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Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com a jornalista e apresentadora do programa MULHERES Gloria Vanique

"Fazer parte desse novo momento da Gazeta para mim é mais um marco na minha carreira, na minha história. Estar aqui tem sido um privilégio, com uma equipe incrível. Um momento de grande valia dentro da minha carreira".

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Com quase três décadas dedicadas à comunicação, Glória Vanique conhece como poucos os bastidores e os desafios da televisão brasileira. Jornalista, apresentadora e palestrante, ela construiu uma carreira marcada pela informação, pela credibilidade e pela proximidade com o público, passando por importantes emissoras e coberturas ao longo de sua trajetória.

Agora, à frente do tradicional Mulheres, da TV Gazeta, Glória inaugura um novo capítulo profissional, transitando do jornalismo para o entretenimento sem deixar de lado a essência que sempre guiou seu trabalho: a comunicação feita com escuta, sensibilidade e propósito.

"Estou muito feliz. A equipe é gostosa de trabalhar, a direção… Nossa, eu tô amando, amando! E eles me deram muita liberdade para criar e para fazer do jeito que eu queria pensar em fazer. Foi muito bom. É muito bom", diz Gloria sobre sua nova fase.

A nova fase também revela outras facetas da apresentadora, que leva para a televisão sua experiência como comunicadora, mentora e palestrante, além de um lado artístico e descontraído que nem sempre esteve sob os holofotes. É nessa mistura de experiência e novidade que ela escreve o próximo capítulo de uma história que continua em movimento.

O Correio B+ acompanhou a jornalista Gloria Vanique com exclusividade na TV Gazeta em São Paulo, e conversou com a apresentadora sobre carreira, família e sua nova fase à frente do tradicional programa MULHERES.

A jornalista e apresentadora Gloria Vanique é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Gabriel Pereira/TV Gazeta com exclusividade para o Correio do Estado - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Glória, porque você escolheu a comunicação?
GV -
 Porque eu sempre fui da comunicação. Desde criança, em casa, eu tinha um gravador com microfone que eu narrava a partida de futebol de botão do meu irmão. Com esse mesmo gravador, eu colocava ele escondido para gravar as conversas da minha mãe com minha avó na cozinha, como se fosse uma câmera escondida (risos).

Eu fazia telejornal, apresentava com gravador, gravava vinheta na televisão e fazia a apresentação da reportagem. Então, sempre tive esse viés da comunicação. E além de gostar muito de escrever e principalmente falar em público.

Então, às vezes tinha concurso na escola, de poesia de texto e tal, e os amigos pediam para eu ler já que eles tinham vergonha subir no palco. Era eu que lia os textos de vários amigos. Isso sempre esteve comigo a minha vida inteira.

CE - Quando foi para a faculdade, você sempre soube que você ia fazer jornalismo?
GV -
 Não, eu ia fazer Letras. Eu estava no meio do 3º ano do Ensino Médio. Fui conversar com o professor de Literatura para entender como era o curso, porque alguma coisa ainda não era exatamente o que eu queria. E aí ele foi muito sagaz, porque ele foi perguntando e tal, e num momento ele falou: ‘Olha, pelo jeito, o seu curso não é Letras, é Jornalismo’.

E eu não sabia que tinha o curso de Jornalismo. Aí eu fui no Guia do Estudante, aquele ‘livrão’ com as profissões, a hora que eu comecei a ler o que era jornalismo, eu falei: ‘Sou eu’. Achei um negócio que está me descrevendo, e aí eu decidi mudar para o curso de Jornalismo.”

CE - Glória, eu queria que você falasse um pouco dessa sua transição. Como aconteceu quando você começou a trabalhar profissionalmente dentro do jornalismo? Como começou esse processo? 
GV -
 Meu início no jornalismo aconteceu quando saí da casa dos meus pais, aos 17 anos, para estudar Comunicação Social na Unesp, em Bauru. Eu queria trabalhar na área desde o começo, mas, naquela época, o sindicato não permitia estágio ou trabalho sem diploma. Por isso, fiz um curso técnico de Radialismo no Senac e consegui um estágio na Rádio Bandeirantes de Bauru, onde fui contratada.

