Como é dar vida a um personagem real? Como tem sido a preparação para viver a escritora?
CS - 
É emocionante dar vida a um personagem real. Tive acesso a muitos vídeos de Helena e pude me aprofundar nos trejeitos dela, modo de andar, mexer no cabelo, sorrir. Tem sido um mergulho maravilhoso pesquisar a vida de uma mulher tão especial. Helena foi uma grande escritora, uma mulher na vanguarda, cheia de vida e muito querida por todos.

CE - Carina tem 40 anos e faz muitos trabalhos como modelo de publicidade e é artista. Como lida com a pressão estética do mercado e da sociedade? Até onde vai sua vaidade?
CS - 
Quero estar bonita como qualquer outra mulher. Não me sinto pressionada em relação a estética na profissão. Sou atriz, vivo diferentes personagens. Já fiz a filha, a mãe de bebê, a mãe de adolescente e futuramente farei a avó. Assim espero! 

Em Morando com o Crush - Foto: Divulgação

CE - Você vai fazer uma turnê com a peça “Pra você lembrar de mim”, em que uma mulher passa a cuidar do pai com Alzheimer. Por que levar aos palcos esse debate de filhos que acabam virando pais dos próprios pais? Como foi o retorno do público nas temporadas no Rio e em SP?
CS - 
O teatro tem o poder de retratar a sociedade e se comunicar com ela ao mesmo tempo. O papel do ator é importantíssimo. Acho que o caminho natural da vida, na maioria das vezes, é o caminho em que os filhos cuidam dos pais na velhice, e isso retrata o amor. A peça fala, acima de tudo, de amor. Amor entre pai e filha, amor genuíno e cuidadoso. Estamos com essa peça em cartaz desde 2021. O público ama e se emociona demais com a história. Eduardo Martini dá um show a parte, interpretando meu pai com Alzheimer.  

CE - Você se assiste? É muito autocritica?
CS -
Assisto. Acho que me auto critico até onde mantenho minha sanidade mental (risos). Gosto de me ver para me aprimorar, mas tomo cuidado para não cair na armadilha do: "tinha que ter falado essa frase assim", ou "Por que fiz essa expressão assado?".

CE - Como você convive com as redes sociais?
CS -
 Uso instagram (única rede social que tenho) para divulgar meu trabalho como atriz, mas confesso que não sou muito presente nele o tempo todo. Me falta tempo pra pirar no insta. (risos)

CE - Como é a Carina no dia a dia? O que curte fazer quando não está trabalhando?
CS - 
Descabelada. (risos) Vou bastante ao cinema e teatro. Meu marido ama cinema também, então esse é um programa que fazemos muito. Passeios com crianças são bastante recorrentes também.

CE - Quais seus sonhos profissionais?
CS -
 Meu sonho é envelhecer podendo exercer meu ofício. Também quero muito fazer um monólogo no teatro! 

Destinos B+

Natal registra alta de 200% nas reservas internacionais e se consolida entre destinos favoritos

Dados de janeiro a maio de 2026 mostram que argentinos já representam 58% das reservas internacionais para o destino; número de viajantes estrangeiros cresceu 284% em relação ao mesmo período de 2025

13/06/2026 14h00

Excursão às praias de Pipa é o passeio em Natal mais reservado

Excursão às praias de Pipa é o passeio em Natal mais reservado Foto: Divulgação

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Natal vive um forte avanço no turismo internacional em 2026. Entre janeiro e maio, o destino registrou crescimento de 200% nas reservas realizadas por turistas estrangeiros na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados da Civitatis, plataforma de reserva de atividades e experiências presente em mais de 160 países.

Quando considerado o número total de viajantes, o crescimento é ainda maior, de 284%, refletindo também um aumento no tamanho médio dos grupos por reserva.

O movimento é puxado principalmente por turistas da América do Sul, com destaque absoluto para a Argentina, que sozinha já representa 58% de todas as reservas internacionais realizadas para Natal na plataforma.

O Uruguai aparece em seguida, concentrando cerca de 34% da demanda e registrando crescimento de 199% nas reservas para o destino na comparação anual.

"O Nordeste brasileiro atravessa um momento muito forte no turismo internacional. Natal reúne praias icônicas, clima quente praticamente o ano inteiro, boa infraestrutura e experiências muito ligadas à natureza, algo extremamente valorizado especialmente pelos viajantes sul-americanos", explica Alexandre Oliveira, Country Manager da Civitatis no Brasil.

Além da força argentina e uruguaia, os dados também mostram expansão gradual da presença internacional no destino, com crescimento de reservas vindas de países como Paraguai, Chile, Portugal, Espanha, França, México e Estados Unidos.

O que os turistas internacionais buscam em Natal?

As reservas mostram uma procura fortemente concentrada em experiências ligadas ao litoral, às dunas e aos passeios marítimos do Rio Grande do Norte. Os traslados aparecem como a atividade mais reservada em Natal, refletindo o aumento do fluxo internacional e da demanda por deslocamentos entre aeroporto, hotéis e praias da região.

