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Capa: Dani Gondim está na terceira temporada do Bake Off Brasil Celebridades no SBT

A atriz é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana. "Gravar o Bake Off Celebridades foi uma das melhores experiências da minha vida"

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Dani Gondim participou da terceira temporada do famoso reality de gastronomia “Bake Off Celebridades”, exibido pelo SBT. Com 30 anos, a cearense começou a estudar teatro aos 8.  Mas foi em 2016 que ganhou destaque nacional ao dar vida à vilã da novela infanto-juvenil “Carinha de anjo” também no SBT.

Em seu currículo ainda constam algumas participações na TV como no sucesso da TV Globo “Malhação”, em 2012, e em “Bom sucesso”, em 2022 também na Globo. Em 2017, esteve em “Cúmplices de um Resgate”, na emissora de Silvio Santos.

Recentemente, rodou o curta “Nuvens de Chantilly”, com direção de Marcoz Gomez, que vai começar a percorrer festivais. Além de atuar, escreveu a música tema do projeto, dirigiu, produziu e esteve no elenco do clipe da canção.

Dani Gondim é modelo desde os 12 anos, e já desfilou para grandes marcas e posou para revistas de moda destaques no mundo como Elle, Vogue, Glamour Italia, entre outras.

Paralela à vida artística, é embaixadora do Instituto Povo do Mar , em Fortaleza, Ceará (sua cidade natal). 
A ONG tem a finalidade de garantir o acesso à educação, ao esporte, às artes, à cultura para o pleno desenvolvimento de crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social nas comunidades locais. E todo fim de ano, Dani apresenta as Lives do Instituto para arrecadações on-line.

Ela ainda dá palestras para crianças e jovens que sonham em seguir uma vida artística mais sustentável e equilibrada.

Como surgiu seu interesse pelas artes cênicas? Quando começou a estudar teatro aos 8 anos em Fortaleza, sua cidade, já pensava em seguir a carreira ou era apenas um passatempo?

"Eu sempre me vi artista, só não tinha o entendimento de que isso poderia ser uma profissão tendo em vista minhas referências familiares que seguiram uma linha mais “convencional”.

Nem chegava a ser um sonho porque não via outras possibilidades. Um pouco mais para frente e com muitas portas de oportunidades abertas, realizei que era uma profissão tão séria como qualquer outra, que requer dedicação, estudo e disponibilidade física e emocional", explica.

Dani esteve recentemente conosco aqui no B+ compartilhando com a gente sua famosa receita do bolo que fez no Bake Off , o"Tapete Vermelho", prometeu voltar e olha ela aí com a gente em nossa Capa exclusiva da semana do Caderno falando sobre carreira, vida de modelo, padões de beleza, trabalhos e novos projetos.

Dani Gondim é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Luís Morais - Diagramação: Denis Felipe/Denise Neves


CE - Você tem uma trajetória como atriz e estrelou a novela Carinha de Anjo, no SBT. Como é trabalhar para crianças e adolescentes?
DB -
Eu sempre falei que era uma novela infanto-juvenil e, depois de muito tempo produzindo, entendi que era além disso. Carinha de Anjo é uma novela familiar que invade o ambiente por completo: filhos, pais, avós, tios, todo mundo reunido para assistir e aprender. Foi extremamente gratificante entender que meu trabalho trazia entretenimento e ensinamentos para tantas casas. 

CE - Hoje, com a diversidade de streaming e novas mídias surgindo, acha que fazer novelas ainda é importante pra carreira de atores no Brasil acontecer?
DG-
Acho que tudo é importante. Meu desejo seria passar por todas as etapas e janelas da atuação. Até para nosso entendimento como atores. Mas, sem dúvidas, a novela brasileira ainda é uma grande porta de entrada para a “fama” e o poder que ela carrega. 

