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Capa número 100 B+: Dia dos Pais o Correio B+ entrevista com exclusividade o ator Malvino Salvador

"A paternidade transformou tudo! Essa experiência também me tornou mais maduro, equilibrado e genuinamente feliz".

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O ator e empresário Malvino Salvador, 47 anos, deixou a carreira de bancário, em Manaus, para trabalhar como modelo e ator em São Paulo. Seu primeiro papel na TV foi na novela Cabocla, em 2004 com sucesso de crítica e público. No ano seguinte fez a novela Alma Gêmea. E desde então, coleciona papeis de sucessos na TV.

Em 2006, ele interpretou o vilão Camilo em O Profeta. Também esteve no elenco de Sete Pecados, 2007. Um ano depois, Malvino estreou no horário das 21h em A Favorita e  participou de Caras & Bocas, 2009. 

Também lançou o filme Qualquer Gato Vira-lata, 2011, que teve a versão 2 em 2015. Na telinha, o ator esteve no elenco de Fina Estampa, 2011, além de As Brasileiras e Guerra dos Sexos, ambas em 2012. Atou em Amor à Vida, 2013, e depois fez Haja Coração, 2016. Em 2017, Malvino atuou em Sol Nascente e praticamente emendou em Orgulho e Paixão, 2018. Em 2019, ele voltou ao horário nobre em A Dona do Pedaço.

Atualmente Malvino pode ser visto como o protagonista de O Negociador, série policial da Prime Video que é um dos maiores sucessos no serviço de streaming no Brasil. 

A carreira de ator caminha junto com o lado empreendedor de Malvino. Ele e a mulher, Kyra Gracie,  são donos de duas unidades da academia Gracie Kore Jiu-Jitsu, no Rio de Janeiro, e ele também é sócio da Mais Cabello, rede líder de transplantes e tratamentos capilares no Brasil.

"Decidimos embarcar juntos em um empreendimento que reflete totalmente nossa paixão: a nossa academia de Jiu Jitsu e Defesa Pessoal, a Gracie Kore", explica.

O ator Malvino Salvador é a nossa Capa duplamente especial do Correio B+ desta semana de Dia dos Pais e também de número 100 do Caderno. Com exclusividade ele conversou com a gente sobre carreira, família, a sua nova série na Prime Vídeo. Ele também deixa uma mensagem para todos os pais e leitores do jornal.

O ator é a Capa do Correio B+ de número 100 - Foto: Gabriel Farhat - Diagramação: Denis Felipe e Denise Neves

CE - O que te fez escolher a carreira de ator?
MS -
 Eu sou originário de Manaus e jamais havia imaginado seguir uma carreira de ator. Estava prestes a concluir minha formação em contabilidade e já tinha experiência em alguns empregos nessa área.

No entanto, surgiu uma oportunidade inesperada: recebi uma proposta para ir a São Paulo e trabalhar como modelo. Empolgado com a ideia, decidi me aventurar e partir para lá.

Para me preparar para essa nova jornada, comecei a fazer cursos de interpretação com o objetivo de superar minha timidez diante das câmeras. Com dedicação, comecei a fazer diversos testes de vídeo para trabalhos publicitários.

Com o tempo, fui me envolvendo cada vez mais na área e o entusiasmo cresceu. A guinada definitiva aconteceu quando recebi um convite para fazer um teste no musical Blue Jeans, com apenas seis meses desde minha chegada a São Paulo. E para minha surpresa, passei no teste.

A estreia nos palcos foi uma experiência apaixonante e a partir desse momento, abracei de vez a carreira de ator. Desde então, não larguei mais essa profissão que me trouxe tanta satisfação e realização.

CE – Como foi a troca da sua vida de bancário para a de modelo?
MS -
 Precisei me adaptar rapidamente, pois havia definido um prazo de 1 ano em São Paulo para encontrar estabilidade. Caso isso não se concretizasse, meu plano era regressar a Manaus. Assim que integrei o elenco do Blue Jeans, mergulhei de cabeça na preparação para minha carreira como ator.