Entre os passeios, os grandes destaques são as excursões para Pipa, os tradicionais passeios de buggy pelo litoral norte e experiências em destinos como Maracajaú, Genipabu e Pirangi. Também aparecem entre os destaques atividades ligadas à snorkel, catamarãs, lagoas e roteiros 4x4 pela costa potiguar.

Excursão às praias de Pipa é o passeio em Natal mais reservado As reservas mostram uma procura fortemente concentrada em experiências ligadas ao litoral, às dunas e aos passeios marítimos do Rio Grande do Norte - Divulgação

Ranking: os passeios mais reservados em Natal por turistas estrangeiros

  1. Excursão às praias de Pipa
  2. Passeio de buggy pela costa norte
  3. Excursão a Maracajaú + passeio de lancha
  4. Tour completo por Natal
  5. Excursão a Genipabu
  6. Passeio de barco ao Morro do Careca
  7. Lagoa de Arituba e Cajueiro de Pirangi
  8. Tour 4x4 pela Rota dos Nativos
  9. Catamarã pelos Parrachos de Pirangi com snorkel

Segundo Alexandre Oliveira, Natal vem ganhando espaço internacionalmente por oferecer uma combinação cada vez mais desejada pelo viajante latino-americano.

"O turista sul-americano busca destinos onde consiga aproveitar praia, natureza e atividades ao ar livre com facilidade e bom custo-benefício. Natal entrega exatamente essa combinação, desde dunas e lagoas até experiências marítimas muito emblemáticas do Nordeste brasileiro", afirma.

De onde vêm os turistas internacionais que visitam Natal?

Os dados da Civitatis mostram predominância clara de turistas sul-americanos nas reservas internacionais realizadas para Natal, com liderança ampla da Argentina, seguida pelo Uruguai.

A Argentina representa 58% das reservas internacionais realizadas para Natal no período, enquanto o Uruguai concentra cerca de 34% da demanda. Juntos, os dois países respondem por aproximadamente 92% das reservas internacionais do destino entre janeiro e maio de 2026.

Ranking: os 10 principais países de origem dos turistas internacionais em Natal

  1. Argentina
  2. Uruguai
  3. Paraguai
  4. Portugal
  5. Chile
  6. Espanha
  7. França
  8. México
  9. Estados Unidos
  10. Itália

O levantamento reforça ainda uma tendência de crescimento do Nordeste brasileiro como destino internacional de praia para viagens de curta e média duração dentro da América do Sul.

"Natal e arredores possuem paisagens muito icônicas do Brasil, como Maracajaú e Pipa, além de experiências bastante acessíveis e fáceis de consumir para o viajante internacional. Isso ajuda o destino a ganhar relevância cada vez maior dentro do turismo sul-americano", completa Alexandre Oliveira.

Cinema Correio B+

King & Conqueror é o epílogo de Vikings: Valhalla que eu esperava

Mesmo com um roteiro irregular, a série acerta ao transformar a conquista normanda em um drama humano sobre poder, ambição e legado

13/06/2026 13h00

King & Conqueror é o epílogo de Vikings: Valhalla que eu esperava

King & Conqueror é o epílogo de Vikings: Valhalla que eu esperava Foto: Divulgação

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Desde que King & Conqueror foi anunciada, eu a enxergava como algo muito específico: uma espécie de epílogo de Vikings: Valhalla. Talvez por isso tenha me surpreendido ver tantas comparações com Game of Thrones ao longo dos últimos meses.

É fácil entender por quê. A série tem disputas sucessórias, alianças instáveis, promessas quebradas, guerras e dois homens convencidos de que possuem direito legítimo ao mesmo trono.

Além disso, conta com Nikolaj Coster-Waldau no elenco e agora pode até reivindicar uma ligação adicional com Westeros através de James Norton, que interpreta Ormund Hightower em House of the Dragon. Ainda assim, reduzir King & Conqueror a uma espécie de versão histórica de Game of Thrones parece ignorar aquilo que a torna mais interessante.

A produção da BBC está em destaque na plataforma do Universal Channel e se você, como eu, é fã de História, é uma dica a não ser ignorada.

A história acompanha os acontecimentos de 960 anos atrás, que levaram à Batalha de Hastings, em 1066, um dos eventos mais importantes da história inglesa. Após a morte de Eduardo, o Confessor, sem herdeiros diretos, a sucessão do reino mergulha em crise.

Harold Godwinson, líder da família mais poderosa da Inglaterra, assume a coroa. Do outro lado do Canal da Mancha, William, duque da Normandia, acredita que Eduardo lhe havia prometido o trono anos antes e interpreta a coroação de Harold como uma traição. A partir desse momento, a série acompanha a escalada de uma disputa que acabaria mudando para sempre a história britânica.

O que torna o conflito tão interessante é que King & Conqueror se recusa a oferecer respostas simples, mesmo que Harold seja apresentado como um usurpador ganancioso. Há contexto, há espaço para interpretações. William também não surge apenas como um invasor estrangeiro movido pela ambição. Pelo contrário.

