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Capa da semana B+: Entrevista exclusiva com a atriz Kelzy Ecard destaque na novela "Três Graças"

"A carreira de atriz não é fácil, e quanto mais velhas ficamos, mais difícil se torna, então eu sei que sou privilegiada por ter meu trabalho sendo visto e reconhecido"

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Kelzy Ecard está no elenco da novela "Três Graças" na TV Globo onde vive a cuidadora Helga. Ela também atua no filme “Caramelo”, que ficou no top 3 mundial na Netflix. Na produção, interpreta Neide, mãe de Pedro (Rafael Vitti). Em breve, vai rodar o longa” Um Rio de Janeiro" e espera o lançamento do remake de “Dona Beja”, na Max, para o próximo dia 2 de fevereiro.

Com 32 anos de carreira, Kelzy Ecard estreou no mundo artístico como atriz e assistente de direção no espetáculo, “Sermão da Quarta-Feira de Cinza”, de Moacir Chaves. De lá pra cá são mais de 30 peças e inúmeros prêmios e indicações. Em 1997 foi indicada ao Prêmio Mambembe de Melhor Atriz de Teatro Infantil por sua atuação em “Rapunzel”, adaptação e direção de Leonardo Simões.

Já sua estreia na TV foi na minissérie “O Quinto dos Infernos”, em 2002, em uma pequena participação, mas sua estreia com personagem fixa em uma novela, foi em Segundo Sol" com a personagens Nice, que lhe rendeu diversas indicações e prêmios de atriz revelação, incluindo o Melhores do Ano do Domingão. Fez também Éramos Seis, com a personagem Genu e “Todas as flores”, como Dona Dequinha.

Em seu currículo constam dezenas de peças como “Rasga Coração”, dirigida por Dudu Sandroni  (Prêmio APTR de melhor atriz em papel coadjuvante) , “Um Violinista no Telhado”, com direção de Charles Möeller e Cláudio Botelho, “Breu”, que lhe rendeu em 2011 indicação ao Prêmio Shell de Melhor Atriz, “Incêndios” (prêmios APTR e Cenym) “Agonia do Rei”, "Meu Caro Amigo", “Gota D’água”, “Tom na fazenda” (indicação ao APTR e conquistou Prêmio Cenym), entre outras.

No cinema, fez curtas como “Lápis de cor”, dirigido por Alice Gomes e Oh, dirigido por Diogo Hoffer, onde conquistou alguns prêmios de melhor atriz coadjuvante; e longas, como“Maria do Caritó“ (premiada como melhor atriz coadjuvante no Festival da Lapa). No streaming, pode ser vista na Netflix em "Spectros" e nas séries “Shippados” e “Sob Pressão”, disponíveis no Globoplay.

Kelzy é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ela fala sobre carreira, escolhas e estreias.

A atriz Kelzy Ecard é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Nill Caniné - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Kelzy, como está sendo a volta às novelas? E como está sendo entrar em um folhetim já em andamento?
KE -
Voltar à uma novela aberta é um desafio que estava sentindo falta. Náo tinha vivido ainda a experiência de entrar em uma  já em andamento, mas por sorte é uma novela amada, entáo fui bem recebida,  e está sendo uma delícia voltar. Tenho a sorte também de estar em um núcleo maravilhoso! Estar em cena com Arlete, Grazi, Paulo, Sophie, Glaura - pra citar os mais frequentes - está sendo um parque de diversões.

CE - A sua personagem Helga mescla humor com um tom de vilania. Como foi a pesquisa para compor essa personagem, e o que podemos esperar dela na trama?
KE -
 As conversas com a direçao foram fundamentais.O Luiz (diretor) sabia bem o perfil que ele queria. Recebi referências clássicas, como a tia Lygia de Handmaid's Tale (revi a série toda), mas o mais importante foram mesmo nossas conversas.

