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Por que o Oscar de Tom Cruise diz tanto sobre Hollywood

A trajetória do Oscar honorário revela como a Academia premia mitos, corrige injustiças e transforma atores em símbolos de insistência, não apenas de talento.

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Já falei sobre isso há alguns meses, quando os Prêmios Honorários de 2025 foram anunciados pela Academia, mas, ganhar um Oscar, em Hollywood, ainda pode significar tudo. Não é apenas o reconhecimento de ser o melhor, mas é a chave para o grupo de elite que pode negociar melhores salários, projetos e, obviamente, torna seus nomes ainda mais famosos.

Nem todos vencedores são lembrados ou se tornam lendários, mas algumas lendas e ícones traçaram caminhos mais dolorosos e demorados até o pódio, incluindo, claro, Tom Cruise.

É impossível, para quem acompanhou sua carreira, esquecer os anos em que ele foi pessoalmente mentorado por Paul Newman, dentro e fora das telas. E é aqui que a história do Oscar volta a morder. Newman, um dos maiores atores do século 20, acumulou nada menos do que sete indicações frustradas antes de finalmente ganhar, e ganhou primeiro um Oscar Honorário em 1985, quando já parecia condenado ao grupo dos injustiçados eternos.

No ano seguinte, como se o destino tivesse finalmente cedido, ele recebeu o Oscar competitivo por A Cor do Dinheiro, dirigido por Martin Scorsese (ao lado de Tom Cruise). Um reconhecimento tardio, quase reparador, ecoando décadas de dedicação e ressentimentos discretos.

Se você acredita em destino, não deixa de ser uma coincidência quase literária ver Tom Cruise repetir — literalmente — os passos de seu mentor exatos 40 anos depois: primeiro o honorário, depois a expectativa pelo competitivo, num arco que parece escrito com a precisão emocional de um melodrama hollywoodiano. Mas, mais do que espelhar Cruise com Newman, é Cary Grant que vem mais à mente. Grant, até hoje um símbolo de elegância, charme e generosidade, é talvez o maior exemplo de como a Academia pode falhar com seus próprios mitos.

Indicado poucas vezes, ignorado muitas, ele só recebeu reconhecimento em 1970, já aposentado, com um Oscar Honorário, solução tardia para uma carreira que ajudou a moldar a própria linguagem do cinema popular. Diziam que trabalhar com Grant elevava qualquer ator ao melhor que podiam ser, quase todos ganharam Oscar ao seu lado, menos ele.

E Tom Cruise, por ironia ou destino, carrega o mesmo “karma”: duas ex-companheiras ganharam Oscar depois de terminar com ele, e quase todos os seus colegas de elenco foram premiados ou indicados enquanto ele acumulava derrotas simbólicas. Por isso, vê-lo subir ao palco para receber um Oscar pelo conjunto da obra não é apenas sobre uma temporada ou um filme, é sobre reparar uma lacuna na história do cinema. Inteligente como é, Cruise entende que este Oscar tem um peso muito maior do que vencer por uma atuação específica.

Ele é, hoje, a própria definição da experiência cinematográfica. Quantos podem afirmar isso sem soar arrogantes? Se tivesse vencido antes, talvez não tivesse sido tão potente.

“O cinema me leva ao redor do mundo. Ele me ajuda a apreciar e respeitar as diferenças. Também me mostra nossa humanidade compartilhada, como somos parecidos de tantas, tantas maneiras. E, não importa de onde venhamos, naquela sala de cinema nós rimos juntos, sentimos juntos, esperamos juntos — e esse é o poder dessa forma de arte. E é por isso que ela importa, é por isso que ela importa para mim. Então, fazer filmes não é o que eu faço, é quem eu sou”, ele afirmou com emoção e elegância.

E o fato é que Tom nunca esteve sozinho nessa disputa pelo reconhecimento. Ele sempre foi transparente em admitir que se importa com o Oscar, algo que Hollywood finge não ver, porque existe uma etiqueta, quase um código de honra, de minimizar ambição para preservar a ilusão de “arte pura”. Timothée Chalamet, ao quebrar esse protocolo e dizer que quer ganhar o Oscar — e que não vê problema nisso — foi imediatamente massacrado por parte da imprensa e dos críticos, acusado de “esforçado demais”, de ambição desmedida, de não esconder seus objetivos como manda a tradição. A reação diz mais sobre Hollywood do que sobre ele.

E se Cruise foi alvo de ironias, ninguém sofreu mais que Leonardo DiCaprio. Foram mais de 20 anos entre a primeira indicação e a vitória. Enquanto colecionava derrotas, virou meme global, protagonista de piadas, símbolo da injustiça do Oscar, paradoxalmente enquanto se consolidava como um dos maiores atores de sua geração.

