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Day Mesquita: "Estou muito feliz em rever Amor Sem Igual, fui premiada por essa obra"

Capa do Correio B+ desta semana, a atriz fala com exclusividade sobre carreira, família, saúde e também sobre escolhas...

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Day Mesquita, 36 anos, iniciou seu caminho nas artes como bailarina, ela começou a dançar ainda criança. 

Na verdade a dança levou Day ao seu primeiro papel na TV na novela Dance Dance Dance exibida pela TV Bandeirantes.

“A Amanda de Dance Dance Dance foi minha primeira personagem, e desde então não parei mais. 

As personagens e trabalhos seguintes foram acontecendo cada vez de forma mais constante. Sou muito grata a essa personagem e a esse trabalho”, relembra.

Ela está no ar atualmente na reprise de "Jesus", onde interpretou Maria Madalena, o segundo maior papel da trama, personagem que rendeu a ela críticas positivas tanto da especializada como do público.  

“Foi uma experiência incrível e única. Maria Madalena uma personagem riquíssima, as cenas iam de um extremo a outro, e isso era maravilhoso. Ao começar os estudos e me aprofundar na história dela, a admiração cresceu ainda mais”, explica.

No dia 17 de maio, a novela "Amor Sem Igual", protagonizada pela atriz na Rede Record, retornou a grade de programação da emissora e sua  personagem, a Poderosa, rendeu a Day o prêmio de Melhor Atriz no Prêmio onde concorreu com nomes como Glória Pires, Adriana Esteves, Regina Casé e Taís Araújo.

No cinema a atriz interpretou Ester Bezerra, esposa do Bispo Edir Macedo, uma personagem marcante nos filmes “Nada a Perder” 1 e 2, e logo mais vai estrear no streaming em “Tudo de Bom”, onde fará o papel de uma ex-vedete.

Day Mesquita é vegetariana, apaixonada pela profissão e recentemente anunciou sua primeira gravidez.  

“A boa notícia veio antes do que imaginávamos e esse bebê já é muito desejado e amado”, resume.

Capa do Correio B+ desta semana, a atriz fala com exclusividade sobre carreira, família, saúde e também sobre escolhas...

CE - Day, você sempre esteve no mundo das artes... Fez ballet, atuou profissionalmente e estreou na TV em 2005. Como foram esses processos e transição de uma arte para a outra?

DM - Meu primeiro contato com o palco foi no ballet, que me deu também minhas primeiras oportunidades como atriz. 

O primeiro comercial que fiz precisava saber dançar, e minha primeira novela, “Dance Dance Dance” na Band, era uma novela musical, na qual dei a vida a antagonista Amanda, que era uma bailarina clássica e tinha que dançar muito durante toda a história. 

Fora isso, o ballet também me trouxe disciplina e persistência em tentar alcançar um melhor desenvolvimento em movimentos específicos, e isso tudo desde os 7 anos de idade, quando comecei as aulas, e acho que isso também foi muito importante para minha carreira de atriz. 

A vontade de atuar veio desde criança, na adolescência fiz alguns cursos livres, mas fui me profissionalizar mesmo depois que concluí os estudos do colégio. 

Dava aulas de ballet para pagar meus cursos, então foi muito natural a transição e acho que uma coisa ajudou muito a outra.

CE - Você começou no teatro em 2004?

DM - Profissionalmente sim. Fiz alguns cursos livres durante a adolescência, mas fui me profissionalizar e estudar teatro e interpretação em 2004.

 

CE - Você já foi modelo e apresentadora, pensa em voltar?

DM - Ter trabalhado como modelo por um tempo acredito que me ajuda hoje ainda em alguns trabalhos de publicidade que faço. 

Meu foco principal é como atriz, eu amo atuar, poder estudar, me aprofundar e viver histórias de diferentes personagens. 

Trabalhar como apresentadora, apresentar algum programa não é algo que eu tenha como objetivo neste momento, mas não descarto a possibilidade, se houver um projeto bacana, seria um desafio e uma experiência que adoraria ter novamente.

CE - Sua estreia nas novelas foi em DANCE DANCE DANCE na Band?

DM - Sim! Antes da novela eu já trabalhava como atriz, mas fazendo fotos e comerciais. 

A Amanda de Dance Dance Dance foi minha primeira personagem, e desde então não parei mais. 