CE – Modelar te abriu as portas para a carreira de ator?
MS- S
em dúvida! Comecei a me aprofundar nos estudos justamente devido à minha timidez no mundo da  -moda. Fazia parte do elenco da agência de modelos L'equipe, a qual também possuía um departamento voltado para atores.

Constantemente, meu material era mostrado aos produtores de elenco. O Nelsinho Fonseca, renomado produtor de elenco que naquela época trabalhava na Globo, teve a oportunidade de ver meu material e me convidou para fazer o teste da novela Cabocla.

                                        Ao lado do amigo e colega Eriberto Leão em Cabocla - Foto: Divulgação TV Globo

CE – Sofreu preconceito por isso?
MS -
 Até onde sei, não. Me recordo de que, na estreia da novela, uma atriz renomada estava ao meu lado assistindo ao primeiro episódio e, logo após a exibição, ela comentou que parecia que eu atuava em novelas há muito tempo. O personagem Tobias deixou uma marca duradoura na memória de muitas pessoas. Sempre há alguém que me diz o quanto adorava a novela e o meu papel.

CE – Ser bonito te ajudou ou em algum momento ou atrapalhou você?
MS -
 Nunca dei muita importância pra isso. Sempre me esforcei ao máximo para desempenhar meus papéis da melhor forma possível. Já testemunhei atores tidos como bonitos que não conseguiram manter uma carreira duradoura.

CE – Um personagem que marcou pra você na sua trajetória...
MS - 
Interpretei personagens como Tobias em Cabocla, Vitório em Alma Gêmea, Agno em A Dona do Pedaço, Conrado no filme Qualquer Gato, e agora estou extremamente satisfeito com o papel de Menk na série Negociador, a qual é um grande sucesso no Prime Video.

CE – Sua estreia em Cabocla foi muito marcante para o público, como foi estrear em um sucesso da TV Globo?
MS -
 Foi incrível! Me lembro de uma ocasião em que o Eriberto Leão e eu fizemos uma campanha para uma marca de roupas. Um dia, fomos visitar uma das lojas para distribuir autógrafos. Em questão de momentos, a loja estava repleta de pessoas, e logo depois, o quarteirão inteiro estava aglomerado. Foi uma grande confusão para conseguirmos sair da loja e chegar à van.

O ator também é a Capa especial de Dia dos Pais - Foto: Gabriel Farhat - Diagramação: Denis Felipe e Denise Neves

CE – Fale um pouco sobre a nova série da Prime O Negociador e seu papel, pois a série é destaque no streaming.
MS -
 Sim, a série permaneceu em primeiro lugar por um bom tempo logo após a estreia, mantendo-se no top 10 tanto no Brasil quanto na América Latina. É uma produção policial com ação e um toque de suspense psicológico. Fiquei encantado por fazer parte de um gênero pouco explorado no Brasil, mas que conquistou tanto sucesso internacionalmente.

Meu personagem, Menk, é um negociador da GATE, a tropa de elite da polícia de São Paulo. Ele enfrenta situações extremas, enquanto lida com o trauma da trágica morte recente de sua esposa, e ainda precisa se defender das acusações de ser o responsável pelo seu assassinato.

A trama ganha intensidade à medida que o público percebe que nem tudo é o que parece. O auge da história acontecerá nos últimos episódios, culminando em um surpreendente final de temporada.

CE – Como é ser sócio da sua esposa e empreenderem juntos?
MS -
 Decidimos embarcar juntos em um empreendimento que reflete totalmente nossa paixão: a nossa academia de Jiu Jitsu e Defesa Pessoal, a Gracie Kore.

Encaramos diariamente diversos desafios para manter a excelência de nossas aulas. Por isso, reuniões, implementação de melhorias e ajustes são constantes. Compartilhamos essa jornada, e estamos muito felizes com o ambiente que criamos e com os relacionamentos que desenvolvemos com nossos colaboradores e alunos. Essa rotina é uma verdadeira satisfação.