CE - Dani Gondim está com 30 anos de idade. Esse número pesou de alguma forma pra você como mulher? E como modelo (já que se trata de uma carreira que a idade costuma limitar)?
DG -
 Curiosa essa pergunta porque ao mesmo tempo que seria um primeiro passo para a maioria das profissões, como modelo já é quase uma aposentadoria, ao menos nos veículos fashionistas tradicionais. 

Mas, respondendo de forma clara, eu sinto falta de um pedaço da moda que meu corpo e minha idade já não fazem mais parte e, ao mesmo tempo, me vi atuando em tantas áreas artísticas ao longo da minha profissão que essas transições foram naturais.

Não teve um corte, existiram passagens, suaves, com visitações, idas e vindas, até que fosse posto o que está hoje.  Uma observação; temos vários exemplos de modelos 30+ 50+ 70+ fazendo belíssimos trabalhos na moda. E alguns países que trabalhei até preferem essas modelos. São trabalhos diferentes, mas importantes para a comunicação com todo o público consumidor. 

Dani Gondim - Foto: Luís Morais

CE - Trabalhando como modelo desde os 12 anos, como você lida com a sua vaidade?
Qual o limite dela?
DG -
 Eu sempre digo que minha vaidade dificilmente ultrapassa meu conforto com duas exceções: o trabalho e “a celebração do outro” (um aniversário, um casamento, sempre tento me adequar ao que o dono do evento deseja para aquele momento. Nada a mais, nada a menos— um vestido de gala é inadequado para um aniversário na praia da mesma forma que um biquíni não caberia em um casamento formal).

CE - Já recorreu ou pretende recorrer a algum procedimento estético?
DG - 
Já sim e hoje tenho o privilégio de ser acompanhada por um profissional (Fabiano Magacho) que entende e respeita que não quero me transformar. Apenas cuidar para que meu corpo, meu cabelo, minha pele me sirvam de forma eficiente para minha vida pessoal e profissional. 

CE - Ainda muita nova você começou a trabalhar, inclusive fazendo desfiles no exterior. O que perdeu e o que ganhou com essa vida?
DG -
 Voltando para minha cidade e ouvindo as histórias de minhas amigas eu entendo que deixei de viver uma adolescência “normal”.

Minha família sempre deu grande valor aos compromissos profissionais e a fruta não caiu longe da árvore. Eu tinha uma dedicação e empenhos que não são comuns para meninas nessa idade. Em quase 20 anos de profissão não deve caber em uma mão a quantidade de vezes que me atrasei para um trabalho. 

Os louros são colher os frutos de uma vida financeira estável ainda jovem e de forma independente. É como se os anos de vida fossem atropelados e agora que estão todos fervendo no trabalho eu me encontro em um lugar de mais paz e tranquilidade usufruindo do que foi plantado e podendo “escolher” com mais segurança os próximos passos da vida profissional. 

Dani em gravação da final - Divulgação SBT

CE - Em tempos de discussão sobre machismo, feminismo, acha que em 2023 ainda existe o preconceito sobre o talento de pessoas impactado pela beleza?
DG -
 A beleza é um facilitador, assim como dinheiro, fama... São formas de poder e o poder abre portas. O conceito de beleza estipulado é cruel e excludente e isso sim precisa ser transformado, mas acho que seria uma ilusão dizer que suas opções não se expandem quando se está dentro dos “padrões de beleza” de cada época. 

CE - Você é uma das finalistas do Bake Off celebridade, do SBT. Como foi fazer o programa?
DG - 
Gravar o Bake Off Celebridades foi uma das melhores experiências da minha vida. Me vi em um lugar de exposição, sem controle da minha imagem, sem controle do tempo e levada diversas vezes a exaustão. E, junto a esse turbilhão de sentimentos, me vi cercada de uma equipe gigantesca e extremamente generosa. Foi um grande presente. 

          Dani Gondim foi finalista do Bake Off Brasil - Divulgação SBT


CE - Você é competitiva?
DG - 
Competitiva até o talo. Um dos meus trabalhos internos esse ano é resgatar de onde tirei essa necessidade de me provar. Se digo um sim profissional, eu dou tudo de mim para que seja excelente e a frustração quando isso não acontece é enorme. 

