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Capa B+: No Dia da Bailarina: Entrevista exclusiva com a bailarina brasileira Priscilla Yokoi

"A Ana Botafogo sempre foi uma inspiração pra mim! Me sinto honrada em estar nessa parceria com ela".

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Priscilla Yokoi iniciou sua vida como bailarina aos 2 anos de idade quando começou a estudar Ballet Clássico. Formada pelo Ballet Aracy de Almeida, ela foi e sempre será uma das grandes revelações do Ballett do nosso país. Coreógrafa e bailarina Priscilla já se apresentou em mais de 15 países.

Dançou como convidada especial o papel principal no Ballet do Theatro Municipal de Santiago Chile, integrou-se como primeira bailarina no Columbia Classical Ballet USA, em 2008 voltou ao Brasil compondo a São Paulo Companhia de Dança como primeira Solista.

Priscilla ensina novos bailarinos, dá palestras e workshops por todo o Brasil. Ela produziu e idealizou a inédita Gala Clássica Internacional de Paulinia, com o apoio da Prefeitura da região.

A bailarina reuniu estrelas do Ballet Clássico Mundial proporcionando um intercâmbio com adolescentes e bailarinos deficientes visuais. Este evento lhe proporcionou o Voto De Jubilo e Congratulações da Câmara Municipal de São Paulo, entregue pela Vereadora Edir Sales. Juntas elas encabeçaram a criação do Dia do Ballet Clássico na cidade de São Paulo, aprovado pela Câmara de Vereadores de SP.

Registrar seu nome na história por conta da juventude não é novidade para a bailarina que, aos 15 anos, recebeu um prêmio especial do júri como mais jovem finalista do International Ballet Competition, na Bulgária. Aos 16, ela foi eleita Melhor Bailarina Clássica do Festival de Dança de Joinville e, daí em diante, seguiu com suas conquistas profissionais no Brasil e exterior, ganhando o reconhecimento e a admiração dos bailarinos e do público.

Priscilla Yokoi também é Fundadora do Fórum Internacional de Cidadania, conselheira no Conselho Superior da Indústria Criativa na FIESP (COSIC) e Diretora Cultural da Economia Criativa do Instituto Cidadania Ambiental (ICA) e foi Diretora Artística da Escola de Dança do Theatro Municipal de São Paulo. Recebeu prêmios da Câmara Municipal de São Paulo, Prêmio Clap – Paulinia, Assembleia Legislativa de SP e Prêmio Jovem Brasileiro de Melhor Bailarina Clássica da Atualidade. 

Alguns de seus prêmios nacionais e internacionais:

- Medalhas de Ouro e Prêmio de Melhora bailarina no Festival de Dança de Joinville.
- Festival de Danza del Mercosur Buenos Aires
- Consurso Internaxionale de Danza di Cittá di Rieti – Itália.
- Medalha de Prata no IBC Japão
- Laureada em Lausanne-Suíça
- Grand Prix Sansha no IBC New York
- Prêmio Jovem Brasil como Melhora Bailarina da Atualidade
- Ibc Varna – Bulgária 
Entre outros...

Priscilla viajou o mundo como bailarina convidada para representar o Brasil nos principais festivais de dança internacionais. Aposentada dos palcos, atualmente ela também é empresária da dança e fundou há dois anos a sua marca que leva o seu nome - Priscilla Yokoi Store e rescentemente lançou em parceria com a também bailarina Ana Botafogo a sua primeira coleção no Festival de Dança de Joinville.

No Dia da Bailarina e no mês que se comemora a data no meio da dança, Priscilla Yokoi é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ela fala sobre seu início na dança, como é ser reconhecida como uma das melhores bailarinas da sua geração, como vê o ballet nos dias de hoje e também de sua parceria com a bailarina Ana Botafogo.

A bailarina e empresária Priscilla Yokoi é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Glauco Epov - Diagramação: Denis Felipe e Denise Neves

CE - Porque você escolheu a dança?
PY - 
Pensando bem, acho que foi a dança que me escolheu (risos). Desde meus 2 anos a dança sempre foi a melhor maneira de me expressar. Minhas brincadeiras sempre eram apresentando um programa de TV me connvidando para dançar. É impressionante como essa lembrança é tão viva ainda dentro de mim.

