Lenço amarrado na cabeça, vestido estampado, saia fluida, bolsa de palha, sandália confortável, óculos grandes, joias douradas e aquela aparência de quem não precisou pensar demais para estar elegante.
Tenho passado este verão na Itália e, provavelmente por estar observando tudo de perto, comecei a reparar em uma cena curiosa: enquanto caminho pelas cidades italianas, vejo nas redes sociais mulheres do mundo inteiro tentando reproduzir um estilo que, por aqui, sempre fez parte da vida cotidiana.
De repente, todo mundo parece querer se vestir como uma nonna italiana.
A tendência ganhou até nome: nonnamaxxing. Depois do quiet luxury, do clean girl, do old money e de tantas outras estéticas que nasceram, ou renasceram, agora são as avós italianas que viraram referência de estilo.
A Glamour destacou o fenômeno entre a geração Z, com referências que vão dos lenços e estampas retrô às joias douradas e peças com aparência de terem atravessado gerações. A Vogue Italia também já colocou o guarda-roupa da nonna sob os holofotes neste verão.
E observar esse movimento daqui da Itália torna tudo ainda mais interessante para mim. Tenho notado, neste verão europeu, que muitos dos elementos que aparecem nas redes sociais como uma nova tendência continuam fazendo parte da vida real das mulheres italianas, especialmente das gerações mais velhas.
O lenço, o vestido leve, a sandália confortável, a bolsa usada por anos, a joia que parece nunca sair do corpo. Aqui, porém, não há necessariamente uma intenção de construir uma estética, ou seja, a verdadeira nonna não está tentando parecer uma nonna. Ela simplesmente se veste de acordo com a própria vida.
São mulheres que, muitas vezes, repetem as mesmas joias durante décadas, conhecem perfeitamente aquilo que lhes cai bem, compram menos do que as gerações seguintes aprenderam a comprar e não sentem necessidade de reconstruir a própria identidade a cada estação.
Existe também uma relação diferente com os objetos. Uma bolsa pode durar muitos anos, uma toalha bordada continua sendo colocada sobre a mesa, uma receita passa de mãe para filha. Uma joia carrega uma história, um vestido pode voltar a aparecer verão após verão.
Vivemos uma época em que somos incentivados a mudar constantemente. Compramos para acompanhar tendências, reorganizamos o armário, mudamos a decoração e, pouco depois, somos apresentados a uma nova versão daquilo que deveríamos desejar.
A nonna representa quase o contrário disso: ela representa permanência, tanto da roupa quanto do estilo de vida.
O fenômeno já ultrapassou a moda, o Washington Post abordou recentemente o chamado nonna-maxxing como uma busca também por um estilo de vida inspirado nas avós italianas: cozinhar em casa, caminhar, cultivar relações, aproveitar melhor aquilo que se tem e desacelerar.
Entre Costuras & CuLtura: Você conhece o estilo nonnamaxxing? - DivulgaçãoAté o envelhecimento entra nessa conversa.
Depois de anos em que juventude parecia ser praticamente uma exigência estética, é interessante observar mulheres mais velhas se transformando em referência para uma geração muito mais jovem.
Estando aqui neste verão, vendo diferentes gerações ocuparem as mesmas ruas, praças, praias e cafés, essa mudança me parece ainda mais evidente.
Não significa que deixamos de desejar o novo. Mas começamos, a perceber novamente o charme daquilo que tem história.
E é aí que essa tendência encontra algo em que acredito profundamente como consultora de imagem: estilo pessoal não deveria ser uma fantasia que vestimos até a próxima tendência nos apresentar outra.
Ele é construído lentamente: pelas experiências que vivemos, pelos lugares por onde passamos, pelo nosso corpo, pela nossa rotina, pelos nossos valores e até pelas peças às quais criamos afeto.
Quando sabemos quem somos, uma tendência pode entrar no nosso guarda-roupa sem tomar conta dele. Podemos usar o lenço da nonna, a sandália confortável ou a bolsa de palha sem precisar nos transformar em personagem.
5 dicas para trazer o espírito da nonna para o seu estilo
1. Procure primeiro no seu próprio armário
Antes de comprar a “peça da tendência”, veja o que você já tem. Um lenço antigo, uma bolsa de couro, uma saia estampada ou uma joia esquecida podem ganhar uma nova leitura. O espírito nonna tem muito mais a ver com aproveitar bem do que acumular.
2. Resgate peças com história
Pergunte à sua mãe ou à sua avó se existe uma joia, bolsa, lenço ou peça de roupa guardada. Além de trazer personalidade ao look, dificilmente alguém terá exatamente a mesma peça que você.
3. Prefira materiais que envelhecem bem
Linho, algodão, couro, seda e bons tricôs tendem a ganhar beleza com o uso quando bem cuidados. Mais importante do que comprar muito é aprender a reconhecer qualidade.
4. Repita sem medo
Uma mulher elegante não precisa parecer diferente todos os dias. Encontrou um modelo de vestido, um tipo de brinco ou uma combinação que funciona para você? Repita. A repetição também constrói identidade visual.
5. Inspire-se na tendência, mas não se fantasie dela
Você não precisa sair de casa parecendo personagem de um verão na Sicília. Escolha um elemento que converse com a sua personalidade e misture-o ao que você já usa. Tendência funciona melhor quando passa pelo filtro do estilo pessoal.
No fim, a verdadeira elegância não está em acompanhar todas as tendências, mas em chegar a um ponto em que você já não precisa delas para saber quem é.
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Foto: Pexels
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