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Capa B+: Entrevista exclusiva com a empresária e CEO Liliam Vanessa Zier

"Ser uma boa líder é motivar, engajar, criar relacionamento, dar feedback e promover melhorias contínuas e ágeis".

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A fundadora e CEO da Livas - Holding de Negócios, e também CEO da Pafer cargo que assumiu recentemente na empresa, Liliam Vanessa Zier, nasceu em Campinas (SP), mas viveu em Piracicaba, de onde saiu aos 23 anos para fazer intercâmbio na Irlanda.

No país estrangeiro, a empresária consolidou a sua carreira no mercado corporativo na área de projetos internacionais atuando pelo governo irlandês, abrindo portas para integrar o brasileiro, no ano de 2015. Aos 28, conquistou o seu primeiro R$ 1 milhão. Atualmente, é um dos principais nomes de mulheres em cargos C-Level no setor industrial do país.

Liliam  possui vasta experiência em estratégias de mercado, consultoria empresarial e atuação em conselhos, possibilitando que a empreendedora fundasse a Livas sua Holding de Negócios. Casada há 9 anos com o empresário Oscar Roberto Zier, com quem tem a filha Valentina Zier (2 anos), a empresária assumiu este ano também a presidência da Pafer distribuidora e importadora de fixação industrial. A marca, que é referência no setor na Região Sul, recentemente anunciou plano de expansão para o Sudeste, em São Paulo (SP).

“Desde criança, tinha o sonho de trabalhar numa grande organização para aprender a área administrativa e estratégia de negócios. Trabalhei em pequenas, médias e grandes empresas nacionais e internacionais, e percebi que em algum momento, devido a minha forte personalidade, ser uma pessoa dominante e ter um ‘Q a mais’ para tomada de decisão rápida e estratégica, resolvi abrir a minha empresa de assessoria e colocar em prática tudo que havia aprendido em minha carreira, desde os 13 anos de idade”, relembra ela sobre a fundação da Livas.

Liliam conquistou recentemente para seu currículo e trajetória admirável, o seu espaço no LIDE, entidade que conecta os mais relevantes líderes empresariais nacional e internacionalmente, fortalecendo a livre iniciativa, promovendo desenvolvimento social e econômico. O LIDE representa um espaço de diálogo e desenvolvimento de pautas que representam o estado do PR que é a quarta maior economia do país.

Em 2023, pelo terceiro ano consecutivo, o LIDE Paraná foi reconhecido por sua contribuição e suas iniciativas inovadoras dentro do Sistema LIDE (com 23 unidades regionais e 17 unidades internacionais), graças ao pioneirismo no desenvolvimento de estratégias de negócios para seus membros e relevância para o ecossistema empresarial do estado.

"Além de CEO da Pafer, sou CEO da Livas  e de todo o grupo das empresas do Grupo Zier, e participo de grandes conselhos renomados como Lide, Tonino Lamborghini, Porsche e demais entidades renomadas.”

Em um bate papo exclusivo com o Caderno B+, a CEO fala sobre a sua carreira, e relembra feitos que a tornaram hoje uma referência da indústria brasileira. Além disso, Liliam também conta curiosidades da sua vida pessoal e diz o que pensa sobre o mercado corporativo para mulheres em cargos de liderança. Leia abaixo a entrevista completa:

A empresária Liliam Vanessa Zier é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Henrique Vilela - Diagramação Denis Felipe e Denise Neves

CE: Liliam, resumidamente, como foi a sua vida em Campinas e o que a motivou profissionalmente para iniciar sua carreira?
LVZ:
“Nasci em Campinas (SP) em 1983 e venho de uma família com descendência italiana. Minha mãe sempre teve uma vida muito sofrida e começou a trabalhar muito cedo. Ela se casou com meu pai, que nos abandonou quando eu tinha apenas 3 anos de idade, e, a partir daí, minha mãe se mudou para a cidade de Piracicaba, que é próxima de Campinas.

