Quando Dwayne "The Rock" Johnson desembarcou no Rio de Janeiro nesta semana para promover o live-action de Moana, a visita durou apenas poucos dias. Houve coletiva de imprensa, evento para convidados na Ilha Fiscal, entrevistas e uma rápida passagem pela cidade antes que o astro seguisse para a próxima parada da turnê mundial da Disney.
Ainda assim, sua presença no Brasil marcou o capítulo final de uma jornada que começou há mais de três anos e que, desde o anúncio, gerou tantas dúvidas quanto expectativas.Afinal, Moana talvez seja o projeto mais improvável já escolhido pela Disney para ganhar uma adaptação em live-action.
Quando o estúdio anunciou oficialmente, em abril de 2023, que transformaria a animação de 2016 em filme com atores reais, a reação inicial foi de perplexidade.
O original havia sido lançado apenas sete anos antes, continuava entre os filmes mais assistidos do streaming e permanecia extremamente presente no imaginário de crianças e famílias ao redor do mundo. Nunca houve, de fato, um período em que Moana tivesse desaparecido da cultura popular.
Foi o próprio Dwayne Johnson quem anunciou o projeto. Em um vídeo gravado no Havaí, cercado por familiares, ele revelou que retornaria ao papel de Maui, personagem que havia dublado na animação original e que, segundo ele, sempre representou uma homenagem ao seu avô materno, o lendário lutador e líder samoano Peter Maivia. Desde aquele primeiro anúncio, ficava claro que este não seria apenas mais um remake da Disney para Johnson.
Poucos meses depois, a Disney contratou Thomas Kail para dirigir o projeto. O nome surpreendeu Hollywood: Kail era conhecido principalmente pelo fenômeno teatral Hamilton e nunca havia dirigido um longa-metragem narrativo para cinema.
A aposta indicava que o estúdio pretendia preservar não apenas a aventura, mas também a dimensão emocional e musical da obra original.
A produção, no entanto, enfrentou seu primeiro grande obstáculo com as greves de roteiristas e atores em Hollywood em 2023. O cronograma original precisou ser adiado, as audições foram interrompidas e o lançamento acabou empurrado de junho de 2025 para julho de 2026.
Enquanto isso, a Disney enfrentava outro desafio: encontrar uma nova Moana.
A escolha acabou recaindo sobre Catherine Laga'aia, jovem atriz australiana de ascendência samoana que, até então, tinha pouquíssima experiência diante das câmeras. A seleção envolveu mais de 32 mil candidatas e, segundo a própria atriz, incluiu várias etapas de testes e audições realizadas entre Austrália e Estados Unidos.
Quando recebeu a notícia de que havia conquistado o papel, Catherine tinha apenas 17 anos. Hoje, aos 19, estreia justamente em uma das maiores produções do cinema mundial.
A escalação trouxe também uma mudança importante em relação ao filme original: Auli'i Cravalho, que deu voz à personagem na animação de 2016, decidiu não retornar ao papel e passou a atuar como produtora executiva do projeto.
A decisão foi celebrada pela própria atriz, que afirmou acreditar que uma nova geração deveria ter a oportunidade de representar Moana nas telas.
As filmagens começaram oficialmente em julho de 2024, divididas entre estúdios em Atlanta e locações no Havaí, e foram concluídas em novembro do mesmo ano.
O objetivo era ambicioso: recriar em escala real não apenas as ilhas e o oceano do filme original, mas toda a dimensão mitológica da cultura polinésia que transformou a animação em um fenômeno global.
Ao longo da produção, outras decisões chamaram atenção dos fãs. Alguns personagens retornaram com novos intérpretes; outros foram redesenhados para a linguagem live-action.
O roteiro permaneceu próximo da história original, enquanto a trilha voltou a reunir colaboradores históricos da franquia, incluindo Lin-Manuel Miranda como produtor e consultor musical.
Como Moana se tornou o remake mais rápido da Disney e trouxe The Rock ao Brasil - Divulgação DisneyMas talvez a maior transformação tenha acontecido com o próprio Dwayne Johnson.
Durante a passagem pelo Rio, o ator repetiu algo que vem afirmando ao longo da divulgação mundial: interpretar Maui fisicamente foi muito mais difícil do que simplesmente emprestar sua voz ao personagem.
Pela primeira vez, ele precisou cantar, dançar e habitar emocionalmente um personagem que, durante quase uma década, existiu principalmente em sua imaginação. "Foi muito mais desafiador do que eu esperava", admitiu.
Johnson também destacou, durante a coletiva, a importância da representação polinésia em uma produção dessa escala e afirmou que Maui passou a representar, para ele, uma visão mais madura de masculinidade: alguém forte, mas também vulnerável; poderoso, mas profundamente marcado por suas próprias fragilidades.
Existe uma ironia interessante nessa história.
Quando a Disney anunciou Moana em live-action, muitos consideraram a decisão precipitada. Hoje, porém, talvez fique mais claro o que o estúdio enxergou antes de todos os outros: Moana nunca foi uma obra do passado que precisava ser redescoberta: ela simplesmente nunca deixou de existir.
E talvez seja justamente por isso que Dwayne Johnson, depois de super-heróis, franquias bilionárias, filmes-catástrofe e carros impossíveis, tenha acabado encontrando em Maui não apenas um personagem, mas o papel mais pessoal de toda a sua carreira.
Desembargadora Ana Carolina Ali. Foto: Comunicação/TJMS
Desembargadora Ana Carolina Ali. Foto: Comunicação/TJMS

