Correio B

ARTES CÊNICAS

Em espetáculo solo, André Tristão faz da técnica Klauss Vianna pista de sobrevoo poético

Estreia será amanhã, no Armazém Cultural

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Klauss Vianna (1928-1992) marca o pensamento e a prática da dança com uma técnica bastante original, que leva seu nome e, por meio da educação somática, põe foco na pesquisa do movimento a partir da escuta do corpo.

Um mapeamento que permite ao indivíduo observar – e acionar – os direcionamentos ósseos e os vetores de força para potencializar o fluxo do movimento pelo espaço.

Discípulo e entusiasta da técnica Klauss Vianna (TKV), André Tristão costuma recorrer aos ensinamentos preconizados pelo mestre mineiro, permanentemente explorados e desdobrados por uma legião de artistas e educadores, em suas aulas e espetáculos.

Nesta sexta-feira, o ator, professor e diretor teatral estreia uma nova montagem em que, sozinho no palco, conjuga corpo, movimento, presença cênica e espaço público para, sobre as asas da TKV, forjar uma poética em torno da paisagem arquitetônica de Campo Grande.

Trata-se de “Eu Preciso Que Vocês Me Escutem”, que Tristão apresenta no Armazém Cultural, gratuitamente, nos dias 27, 28 e 29 de janeiro e 3, 4 e 5 de fevereiro, sempre às 20h.

Contemplado com recursos financeiros do Programa Municipal de Fomento ao Teatro (Fomteatro/2021), da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Sectur), o projeto, além das apresentações, também oferece oficinas gratuitas sobre a presença cênica em espaços arquitetônicos.

METALINGUAGEM

O espetáculo leva ao palco discussões sobre borramentos das fronteiras as expressões da dança e do teatro, enquanto linguagens artísticas, propondo a ocupação e a interação do fluxo performático com espaços arquitetônicos da Capital.

Tudo isso a partir do estudo da presença cênica e de treinamentos corporais por meio da TKV, que toma a potencialização do corpo cênico como uma de suas referências de abordagem.

Os diálogos corporais são, assim, desenvolvidos com o espaço e a luz com o objetivo de criar diálogos estéticos e dramatúrgicos com a obra em si e seu processo criativo.

“Neste trabalho também vou trazer assuntos sobre vida, morte e metalinguagem”, afirma André Tristão.

O espetáculo solo está sendo produzido desde setembro de 2022 e traz, na direção de movimento, a assinatura da pesquisadora Jussara Miller (SP), um nome angular, entre a docência e a criação, quando o assunto é TKV. Professora da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Dora de Andrade participa da montagem como assistente de Jussara.

“Eu Preciso Que Vocês Me Escutem” conta, ainda, com textos de Giordano Castro (PE), Raquel Naveira (MS) e Ewerton Goulart (MS), provocação de cena de Ligia Prieto (MS), produção audiovisual de Helton Pérez (MS) e produção musical de Julio Queiroz.

VIVÊNCIA

As duas oficinas previstas no projeto serão realizadas neste sábado (28) e no dia 5 de fevereiro (domingo), também no Armazém Cultural, ambas das 9h às 12h. Tristão conta que a proposta é que os participantes “vivenciem a pesquisa” que ele realizou para a criação do novo espetáculo. Ou seja, uma vez mais, uma vivência sobre “o estudo da presença corporal, da presença cênica em espaços arquitetônicos”.

As oficinas são voltadas para a comunidade acadêmica (cursos de Teatro e Dança, Artes Visuais, Audiovisual e Arquitetura e Urbanismo), artistas de dança e de teatro e para a comunidade de deficientes visuais, culminando em dois atos performáticos que serão desenvolvidos no mesmo espaço do Armazém em que o espetáculo será encenado.

As inscrições devem ser realizadas pelo link: forms.gle/yJ7fVGRfLVvHhHfx7. Mais informações pelo endereço: linktr.ee/euprecisoquevocesmeescutem e pelo WhatsApp (67) 99988-1807.

ACESSO TOTAL

As apresentações serão acessíveis para pessoas cegas e surdas. A partir da experiência prévia de Tristão como professor de deficientes visuais e de sua observação acerca da não fluência da comunidade cega com outros tipos de deficiência em atividades artísticas, tanto as apresentações quanto as oficinas e os atos performáticos estão abertos à participação de pessoas com deficiência visual.

Durante as seis sessões da montagem, haverá audiodescrição e interpretação em Libras, recursos que garantem a acessibilidade para pessoas cegas e surdas ao que está sendo apresentado.

