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"É um pouco como a queda de um avião: não há uma causa única"

de RICARDO LEWANDOWSKI // ministro da Justiça, explicando a fuga de detentos de uma prisão de segurança máxima

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O ministro Carlos Fávaro está levando adiante a ideia que lhe foi apresentada pela Frente Parlamentar da Agricultura e pela influente Aprosoja. Trata-se da proposta que o próprio Ministério da Agricultura atue como mediador junto a grandes tradings para a renegociação de contratos firmados com agricultores. 

MAIS:  ponto mais sensível é o washout. O dispositivo permite a recompra de uma posição de venda a futuro, em razão da impossibilidade de entregar o produto (por conta dos extremos climáticos). Aí, as tradings poderiam cobrar pesadas multas.

O receio do Ministério é que a cobrança dos agricultores provoque um efeito dominó no setor. 

“É um pouco como a queda de um avião: não há uma causa única. Ocorreu numa terça de carnaval para quarta de Cinzas, onde pessoas estavam mais relaxadas”
de RICARDO LEWANDOWSKI // ministro da Justiça, explicando a fuga de detentos de uma prisão de segurança máxima.

Críticas: dane-se

A atriz Paolla de Oliveira, está na capa da revista Claudia onde rebateu algumas críticas sobre seu corpo (e antecipadamente rechaçou um jornalista que com discrição disse que ela estava fora do peso, durante o desfile do Carnaval): “Pensem o que quiserem. Sei que não estou do jeito que as pessoas falam. Me sinto bem, então dane-se”.

Criticada ou não Paolla foi a rainha de bateria mais elogiada e aplaudida do Carnaval deste ano pela escola de samba Grande Rio que ficou em 3º lugar (garantindo-lhe o posto para o ano que vem em nota distribuído pela agremiação). E fez uma revelação: que na infância adorava ver os desfiles pela pequena televisão e sonhava em estar lá (sonho realizado).

De bem com a vida garante que levou um tempo para conquistar sua autoaceitação: “Construí a minha autoestima ao longo do tempo. Agora, eu tenho atitude o suficiente para me priorizar acima das expectativas alheias”. Sobre o envelhecimento foi direta: “Envelhecer faz parte da vida, não há como negar. A única opção para não envelhecer é morrer cedo, e eu não quero. Eu amo a vida”.  

Para recarregar as baterias procura a natureza: “A natureza nos coloca em nossos devidos lugares. Toda vez que passo por algo pesado, seja um trabalho ou algum episódio em meu mundo particular, viajo para locais como Patagônia ou África do Sul”. 

Criando clima conspiratório

A convocação de Jair Bolsonaro para uma mega manifestação no próximo domingo, dia 25, na Avenida Paulista, em São Paulo, para se defender das denúncias que envolvem seu nome na coordenação de um ato golpista, trouxe de volta à cena legiões de seguidores radicais do ex-presidente que já tratam de espalhar desinformação e um clima conspiratório.

Nos últimos dias, 113 canais do Telegram exibiram mensagens de nova guerra: “O Brasil precisa despertar para a batalha! O Brasil vai se levantar!”. Outro aviso promete “paralisação geral” de caminhoneiros, motociclistas e representantes do agronegócio, se Bolsonaro for preso.

Bolsonaro se encanta com essa fidelidade, mas teme que a dose extrapole os limites planejados da manifestação. Contudo, quer uma massa humana superior ao super comício na mesma Paulista às vésperas das eleições de 2022.

Com trio elétrico

O pastor Silas Malafaia participará da manifestação do dia 25 e alugou um trio elétrico, que deverá levar Jair Bolsonaro e outros aliados que repetirão a tese de que “tudo é perseguição”. Caravanas estão sendo montadas em outros estados, eventualmente pagas pelo agronegócio.

Malafaia quer aumentar o mote de concentração: “O ato será pacífico e vamos defender o estado democrático de direito e a liberdade de todo o povo brasileiro. Vai além de Bolsonaro”. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas estará ao lado de Bolsonaro: “Acho que o pessoal está criando muita coisa”. 

Pode ser o último

Na sexta-feira (16) a cantora, atriz e empresária (entre outros atributos) Jeniffer Lopez, 54 anos, lançou o seu nono álbum de estúdio ‘This Is Me... Now’. Seu novo trabalho é parte de um projeto de três partes que documenta sua vida amorosa, o reencontro com o ator Ben Affleck e a busca pelo amor.