Cada um de nós tem suas responsabilidades, e elas se complementam perfeitamente. Somos um casal que busca estar unido, até mesmo no trabalho.

CE – Você empreende na área de beleza masculina, você é vaidoso?
MS - 
Considero-me vaidoso, porém com moderação. Em todos os procedimentos estéticos que realizo, minha prioridade é manter uma aparência natural, condizente com minha idade, como aconteceu no transplante capilar que fiz na minha clínica, a Mais Cabello.

Percebi que acabei influenciando muitos homens que estavam insatisfeitos com a calvície, encorajando-os a optar pelo transplante, apesar da vergonha que muitos tinham em assumir que gostariam de realizar procedimentos estéticos. Essa escolha trouxe de volta a autoestima para muitas pessoas.

Malvino em O Negociador da Prime Vídeo - Foto: Divulgação

CE – O homem se cuida mais hoje em dia na sua opinião?
MS -
 Sem dúvida! Estamos vivendo um momento em que a nossa geração está compreendendo que os homens podem cuidar de si mesmos sem perder a sua masculinidade.

CE - O que mudou na sua vida com a paternidade?
MS -
 A paternidade transformou tudo! Antes, eu estava centrado em mim mesmo, com meus sonhos como prioridade. Agora, todos os meus pensamentos e decisões giram em torno do bem-estar da minha família, especialmente os meus filhos.

Essa experiência também me tornou mais maduro, equilibrado e genuinamente feliz. Além disso, ser pai nesta fase da vida confere significado à minha jornada, dando-me razão para seguir em frente com propósito.

CE – Você sempre quis ser pai?
MS -
 Sim, sempre acreditei que seria uma experiência boa! E creio que a paternidade veio na hora certa. Se eu tivesse tido filhos quando era jovem e sem as condições financeiras que eu tenho hoje, provavelmente não teria sido um bom pai naquela época.

CE – Como concilia trabalho e família?
MS -
 Ao fazer deles a prioridade, evitando distrações desnecessárias e planejando o tempo para trabalho, lazer e família.

CE – Alguma lembrança especial com o seu pai?
MS - I
númeras! Uma lembrança especial foi quando costumava acompanhá-lo ao supermercado e ficava me pendurando no carrinho de compras, correndo animadamente de um lado para o outro. Era divertido.

Malvido também é empresário na área de estética - Foto: Divulgação

CE – O que é ser pai para o Malvino?
MS - 
Ser pai é um compromisso de responsabilidade, fornecendo apoio emocional e educacional. É ser um modelo a seguir, ensinando valores e lições de vida.

Além disso, ser pai envolve sacrifícios e dedicação, muitas vezes deixando de lado suas próprias necessidades em prol dos filhos. Ser pai é experimentar um amor incondicional, ver o mundo através dos olhos de uma criança e ter a oportunidade de moldar o seu futuro, guiando-os com amor e exemplo. É uma jornada de aprendizado constante, repleta de momentos preciosos e alegria.

CE – Deixa uma mensagem de Dia dos Pais para os leitores do Correio B+
MS - 
Desejo que todos os papais leitores do Correio B+ possam desfrutar deste dia como uma celebração dessa incrível experiência que é ser pai.

Destinos B+

Natal registra alta de 200% nas reservas internacionais e se consolida entre destinos favoritos

Dados de janeiro a maio de 2026 mostram que argentinos já representam 58% das reservas internacionais para o destino; número de viajantes estrangeiros cresceu 284% em relação ao mesmo período de 2025

13/06/2026 14h00

Excursão às praias de Pipa é o passeio em Natal mais reservado

Excursão às praias de Pipa é o passeio em Natal mais reservado Foto: Divulgação

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Natal vive um forte avanço no turismo internacional em 2026. Entre janeiro e maio, o destino registrou crescimento de 200% nas reservas realizadas por turistas estrangeiros na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados da Civitatis, plataforma de reserva de atividades e experiências presente em mais de 160 países.

