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Capa B+: Entrevista exclusiva com o Chef e jurado do Masterchef Brasil Henrique Fogaça

Jurado no Masterchef, músico, empresário, pai, o chef tem história de vida inspiradora. "A equipe do Masterchef é como uma família pra mim, a relação que construímos torna o trabalho mais leve e divertido".

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Nascido em Piracicaba, o chef, empresário e músico Henrique Fogaça se interessou pela gastronomia quando foi morar em São Paulo com a irmã, aos 22 anos. Na época, ele precisava fazer a própria comida e para se aprimorar, pedia receitas para a mãe e a avó.

No começo da carreira, Henrique ia de madrugada ao Ceasa comprar novos ingredientes e passava a noite toda misturando, experimentando e testando suas descobertas. 

Fogaça estudava arquitetura, mas trancou o curso ao saber sobre os cursos de gastronomia que surgiam em São Paulo e decidiu se matricular no curso de chef executivo em 2001.

Durante os estudos, não perdeu a chance de realizar estágios em renomados restaurantes de São Paulo e com uma personalidade criativa e potente, sem medo de errar, já começava a se destacar no universo gastronômico. 

Tanta criatividade e ousadia fez Henrique partir para o empreendedorismo e, em 2005, inaugurar seu próprio restaurante, o Sal Gastronomia, na época, um pequeno café na Galeria Vermelho que acomodava cerca de 16 pessoas, e hoje já somam duas unidades e é considerado um dos melhores e mais procurados restaurantes da cidade.

''Mais do que comida boa, aqui no SAL você viverá uma experiência gastronômica, em um ambiente aconchegante, com uma equipe da qual me orgulho muito'', revela Henrique. 

Focado e com uma mente realizadora, buscando sempre inovar nas suas criações, em 2012, criou a Feira Gastronômica de comida de rua em São Paulo. No ano seguinte, 2013, inaugurou o Cão Véio, Gastropub voltado para lanches e, em 2014, abriu o Admiral's Place Whisky Bar na parte superior do Sal Gastronomia. Fogaça ainda é um dos sócios do restaurante Jamile.

O chef acredita que "Comida não pode ser um artigo de luxo", por isso, seus pratos são uma fusão da alta gastronomia com a culinária brasileira contemporânea. 

Fogaça costuma utilizar ingredientes que para alguns seriam comuns e os transforma em pratos impecáveis, repletos de sabor e apresentação impecável. 

Comunicador e com estilo marcante, em 2014, Fogaça estreou na TV, na BAND, como jurado do “Masterchef Brasil”, onde atua até hoje e ganhou notoriedade, além de vários fãs no Brasil, Angola e Portugal. 

O Chef Henrique Fogaça - Foto: Divulgação

Multifacetado, Fogaça ainda tem outros talentos, é vocalista e fundador da banda de hardcore “Oitão”.
Na música, sua banda de hardcore, Oitão, lançou a música “Borderless”, com direito a um videoclipe gravado na aldeia Tekoá Itakupé, uma comunidade indígena guarani no Pico do Jaraguá, em São Paulo.

Em 2017, lançou seu primeiro livro "Um Chef Hardcore", um relato autobiográfico que mistura momentos de sua vida e 30 receitas assinadas por ele. 

“Eu nunca fui acomodado, talvez seja por isso que a vida me permita viver todos os dias novos desafios. Sempre questionei, nunca me limitei, nem tão pouco concordei que eu não poderia fazer algo diferente e melhor a cada dia que nascia. Eu sempre acreditei que eu poderia receber ao menos um sim que pudesse fazer a diferença”, conta Fogaça.

Sua personalidade é forte e as mais de 100 tatuagens que tem pelo corpo evidenciam as características do chef, que é motociclista, estiloso, gosta de rock e andar de skate. 

“A caveira representa o que ele leva como lema em sua vida, por baixo dessa pele, independentemente da cor, credo ou classe social, somos todos iguais. O que importa é a nossa luta diária de querer fazer o melhor para o próximo e a si mesmo. Fazer o bem é algo que não é glória para ninguém, é a paz que toda alma deveria buscar ”, explica Henrique.

Fogaça é pai de Olivia, João e Maria Leticia. Olivia nasceu com uma síndrome rara e desconhecida e, desde então, Fogaça busca informações sobre tratamentos alternativos com o uso da cannabis e tem sido um grande aliado na causa.