CE - Como é ser considerada uma das melhores bailarinas da sua geração?
PY - 
É uma honra ser reconhecida por tamanho esforço e dedicação, passa um filme na minha cabeça de tudo o que vivi até hoje. Muitos não imaginam que para conquistar algo, precisamos renunciar e abrir mão de muitas coisas. Quantos " nãos " recebemos ao longo dessa caminhada? Quantas traições? Quantas pedras no meio do caminho? Mas precisamos ter a certeza de, um alvo, um objetivo, muita dedicação, muita entrega e a clareza de quem somos. Devemos ser verdadeiros, simples, humildes porque no tempo certo colheremos o fruto do nosso trabalho.

CE - Você já viajou pelo mundo todo, que lugar mais te marcou e porque?
PY -
 Viajei muito mesmo e por incrível que pareça em todas elas tenho momentos marcantes que me trouxeram grandes aprendizados e reflexões sobre o que eu realmente queria. Mas o Prix de Lausanne na Suíça marcou minha independência. Viajar sozinha pela 1° vez em uma época que não tinha celular e a comunicação era extremamente rara, eu tinha apenas 16 anos, sem falar outra língua, somente com um dicionário Inglês X Português embaixo do braço para a principal competição de ballet juvenil do mundo em para outro país, teria que ser marcante mesmo. Hoje eu penso como minha mãe foi corajosa (risos).

CE - Qual a diferença de ser bailarina hoje e na sua época? O que mudou?
PY -
 Dancei profissionalmente por 20 anos, representando o país em diversos concursos, galas e cias, e muitas pessoas não sabem disso. Talvez se eu fosse dessa geração teria alcançado um maior público do que na minha época. Sem dúvida a internet hoje faz muita diferença.
 

Priscilla no palco com o bailarino Murilo Gabriel na Gala Clássica Internacional no Theatro Municipal de SP - Foto: Tomas Kolisch

CE - O que você mudaria na sua trajetória e porque?
PY -
 Na minha trajetória eu não teria o poder de mudar, porque ela foi consequência das minhas decisões. Mas se eu pudesse mudar algo naquela época, eu mudaria muita coisa do meu temperamento, entre elas com certeza eu seria mais tolerante e paciente, entendi isso mais velha mas nunca é tarde para mudar (risos).

CE - Você criou o dia Municipal do ballet clássico. Como foi e é essa data atualmente?
PY -
 Sim, na época o Ballet Clássico estava começando a ser deixado de lado, por ser taxado de "somente para a elite ", e o objetivo de criar essa data foi para que todos soubessem que o Ballet Clássico é para todos, independente de raça, credo ou classe social. Eu tinha o desejo de que as pessoas entendessem que o Ballet é capaz de transformar vidas e trazer a esperança para aqueles que praticam ele. Hoje essa data sempre é comemorada dia 24 de Abril nascimento de Marilia Franco uma inspiração para nós bailarinos Paulistas.

CE - E a Gala Clássica?
PY -
 Bom, ela é meu xodó (risos). Foi criada nessa mesma época, para promover oportunidades de intercambio de bailarinos estudantis brasileiros com bailarinos profissionais e mestres de ballet internacionais. Esse evento são de 4 dias intensos de aulas, ensaios e apresentações. Uma verdadeira imersão no universo da dança clássica.

CE - Você já esteve em Campo Grande MS, como vê a dança na região?
PY -
Sim, diversas vezes para dançar e levar a Escola de Dança do Theatro Municipal de São Paulo. 
É um lugar rico em talentos, que tem uma possibilidade gigante de crescimento nessa área artística, todas as vezes que vou, fico impressionada com tantos jovens talentosos que encontro e isso me alegra muito, saber que nossa arte tem fomentado bastante por esse Brasil a fora.

