Correio B

Correio B+

Daniel Del Sarto: Galã global faz sucesso com musical saudosista e fala sobre carreira

Estrelado por Daniel Del Sarto, o espetáculo "Anos 80: Uma Experiência PLOC" viaja o país interagindo com público que se emociona e participa. "Acho que a TV perdeu muito espaço e grana para o Streaming e tenta sobreviver".

Continue lendo...

Daniel Del Sarto estreou na TV em 2001, no seriado “Sandy & Júnior”, da Rede Globo. O ator tinha um papel especial na série: era o namoradinho da Sandy, atuação que até hoje rende histórias já que a produção ficou no ar durante muitos anos e foi sucesso nacional.

“Era uma responsabilidade enorme e posso dizer que ela é um doce e nos divertimos muito. Em cena não parecia, mas eu era muito alto pra ela e acabava tendo que contracenar todo retorcido para que a filmagem ficasse perfeita.

Cheguei a andar curvado, de joelhos dobrados mesmo em uma das tomadas. A sorte é que eu era bem jovem e os joelhos não reclamavam” brinca o ator sobre os bastidores do programa. Talentoso, depois da estreia na produção juvenil Daniel não parou mais.

O artista ainda trabalhou em grandes sucessos da TV, como as novelas “Kubanacan”, “Desejos de Mulher, “Insensato Coração”, além de “Malhação”. O galã ainda teve um personagem fixo na lendária “Turma do Didi”, produção global que também fez história.

Depois de passagens na Globo, o ator chegou à Rede Record e participou da novela “Pecado Mortal”, escrita por Carlos Lombardi. Ele ainda teve passagem pelo SBT onde protagonizou o malvado Maurício, pai das gêmeas Isabela e Manuela, vividas por Larissa Manoela, na novela “Cúmplices de um Resgate”. No cinema, estreou em 2003 em “As Alegres Comadres” e em 2005, esteve no filme “Eliana em O Segredo dos Golfinhos”.

O ator Daniel Del Sarto é Capa do Correio B+ desta semana - Foto: Divulgação - Diagramação: Denis Felipe/Denise Neves

Passada a produção de trabalhos televisivos, Daniel se dedicou à produção musical e em 2018 foi jurado do programa “Canta Comigo”, da Rede Record. Hoje, ele comemora uma nova fase já que se tornou um grande empresário do entretenimento e do teatro.

Versátil, é responsável por grandes produções teatrais e até agenciamentos especiais. O artista é responsável pela startup Famosos, uma plataforma que cria vídeos de famoso sob demandas para fãs. Entre os que já aderiram à plataforma estão Jorge Aragão, Jorge Vercillo e Narcisa Tamborindeguy.

Seu mais novo trabalho é sucesso nacional e enaltece uma época rica em produções. "Anos 80: Uma Experiência PLOC", escrita, dirigida e estrelada por Daniel Del Sarto é uma grande homenagem à década de ouro da música no mundo, e chega ao Teatro Gazeta, em São Paulo, com datas especiais, além de viajar o país.

"Criar essa montagem é uma experiência surreal e deliciosa já que em cena, conduzimos o público a uma imersão total da época, ativando suas memórias emotivas e musicais. Convido a todos para uma viagem no tempo com um texto, enredo e explosão de músicas e imagens que fazem refletir e sentir a alegria que tínhamos ao viver de verdade o mundo real, com cores neon, maquiagens super coloridas, a década de transição do analógico para o digital. Sim, essa é a década de passagem para a era que mergulhamos hoje, totalmente controlados pela tecnologia, celulares, wifis, curtidas, comentários e afins”, provoca o ator.

                 Daniel nos bastidores do Teatro Gazeta em SP - Divulgação

O espetáculo também é produzido, dirigido e escrito pelo jornalista Luciano Vianna, criador do evento Festa PLOC, a maior celebração Retro da América Latina e sócio de Daniel. Composta 70% por música, a montagem que traz interpretações em homenagem a artistas do cenário nacional e internacional vai de Sidney Magal e George Michael, de Xuxa a Tina Turner emocionando e permitindo interação com o público, com direito até a passagens pelo axé, a paródias sobre as boy bands, a relembramos sucessos de Blitz e Legião Urbana, tudo em um misto de interpretação e poder musical nunca visto.