O álbum é acompanhado por mais dois componentes; um filme musical baseado em narrativa intitulado ‘This Is Me...Now: A Love Story’ coescrito por Lopez, Affleck, Dave Meyers (que é o diretor do filme) e Chris Shafer.

Além dos visuais de todas as músicas do álbum, o filme é uma narrativa estilizada e ficcional, baseada na vida amorosa do casal e suas provações como uma romântica em série. Em recente entrevista revelou que se sente completa com este projeto e por isso este pode ser seu último disco.

Fase inicial

Sobre a possibilidade de Jair Bolsonaro ser preso no curto prazo, juristas advertem que só poderia acontecer (prisão preventiva) se o ex-presidente começasse a destruir provas, combinar com testemunhas, novos crimes ou tentar fugir, tudo o que Alexandre de Moraes está tentando impedir no Supremo.

O inquérito que atinge Bolsonaro está em fase inicial e se baseia em três crimes do Código Penal: abolição violenta do estado democrático de direito, golpe de Estado e associação criminosa. Golpe de Estado é o crime de punição mais rigorosa (4 a 12 anos) em regime inicial fechado. 

Não vai dar

A cúpula do sindicalismo brasileiro, leia-se a direção da CUT, da CTB e da Força Sindical, quer uma audiência com o presidente Lula. Entre outros assuntos, vai levar o pleito de que o governo quer usar os recursos do FAT para cobrir o déficit da Previdência, prática que começou na gestão de Bolsonaro e tem sido mantida pelo governo petista.

Os sindicalistas já trataram do assunto com Luiz Marinho, ministro do Trabalho, Simone Tebet, do Planejamento e com o próprio Fernando Haddad, da Fazenda, e nada aconteceu. Se conseguirem falar com Lula, a postura não será diferente – pelo menos, por enquanto. 

COM EMPRESÁRIOS

Um áudio obtido pela Polícia Federal no celular de Mauro Cid (ele não será promovido a coronel) revela empresários reunidos com Jair Bolsonaro em novembro de 2022 para “defender uma posição mais radical” diante do resultado das eleições.

Foi enviado ao então comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes e cita “a visita dos empresários Luciano Hang (Havan), Meyer Nigri (Tecnisa), Afrânio Barreira (Coco Bambu) e, possivelmente, Sebastião Bomfim (Centauro). Malgrado desmentidos, eles teriam pressionado, segundo Cid, Bolsonaro para que o Ministério da Defesa fizesse um relatório para “virar o jogo”.

Quem mandou gravar

Nas gravações da reunião de Jair Bolsonaro, ministros e outros participantes, evidenciou-se o caráter amador do encontro. Discutir um golpe até com desavisados na sede do Poder Executivo beira uma comédia de segunda classe.

O ainda presidente e o então ministro da Defesa, Walter Braga Neto, garantiam aos presentes que não estavam sendo gravados – e estavam por determinação de Bolsonaro ao fiel Mauro Cid. Há quem aposte que o organizador da reunião queria prevenir eventuais traições. Hoje, até juristas repetem Eliane Cantanhêde: tudo foi  “um pastelão”.  

CONDENAÇÕES

Das 241 pessoas indiciadas por envolvimento direto nos atos de 8 de janeiro, há um total de 71 condenações até agora. Mensagens, fotos e vídeos publicados nas redes sociais são consideradas provas explicitas produzidas pelos próprios suspeitos.

Dentre as sentenças proferidas, 26 pessoas receberam penas de 16 anos e 6 meses de prisão, enquanto 12 pessoas foram condenadas a cumprir 13 anos e 6 meses de prisão. Além da reclusão, as condenações implicam no pagamento solidário de indenização por danos morais coletivos no valor  mínimo de R$ 30 milhões (a quantia é a mesma para todos).

Novo erro

Mal orientado por Celso Amorim, o presidente Lula cometeu novo erro em seu discurso no Cairo, sobre sua posição no conflito de Gaza, contrariando os próprios egípcios, vítimas de terroristas do Hamas. Diante do ditador Abdul Fatah Al-Sisi afirmou que “o Brasil condenou de forma veemente os atos terroristas”, o que nunca aconteceu.

