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Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com o ator, cantor e produtor Rainer Cadete

"O que me interessa é criar alguma coisa que permaneça no outro, seja por uma cena, uma canção, uma palavra ou até um silêncio"

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Rainer Cadete atua em televisão, cinema, teatro, literatura e música, construindo uma carreira marcada
pela diversidade de projetos e linguagens. Atualmente, integra o elenco de Quem Ama Cuida, novela das 21h da TV Globo escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, na qual interpreta o dermatologista Dr. César.

Com mais de duas décadas de trajetória, consolidou-se como um dos nomes de destaque da dramaturgia brasileira, alternando trabalhos em produções de grande alcance e projetos autorais.

Entre seus personagens mais conhecidos estão o advogado Rafael Nero, de Amor à Vida, e o booker
Visky, de Verdades Secretas. Pelo papel de Visky, recebeu o Prêmio Extra de Televisão e o Troféu Melhores do Ano, ampliando sua projeção nacional. Após o sucesso da novela, passou a integrar a lista Forbes Under 30 da revista Forbes. Rainer também se destaca por retornar a personagens em continuações de obras de grande repercussão.

Reinterpretou Visky em Verdades Secretas II e retomou o personagem Celso em Êta Mundo Melhor!, dez anos após sua participação em Êta Mundo Bom!. No streaming, integra o elenco de Arcanjo Renegado, participando da quarta temporada e retornando na quinta, prevista para 2026.

No teatro, está em cartaz com o musical Uma Babá Quase Perfeita, adaptação brasileira do sucesso da Broadway, e integra a montagem de Norma, dirigida por Guilherme Piva.

No cinema, participou de produções como Carcereiros, Intervenção, Virando a Mesa e a franquia Cine Holliúdy. Também esteve no Festival de Cannes com O Traidor, dirigido por Marco Bellocchio, e integra o elenco de Dia Útil, filmado em Brasília sob direção das irmãs Diniz.

Na música, desenvolve ao lado de Renato Luciano o projeto Leves e Reflexivas, que reúne música, humor, poesia e reflexão social em repertório voltado a temas como masculinidade, diversidade, afeto e relações humanas.

O projeto ganhou destaque com o clipe da canção Esse Negócio de Ser Macho, dirigido por Duda Maia, além da parceria musical com Vanessa da Mata. Paralelamente, prepara o lançamento de um novo trabalho dedicado a clássicos da música brasileira.

Como escritor, lançou em 2024, ao lado do filho Pietro Cadete, o livro Olhares que Filtram. A obra aborda afeto, identidade, ancestralidade e relações familiares a partir da experiência de uma família multirracial, passando a integrar projetos educacionais e debates sobre paternidade, pertencimento e questões raciais.

Pai de Pietro Cadete, Rainer frequentemente leva para sua produção artística temas ligados à paternidade, responsabilidade afetiva, relações familiares e masculinidades contemporâneas.

O ator Rainer Cadete é a Capa exlusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ele fala sobre carreira, escolhase novos trabalhos.

O ator Rainer Cadete é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Silas Ribeiro - Diagramação: Denis Felipe
Por: Flávia Viana

CE - O que muda quando sobe ao palco como “Rainer em Canção”?
RC -
 Quando interpreto um personagem, parto de uma história que chega até mim e empresto meu corpo, minha voz e minhas referências para contá-la. No “Rainer em Canção”, parto de mim. É um encontro mais direto com o público, sem um personagem entre nós. Ainda existe interpretação, claro, porque cada música também propõe um universo, mas sou eu quem conduz essa narrativa.

CE - Na atuação, sua voz dá vida ao personagem. Na música, ela revela você. Quando percebeu essa mudança?
RC -
 A voz sempre revelou alguma coisa minha, mesmo quando estava a serviço de um personagem. Mas, cantando, percebi que ela guarda experiências, afetos e marcas que não consigo controlar completamente. Foi quando comecei a escolher um repertório que dialogava com a minha história que entendi: eu não estava apenas cantando músicas, estava me apresentando por meio delas.

CE - O que você busca em uma canção para fazê-la sua?
RC - 
Primeiro, preciso acreditar no que estou dizendo. Busco uma letra que me atravesse e uma melodia que provoque alguma coisa no meu corpo. Depois vem o trabalho de descobrir por que aquela canção precisa ser cantada por mim, naquele momento. Não quero reproduzir uma interpretação que já existe. Quero encontrar o meu ponto de vista dentro dela.

CE - No palco, você interpreta a música ou deixa a música conduzir você?
RC -
 As duas coisas acontecem. Existe uma construção anterior, com estudo, ensaio e escolhas muito conscientes. Mas, quando o encontro com o público acontece, é preciso deixar espaço para a música respirar e me levar também. O palco é vivo. Se eu tentar controlar tudo, perco justamente o que aquela noite tem de único.

CE - Teatro, TV, música, escrita: o que conecta essas linguagens?
RC -
 A vontade de contar histórias e estabelecer uma relação verdadeira com quem está do outro lado. Cada linguagem tem suas regras, seu ritmo e suas ferramentas, mas todas nascem da observação do ser humano. O que me interessa é criar alguma coisa que permaneça no outro, seja por uma cena, uma canção, uma palavra ou até um silêncio.