Ali, minha mãe se casou novamente para que pudesse me dar um novo lar, com isso tive a iniciativa de começar a trabalhar desde criança. Dava aula de reforço nas escolas aos 9 anos de idade e ganhava meu o primeiro ‘troquinho’ para pagar minha aula de Informática. Posteriormente, aprendi a tocar teclado aos 12 anos, e dava aula para pagar o meu Inglês. E, assim, fui engrenando na carreira contábil, depois para o mercado de seguros, educacional e assessorias.”

CE - O que a motivou a fazer intercâmbio na Irlanda? Quantos anos você tinha?
LVZ:
“Achei que Piracicaba estava pequeno para os meus sonhos. Tinha o desejo de melhorar o meu inglês e tentar uma vida melhor, para dar um conforto à minha família. Saí de casa com 23 anos.”

CE: Como foi a experiência de trabalhar com o governo irlandês?
LVZ:
“Desafiador! Cheguei na Irlanda com o inglês que estudava no Brasil, e, ao chegar em Dublin, recomecei a minha vida do zero. Fui ser ‘cleaner’ e tive várias experiências até chegar no governo irlandês. Em 2007, tive a oportunidade de coordenar a parte de eventos do governo da Irlanda, e consegui um estágio na área de projetos financeiros internacionais. A partir dali, tive muito crescimento profissional, mas estudava muito, pois, me mandavam para muitos desafios em países na Europa, na Ásia e na África. Foi uma grande experiência e bagagem que levarei para toda a vida. Sou muita grata pela oportunidade.”
 

Liliam Vanessa Zier - Foto: Henrique Vilela

CE: Você pensa em trabalhar na área política?
LVZ:
“Sim, porém, ainda tenho as minhas dúvidas... Porque sou uma pessoa de muito impacto, gosto de mudanças e de processos corretos, e vejo que o Brasil ainda não está preparado para isso, porém, alguém precisa ter a iniciativa. Quem sabe um dia.”

CE: O que você destaca como situações mais importantes que foram fundamentais para formar a carreira que você construiu no mercado empresarial?
LVZ:
“Resiliência, persistência, forma de pensar e enfrentar a vida positivamente e conhecimento.”

CE: Como a sua empresa, a Livas nasceu?
LVZ:
“Desde criança, tinha o sonho de trabalhar numa grande organização para aprender a área administrativa e estratégia de negócios. Trabalhei em pequenas, médias e grandes empresas nacionais e internacionais, e percebi que em algum momento, devido a minha forte personalidade, ser uma pessoa dominante e ter um ‘Q a mais’ para tomada de decisão rápida e estratégica, resolvi abrir a minha empresa de assessoria e colocar em prática tudo que havia aprendido em minha carreira, desde os 13 anos de idade.”

CE: Você conquistou o seu primeiro milhão de reais aos 28 anos. A que você atribui esse resultado?
LVZ:
“Sempre fui focada e dedicada aos estudos, tive disciplina e ousadia em meus pensamentos, talvez isso tenha feito toda a diferença ao longo dos anos.”

Liliam Vanessa Zier - Foto: Henrique Vilela

CE: Como faz para se dividir entre trabalho e família?
LVZ:
“Optei em desenvolver e capacitar uma boa equipe para que possa ter alguns momentos livres, mas, ainda é uma habilidade que preciso desenvolver mais, confesso!.”

CE: Como você avalia o mercado de trabalho na indústria para as mulheres?
LVZ:
 “A presença da mulher no mercado de trabalho tem avançado muito nos últimos anos e, apesar de ainda não estar em um cenário ideal, hoje em dia é possível ver grande participação feminina. Após três revoluções industriais, sendo a 4ª acontecendo neste momento, o sexo feminino ganhou mais importância.”

CE: Quais os maiores desafios que você enfrenta no dia a dia no mundo corporativo?
LVZ:
 “Ocupar uma posição de liderança em uma empresa é motivo de orgulho, mas também traz uma série de preocupações e responsabilidades, devido também às estratégias que devemos nos atentar todos os dias, pois, os desafios são a cada instante. Ser uma boa líder é motivar, engajar, criar relacionamento, dar feedback e promover melhorias contínuas e ágeis. Lidar com pessoas e suas expectativas, sempre será o maior desafio, principalmente para esta nova geração.”