As personagens e trabalhos seguintes foram acontecendo cada vez de forma mais constante. Sou muito grata a essa personagem e a esse trabalho.

CE - Depois que estreou na TV trilhou um caminho de muitos trabalhos em emissoras diferente, você sente alguma diferença entre elas?

DM - Minha trajetória por todos esses canais foi muito importante na minha carreira. Cada trabalho, cada equipe, e cada emissora tem sua particularidade, seu ritmo. 

A Band foi meu primeiro contato com a TV, eu e mais alguns outros atores estávamos em nosso primeiro trabalho e era uma novela musical, infanto juvenil, era uma delícia fazer! Era tudo muito novo pra mim, mas fui muito feliz naquele trabalho, aprendi demais! 

Fui muito bem amparada, direcionada e recebida por todos, o que tornou um trabalho mais que especial.

O SBT é uma emissora com um ambiente muito familiar, o Del Rangel (mesmo diretor de Dance Dance Dance, na Band) quando foi pra lá levou praticamente a mesma equipe com ele, o que para mim foi ótimo, já que estava encarando o desafio da minha primeira protagonista. 

Já estava muito entrosada com todos e isso me deu um apoio muito grande naquele trabalho.

A primeira passagem pela Globo foi em "Cheias de Charme", uma novela de enorme sucesso na época, e eu entrei ela já tendo estreado há algum tempo. Eu tinha acabado de me mudar para o Rio, e então surgiu essa grande oportunidade. 

Foi uma fase de muitas mudanças que consolidaram muitas coisas na minha vida pessoal e profissional. 

Foi o trabalho de maior visibilidade que eu já tinha feito até então, e estar naquele trabalho foi uma forma de entender que estava sendo bem recebida tanto pela cidade, quanto pelas pessoas do meu meio de trabalho. 

Conheci muita gente e trabalhei com grandes artistas que eu já admirava muito, tanto em Cheias de Charme, quanto em Além do Horizonte, minha segunda novela na Globo. 

Depois veio a Record, que é uma casa que sempre me recebeu de braços abertos, apostou e confiou no meu trabalho me dando grandes oportunidades como a Maria Madalena, em Jesus, e a Poderosa, protagonista de “Amor sem Igual”.

Eu sou muito grata por todo esse caminho que percorri e pelas emissoras que passei.

CE - Como é fazer uma personagem bíblica? E lidar com o sucesso que tem sido essas obras?

DM - É muito bacana, na verdade todas as histórias e conflitos que qualquer personagem passa em qualquer obra, sendo bíblica ou não, são humanas e universais. 

Acho que o principal ao interpretar qualquer uma delas é a verdade e a entrega, o que diferencia um pouco é só a forma, por se tratar de uma época e costumes diferentes. 

E o interessante é poder vivenciar e estudar em uma época bem diferente da nossa. 

É um trabalho de pesquisa e estudo de época também que eu gosto muito de fazer. E o sucesso dessas obras é incrível, ser reconhecida pelo seu trabalho em vários países do mundo é muito gratificante.

CE - Como foi foi pra ela interpretar Maria Madalena, uma personagem tão forte e bíblica...

DM - Foi uma experiência incrível e única. É uma personagem riquíssima, as cenas iam de um extremo a outro, e isso era maravilhoso. 

Mas vai além ainda, por se tratar da história de uma mulher da qual eu já admirava antes de tudo, mas não conhecia tão bem. 

Ao começar os estudos e me aprofundar na história dela, a admiração cresceu ainda mais. 

É uma força feminina que esteve ao lado desse Homem que mudou a história da humanidade. Contar essa história vivendo essa personagem foi maravilhoso.

CE - No cinema você estreou em 2018?  

Como foi interpretar Ester Bezerra? E a preparação?

DM - Isso, minha estreia mesmo foi em 2018 com “Nada a Perder”, na verdade em 2016 o Filme “Os dez mandamentos” ganhou uma versão filme e esta foi a primeira vez em que de fato apareci nas telonas, já que eu fiz a novela, mas considero a minha estreia mesmo com Nada a Perder. 

Sobre a preparação, no começo do processo, pesquisei vídeos e vi alguns filmes como referência, mas a parte de criação e descoberta mesmo foi na preparação através do texto, do que ouvi e do que intuía sobre a personagem. 

Nós fizemos um mergulho nessa história desde as primeiras semanas de preparação e aos poucos, dia a dia, fomos entendendo, construindo e criando a relação e verdade entre os personagens. 

