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Coluna: Entre Costuras e CulTura: O luxo sob nova costura. O desejo, ética e futuro

Em um mundo acelerado, o luxo começa a valorizar o tempo lento.

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Por muito tempo, o luxo foi um território de certezas. Couro exótico, brilho raro, exclusividade quase intocável, símbolos de um imaginário que parecia imune ao tempo. Mas, como toda construção cultural, o luxo também envelhece. E, agora, ele é chamado a se reinventar.

A provocação do filósofo Gilles Lipovetsky ecoa com força: “há uma missão política que o luxo precisa assumir”. Não se trata apenas de estética ou status, mas de responsabilidade. O luxo, que sempre aspirou à eternidade, começa a confrontar uma contradição essencial: não há permanência possível quando os próprios recursos que o sustentam estão em risco.

Um exemplo emblemático é a bolsa de crocodilo. Antes ápice do desejo, hoje carrega um peso simbólico desconfortável. A consciência ambiental deslocou o olhar do consumidor, não basta mais possuir, é preciso saber de onde vem, como foi feito, quem foi impactado. O objeto de luxo deixou de ser apenas objeto: tornou-se narrativa.

Essa mudança não é superficial. Ela redefine o próprio valor. Se antes a raridade bastava, agora ela precisa ser ética. Se antes o acabamento importava, hoje a origem ganha protagonismo.

Nesse cenário, a artesania ressurge com potência não como nostalgia, mas como resposta contemporânea. O feito à mão, o saber transmitido, o tempo investido: tudo isso passa a representar não apenas qualidade, mas verdade.

Há algo de profundamente simbólico nisso. Em um mundo acelerado, o luxo começa a valorizar o tempo lento. Em uma lógica de produção em massa, ele volta a reconhecer o gesto individual. Em meio à artificialidade, busca autenticidade.

Mas não nos enganemos: essa transformação não é apenas espontânea, ela é também pressionada. Consumidores mais informados, crises ambientais visíveis e uma cultura cada vez mais crítica obrigam o setor a se reposicionar. O luxo, que sempre ditou tendências, agora precisa escutar.

Lipovetsky alerta: um luxo que destrói ecossistemas compromete o próprio futuro que pretende habitar. É uma frase que ultrapassa a moda e toca em algo mais amplo, a sustentabilidade como condição de existência, não como diferencial.

Nesse novo cenário, o luxo deixa de ser apenas um marcador social para se tornar um campo de escolhas morais. Comprar passa a ser um ato com implicações culturais, ambientais e políticas.

Talvez estejamos assistindo ao surgimento de um novo tipo de desejo. Um desejo menos ligado à ostentação e mais à coerência. Menos ao excesso e mais ao significado.

Entre costuras e cultura, o luxo segue sendo espelho do seu tempo. E, ao que tudo indica, o tempo agora exige mais do que beleza: exige consciência.

Abaixo darei dicas de como você pode consumir com mais consciência:

  1. Leia a etiqueta (de verdade): vá além do “made in”. Busque informações sobre origem da matéria-prima e cadeia produtiva.
     
  2. Prefira o artesanal: peças feitas por pequenos produtores ou ateliês carregam história, duram mais e têm menor impacto.
     
  3. Questione materiais exóticos: couros raros ou peles exigem atenção redobrada quanto à procedência e sustentabilidade.
     
  4.  Valorize a longevidade: luxo hoje é o que permanece, escolha peças atemporais, reparáveis e de alta durabilidade.
     
  5. Apoie marcas transparentes: empresas que comunicam seus processos tendem a ser mais responsáveis.
     
  6. Considere o second hand: brechós de alto padrão e plataformas de revenda prolongam o ciclo de vida de peças de luxo.
     
  7. Cuide do que já tem: manutenção, reparo e conservação também são atos de consumo consciente.

 

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Coceira, queda de pelo e alergias: veja qual a dieta ideal que ajuda a prevenir problemas em pets

Alterações na pelagem ajudam diagnóstico precoce e podem apenas refletir desequilíbrios internos, muitas vezes ligados à alimentação e ao ambiente

16/05/2026 16h30

Coceira, queda de pelo e alergias: veja qual a dieta ideal que ajuda a prevenir problemas em pets

Coceira, queda de pelo e alergias: veja qual a dieta ideal que ajuda a prevenir problemas em pets Foto: Divulgação

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Sinais como coceira, queda de pelo e alterações na pelagem dos pets, normalmente associados a fatores externos, podem ter origem na dieta. Assim como nos humanos, a qualidade da alimentação interfere diretamente no equilíbrio do organismo dos animais, com reflexos na saúde da pele e, por consequência, dos pelos.