Não responsabilizou o Hamas pela execução de mais de 1.300 pessoas, incluindo mulheres, crianças e idosos. Para o senador Carlos Vianna (Pode-MG), “é lamentável a falta de conhecimento de Lula”. Ele não sabe que o governo do Egito tem horror ao Hamas e mantém relações com Israel. 

NINGUÉM SABE

Até mesmo entre demais integrantes do grupo que viajou com Lula ao Cairo, ninguém sabe exatamente o que o presidente petista foi fazer lá. Ele não formou entre os países que querem a paz, mas reconhecem o direito de defesa de Israel.

Nos corredores do poder, muitos irônicos dizem que Lula foi ao Egito mostrar as pirâmides para Janja. Na Etiópia, a gastança não foi pequena. Começou com o aluguel de equipamentos de informática por US$ 8,8 mil, dinheiro que é maior do que o aluguel do prédio onde funciona a embaixada brasileira (US$ 8 mil, ou seja R$ 38,7 mil).

MISTURA FINA

A FUGA de dois detentos em Mossoró desaba no colo do novo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que terá de explicar o que aconteceu na Comissão de Segurança Pública da Câmara, dominada pela bancada da bala. Sem experiência em embates, Lewandowski enfrentará por horas um batalhão de deputados bolsonaristas. Em entrevista na semana passada, ele já relatou sua versão quando chamou os fugitivos de “soldados do crime” e usou uma linguagem típica de seus tempos de Supremo. 

O VICE-presidente de Agente Operadora da Caixa deverá ser apenas um rito de passagem para Pedro Ermírio de Almeida Freitas Filho. Nomeado em janeiro, está cotado para concorrer à prefeitura de Aliança em Pernambuco (exigiria sua saída do banco em abril). O PSD quer sua filiação (é o partido de seu tio e atual prefeito de Aliança, Xisto de Freitas Neto); o segundo é do PP de Arthur Lira, padrinho de sua indicação para a Caixa. 

A INTERMINÁEL Transnordestina prossegue à conta-gotas. A concessionária TSLA, leia-se CSN, se comprometeu com o ministro do Transportes, Renan Filho, a entregar em março mais 50 km da ferrovia, entre Iguatu e Acopiara. E também deverá iniciar obras de mais 102 km entre Acopiara e Quixeramobim. Os novos avanços se devem mais à União: há dois meses, a TSLA recebeu financiamento de R$ 811 milhões do Fundo Nacional do Desenvolvimento do Nordeste (FDNE).

A POLÍCIA Civil do Distrito Federal indiciou Jair Renan Bolsonaro, filho do ex-presidente, por falsidade ideológica, uso de documento falso e lavagem de dinheiro. Usou uma empresa chamada RB Eventos e Mídia e levantou três empréstimos no Santander: um de R$ 157 mil, outro de R$ 251 mil e mais um de R$ 291 mil. O banco entrou com ação de cobrança porque nenhum dos empréstimos foi pago. O Ministério Público do DF decidirá se oferece ou não uma denúncia à Justiça. 

In –  Tênis minimalista (cores claras)
Out – Tênis com mix de texturas 

Dança Correio B+

Espetáculo Cinderella, estrelado por Oksana Bondareva e Leonardo Di Checchi, chega a São Paulo

Superprodução europeia de balé clássico passará por 18 cidades brasileiras e promete encantar público de todas as idades

19/09/2026 17h30

Espetáculo Cinderella, estrelado por Oksana Bondareva e Leonardo Di Checchi, chega a São Paulo

Espetáculo Cinderella, estrelado por Oksana Bondareva e Leonardo Di Checchi, chega a São Paulo Foto: Andrey Lyapin

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Em outubro, a magia de Cinderella chegará a São Paulo, com uma montagem inédita da The Moscow Ballet. A grandiosa produção será estrelada por dois nomes consagrados da cena internacional: Oksana Bondareva, solista do lendário Teatro Mariinsky e reconhecida por sua expressividade e presença magnética no palco, e o italiano Leonardo de Checchi, aplaudido por sua técnica refinada e pelas conquistas em competições de prestígio mundial.

Ambos foram laureados com o Capri Danza International 2025, um dos prêmios mais respeitados da dança europeia, e chegam ao País para encantar o público ao lado de um elenco de 18 grandes bailarinos russos e italianos. As apresentações serão nos dias 06 e 07, às 20h, no Teatro Bradesco.