"Procuramos dar um grande resumo do que foi os anos 80 musicalmente e artisticamente e dividimos o espetáculo em blocos temáticos com vídeos emocionantes, que nos ajudam a contar essa linda história, mesclando teatro, com projeção, com enredo, música e emoção trocada com o público", ressalta Daniel. Em uma hora e quarenta e cinco minutos de espetáculo (com 10 minutos de intervalo), o elenco visita trilhas das novelas, o pop internacional, o popular “trash 80’s”, o Rock Brasil e a expressiva cena musical infantil e imortalizada por ícones.

O projeto que já era um sonho antigo, já havia se estendido para outras frentes porque os idealizadores sempre tiveram a PLOC como multiplataforma, afinal já foram produzidos uma série de TV, três DVDs e quatro CDs.

O evento ainda conta com a uma experiência única já que é a reunião de diversos músicos, o famoso “quem sabe faz ao vivo” colocando à prova no palco além de Daniel Del Sarto, um elenco de primeira com Alex Aguiar (Cantor), Andy Drumond Sax (Saxofonista) e Gabriel Barreto (Baterista), todos com experiências marcantes no cenário da música.

Na vida pessoal, o eterno galã vive um momento mais que especial. Casado desde 2016, com cirurgiã plástica Hazel Fischdick, agora Daniel curte uma nova jornada a de ser pai da linda Alice, que nasceu em 2021 e trouxe muita alegria para família. O Correio B+ conversou com exclusividade com o ator sobre o cenário cultural hoje, polêmicas televisivas e muito mais.

Daniel Del Sator - Divulgação


CE - O que você assiste hoje na TV?
DD -
 Sou cinéfilo, curto muito documentários e também filmes baseados em histórias reais.


CE - Por que não atua em novelas ou seriados de streaming?
DD - 
Amo fazer novela e série é um foco pra mim. O trabalho do ator em TV e streaming não é uma escolha individual, como por exemplo o nosso espetáculo teatral, que escrevi e dirigi e estou no palco - ou também os shows com os quais viajo pelo Brasil há muitos anos fazendo eventos corporativos, casamentos, festas em geral. O mercado mudou muito e uma das coisas piores é o tal teste remoto onde você mesmo tem que filmar e enviar um vídeo. Eu gosto e sempre fui muito bom em teste presencial, porque levo toda energia e vibração pra uma equipe que está ali para me avaliar. Desde que os testes passaram a ser “você filma, faz e envia” eu me senti muito desestimulado. Tenho uma agente excelente para os trabalhos como ator e sei que na hora e para o projeto certo, a gente vai entrar com tudo.

CE - Qual sonho de interpretação (um personagem que não fez que gostaria de fazer na TV)
DD -
 Vilão fiz um só, no SBT, numa novela de grande sucesso para o público infanto-juvenil que repercutiu muito e adorei em “Cúmplices de um resgate”. Acho que o vilão é um personagem que me desafia e que me afasta do que sou, que tenho que mudar o físico, mergulhar num universo diferente do meu é muito bom. Mas todo personagem tem sua dedicação e construção, o que adoro.

CE - Você declarou que fazer cultura no Brasil é difícil o brasileiro não desiste nunca?
DD - 
Eu sou guerreiro até o fim. Como diz uma canção minha: “Sonhos cultivados que esperam florescer/ morro de tentar, mas tento até morrer”. Nós, brasileiros, temos que aprender a valorizar e cuidar muito melhor dos nossos artistas. Quem se entrega pra incerteza da vida artística apanha de todo lado.

                                    Daniel contracenando com a cantora Sandy na TV Globo - Divulgação

CE - O que você aprendeu com a pandemia?
DD -
Não importa a loucura do mundo, das redes sociais ou do que for. O tempo e o espaço interiores são fundamentais e tenho que dar diariamente espaço e tempo pra florescer a criatividade e a calma vitais pra levar uma vida melhor.