CE - Visky, César e outros personagens atravessam questões de corpo e masculinidade. O que eles mudaram no seu olhar sobre ser homem?
RC -
 Eles ampliaram esse olhar. Cada personagem me colocou diante de uma possibilidade diferente de existir e me fez perceber quantas regras são impostas aos homens desde muito cedo: como devem se comportar, amar, desejar, reagir e até ocupar o próprio corpo.

Hoje, ser homem, para mim, tem muito mais a ver com liberdade, responsabilidade e consciência do que com corresponder a um modelo.

O ator Rainer Cadete é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Lucas Ramos - Brazil News - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Como ator, você pensa também no que o personagem não diz?
RC -
 Muito. Muitas vezes, o que o personagem tenta esconder é mais revelador do que aquilo que ele diz. Penso no desejo que existe por trás da fala, no que ele teme, no que evita e no que gostaria de dizer, mas não consegue. É nesse espaço entre a palavra e a intenção que aparecem as contradições e as camadas mais interessantes.

CE - O que precisa acontecer entre dois atores para que o público perceba uma conexão antes mesmo da fala?
RC -
Precisa existir uma qualidade de presença. Estar verdadeiramente disponível para o outro, com o corpo, o olhar, a respiração e a escuta. Quando dois atores estão inteiros naquele encontro, a conexão acontece antes da palavra. O público percebe porque presença não se simula.

CE - Depois de tantos personagens, o que o público enxerga em você que talvez você ainda não tenha percebido?
RC -
Tem uma frase que eu amo: “Quanto mais eu outro, mais eu mesmo.” A arte, os personagens, a escuta ativa e a curiosidade pelo mundo me fazem mergulhar em outros universos e ampliar o meu próprio mundo interior. Mas acredito também que todo olhar carrega alguma projeção.

A gente reconhece no outro aquilo que, de alguma maneira, já existe dentro da gente. Se o público enxerga beleza, essa beleza também é dele. Se enxerga sombras ou contradições, elas também passam pelo seu próprio repertório. Talvez, quando olha para mim, o público não veja apenas a mim, mas um pouco de si mesmo.

 

Moda Correio B+

Entre Costuras & Cultura: Quando estar impecável demais deixa o look sem graça?

A figurinista Marylin Fitoussi, conhecida pelo trabalho em Emily in Paris, resumiu bem essa provocação ao dizer que detesta a perfeição e prefere criar looks que despertem alguma reação.

26/09/2026 18h00

Entre Costuras & Cultura: Quando estar impecável demais deixa o look sem graça?

Entre Costuras & Cultura: Quando estar impecável demais deixa o look sem graça? Foto: Divulgação

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A elegância é normalmente associada a sinônimo de perfeição: cores perfeitamente coordenadas, acessórios na medida certa, nada sobrando, nada destoando. Mas será que uma imagem impecável é necessariamente uma imagem interessante?

A figurinista Marylin Fitoussi, conhecida pelo trabalho em Emily in Paris, resumiu bem essa provocação ao dizer que detesta a perfeição e prefere criar looks que despertem alguma reação.

A ideia me fez pensar em algo que vejo também na consultoria de imagem: às vezes, na tentativa de acertar tudo, eliminamos justamente aquilo que poderia tornar nossa imagem mais pessoal.

Existe uma diferença importante entre estar bem-vestida e estar previsível. Um look pode ter excelente caimento, cores harmônicas e peças sofisticadas e, ainda assim, não dizer muita coisa sobre quem o veste.

É justamente uma pequena quebra de expectativa que muitas vezes traz personalidade: um sapato inesperado com uma roupa clássica, uma joia importante usada com camiseta, uma mistura de texturas ou uma cor que interrompe uma produção neutra.

Não significa vestir algo estranho apenas para chamar atenção. Mas entender que estilo também precisa de intenção e que nem tudo precisa combinar perfeitamente.

Isso fica ainda mais interessante com o passar dos anos. Depois de décadas ouvindo regras sobre o que combina, o que emagrece, o que é apropriado e até o que uma mulher “de determinada idade” deveria vestir, talvez uma das maiores demonstrações de estilo seja justamente saber quais regras ainda fazem sentido para você.

A maturidade pode trazer essa liberdade: você já não precisa reproduzir uma fórmula de elegância. Pode usar uma peça vintage com alfaiataria, misturar uma bolsa sofisticada com uma roupa simples ou colocar uma cor intensa onde, teoricamente, entraria um neutro. Elegância não precisa significar ausência de ousadia.

Como trazer mais personalidade ao look sem perder a elegância? Comece por cinco movimentos simples: 

1. Quebre uma combinação perfeita: introduza um elemento inesperado. 

2. Escolha um ponto de personalidade: pode ser uma cor, um acessório, um sapato ou uma estampa. 

3. Misture universos: sofisticado com casual, clássico com contemporâneo, novo com vintage. 

4. Questione regras antigas: principalmente aquelas relacionadas à idade. Pergunte se elas ainda representam você. 

5. Antes de sair, observe o espelho e pense: “Onde estou nesta produção?” 

Porque o verdadeiro estilo não está em construir uma imagem na qual ninguém encontre defeito, mas uma imagem na qual seja possível reconhecer você.