A médica-veterinária Nathália Starek, CEO da Vidaá, primeira marca de skincare para animais do Brasil, reforça ao B+ que os tutores precisam ficar atentos a possíveis alterações.

"O primeiro sinal costuma ser a opacidade dos pelos, que ficam mais ressecados, sem brilho, porque os nutrientes não estão chegando adequadamente até a raiz. Quando a gente começa a ver no físico, é porque o organismo já está desregulado há algum tempo", explica.

As variações na textura ou na cor dos fios costumam anteceder quadros mais evidentes, como falhas na pelagem ou queda excessiva.

Chamada de atopia, a condição é comum principalmente em cães e pode ser agravada por ingredientes mais alergênicos presentes em algumas rações ou até mesmo alimentos utilizados na alimentação natural. 

Por isso, a escolha dos alimentos deve considerar não apenas o preço ou a aparência da embalagem, mas principalmente a composição nutricional, e, quando desenvolvida uma alimentação natural, sempre lembrar da necessidade do veterinário estipular a dieta mediante as necessidades de cada paciente.

"É um problema que vai muito além da estética. Às vezes, o tutor associa a coceira a uma questão ambiental ou de higiene, mas a alimentação também é um dos gatilhos que afetam o estado alérgico dos pets. Por isso, é essencial manter uma rotina diária de cuidado com a pele dos animais e, em qualquer sinal de alteração, consultar um médico-veterinário", aponta Nathália.

Como escolher?

  1. Não existe uma regra para escolher entre alimentação natural e as rações comerciais: a definição de qual é ideal depende de uma avaliação individualizada do animal e também disponibilidade de cada tutor.

    "Existe uma tendência de os tutores quererem preparar a alimentação por conta própria, mas isso pode gerar desequilíbrios importantes. A orientação profissional é essencial", destaca.
     
  2. No caso das rações, opções com menor potencial alergênico e composição mais equilibrada tendem a ser mais indicadas.

    Proteínas como peixe, por exemplo, costumam ser mais leves e melhor toleradas por animais com predisposição a alergias. Além disso, itens complementares podem auxiliar na reposição de nutrientes essenciais.
     
  3. Produtos que combinam ácidos graxos essenciais, como EPA e DHA, e ingredientes de origem natural, como própolis, chlorella e spirulina, são associados ao bem-estar geral dos animais. Seus benefícios incluem o suporte ao funcionamento intestinal e à adaptação a situações de estresse, fatores que, indiretamente, impactam a saúde dermatológica.
     
  4. Além deles, ingredientes com função prebiótica, como MOS e FOS, aliados a proteínas de alta digestibilidade e nutrientes como ômega-3, ômega-6, vitamina E e biotina, têm sido utilizados para melhorar a absorção de nutrientes.

    "O foco não é excesso de suplementação, mas equilíbrio. Quando a dieta está ajustada, não há necessidade de sobrecarregar o organismo com nutrientes em excesso", explica Nathália.
     
  5. Por fim, Nathália destaca a necessidade de uma abordagem integrada no cuidado com os pets, envolvendo alimentação, ambiente, fatores emocionais e produtos de higiene. "Tudo importa. Não existe uma única causa. É um sistema", resume a médica-veterinária.