CE - Galã é pra sempre galã? Qual seu ritual pra cuidar da beleza e do corpo?
DD -
O corpo é uma máquina sensacional. Não fumo, odeio cigarro. Não bebo. Gosto de comer bem e me dou direito de comer o que dá vontade. O segredo é a quantidade. Não dá pra comer TODO DIA porcaria né?! E exercício é vida! Respirar mais e melhor. Meditar. Adoro correr e sei a importância de manter a musculatura forte pra dar conta das exigências do canto, do teatro e do palco. Ao menos quatro vezes por semana treino com aulas de canto e os ensaios são diários.

CE - O eterno namorado da Sandy faria uma nova versão da série que te revelou pro mundo?
DD - 
É claro que sim. Seria surreal, né?

CE - Festa Ploc é uma revolução mundial na verdade porque já mexeu anos com milhares de pessoas pelo mundo. Quando começou seu encantamento por isso?
DD - 
Com certeza. Eu não sabia que gostava tanto até meu empresário me apresentar pro antigo sócio dele, pra gente armar algo juntos. Esse cara é o Luciano Vianna e desde o início me desafiou a fazer projetos bacanas. Primeiro foi “Daniel Del Sarto canta novelas” que fizemos no Teatro Rival, no Rio, e também no Circo Voador. E no ano passado, veio o desafio de estelar um musical sobre os anos 80. Fiquei 3 meses pesquisando, mergulhado nessa época de outro e acabei encontrando ali muitas partes minhas, influências e estórias divertidas que trouxemos pra peça. Desde a estreia eu entendi que não fico mais sem viajar no tempo - e sem levar uma galera comigo pra curtir.

Daniel com a esposa Hazel Fischdick e a filha Alice - Divulgação

CE - O que mudou nas produções de TV de hoje comparado ao que se fazia anos atrás na sua opinião?
DD -
Acho que a TV perdeu muito espaço e grana por conta do streaming e tenta sobreviver.

CE - Você prefere teatro, TV, show ou dinheiro no bolso?
DD - 
Sempre avaliei seguindo um tripé de valores que vou explicar como é: em primeiro lugar analiso o valor artístico pra mim, relacionado ao trabalho em questão leia-se “o prazer que me dá”. Em segundo plano avalio como o trabalho em questão contribui pra minha construção de carreira. Depois vem o quanto ele paga. O ideal de somar os três pontos é difícil, tendo dois confirmados, é sucesso. E claro, se pagar muiiiiito bem, podemos usar a receita pra produzir algo que atenda aos outros pontos do tripé de valores.

No palco com sua peça em SP - Divulgação

Moda Correio B+

Entre Costuras & Cultura: As redes sociais estão deixando todo mundo igual?

Nunca tivemos tanto acesso à informação e, paradoxalmente, nunca parecemos tão semelhantes.

09/08/2026 15h00

Entre Costuras & Cultura: As redes sociais estão deixando todo mundo igual?

Entre Costuras & Cultura: As redes sociais estão deixando todo mundo igual? Foto: Divulgação

Continue Lendo...

Basta abrir o Instagram ou o TikTok para perceber um fenômeno curioso: pessoas que vivem em cidades, países e culturas completamente diferentes parecem vestir exatamente as mesmas roupas. A mesma calça, o mesmo tênis, a mesma bolsa, a mesma paleta de cores e até a mesma forma de posar para uma foto.

Nunca tivemos tanto acesso à informação e, paradoxalmente, nunca parecemos tão parecidos.

Os algoritmos têm um papel importante nesse processo. Eles entendem aquilo que chama nossa atenção e passam a entregar, repetidamente, versões muito semelhantes do mesmo conteúdo.

Aos poucos, deixamos de descobrir referências diversas e passamos a consumir uma estética padronizada, que acaba sendo reproduzida por milhões de pessoas ao redor do mundo.

Não há nada de errado em buscar inspiração. A moda sempre foi construída a partir de influências. O problema surge quando a inspiração substitui a identidade.