CE: Nas horas livres, o que a Liliam gosta de fazer?
LVZ:
“Muitas coisas. Sou bem eclética, e ter hora livre para mim é um desafio, porque o meu trabalho é um hobby, porém, amo estar com minha família, viajar, navegar, correr de carro, apreciar um bom vinho e cozinhar.”

Com a filha Valentina e uma de suas paixões, navegar - Divulgação

CE: Quais objetivos na sua carreira ainda não realizou e tem vontade de alcançar?
LVZ:
“Ser presidente da República.”

CE: Como CEO da Pafer, quais são os seus planos para o futuro na empresa?
LVZ:
“A Pafer não chegou ao seu patamar após 36 anos de história por acaso. Foi uma construção árdua em diferentes momentos. O atual, é um deles. Estamos realizando uma série de melhorias e investimentos para que a companhia alcance mais empresas em todo território nacional.

Já adquirimos uma área industrial que aumentará em 300% nossa capacidade produtiva e em breve lançaremos esse projeto ao mercado. Este é apenas um dos passos que estamos dando rumo ao futuro. Pois, além de CEO da Pafer, sou CEO da Livas  e de todo o grupo das empresas do Grupo Zier, e participo de grandes conselhos renomados como Lide, Tonino Lamborghini, Porsche e demais entidades renomadas

CE: Qual a importância da expansão da marca para o estado de São Paulo e para o país?
LVZ:
“O mercado paulista é o principal do país, tem a economia mais rica e diversificada. Além do potencial de fornecimento que a Pafer possui para esta região, para mim, ainda há um valor afetivo, uma vez que nasci neste estado e agora poder voltar com tamanha bagagem e experiência, será gratificante e estratégico.”

Prêmio Tramontina - Foto: Henrique Vilela

CE: Quais serão os próximos passos da Pafer no mercado tendo a sua liderança?
LVZ:
“Pretendo manter a cultura organizacional e aprimorar ainda mais os setores e, principalmente, o capital humano, para que possamos aumentar nossa capacidade de empregos. Pois, estamos a cada dia buscando nos atualizar com as ferramentas de inteligência de mercado e também aperfeiçoando o trabalho em campo.”

CE: Como surgiu a sua paixão por barcos e área náutica?
LVZ:
“Tive a oportunidade de conhecer uma feira náutica, o BoatShow em São Paulo (SP). Em 2013, a convite do meu atual marido, e me apaixonei pelas ondas do mar e pelo capitão (risos).”

CE: Já sofreu alguma dificuldade por ser uma mulher à frente de tantos negócios?
LVZ:
“Claro. Não somente no Brasil, mas também fora, principalmente nas negociações que realizei com o país Emirados Árabes Unidos.”

CE: Um conselho da Liliam para incentivar outras mulheres?
LVZ:
“Cultive seu o amor próprio ele será a base de qualquer sucesso e segurança que transcende o poder feminino.”

Liliam Vanessa Zier - Foto: Herique Vilela

Diálogo

Petista que posa de vestal da moral e dos bons costumes vem colecionando... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta terça-feira (15)

15/09/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Margaret Thatcher - Política britânica

"Estar no poder é como ser uma dama. Se tiver que lembrar às pessoas quem você é, você não é”.

FELPUDA 

Petista que posa de vestal da moral e dos bons costumes vem colecionando revés na Justiça Eleitoral. Em vez  de apresentar propostas e mostrar ao eleitor o que pretende fazer na Câmara Federal, caso seja eleito, prefere se perder em intrigas e tentativas de desestabilizar adversários, segundo político que conhece bem os bastidores. A estratégia, pelo visto, tem sido mais de conversa do que de conteúdo. Detalhe: o dito-cujo, a cada eleição, tenta conquistar um mandato, mas nunca consegue. Como se vê, discurso inflamado nem sempre é suficiente para convencer o eleitor.