Esporte B+

Recordista brasileira, Núbia Oliveira volta à Dez Milhas Garoto para defender título histórico

Depois de quebrar um recorde nacional que durava 35 anos, campeã de 2025 mira bicampeonato na tradicional prova capixaba, que reúne elite brasileira e internacional

26/09/2026 17h00

Recordista brasileira, Núbia Oliveira volta à Dez Milhas Garoto para defender título histórico

Recordista brasileira, Núbia Oliveira volta à Dez Milhas Garoto para defender título histórico Foto: Divulgação

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A 35ª Dez Milhas Garoto terá uma das brasileiras de maior  evidência no cenário atual da corrida de rua. Núbia Oliveira, campeã da edição de 2025, retorna à prova no dia 27 de setembro, em Vitória e Vila Velha, vivendo o melhor momento de sua carreira.

Pouco depois de fazer história ao quebrar um recorde brasileiro que permanecia intocado havia 35 anos, a atleta encara novamente a tradicional disputa capixaba com um objetivo claro: defender o título e provar que a vitória do ano passado não foi por acaso.

Núbia estabeleceu recentemente a marca de 1h11min13s na meia maratona em Buenos Aires, superando o antigo recorde brasileiro de Silvana Pereira, que permanecia vigente há três décadas e meia.

O resultado colocou a corredora definitivamente entre os principais nomes da nova geração da corrida de rua brasileira e aumentou ainda mais a expectativa para sua segunda participação na Dez Milhas Garoto.

“A temporada vem sendo incrível. Estamos felizes e satisfeitos com os resultados obtidos até aqui. Recentemente quebrei o recorde brasileiro da meia maratona, que já durava 35 anos, da Silvana Pereira, com a marca de 1h11min13s”, afirma.

A vitória na edição passada teve um significado especial. Em 2025, Núbia encerrou um jejum de 18 anos sem uma brasileira no lugar mais alto do pódio feminino da Dez Milhas Garoto. Agora, volta ao Espírito Santo não apenas como campeã, mas como recordista nacional e um dos nomes brasileiros que chegam à prova com maior expectativa.

“As expectativas para a Dez Milhas Garoto são sempre as melhores. “Estou bem preparada e com vontade de ir defender esse título”, destaca.

Torcida e percurso como aliados

Será apenas a segunda participação de Núbia na Dez Milhas Garoto, mas a corredora já conhece um dos grandes diferenciais da prova: a força do público capixaba. Para ela, a atmosfera criada pelos torcedores é um combustível especialmente importante nos quilômetros finais.

“Gosto muito da torcida capixaba. A energia é incrível, principalmente na chegada, que é muito contagiante”, conta.

O percurso entre Vitória e Vila Velha também não é novidade para a campeã. Núbia reconhece os desafios da prova, mas acredita que as características do trajeto dialogam com sua preparação.

“É um percurso que tem algumas partes desafiadoras, mas tem características que encontramos muito nos nossos treinos, então me sinto preparada”, explica.

De olho na elite internacional

A 35ª Dez Milhas Garoto reunirá novamente atletas de alto nível do Brasil e do exterior, cenário que Núbia considera importante para seu próprio crescimento competitivo.

“Gosto muito de competir ao lado de atletas de alto nível, porque isso nos mostra o quanto estamos evoluindo. Correr ao lado de grandes atletas nos faz ganhar cada vez mais confiança e acreditar que também podemos estar entre eles”, afirma.

A declaração traduz o momento vivido pela brasileira: de campeã nacional a protagonista em provas de alto nível, Núbia chega à Dez Milhas Garoto disposta a medir novamente forças com a elite internacional.

Além da disputa pela elite, a 35ª edição da Dez Milhas Garoto será uma grande celebração da corrida de rua, com 20 mil participantes no tradicional percurso entre Vitória e Vila Velha.

Para Núbia, a preparação começa antes da largada e passa por algo fundamental: respeitar o planejamento.

“Que todos tenham uma boa hidratação no dia anterior à prova, coloquem em prática tudo aquilo que foi planejado com o treinador e aproveitem muito cada parte do percurso”, recomenda.

E deixa uma mensagem que resume o espírito da competição: “Corram, vivam cada quilômetro e, acima de tudo, sejam felizes durante a prova!”

Uma brasileira para ficar de olho

Reconhecida pela World Athletics e com Permit Ouro da CBAt, a Dez Milhas Garoto chega à 35ª edição, consolidada entre as principais provas de rua do calendário brasileiro. E, desta vez, terá uma atração especial no pelotão feminino: a brasileira que quebrou um recorde nacional de 35 anos volta ao palco onde fez história em 2025, agora para tentar escrever um novo capítulo — o do bicampeonato.

 

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