Na faculdade, tive contato com a televisão e me encantei também pela imagem. Um colega da rádio me passou o contato de uma produtora, onde fui contratada. Eu disse que sabia editar, mesmo sem saber praticamente nada (risos), e ali aprendi na prática, trabalhando com produção, edição, locução e externas.

Depois de um ano e meio, saí para concluir meu TCC. Foi quando minha orientadora me contou sobre um teste para repórter da TV Bandeirantes. Passei, mas havia novamente a questão do diploma. Como eu tinha o curso de Radialismo, surgiu a oportunidade de apresentar um telejornal, e fui contratada.

Pouco depois, a Globo local me viu apresentando e me convidou. Minha faculdade entrou em greve e o diploma demorou a sair, mas consegui uma autorização do sindicato para trabalhar. Assim, comecei na Globo em Bauru, depois passei por Ribeirão Preto e São José dos Campos, até chegar a São Paulo, no Canal 21, do Grupo Bandeirantes. Depois dessa trajetória, vieram novas experiências na televisão, incluindo a CNN, e hoje estou na TV Gazeta.

CE - Glória, e essa transição da formalidade do jornalismo, para um programa tradicionalíssimo que é o ‘Mulheres’, que tem uma receptividade do Brasil inteiro, por onde grandes nomes da comunicação passaram pela apresentação do ‘Mulheres’, como é que surgiu o convite e como é que foi para você fazer essa transição, aceitar esse convite, como foi?
GV -
 A transição começou na CNN. Durante a pandemia, eu ainda estava na Globo e tive um burnout. Uma das coisas que mais me afetava era estar o tempo todo diante de notícias ruins. Eu pensava: “A gente precisa falar de coisa boa, as pessoas precisam escutar coisa boa”. Foi quando decidi que era hora de sair.

Fui para a CNN ainda no jornalismo, onde fiquei cerca de um ano, mas, no meio do processo, surgiu o departamento de entretenimento e eu migrei para lá. Fiz vários projetos e programas e, quando saí, no final de 2022, decidi mergulhar em treinamentos para empresas, apresentação de eventos, comunicação e palestras.

Foi o início de uma nova jornada, muito mais leve e próxima do público. Eu nunca fui uma apresentadora de eventos formais. Sei fazer, mas o que realmente gosto é de brincar com a plateia, interagir e estar perto das pessoas.

Nesse período, também comecei uma pós-graduação em neurociência pela Santa Casa de São Paulo. Então, quando veio, no final do ano passado, o convite para o “Mulheres”, na TV Gazeta, eu pensei: “Gente, isso casa com tudo o que eu estou fazendo e com o que eu gosto”. Sempre tive um público muito feminino, inclusive nas redes sociais, e já acompanhava o programa há muito tempo. Então, foi um convite que eu não poderia recusar. Conversei em casa com meu marido e meu filho e decidi mergulhar de cabeça. Eu amei o convite, era tudo o que eu queria.

Mas, quando entrei diante da câmera, percebi que automaticamente voltava aquela linguagem do jornalismo. Foram 30 anos sendo treinada daquela maneira. Então, meu desafio passou a ser me soltar mais, me jogar mais e trazer para a televisão a mesma espontaneidade que eu já tinha no palco. E foi acontecendo de forma muito natural.

CE - Você está feliz?
GV -
 Estou muito feliz. A equipe é gostosa de trabalhar, a direção… Nossa, eu tô amando, amando! E eles me deram muita liberdade para criar e para fazer do jeito que eu queria pensar em fazer. Foi muito bom. É muito bom.

CE - E a sua adaptação do dia a dia, que você está falando da liberdade que te dão, de um processo que você já vinha plantando, e eu acho que o ‘Mulheres’ foi a tua colheita... 
GV - 
Naquele começo, principalmente, o estúdio mudou. Eu queria me entender naquele espaço do estúdio. A linguagem, eu acho que uma das grandes modificações que eu precisei fazer foi de linguagem. Apesar de eu sempre trabalhar com público, TV aberta e tudo mais, é um público diferente.

A linguagem pode ser mais divertida, então, eu ficava: ‘não, eu acho que eu poderia ter falado isso, eu acho que eu poderia fazer aquilo, eu acho que eu vou tentar desse jeito’ etc. Então, isso pra mim foi um trabalho diário. Ainda é, mas naquele começo, principalmente, eu ficava o tempo todo assim, pensando: ‘E agora, o que eu posso fazer?