Quando considerado o número total de viajantes, o crescimento é ainda maior, de 284%, refletindo também um aumento no tamanho médio dos grupos por reserva.

O movimento é puxado principalmente por turistas da América do Sul, com destaque absoluto para a Argentina, que sozinha já representa 58% de todas as reservas internacionais realizadas para Natal na plataforma.

O Uruguai aparece em seguida, concentrando cerca de 34% da demanda e registrando crescimento de 199% nas reservas para o destino na comparação anual.

"O Nordeste brasileiro atravessa um momento muito forte no turismo internacional. Natal reúne praias icônicas, clima quente praticamente o ano inteiro, boa infraestrutura e experiências muito ligadas à natureza, algo extremamente valorizado especialmente pelos viajantes sul-americanos", explica Alexandre Oliveira, Country Manager da Civitatis no Brasil.

Além da força argentina e uruguaia, os dados também mostram expansão gradual da presença internacional no destino, com crescimento de reservas vindas de países como Paraguai, Chile, Portugal, Espanha, França, México e Estados Unidos.

O que os turistas internacionais buscam em Natal?

As reservas mostram uma procura fortemente concentrada em experiências ligadas ao litoral, às dunas e aos passeios marítimos do Rio Grande do Norte. Os traslados aparecem como a atividade mais reservada em Natal, refletindo o aumento do fluxo internacional e da demanda por deslocamentos entre aeroporto, hotéis e praias da região.

Entre os passeios, os grandes destaques são as excursões para Pipa, os tradicionais passeios de buggy pelo litoral norte e experiências em destinos como Maracajaú, Genipabu e Pirangi. Também aparecem entre os destaques atividades ligadas à snorkel, catamarãs, lagoas e roteiros 4x4 pela costa potiguar.

Excursão às praias de Pipa é o passeio em Natal mais reservado As reservas mostram uma procura fortemente concentrada em experiências ligadas ao litoral, às dunas e aos passeios marítimos do Rio Grande do Norte - Divulgação

Ranking: os passeios mais reservados em Natal por turistas estrangeiros

  1. Excursão às praias de Pipa
  2. Passeio de buggy pela costa norte
  3. Excursão a Maracajaú + passeio de lancha
  4. Tour completo por Natal
  5. Excursão a Genipabu
  6. Passeio de barco ao Morro do Careca
  7. Lagoa de Arituba e Cajueiro de Pirangi
  8. Tour 4x4 pela Rota dos Nativos
  9. Catamarã pelos Parrachos de Pirangi com snorkel

Segundo Alexandre Oliveira, Natal vem ganhando espaço internacionalmente por oferecer uma combinação cada vez mais desejada pelo viajante latino-americano.

"O turista sul-americano busca destinos onde consiga aproveitar praia, natureza e atividades ao ar livre com facilidade e bom custo-benefício. Natal entrega exatamente essa combinação, desde dunas e lagoas até experiências marítimas muito emblemáticas do Nordeste brasileiro", afirma.

De onde vêm os turistas internacionais que visitam Natal?

Os dados da Civitatis mostram predominância clara de turistas sul-americanos nas reservas internacionais realizadas para Natal, com liderança ampla da Argentina, seguida pelo Uruguai.

A Argentina representa 58% das reservas internacionais realizadas para Natal no período, enquanto o Uruguai concentra cerca de 34% da demanda. Juntos, os dois países respondem por aproximadamente 92% das reservas internacionais do destino entre janeiro e maio de 2026.

Ranking: os 10 principais países de origem dos turistas internacionais em Natal

  1. Argentina
  2. Uruguai
  3. Paraguai
  4. Portugal
  5. Chile
  6. Espanha
  7. França
  8. México
  9. Estados Unidos
  10. Itália

O levantamento reforça ainda uma tendência de crescimento do Nordeste brasileiro como destino internacional de praia para viagens de curta e média duração dentro da América do Sul.