PERFIL

André Tristão tem 34 anos e formou-se em teatro pela Universidade Anhembi Morumbi e na técnica Klauss Vianna pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Atualmente, divide suas atividades entre São Paulo e Campo Grande.

Na capital sul-mato-grossense, foi integrante do Teatral Grupo de Risco por oito anos e coordenou o Núcleo Experimental de Teatro da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

No audiovisual, participou de produções em vários formatos, como “Não Eu” e “Madalena” (longa-metragem), “Simão Morto” (websérie), e o curta-metragem “Metástase”, dirigido por Iulik de Farias. Participou recentemente do remake da telenovela “Pantanal”, da Globo. Tristão é brincante de teatro na Casa de Ensaio e ministra oficinas de teatro, dança e educação somática.

Serviço: O espetáculo “Eu Preciso Que Vocês Me Escutem”, encenado por André Tristão, será apresentado gratuitamente nos dias 27, 28 e 29 de janeiro e 3, 4 e 5 de fevereiro, às 20h, no Armazém Cultural (Avenida Calógeras, nº 3.065, Centro). Ingressos: sympla.com.br/evento/eu-preciso-que-voces-me-escutem/1853150. 

Oficinas nos dias 28 de janeiro e 5 de fevereiro, das 9h às 12h, também no Armazém Cultural, com inscrições pelo link forms.gle/yJ7fVGRfLVvHhHfx7. Mais informações em: linktr.ee/euprecisoquevocesmeescutem e pelo WhatsApp (67) 99988-1807.

Saúde Correio B+

Outubro Rosa: 5 situações em que a dor depois da mastectomia merece atenção

Anestesiologista explica sintomas que podem indicar dor crônica pós-cirúrgica e quando buscar avaliação especializada

03/10/2026 17h00

Outubro Rosa: 5 situações em que a dor depois da mastectomia merece atenção

Outubro Rosa: 5 situações em que a dor depois da mastectomia merece atenção Foto: Divulgação

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O tratamento do câncer de mama chega ao fim, mas a dor nem sempre vai embora. A síndrome dolorosa pós-mastectomia costuma se manifestar como queimação, choques, formigamento e alterações na sensibilidade, e atinge uma parcela expressiva das mulheres operadas.

O Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano entre 2026 e 2028, segundo o Instituto Nacional de Câncer e a maioria das pacientes passa por cirurgia.

Uma revisão sistemática publicada em 2025 no Journal of Plastic, Reconstructive & Aesthetic Surgery, que reuniu 91 estudos e 26.132 pacientes, estimou prevalência média de 41,8% de dor crônica após mastectomia e reconstrução mamária.

A causa mais frequentemente identificada é a lesão do nervo intercostobraquial, manipulado no acesso à axila durante a avaliação dos linfonodos, etapa necessária ao tratamento oncológico. A dor pode aparecer horas, semanas ou meses depois do procedimento.

No Outubro Rosa, o alerta também vale para o período após a cirurgia. "A paciente pode acreditar que a dor faz parte do processo e que precisa simplesmente conviver com ela. Mas quando o sintoma persiste ou muda de característica, é importante conversar com o médico, porque existem formas de tratamento", explica o Dr.

Jorge Luiz Andrade, médico anestesiologista, especialista em Dor e vice-presidente executivo da Unimed Nova Iguaçu.

1. A dor continua por mais de três meses

Uma dor que persiste ou retorna por mais de três meses após a cirurgia é considerada crônica e merece avaliação, principalmente quando interfere no sono, na movimentação ou nas atividades do dia a dia.

2. Surge uma sensação de queimação ou ardência

Queimação ou ardência no tórax, na axila ou no braço do lado operado pode estar relacionada a alterações nos nervos envolvidos na cirurgia e deve ser relatada ao médico.

3. A dor parece um choque ou uma fisgada

Sensações semelhantes a choques elétricos, pontadas ou fisgadas são características descritas em quadros de dor neuropática e podem aparecer espontaneamente ou durante determinados movimentos.

4. Um toque leve passa a provocar dor

Quando o contato da roupa ou outro estímulo que normalmente não causaria desconforto passa a provocar dor, pode haver alteração na sensibilidade da região. Formigamento e dormência também são sintomas que merecem atenção.