De que jeito que dá pra melhorar?’. Então, a minha cabeça não para, a minha cabeça é assim o tempo todo. A minha cabeça tá o tempo todo inventando histórias, isso é da minha personalidade, eu sou assim, e aqui, pelo fato de eu ter liberdade, isso faz com que eu consiga criar ainda mais.

A jornalista e apresentadora Gloria Vanique é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Gabriel Pereira/TV Gazeta com exclusividade para o Correio do Estado - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Você sentiu medo?
GV -
 “Ah, medo sempre dá. Mas é o medo do novo.”
Porque hoje a gente vive num movimento de Instagram, de hater, de exposições, que isso não é da nossa época. Na nossa época, a gente não se preocupava com isso, porque eu falo que nem o Orkut eu tinha, eu sempre tive preguiça dessas coisas. Tudo que é ligado a computador, a tecnologia, se eu tiver que trocar de celular pra mim, é o fim do mundo.

CE - Mas que tipo de medo você sentiu?
GV -
 É o medo do novo. Não é o medo da análise das pessoas. Porque eu acredito que se você faz um trabalho voltado com pensamento no público… O ‘Mulheres’ não foi um projeto pensado para mim. Era um projeto pensado no público. O que o público quer? O que eu posso levar de legal? O que eu posso levar de leveza? O que eu posso levar de qualidade de informação? Porque eu trago essa bagagem do jornalismo e eu quero levar qualidade de informação. Então, de que forma eu posso levar isso para o público?

O receio ali era sobre a mudança de linguagem, me entender no estúdio, era esse que era o medo inicial. Mas de rejeição do público, não. Porque eu acredito que quando você escuta o público, claro, os comentários relevantes, e quando você está fazendo realmente aquilo ali com o seu foco, não em você, mas o seu foco em quem é para ser mesmo, vai fluir.

Então, a minha questão ali era como eu vou trazer para esse público essa imagem da Glória que eles estão acostumados a ver no jornalismo para o entretenimento. 

Quem me conhece pessoalmente sabe como eu sou. Eu não sou uma pessoa formal. Na TV, eu tinha que manter uma certa postura, então eu pude trazer muito mais de mim para a TV aqui com o ‘Mulheres’. Eu posso brincar, eu posso errar e rir de mim mesma. É isso.

CE - Qual a maior dificuldade quando se muda de emissora e linha editorial?
GV -
 Em termos de linha editorial, eu não sofri tanto. Eu fiz basicamente a minha carreira dentro das emissoras Globo, com algumas passagens pelo Grupo Bandeirantes, que também não diferenciavam muito do tipo de jornalismo, que a Globo já fazia. E depois passei pela CNN também, que nos anos iniciais mantinha aquela linha assim bem ligada aos fatos, sabe? Então, essa questão de linha editorial nunca tive problema não.

CE - Como é a sua relação com as redes sociais?
GV - 
Eu adoro as redes sociais. Claro que eu sou uma pessoa que também prezo pela minha privacidade, principalmente em relação à minha família. Então, eu não sou aquela pessoa que publica desde a hora que acorda até a hora que vai dormir, então, eu filtro um pouco o que eu quero publicar, justamente para preservar a minha a minha vida pessoal. Mas a minha relação é muito tranquila.

Eu gosto de responder as pessoas, eu gosto de brincadeira, eu gosto de participar de às vezes algum meme que aparece, né, alguma uma trend que aparece. Então, isso para mim sempre foi muito tranquilo. A minha relação com as redes e sempre muito aberta também, nunca tive nenhum tipo de problema, assim, com as minhas redes sociais.

A jornalista e apresentadora Gloria Vanique é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Gabriel Pereira/TV Gazeta com exclusividade para o Correio do Estado - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - O que mais emociona você no universo da comunicação?
GV - 
O que mais me emociona no universo da comunicação é justamente o poder comunicar. Porque às vezes a gente fala de comunicação, mas comunicação é uma palavra muito genérica, né? O ser humano, ele é um ser social.