"Natal e arredores possuem paisagens muito icônicas do Brasil, como Maracajaú e Pipa, além de experiências bastante acessíveis e fáceis de consumir para o viajante internacional. Isso ajuda o destino a ganhar relevância cada vez maior dentro do turismo sul-americano", completa Alexandre Oliveira.

Cinema Correio B+

King & Conqueror é o epílogo de Vikings: Valhalla que eu esperava

Mesmo com um roteiro irregular, a série acerta ao transformar a conquista normanda em um drama humano sobre poder, ambição e legado

13/06/2026 13h00

King & Conqueror é o epílogo de Vikings: Valhalla que eu esperava

King & Conqueror é o epílogo de Vikings: Valhalla que eu esperava Foto: Divulgação

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Desde que King & Conqueror foi anunciada, eu a enxergava como algo muito específico: uma espécie de epílogo de Vikings: Valhalla. Talvez por isso tenha me surpreendido ver tantas comparações com Game of Thrones ao longo dos últimos meses.

É fácil entender por quê. A série tem disputas sucessórias, alianças instáveis, promessas quebradas, guerras e dois homens convencidos de que possuem direito legítimo ao mesmo trono.

Além disso, conta com Nikolaj Coster-Waldau no elenco e agora pode até reivindicar uma ligação adicional com Westeros através de James Norton, que interpreta Ormund Hightower em House of the Dragon. Ainda assim, reduzir King & Conqueror a uma espécie de versão histórica de Game of Thrones parece ignorar aquilo que a torna mais interessante.

A produção da BBC está em destaque na plataforma do Universal Channel e se você, como eu, é fã de História, é uma dica a não ser ignorada.

A história acompanha os acontecimentos de 960 anos atrás, que levaram à Batalha de Hastings, em 1066, um dos eventos mais importantes da história inglesa. Após a morte de Eduardo, o Confessor, sem herdeiros diretos, a sucessão do reino mergulha em crise.

Harold Godwinson, líder da família mais poderosa da Inglaterra, assume a coroa. Do outro lado do Canal da Mancha, William, duque da Normandia, acredita que Eduardo lhe havia prometido o trono anos antes e interpreta a coroação de Harold como uma traição. A partir desse momento, a série acompanha a escalada de uma disputa que acabaria mudando para sempre a história britânica.

O que torna o conflito tão interessante é que King & Conqueror se recusa a oferecer respostas simples, mesmo que Harold seja apresentado como um usurpador ganancioso. Há contexto, há espaço para interpretações. William também não surge apenas como um invasor estrangeiro movido pela ambição. Pelo contrário.

A série constrói dois homens profundamente convencidos de que a coroa lhes pertence por direito. Ambos possuem justificativas plausíveis. Ambos acreditam estar protegendo algo maior do que seus próprios interesses. E ambos são capazes de cometer erros devastadores.

King & Conqueror é o epílogo de Vikings: Valhalla que eu esperavaKing & Conqueror é o epílogo de Vikings: Valhalla que eu esperava - Divulgação

O resultado é um drama que funciona muito mais como um estudo sobre legitimidade e poder do que como uma simples narrativa de conquista.

É justamente nesse ponto que o elenco faz toda a diferença. Como mencionado, a escolha de Nikolaj Coster-Waldau para interpretar William foi inspirada. O ator traz consigo a credibilidade de alguém que já habitou um dos universos políticos mais complexos da televisão moderna, mas encontra aqui um registro diferente. Seu William é ambicioso, determinado e estrategicamente brilhante, mas também inseguro.

Existe uma vulnerabilidade constante por trás da figura do futuro conquistador. A necessidade de provar seu valor, de justificar suas reivindicações e de convencer os outros — e talvez a si mesmo — de que merece aquilo que busca transforma William em um personagem muito mais complexo do que a figura histórica frequentemente lembrada apenas pelo resultado de Hastings.