Seu momento de redenção só veio com O Regresso, dirigido por Alejandro González Iñárritu, numa vitória que pareceu coroar a insistência, a entrega e também o desgaste público de anos de chacota. Sim, o mesmo diretor que garante que vai dar a Tom Cruise outro Oscar, agora o de Melhor Ator em 2027. Será?

No fim, a história do Oscar nunca é só sobre talento. É sobre tempo, narrativa, política, reputação, arrependimento, pressão do público e, acima de tudo, mitologia. A mitologia que Hollywood constrói de si mesma. Ver Tom Cruise subir ao palco este ano é ver décadas de cinema ganharem forma, reconhecer que alguns artistas precisam esperar mais, viver mais, cair mais, lutar mais para serem vistos. E talvez seja essa a verdade incômoda: o Oscar nunca foi um prêmio sobre performance. É um prêmio sobre permanência. Sobre quem, como e por que permanece.

Beleza Correio B+

Depilação a laser em pele negra: o que você precisa saber antes de começar

Especialista explica como identificar o fototipo, escolher a tecnologia adequada e adotar cuidados

25/04/2026 15h30

Depilação a laser em pele negra: o que você precisa saber antes de começar

Depilação a laser em pele negra: o que você precisa saber antes de começar Foto: Divulgação

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Hoje o laser é cada vez mais procurado para diferentes regiões do corpo, impulsionado pela otimização do tempo na rotina e por deixar para trás o uso de lâminas e ceras, métodos que costumam causar desconforto, irritação e sensibilidade na pele.

Esse movimento reflete a busca por soluções mais práticas e duradouras e ajuda a explicar o crescimento do setor: de acordo com a Global Market Insights, em relatório divulgado em 2024, o mercado de depilação a laser deve crescer a uma taxa anual de 18,4% até 2032. Apesar da popularização do procedimento, ainda circulam nas redes sociais mitos de que o tratamento “sempre dói” ou “sempre queima” em pele negra, o que gera receio e desinformação.

Segundo a coordenadora responsável técnica Tálona Nayla de Marco, da LypeDepyl, rede referência em depilação a laser e pioneira na despigmentação de tatuagens e sobrancelhas, o primeiro passo para garantir um tratamento seguro é a avaliação individual. “Antes de qualquer sessão, é fundamental identificar o fototipo de pele, uma classificação que considera o tom da pele e a forma como ela reage ao sol”, explica.

De forma simples, os fototipos variam do I (mais claras) ao VI (mais escuras). As peles negras costumam se enquadrar entre os fototipos IV, V e VI, que apresentam maior concentração de melanina. “Isso não impede o uso do laser, mas exige ajustes específicos no tipo de equipamento, na intensidade e nos intervalos das sessões para reduzir o risco de escurecimentos e sensibilizações”, orienta a especialista.

Por que o fototipo influencia no resultado?

A melanina, pigmento responsável pela coloração da pele, também absorve parte da energia emitida pelo laser. Na prática, parâmetros inadequados podem estimular a pele em excesso, aumentando o risco de hiperpigmentação pós-inflamatória.

“Quando o fototipo é respeitado, o laser atua com mais precisão no pelo, preservando a pele ao redor”, explica Tálona. Para quem passa pelo tratamento, isso se traduz em mais segurança e melhores resultados ao longo do processo.

Nem todo equipamento é indicado para todos os tons de pele. Em peles negras, tecnologias que concentram a ação no folículo piloso e apresentam menor dispersão de calor na superfície cutânea oferecem mais segurança.

“O objetivo é tratar o pelo sem estimular excessivamente a melanina, diminuindo o risco de queimaduras ou alterações no tom”, pontua a profissional. Para o paciente, isso representa mais conforto e menor chance de efeitos indesejados.

Atenções antes e depois

Algumas medidas simples impactam diretamente o resultado final. Antes das aplicações, é recomendado evitar exposição solar, suspender o uso de produtos irritantes e manter a área tratada saudável. Após o procedimento, manter a região bem hidratada é importante, já que a hidratação fortalece a barreira cutânea, reduz a sensibilidade e favorece uma recuperação mais rápida. O uso de produtos calmantes também ajuda a prevenir escurecimentos. “Essas orientações reduzem o risco de desconfortos após o tratamento”, conclui.

Cinema Correio B+

Michael: o filme evita polêmicas e transforma a vida de Jackson em espetáculo Filme impressiona

Poucos projetos recentes chegaram ao cinema com tanta expectativa acumulada quanto Michael. Não é apenas mais uma cinebiografia, mas um filme que carrega a promessa de dar forma definitiva a um dos nomes mais incontornáveis da cultura pop.