E nem sempre a comunicação comunica da forma adequada. Então, muitas vezes a pessoa acha que está se comunicando, mas as outras estão entendendo de outras formas, porque cada um cada pessoa tem o seu repertório e tudo mais, então, quando a comunicação realmente comunica, com clareza, com ela é assertiva, para mim, essa é a comunicação fantástica, é a comunicação dos meus sonhos, que todo mundo consiga se comunicar dessa forma.

E, principalmente, principalmente, acima de tudo, comunicação para mim é conexão. Não adianta você simplesmente soltar mensagens, você precisa se conectar com seu público. Então, comunicação para mim é isso, é o que mais me emociona é quando existe conexão e essa comunicação realmente é feita de forma assertiva e de que chegue até o outro lado da forma como a gente gostaria que chegasse a mensagem.

CE - Fazer parte desse novo momento da Gazeta significa o que para a Gloria?
GV -
 Fazer parte desse novo momento da Gazeta para mim é mais um marco na minha carreira, na minha história. Porque eu já passei por várias empresas, eu me reinventei várias vezes, eu passei, eu fiz uma transição de carreira, né? Em alguns momentos, inclusive, da minha vida.

Então, eu nunca, nunca fechei portas no sentido de: "não, não quero, não", é claro que a partir de um determinado tempo de carreira, você começa a dizer alguns nãos, relacionados aos seus valores, aquilo que faz sentido para você nesse momento.

Mas estar aqui na Gazeta nesse momento para mim tem sido um privilégio. Com uma equipe incrível, aprendendo, novas, abrindo, me abrindo para novas etapas, novos aprendizados, me aprofundando cada vez mais no entretenimento, me deixando errar, rir dos meus erros, me divertindo, acertando também. Então, para mim, tem sido assim um momento de, mais um momento assim de grande valia dentro da minha carreira.

CE - Você consegue eleger um momento muito especial no Mulheres desde que assumiu?
GV -
 Ah, um momento especial é quando eu começo a reconhecer a receber o reconhecimento do público na rua, não é? O carinho das pessoas, as pessoas param, vem conversar, dizer que gostam do programa, que tem assistido, que fazem comentários sobre temas, sobre assuntos que a gente fala. Então, que riem junto, sabe? Vem abraçar ou quando vem, "Ah, a minha mãe adora você, minha avó adora você". Ah, isso para mim não tem preço. Para mim, realmente, esse é o momento mais especial.

CE - Como você concilia família com o trabalho?
GV -
 Conciliar família com trabalho é um grande desafio, principalmente para as mulheres, já que estamos falando de um programa chamado Mulheres, porque a gente sabe que dentro ainda da cultura, né, do nosso país, e não só da sociedade brasileira, mas em boa parte da cultura mundial, determinadas atribuições ainda sobram para as mulheres.

É o cuidado da casa, é o cuidado dos filhos, mas eu tenho um marido que é um super parceiro, sempre foi, e então ele sempre entendeu meu trabalho, e a gente sempre teve uma parceria de, quando, principalmente depois que o meu filho nasceu, de um até revezamento em determinadas situações, tipo, vai que eu seguro, aí eu falava, vai que quem segura agora sou eu, sabe?

Então, porque ele também tem a carreira dele. Então, a gente teve, sempre teve essa parceria muito forte. E isso é a base, né? Quando os dois lados entendem que a responsabilidade é dos dois, tanto de trabalhar quanto de cuidar dos afazeres domésticos, cuidar dos filhos e tudo mais, fica tudo muito mais leve, muito mais, fácil de lidar.

CE - O que a Gloria de 10 anos atrás falaria a Glória de hoje?
GV -
 A Gloria de 10 anos atrás falaria para de hoje que bom que você persistiu em vez de insistir. Porque existe uma grande diferença entre você insistir e você persistir. Insistir é você traçar um caminho e achar que aquele caminho é o único que você tem e você tem que seguir aquele caminho e não olhar para os lados nas outras infinitas possibilidades que você tem e que você pode desviar daquele caminho e voltar lá na frente para chegar aonde você quer chegar, para chegar aonde você onde sua meta está. Então, eu acredito que seja isso. Que bom que você persistiu em vez de insistir. Porque insistir machuca, persistir leva até o destino e até aonde a gente quer chegar.