Tenho ouvido também bastante alemáo pra tentar náo escorregar muito quando ela solta uns termos na língua. Helga é uma delícia de fazer, por isso que você falou, por mesclar humor e vilania e por meus companheiros de cena. estou tão curiosa quando você sobre o futuro dela na trama, (risos)

CE - Pra esse trabalho, você ficou mais loura. Como esse novo visual impactou seu dia a dia ? Você é do tipo de artista que acha o personagem depois de alterar a aparência pra vivê-lo?
KE -
Não costumo começar uma personagem pela aparência, mas é claro que a composiçao ajuda. o jeito dela se vestir e essa radicalizaçao do loiro sáo pistas que náo posso ignorar. Ser loura é algo inédito na minha vida. Tenho que cuidar mais do cabelo, manter hidratado... Muda o olhar sobre você. É curioso. 

CE - Pra 2026 está prevista a estreia do remake de Dona Beja, na MAX, do qual você faz parte. O que pode adiantar sobre sua personagem? E como foi fazer um trabalho de época?
KE -
 Fazer Dona Beja foi uma delícia. A personagem, Dona Augusta, é também uma mistura de humor com vilania. uma mulher sem papas na língua, mas carregada com todos os preconceitos da época. Não foi fácil defendê-la. Tive que mergulhar muito em mim fazer sem criticá-la.

No fundo, ela é fruto da época e poder expor isso contribui pra que a gente nunca mais volte a pensar e agir com tanto preconceito. A maldade dela vem daí. E o humor chega pela total falta de filtro dela. Descobri que amo fazer personagem de época apesar do desafio de gravar no veráo com roupas escuras e cobertas até o pescoço. Viajar no tempo é uma maravilha!

CE - Você também pode ser vista na Netflix no filme Caramelo, que alcançou o top 5 mundial da plataforma.  A que você atribui o sucesso desse projeto que conquistou pessoas de todas as idades?
KE -
 Posso te dizer o que me emocionou assim que li o roteiro. É uma história carregada de humanidade e afetividade. Com precisas pitadas de humor. E foi contada por equipe e elenco inspirados e apaixonados. E ainda tem o Amendoim, nossa estrela canina irresistível! de qualquer maneira. Esse sucesso táo avassalador foi uma surpresa maravilhosa!

CE - O filme, aliás, conta a história de um jovem detectado com câncer. E você também se tratou da doença recentemente. Como isso influi no seu trabalho nesse projeto?  E como é tocar num assunto tão sério através da arte?
KE -
Quando recebi o convite e li o roteiro levei um susto. O personagem descobre um tumor cerebral e eu tinha acabado de perder meu irmão e melhor amigo pra mesma doença. Além do meu própro diagnóstico e tratamento que tinha finalizado há pouquíssimo tempo. Pra completar, o personagem do Rafa tem o mesmo nome do meu filho na vida real.

Então, foram muitos desafios e emoções que me atravessaram. eu repito sempre da sorte que tenho por ser artista. Através da arte, posso expurgar dores, rever conceitos, curar feridas e ainda transmitir mensagens que podem ser inspiradoras pra muita gente. Acho que foi um presente da vida, do Diego Freitas e da Netflix poder viver a Neide. Que bom que podemos nos redimensionar através da arte!

A atriz Kelzy Ecard é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Kelzy Ecard- Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Você  é uma pessoa bem discreta, mas expôs com delicadeza sua doença. Chegou a ter troca com outras mulheres que estavam passando ou já haviam passado pelo mesmo problema?
KE - 
Sim! Eu fui atrás dessa troca. Li vários  depoimentos da internet sobre pessoas e familiares de pacientes, conheci amigas e amigos em comum que passaram ou estavam enfrentando a doença. E uma amiga me apresentou ao Instituto Zen Cancer, que promove várias atividades acolhedoras.

Cheguei a fazer um curso de escrita e pude trocar muita coisa com a turma. É muito bom a gente não se sentir sozinha e saber que tem pessoas dispostas a nos orientar e confortar em uma jornada tão desafiadora. Sempre me coloco à disposição pra quem quiser partilhar comigo sua história ou conhecer um pouco da minha.