                Priscilla á frente da Escola do Theatro Municipal de São Paulo - Divulgação

CE - Você se aposentou dos palcos? Quando foi e como é pra você?
PY -
Sim. Me aposentei quando assumi a Direção da Escola de Dança do Theatro Municipal de São Paulo.
Foi uma decisão maravilhosa. Não me arrependo em nenhum minuto, eu já tinha vontade de parar nos últimos anos de bailarina eu entrava na sala de aula para me preparar e minha cabeça estava em como ajudar as pessoas a alcançarem seus sonhos através da dança, na gala clássica, no fórum (outro evento que promovo) em como conseguir patrocínio (risos). Minha cabeça já estava em outro lugar. Eu dancei muito minha vida inteira, comecei meus estudos de ballet com 2 anos de idade, tudo na minha vida aconteceu muito cedo, então encerrar minha carreira de bailarina essa época foi no momento exato. E hoje sou empresária dentro da dança e, por isso, me realizo vendo os outros dançarem.

CE - Você lançou uma linha com a também Ana Botafogo um dos principais nomes da dança no Brasil. Como surgiu a ideia?
PY - 
Foi Maravilhoso como tudo surgiu. Do nada! A Ana me convidou para ser jurada e ministrar aulas do Grand Prix Ana Botafogo, evento no qual ela promove. Em um jantar ela ouviu a sócia dela da Ambar me perguntar se eu confeccionava uniformes para a escola, eu disse que sim e a Ana imediatamente me perguntou: 
-Você faz personalizado?
Eu disse: -Sim
- Por um acaso você faria para outra bailarina? (Risos).
- Claro 
-Você faria para mim?
Enfim foi assim mesmo que tudo começou. Tem sido uma parceria saudável onde desenvolvo peças especialmente para ela, nas cores e modelos são totalmente inspirados na personalidade dela.

CE - A Ana é de outra geração da Dança, como é pra você essa parceria?
PY -
 É incrível, a Ana sempre foi uma inspiração pra mim, de bailarina, conduta e caráter. Me sinto honrada em poder participar de um desenvolvimento desses e ser a fabricante que estabelece a marca dela no país.

Priscilla ao lado da bailarina Ana Botafogo - Foto: Samsung Galaxy S24 Ultra

CE - Você é convidada para muitos eventos no país, como é esse reconhecimento
PY -
 Muito gratificante, hoje por conta de toda minha trajetória na dança e agora como empresária me abriu portas ainda maiores e sou convidada não mais só para eventos de ballet, mas sim para diversos seguimentos comerciais para linkar a dança, com a vida empresarial.

CE - Sua filha também é envolvida com arte, você a influencia?
PY -
 Sim! A Manu ama a dança, a ginástica, o audiovisual e musicais, dançava desde dentro da minha barriga e quando nasceu, gritava com um vozeirão (risos) dizíamos que seria cantora de ópera. Eu nunca incentivei, pelo contrário, sempre fiquei neutra, pelo receio de ser cobrada por ser minha filha. É uma escolha dela.

CE - Deixe uma mensagem para o dia da bailarina...
PY - 
Bailarinas, nunca deixe de sonhar, persista, insista, se dedique, não tenha medo, vá em frente, seja forte e corajosa tenha bom ânimo porque O Sr Teu Deus é contigo. Ultrapasse seus limites, porque você consegue. Não pare pra se comparar com a outro, lembre-se de regar primeiro o seu jardim, deixe q o jardim do outro, ele mesmo regará. Não se paralise por conta dos obstáculos, eles servem para te fortalecer e te impulsionar a alcançar lugares ainda mais altos.

Priscilla com a filha Manuela Yokoi - Foto: Samsung Galaxy S24 Ultra

 

Priscilla ao lado da bailarina Luisa Costa vencedora da categoria Jr. do Festival de Dança de Joinville e da amiga e diretora de musicais no Brasil Fernanda Chamma - Foto: Samsung Galaxy S24 Ultra

 

Felpuda

A famosa frase "chegou agora e já quer sentar na janelinha"...leia na coluna de hoje

Confira a coluna desta sexta-feira (5)

05/06/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Augusto Branco escritor brasileiro - "O mundo é o que você enxerga, mas principalmente o que você quer enxergar e o que você quer fazer dele”.