A jornalista e apresentadora Gloria Vanique é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Gabriel Pereira/TV Gazeta com exclusividade para o Correio do Estado - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

 

Gastronomia Correio B+

Cachaça não é tudo igual: de amendoim a louro, conheça 10 versões para harmonizar à mesa

Além do tradicional carvalho, diferentes tipos de madeira influenciam aromas, sabores e características da bebida brasileira

13/09/2026 10h34

Cachaça não é tudo igual: de amendoim a louro, conheça 10 versões para harmonizar à mesa

Cachaça não é tudo igual: de amendoim a louro, conheça 10 versões para harmonizar à mesa Foto: Divulgação

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Você sabia que a cachaça vai muito além da famosa caipirinha? Para ganhar diferentes aromas, sabores e características, a madeira onde fica armazenada a ‘água ardente’ influencia diretamente no paladar e no perfil da bebida.

Em celebração ao Dia Nacional da Cachaça, celebrado hoje 13 de setembro, Delfino Golfeto, cachacier e fundador da Água Doce Sabores do Brasil, revela 10 espécies brasileiras utilizadas no envelhecimento do destilado e indica pratos que podem harmonizar com cada versão.

“A madeira tem papel importante no envelhecimento da cachaça, já que o contato com a bebida pode influenciar a cor, o aroma e o sabor. O resultado varia de acordo com o tipo utilizado, o tempo de contato, as condições de armazenamento, entre outros fatores. Por isso, uma mesma cachaça pode apresentar características diferentes conforme a madeira escolhida e o período de maturação”, revela Delfino.

Amendoim: para um perfil equilibrado

Apesar do nome, o amendoim também é uma madeira utilizada no envelhecimento de cachaça. Considerada uma madeira "neutra", ela diminui a acidez e amacia o destilado sem alterar de forma drástica a cor ou o sabor original da cana-de-açúcar, sendo excelente para coquetelaria. A espécie contribui para uma bebida equilibrada e de perfil mais macio, que pode ser harmonizada com frango assado, carne suína, castanhas, queijos semiduros e sobremesas de chocolate ou caramelo.

Grápia: suavidade com toque amadeirado

Considerada uma madeira neutra a semineutra, ela altera pouco a cor da cachaça, deixando um tom amarelo-palha bem claro, e reduz a acidez da bebida, mantendo o sabor original da cana-de-açúcar com notas suavemente adocicadas. Pode contribuir para as características amadeiradas do destilado, sem necessariamente resultar em um perfil excessivamente intenso. Na mesa, pode acompanhar carnes assadas, queijos semiduros e sobremesas com caramelo, mel ou frutas secas.

Peroba: uma opção pouco conhecida

Entre as espécies menos familiares ao consumidor, a peroba também aparece entre as madeiras utilizadas para armazenamento de cachaça. É uma madeira que confere uma coloração amarelada e um toque sutilmente amargo e seco ao destilado. Ela ajuda a amaciar a cachaça sem mascarar o seu perfil original. Por seu perfil menos explorado, pode ser apresentada em degustações acompanhadas de petiscos, carnes brancas, queijos e pratos de intensidade média.

Louro: aromas que pedem pratos bem temperados

Mais conhecido como tempero, o louro também pode aparecer como madeira utilizada no armazenamento da bebida. Esta madeira transfere para a cachaça notas marcadamente florais e de especiarias, como o cravo-da-índia e canela, além de proporcionar um fundo levemente adstringente e medicinal. Seu perfil aromático pode combinar com carnes de panela, pratos com ervas, feijão, preparos com molhos e receitas tradicionais brasileiras.

Amburana: para quem gosta de aromas marcantes

Uma das madeiras mais conhecidas entre os apreciadores de cachaça, a amburana pode conferir notas adocicadas e de especiarias ao destilado. Ela reduz a acidez e confere um fundo floral e marcadamente adocicado, com aromas que lembram baunilha e canela. O perfil aromático combina com carne suína, costela com molho agridoce, queijos curados e sobremesas com doce de leite ou caramelo.

Bálsamo: intensidade para acompanhar sabores fortes

O bálsamo pode proporcionar características herbais e amadeiradas, de especiarias, como cravo, e uma sensação levemente picante e adstringente ao paladar dando mais personalidade à bebida. Por isso, a sugestão é servi-lo com carnes vermelhas, embutidos, queijos maturados e pratos com temperos mais intensos.