CE -Em recente entrevista, você revelou só ter parado de atuar no momento mais crítico do tratamento. Como o trabalho e a arte ajudaram nesse processo? E agora, já curada, como tem sido a retomada ao trabalho?
KE -
 A arte e o meu ofício de atriz foram fundamentais pra recuperação da minha saúde, física e mental. O trabalho é uma das maiores riquezas da minha vida. Além isso, sou autônoma: se não trabalho, não recebo. Então, além da necessidade existencial, precisei retornar ao trabalho logo porque as contas não esperam você ficar boa pra serem pagas. tive apoio financeiro da família, mas procurei minimizar o quanto pude.

CE - Você tem mais de 32 anos de carreira. Como avalia essa trajetória? O que ainda falta fazer que não teve oportunidade? Parar já foi cogitado?
KE -
 Parar nunca foi cogitado! Levei até um susto lendo essa pergunta, risos. Uma das riquezas da minha profissão é que, quanto mais velhas estamos, melhores ficamos, se estivermos sempre nos atualizando e estudando.

Entáo parar, por quê? E eu tenho muitos desejos e sonhos ainda como atriz. Tem muita coisa que ainda quero experimentar e compartilhar. Na verdade, me sinto sempre com muito a descobrir e realizar. e tenho muito, muito orgulho da minha trajetória! 

CE - Muito se tem falado sobre etarismo e sobre a redução de espaço para veteranos na TV. Essa questão já bateu na sua porta? Como você lida com o envelhecimento?
KE -
 Tudo que eu quero é envelhecer! Depois de passar por uma doença tão grave, todo dia é dia de comemorar. Não é fácil conviver com as perdas que a idade traz, mas os ganhos são muito superiores! E só de estar viva e com saúde, já me considero no lucro! Estou me sentindo uma menina, cheia de projetos e sonhos.

A minha história com a tv é atípica, na contramão do etarismo no audiovisual, porque minha primeira personagem fixa numa novela chegou quando eu tinha 54 anos! Então, novamente, estou no lucro! É claro que o etarismo existe, mas sem as atrizes e atores experientes e talentosos, nenhuma dramaturgia se sustenta. Viva os veteranos e veteranas na tv!

 

diálogo

A partir do ano que vem, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul...Leia na coluna de hoje

Confira a coluna Diálogo desta quinta-feira (8)

08/10/2026 00h02

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Rita Levi-Montalcini - escritora italiana

"As mulheres que mudaram o mundo nunca precisaram mostrar nada além da sua inteligência”

Felpuda

A partir do ano que vem, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul será dominada por bolsonaristas. Só o PL, partido do ex-presidente Bolsonaro, elegeu a maior bancada, com nove deputados. Se se juntarem com PP, parceiro e aliado do PL, os bolsonaristas vão controlar totalmente aquela Casa. O PP elegeu três deputados e o Republicanos, que tem o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como maior estrela, terá uma bancada de dois parlamentares. Mas que fique bem claro: tem que combinar com os demais colegas, senão...

 

Amanhã, a partir das 18h, a banda Beatles Maníacos tem uma apresentação especial marcada para acontecer no Sesc Camillo Boni. Idealizada em 2002 pelo compositor e multi-instrumentista Jaime Miguel (Miguelito), a banda tem como proposta resgatar a trajetória do quarteto de Liverpool, interpretando canções que marcaram gerações e influenciaram a cultura musical mundial. O grupo é composto por Miguelito (bateria e voz), Eloy Paulucci (guitarra e voz), Daniel Aigner (baixo, gaita e voz), Guilherme Baioni (guitarra, violão e voz) e Ana Gabriella Floriano Santos (teclados e percussão). Durante as apresentações, os músicos também incorporam elementos visuais inspirados nos anos 1960, com figurinos e instrumentos que remetem ao período de maior destaque da banda inglesa. O repertório reúne sucessos da discografia oficial dos Beatles, proporcionando ao público a experiência de uma viagem no tempo. Após uma breve pausa, a Beatles Maníacos retornou aos palcos neste ano, mantendo viva a essência do trabalho do grupo que, mesmo décadas após o encerramento das atividades, continua presente na história da música. Além do menu musical, o público poderá saborear um cardápio diferenciado, com pratos selecionados, porções e bebidas especiais. A entrada é gratuita.