CE - O que ainda não realizou na carreira?
DG - 
Vou pensar em uma resposta mais direta para essa pergunta. Mas sei que quero usar o poder que meu trabalho traz para contribuir com mudanças positivas no mundo, ajudar outras pessoas a alcançarem uma vida digna. A forma de conquistar isso eu ainda não sei qual é. Mas estamos plantando sementes, talvez os frutos venham mais fortes e eficientes. 

CE - E qual seu momento mais marcante?
DG -
 Profissionalmente, estrelar um filme que tem minha música autoral na trilha foi muito gratificante. Não vejo a hora de assistir nas telonas essa exibição. 

Pessoalmente, a morte de meu avô. Um mundo interno foi transformado e começou um silêncio que eu não sabia que existia. Entender a finitude física e como ela é separada da sensorial. É como se a alma permanecesse quando o corpo já não está presente. Acho que só depois disso eu verdadeiramente me vi adulta. A dor adulta dói mais profunda e perdura por mais tempo. 

CE - Quais os próximos projetos de Dani Gondim na vida e na arte?
DG - 
Atuar, apresentar, compor, estamos com esses três braços engatilhados para que nosso ano continue produtivo. Continuo fazendo minhas aulas, preparando meus roteiros e produzindo nossos conteúdos para entregar nossa arte. E com o fim do Bake off, agora aguardo a estreia do nosso filme no meio do ano, junto com outras duas músicas e já começamos as novas gravações para um próximo projeto que logo mais será divulgado.

Dani Gondim é modelo desde os 12 anos de idade - Divulgação

Comportamento Correio B+

Inglês ao longo da vida: por que o aprendizado contínuo de um segundo idioma começa na infância

Em uma sociedade cada vez mais conectada, o domínio do inglês, principalmente, está relacionado à capacidade de acessar conhecimento, estabelecer relações, ampliar oportunidades e acompanhar transformações que acontecem em diferentes partes do mundo.

06/09/2026 16h18

Inglês ao longo da vida: por que o aprendizado contínuo de um segundo idioma começa na infância

Inglês ao longo da vida: por que o aprendizado contínuo de um segundo idioma começa na infância Foto: Divulgação

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Aprender uma segunda língua deixou de ser um diferencial restrito a determinados momentos da vida acadêmica ou profissional. Em uma sociedade cada vez mais conectada, o domínio do inglês, principalmente, está relacionado à capacidade de acessar conhecimento, estabelecer relações, ampliar oportunidades e acompanhar transformações que acontecem em diferentes partes do mundo.

Mais do que aprender um idioma, desenvolver essa competência significa construir uma habilidade que pode acompanhar o indivíduo durante toda a vida. Por isso, quando falamos sobre educação em inglês, é importante pensar além da conclusão de um curso.

Marcia Lima que atua no Grupo MoveEdu como gerente pedagógica do Yázigi diz: "O aprendizado de uma segunda língua é um processo contínuo, que pode começar na infância, ganhar novos níveis de complexidade na adolescência e continuar sendo aprimorado na vida adulta. Quanto mais cedo esse contato começa, maiores são as possibilidades de incorporar o idioma de maneira natural à rotina e de construir uma relação de longo prazo com o aprendizado".

A infância representa uma etapa especialmente importante nesse processo. É nesse período que a criança está desenvolvendo diferentes habilidades cognitivas, sociais e de comunicação e apresenta grande capacidade de absorver novos sons, estruturas e formas de expressão.

"O contato precoce com o inglês permite que o idioma seja introduzido de maneira progressiva, respeitando cada fase do desenvolvimento e evitando que o aprendizado seja associado exclusivamente à memorização ou à preparação para provas", explica.

Por isso, o ensino para crianças precisa considerar que aprender uma língua também é uma experiência.