Jatobá: madeira brasileira para bebidas complexas

Conhecido pela resistência de sua madeira, o jatobá também pode ser utilizado no envelhecimento de cachaças. Se trata de uma madeira densa que confere à cachaça uma coloração âmbar ou avermelhada muito bonita e intensa. No paladar, traz robustez com notas que remetem a frutas secas, especiarias e um leve toque amadeirado resinoso. Sua influência pode resultar em notas amadeiradas e especiadas, que conversam bem com carnes assadas, costelas, queijos de sabor intenso e chocolate amargo.

Jequitibá: equilíbrio para pratos delicados

Com influência mais discreta, o jequitibá é uma opção para quem prefere perceber com maior clareza as características originais da cachaça. Há duas versões que podem ser utilizadas. O Jequitibá-branco preserva as características originais da cachaça sem alterar sua cor. Já o Jequitibá-rosa confere uma coloração dourada sutil e sabores macios semelhantes aos do carvalho. Por isso, ambas podem acompanhar peixes, aves, saladas, frutos do mar e queijos suaves.

Freijó: leveza que valoriza o destilado

O freijó apresenta influência mais suave sobre a bebida, contribuindo para um perfil equilibrado. Bastante utilizada na região Norte e Nordeste, funciona de forma semelhante ao Jequitibá-branco. É uma madeira que praticamente não solta cor ou aromas fortes, focando em reduzir a agressividade do álcool e amaciar o destilado, preservando a pureza da cana. É uma alternativa para acompanhar entradas, peixes, frutos do mar, queijos frescos e pratos leves.

Ipê: personalidade para pratos grelhados

O ipê, tanto amarelo quanto roxo, também aparece entre as espécies brasileiras utilizadas no armazenamento de cachaça. Transfere uma coloração dourada escura ou alaranjada à bebida. O ipê amacia consideravelmente o destilado, agregando notas de especiarias e aromas que lembram nozes e castanhas, com um final de boca macio e aveludado. Por seu potencial de conferir maior estrutura ao destilado, pode ser combinado com carnes grelhadas, linguiças, preparos defumados e queijos curados.

Há uma curiosidade na produção da bebida brasileira. O carvalho é o principal tipo de madeira usado no envelhecimento e armazenamento da cachaça, embora seja uma madeira importada principalmente das variedades Carvalho Americano e Carvalho Europeu. Ele lidera o mercado por ser o padrão mundial na maturação de destilados e por agregar notas muito apreciadas de baunilha, coco, mel e caramelo. No Brasil, a castanheira frequentemente é chamada de "carvalho brasileiro", sendo utilizada na produção e trazendo notas intensas de castanhas, chocolate e amêndoas.

“A cachaça é um dos produtos que mais representam a nossa cultura e tem uma diversidade que muitas vezes não é conhecida pelo consumidor. Quando falamos das diferentes madeiras utilizadas em seu processo, mostramos que uma mesma bebida pode proporcionar experiências muito distintas. E isso também abre possibilidades interessantes para a gastronomia, com harmonizações que vão muito além da caipirinha”, finaliza Delfino.

Saúde Correio B+

Do álcool ao sono: cinco hábitos que podem envelhecer o rosto antes da hora

Sono ruim, estresse, álcool, cigarro eletrônico, alimentação e até a velocidade do emagrecimento podem interferir no envelhecimento facial

12/09/2026 16h00

Do álcool ao sono: cinco hábitos que podem envelhecer o rosto antes da hora

Do álcool ao sono: cinco hábitos que podem envelhecer o rosto antes da hora Foto: Divulgação

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Cuidar da pele, usar protetor solar e manter uma rotina de skincare já fazem parte dos cuidados de muitas pessoas que querem preservar a aparência do rosto ao longo dos anos.

Mas o envelhecimento facial não acontece apenas por causa da exposição ao sol ou pela passagem do tempo. Hábitos presentes na rotina também podem influenciar a forma como a face muda, e alguns deles passam longe daquilo que normalmente associamos às rugas e à flacidez.

