Hoje é o Dia Nacional do Livro Infantil e os motivos para se comemorar são muitos. Trata-se de um dos mercados que mais crescem no Brasil e grandes editoras como a Cosac Naify e a Companhia das Letras fazem apostas cada vez maiores no segmento. Em Campo Grande, as editoras também passaram a ver a literatura infantil como uma opção para alavancar vendas. A última edição da Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, promovida pelo Instituto Pró-livro em 2012, apontou a redução do índice de leitura entre crianças e adolescentes de 5 a 17 anos. Entretanto, para a pedagoga e coordenadora de conteúdos da Editora Alvorada, em Campo Grande, Cleomar Pesente afirma que o quadro deve se inventer.
“Imaginamos que esses dados devam ser alterados positivamente. Existem diversas ações que buscam alterar esses dados e promover a leitura entre crianças e adolescentes”, afirma. A editora, por exemplo, tem nos livros infantis seu principal produto. “Trabalhamos com livros técnicos e didáticos, mas o forte são os infantis”, afirma. Entre títulos para crianças e adolescentes, a editora conseguiu lançar alguns de seus trabalhos nacionalmente, como é o caso de “Tosco”, de Gilberto Dari Mattje. A obra apresenta um garoto que enfrenta os problemas do amadurecimento. Escrever para os mais novos, entretanto, não é nada fácil e pode representar grande desafio para os escritores.
Para Valter Jeronymo, que dirige a Life Editora, foi necessário abrir espaço para o gênero em razão da demanda tanto de autores quanto de leitores. Foi criado então o selo Life Kids, que atualmente conta com quatro publicações. “Ainda existe dificuldade para que os livros editados na cidade cheguem às escolas, onde se concentra o público principal. Mas se isso mudar, vamos crescer bastante”.
Para pequenos
Procuradora de Justiça, Ariadne Cantú sempre teve apreço pela arte da escrita. Não à toa, desde 2009, ela já publicou mais de 10 livros. O primeiro foi “Enquanto mamãe não vem”, no qual abordou questões relacionadas à adoção, com linguagem leve e divertida. Outros livros vieram, como “Planeta dos carecas” e “Garatujas”, sua estreia na poesia. “Eu me considero uma pessoa tão feliz por poder escrever para crianças. Elas têm uma perspectiva totalmente mágica e abrangente, uma facilidade que os adultos não têm. Para escrever livros infantis é preciso ter isso em mente”, descreve a autora. Mãe de três filhos, ela tem em casa o laboratório perfeito para experimentar as criações literárias.
Para Lucimar Rosa, especialista em Educação e autora de “Cada um com seu jeito, cada jeito é de um”, o grande desafio na hora de se criar uma história infantil é a linguagem. “Não pode ser infantilizada, mas precisa refletir a maneira como eles pensam”, descreve. Em seu livro, publicado em 2011, a autora aborda questões como o preconceito e a autoaceitação a partir da história de Luanda, uma menina negra. “Eu não fico pregando nada, mas as ações da personagem são marcantes para essa ideia”, pontua.

Alini Mello - Foto: Arquivo Pessoal
Mateus Verdelho - Foto: Lu Prezia