"Recursos lúdicos, interação, atividades práticas e situações próximas do universo infantil ajudam a tornar o contato com o inglês mais significativo. Quando o aluno percebe que pode utilizar o idioma para se comunicar, brincar, descobrir coisas novas e interagir com outras pessoas, o inglês deixa de ser apenas uma disciplina e passa a fazer parte de sua formação", diz Marcia.

Esse processo também contribui para que o estudante desenvolva confiança.

"Uma das principais barreiras encontradas por quem começa a estudar um idioma apenas na vida adulta é o receio de errar. Na infância, a relação com o erro tende a ser diferente. Criar um ambiente em que experimentar, tentar novamente e se comunicar fazem parte do aprendizado ajuda a formar estudantes mais seguros para utilizar o inglês em diferentes situações", fala.

Na infância, o aprendizado da fala em um segundo idioma também pode ser realizado de maneira mais natural, especialmente porque os pequenos estão em uma fase de intenso desenvolvimento da capacidade de articulação dos sons e de percepção auditiva.

"Ao ter contato frequente com o inglês desde cedo, podem desenvolver maior familiaridade com diferentes fonemas, entonações e ritmos da língua, reproduzindo-os com mais espontaneidade. Esse contato precoce contribui para a construção de uma pronúncia mais natural e para que a comunicação em outro idioma seja incorporada de forma gradual ao seu repertório".

Mas começar cedo não significa que o aprendizado termina cedo. Pelo contrário. O inglês deve acompanhar as diferentes fases da vida.

"Na adolescência, por exemplo, o idioma pode ser utilizado para ampliar o acesso a conteúdos, culturas, tecnologias e oportunidades internacionais. Na universidade e no início da trajetória profissional, passa a ter ainda mais relevância para pesquisas, cursos, networking e mercado de trabalho. Na vida adulta, a continuidade desse aprendizado também é fundamental. Novas profissões surgem, tecnologias transformam atividades e as relações profissionais se tornam cada vez mais globais. Nesse contexto, manter o contato com a língua significa também manter aberta a possibilidade de aprender continuamente".

Essa perspectiva muda a maneira como escolas de idiomas devem enxergar sua atuação. O objetivo não pode ser apenas fazer com que o aluno conclua determinado nível.

É preciso criar uma jornada educacional capaz de estimular autonomia e curiosidade para que o estudante continue utilizando e aprimorando o idioma ao longo do tempo.

"No Yázigi, por exemplo, essa visão está diretamente relacionada ao trabalho desenvolvido com crianças. A formação desde os primeiros anos busca criar uma base sólida para que o aluno avance progressivamente, respeitando seu desenvolvimento e construindo familiaridade com o idioma. Mais do que antecipar o contato com o inglês, a proposta é fazer com que a criança compreenda, desde cedo, que aprender uma língua é uma competência que poderá acompanhá-la em diferentes momentos de sua trajetória", exemplifica.

Em um mundo no qual informação e conhecimento circulam sem fronteiras, essa preparação ganha ainda mais relevância, já que o inglês está presente na ciência, na tecnologia, no entretenimento, nos negócios e na comunicação internacional.

"Ter acesso a esse universo sem depender exclusivamente de traduções amplia as possibilidades de aprendizagem e participação. A educação, portanto, precisa preparar o indivíduo não só para uma etapa específica, mas para uma vida de aprendizado. Começar o inglês na infância é uma forma de construir essa jornada desde cedo, mas o verdadeiro valor está em desenvolver no estudante a disposição para continuar aprendendo", explica.

Acredito que esse seja um dos principais papéis de uma escola de idiomas, não apenas ensinar uma língua, mas ajudar a formar pessoas que entendam o aprendizado como algo permanente.

"Quando uma criança começa a aprender inglês hoje, não estamos pensando somente na próxima prova ou no próximo nível do curso. Estamos contribuindo para que ela tenha, no futuro, mais ferramentas para estudar, trabalhar, viajar, se comunicar e compreender um mundo cada vez mais conectado", finaliza.