É comum encontrar pessoas que compram roupas porque “todo mundo está usando”, sem se perguntar se aquela peça realmente conversa com sua personalidade, seu estilo de vida ou seus valores. O guarda-roupa fica cheio, mas a sensação de não ter o que vestir continua.

É justamente nesse ponto que a consultoria de imagem faz diferença.

Ao contrário do que muitos imaginam, ela não existe para criar um estilo novo, muito menos para transformar alguém em uma cópia de uma tendência. Seu papel é ajudar cada pessoa a reconhecer quem é, compreender a mensagem que deseja transmitir e traduzir isso por meio da imagem.

Quando conhecemos nosso estilo, fazer escolhas fica mais simples. Compramos com mais consciência, consumimos menos por impulso e construímos um guarda-roupa que faz sentido para a nossa rotina e para a nossa essência.

Ser autêntico também significa respeitar aquilo que faz parte da sua história. A cultura em que você cresceu, sua profissão, seus objetivos, seu momento de vida e até suas preferências pessoais contam uma história que nenhuma tendência consegue reproduzir.

Provavelmente o maior luxo dos nossos tempos não seja vestir o que está em alta, mas ter clareza suficiente para escolher aquilo que realmente nos representa.

Porque tendências passam. Algoritmos mudam. Mas uma imagem construída com autenticidade permanece.

A seguir, 5 dicas para manter sua autenticidade em tempos de algoritmos

1. Inspire-se, mas não copie

Salvar referências é ótimo. Antes de comprar ou reproduzir um look, pergunte-se: eu realmente usaria isso ou estou apenas seguindo uma tendência?

2. Conheça o seu estilo

Seu estilo deve refletir sua personalidade, rotina, objetivos e valores. Quando você sabe quem é, as escolhas se tornam mais conscientes e naturais.

3. Faça compras com intenção

Antes de adquirir uma peça, pense se ela combina com o que você já possui e se faz sentido para sua vida. Um guarda-roupa coerente vale mais do que um armário cheio de tendências passageiras.

4. Valorize o que faz você único

Sua história, profissão, cultura, biotipo e preferências são parte da sua identidade. A moda deve evidenciar essas características, e não escondê-las atrás de uma estética padronizada.

5. Busque orientação profissional

A consultoria de imagem não existe para dizer o que você deve vestir, mas para ajudá-lo a descobrir como traduzir sua essência por meio da imagem. Quando a aparência comunica quem você realmente é, vestir-se deixa de ser uma obrigação e passa a ser uma forma autêntica de expressão.

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com o ator Gabriel Chadan destaque no elenco de 'Fúria' na Netflix

"Está sendo maravilhoso. A comunidade das artes marciais também está se sentindo bem representada. Fúria, da Netflix está demais"

09/08/2026 13h00

Entrevista exclusiva com o ator Gabriel Chadan destaque no elenco de 'Fúria' na Netflix

Entrevista exclusiva com o ator Gabriel Chadan destaque no elenco de 'Fúria' na Netflix Foto: Divulgação

Continue Lendo...

O ator Gabriel Chadan atualmente integra o elenco de Fúria, série que estreou na Netflix em 29 de julho, na qual interpreta Tanque, campeão de MMA e parceiro de Malamute, personagem vivido por MC Cabelinho.

Até o fim de 2026, o ator também estreia na superprodução Ben-Hur, que será lançada pelo Disney+ e pelo Univer Vídeo. Ao mesmo tempo, Chadan está no ar na reprise de Avenida Brasil, da TV Globo, e também pode ser visto em Juacas, produção original da Disney que passou a integrar o catálogo da Netflix em junho.

Ao longo da carreira, o ator já soma em seu currículo produções como Malhação, Amor à Vida, Liberdade, Liberdade, A Lei do Amor e DNA do Crime, além de projetos para diferentes plataformas de streaming.

Paralelamente à atuação, Gabriel também construiu uma carreira na música. Ex-vocalista da banda Fulanos e Ciclanos, hoje atua como diretor artístico e produtor musical, assinando conceitos criativos, shows, videoclipes e projetos de identidade artística para artistas como Terra Blanco, Ney Matogrosso, Tonny Gordon e Winnit.