Foi uma experiência incrível ao lado de uma equipe de profissionais renomados do cinema brasileiro. 

Estava com meu parceiro de cena e grande amigo Petrônio Gontijo e sendo dirigida pelo Alexandre Avancini, que me dirigiu em meus primeiros trabalhos na Record!

CE - Dia 17 começou a reprime de Amor Sem Igual, você foi premiada por sua atuação nesta obra né? Conta um pouco pra gente?

DM - Estou super feliz em poder rever esse trabalho que eu tanto amei fazer! A Poderosa foi muito especial para mim! 

E sim, foi uma honra imensa ganhar dois prêmios com esse trabalho e ser indicada para outros. 

O prêmio Área Vip de Melhor personagem e o Prêmio Contigo de melhor atriz, esse último estando ao lado de gigantes, atrizes e mulheres incríveis que tanto admiro e sou fã como Adriana Esteves, Regina Casé e Taís Araújo.

Só de estar ali entre as selecionadas já era um super reconhecimento que só nos dá mais vontade de seguir fazendo o melhor possível, e estudando muito...

Por isso e por tudo mais, a Poderosa foi com certeza um marco na minha carreira! Pelo processo de trabalho, pela leveza das gravações, pela equipe e pelo elenco que fizeram essa novela ser um trabalho muito gostoso de ser feito, mesmo em meio a tantas mudanças por conta da pandemia. Só tenho boas lembranças.

CE - Você vai estrear no streaming como uma ex vedete, como foi a preparação desse personagem e também em 2019 interpretar uma prostituta...

Como é esse processo de construção?

DM - Para fazer a Simone da minissérie “Tudo de Bom” tive uma preparação diferente dos outros trabalhos de novela. 

Tivemos algumas conversas e reuniões online com o Ajax, onde ele ia nos direcionando sobre um caminho para seguirmos nos estudos, mas não fizemos leituras, então o jogo, o ensaio e a troca aconteceu no dia da gravação. 

O Ajax é um diretor que gosta muito de trocar e dirigir o ator, e eu confio muito no trabalho dele, então, foi muito bacana também ter feito esse trabalho de uma maneira diferente da que eu estava habituada, mas com um diretor que sabia que ia trocar e ensaiar com a gente até que a cena ficasse bacana.  

Para a Poderosa, de “Amor sem Igual”, assisti alguns filmes como referência (Uma linda mulher, A proposta e Erin Brockovich), mas muito dela nasceu nas leituras, ensaios e troca com os atores. Fiz aulas de dança e tecido, que a personagem exigia e isso também ajudou muito a trazer o corpo, jeito da personagem.

CE - Um momento emocionante da sua carreira...

DM - Acho que tive alguns momentos emocionantes, como, por exemplo, encontrar e contracenar com atores que eu já admirava e era fã, receber os prêmios pela Poderosa, ter o carinho e reconhecimento do público com as personagens que fiz... 

Esses foram alguns deles, mas falaria de um em especial, bem no comecinho, quando recebi a ligação da Ciça Castello, produtora de elenco, dizendo que eu tinha sido aprovada para a personagem Amanda, de Dance Dance Dance. Foi o começo da minha carreira e a minha primeira grande oportunidade como atriz. Fiquei emocionada e feliz demais.

CE - Gostaria de fazer mais cinema?

DM - Sim. Tive duas grandes oportunidades que foram nos longas “Nada a perder 1 e 2” e amei a experiência. Tenho vontade de fazer mais sim e espero que seja em breve.

 

CE - Day, você é budista?

DM - Não sou budista, mas me identifico em algumas coisas com a filosofia do budismo, como em algumas coisas de outras religiões também, mas não me defino em nenhuma delas.

Tenho fé em Deus, em Jesus. Deus é amor e está dentro de todos nós. 

O amor é, ou pelo menos deveria ser, a base de todas as religiões, então é nisso que acredito.

CE - E se tornar vegetariana, como foi essa decisão? E ser embaixadora SVB?

DM - Sou vegetariana,  só acho justo dizer que é vegano quem realmente come zero derivados. Minha mãe (Regina Mesquita)  é vegetariana há uns 20 anos e acho que, de certa forma, o exemplo dela dentro de casa me fez pensar e buscar saber mais sobre o assunto. 