Tanto que está desenvolvendo um instituto que leva o nome da filha para poder proporcionar a outras famílias um tratamento mais adequado e eficaz para crianças que sofrem com a síndrome possam ter uma vida melhor e com mais autonomia. O chef também participa de outros projetos sociais, como o “Chefs Especiais”, o espaço promove aulas de culinária para pessoas com síndrome de Down.

Depois da pandemia, desenvolveu outro projeto social juntamente com seus dois sócios do Restaurante Jamile, chamado “Marmita do Bem”, em que eles distribuíram marmitas para moradores de rua.

“Quando a minha filha Olivia nasceu a vida me deu uma nova oportunidade de ser melhor, dessa vez eu tinha mais um motivo para não ligar para os nãos da vida, eu já havia recebido um sim acompanhado de um sorriso leve e que me transforma todos os dias. Mas digo com propriedade que o que era um problema de saúde da minha pequena, me transformou em um homem melhor com ainda mais garra e força de vontade”, revela Fogaça. 

O Chef lançou em 2021 o livro 'O Mundo do Sal' pela Essential Idea Editora. Escrita por Henrique Fogaça e o jornalista Rogerio Ruschel. 

Durante os meses de pausa do Masterchef, Fogaça lançou uma linha exclusiva de óculos, em parceria com a famosa marca Evoke, passou tempo com sua família, correu no rally Mitsubishi Cup, criou um menu vegano para o seu restaurante, Sal Gastronomia, sendo incluído no Guia Garfinho de Ouro pela iniciativa, um símbolo importante de compromisso com a inclusão e a acessibilidade.

O Cão Véio ganhou novas unidades pelo Brasil, expandindo sua culinária e estilo descolado. O chef retornou como jurado do Masterchef em setembro. 

No mês de novembro, o chef recebeu duas honrarias pelo seu trabalho com a sociedade e pelo seu talento gastronômico. Sendo da ICDAM (Instituto Internacional de Comunicação Ações Humanitárias da Amazônia), que ao lado do seu amigo, Markone, foi reconhecido pelas práticas de cuidado pensando na Amazônia. Além disso, ele foi homenageado pela segunda vez com a honraria da Cruz do Mérito da Gastronomia.

Fogaça é Capa exclusiva do Correio desta semana, e também da gastronomia do Caderno com depoimentos sobre trabalho, vida pessoal e receita para você reproduzir na sua casa.

O Chef Henrique Fogaça é Capa do Correio B+ desta semana - Foto: Henrique Tarricone - Diagramação Denis Felipe e Denise Neves

CE - Fogaça você sempre foi uma pessoa inquieta e realizadora?
Porque você está sempre à frente de muitas funções.
HF -
 Eu sou uma pessoa que gosta de viver novas experiências, de estar em movimento. E se você se organizar dá para atuar em mais de uma área, vai depender mesmo do desejo de cada um, eu gosto desse movimento, de me desafiar, me traz até mais criatividade para a gastronomia, música e afins.

É bem corrido, mas estou acostumado, faz muito tempo que concilio várias ocupações ao mesmo tempo. Claro, tenho um time que me ajuda em tudo, mas eu gosto desse ritmo. Sou uma pessoa muito agitada, então acredito que me manter ocupado me ajuda a me centrar.

CE - Qual a sua história com a gastronomia, você sempre gostou, pensou nisso?
HF - 
O interesse pela gastronomia surgiu quando cursava o curso de Administração com ênfase em Comércio Exterior em São Paulo. Na época saí de Ribeirão Preto para morar na capital e estava cansado de comer comida congelada, e foi na necessidade de cozinhar, pegando receita da minha avó e experimentando tudo na cozinha que me entreguei à gastronomia e não parei mais.

Já fui bancário, office boy, trabalhei em locadora de vídeo, em imobiliária, em supermercado, em feira de roupas, como segurança e fiz panfletagem de shows de hardcore, mas decidi largar tudo para começar na gastronomia, que se tornou a minha paixão. 

CE - Como nasceu o Sal Gastronomia, como ele está hoje e qual o conceito?
HF -
 O Sal nasceu em 2005 em Higienópolis, São Paulo. Foi onde tudo começou, era um espaço pequeno, com um fogão usado e uma mesa comunitária. Lá, eu evoluí e cresci bastante como cozinheiro e chef de cozinha. Costuma levar meu filho João na cozinha, a gente sempre estava por lá, com meus irmãos e meus pais também.