Felpuda

A famosa frase “chegou agora e já quer sentar na janelinha” virou lei em Campo Grande e, desta vez, em favor do conforto e da segurança das mulheres. A partir de agora, passageiras terão a prioridade dos assentos ao lado das janelas nos ônibus urbanos, conforme estabelece legislação municipal.

A medida vale para toda a frota do sistema de transporte coletivo da Capital. A prioridade, no entanto, não é exclusiva: os bancos poderão ser ocupados por outros passageiros, quando não houver mulheres no embarque ou durante o trajeto. Sei não...

DiálogoFelpuda

E?...

A vereadora Luiza Ribeiro (PT) voltou a defender a instalação imediata de uma CPI na Câmara Municipal. Segundo ela, os recursos destinados à Sesau são consumidos integralmente, mas a população continua enfrentando falta de medicamentos, demora em exames, etc e tal...

Mais

Isso, sem contar o atendimento precário. A investigação pretende apurar suspeitas de desvio de R$ 156,8 milhões, dívidas de cerca de R$ 200 milhões com fornecedores, contratos sob questionamento e o descumprimento de decisões judiciais.

DiálogoJucimara Palieraqui / Arquivo Pessoal 

 

DiálogoDra. Rochelle Teixeira / Foto: Arquivo Pessoal 

Sinalizando

Tudo indica que o deputado federal Marcos Pollon estaria se preparando para desistir do projeto de ser indicado pelo seu partido, o PL, à disputa de uma das vagas ao Senado. O recuo de sua esposa Naiane Bittencourt da pré-candidatura à Câmara dos Deputados seria uma sinalização de que a vaga teria de ficar à disposição para futura acomodação do preterido na convenção da escolha do nome. Pollon, que teria apoio do ex-presidente Bolsonaro, aparece em situação não muito confortável nas pesquisas sérias de intenções de voto.

Cifras

A Assembleia Legislativa de MS começou a analisar a LDO de 2027, enviada pelo governo do Estado. A proposta projeta orçamento global de R$ 28,84 bilhões para o próximo exercício, alta de 6,06% em relação a este ano. Sem considerar a Previdência, a receita estimada é de R$ 25,17 bilhões. A arrecadação de impostos, taxas e contribuições deverá alcançar R$ 14,83 bilhões, crescimento de 7,37%. O texto servirá de base para a elaboração do orçamento estadual

Dívidas

No que se relaciona às despesas, Mato Grosso do Sul prevê gastar R$ 24,52 bilhões em 2027, dos quais R$ 12,27 bilhões serão destinados ao pagamento de pessoal e encargos. A proposta aponta deficit primário de R$ 124,9 milhões sem o RPPS, mas registra superavit de R$ 177,2 milhões quando a Previdência é incluída nas contas. Outro dado que chama atenção é a dívida consolidada do Estado, estimada em R$ 11,6 bilhões, avanço de 7,24% sobre o exercício anterior.