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Imposto de Renda 2026: confira como evitar erros na declaração

O especialista em tributação, Fabrício Tonegutti, elenca dicas valiosos para declarar corretamente

16/05/2026 14h30

Imposto de Renda 2026: confira como evitar erros na declaração

Imposto de Renda 2026: confira como evitar erros na declaração Foto: Divulgação

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A Receita Federal já recebeu mais de 16 milhões de declarações do Imposto de Renda 2026. Até o último domingo, dia 26, 16.093.257 declarações tinham sido enviadas. Do total de declarações enviadas, 60,2% utilizaram a opção pré-preenchida.

O prazo de entrega da declaração começou no dia 23 de março, e terminará em 29 de maio. A expectativa é de que 44 milhões de declarações sejam entregues até o final do prazo. Segundo o especialista em direito tributário pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Fabrício Tonegutti, a declaração pré-preenchida avançou bastante nos últimos anos, mas faz um alerta.

"Segundo a própria Receita, 60,5% das declarações entregues até 14 de abril foram pré-preenchidas. Isso ajuda muito. Mas aqui entra a complicação da história: pré-preenchida não é declaração automática. Ela reduz erro, mas não elimina erro.

Porque os dados vêm de terceiros. Então, se a empresa, o banco, o médico ou a fonte pagadora informaram algo errado, ou se o contribuinte não confere, o problema continua existindo", pontua o diretor da Mix Fiscal, empresa com 20 anos de experiência em inteligência tributária para o varejo.

A Receita tem esse ranking, e ele é muito útil porque mostra que a malha fina, na maior parte das vezes, não nasce de fraude mirabolante. Ela nasce de erro comum. Os quatro principais motivos oficiais de retenção são: despesas médicas, com 32,6%; omissão de rendimentos, com 30,8%; outras deduções, com 16%; e diferença no imposto retido na fonte, com 15,1%.

O especialista explica porque as despesas médicas tendem dar alteração no Imposto de Renda.

"Porque é uma área em que o contribuinte costuma errar muito no detalhe. Lança valor errado, informa uma despesa que não é dedutível, inclui algo sem comprovante suficiente ou se esquece de descontar o reembolso do plano. E saúde pesa muito porque é uma dedução sensível para a Receita. É a despesa que pode gerar o maior impacto na dedução do imposto a pagar! Então, as pessoas tendem a lançar tudo, mas tem despesa que não é dedutível! Por exemplo, gastos com vacina, nutricionista, enfermeiro, etc, são até gastos com saúde, mas não são dedutíveis do imposto de renda! O jeito de evitar é simples na teoria, mas exige disciplina: declarar só o que foi efetivamente pago, conferir recibo por recibo e não confiar cegamente no que já veio carregado no sistema", resalta Tonegutti.

Já sobre a omissão de rendimentos, Fabrício avisa:

"aqui mora uma armadilha clássica: a pessoa lembra do emprego principal, mas esquece outra renda. Pode ser aluguel, estágio, aposentadoria, um freela, uma pensão, uma aplicação, ou até o rendimento do dependente. E esse detalhe do dependente é decisivo: se ele entra na declaração, os rendimentos dele entram junto também. É muito comum quem comprou e vendeu ações ou Fundos de Investimento Imobiliários terem problema por não declarar a renda que teve com essas operações!", pontua.

O diretor da Mix Fiscal esclarece o que entra na categoria ‘outras deduções’. "Entra um conjunto de tropeços muito comuns: dependente declarado em lugar errado, gasto com educação fora da regra, pensão alimentícia preenchida incorretamente, dedução sem documento e até escolha errada entre desconto simplificado e deduções legais.

Muita gente tenta “montar” a declaração achando que vai pagar menos, quando o melhor caminho é usar o sistema a seu favor. O programa compara os modelos e mostra qual é o mais vantajoso", esclarece.

Tonegutti, ainda, elenca cinco dicas rápidas para o cidadão declarar melhor e fugir da malha fina:

1.    Use a pré-preenchida, mas confira tudo.

2.    Reúna todos os informes antes de transmitir.

3.     Revise com muita atenção despesas médicas e rendimentos de dependentes, e consulte o Manual do Meu Imposto de Renda, disponibilizado pela Receita Federal na Internet.

4.    Compare o simplificado com as deduções legais antes de enviar.

5.     Se surgir pendência, cheque antes de sair retificando.

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