Carla Stephanini, Maria Olga e Dr. Hélio Mandetta
Camila Queiroz e Klebber Toledo

"Lapada"

Historicamente, Londres Machado e André Puccinelli sempre foram grandes rivais em Fátima do Sul. André foi médico na cidade e bom de voto. Só que, nas eleições deste ano, o eleitor do município do interior parece ter esquecido dele, que obteve apenas 557 votos, enquanto Londres recebeu 4.334 votos. Conhecido e antenado político disse: “Foi uma lapada!...”

Influência

Recordista brasileiro com mais de 3 milhões de votos para deputado federal por Minas Gerais, Nikolas Ferreira ajudou a eleger parlamentar em Mato Grosso do Sul. Daverson Matos, vereador de Rio Brilhante, conseguiu gravar vídeo com Nikolas pedindo votos para sua candidatura. E não é que deu certo? “Choveram” mais de 30 mil votos nas urnas e ele foi eleito deputado estadual. E, também com a influência de Nikolas, Cassy Monteiro, bolsonarista, por pouco não foi eleita deputada federal. Ela ficou na primeira-suplência, com quase 45 mil votos.

De fora

Essas eleições não foram das melhores para a família Trad, que sempre foi boa de voto. Primeiro, começou com a desistência do senador Nelson Trad Filho (PSD) de concorrer à reeleição. Depois, veio a derrota nas urnas de Fábio Trad, que disputou a cadeira de governador pelo PT. Quem também perdeu foi o ex-prefeito da Capital e vereador Marcos Trad, que não conseguiu se eleger deputado federal, mesmo “empurrado” por Camila Jara. Ele é filiado ao PV, que forma federação com o PT.