Aniversariantes 

Lilia Villela Pacheco Ilgenfritz
Juliano Tannus
Nádia Silva Bronze
Regis de Carvalho
Sumara Bonani Vilela Andrade
Ivone de Oliveira Moreira
Alexandre Cabral
Arize da Conceição Alves da Silva
Deacil de Oliveira Lopes
Eugênia Maria Yamasato
Ione Zadra Lamonato Machado
José Carlos Bueno
Ieda Garcia Oliveira Guimarães
Luiz Shigueharu Akamine
Marilza Ferreira de Sousa dos Santos
Dr. Sérgio Cação de Moraes
Marilda Zampieri Vieira
Ubirajara Ferreira
Sérgio Tatsuo Akieda
Maria de Lourdes Serejo
Dr. Erlon Carmona Gomes
Jucilene Barbosa Rui Dias
Pilar Velasquez
Alba Dias Jamal Mohamed
Alfredo Fernandes
Dina Figueiredo Mascarenhas
Juraci Lemes de Oliveira
Paulo de Tarso Pinheiro de Rezende
Antonio Marcos Minami
Rosa Maria da Silva
Dr. Vladimir Rossi Lourenço
Marcos Hans
João Batista Moreira Dourado
Maria Lúcia Calixto Massud
Jorge Batistoti
Lucimar Gonçalves Dantas
Merci dos Reis Ribeiro Lugo
Iracema Ramona Bueno
José David Rosa Gelman
Pedro Martins Filho
Mário Cassol Neto
Hércules Durval Ghizzi
Solange Neide Pereira
Dra. Jacira de Souza Weinmann
José André de Alcantara
Dr. Paulo Marcio Bacha
Maria de Lourdes Rodrigues
Raquel Dalto Sobradiel
Marilene Alvarenga
André Luiz Ferrari de Araújo
Maria Aparecida Furlan
Estella Dias Ribeiro e Silva
Juliana de Souza Macedo
Maria Cristina Abuhassan
Carlos da Costa Perez
Mário Flávio de Almeida
Elza Mendonça Arruda
Carolina Pereira Maciel
Dr. Guido Marks
Juliano Duarte Lins Barros
Paulo Carvalho Afonso
Júlio Cesar Martins Barros
Eder Benites de Mattos
Antônio Arruda Júnior
Maria Auxiliadora Corrêa de Lima
Luiz Eduardo Ferreira Coelho
Colmar Almeida e Silva
Augusto Novis de Figueiredo
Nelson Trad Neto
Jorge Cardoso Ramalho
Alexandre Radtke
Sebastião Inácio da Silva
Heitor Carneiro Gomes Rosani
Alexandre da Silva Mendes
Edgar José de Azevedo
Germíno Luiz da Silva
Manoel Barreto da Silva
Gustavo Nogueira Lyrio
Caroline Gomes Chaves Bobato
Eduardo Kanashiro
Marco Félix Daige
Naura Jafar
Aldevina Roque Valério
Juvenal Almeida
Milton Sanabria Pereira
Cezar de Souza Almeida
Antonio Carlos Zonatto
Inês Sampaio do Nascimento
Andreia Albertoni Nunes
Renato Oliveira Mendes
Euze Márcio Carvalho
Sara Mara Argerim
Catarina Barbosa Neves
Jarbas Monteiro
Oswaldo Luiz Benez Junior
Milton José de Oliveira
Kátia Maria Amaral Junqueira
Elenaldo de Lima
Gilvan Pereira Deiro
Alejandro César Rayo Werlang
Jurandir dos Santos Tosta
Cláudia Cristina Figueiredo Chrysostomo
Tháttyce Dezzyrre Castelão Almeida Pinto
Geraldo Pedro de Melo
Joana Mara Tavares Pereira
Riva de Araújo Manns
Evaristo Tolentino de Almeida Neto
Silvania Maria Schumaher
Emerson Cabanhas

Colaboração: Tatyane Gameiro.

 

história da dança

Acervo digital de Mato Grosso do Sul preserva legado de Sarah Abussafi Figueiró

Projeto conduzido pela neta Maria Fernanda Figueiró digitaliza mais de 33 horas de fitas VHS, além de documentos históricos, folders e registros administrativos que ajudam a contar a história da dança em Mato Grosso do Sul

04/06/2026 10h09

Sarah Abussafi Figueiró foi a primeira presidente da Associação Sul-Mato-Grossense dos Profissionais da Dança

Sarah Abussafi Figueiró foi a primeira presidente da Associação Sul-Mato-Grossense dos Profissionais da Dança Reprodução/Acervo pessoal

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Mais de duas décadas depois de a professora e produtora cultural Sarah Abussafi Figueiró doar ao Museu da Imagem e do Som (MIS) um conjunto de documentos que registram parte da construção da cena artística sul-mato-grossense, esse patrimônio volta a ganhar vida por meio de um projeto de digitalização idealizado por sua neta, a bailarina, pesquisadora e produtora cultural Maria Fernanda Figueiró.