Agora, depois de 18 anos da inauguração, ele vai mudar para uma nova sede na zona oeste da cidade, na região dos Jardins. Os clientes podem esperar um restaurante repaginado, moderno, acolhedor e bonito. Vamos manter os pratos clássicos, mas terão novidades no menu, surpresas dessa nova unidade. E nós ainda temos outra unidade no Shopping Cidade Jardim, que continuará funcionando normalmente. 

Henrique Fogaça - Foto: Divulgação

CE - Você é um empreendedor, após o Sal ser criando, conta pra gente um pouco sobre esse caminho…
HF - 
Comecei pequeno, vendendo hambúrguer na rua, então sempre me envolvi com tudo. Algo que levei quando abri o Sal, meu primeiro restaurante. Hoje também tenho o gastropub Cão Véio, sou sócio do restaurante Jamile. 

O segredo é saber de tudo! Cuido das compras, da qualidade dos ingredientes, que pra mim é fundamental, estou na criação dos cardápios, no dia a dia da cozinha. Além disso, é essencial servir comida boa, ter um ambiente bacana e excelência no atendimento.  

CE - Fogaça sobre ingredientes usados em seus pratos, nos conte o seu diferencial, ou melhor: “Comida não pode ser artigo de luxo”...
HF -
 Acredito que meu diferencial é o amor pelo trabalho, gostar de cozinhar, do ambiente da cozinha, de poder servir, receber as pessoas. O restaurante é um local onde as pessoas vão para comemorar alguma coisa e o ato de comer já é uma celebração. 

CE - A experiência como apresentador começou em 2014 com o Masterchef? 
HF -
Recebi o convite para participar do Masterchef em 2014 e confesso que entrei nessa experiência com curiosidade, era um formato ainda inédito no Brasil. Ao longo desses nove anos, a audiência do programa fortaleceu meu trabalho em diversos aspectos, com ela consegui levar diferentes experiências culinárias para as pessoas, e isso é incrível. 

A visibilidade do Masterchef me proporcionou investir nos projetos que eu acredito, então só tenho coisas positivas em relação ao programa. Me sinto muito grato pelo carinho dos fãs, eles estão sempre na torcida por mim, e valorizo muito isso!

Com a sua turma do Masterchef Brasil - Foto: Divulgação

CE - Ainda se lembra da sua estreia? Como foi?
HF -
 Eu sempre apostei muito nesse formato de reality, onde os competidores nos trazem tantas surpresas e emoções. Lá em 2014, quando o programa estreou, lembro de estar nervoso, mas sempre confiando no trabalho da equipe e da BAND.

CE - Porque você saiu do programa por um período? Sentiu falta?
HF -
 É sempre difícil pausar um projeto, ainda mais o Masterchef que se tornou uma família pra mim, mas foi uma pausa necessária e muito bem alinhada com a emissora e a direção, e sou grato por isso. Tinha outros projetos que queria retomar, precisava ficar mais tempo com a minha família, meus filhos, e foi um tempo muito precioso. 

CE - Como foi o retorno à família do Masterchef?
HF - 
Foi uma pausa curta, mas que me deu muita energia e empolgação para voltar! Gosto muito da dinâmica do programa, é muito gratificante conhecer as histórias dos participantes e perceber que, através da gastronomia, nós fazemos a diferença na vida deles! Aprendo muito. 

CE - Como é a relação de vocês?
HF -
 A equipe do Masterchef é como uma família pra mim, a relação que construímos torna o trabalho mais leve e divertido. 

Foto: Divulgação

CE - Fale um pouco sobre seus livros lançados Fogaça?
HF -
 Em 2017, lancei meu primeiro livro, “Um Chef Hardcore”, um relato autobiográfico, misturando momentos importantes e 30 receitas assinadas por mim. Em 2022, lancei o livro “O Mundo do Sal”, pela Essential Idea Editora e escrito por mim e pelo jornalista Rogério Ruschel. O livro apresenta a contribuição do sal para com a humanidade nos últimos 5.000 anos, sua influência na política, na economia, na cultura e na sociedade, além de algumas receitas especiais. 

Sempre gostei de me expressar, seja através da música ou da gastronomia, e a escrita foi outra maneira que encontrei de expressar o que eu acredito e a minha maneira de ver o mundo.  

CE - Nos conte suas milhares de tatuagens pelo corpo…
HF -
 Sim, são muitas! Eu fiz a primeira tatuagem com 15 anos e perdi as contas já, porque foi juntando um desenho no outro. Elas contam histórias de vida ligadas ao rock, cozinha, família, marcadas no corpo. 

