Amanhã é Dia das Mães, e a bióloga e veterinária Mariana Mirault está ansiosa pelo presente que irá ganhar. “Mas meu filho está me trazendo um desenho todos os dias esta semana”, adianta, orgulhosa. “Na verdade, o presente maior é ver os filhos felizes, incluindo meus filhos cachorros”, ressalta.
Na casa de Mariana, os cachorros fazem parte da família. Ela é mãe da bebê Bia, de cinco meses, do menino Bruno, de cinco anos, e dos cãezinhos Tatu e Tchatcha, ambos sem idade definida. “Eles foram resgatados”, explica.
Muito antes de engravidar pela primeira vez, a bióloga conta que já lidava com as responsabilidades e preocupações típicas da função de ser mãe. “Eu tinha um cachorro, Bob, que não podia ficar sozinho no apartamento, então, eu o levava para casa da minha mãe e o pegava depois do trabalho, igual faço com meu filho hoje”, relata.
Mariana vê muitas similaridades entre ser mãe de uma criança e de um filhote. “A preocupação, responsabilidade, todos os cuidados. E você acorda de manhã preocupada se está tudo bem com aquele ser que te ama”, define.
Só não sabe falar
Se pudesse voltar no tempo, Danielle Leite Lopes teria adotado um cãozinho muito antes de ter sua primeira filha, Alanis. Para Danny, como gosta de ser chamada, cuidar de um animal de estimação é um verdadeiro treinamento intensivo para ser mãe. Na verdade, é praticamente a mesma coisa, ela defende. “Tem que dar atenção, tem que cuidar, é igualzinho uma criança, só que não fala. Se ao menos eu tivesse tido essa responsabilidade antes, tudo teria sido mais fácil”, imagina.
Com dois filhos, Alanis, de 13 anos, e Marcelinho, de 8, Danny finalmente decidiu criar um animal em casa. O sortudo foi o pequeno Slash, um cachorro maltês branco e muito tímido. “Eu o peguei há oito meses, porque meu filho tinha medo de cachorro e eu queria acabar com esse receio”, relata a mãe. “E, também, para dar responsabilidades para eles.”
As responsabilidades realmente surgiram na rotina das crianças. “Eles trocam água, limpam, guardam os brinquedos para o Slash não colocar nada na boca”, conta Danny.
Mas, no fim das contas, todos os membros da família tiveram que mudar de vida pelo caçulinha. E Danny aprendeu a ser mãe pela terceira vez. “Eu não consigo mais sair de casa, acredita?”, comenta. “Fico preocupada de deixar ele sozinho, fico pensando se ele está bem, o que está fazendo.”
“Eu me sinto a mãe de todos! É muito parecido com a criação de um filho. Tem que ter todos os cuidados. Até colocar a coberta em uma noite de frio”
Mariana
Preocupação de mãe
O momento mais decisivo foi quando Slash passou por uma cirurgia de hérnia. “Eu rezei um terço”, revela a mãe. “Ele voltou ofegante, e eu mandava mensagens para a veterinária perguntando o que fazer.”
As horas de agonia remetem a outra luta de Danny. “O Marcelinho nasceu com pé torto congênito”. Os anos de tratamento do filho fizeram com que a mãe criasse um blog para registrar cada vitória (www.marcelopedeanjo.blogspot.com.br).
Quando voltou à clínica para retirar os pontos da cirurgia de Slash, Danny ouviu da veterinária. “Você estava desesperada, hein? O pediatra dos seus filhos deve sofrer.” Ao que Danny responde: “Meus filhos não têm pediatra”. A mãe hoje dá risada da história. “Ou seja, o Slash tinha médico fixo, e meus filhos, não”, afirma, gargalhando.
Meio caminho
Infelizmente, nem todas as mães consideram os membros caninos da família como verdadeiros filhos. Danny recorda uma história que a deixou indignada. “Uma vizinha deixava os cachorros sozinhos em casa, latindo. E ainda dizia que o tratava igual aos filhos! Mas criança não fica sozinha, certo? Aquilo era abandono de incapaz”, conclui, sem mais delongas.
E, para quem ainda tem dúvidas sobre criar um bicho, a mãe de crianças e cachorro dá um último conselho: “Os jovens que moram sozinhos e têm um cachorro já estão com meio caminho andado para quando tiverem um filho.”
Foto: Divulgação
Dra. Celina Frota - Foto: Arquivo Pessoal
Daniela Cachich - Foto: Divulgação