5. O desconforto começa a limitar a rotina

Evitar movimentar o braço, ter dificuldade para dormir ou deixar de realizar atividades habituais por causa da dor são sinais de que o quadro já está afetando a qualidade de vida e precisa ser investigado. A limitação do movimento, quando se prolonga, pode levar a rigidez de ombro e contribuir para o agravamento do linfedema.

"Descrever a dor ajuda muito na avaliação. Saber onde ela aparece, há quanto tempo, se é uma queimação, um choque ou uma pontada e se existe alteração de sensibilidade são informações importantes para identificar o tipo de dor e definir o tratamento", afirma o especialista.

O cuidado começa antes da cirurgia

A anestesiologia participa do controle da dor antes, durante e depois do procedimento, e diferentes estratégias podem ser utilizadas para melhorar a recuperação. A diretriz de prática clínica publicada em janeiro de 2026 na revista Anesthesiology, da American Society of Anesthesiologists, recomenda fortemente o uso de bloqueios de plano fascial para reduzir a dor e a necessidade de opioides nas primeiras 24 horas após a mastectomia, considerando as características de cada paciente e procedimento.

Para as mulheres que desenvolvem dor persistente, o tratamento é individualizado e pode combinar medicamentos, procedimentos para controle da dor, fisioterapia e reabilitação.

"Dor depois da mastectomia não deve ser normalizada. Se ela persiste, interfere na rotina ou apresenta características diferentes do desconforto esperado no pós-operatório, vale buscar avaliação para entender a causa e tratar", completa o Dr. Jorge.

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com o ator Caio Mutai

Ele vai do vampiro em fábula gótica à circulação internacional de "AYÔ"

03/10/2026 16h30

Caio Mutai vai do vampiro em fábula gótica à circulação internacional de

Caio Mutai vai do vampiro em fábula gótica à circulação internacional de "AYÔ" Foto: Fabio Audi

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Raspar as laterais do cabelo para acrescentar uma camada punkrock a um vampiro foi uma das últimas descobertas de Caio Mutai na construção de Yukun, personagem de “Furnas Fundas: Uma Fábula Gótica Brasileira”. Em cartaz nos cinemas desde 17 de setembro, o longa mostra uma das faces mais transformadas do ator, que, quase simultaneamente, viu outro trabalho atravessar fronteiras: “AYÔ” passou por festivais em Berlim e Nova York, ampliando a circulação internacional da produção.

Os dois projetos colocam Caio diante de registros e experiências bastante diferentes. Se em “Furnas Fundas” a construção de Yukun passou pela busca de um comportamento que transitasse do mais animalesco ao mais humano, além de uma transformação física descoberta também no próprio set, “AYÔ” apresenta outro momento de uma carreira que vem alternando cinema, séries e teatro.

Realizados anteriormente, os trabalhos ainda colocaram o ator diante de uma característica inevitável do audiovisual: o intervalo entre fazer e finalmente ver uma produção chegar ao público.

“Para uma pessoa ansiosa como eu (risos), é bom ocupar a cabeça com novos trabalhos. Acho que o melhor caminho que eu tenho pra poder lidar com essa espera é simplesmente não esperar. Entregar o meu trabalho e esquecer. O restante já não é trabalho meu: como vai lançar, quando, se alguém vai gostar ou não.”

A estratégia, admite, funciona melhor na teoria. “Embora eu acredite em tudo isso aí que falei, funciona mesmo? Mais ou menos (risos). Eu ainda fico extremamente na expectativa e sofro horrores, mas eu juro que tento.”

Em “Furnas Fundas”, Yukun representa uma das imagens mais diferentes que Caio já apresentou ao público. Segundo vilão de sua carreira, o vampiro nasceu de um processo que combinou referências que o ator já carregava, preparação corporal, improvisações e descobertas feitas durante as próprias filmagens.

“O que sempre esteve muito claro no roteiro era a relação dos três vampiros entre si. Como cada um era individualmente, fomos construindo ao longo da preparação. Eu sempre consumi filmes, livros e histórias sobre essa temática. Quando peguei o papel, também reli e revisitei muito material sobre.”

A preparação levou os atores a experimentar extremos antes de encontrar as particularidades de cada personagem.

“Na preparação, fomos de A a Z, do mais animalesco ao mais humano, experimentando no corpo todas as sensações que teríamos no filme, experimentando as cenas em improvisos e descobrindo as particularidades dessas relações e dessas personalidades.”

O ator Caio Mutai é a Capa do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno, ele fala sobre estreias, carreia e planos.