DiálogoFoto: Reprodução

Disponível gratuitamente para toda a população, a AEDO – Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos – feita em cartório pode ser consultada, via CPF do falecido, pelos responsáveis do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde, diretamente na Central Nacional de Doadores de Órgãos. A iniciativa, que busca ajudar as pessoas que atualmente aguardam na fila por transplante de órgão, pode ser solicitada digitalmente em qualquer um dos Cartórios de Notas do Brasil. O interessado preenche um formulário diretamente no site www.aedo.org.br, que é recepcionado pelo cartório selecionado. Em seguida, o tabelião agenda uma sessão de videoconferência para identificar o interessado e coletar a sua manifestação de vontade. Por fim, o cidadão e o notário assinam digitalmente a AEDO, que fica disponível para consulta do Sistema Nacional de Transplantes. É possível ainda escolher qual órgão deseja doar –medula, intestino, rim, pulmão, fígado, córnea, coração ou todos. No Brasil, a maioria das pessoas na fila única nacional de transplantes aguarda a doação de um rim, seguido por fígado, coração, pulmão e pâncreas, Pela legislação vigente, quem autoriza a doação em caso de morte encefálica é a família, que precisava estar ciente da intenção da pessoa em doar seus órgãos e/ou tecidos. Com a AEDO esta manifestação de vontade fica registrada dentro de uma base de dados acessada pelos profissionais da Saúde, que terão em mãos a comprovação do desejo do falecido para apresentar à família no momento do óbito. A plataforma está acessível 24 horas por dia, 7 dias por semana, de qualquer dispositivo com acesso à internet.

Diálogo Mônica, Marcela e Eduardo Riedel - Foto: Arquivo Pessoal

 

Diálogo Dra Juliana Lusvarghi - Foto: Arquivo Pessoal

Termômetro

A sucessão da prefeita Adriane começa a entrar no radar político de Campo Grande com vistas a 2028, embora a movimentação mais efetiva deva ocorrer a partir de 2027. Ainda não se sabe  se os partidos que hoje integram o arco de alianças do governador Riedel estarão novamente do mesmo lado. Algumas figuras já andam assanhadas e ensaiam colocar o bloco na rua. A eleição deste ano poderá servir para medir força e espaço dos candidatos. 

Cadeiras

Se for reeleito, o governador Riedel poderá entrar na disputa por uma das vagas ao Senado em 2030. A cadeira que estará em jogo será a da senadora Tereza Cristina, com o final do seu mandato. Ela, por sua vez, também poderá entrar na disputa pelo Governo de MS. Assim, as eleições deste ano já produzem reflexos sobre a montagem do cenário de 2030. Como na política ninguém costuma olhar apenas para a próxima curva...

Responsa

Está nas mãos dos irmãos Fábio e Marcos Trad, hoje em partidos de esquerda, parte importante da responsabilidade de ampliar o espaço político da família nestas eleições. Fábio disputa o Governo, enquanto Marcos busca uma vaga na Câmara dos Deputados. O senador Nelson Trad Filho, por sua vez, desistiu do confronto direto e agora integra uma chapa majoritária como suplente. Se os dois irmãos não obtiverem sucesso nas urnas, o legado político da família poderá sofrer um forte revés. A eleição, portanto, servirá para medir a força do sobrenome.