Henrique Fogaça no Masterchef - Foto: Divulgação

CE - A relação com a sua filha é bastante emocionante, e você cravou uma luta usando tratamentos alternativos com o uso da cannabis, como está todo esse processo e evolução?
HF -
 A condição da minha filha Olívia é rara, os médicos não chegaram a um diagnóstico conclusivo sobre a síndrome que ela tem, mas pra mim se tornou uma inspiração. Cheguei a ouvir de alguns médicos que minha filha não iria sobreviver. Foi devastador para mim. No entanto, eu tinha convicção que iríamos lutar e vencer juntos. Assim que eu conheci o tratamento com o Canabidiol.

Desde então, a Olivia tem outra qualidade de vida, a evolução foi incrível! Ela vivia deitada e não tinha expressão facial. A curvatura da coluna dela guiava o olhar para baixo e tinha muitas convulsões. Três, quatro, cinco, seis por dia! Meu coração apertava quando o corpo da Olivia tremia e os olhos viravam. Mas, com o CBD tudo isso mudou. Hoje quando saímos juntos, ela olha pra tudo e fica até brava em lugares muito cheios. Ela está mais feliz, reage mais rápido. Quando falo com ela, dá um sorriso. Isso não acontecia antes. 

CE - Você está desenvolvendo um instituto com o nome da sua filha e também ajuda outros projetos sociais. Qual é o seu sentimento estando dentro do 3 setor dessa maneira?
HF - 
Muitas pessoas me procuram para entender sobre o assunto, porque o uso medicinal do Canabidiol ainda é um tabu no Brasil. Já nos Estados Unidos e na Europa o tema é mais abordado. Tenho como principal objetivo ajudar outras famílias com o acesso ao tratamento à base de canabidiol e desmistificar o uso medicinal da planta.

Criar um instituto envolve um processo burocrático, principalmente quando se trata de ter o objetivo de democratizar o acesso ao uso medicinal do canabidiol, então ainda estamos nesse processo. 

Estar envolvido em ações sociais me motiva enquanto pai, cidadão, pessoa e profissional, então sempre busco poder ajudar como posso, seja com o projeto chefs especiais, marmita do bem ou qualquer outra ação que possa contribuir para uma sociedade mais justa, acessível e humanitária. 

CE - Como você concilia tantas atividades com a sua vida pessoal?
HF -
 Eu tenho pessoas que trabalham comigo, vários braços direitos na cozinha, na parte de administração, assessoria de imprensa, pessoal do marketing, tem toda uma estrutura por trás. Isso ajuda muito na organização da minha rotina. 

Apesar de ter uma vida extremamente corrida e estar cada hora em um lugar, sempre me esforço para estar o máximo possível com os meus filhos, a Olívia, o João e a Maria que são meus grandes amores. 

                     Com a filha Olívia - Foto: Divulgação

CE - E a música, qual a sua relação com ela?
HF - 
Me considero um rockeiro desde os 10 anos de idade. A música foi talvez a minha primeira paixão, e o rock pesado definiu todo o meu estilo de vida.

Comecei ouvindo bandas bem clássicas, como AC/DC e Iron Maiden, e logo descobri as bandas nacionais, que foram as que eu mais me identifiquei, como Cólera e Ratos de Porão. Com o Oitão, banda que sou vocalista, pude realizar um dos meus sonhos mais antigos, e também é uma válvula de escape para a minha criatividade.

Acabamos de lançar o single “Borderless” com um videoclipe gravado na aldeia Tekoá Itakupé, uma comunidade indígena guarani no Pico do Jaraguá, em São Paulo. Também queremos lançar um vinil de sete polegadas com duas músicas. E já estamos compondo faixas para outro projeto, cujo título é “Indigesto” com letras mais ríspidas e fortes. 

CE - Prato preferido do Fogaça?
HF - 
Amo fazer comida caseira para a família, me traz lembranças boas. Os pratos vêm da época dos meus pais, uma comida gostosa, simples, farta em um lugar aconchegante que consegue servir bem toda a família. Por isso, meu prato favorito é arroz, feijão, farofa, um bife acebolado e um ovo frito com gema mole. 