Aniversariantes

  • Dr. Aluízio Pessoa Frazão,
  • Maria José Xavier,
  • Nailor Vargas Marcondes de Souza,
  • Eva Maria Katayama Negrisolli,
  • Paulo César Katayama,
  • Jonas Chaves Junior,
  • Solange Mitsuko Yamamoto,
  • Eloá Subtil Padial,
  • Dario Pegoraro,
  • Jorge Yoshimitsu Kurauchi,
  • Rodrigo Soares de Freitas,
  • Alexandre Maluf Victório,
  • Ilma de Maria de Lima e Silva,
  • Mitsuru Kurauchi,
  • Walsao Maciel de Oliveira,
  • Jair Perin,
  • Sadi Bertin,
  • Samuel Ferreira Sampaio,
  • Erliete Palhano Canavarros,
  • Vanderlei Amado,
  • Ises Ferreira Nasser,
  • Laura Achucarro,
  • Simar Dias de Lessonier,
  • Dr. Izaias Pereira da Costa,
  • Renata Kamiya Abdala,
  • Dra. Áisa Haidar Lani,
  • Raquel Silva Fernandes,
  • Aurenice Rodrigues Pinheiro Pilatti,
  • Dr. Antônio Carlos Vasques,
  • Adriano Magno de Oliveira,
  • Cláudia Helena Bitencourt,
  • Nelson Inácio Moreno,
  • Francisco Alves de Araújo,
  • Aparecido Ney Rodrigues,
  • Idalino Alves da Silva,
  • Heloisa Helena Mota Peres,
  • Elisangela da Silva,
  • Marcos Antonio Nery da Silva,
  • Jomil Vinicius de Albuquerque,
  • Terezinha Aparecida de Freitas,
  • José Claudio Fabris,
  • Aldo de Oliveira,
  • Laerte Garcia Ferreira,
  • Emílio Arruda Filho,
  • Luiz Souza Meira,
  • Eneide Gomes do Nascimento,
  • Dr. César Aníbal Aguiar Benavides,
  • Dra. Manuela Janini Gonçalves,
  • Jonas de Paula Diniz,
  • Haydeé Inácio Ribeiro,
  • Jayme de Andrade Júnior,
  • Marco Aurélio Vilanova,
  • Dr. Evódio Teodoro da Silva,
  • João Batista da Costa Vieira,
  • Luiz Carlos Mello Castanheira,
  • Marcolino Rodrigues,
  • João Martins,
  • Antonio Oshiro,
  • Joaquim Pereira Alves Junior,
  • Arnaldo Bastos da Silva,
  • Nori Mateus Vieira,
  • Anizio de Almeida Borges,
  • Milton Mambelli,
  • César Braga Maidana,
  • Luiz Alberto de Souza,
  • Wagner Lima,
  • Moisés Teodoro Erbano,
  • Alcides Rodrigues Filho,
  • Maria Aparecida Mendes,
  • Munira Ferzeli Neta,
  • Paulo Henrique Souto,
  • Maria Eunice Gomes,
  • Cristina Ferreira,
  • Renato Vilhena Silva,
  • Samira Lopes,
  • José Luiz da Silva Neto,
  • Nelson Vieira de Souza,
  • João Irinei Guimarães de Souza,
  • Aparício Lopes Filho,
  • João Marcelo Lima,
  • Izabel Gomes da Silva,
  • Mercedes Rodrigues de Brito,
  • Brigida Brites Marques,
  • Adauto Ribeiro de Souza,
  • Isabel Cristina Rodrigues,
  • Aparecida Quicue Koyanagui Inoue,
  • Sônia Cristina Valtuille França Saigali,
  • Leandro Martins de Almeida,
  • Maxmiliano Alves Barbosa,
  • Claudete Elias da Silva,
  • Jânio Ribeiro Souto,
  • Dr. Alberto de Oliveira Rosa Pires,
  • Gustavo Silva Pelissaro,
  • Diva Maria Valente Soares,
  • Vivian de Josilco Olegário,
  • Paola Azambuja Marcondes,
  • Erondina Garcia Rodrigues,
  • Ana Cláudia Araújo Santos,
  • Thaissa de Sena Moraes,
  • Brígido Fernandes,
  • Mário Sérgio Pires,
  • Rosinéia Brito de Oliveira Lopes,
  • Leonardo Nicaretta,
  • Euclides Nunes Junior,
  • Sidnei Camargo do Nascimento,
  • Ademar Amâncio Pereira Machado,
  • Daniel Cavalcanti Hayashi,
  • Thays da Silva Rosa Schwanz,
  • Lidiane de Ávila Carpejani,
  • Priscilla Anuda Quarti Vieira,
  • Adilson Stiguvitis Lima.

SAÚDE

Nutróloga explica se beber leite é recomendado ou não na fase adulta

Dra. Marcella Garcez Duarte defende que alimento continua sendo importante fonte de proteínas, cálcio e vitaminas, mas ressalta que recomendação deve considerar idade, necessidades individuais e eventuais intolerâncias

07/10/2026 09h00

Leite auxilia na suplementação de cálcio e proteínas ao longo de toda a vida

Leite auxilia na suplementação de cálcio e proteínas ao longo de toda a vida Magnific

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Entre opiniões nas redes sociais que defendem a retirada do leite da alimentação e recomendações que apontam seus benefícios nutricionais, o alimento continua no centro de discussões sobre saúde e alimentação.

Para a nutróloga Marcella Garcez Duarte, no entanto, a pergunta não deveria ser simplesmente se o leite “faz bem” ou “faz mal”, mas para quem, em qual quantidade, em que fase da vida e dentro de qual contexto clínico ele deve ser recomendado.

O tema foi discutido durante o Simpósio Satélite da Associação Brasileira da Indústria de Lácteos Longa Vida (ABLV) e da Tetra Pak, realizado durante a 30ª edição do Congresso Brasileiro de Nutrologia.

