Seja acompanhado de café, chá ou leite, recheado, amanteigado, crocante ou salgado, o biscoito faz parte da rotina de famílias em diferentes partes do mundo há centenas de anos.
Não por acaso, o Dia do Biscoito, celebrado em 20 de julho, é uma oportunidade para conhecer a trajetória desse alimento, que atravessou continentes, evoluiu com o passar do tempo e se tornou um dos produtos mais consumidos do planeta.
Embora hoje seja encontrado em supermercados em uma infinidade de formatos, sabores e texturas, o biscoito nasceu de uma necessidade prática: conservar alimentos por mais tempo durante longas viagens.
A própria palavra biscoito revela muito sobre sua origem. Ela deriva do termo em latim bis coctus, que significa cozido duas vezes.
O processo consistia em assar uma massa simples de farinha e água e, em seguida, levá-la novamente ao forno para retirar praticamente toda a umidade.
O resultado era um alimento extremamente seco, resistente ao tempo e ideal para ser transportado em expedições marítimas e militares.
ORIGEM
Os primeiros registros de alimentos semelhantes ao biscoito remontam ao Egito Antigo e ao Império Romano, mas foi durante a Idade Média que eles ganharam importância estratégica.
Nas Grandes Navegações, entre os séculos 15 e 17, marinheiros passavam meses em alto-mar sem possibilidade de obter alimentos frescos.
O biscoito de bordo, conhecido como hardtack em países de língua inglesa, era praticamente indispensável. Produzido apenas com farinha, água e, às vezes, sal, ele podia durar meses sem estragar.
Apesar da longa durabilidade, o sabor estava longe de agradar. Extremamente duro, muitas vezes precisava ser mergulhado em água, vinho, caldo ou café antes de ser consumido.
Ainda assim, foi graças a essa característica que o alimento ajudou a alimentar tripulações responsáveis por importantes expedições marítimas e descobertas geográficas.
QUANDO FICOU DOCE?
Com o desenvolvimento do comércio de especiarias e do açúcar, principalmente a partir do Renascimento, o biscoito começou a deixar de ser apenas um alimento de sobrevivência.
Na Europa, confeiteiros passaram a adicionar manteiga, ovos, leite, mel, açúcar e especiarias como canela, noz-moscada e gengibre. A receita tornou-se mais saborosa e ganhou espaço entre a nobreza.
Durante a Revolução Industrial, nos séculos 18 e 19, a mecanização da produção permitiu fabricar biscoitos em grande escala. Surgiram empresas especializadas e novas técnicas de conservação, embalagem e distribuição, tornando o produto acessível para diferentes classes sociais.
Foi nesse período que nasceram muitos dos biscoitos clássicos conhecidos até hoje, além da tradição do chá acompanhado por biscoitos em diversos países europeus.
COMO CHEGOU AO BRASIL?
No Brasil, os primeiros biscoitos chegaram ainda no período colonial, trazidos pelos portugueses. Inicialmente, eram consumidos principalmente durante viagens marítimas e em expedições pelo interior.
Com o passar dos séculos, receitas europeias foram sendo adaptadas aos ingredientes disponíveis no País. Coco, polvilho, mandioca, goiabada, queijo e milho passaram a integrar preparações tipicamente brasileiras.
Assim nasceram receitas que fazem parte da identidade gastronômica nacional, como o biscoito de polvilho, os sequilhos, os biscoitos de nata, os amanteigados, os casadinhos recheados com doce de leite e inúmeras receitas de família transmitidas entre gerações.
Cada região brasileira desenvolveu suas próprias versões. Em Minas Gerais, por exemplo, os biscoitos de queijo dividem espaço com os de polvilho. No Nordeste, receitas com coco são bastante tradicionais. Já no Centro-Oeste, preparações com queijo, mandioca e ingredientes regionais fazem parte da culinária cotidiana.
BISCOITO OU BOLACHA?
Uma das discussões mais famosas da gastronomia brasileira envolve justamente o nome do alimento.
Em diversas regiões do País, especialmente no Rio de Janeiro e em parte do Nordeste, é comum utilizar a palavra biscoito.
Já em estados como São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, muitas pessoas preferem o termo bolacha.
Na prática, ambas as palavras são reconhecidas pela língua portuguesa e podem ser utilizadas para designar produtos semelhantes.
Algumas tentativas de diferenciação sugerem que biscoitos seriam mais crocantes e bolachas mais macias, mas essa distinção não tem consenso entre especialistas nem é seguida pela indústria alimentícia.
No fim das contas, independentemente do nome, o importante continua sendo o sabor.
Biscoito amanteigado tradicional
Foto: PexelsIngredientes
- 200 g de manteiga em temperatura ambiente;
- 1 xícara (chá) de açúcar;
- 1 ovo;
- 2 colheres (chá) de essência de baunilha;
- 3 xícaras (chá) de farinha de trigo;
- 1 pitada de sal.
Modo de Preparo
Bata a manteiga com o açúcar até formar um creme claro. Acrescente o ovo e a baunilha. Adicione a farinha aos poucos e misture até obter uma massa homogênea. Embrulhe em filme plástico e leve à geladeira por 30 minutos.
Abra a massa com um rolo, corte nos formatos desejados e distribua em uma assadeira untada ou forrada com papel-manteiga.
Asse em forno preaquecido a 180°C por cerca de 15 minutos ou até que as bordas estejam levemente douradas.
Biscoito de polvilho assado
Foto: MagnificIngredientes
- 500 g de polvilho azedo;
- 200 ml de leite;
- 100 ml de água;
- 100 ml de óleo;
- 1 colher (chá) de sal;
- 2 ovos;
- 100 g de queijo parmesão ralado.
Modo de Preparo
Ferva o leite, a água, o óleo e o sal. Despeje sobre o polvilho para escaldar e misture bem. Espere amornar, acrescente os ovos e o queijo ralado, misturando até formar uma massa uniforme.
Modele os biscoitos em formato de ferradura ou palitos e asse em forno preaquecido a 180°C por aproximadamente 25 minutos, até ficarem levemente dourados.
Sequilhos de leite condensado
Foto: PexelsIngredientes
- 1 lata de leite condensado;
- 200 g de manteiga;
- 500 g de amido de milho.
Modo de Preparo
Misture todos os ingredientes até obter uma massa lisa e macia. Faça pequenas bolinhas, coloque em uma assadeira e achate delicadamente com um garfo.
Asse em forno preaquecido a 180°C por cerca de 15 minutos. Os sequilhos devem permanecer claros, apenas com a base levemente dourada.


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