CE - Expectativas para 2024…
HF -
 Continuar meus projetos profissionais, cuidar da minha saúde e estar perto dos meus filhos. Tem mais Masterchef pra gravar em 2024! Estou com um projeto de retomar meu canal no Youtube, trabalhar em vários segmentos, além da gastronomia. Muitas coisas boas vem por aí…

Moto, música e tatuagens também são paixões do empresário e Chef Fogaça - Foto: Divulgação

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Lançamento B+: Jornalista lança primeiro planner emocional para superação do divórcio

Em segundo livro sobre separação jornalista ouve especialistas em obra que tem prefácio de Rafael Cortez e renda revertida ao GRAACC

24/02/2024 14h30

Jornalista lança primeiro planner emocional para superação do divórcio Foto: Divulgação

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Depois de lançar o primeiro livro sobre separação no Programa do Jô em 2009, a jornalista Renata Rode retomou sua pesquisa e assim nasceu “Todo Mundo Erra”, uma obra construída a várias mãos porque a autora ouviu especialistas de áreas distintas para confeccionar o primeiro planner emocional integrativo pós-rompimento produzido pela Editora Leader.

Desta vez, a pesquisadora nata retoma o tema tendo com ainda mais propriedade e força, já que muitos casais e sociedades se desfizeram após a pandemia. “Uni os dois anos de pesquisa e mais de cem entrevistas com pessoas separadas (tanto homens quanto mulheres) a estudos de especialistas renomados, de neurocientistas a terapeutas, de sexólogos a especialistas em comportamento, resultando em uma leitura leve, relevante e informativa, com exercícios práticos ao fim de cada capítulo que vão trazer um novo significado a essa fase difícil, afinal, todo mundo erra e é preciso aprender com os erros para evoluir. Se parar pra pensar, até tropeço leva a gente pra frente”, relata.

Na verdade, a publicação não se destina somente a pessoas separadas. “Quando separamos vivenciamos um luto, porém isso também acontece com outras coisas na vida, como quando trocamos de carreira, quando mudamos de cidade ou passamos por uma dificuldade tremenda e temos que, de alguma forma, recomeçar”, indica a autora. 

Para Andréia Roma, CEO da Editora Leader que atua com todos os gêneros literários, “Todo Mundo Erra” integrará o Selo Editorial Série Mulheres, idealizado a uma década pela Editora Leader, registrado em mais de 170 países, em um formato completamente exclusivo.

“Nossas obras que têm como foco transformar histórias reais em autobiografias inspiracionais, cases e metodologias de mulheres que se diferenciam em sua área de atuação. Acreditamos que com nossa experiência na publicação de obras que resultam de pesquisas aprofundadas sobre cada temática, com a participação de especialistas, fazemos da leitura algo relevante, com uma linguagem clara e objetiva, de forma que nossos leitores possam ter um salto em seu desenvolvimento por meio dos ensinamentos práticos e teóricos que nossas publicações oferecem”.

                                  Foto: Divulgação

Com prefácio do jornalista, artista, humorista, apresentador, comunicador e palestrante Rafael Cortez, é leitura obrigatória não só para separados, mas sim para todos aqueles apaixonados por autoconhecimento, humor, evolução e informação, assim como Renata, que insiste em dizer: “No final de tudo, o que importa é ser feliz e ninguém aprende pra valer, se não errar”.

O livro tem parte da renda revertida ao GRAACC, instituição que a autora ajuda por meio de eventos e network há mais de 20 anos. “Meu propósito é, com minha escrita, ajudar pessoas, de toda forma possível. O livro nasceu assim: da necessidade de apoio em momentos difíceis e na busca pelo autoconhecimento. Em parceria com a Editora Leader, pude realizar o sonho de transformar minha experiência em realidade e doar os direitos autorais em prol do combate ao câncer”, finaliza.

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Cinema B+: Filmes e séries que acertam (e que erram) nas surpresas

Game of Thrones? Peaky Blinders? Sexto Sentido? Os Outros? White Lotus? Quem acertou ou quem errou?

24/02/2024 12h30

Filmes e séries que acertam (e que erram) nas surpresas Foto: Divulgação

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Uma história que nos surpreende é fascinante, mas ela precisa fluir perfeitamente para quando o roteirista puxar o tapete a gente caia rindo e gostando da queda. Porque “surpreender” é um desafio, mas um que infelizmente muitos colocam à frente de contar uma boa história. Há pegadinhas, há boas surpresas e há simplesmente mesquinharia. Sabe como identificamos? Vou dar o meu palpite.

Agatha Christie: a rainha das pegadinhas

Todo conteúdo de ‘quem matou’ é um pouco de pegadinha, seguindo a escola de sua maior autora: Agatha Christie. O assassino em geral é quem a gente menos espera e precisa ter um detetive explicando o que houve. Ou o culpado confessando para fazer sentido.