Caio Mutai vai do vampiro em fábula gótica à circulação internacional de "AYÔ"O ator Caio Mutai é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Fabio Audi - Diagramação: Denis Felipe
Por: Flávia Viana

As descobertas continuaram no set, quando figurino, maquiagem, dentes e locação deram outra dimensão aos personagens. Foi também nesse momento que Caio sugeriu uma mudança no visual de Yukun.

“Inclusive visualmente, no primeiro dia de set, onde pude sugerir raspar as laterais do meu cabelo e me deixar com aquele visual punkrock. Yukun ganhou uma outra camada de estranheza.”

A possibilidade de experimentar universos e comportamentos diferentes é um dos aspectos que mais atraem Caio na profissão. Para ele, porém, o desafio não depende necessariamente de o personagem estar muito distante de quem ele é.

“Muitas coisas me divertem nesse ofício, mas acho que depende. Gosto dos desafios. Não posso negar que é realmente divertido poder explorar o que seriam sensações e sentimentos de um vampiro sedento por sangue ou um robô que começa a questionar as próprias diretrizes de sua criação, mas poder explorar os limites de uma psique mais próxima à minha também pode ser extremamente desafiador.”

Enquanto “Furnas Fundas” evidencia essa busca pela transformação, “AYÔ” vive outro tipo de expansão. A passagem por festivais em Berlim e Nova York colocou o projeto diante de novos públicos e profissionais, mas Caio evita transformar essa circulação em previsão sobre os próximos passos da carreira.

“Eu acredito, pautado em experiências próprias, que qualquer trabalho lançado, é trabalho visto. Sempre alguém importante pode te assistir, que vai lembrar de você, que vai te procurar mais pra frente e quem sabe te agraciar com um convite, um teste ou pelo menos uma indicação. Mas não acho que seja mensurável, não.”

A trajetória de Caio também inclui uma atuação pública em torno da representatividade amarela. Ele reconhece que assumir essa discussão pode fazer com que um artista passe a ser procurado repetidamente para falar sobre raça, mesmo quando deseja ser reconhecido por outras dimensões de seu trabalho.

“Com certeza, mas no final das contas penso que vale mais a pena levantar a bandeira do que a inércia. Se eu precisar ser a pessoa que vai ser procurada apenas por isso, sei que a próxima geração talvez não precise. De toda forma, adoraria me aproveitar das batalhas ganhas também.”

O ator afirma já ter enfrentado limitações profissionais relacionadas à sua origem e recorda um episódio ocorrido em 2015, quando havia sido escolhido para seu primeiro papel no audiovisual. O personagem seria um jovem que descobria a paixão pelo balé clássico, mas mudanças posteriores na trama fizeram com que a dança deixasse de fazer parte de sua história. Segundo Caio, ele acabou substituído porque não se encaixaria com os atores escolhidos para viver os pais do personagem.

“Sim, eu perdi meu primeiro papel numa novela exatamente por ser amarelo. E sabe o que é mais interessante? Sei que pelo menos dois personagens foram escolhidos a partir de ‘match’ comigo, mas ninguém foi trocado. Só eu.”

Para 2027, Caio já prepara novos lançamentos no audiovisual e também o retorno aos palcos em uma superprodução de teatro musical, a ser revelada em breve. E, quando pensa nos personagens que ainda gostaria de viver diante das cortinas, e não das câmeras, aparecem nomes como Jean Valjean, de “Les Misérables”, Phantom, de “O Fantasma da Ópera”, e Jesus e Judas, de “Jesus Christ Superstar”.

Já no audiovisual, o ator ainda quer avançar por territórios que experimentou pouco. “Tem muitos gêneros que eu gosto e pude experimentar pouco. Acho que para o cinema/séries eu ainda quero muito poder fazer algum vilão/serial killer/psicótico, como um Hannibal Lecter, Coringa e coisas nesse espectro. Também adoraria explorar mais o território do SCI-FI, Cyberpunk, robôs, IAs, como Blade Runner, THX, Matrix.”

Entre os trabalhos que agora encontram o público e os novos projetos que começam a se desenhar para 2027, Caio prefere não transformar cada lançamento em uma projeção sobre o próximo passo da carreira. “Prefiro celebrar o trabalho já realizado e continuar buscando os próximos. Um bom agente, boas relações e trabalhar bem. Não tem segredo.”

Caio Mutai vai do vampiro em fábula gótica à circulação internacional de "AYÔ"O ator Caio Mutai é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Fabio Audi - Diagramação: Denis Felipe
Por: Flávia Viana

 

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