Certo dia ao comer um hambúrguer, olhei para ele e pensei no como ele chegou ao meu prato, e a partir desse dia decidi que não comeria mais. 

Fui bem radical, pois pra mim, ali parou de fazer sentido me alimentar de carne e frango. 

Já com o peixe meu processo foi gradual, continuei comendo mas repensando e tentando diminuir e cortar em certos momentos, até que há cerca de um ano, da mesma forma, um dia ao comer, a chavinha virou de vez e parei também.

A minha decisão em parar o consumo de carne foi pensando nos animais, pela exploração e morte animal, me sentia sustentando o modo como eles são tratados e mortos, e não fazia sentido para mim manter essa prática, já que o amor e cuidado com os animais sempre foi muito forte em mim.  

Há pouco mais de um ano me tornei uma das embaixadoras do movimento “Segunda Sem Carne"  da Sociedade Vegetariana Brasleira (SBV), a convite da atriz Dani Moreno, minha amiga, que é uma das embaixadoras e uma das grandes vozes de incentivo e apoio ao veganismo e que faz parte também da SVB.

CE - Ser mãe... Sempre quis?

DM- Era algo que eu pensava sim, apenas não tinha muita certeza ainda sobre quando seria o momento ideal, mas acredito que o momento certo acontece quando tem que acontecer, assim como foi agora.

Eu e o Pedro já conversávamos sobre aumentar a família, moramos juntos desde 2019 e temos duas filhas que adotamos, só que até então de quatro patas (risos). 

A boa notícia veio antes do que imaginávamos e esse bebê já é muito desejado e amado.

CE - E você acabou de anunciar que vai ser mamãe?

DM - Foi uma surpresa! Um misto de emoções que nem consigo explicar o que se passou e o que ainda se passa dentro de mim desde que descobri a gravidez.  

É tudo muito novo, muito diferente, estou aos pouquinhos entendendo esse milagre que é essa vida que cresce aqui dentro.  

Sinto que estou gestando um bebê e gestando também essa nova fase minha como mulher, agora mãe, que cresce diariamente em aprendizados e amor.

CE - Como são os seus cuidados com a beleza e o corpo?

DM - Hoje em dia não abro mão dos cuidados com a minha pele pela manhã e à noite. 

Além de não dormir jamais de maquiagem e estar sempre atenta com a quantidade de água que bebo por dia, pois sinto muita diferença na minha pele quando não bebo a quantidade necessária.

Sobre o corpo, eu dancei ballet clássico e jazz praticamente minha vida inteira, desde os 7 anos, então, estar em movimento, fazer uma atividade física, faz parte da minha vida. 

Quando parei de dançar com frequência, que eu amava, comecei a fazer musculação, que por sua vez não era algo que eu amava fazer. 

Essa relação com os exercícios mudou também há relativamente pouco tempo. 

A musculação por exemplo, aprendi a gostar, faço com meu personal Fora isso, gosto também de praticar Muay Thai e Yoga. Nesse momento de gestação passei um tempinho mais parada mas já estou voltando a me movimentar com aulas de musculação, alongamento e yoga.

CE - E a Day em família?

DM - Em família e fora da família sou uma pessoa muito simples. A família é algo muito importante para mim. É minha base, onde recarrego minhas energias e me sinto “em casa”.

 

CE - Day e novos projetos?

DM- Tem a minissérie "Tudo de Bom", que será destinada a uma plataforma de streaming, em que interpreto Simone Mantovani, uma ex-vedete, que começa a trama em busca do divórcio com Tony Mantovani (Alexandre Slaviero), o protagonista da história. 

Além disso, fiz uma participação numa série para o streaming que poderei falar em breve.

 

CE - Um desejo que a Day tem...  

DM - De que esse bebê que estou gerando seja feliz e possa viver em um mundo de mais igualdade e respeito.

 

CE - Uma saudade...  

DM - Do meu pai

 

CE - Uma realização que já aconteceu...  

DM - Todas as minhas conquistas profissionais são grandes realizações para mim das quais sou muito grata.

Comportamento Correio B+

Coluna Desatando Nós: Quando a comida fala o que as palavras não conseguem dizer

No mês da Ação contra os Transtornos Alimentares, campanha que tem como objetivo quebrar preconceitos, informar a população sobre os riscos e promover o tratamento precoce destas condições, a Dra.em psicologia Vanessa Abdo fala sobre o assunto.