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com Erica Montanheiro, ela integra o elenco de "Elize, Sombras de uma Mulher"

"Essa personagem me atravessou profundamente. Ela não é construída para ser julgada ou absolvida, mas para revelar como relações familiares adoecidas podem atravessar gerações".

06/09/2026 15h34

Entrevista exclusiva com Erica Montanheiro, ela integra o elenco de

Entrevista exclusiva com Erica Montanheiro, ela integra o elenco de "Elize, Sombras de uma Mulher" Foto: Divulgação

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Depois de uma trajetória consolidada nos palcos, a atriz, diretora, dramaturga e preparadora de elenco Erica Montanheiro faz sua estreia em uma grande produção audiovisual vivendo a mãe de Elize no filme “Elize, Sombras de uma Mulher”, da Netflix.

Dirigido por Vellas, o longa alcançou repercussão internacional e permanece entre os filmes mais assistidos da plataforma, ocupando o primeiro lugar no ranking global de produções de língua não inglesa.

Na trama, Erica interpreta uma personagem fundamental para a construção da narrativa. Embora apareça em momentos pontuais, sua presença ajuda a revelar o passado de Elize, marcado por abusos sofridos dentro de casa e pela ausência de acolhimento materno.

A relação entre mãe e filha expõe um ambiente familiar atravessado pela violência, pela competição e por ciclos de abuso que ajudam a compreender a complexidade emocional da protagonista, sem, em nenhum momento, justificar os crimes que marcaram sua história.

“Essa personagem me atravessou profundamente. Ela não é construída para ser julgada ou absolvida, mas para revelar como relações familiares adoecidas podem atravessar gerações. Fazer parte de uma obra que provoca tantas reflexões e que alcançou um público tão grande é um marco muito importante na minha trajetória”, afirma Erica Montanheiro.

Reconhecida por sua sólida carreira no teatro, Erica é formada pela École Philippe Gaulier, na França, além de ser bacharel em Letras pela USP e em Cinema e Audiovisual.

Ao longo da carreira, trabalhou com alguns dos principais nomes das artes cênicas brasileiras, entre eles Jô Soares, com quem integrou o elenco de cinco produções entre 2011 e 2022, e Miguel Falabella, parceiro frequente em projetos como atriz, diretora assistente e preparadora de elenco.

Entrevista exclusiva com Erica Montanheiro, ela integra o elenco de "Elize, Sombras de uma Mulher"                                           Com Jô Soares - Divulgação GShow - Divulgação

Além do sucesso de “Elize, Sombras de uma Mulher”, Erica vive uma fase intensa de novos projetos. Em outubro, estreia como atriz o espetáculo “Cansei de Ser Belo”, com direção de Kleber Montanheiro, no Teatro YouTube.

Também integra a equipe criativa do musical “Gil – Andar com Fé”, dirigido por Miguel Falabella, como preparadora de elenco, e prepara o antropólogo Michel Alcoforado para sua estreia nos palcos com a aula-espetáculo “Coisa de Rico: Outras Histórias”, inspirada no best-seller homônimo.

Erica construiu uma carreira marcada pela versatilidade, transitando entre atuação, direção, dramaturgia e preparação de elenco. Agora, com sua participação em “Elize, Sombras de uma Mulher”, amplia sua atuação para o audiovisual em um projeto de alcance internacional, consolidando um novo capítulo em sua trajetória artística.

A atriz é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista com o Caderno ela fala sobre carreira, escolhas e o filme sucesso na Netflix sobre Elize Matsunaga.