Com figurinos luxuosos, cenários encantadores e coreografias de alto nível técnico e artístico, Cinderella apresenta ao público um universo mágico. Além da delicadeza e do virtuosismo da dança, a plateia se surpreenderá com a atuação cênica dos bailarinos.

“Criamos esta montagem levando em consideração as habilidades e características dos nossos artistas. Conseguimos revelar a individualidade de cada bailarino, mostrando, em alguns momentos, a técnica de balé e, em outros, o talento para a atuação.

O espetáculo é muito teatral, com muitos momentos divertidos e emocionantes. Também existe uma história de amor — a verdadeira história de Cinderella e do príncipe”, conta Oksana Bondareva, que também assina a direção artística do espetáculo, junto a Andrey Lyapin.

Entre os pontos altos do espetáculo, Oksana Bondareva destaca a cena do baile, que reúne todo o elenco em um dos momentos mais grandiosos da montagem.

A sequência combina dinamismo, humor e emoção e, segundo a bailarina, ganha ainda mais força na transição para a “meia-noite”, quando a passagem do tempo é traduzida de maneira especialmente criativa pelos artistas. O momento em que Cinderella precisa deixar o baile reserva, assim, uma das surpresas cênicas da produção.

Para Oksana, é uma grande oportunidade e sorte poder apresentar Cinderella ao público brasileiro neste mês tão especial. “Queremos que as crianças acreditem nos contos de fadas, no amor e que saibam distinguir o bem do mal. E que vivam sempre com fé em seus corações.

E que, cada pessoa, depois de assistir ao espetáculo, saia do teatro com o coração maior, cheio de amor, alegria e calor humano”, define a bailarina.

Inspirada no clássico conto de Charles Perrault, a produção mantém como trilha sonora a genial música de Sergei Prokofiev, composta especialmente para o balé Cinderella, apresentado pela primeira vez em 1945, no Teatro Bolshoi, com a grande Galina Ulanova no papel da princesa.

A história de Cinderella vem, ao longo dos séculos, despertando fascínio em pessoas de todas as idades. “Todos nós queremos acreditar em contos de fadas, até mesmo os adultos. Todos esperamos da vida uma recompensa por nosso trabalho árduo ou por nossos sofrimentos.

E Cinderella nos permite sonhar com um milagre, em qualquer uma de suas formas. Ela nos dá esperança de que, depois de todo o esforço e trabalho, seremos recompensados com felicidade e amor”, conclui Oksana.

Com produção de alto nível e uma proposta artística sofisticada, Cinderella transporta o público para um mundo encantado inspirado no clássico conto de fadas que atravessa gerações, sendo uma experiência inesquecível para toda a família.

O espetáculo será apresentado, de primeiro de outubro a primeiro de novembro, em: Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, São Paulo, São José dos Campos, Piracicaba, Campinas, Belo Horizonte, Cascavel, Maringá, Chapecó, Jaraguá do Sul, Criciúma, Novo Hamburgo, Passo Fundo, Caxias do Sul, Porto Alegre, Juiz de Fora, Rio de Janeiro.

Serviço:

Cinderella – The Moscow Ballet
Data: 06 e 07/10/2026
Horário: 20h
Local: Teatro Bradesco - Bourbon Shopping Săo Paulo - R. Palestra Itália, 500 - 3° Piso - Perdizes, São Paulo - SP
Classificação Etária: Livre (menores de 16 anos acompanhados dos pais ou responsáveis)
Ingressos: a partir de R$90
Vendas na Uhuu: 
https://uhuu.com/evento/sp/sao-paulo/the-moscow-ballet-cinderella-16670 

Saúde Correio B+

Toda mulher sentir cólica é normal? Até onde essa afirmação é verdadeira?

O cirurgião ginecológico explica quando a dor menstrual merece investigação e por que sintomas persistentes não devem ser normalizados

19/09/2026 16h30

Toda mulher sentir cólica é normal? Até onde essa afirmação é verdadeira?

Toda mulher sentir cólica é normal? Até onde essa afirmação é verdadeira? Foto: Divulgação

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A cólica menstrual faz parte da vida de muitas mulheres. Desde a adolescência é comum ouvir que sentir dor durante a menstruação é normal e que basta aprender a conviver com ela. A intensidade do sintoma e o impacto que ele provoca na rotina podem indicar quando é necessário investigar a causa.