Com o título Ainda Faz Sentido Recomendar o Leite? O que Mudou nas Evidências e na Prática clínica, a palestra abordou o papel do leite e de seus derivados da infância ao envelhecimento.

Segundo Marcella, a retirada de um grupo alimentar sem diagnóstico ou evidência científica pode trazer prejuízos à alimentação.

Ela destaca que existem pessoas que não toleram ou não devem consumir leite, mas que essas situações precisam ser diferenciadas de escolhas baseadas apenas em informações disseminadas nas redes sociais.

“Não existe leite para todos. Existem situações em que você tem que fazer escolhas”, afirmou a especialista durante a palestra. Para ela, a indicação deve ser individualizada e considerar idade, estado nutricional, tolerância, necessidades de nutrientes, padrão alimentar e contexto clínico.

FONTE DE NUTRIENTES

O leite ocupa lugar de destaque na alimentação principalmente por sua composição nutricional. Um copo de aproximadamente 200 mililitros fornece cerca de 6 gramas a 7 gramas de proteína, além de cálcio, fósforo, potássio e vitaminas do complexo B, como B2, B6 e B12.

A nutróloga chamou atenção ainda para o conceito de “matriz alimentar”. Isso significa que os benefícios do alimento não devem ser analisados apenas pela soma isolada de seus nutrientes.

A interação entre proteínas, minerais, lipídios e outros componentes presentes no leite pode interferir na forma como esses nutrientes são utilizados pelo organismo.

Entre as proteínas, o leite possui principalmente caseína e proteínas do soro, utilizadas também na produção do whey protein.

Ambas são consideradas proteínas de alto valor biológico, com boa digestibilidade e presença de aminoácidos essenciais. A proteína do soro apresenta, ainda, quantidade relevante de leucina, aminoácido relacionado à síntese e à manutenção da massa muscular.

O cálcio também é um dos principais componentes associados ao consumo de leite e derivados. Marcella ressaltou que não basta considerar apenas a quantidade do mineral presente em determinado alimento, mas também sua biodisponibilidade, ou seja, quanto efetivamente pode ser absorvido e utilizado pelo organismo.

É IMPORTANTE NA INFÂNCIA

Nas primeiras fases da vida, a recomendação exige atenção especial. A especialista reforçou que, no Brasil, a orientação é para aleitamento materno exclusivo até os 6 meses, seguido da introdução alimentar, enquanto o leite de vaca deve ser introduzido a partir dos 12 meses.

A restrição ao leite de vaca antes desse período está relacionada, entre outros fatores, à necessidade de garantir adequada oferta de ferro e de outros nutrientes durante o primeiro ano de vida.

Depois dos 12 meses, porém, o alimento pode contribuir para o crescimento e o desenvolvimento infantil. Proteínas, cálcio, fósforo, vitamina B12, vitamina B2 e potássio participam de processos importantes para a formação muscular, a mineralização óssea e o desenvolvimento da criança.

Na adolescência, a atenção se volta também para o chamado “banco” de massa óssea e muscular. É durante essa fase que ocorre parte importante da aquisição de estrutura que terá impacto sobre a saúde durante o envelhecimento.

Por isso, segundo Marcella, retirar leite e derivados da alimentação de crianças e adolescentes sem uma justificativa clínica pode exigir uma compensação nutricional adequada para evitar deficiências.

A escolha entre leite integral, semidesnatado ou desnatado também não deveria seguir uma regra única. A decisão precisa considerar idade, crescimento, ingestão energética, padrão alimentar, presença de sobrepeso ou obesidade e fatores de risco cardiometabólico.

TAMBÉM NA VIDA ADULTA

A necessidade de nutrientes não desaparece quando a fase de crescimento termina. Na vida adulta, o leite e os derivados continuam sendo fontes de proteínas e cálcio, além de fornecerem outros micronutrientes.