A iniciativa, intitulada Acervo da Dança Sul-Mato-Grossense, foi contemplada pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (Pnab) e nasceu do desejo de preservar e democratizar o acesso a uma coleção documental que reúne décadas de trabalho, articulação e resistência de artistas que ajudaram a consolidar a dança como expressão cultural no Estado.

O projeto digitalizou documentos históricos, registros administrativos da Associação Sul-Mato-Grossense dos Profissionais da Dança (ASMPD), folders de espetáculos, programas de festivais e cerca de 33 horas de conteúdo audiovisual armazenado em fitas VHS. 

A descoberta

Em 2023, enquanto realizava pesquisas para a criação do espetáculo "Chafica", produzido pela Cia do Mato em homenagem à avó, Maria Fernanda encontrou uma antiga reportagem publicada em 2002 com a manchete "História da dança vai para o MIS". 

A notícia despertou a curiosidade da pesquisadora, que decidiu visitar o museu para conhecer o acervo. O encontro com os documentos transformou uma simples investigação artística em um compromisso pessoal com a preservação da memória. 

"Fiquei impressionada com a quantidade de registros, documentos e fitas VHS. Inclusive, consegui assistir a algumas dessas gravações no próprio MIS. Foi quando percebi a importância de contribuir para a digitalização desse patrimônio", explica Maria Fernanda.

Até aquele momento, ela desconhecia que Sarah havia doado todo aquele material à instituição. "Minha avó nunca chegou a comentar comigo sobre essa doação. Descobri esse gesto de cuidado por meio de uma reportagem de jornal. Foi ali que nasceu o desejo de digitalizar o acervo e ampliar o acesso público a esse patrimônio", relembra Maria Fernanda.

A urgência do projeto também está relacionada com as características físicas dos suportes originais. As fitas VHS, mesmo quando armazenadas em condições ideais, possuem vida útil estimada entre 20 e 30 anos. O mesmo ocorre com documentos em papel, que naturalmente sofrem desgaste ao longo do tempo.

"O objetivo foi evitar que esse material se perdesse, transferindo-o para o ambiente digital e ampliando suas possibilidades de preservação e acesso. Conhecer nossa história fortalece o sentimento de pertencimento e a relação com o território onde atuamos", afirma.

Reencontro

Durante a execução do projeto, uma coincidência carregada de simbolismo emocionou a idealizadora. Ao retirar as fitas VHS do MIS para a digitalização, Maria Fernanda assinou o termo de empréstimo do acervo em 7 de agosto de 2025.

O documento original de doação, assinado por Sarah Abussafi Figueiró, está datado de 6 de agosto de 2002. Uma diferença entre os dois registros de exatamente 23 anos e um dia.

"Foi emocionante perceber que, duas décadas depois, eu estava voltando à mesma instituição para dar continuidade ao gesto iniciado por ela: preservar e compartilhar a memória da dança sul-mato-grossense", conta.

Para Maria Fernanda, o mergulho nesse acervo também representou um reencontro com uma faceta da avó que ela ainda não conhecia.

"Quando assisti às entrevistas que ela concedeu para divulgar os festivais nos jornais da época, percebi uma mulher que existia para além da avó presente que marcou minha infância. Eu nunca havia visto minha avó jovem, trabalhando, atuando e defendendo aquilo em que acreditava. Isso deu um novo significado à nossa relação", afirma.

Ela conta que o processo de digitalização foi frequentemente interrompido pela emoção.

"Constantemente eu me sensibilizava diante do cuidado e da dedicação que ela teve ao preservar esse acervo. Os documentos estavam extremamente organizados, algo que também é fruto do trabalho realizado pelo MIS", destaca.

Pioneira

Filha de imigrantes libaneses que chegaram ao Brasil pelo porto de Corumbá, Sarah Abussafi Figueiró nasceu em Campo Grande e construiu uma trajetória marcada pela atuação em diversas frentes culturais.

Professora de artes, foi a primeira presidente da Associação Sul-Mato-Grossense dos Profissionais da Dança, primeira presidente da Associação Artística e Cultural de Mato Grosso do Sul, fundadora da Associação dos Pintores de Porcelana e presidente da Associação dos Artistas Plásticos de Mato Grosso do Sul.