Para o cirurgião ginecológico e pesquisador Dr. Igor Chiminacio a dor menstrual não deve ser analisada apenas pela presença ou ausência de cólica, mas também pela sua intensidade, frequência e pelos efeitos que provoca no cotidiano.

“Nem toda mulher que sente cólica tem endometriose, mas uma dor intensa e recorrente não deve ser simplesmente normalizada. Sentir dor não é normal”, afirma.

Um dos obstáculos para o diagnóstico da endometriose é justamente a naturalização desses sintomas. Chiminacio relata atender pacientes que convivem durante anos com dores antes de descobrir a causa. Em alguns casos, segundo ele, o intervalo entre o surgimento dos sintomas e o diagnóstico chega a oito ou dez anos.

A localização da dor também pode dificultar o reconhecimento da doença. Além da região pélvica, pacientes com endometriose podem apresentar sintomas em áreas como lombar, virilha e pernas. A relação dessas manifestações com o período menstrual pode ser uma informação importante durante a investigação.

“Antes de olhar uma imagem, eu quero entender o que a paciente sente, quando sente e onde dói. Os sintomas podem dar pistas importantes sobre a localização da doença”, explica o médico.

A investigação da endometriose não depende exclusivamente dos exames de imagem. Embora ultrassonografia e ressonância magnética possam ajudar a identificar e localizar a doença, a avaliação clínica também é considerada importante.

A história da paciente, a descrição dos sintomas e o exame físico podem contribuir para levantar hipóteses sobre a localização dos focos e direcionar a investigação. Por isso, um exame sem alterações não deve ser interpretado isoladamente. A avaliação médica precisa considerar o conjunto de informações apresentado pela paciente.

Uma forma diferente de explicar a anatomia da dor

Para explicar por que a endometriose pode provocar dores em diferentes regiões, Dr. Igor Chiminacio desenvolveu o que chama de “Teoria do Polvo”.

A comparação parte da anatomia da pelve feminina. Nela o útero é representado como a cabeça de um polvo, enquanto os tecidos que dão sustentação ao órgão, conhecidos como paramétrios, são comparados aos tentáculos.

A proposta é facilitar a compreensão de como a localização da endometriose pode estar relacionada aos diferentes sintomas apresentados pelas pacientes. Segundo o médico, o comprometimento dessas estruturas pode envolver regiões próximas aos nervos e ajudar a explicar por que a dor nem sempre fica restrita à região pélvica.

O conceito foi apresentado por Dr. Igor Chiminacio no Congresso Global da AAGL, realizado em 2025, em Vancouver, em trabalho publicado no Journal of Minimally Invasive Gynecology.

Quando a cólica merece investigação?

Não existe uma única característica capaz de determinar se uma cólica está dentro do esperado ou se está relacionada à endometriose. A intensidade da dor, sua recorrência e o impacto na rotina são alguns dos aspectos que devem ser considerados.

Quando a mulher deixa de trabalhar, estudar, praticar atividades físicas ou realizar atividades do dia a dia por causa da dor menstrual, o sintoma merece atenção.

A recomendação é procurar avaliação médica diante de dores intensas ou persistentes, especialmente quando elas se repetem ao longo dos ciclos menstruais ou aparecem acompanhadas de outros sintomas.

A principal mensagem, segundo Dr. Igor Chiminacio, é que sentir dor não deve ser automaticamente considerado parte obrigatória da experiência de menstruar. A investigação adequada pode ajudar a diferenciar uma cólica menstrual comum de sintomas que merecem uma avaliação mais aprofundada, incluindo a possibilidade de endometriose.

Mais do que descobrir se toda mulher sente cólica, a questão é entender quando a dor deixa de ser apenas um desconforto menstrual e passa a exigir investigação.

Em tempo: Dr. Igor Chiminacio lança o livro A Endometriose, Deus e as Redes Sociais, obra que reúne experiências de sua trajetória profissional e pessoal, reflexões sobre diagnóstico e tratamento da endometriose, além de discutir o impacto das redes sociais na forma como mulheres acessam informações sobre a doença. Toda a renda obtida com a venda do livro será integralmente destinada ao WHR – Women’s Health Research, para fomentar pesquisas científicas em saúde feminina.

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