Além da música, outro aspecto importante em sua vida é a relação com o esporte. Desde a infância, sonhava em ser jogador de futebol. Hoje, o ator mantém uma rotina de treinamento físico que ajuda na preparação de seus personagens, como foi o caso de Tanque, da série Fúria.

Fora dos estúdios, o ator também vive um papel que considera transformador: o de pai. A paternidade trouxe uma nova perspectiva sobre carreira, propósito e equilíbrio entre vida pessoal e profissional, tornando-se uma dimensão importante de sua identidade e da forma como enxerga a arte, o trabalho e o futuro.

Hoje, Gabriel Chadan representa uma geração de artistas que não se limita a uma única linguagem. Ele atua, dirige, produz, compõe, cria e desenvolve projetos sempre em busca de narrativas que dialoguem com pessoas reais.

Gabriel é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ele fala sobre carreira, escolhas, personagens e estreias.

Entrevista exclusiva com o ator Gabriel Chadan destaque no elenco de O ator Gabriel Chadan é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Bruno Rangel - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Fúria acaba de estrear na Netflix. Como está sendo para você acompanhar o lançamento da série e ver esse trabalho chegar ao público?
GC - 
Está sendo maravilhoso. A resposta do público tem sido ótima, venho recebendo mensagens de vários lugares do Brasil e do mundo. A comunidade das artes marciais também está se sentindo bem representada.

E é uma satisfação imensa, porque o processo foi muito duro, exigiu muito da gente fisicamente e psicologicamente. E tudo o que a gente faz é para esse momento, para que a obra e essas histórias cheguem às pessoas, emocionem, contem histórias e abram questões. Fúria, da Netflix, tá demais.

CE - Em Fúria, você interpreta Tanque, um lutador de MMA e parceiro de Malamute, personagem vivido por MC Cabelinho. O que mais chamou sua atenção nesse personagem quando recebeu o convite para integrar o elenco da série?
GC -
 Primeiro, o nível técnico, profissional e físico que ele tem enquanto atleta. Por ele ser um campeão de MMA, que representa a maior academia do Brasil na série, eu já entendi que esse cara era um super lutador, uma máquina, um tanque.

Então, o meu primeiro foco, no início das preparações, foi chegar nesse momento, nesse corpo, nessa habilidade, principalmente porque a luta do Tanque e do Malamute é a primeira luta da série.

Então, tinha uma importância muito grande. A partir daí, fui entendendo o personagem e decupando essa história interna, as emoções e as nuances que ele poderia ter durante a história toda.

CE - Interpretar um lutador de MMA deve ter exigido uma preparação física intensa. Como foi esse processo e quais foram os maiores desafios?
GC -
 Sim, foi uma preparação física muito dura, de segunda a sexta-feira, das nove às seis horas da tarde. Fizemos com a equipe do Piter Lee, americano, que cuidou das coreografias das lutas com os lutadores profissionais e a gente.

Além de todo o trabalho que se fazia fora do ambiente de preparação da série, como treinamentos diários na academia, recuperação e fisioterapia. Então, foram dois meses intensos, com muito trabalho, muita coreografia, muitos detalhes técnicos específicos, muita dor, mas também muito cuidado.
Grandes profissionais, uma estrutura incrível que a Zola e a Netflix forneceram para todos os atores e atletas.

Além de uma equipe multidisciplinar pessoal que eu tenho, com o nutricionista Lucas Souza, que preparou uma alimentação específica para esses meses de trabalho, tanto para aguentar o ritmo dos treinos quanto para chegar à forma estética que o personagem precisou.

Então, foi um trabalho mágico. E o maior desafio era que, no momento em que a câmera me filmasse, o público visse imediatamente um lutador e que, ao ver as cenas de luta, se sentisse emocionado, adrenalizado, como se estivesse assistindo a uma luta real.

E eu recebi diversas mensagens e feedbacks falando: “Ah, mas eu tava torcendo como se fosse uma luta”. Então, acredito que a gente tenha chegado num lugar muito bacana.