Entrevista exclusiva com Erica Montanheiro, ela integra o elenco de "Elize, Sombras de uma Mulher"A atriz Erica Montanheiro é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Caio Oviedo - Diagramação - Denis Felipe
Por - Flávia Viana

CE - Sua carreira transita por atuação, direção, dramaturgia e preparação de elenco. Em que momento você percebeu que não precisava escolher apenas uma dessas funções e que essa multiplicidade poderia ser justamente a sua identidade artística?
EM -
 Atuação é algo que nunca se deixa de estudar. Com o passar do tempo percebi essa conexão: enquanto ensinava, aprendia também, era uma maneira de estar sempre refletindo sobre meu ofício. Dou aulas de teatro desde que comecei a fazer teatro, depois fui me interessando mais pela formação de atores.

Em 2017, fui convidada por duas atrizes a dirigir um espetáculo e nunca mais parei. A dramaturgia veio através do meu solo Inventário, uma peça sobre a escultora francesa Camille Claudel (faço uma apresentação na mostra Palcos em SP no final desse mês). Pesquisei muito sobre ela e apresentei o material para um amigo dramaturgo e ele me disse: quem tem que escrever essa peça é você. 

Em 2024, eu, Kleber Montanheiro e Marília Toledo produzimos o musical da Broadway Cabaret, no 033 Rooftop, em SP. Kleber dirigiu a montagem e me propôs preparar o elenco.

Essas outras funções foram surgindo como desdobramentos, mas acabei percebendo que as (os) artistas que eu sempre admirei são aqueles que exercem funções múltiplas:  Miguel Falabella, Yara de Novaes, Grace Passô, Isabel Teixeira, Kleber Montanheiro, Jô Soares. 

CE - Você estudou na École Philippe Gaulier, na França, uma formação bastante particular dentro das artes cênicas. O que daquela experiência permanece vivo na profissional que você se tornou hoje? 
EM - 
A escola era dirigida por um palhaço chamado Philippe Gaulier. Tudo que estudávamos tinha o olhar de fora de um palhaço nos conduzindo. Isso significa aprender a rir de si mesmo, não se levar tão a sério.

Mesmo que estejamos fazendo um drama. Depois trabalhei com Jô Soares em 4 espetáculos, e ter sido dirigida por ele também foi um aprendizado enorme, especialmente sobre timing de comédia. Miguel Falabella com quem trabalho há alguns anos é um artista com múltiplos talentos.

E os três me ensinaram a olhar a cena e as personagens pela lente da comédia. Toda situação trágica pode conter algo de ridículo. A vulnerabilidade do ser humano pode ser muito patética. E, às vezes, esse patético desperta o riso. Às vezes, desperta piedade e comoção.

CE - Ao longo de uma carreira tão diversa, existem personagens ou trabalhos que você considera verdadeiros divisores de águas? O que eles transformaram na sua maneira de enxergar a profissão? 
EM -
 Estudei muito a escultora francesa Camille Claudel, e ter criado esse solo foi um divisor de águas na minha carreira: além do amadurecimento como atriz que um solo exige, passei a enxergar o trabalho das mulheres de uma forma diferente em um mundo tão machista.

A história dela é muito triste: uma artista brilhante que fazia os pés das esculturas assinadas por Rodin, com quem teve um romance. Ela terminou a vida em um asilo psiquiátrico, renegada pela família. O trabalho no filme Elize também é um divisor porque é minha primeira experiência num projeto audiovisual de grande porte. 

Entrevista exclusiva com Erica Montanheiro, ela integra o elenco de "Elize, Sombras de uma Mulher"Flavio Tolezani e Erica Montanheiro - Divulgação

CE - Como preparadora de elenco, você trabalha diretamente com atores na construção de personagens. O que essa experiência nos bastidores acrescenta quando você volta a ocupar o lugar de atriz?
EM -
 As múltiplas funções que exerço na arte compõem quem eu sou como artista. Uma coisa alimenta a outra. E penso todas as funções a partir da arte do ator. Escrevo pensando na voz que vai dizer aquele texto, dirijo tendo como eixo central o corpo dos atores.

Quando preparo os atores penso na construção das personagens e quando vejo o resultado me sinto lá em cena com eles, naqueles corpos, em cada gesto construído, em cada tempo de piada, em cada emoção conquistada por eles. Quando volto a ocupar o palco carrego um pouquinho do humor de cada um deles comigo. A gente se contamina. 