A série constrói dois homens profundamente convencidos de que a coroa lhes pertence por direito. Ambos possuem justificativas plausíveis. Ambos acreditam estar protegendo algo maior do que seus próprios interesses. E ambos são capazes de cometer erros devastadores.

King & Conqueror é o epílogo de Vikings: Valhalla que eu esperavaKing & Conqueror é o epílogo de Vikings: Valhalla que eu esperava - Divulgação

O resultado é um drama que funciona muito mais como um estudo sobre legitimidade e poder do que como uma simples narrativa de conquista.

É justamente nesse ponto que o elenco faz toda a diferença. Como mencionado, a escolha de Nikolaj Coster-Waldau para interpretar William foi inspirada. O ator traz consigo a credibilidade de alguém que já habitou um dos universos políticos mais complexos da televisão moderna, mas encontra aqui um registro diferente. Seu William é ambicioso, determinado e estrategicamente brilhante, mas também inseguro.

Existe uma vulnerabilidade constante por trás da figura do futuro conquistador. A necessidade de provar seu valor, de justificar suas reivindicações e de convencer os outros — e talvez a si mesmo — de que merece aquilo que busca transforma William em um personagem muito mais complexo do que a figura histórica frequentemente lembrada apenas pelo resultado de Hastings.

Já James Norton encontra uma complexidade semelhante em Harold Godwinson. Há algo quase irônico em vê-lo interpretar esse personagem justamente quando passa a integrar o universo de Westeros. Norton possui exatamente o perfil físico dos heróis tradicionais: carismático, seguro, magnético e naturalmente confortável na posição de líder.

A série, porém, utiliza essas características para construir algo mais interessante. Seu Harold é inteligente e corajoso, mas também orgulhoso, impulsivo e incapaz de perceber certas consequências das próprias decisões. Em vez de transformar um dos lados em herói e o outro em vilão, King & Conqueror encontra humanidade nos dois.

Como acontece com praticamente toda produção baseada em acontecimentos reais, a série toma diversas liberdades históricas. Algumas mudanças certamente chamarão atenção dos espectadores mais familiarizados com o período. Determinados personagens recebem trajetórias diferentes das registradas pela História, relações pessoais são ampliadas e certos eventos são reorganizados para servir melhor à narrativa.

O exemplo mais evidente talvez seja a forma como a série trabalha acontecimentos envolvendo Emma da Normandia. Ainda assim, nenhuma dessas alterações me parece particularmente problemática. O objetivo da produção nunca foi funcionar como documentário. Seu compromisso principal está com o drama, e não com a reprodução literal dos fatos.

Curiosamente, os problemas da série não estão nas adaptações históricas. Estão no roteiro.

Em vários momentos, King & Conqueror parece assumir que o espectador já conhece aquelas figuras e entende a importância de cada relação política. Para quem domina a história inglesa, talvez isso não represente um obstáculo. Para grande parte do público internacional, porém, a narrativa pode se tornar mais confusa do que deveria.

King & Conqueror é o epílogo de Vikings: Valhalla que eu esperavaKing & Conqueror é o epílogo de Vikings: Valhalla que eu esperava - Divulgação

A série nem sempre explica satisfatoriamente quem são determinados personagens, qual a relevância de certas alianças ou por que algumas decisões possuem consequências tão profundas. Há ainda momentos em que acontecimentos importantes parecem apressados, avançando mais rapidamente do que o desenvolvimento dramático permitiria.

Esse é justamente o aspecto que impede a produção de alcançar um patamar ainda mais alto. Não falta orçamento. Não faltam atores. Não falta uma boa história. Falta, ocasionalmente, um roteiro mais paciente, disposto a conduzir o espectador por esse universo político sem presumir conhecimento prévio.

Ainda assim, saí da temporada gostando bastante do resultado. Talvez porque ela tenha entregado exatamente aquilo que eu esperava encontrar desde o início. Durante anos, Vikings e Vikings: Valhalla acompanharam a lenta transformação da Inglaterra através das disputas entre saxões, vikings e normandos.

A ascensão da família Godwin, a influência crescente da Normandia e o reinado de Eduardo, o Confessor, já apontavam para esse momento. King & Conqueror apenas assume o bastão e acompanha as consequências finais desse processo.

Por isso, enquanto muitos espectadores talvez procurem nela uma versão histórica de Game of Thrones, aqui encontram algo diferente, como a conclusão de uma história que a televisão vinha contando havia mais de uma década.

Uma história sobre a queda de um mundo e o nascimento de outro. Um drama que aconteceu há quase mil anos, mas continua fascinante justamente porque fala de temas que permanecem atuais: ambição, legitimidade, identidade, poder e a eterna convicção humana de que somos os protagonistas da nossa própria versão da História.

Talvez King & Conqueror não seja perfeita. Mas é uma boa série histórica, sustentada por excelentes atuações e por um acontecimento real tão extraordinário que continua inspirando narrativas quase um milênio depois.

E, para quem acompanhou a jornada iniciada por Ragnar Lothbrok e continuada por seus descendentes, ela funciona exatamente como eu imaginava desde o anúncio: o epílogo de Vikings: Valhalla que nunca tivemos.

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