Embora pareça ‘fácil’, não é. E não estou falando identificar o culpado, mas sim nos fazer acompanhar a história sem pescar as dicas. Se não souber brincar com a percepção da plateia, a história fica no vazio. Morte e Outros Detalhes, da Starplus, é um dos exemplos nos quais estamos no sexto episódio e já mudaram seis vezes o suspeito. A essa altura, o que importa? Só torcemos para o cruzeiro acabar.

Aqui vão cinco BONS exemplos de surpresa, entre recentes e antigos:

1- O Sexto Sentido

Eu só matei a surpresa porque me falaram que era completamente inesperada então inverti a expectativa. É bem amarrada, e clara desde o início, se você ousasse justamente pensar no pior.


2- Os Suspeitos

Quem é Keyser Söze? Também matei a charada, mas pela mesma razão de O Sexto Sentido. O roteiro é perfeito para despistar e nos fazer levar um susto com a verdade.


3- Only Murders in the Building

Sou a especialista de quebra-cabeças, acertei em cheio na temporada 1 (uma das melhores) e passei perto nas outras. Inteligente, cheio de dicas e ainda assim, sempre com surpresas.


4- The After Party (1ª temporada)

A primeira temporada é o que há de perfeição. Usei a estratégia Agatha Christie e saquei o culpado meio rapidamente, mas de novo, porque sou chata. É sensacional.


5 – The White Lotus

Todo sucesso da série é justificado por nos engajar a quebrar a cabeça e nos entregar uma conclusão inesperada. A 3ª temporada começa a gravar agora, duvido que perca a qualidade!


Também peguei cinco exemplos ruins mais recentes para reforçar meu ponto de vista.

Em todas as séries abaixo, a história se arrasta e desafia nosso engajamento. Como nos fazem acreditar em uma coisa apenas para jogar no lixo e mostrar outra no episódio seguinte, parece que estamos com tempo disponível para desperdiçar e jogar fora.


Uma coisa é tentar decifrar o mistério, outra é sacar que não importa quanto a gente se esforce, o roteirista vai inventar qualquer coisa ou suspeito apenas para nos desafiar. Não é questão de “se deixar levar”, é desistir de tentar acompanhar, um perigo enorme se quem conta a história é ‘mesquinho’ e quer ter a palavra final, mesmo que não faça sentido.


1- Morte e Outros Detalhes, Starplus

2- Assassinato no Fim do Mundo, Starplus

3- True Detective Terra Noturna, MAX

4- The After Party (2ª temporada), Apple TV Plus

5- O Jogo do Disfarce, MAX

A fórmula de filmes Noir: todos os detalhes e nomes importam


Todos gostamos de surpresa, mas não de sermos deliberadamente feitos de tolos. Se em uma série de seis episódios parece que ‘revelam’ o culpado no 4º, não é culpa sua de errar o culpado. Na verdade, tiraram 4 horas da sua vida para que você se sinta um idiota no final das próximas duas.


É importante ressaltar que não é o que Agatha Christie fazia e que alguns roteiristas pegaram a manha: ela nos distrai, até nos induz a pensar uma coisa, mas quando vem o momento da confissão, a gente ri porque ela faz sentido.


Já em filmes noir demanda um pouco mais de atenção. Em geral começamos a história com uma informação crucial e voltamos no tempo para contextualiza-la, sendo que, em geral, ainda vem uma supresa maior na conclusão. Daí é preciso estar ligada em todo e qualquer nome citado ao longo do tempo pois nenhuma informação é irrelevante. Alguns bons exemplos:

1- Slow Horses, Apple TV Plus

Todas as dicas que precisamos para acompanhar Jackson Lamb (Gary Oldman) é prestar atenção no que ele ‘não diz’, e nas reações de Diana Tarvener (Kristin Scott-Thomas), no jogo de gato e rato que sacrifica boas pessoas (e outras nem tanto).


2- Sequestro no Ar, Apple TV Plus

A série com Idris Elba deu tantas voltas que quaaase errou na mão, mas parou com o suficiente para nos engajar na segunda parte, onde já sabemos o culpado e como, mas ainda não temos certeza como a história acaba. Perfeito!


3- Pacto de Sangue (Double Indemnity)

Se passaram nada menos do que 80 anos desde seu lançamento e esse ainda é um filme perfeito, contato em flashback e clássico dos clássicos do estilo noir.