Sono ruim, estresse constante, consumo excessivo de álcool, cigarro eletrônico, alimentação desequilibrada, excesso de telas e perda de peso acelerada estão entre os fatores que merecem atenção. O impacto não está restrito à pele, pois o envelhecimento envolve diferentes camadas do rosto, incluindo gordura, músculos e estruturas responsáveis pela sustentação facial.

“Quando falamos em envelhecimento do rosto, é importante entender que não estamos falando apenas de rugas. A face passa por mudanças em diferentes tecidos ao longo do tempo, e fatores externos podem contribuir para que algumas dessas alterações apareçam ou se acentuam mais cedo”, explica a Dra. Isadora Ragognete, médica atuante em dermatologia. Confira, a seguir, os sete hábitos que podem contribuir para o envelhecimento facial antes da hora, segundo a especialista:

Dormir pouco e não tirar a maquiagem antes de dormir

Dormir poucas horas e não remover a maquiagem antes de dormir acelera o processo de envelhecimento e você não tem percebido. “ Durante o período noturno é onde a gente tem o aumento de alguns hormônios que são responsáveis pela reparação do nosso sono e pela reparação textual, então processos celulares de renovação celular acontecem durante esse período. Se você tem a maquiagem algo ocluindo, isso vai prejudicar muito a renovação celular da sua pele e do seu rosto”, explica a Dra. Isadora Ragognete.

Não usar filtro solar todos os dias e tomar muito sol

A exposição excessiva ao sol e a falta de proteção solar diária estão entre os principais fatores que contribuem para o envelhecimento da pele e do câncer de pele. “Não usar filtro solar todos os dias, já é habitual para algumas pessoas, além de  tomar muito sol no corpo, o sol é o principal fator que vai prejudicar as nossas células, ele vai promover uma elastose solar, que é as fibras de colágeno que estão todas organizadas e o sol vai quebrando elas ao longo do tempo, a transformando essas fibras que eram lineares, hidratadas em algo fragmentado, ressecado e mais envelhecido. Esses dois fatores a gente precisa tomar muito cuidado. Além é claro da prevenção do câncer de pele”, explica Isadora.

Tabagismo e excesso de bebida alcoólica

O tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas são hábitos que podem prejudicar o organismo como um todo e também impactar a saúde da pele. “Tabagismo e bebida alcoólica são coisas que andam juntas e que prejudicam muito nosso corpo como um todo, mas também a nossa pele. Eles aumentam muito o estresse oxidativo do nosso corpo e isso tudo vai prejudicar o funcionamento do nosso organismo como um todo e envelhecer muito mais rápido”, pontua a especialista.

Não manter uma alimentação equilibrada, hidratação e atividade física

Uma rotina de cuidados com a saúde também passa por hábitos básicos, como manter uma alimentação equilibrada, beber água e praticar atividade física. Embora sejam recomendações conhecidas, a constância nesses cuidados também pode fazer diferença na saúde do organismo e, consequentemente, na aparência da pele ao longo do tempo. “Não ter uma alimentação equilibrada, uma rotina de hidratação, atividade física, isso é óbvio, acho que todo mundo já sabe, mas é importante reforçar que isso também te envelhece sem você perceber”, diz.

Postergar o início dos procedimentos estéticos

Os procedimentos estéticos podem ser aliados na manutenção da jovialidade e da naturalidade do rosto quando realizados de forma adequada e individualizada. “Postergar muito o início dos procedimentos estéticos. Eles são excelentes aliados para a naturalidade, a jovialidade do rosto, de uma maneira que traduz a quem você é sem mudar sua expressão, sem mudar sua aparência, mas mantendo muito mais saudável, muito mais jovem por mais tempo. Então não postergue nenhuma dessas medidas que eu falei aqui”, conclui a doutora.

Para a especialista, entender o envelhecimento facial dessa maneira ajuda a tirar o assunto do campo exclusivamente estético e colocá-lo também dentro de uma perspectiva de saúde e prevenção.

“O envelhecimento é inevitável, mas a forma como ele acontece é influenciada por diversos fatores. Genética e passagem do tempo têm um papel importante, mas nossos hábitos também fazem parte dessa equação. Cuidar do rosto não significa apenas pensar em rugas ou procedimentos, mas olhar para a saúde de maneira mais ampla”, conclui a médica.

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