07/06/2026 16h00

Coluna Desatando Nós: Quando a comida fala o que as palavras não conseguem dizer

Coluna Desatando Nós: Quando a comida fala o que as palavras não conseguem dizer Foto: Divulgação

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Anorexia, bulimia e compulsão alimentar costumam despertar muitas dúvidas e, infelizmente, muitos julgamentos. Ainda é comum ouvir explicações simplistas, como atribuir esses transtornos à vaidade, à influência das redes sociais ou a um único acontecimento marcante. A realidade, porém, é muito mais complexa.

Os transtornos alimentares não surgem por uma única causa. Não existe uma relação direta de causa e efeito capaz de explicar, sozinha, por que uma pessoa desenvolve anorexia, bulimia ou compulsão alimentar.

O que a ciência tem demonstrado é que esses quadros costumam resultar da soma de diversos fatores de risco, que podem incluir predisposição biológica, características de personalidade, experiências emocionais, ambiente familiar, pressões sociais e culturais relacionadas ao corpo e à aparência.

Isso significa que duas pessoas podem passar pela mesma situação e responder de formas completamente diferentes. É justamente essa complexidade que exige cautela para evitar culpabilizações. Nem famílias são as únicas responsáveis, nem redes sociais explicam tudo, nem a força de vontade resolve o problema.

Ao mesmo tempo em que existem fatores de risco, também existem fatores de proteção. Relações familiares acolhedoras, ambientes em que emoções podem ser expressas sem julgamento, autoestima construída para além da aparência física, senso de pertencimento, desenvolvimento de habilidades emocionais e acesso à informação de qualidade são alguns elementos que contribuem para a saúde mental e para uma relação mais equilibrada com a alimentação e com o próprio corpo.

Outro aspecto fundamental é compreender que transtornos alimentares não são escolhas. São condições de saúde mental que podem trazer graves consequências físicas, emocionais e sociais. Quanto mais cedo forem identificados os sinais de sofrimento, maiores são as possibilidades de recuperação.

Por isso, o tratamento multidisciplinar é tão importante. Psicólogos, psiquiatras, médicos, nutricionistas e outros profissionais atuam de forma complementar, olhando para a pessoa em sua totalidade. Não se trata apenas de mudar comportamentos alimentares, mas de compreender emoções, fortalecer recursos internos e promover saúde de forma integrada.

Vamos desatar esses nós?

@vanessaabdo7

Coluna Desatando Nós: Quando a comida fala o que as palavras não conseguem dizerVanessa Abdo - Dra. em psicologia - Colunista do Correio B+

 

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Como diferentes formas de abuso podem afetar os direitos das mulheres na separação e aposentadoria

Especialistas explicam como a violência psicológica, patrimonial e econômica pode gerar consequências que se estendem por toda a vida da mulher

07/06/2026 14h00

Como diferentes formas de abuso podem afetar os direitos das mulheres na separação e  aposentadoria

Como diferentes formas de abuso podem afetar os direitos das mulheres na separação e aposentadoria Foto: Divulgação

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Quando se fala em violência contra a mulher, a agressão física costuma ser a forma mais visível e discutida. No entanto, muitas mulheres vivenciam diariamente outras formas de violência que, embora menos perceptíveis, podem causar impactos profundos e duradouros.

A violência psicológica, patrimonial e econômica afeta não apenas a autonomia da mulher durante o relacionamento, mas também sua segurança financeira após a separação e sua proteção previdenciária no futuro.

Segundo as advogadas Dra. Élide Sampaio, especialista em Direito das Famílias, e Dra. Natália Donato, especialista em Direito Previdenciário, compreender esses reflexos é fundamental para garantir a proteção integral dos direitos das mulheres.

Quando o cuidado com a família gera dependência financeira

Ainda hoje, é comum que muitas mulheres assumam a maior parte das responsabilidades relacionadas aos filhos, à organização da casa e ao cuidado de familiares. Em diversas situações, elas reduzem sua jornada de trabalho, deixam oportunidades profissionais de lado ou até interrompem suas carreiras para atender às necessidades da família.

Embora essa dedicação seja essencial para o desenvolvimento familiar, ela frequentemente resulta em menor independência financeira e menor participação na construção de patrimônio próprio.