Além de sua atuação na dança, Sarah também participou da fundação da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Campo Grande e recebeu o título de Delegada da Associação Interamericana de Dança.

Entre suas maiores contribuições está a organização dos 13 primeiros Festivais Sul-Mato-Grossenses de Dança, realizados entre 1985 e 1998, período em que o Estado ainda buscava consolidar sua identidade cultural.

Sarah faleceu em 2019, aos 85 anos, deixando um legado que continua influenciando novas gerações de artistas.

"Antes de tudo, ela era minha avó. Gostava de contar histórias, ouvir música, conversar e compartilhar memórias. Ela me ensinou a importância da palavra, da história e da memória. Acho que essa foi a maior herança que me deixou", resume Maria Fernanda.

Festivais

Grande parte do acervo digitalizado está relacionada com os históricos Festivais Sul-Mato-Grossenses de Dança, organizados pela ASMPD durante 13 anos consecutivos.

Os eventos funcionavam como grandes espaços de intercâmbio artístico, reunindo academias, grupos e companhias de diferentes regiões do Brasil e oferecendo oficinas, cursos e workshops.

Os festivais receberam importantes companhias nacionais, como Cia. Cisne Negro, Ballet Stagium, Grupo Raça, Quasar Cia. de Dança, Ballet Paula Castro, Grupo Ginga e Nós da Dança.

A comissão julgadora também reunia nomes de destaque do cenário brasileiro, entre eles Beth Oliosi, Toshie Kobayashi, Roseli Rodrigues, Mariana Muniz, Tony Abott, Regina Sawer, Penha de Souza, Valéria Mattos e Lourdes Bastos.

Para Maria Fernanda, esses encontros desempenharam papel decisivo na formação dos artistas locais.

"As oficinas e workshops ampliavam a formação técnica e artística dos participantes. Esses festivais possibilitavam trocas de conhecimento e inseriam Mato Grosso do Sul em circuitos mais amplos de circulação e diálogo artístico", explica.

O acervo também revela a presença de personagens fundamentais para a história da dança sul-mato-grossense, como Chico Neller e a Ginga Cia de Dança, Neide Garrido e o Ballet Isadora Duncan, Maria Helena Pettengill e o grupo Embrujos da España, além de Suzana Leite e Sandramaria Gomes.

"Muitas dessas pessoas continuam atuando até hoje, formando novas gerações e mantendo vivo um legado que atravessa décadas", destaca.

Acervo digital

Como resultado do projeto, foi criada a plataforma digital www.sarahfigueiro.com.br (acesse CLICANDO AQUI), espaço dedicado à preservação e difusão desse patrimônio histórico.

Inicialmente, o site reúne o acervo doado ao MIS, disponibilizando vídeos originalmente armazenados em VHS, folders, documentos administrativos e diversos registros relacionados com a história da dança em Mato Grosso do Sul.

A expectativa, entretanto, é que a plataforma se transforme futuramente em um grande centro de memória da dança sul-mato-grossense, incorporando novos documentos e acervos.

"Neste momento, o projeto contempla exclusivamente o acervo da Associação Sul-Mato-Grossense dos Profissionais da Dança. Tenho a expectativa de que, no futuro, possamos digitalizar também o acervo pessoal que ela deixou, que reúne materiais relacionados não apenas à dança, mas também ao artesanato, às artes plásticas e a outras manifestações culturais", explica.

Para a pesquisadora, a preservação desse patrimônio ultrapassa a simples guarda de documentos.

"Sem memória, nossa atuação artística empobrece. Precisamos conhecer quem veio antes de nós, quem lutou para que hoje tivéssemos mais espaços e possibilidades. A dança que fazemos hoje também é resultado dessas histórias", afirma Maria Fernanda.

Ela acredita que o acervo pode estimular novas pesquisas e fortalecer o sentimento de pertencimento cultural.
"Esses documentos são fontes para que possamos acessar o passado e produzir novas reflexões e conexões com as gerações presentes e futuras",  defende.

 

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