ANIVERSARIANTES 

  • Leni Fernandes, 
  • Déo José Rimoli Filho,
  • Neiba Ota,
  • Marcus Vinicius Saucedo Perez, 
  • Dalila Felix Damian Miragaia, 
  • Adirson Moreno Peixoto,
  • Gete Ottano da Rosa,
  • Francisca Cosma de LIma Cordeiro,
  • João Yossimitu Chimabuco,
  • José Pereira de Viveiros,
  • Oilson Rizzo,
  • Paulo Cesar Coelho,
  • Rodrigo Seabra Gomes,
  • Josefina Antonia Toledo da Silva,
  • Julianne de Souza Espindola,
  • Cleusa Araujo Clark,
  • Yassuo Noguchi,
  • Silvia Kozima,
  • Gilza Nuria Marroni,  
  • Paulo Sergio França,
  • Jurandir Calixto da Cruz,
  • Osny Duarte Ribeiro,
  • Carlos Hamilton Pereira,
  • Dr. José Rizkallah, 
  • Dr. Jorge Eduardo Rodrigues,
  • Mauro Antônio Zaionc, 
  • Eliane Del Greco Michelazzo,
  • Roberto Pinheiro de Lima,  
  • Wilson Marques Barbosa,     
  • Ana Cecília Mascarenhas Moreira,
  • Vanir Pato dos Santos,
  • Ricardo Ferreira,
  • Sueli Higa, 
  • Orlando Costa Marques Leite,
  • Rochelle Costa,
  • Vanildo Neves Barbosa,
  • Raimundo Nonato Teixeira,
  • Lecir Regenold Martins, 
  • João Pereira Guimarães Neto,
  • Gislene Maria de Macedo,
  • Maurilio Nicomedes da Cunha,
  • Neuza Maria Trindade Benites,
  • Luiza Miyahira,
  • Eliane Novaes Guimarães,
  • Hélio Arthur Bacha,
  • Alex Addor,
  • Nelson Buianain Filho, 
  • Arides Gonçalves Gattis,
  • Dr. Victor Hugo Andrade de Oliveira,
  • Cleber José Ferreira Aguilar,
  • João Nunes,
  • Ramão Barbosa de Souza,
  • Josias dos Santos Rosa,
  • Cleiton Alves Rodrigues,
  • Roberto de Paula Almeida, 
  • Vera Brum,
  • Dr. Aristóteles Ferreira,
  • Maria Cristina Andrade Lopes,
  • Wilson Gomes,
  • Anibal do Nascimento Reis,
  • Maria Antonieta Assunção,
  • Silvio Bezerra Silva,
  • Edison Nepomuceno,
  • Rosiane Nogueira Escobar,
  • Hilda Silveira Gomes,
  • Marisa Mendes Gonçalves,
  • Orcílio Pereira de Queiroz,
  • Dácio Barbosa,
  • Antônio Cotrim Júnior,
  • Dra. Jussara Toshie Hokama, 
  • Elsi Abussafi dos Santos,
  • Márcio César Gonzaga,
  • Pedro Sorrilha Nantes,
  • Sérgio Adalberto Oliskovicz,
  • Hudson Oliveira,
  • Maria de Lurdes Teófilo Tavora,
  • Pedro Paulo Batista,
  • Carmem Fonseca,
  • Soraia Aparecida Chrun Silva,
  • Cristina Xavier da Silva,
  • Emanuel Kilkner Xavier Correa,
  • Altair Carvalho de Oliveira,
  • César Glauco dos Santos Braga,
  • Hans Edgar Bacahenheimer Aguilera,
  • João Edson Vitti,
  • Arnaldo Oscar Drews,
  • João Sguissardi da Rosa,
  • Milton dos Santos de Souza,
  • Roseli Douxera Aquino,
  • José Carlos Oliveira Junior,
  • Manoel Afonso, 
  • Janete Bellini D´Oliveira,
  • Plinio de Arruda Junior,
  • José Carlos Sena,
  • Zito Manuel da Silva,
  • Fabiano Battiston,
  • Oscar Aparecido Santana,
  • Waldelino Pereira Fernandes,
  • Alexandre Rodrigues Favilla,   
  • Nailor Holsback Pereira,          
  • Ayrton Assunção Matos Júnior,     
  • Cassiano Zambam Biglia,
  • Jair de Almeida Serra Neto,
  • Laralice da Rocha Aidar,
  • Jucyliana Cristine Arantes,
  • Mozart Stefani, 
  • Taís Gouvêa Assunção, 
  • Lourdes Peres Benaduce,
  • Roberta Moreschi,
  • Samanta Viki Ramos,
  • Marlene Meneses de Almeida.