"A divisão desigual das responsabilidades familiares pode gerar consequências importantes quando ocorre a separação. Muitas mulheres contribuíram significativamente para a família por meio do trabalho doméstico e dos cuidados com os filhos, mas chegam ao fim da relação em situação de vulnerabilidade econômica", explica a Dra. Élide Sampaio.

Violência patrimonial e econômica: formas silenciosas de controle

A violência patrimonial e econômica ocorre quando há controle excessivo dos recursos financeiros, impedimento ao exercício profissional, retenção de documentos, ocultação de patrimônio ou qualquer conduta destinada a limitar a autonomia financeira da mulher.

Em muitos casos, a dependência econômica torna-se um dos principais fatores que dificultam o rompimento de relacionamentos abusivos.

"O agressor muitas vezes utiliza o controle financeiro como instrumento de poder, fazendo com que a mulher se sinta incapaz de reconstruir sua vida fora daquela relação", destaca a Dra. Élide Sampaio.

O ordenamento jurídico brasileiro prevê mecanismos de proteção para essas situações, incluindo a correta partilha dos bens adquiridos durante a união e a aplicação das medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha quando caracterizadas formas de violência patrimonial, psicológica ou econômica.

Como diferentes formas de abuso podem afetar os direitos das mulheres na separação e  aposentadoriaDra Élide Sampaio - Espealizada em direito das famílias e sucessões - Foto: Divulgação

A importância dos alimentos na busca pelo equilíbrio financeiro

Além da pensão destinada aos filhos, determinadas situações podem justificar a fixação de alimentos em favor do ex-cônjuge ou ex-companheiro.

Isso ocorre especialmente quando a separação evidencia um desequilíbrio econômico significativo entre as partes, decorrente da divisão de funções estabelecida durante o relacionamento.

"Existem situações em que a mulher dedicou anos ao cuidado da família e, por isso, teve sua capacidade de inserção profissional reduzida. Nesses casos, os alimentos podem exercer importante função de reequilíbrio, permitindo que ela tenha condições de reorganizar sua vida e retomar sua autonomia financeira", esclarece a Dra. Élide Sampaio.

Cada caso deve ser analisado individualmente, observando-se as necessidades de quem pede, as possibilidades de quem paga e as circunstâncias que envolveram a dinâmica familiar.

Os reflexos da maternidade e da dependência financeira na aposentadoria

As consequências da desigualdade vivenciada durante o relacionamento muitas vezes ultrapassam o momento da separação e alcançam a vida previdenciária da mulher.

Segundo a Dra. Natália Donato, a interrupção da atividade profissional para dedicação aos filhos e à família pode resultar em períodos sem contribuição ao INSS, reduzindo o tempo necessário para a aposentadoria e dificultando o acesso a benefícios previdenciários.

"Muitas mulheres chegam à fase de planejamento da aposentadoria com lacunas contributivas importantes porque passaram anos exercendo atividades essenciais dentro do ambiente familiar, mas sem remuneração e sem proteção previdenciária", explica.

Por essa razão, o planejamento previdenciário se torna uma ferramenta fundamental para identificar oportunidades de regularização das contribuições e garantir maior segurança financeira no futuro.

Dona de casa também pode construir proteção previdenciária

Uma informação que ainda é pouco conhecida é que a dona de casa pode contribuir para o INSS como segurada facultativa, mesmo sem exercer atividade remunerada.

Existem modalidades de contribuição acessíveis, inclusive para famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único, permitindo acesso a benefícios previdenciários como aposentadoria, auxílio por incapacidade temporária e salário-maternidade, desde que cumpridos os requisitos legais.

Como diferentes formas de abuso podem afetar os direitos das mulheres na separação e  aposentadoriaDra. Natália Donato - Especializada em direito previdenciário - Foto: Divulgação

Conhecimento e autonomia como formas de proteção

Para as especialistas, o enfrentamento da violência contra a mulher também passa pelo acesso à informação e pelo fortalecimento da autonomia financeira.

"Muitas mulheres desconhecem que situações aparentemente comuns podem configurar violência patrimonial ou econômica. Conhecer os próprios direitos é essencial para romper ciclos de dependência e construir um futuro com mais segurança e liberdade", concluem as advogadas.

A atuação conjunta do Direito das Famílias e do Direito Previdenciário permite uma proteção mais ampla da mulher, oferecendo instrumentos jurídicos capazes de preservar sua dignidade, sua autonomia financeira e sua segurança para o futuro.

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