Claro, a mulher é tida como ‘fatal’ por causa da personagem de Barbara Stanwyck, um homem mandar a mulher “calar a boca” ainda era tido como sexy, mas há muitos elementos importantes na narrativa e na construção de Pacto de Sangue que é possível mantê-lo na lista de “Imperdível”.


4- Chinatown

Chinatown é obrigatório, mas, se você ainda não viu e quando chegar ao final ficar com uma sensação de que ‘não gostei’, está tudo bem. Quem ama o filme é mais por conta da surpresa inacreditável de uma trama extremamente confusa, porém amarrada.


5- Cidadão Kane

O brilhantismo do filme de Orson Welles é pauta de teses de mestrado há mais de 80 anos, merecidamente. Está na lista não por conta de assassinatos, mas porque o mistério é simples.
 

Um repórter quer entender as últimas palavras de um milionário excêntrico e revemos toda sua vida atrás de pistas. Quando descobrimos o que significava “Rosebud” é uma surpresa emocionante e até hoje um exemplo perfeito de como se cria uma história inteligente, como seria impossível adivinhar, mas que nenhum segundo que vimos nos faz sentir que perdemos tempo. Perfeito!

Reveter expectativas: só se fizer sentido


O roteirista sempre terá controle da narrativa, mas esse Poder demanda talento. Se sabe nos conduzir em uma estrada cheia de curvas, ladeiras e obstáculos, quando chegamos para a bandeirada final a surpresa só é bem vinda quando nos completa algo. O que já repeti umas mil vezes nesse post.


Além de O Sexto Sentido e Os Suspeitos, são poucos que conseguem dar a volta de 180º sem nos irritar, e são filmes como Os Outros (na escola e contemporâneo de O Sexto Sentido) e um dos anos 1980s que recomendo devorar: Sem Saída (No Way Out).


Em ambos todos os detalhes que precisamos saber ou perceber são oferecidos desde o início, ainda mais do que Os Suspeitos e O Sexto Sentido, que meio que escondem e nos confundem deliberadamente (ainda que com inteligência).


Em ambos, se usar o aprendizado de Agatha Christie (é sempre quem menos esperamos) com a fórmula noir (todos os detalhes importam), sacamos a verdade, mas é tão fora da caixa que negamos, até que temos que admitir e entregar ao roteirista seu reconhecimento de grande contador de histórias.

Lost, Sopranos e Game of Thrones: a revolta dos fãs


Quando estreou uma narrativa não linear, mesclando drama com ação e mistério, Lost virou uma febre mundial. Tinha os flashbacks, o mistério de quem eram os passageiros ‘azarados’, o que tinha na Ilha e como sairiam dali.


Vieram os flashforwards, mas trocas no elenco e uma trama tão complexa que a conclusão ’espiritual’ cometeu o erro que já mencionei: fez o público achar que perdeu tempo, a jornada não compensou a entrega.


Porém Game of Thrones conseguiu ir além da polêmica quando o autor George R. R. Martin estava com nada menos do que cinco livros à frente da série e chegou em 2024, seis anos depois que GOT saiu do ar, sem sinal de que um dia vai concluir a saga.


Os showrunners David Benioff e Dan Weiss ganharam notoriedade, prêmios e elogios enquanto tinham o material de Martin como base (e sobra), mas, com os prazos da HBO e compromissos profissionais deles, a partir da 6ª temporada passaram a usar a linha básica do argumento do autor para o final e tiveram total liberdade para conduzissem como quisessem a história que é o maior fenômeno pop da última década.

Foto: Divulgação


Onde D&D erraram? Muitos apontam muitos detalhes, mas o principal deles (a conclusão da trama de Daenerys (Emilia Clarke)) estava anunciada para quem estivesse prestando atenção e ela fazia parte da fórmula de Martin: reverter as expectativas.


Eu odeio esse conceito porque ele é pura pegadinha. Ou pode ser. No caso de Game of Thrones, a proposta do escritor era a de mostrar que 1) os vencedores dominam a narrativa e que 2) o herói é o vilão para o outro lado. Em nenhum momento, Daenerys – a heroína clássica – terminaria seus dias resgatando o Trono de Ferro sem estar comprometida com a corrupção do Poder. Nós acompanhamos a jornada de uma vilã complexa e empática, isso é uma boa história!