Colaborou com Tatyane Gameiro

crônica

Cidade Afeto

14/09/2026 15h05

Arquivo

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Ao aceitar o convite  de Henrique Medeiros, presidente da Academia de Letras de Campo Grande e da amiga   e acadêmica Theresa Hilcar para uma palestra, a memória revirou.  Não imaginava que viveria tantas emoções em dois dias. Momentos diferentes de minha vida vieram à tona. 

Marcia, minha esposa,  e eu percorremos o que foi possível da cidade, a qual estou ligado desde os anos 1970-1980, quando reunido com autores de minha geração atravessávamos o País   fazendo palestras a estudantes e professores em escolas, pátios, quadras, porões, calçadas, praças, estações ferroviárias, resistindo a um regime que tentava nos calar.

Para mim, esta ida, agora, semanas atrás, me trouxe Berlim, onde morei nos anos 1980. Acabara de me separar de  Bia, minha esposa, e ela mudara para o Mato Grosso com meus filhos. Comunicávamo-nos por telefone. Eu fazia a ligação para Daniel e André, à noite nos orelhões berlinenses. Era muitíssimo mais barato. Havia os fusos, porém os meninos me aguardavam ansiosos para transmitir tudo da  cidade deles, tão verde. Enquanto eu estava enregelado, ele ardiam de calor, e riam, não entendiam a diferença. Eu dizia: “estou com um pouquinho de neve na mão”, e eles queriam saber: “Qual  é o gosto da neve”. Berlim era gelada e gelado e Campo Grande, ardia. 

Eu acompanhava as escolas deles, dos jogos de futebol nos terrenos vagos em torno da casa na Rua da Paz, dos passeios.  Contavam dos campeonatos de futebol de salão no colégio. Estavam felizes, a cidade os acolheu. Eu me adaptava a Berlim,  eles a Campo Grande. Havia afeto. Lembro-me rindo de um “castigo” para alunos  rebeldes.  Eram trancados na biblioteca. Daniel e André faziam arrelia para serem  fechados e ali ficavam lendo. Eu sabia da Rua da Paz, onde tinham morado,  jogando futebol nas ruas de terra. Hoje avenidas asfaltadas, em bairro de classe média alta, a casa em que os meninos moravam, desapareceu.

Circulei por uma cidade dominada por um verde exacerbado que me atordoava, eu lembrando o romance “Não Verás País Nenhum”, hoje um clássico da questão ambiental. Assim  circulei em torno do cerrado conservado, milhares de árvores  me envolvendo e ouvia, sim, uvia,  todo aquele verde me  agradecendo pela imensa reserva do Cerrado.  Apego à natureza. 

Aquela época lá atrás foi a  do muro de Berlim com seus belvederes  (observatórios)  aos quais  subíamos do lado de cá, dito democrático, para  observar os “comunistas” do “lado de lá”. Como se fossem animais de zoológico. Loucuras da Guerra Fria.

Na semana passada, em   acordo entre a Academia Brasileira e a de Campo Grande  falei por duas horas para uma sala lotada. Ou seja, as academias estão  se   abrindo,  multiplicando encontros pelo País inteiro.
Terminados os autógrafos  fomos levados para o Território Ristorante, do filho de Theresa Hilcar , Diogo Wendling ,que ficara aberto para nos receber. Lá estavam os chefs e cozinheiros, fora de seus horários, em homenagem à literatura. Os matogrossenses tem ideia do tesouro raro que tem?  Calculam o valor de uma cozinha superior aos mais medalhados de São Paulo, Rio, Nova York? Diogo na cozinha se  pauta pela inovação  sem esquecer o regional.  É um olhar contemporâneo à gastronomia italiana. Marcia e eu hesitamos entre o Torteille di Ossobuco e o Entrecôte di Angus ala Grigia. Decidimos pelo Risoto Pantaneiro que leva carne seca, banana-da-terra, parmesão e pangrattato.  Disputando palmo a palmo com os parisienses “L’Atelier” ou o “Le Perocope”, ”Le Meurice”ou o “JulesVerne”Comida é afeto. Falar é formar leitores  Campo Grande, cidade afeto.

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