CE - Até o fim do ano você também estreia em Ben-Hur, uma superprodução do Disney+ e do Univer Vídeo. As gravações já começaram? O que você pode adiantar sobre o seu personagem?
GC -
 Sim, as gravações já começaram. Produção gigantesca, grandes profissionais da área do cinema e das produções de séries no Brasil, além de um elenco incrível.

Então, o público pode esperar um grande épico, grandes cenas de ação, muita emoção, com essa história que é um dos maiores clássicos da literatura mundial. Eu faço o personagem Romulus. Ele é um tribuno romano que tem uma índole duvidosa e costuma fazer um trabalho que não necessariamente serve aos outros, mas especificamente a si mesmo. Isso é o que eu posso falar agora.

E já garanto para vocês: vai ter muita emoção, muita adrenalina, e eu aposto que esse trabalho vai surpreender todo mundo.

CE - A série será inspirada em um dos maiores clássicos da literatura e do cinema, né? O que esse projeto representa para a sua carreira?
GC -
 Representa um momento muito lindo. Primeiro, porque é meu primeiro trabalho com esse grupo, e estou me sentindo muito feliz, muito bem-quisto e muito realizado artisticamente.

É a maior produção da casa até o momento, um investimento gigantesco, não só de dinheiro, mas de tempo e de pessoas.

E representa um momento muito lindo na minha carreira. 2026 está sendo um ano muito legal. E todo esse momento que eu venho passando na minha carreira tem sido ótimo. E, como ator, poder representar um grande épico, um grande clássico da literatura, é uma honra, um sonho.

Quando a gente começa a fazer teatro, quer fazer os grandes clássicos: Tchekhov, Shakespeare. Então, todas essas obras que fizeram parte da história do mundo, ainda mais numa grande produção como essa, me deixam muito realizado.

Entrevista exclusiva com o ator Gabriel Chadan destaque no elenco de O ator Gabriel Chadan é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Théo Dorè - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Você já passou por novelas, séries e diferentes plataformas de streaming. Como enxerga essa diversidade dentro da construção da carreira?
GC -
 Eu acredito que essa diversidade é um ponto-chave na trajetória de qualquer artista, seja ele da música, das artes plásticas, do teatro, da direção ou de qualquer outro estilo.

E a minha busca sempre foi nesse sentido, de aperfeiçoar cada vez mais todas as ferramentas para que a expressão tenha a liberdade para fluir. Desde que comecei a carreira artística, seja como músico ou como ator especificamente, sempre desejei transitar e ter as formas mais potentes de me comunicar e de contar essas histórias.

Cada uma delas — o teatro, as novelas, as séries, os filmes — tem a sua especificidade, o seu detalhe e a sua forma. E nós, enquanto atores, temos que nos adaptar e entender o que cada linguagem pede para que as histórias sejam contadas da melhor forma possível.

O grande objetivo do que a gente faz é a expressão. Então, isso é algo que eu tenho desde o início. No começo é mais difícil chegar nesse lugar, mas eu venho alimentando e trabalhando isso cada vez mais e vou levar até o final. Seja nas obras das artes cênicas, escrevendo minhas poesias, compondo as minhas canções ou dirigindo outros artistas. É sobre se expressar… A arte é sobre se expressar.

CE - Além da atuação, você também atua como diretor artístico e produtor musical. De que forma a música influencia também no seu trabalho como ator?
GC -
 Tudo que o ator vive, o artista vive. De certa forma, abastece a sua criatividade e o seu trabalho. E poder trabalhar com grandes artistas da música durante os períodos em que eu não estou filmando, além de renovar a minha energia criativa, dar vazão à minha expressividade, faz com que cada artista desses, como Terra Blanco, Ney Matogrosso, WINNIT e Jeff.e, me abasteça de forma muito generosa para que eu saia de cada trabalho mais amadurecido, mais animado, mais reflexivo.

Então, tudo soma, tudo sempre soma. E é algo que eu amo fazer. Eu amo música e amo ajudar os artistas a potencializarem seus talentos.