Em geral, a surpresa constante de Game of Thrones não estava nunca em nos surpreender com o desconhecido, mas nos chocar com o improvável. Tipo, começarmos a história com Ned Stark (Sean Bean) sendo nosso herói, mas ele morrer a um episódio do fim. Em seguida, torcermos pelo filho dele, Rob Stark (Richard Madden) para vê-lo traído e massacrado na 4ª temporada. Tampouco a fórmula era “matar qualquer um”: era ser implacável com as consequências plausíveis.


Quando coube à D&D a seguir com isso, eles ficaram preocupados em puxar nosso tapete, em nos dar um medo de perder Jon Snow (Kit Harington) para ressuscitá-lo apenas no 3º episódio da temporada seguinte de seu assassinato. No embate entre vivos e mortos, apenas os que já tinham o arco completo morreram, quase não deu medo como tivemos na Batalha dos Bastardos ou Hardhome. Pior ainda, as entregas mais esperadas dos fãs por 8 anos (Arya matando Cersei, Jon matando o Night King) foram invertidas apenas pela graça de, sim, “reverter expectativas”.


A primeira pergunta é por que inverter a expectativa? A surpresa claramente não era o que queriam depois de sete anos esperando essas duas coisas (a de ver Bran incorporando o Dragão era outra, mas poderia passar como passou sem e engolimos).


Ser mesquinho, não entregar o que se espera porque pode negar esse prazer, fez de GOT um dos melhores exemplos de uma conclusão desastrada de um fenômeno. A tela preta de Família Soprano não chega aos pés de problemática. Se quiser que Tony Soprano (James Gandolfini) tenha sobrevivido é uma opção, mas se tiver seguido a fórmula noir sabe que a morte dele foi explicada e anunciada várias vezes antes: foi simplesmente brilhante.

Peaky Blinders caiu na armadilha de surpresas e Vikings ensaiou um GOT


Sou apaixonada por Peaky Blinders e Vikings também, mas ambos sucessos também passaram por algumas bolas fora.

Vikings, menos, mas um tanto inconsistente ao traçar a rendenção de Ivar the Boneless (Alex Høgh Andersen) e, ao fim, tirar sua vida nas mãos de um soldado qualquer. Foi como Arya Stark (Maisie Williams) tivesse ensinado o erro ao matar o Night King em vez de Jon Snow. Ivar tinha que morrer de forma menos grandiosa, fora da batalha, em algo trivial. Tampouco tinha que mostrar um medo da Morte: ele foi educado a vida toda para encarar de frente o caminho para Valhalla.


Claro, o medo e as lágrimas eram para humanizá-lo, um soldado qualquer era para tirar sua importância e foi mais um suicídio do que derrota, mas ainda assim: preferia que tivesse sido Alfred (Ferdia Walsh-Peelo) ou um acidente doméstico.


A morte de Lagherta (Katheryn Winnick) pelas mãos de Hvitserk (Marco Ilsø) em vez de Ivar também soou meio Arya Stark. Mas perto de GOT, Vikings foi perfeita.

Foto: Divulgação


Já Peaky Blinders apostou nas fórmulas de pegadinha ao longo dos vários anos. Sempre que acreditávamos que Tommy Shelby (Cillian Murphy) tinha se dado mal, era sempre parte do plano dele e não era nada do que estávamos esperando. Algumas vezes, eram, mas raramente.

Infelizmente para a série a saúde da atriz Helen McCrory atrapalhou o que seria a principal conclusão do drama dos Shelbys: Polly Gray teria que escolher entre o filho Michael Gray (Finn Cole) e o sobrinho Tommy, prometendo um fim poderoso para a série.

Com a morte prematura da atriz, a personagem morreu fora de cena, em uma sequência de fatos que tiveram seu peso, mas que perderam a mágica. Tommy conseguiu se livrar dos inimigos, mas perdeu sua esposa que desistiu dele e sua filha querida. Um homem novamente quebrado, mas vivo!!! Sim, teremos o filme e Cillian Murphy – com Oscar ou não – diz que volta ao universo de Peaky Blinders. Será mesmo?

Portanto, fica aqui a dica: mais do que talento do roteirista, dependemos mais da generosidade dos showrunners ao nos contar uma história. Se eles quiserem priorizar uma boa trama, vão acertar na surpresa, não há dúvida. Mas, se deixarem os egos falarem mais alto e quiserem “mostrar quem é que manda”, em geral, derrapam.

Você tem uma série ou filme que ache que acertou ou errou e que não mencionei? Aposto que sim!

Foto: Divulgação

 

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