25/04/2026 14h00

Michael: o filme evita polêmicas e transforma a vida de Jackson em espetáculo Filme impressiona

Michael: o filme evita polêmicas e transforma a vida de Jackson em espetáculo Filme impressiona Foto: Divulgação

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Uma missão que quase todos antecipavam ser impossível, mesmo diante do comprometimento do diretor Antoine Fuqua em não excluir nenhum tema sensível. O filme passou por anos de regravações e revisões de roteiro, apenas para chegar às telas exatamente como muitos temiam: tão controlado que não parecia precisar de tanto esforço para chegar a esse resultado.

O filme foca na música e na singularidade de Michael Jackson enquanto artista e sabe traduzir isso em cena com uma força que atravessa gerações. Para quem não viveu o auge de sua carreira, funciona como introdução.

Para quem acompanhou aquele período, funciona como um retorno direto à experiência de vê-lo dominar palco, imagem e som com um controle quase absoluto. No fim, é também uma sucessão de grandes momentos musicais.

Há algo que o filme reafirma com clareza: Michael não era apenas um sucesso. Ele era uma exceção.

A precisão vocal, o domínio corporal, a construção estética de cada fase, a capacidade de transformar música em evento visual. Tudo isso aparece de forma consistente e, em alguns momentos, impressionante.

O problema não está no que o filme mostra.

Está no que ele escolhe simplificar.

A trajetória inicial, da infância em Indiana ao fenômeno dos Jackson 5, é tratada de maneira acelerada, quase protocolar, como se fosse apenas uma etapa obrigatória antes de chegar ao que realmente interessa. A narrativa avança por blocos musicais que privilegiam o reconhecimento imediato, mas sacrificam a construção dramática.

Essa lógica se repete ao longo de todo o filme.

Figuras centrais na vida de Michael surgem de forma reduzida ou praticamente ausente. Janet Jackson sequer é mencionada. Diana Ross aparece rapidamente, sem que sua influência seja de fato elaborada. Relações que poderiam oferecer densidade acabam tratadas como pano de fundo.

Até mesmo a passagem de Michael pelo cinema aparece apenas de forma indireta, em referências discretas que passam despercebidas para quem não já conhece sua trajetória.

Em vez disso, o roteiro concentra seu conflito em um único eixo: o pai.

Joseph Jackson se torna o grande antagonista, e a narrativa se organiza em torno da tentativa de Michael de romper esse domínio. É um recorte legítimo, mas limitado. Ao concentrar o conflito nesse ponto, o filme deixa escapar outras tensões igualmente importantes, tanto no campo pessoal quanto no profissional.

Há, portanto, uma redução de complexidade que vai além das controvérsias mais conhecidas. Nem mesmo aspectos posteriores que ajudaram a definir os anos finais do artista, como o uso de analgésicos após o acidente da queimadura, são abordados. São ausências que o filme sequer sugere.

Isso não impede que ele funcione em outros níveis.

A recriação de época é precisa, há cuidado estético, e o elenco sustenta o interesse mesmo quando o roteiro não avança. Nia Long e Colman Domingo trazem densidade aos seus papéis, enquanto Jaafar Jackson, em sua estreia, surpreende ao ir além da reprodução gestual e alcançar momentos de real presença em cena.

Ainda assim, permanece a sensação de que o filme se mantém dentro de um limite muito bem definido.

Como se soubesse exatamente até onde pode ir. Essa impressão se confirma na decisão estrutural mais importante da narrativa. O filme escolhe encerrar sua trajetória antes do ponto em que a história de Michael Jackson se torna mais complexa, quando as acusações passam a redefinir sua imagem pública.

Sem sequer mencionar esse momento, não há enfrentamento. Há uma interrupção.

E essa interrupção diz muito, porque o objetivo do filme parece ser preservar a memória de Michael como ele e sua família gostariam. Michael não tenta resolver a contradição que define seu personagem.

A partir dessa escolha, ele funciona como uma celebração. Um reencontro com o impacto cultural e artístico de alguém que redefiniu o que significa ser uma estrela pop.

Mas essa decisão tem um custo. Porque, ao evitar o desconforto, o filme também abre mão da complexidade que faria dessa história algo verdadeiramente singular.

E talvez seja por isso que a experiência seja tão ambígua.

O filme emociona, impressiona, envolve. E, ainda assim, deixa uma sensação de incompletude difícil de ignorar. É difícil sair da sessão sem cantar, sem lembrar, sem reconhecer que, independentemente de qualquer narrativa, Michael Jackson continua sendo um fenômeno que o cinema ainda tenta alcançar.

Mas, ao menos por enquanto, ainda não consegue decifrar.

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