CE - Você está envolvida em projetos bastante diferentes entre si, da atuação à preparação de elenco. Como faz para mudar de universo e manter a disponibilidade criativa necessária para cada trabalho?
EM -
 Atuar sempre me dá frio na barriga. Aquela adrenalina gostosa de uma montanha-russa. E isso já é um alimento à criatividade: pensar sobre o trabalho do ator. Apesar da diversidade das funções e dos projetos, meu olhar sempre parte do ator.

Além disso, cada trabalho traz assuntos diferentes e isso é enriquecedor: acabei de preparar o antropólogo Michel Alcoforado para sua primeira aula-espetáculo; ler seu livro (Coisa de Rico) e ouvi-lo falar sobre antropologia foi um motor criativo. A criatividade é um músculo que precisa ser estimulado e a cultura é estímulo.  

CE - Em outubro, você estreia como atriz em “Cansei de Ser Belo”, com direção de Kleber Montanheiro. O que te atraiu nesse projeto e o que esse trabalho desperta em você que talvez seja diferente dos personagens que interpretou anteriormente?
EM -
 O que me atraiu logo de cara foi a oportunidade de trabalhar de novo com o Kleber Montanheiro (diretor, meu irmão). Mas além disso, o texto é uma comédia ácida de Emílio Boechat, faz rir e traz reflexões sobre os limites da vaidade, do ego, das aparências.  Faço todas as personagens femininas da peça, o que é um parque de diversões. 

CE - Você também está na equipe criativa do musical “Gil – Andar com Fé”, como preparadora de elenco. O que representa para você participar de uma obra dedicada a um artista tão importante para a cultura brasileira e quais são os desafios de preparar um elenco para contar uma história como essa?
EM - 
Estar na equipe criativa de uma obra sobre  Gilberto Gil é imenso. Gil é uma universidade.  Ele não é “só música” — é história do Brasil, é resistência, é reinvenção constante.

O trabalho da preparação no teatro musical tem basicamente três eixos: o primeiro é pré-ensaios - estudos sobre a personagem/ contexto histórico e treinamento vocal / corporal para a composição da personagem; esse primeiro momento é pra levantar material.

O segundo é diretamente na sala de ensaio, compreendendo o que a direção quer e ajustando o trabalho dos atores, “traduzindo” o que a direção precisa para conduzir o ator no percurso e alcançar o resultado final.

Por fim, tem o trabalho de interpretação de texto: compreensão do percurso, embocadura, criação de imagens no trabalho com a palavra. Esse espetáculo foi ainda mais desafiador porque tem muitas figuras reais retratadas ali: o jogo foi encontrar o equilíbrio entre a mimesis de personalidades da nossa cultura (Gil, Caetano, Gal, Bethânia, Rita Lee, Elis) e a verdade de cada performer.

É o Gil do Gui Ventura, a Rita Lee da Mariel, o Caetano do Henrique. Cada ator/atriz traz sua particularidade e história no diálogo com o artista que ele está interpretando. 

Entrevista exclusiva com Erica Montanheiro, ela integra o elenco de "Elize, Sombras de uma Mulher"A atriz Erica Montanheiro é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Divulgação - Diagramação - Denis Felipe
Por - Flávia Viana

CE - Depois de tantos anos dedicados ao teatro e agora ampliando sua presença no audiovisual, como você enxerga o atual momento da carreira? É uma fase de consolidação, de reinvenção ou de abertura para possibilidades que antes não estavam no seu radar?
EM -
 Eu diria que é um pouco das três coisas. Tem consolidação, porque anos de teatro me deram um repertório técnico e emocional que uso hoje com mais segurança. Tem reinvenção, porque são linguagens diferentes: no teatro a energia é construída para se sustentar num arco contínuo diante do público ao vivo; no audiovisual, o organismo vivo é a câmera - é preciso saber jogar com ela.