CE - O esporte sempre fez parte da sua vida e da sua rotina. Como ele contribui para a preparação dos seus personagens até hoje e para a sua vida fora dos estúdios?
GC -
 O esporte sempre fez parte da minha vida. Primeiro com o futebol, brincadeiras de criança, cavalos, subir em árvore. Movimento sempre foi algo fundamental.

Depois que eu cheguei ao Rio, em 2008, comecei a surfar. Na pandemia, encontrei a corrida, que é algo que eu amo. Na realidade, acredito fortemente que o esporte é a base essencial para qualquer sociedade, para qualquer ser humano. Ali você aprende a perder, a lidar com as frustrações, a ganhar e entende que, quando você se dedica a alguma coisa, você melhora.

Eu acredito que a gente é feito de mente, corpo e espírito. Então, a melhor ferramenta para a gente se conectar é o movimento. E isso ajuda muito o nosso psicológico, as nossas relações pessoais e também a nossa relação de trabalho. Indo direto ao ponto em relação ao ator, é fundamental, porque o instrumento de trabalho dele é o corpo, é a voz.

Então, inevitavelmente, você vai ter que trabalhar a favor deles. Ora ficando forte porque você é um atleta, ora ficando mais magro. O corpo está a favor da história. Então, o que o personagem precisar será feito. Eu tenho como inspiração grandes artistas que passaram por grandes transformações, e isso me estimula muito.

CE - Você já afirmou que a paternidade transformou a sua forma de enxergar a carreira e a vida. O que mudou na prática desde que se tornou pai?
GC -
 Sim. Mudou a minha vida completamente para melhor. Na prática, mudou a forma com que eu me relaciono com o tempo, a forma com que eu me relaciono com a vida e a responsabilidade inegociável que eu tenho sobre a educação, a criação e a segurança dessa criança.

E, de formas mais afetivas, mudou também a maneira como eu me tornei mais empático com o mundo. É um amor incondicional indescritível. E eu tenho o privilégio de ser pai de uma menina, a Gaia. Acho que, para um homem, isso é um dos maiores presentes do mundo.

Porque, através das experiências dela e do contato com ela, com a minha companheira, a Terra Blanco, eu vou tendo lições e aprendizados diários sobre a minha masculinidade, sobre como a nossa sociedade é muito mais dura e muito mais difícil para uma mulher. E como essa nossa estrutura naturaliza muito tudo isso.

Então, viver com a Gaia, curtir essas experiências e estar do lado dela me faz crescer como ser humano, como homem, como marido, como pai, como amigo, enfim. E aí, através da minha arte, consigo abrir novos questionamentos, novas informações e reinaugurar, junto com todo um movimento, novas realidades. É um grande presente. Minha filha é o maior presente da minha vida.

CE - O público acompanha um artista que atua, dirige, produz e transita por diferentes áreas criativas. Quais são os próximos desafios e o que você ainda sonha em realizar na carreira?
GC - 
Ah, são muitos, muitos, muitos. Esse ano ainda estou terminando de filmar a série Ben-Hur. Muita expectativa. É uma série que vai ser incrível, um projeto gigantesco, épico, que eu tenho o privilégio de fazer.

E, na sequência, tem alguns projetos da música em que eu venho trabalhando forte, como os novos trabalhos da Terra Blanco. Um pouco mais à frente, quero voltar a lançar músicas e projetos autorais meus novamente. Tenho a banda Fulanos e Ciclanos há 14 anos, mais de 30 faixas lançadas, clipes e participações com grandes artistas.

E, na carreira de ator, eu quero sempre poder contar boas histórias, fazer novos personagens, circular nas melhores produtoras e empresas que rodeiam esse mundo. Então, sonho muito e quero muito. E é um passo atrás do outro.

Esse ano ainda tem muita coisa para acontecer. Tenho grandes novidades para o ano que vem, mas ainda são sigilosos. Então, o que eu posso dizer é: sonhem, sonhem, porque eu estou sonhando muito e estou sonhando alto.

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).