A especialista também abordou a relação entre leite e saúde cardiovascular. Segundo ela, o conjunto de evidências disponível não sustenta a ideia de que o consumo de leite ou de lácteos seja, por si só, prejudicial ao metabolismo cardiovascular.

Uma metanálise apresentada durante a palestra, publicada em 2023, foi citada para destacar que o consumo de lácteos não apresenta efeito adverso consistente sobre peso corporal ou perfil lipídico.

Isso não significa, entretanto, que exista uma recomendação universal de consumo ou que quanto maior a ingestão, melhor. O alimento deve estar inserido dentro do conjunto da alimentação e das necessidades energéticas e nutricionais de cada pessoa.

CONTROLE DE PESO

Outro ponto discutido foi o papel das proteínas no controle do apetite. Por fornecer proteína e apresentar volume significativo quando consumido como bebida, o leite pode contribuir para a saciedade.

A questão ganha importância diante do crescimento do uso de medicamentos análogos de GLP-1 e outras terapias incretínicas no tratamento da obesidade.

Como esses medicamentos podem reduzir o apetite e a quantidade total de alimentos ingeridos, a qualidade nutricional do que é consumido passa a ter ainda mais importância.

Para Marcella, pessoas em tratamento com esses medicamentos precisam receber atenção especial à ingestão proteica e à distribuição das proteínas ao longo do dia. Nesse contexto, o leite e seus derivados podem ser opções práticas para contribuir com o aporte proteico.

Ela ressalta, porém, que medicamentos para obesidade não substituem mudanças no estilo de vida. A alimentação continua fazendo parte do tratamento e deve ser individualizada.

“O consumo de alimentos proteicos de fontes de proteínas de alta biodisponibilidade tem que estar no contexto desta orientação alimentar”, afirmou.

O leite pode aparecer em diferentes refeições e preparações, como vitaminas, acompanhando refeições ou combinado a suplementos proteicos, quando estes forem necessários para atingir as necessidades individuais.

MAIS PROTEÍNA NA VELHICE

Na velhice, o leite ganha outro destaque. Com o avanço da idade, é comum ocorrer redução do apetite e da ingestão alimentar, além de alterações na absorção de nutrientes. Ao mesmo tempo, aumenta a preocupação com a perda de massa muscular e óssea.

A proteína passa a ter papel fundamental na manutenção da massa muscular, e sua distribuição ao longo do dia também é importante. Nesse cenário, leite, iogurtes, queijos e outros derivados podem ser alternativas para facilitar o consumo de proteínas.

Além da proteína, o leite fornece cálcio, fósforo e vitamina B12, nutrientes relacionados à manutenção óssea e a diferentes funções do organismo. A bebida também tem elevado teor de água e pode contribuir para a hidratação, uma questão relevante para pessoas idosas, que podem apresentar menor percepção de sede.

Para a especialista, portanto, o leite não deve ser analisado apenas como uma bebida, mas como uma opção alimentar capaz de reunir diferentes nutrientes em um único alimento.

E O LEITE UHT?

A palestra também abordou um dos tipos mais presentes na rotina dos brasileiros: o leite UHT, conhecido como leite longa vida.

Marcella explicou que a durabilidade do produto está relacionada principalmente ao tratamento térmico e ao sistema de envase asséptico.

O leite é submetido a temperaturas elevadas por um curto período, processo que reduz a presença de microrganismos patogênicos, e depois é acondicionado em embalagem que ajuda a impedir novas contaminações.

A especialista também contestou a ideia de que o leite UHT necessariamente contém conservantes para permanecer meses nas prateleiras.

Segundo ela, o processamento térmico e a embalagem são justamente os responsáveis pela segurança e pela maior vida de prateleira do produto. A afirmação de que o alimento seria nutricionalmente inferior apenas por passar por esse processo também não encontra respaldo, de acordo com a apresentação.

Embora o aquecimento possa provocar alterações em alguns compostos sensíveis ao calor, nutrientes importantes presentes no leite, como proteínas e cálcio, permanecem disponíveis.

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