Já James Norton encontra uma complexidade semelhante em Harold Godwinson. Há algo quase irônico em vê-lo interpretar esse personagem justamente quando passa a integrar o universo de Westeros. Norton possui exatamente o perfil físico dos heróis tradicionais: carismático, seguro, magnético e naturalmente confortável na posição de líder.

A série, porém, utiliza essas características para construir algo mais interessante. Seu Harold é inteligente e corajoso, mas também orgulhoso, impulsivo e incapaz de perceber certas consequências das próprias decisões. Em vez de transformar um dos lados em herói e o outro em vilão, King & Conqueror encontra humanidade nos dois.

Como acontece com praticamente toda produção baseada em acontecimentos reais, a série toma diversas liberdades históricas. Algumas mudanças certamente chamarão atenção dos espectadores mais familiarizados com o período. Determinados personagens recebem trajetórias diferentes das registradas pela História, relações pessoais são ampliadas e certos eventos são reorganizados para servir melhor à narrativa.

O exemplo mais evidente talvez seja a forma como a série trabalha acontecimentos envolvendo Emma da Normandia. Ainda assim, nenhuma dessas alterações me parece particularmente problemática. O objetivo da produção nunca foi funcionar como documentário. Seu compromisso principal está com o drama, e não com a reprodução literal dos fatos.

Curiosamente, os problemas da série não estão nas adaptações históricas. Estão no roteiro.

Em vários momentos, King & Conqueror parece assumir que o espectador já conhece aquelas figuras e entende a importância de cada relação política. Para quem domina a história inglesa, talvez isso não represente um obstáculo. Para grande parte do público internacional, porém, a narrativa pode se tornar mais confusa do que deveria.

King & Conqueror é o epílogo de Vikings: Valhalla que eu esperavaKing & Conqueror é o epílogo de Vikings: Valhalla que eu esperava - Divulgação

A série nem sempre explica satisfatoriamente quem são determinados personagens, qual a relevância de certas alianças ou por que algumas decisões possuem consequências tão profundas. Há ainda momentos em que acontecimentos importantes parecem apressados, avançando mais rapidamente do que o desenvolvimento dramático permitiria.

Esse é justamente o aspecto que impede a produção de alcançar um patamar ainda mais alto. Não falta orçamento. Não faltam atores. Não falta uma boa história. Falta, ocasionalmente, um roteiro mais paciente, disposto a conduzir o espectador por esse universo político sem presumir conhecimento prévio.

Ainda assim, saí da temporada gostando bastante do resultado. Talvez porque ela tenha entregado exatamente aquilo que eu esperava encontrar desde o início. Durante anos, Vikings e Vikings: Valhalla acompanharam a lenta transformação da Inglaterra através das disputas entre saxões, vikings e normandos.

A ascensão da família Godwin, a influência crescente da Normandia e o reinado de Eduardo, o Confessor, já apontavam para esse momento. King & Conqueror apenas assume o bastão e acompanha as consequências finais desse processo.

Por isso, enquanto muitos espectadores talvez procurem nela uma versão histórica de Game of Thrones, aqui encontram algo diferente, como a conclusão de uma história que a televisão vinha contando havia mais de uma década.

Uma história sobre a queda de um mundo e o nascimento de outro. Um drama que aconteceu há quase mil anos, mas continua fascinante justamente porque fala de temas que permanecem atuais: ambição, legitimidade, identidade, poder e a eterna convicção humana de que somos os protagonistas da nossa própria versão da História.

Talvez King & Conqueror não seja perfeita. Mas é uma boa série histórica, sustentada por excelentes atuações e por um acontecimento real tão extraordinário que continua inspirando narrativas quase um milênio depois.

E, para quem acompanhou a jornada iniciada por Ragnar Lothbrok e continuada por seus descendentes, ela funciona exatamente como eu imaginava desde o anúncio: o epílogo de Vikings: Valhalla que nunca tivemos.

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