E sim, é preciso estar aberta para esse novo mundo, para conhecer os profissionais que fazem o audiovisual brasilileiro. Acho que depois de um tempo de carreira a gente para de ter medo de sair do lugar onde já é reconhecido, e isso é libertador.

CE - “Elize, Sombras de uma Mulher” parte de uma história real que já é muito conhecida pelo público brasileiro, mas apresenta novas camadas e perspectivas sobre essa trajetória. Na sua visão, o que o filme consegue revelar sobre essa história que talvez ainda não tivesse sido tão explorado?
EM - 
Acho que antes de qualquer coisa é preciso lembrar que Elize foi julgada e condenada pelo crime que cometeu. Não cabe a nós, atores e atrizes do filme, qualquer opinião sobre isso. Não há justificativa e é preciso respeitar a dor da família da vítima.

Mas dito isso, podemos olhar pro cinema como um lugar que provoca atravessamentos e reflexões. O público já conhece essa história pelas manchetes, pelo julgamento midiático que ela sofreu na época. O filme tenta fazer o caminho inverso: sair da manchete e entrar na pessoa.

A gente teve acesso a camadas que o noticiário não teve tempo ou interesse de explorar: o histórico familiar violento de Elize molda quem ela se tornou. Olhar para a história familiar de Elize levanta questionamentos sobre nossa sociedade. As relações abusivas na linhagem de mulheres desta família me chamou atenção e me sensibilizou. A mãe tem um histórico de relações abusivas e violentas.

Foi uma mulher presa em um ciclo — o que ela não via/não queria ver, decisões que ela toma/deixa de tomar são elementos que constituem o que Elize vive na adolescência e na vida adulta, como por exemplo, os abusos sofridos por parte do padrasto.

Acho que o filme revela principalmente isso: que por trás de qualquer caso que vira notícia existe uma trajetória de vida, com dores, escolhas e circunstâncias que não cabem em uma manchete. 

CE - Como você acredita que o filme contribui para que o público enxergue Elize para além do crime pelo qual foi condenada?
EM - 
Eu acho que o grande papel do filme é humanizar sem justificar. A gente não está ali para absolver ninguém, mas para mostrar que uma pessoa não se resume ao pior momento da sua vida. Espero que quem assista saia enxergando a Elize como uma mulher inteira — uma mãe com história, com feridas, com contradições — e não só como a personagem de um caso policial. 

CE - A mãe de Elize aparece em momentos pontuais, mas sua presença é determinante para compreender algumas das feridas que acompanham a protagonista. Na sua visão, o que essa personagem representa dentro da narrativa e por que era importante que o público conhecesse também esse lado da história de Elize?
EM -
 O desafio foi encontrar humanidade sem justificar a omissão da mãe diante do padrasto abusivo e a relação dele com Elize. Expor essas contradições em uma relação mãe e filha (que deveria ser o lugar de acolhimento e afeto) foi o foco da construção da personagem.

Com pouco tempo de tela, cada gesto, cada silêncio e cada olhar precisa carregar a história da personagem e a relação com a protagonista de maneira objetiva. Tem que ser uma flecha! Não dá tempo de fazer mistério pra entregar depois.

É preciso aproveitar cada segundo expondo a intenção e o sentido de cada ação, tudo tem que ter um porquê. É preciso trabalhar  o que  não é dito — o que ela evita olhar, o que ela finge não perceber — para que o público sinta o histórico de dor das personagens imediatamente. Preciso aqui ressaltar a beleza do encontro com Lorena Comparato.

Que atriz magnífica, que artista sensível e comprometida, que pessoa bonita pra se ter na vida. Nosso jogo e química dentro e fora do set foram de extrema beleza e troca - muito diferente da relação tóxica da Elize e sua mãe na narrativa. Retratar a mãe e a relação de Elize com ela é, de certa forma, mostrar de onde vêm essas sombras que dão nome ao filme.





 

 

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