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Recordista brasileira, Núbia Oliveira volta à Dez Milhas Garoto para defender título histórico

Depois de quebrar um recorde nacional que durava 35 anos, campeã de 2025 mira bicampeonato na tradicional prova capixaba, que reúne elite brasileira e internacional

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A 35ª Dez Milhas Garoto terá uma das brasileiras de maior  evidência no cenário atual da corrida de rua. Núbia Oliveira, campeã da edição de 2025, retorna à prova no dia 27 de setembro, em Vitória e Vila Velha, vivendo o melhor momento de sua carreira.

Pouco depois de fazer história ao quebrar um recorde brasileiro que permanecia intocado havia 35 anos, a atleta encara novamente a tradicional disputa capixaba com um objetivo claro: defender o título e provar que a vitória do ano passado não foi por acaso.

Núbia estabeleceu recentemente a marca de 1h11min13s na meia maratona em Buenos Aires, superando o antigo recorde brasileiro de Silvana Pereira, que permanecia vigente há três décadas e meia.

O resultado colocou a corredora definitivamente entre os principais nomes da nova geração da corrida de rua brasileira e aumentou ainda mais a expectativa para sua segunda participação na Dez Milhas Garoto.

“A temporada vem sendo incrível. Estamos felizes e satisfeitos com os resultados obtidos até aqui. Recentemente quebrei o recorde brasileiro da meia maratona, que já durava 35 anos, da Silvana Pereira, com a marca de 1h11min13s”, afirma.

A vitória na edição passada teve um significado especial. Em 2025, Núbia encerrou um jejum de 18 anos sem uma brasileira no lugar mais alto do pódio feminino da Dez Milhas Garoto. Agora, volta ao Espírito Santo não apenas como campeã, mas como recordista nacional e um dos nomes brasileiros que chegam à prova com maior expectativa.

“As expectativas para a Dez Milhas Garoto são sempre as melhores. “Estou bem preparada e com vontade de ir defender esse título”, destaca.

Torcida e percurso como aliados

Será apenas a segunda participação de Núbia na Dez Milhas Garoto, mas a corredora já conhece um dos grandes diferenciais da prova: a força do público capixaba. Para ela, a atmosfera criada pelos torcedores é um combustível especialmente importante nos quilômetros finais.

“Gosto muito da torcida capixaba. A energia é incrível, principalmente na chegada, que é muito contagiante”, conta.

O percurso entre Vitória e Vila Velha também não é novidade para a campeã. Núbia reconhece os desafios da prova, mas acredita que as características do trajeto dialogam com sua preparação.

“É um percurso que tem algumas partes desafiadoras, mas tem características que encontramos muito nos nossos treinos, então me sinto preparada”, explica.

De olho na elite internacional

A 35ª Dez Milhas Garoto reunirá novamente atletas de alto nível do Brasil e do exterior, cenário que Núbia considera importante para seu próprio crescimento competitivo.

“Gosto muito de competir ao lado de atletas de alto nível, porque isso nos mostra o quanto estamos evoluindo. Correr ao lado de grandes atletas nos faz ganhar cada vez mais confiança e acreditar que também podemos estar entre eles”, afirma.

A declaração traduz o momento vivido pela brasileira: de campeã nacional a protagonista em provas de alto nível, Núbia chega à Dez Milhas Garoto disposta a medir novamente forças com a elite internacional.

Além da disputa pela elite, a 35ª edição da Dez Milhas Garoto será uma grande celebração da corrida de rua, com 20 mil participantes no tradicional percurso entre Vitória e Vila Velha.

Para Núbia, a preparação começa antes da largada e passa por algo fundamental: respeitar o planejamento.

“Que todos tenham uma boa hidratação no dia anterior à prova, coloquem em prática tudo aquilo que foi planejado com o treinador e aproveitem muito cada parte do percurso”, recomenda.

E deixa uma mensagem que resume o espírito da competição: “Corram, vivam cada quilômetro e, acima de tudo, sejam felizes durante a prova!”

Uma brasileira para ficar de olho

Reconhecida pela World Athletics e com Permit Ouro da CBAt, a Dez Milhas Garoto chega à 35ª edição, consolidada entre as principais provas de rua do calendário brasileiro. E, desta vez, terá uma atração especial no pelotão feminino: a brasileira que quebrou um recorde nacional de 35 anos volta ao palco onde fez história em 2025, agora para tentar escrever um novo capítulo — o do bicampeonato.

 

Pet Correio B+

Primavera acende alerta para alergias em cães e gatos; veja quais raças são mais predispostas

Médica-veterinária explica sinais, sintomas e cuidados que o tutor deve ter para a estação

26/09/2026 15h00

Primavera acende alerta para alergias em cães e gatos; veja quais raças são mais predispostas

Primavera acende alerta para alergias em cães e gatos; veja quais raças são mais predispostas Foto: Divulgação

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A chegada da primavera traz mudanças nas temperaturas, na umidade e na vegetação, o que afeta diretamente a saúde e o bem-estar de cães e gatos. Para os pets que apresentam predisposição a doenças alérgicas, a estação pode representar maior exposição a agentes ambientais capazes de desencadear ou intensificar crises.

Pólens liberados durante a polinização das plantas, ácaros presentes na poeira doméstica e fungos ambientais estão entre os principais alérgenos nesse período. O clima mais quente e úmido também favorece a atividade e a proliferação de pulgas, aumentando o risco de problemas como a dermatite alérgica à saliva da pulga (Dasp).

Segundo a Dra. Flávia Jávare, médica-veterinária do Hospital Veterinário do Centro Universitário Max Planck (UniMAX Indaiatuba) e especialista em Dermatologia em Animais e Cia., a mudança de estação pode interferir diretamente na rotina de animais que já apresentam sensibilidade a determinados agentes.

“Na primavera, pode haver uma maior exposição aos alérgenos ambientais, como os pólens pela polinização das plantas. O aumento da umidade também favorece a proliferação de fungos ambientais e ácaros, aumentando a exposição aos alérgenos e causando crises nos indivíduos alérgicos”, explica a veterinária.

As alergias mais comuns nessa época está a dermatite atópica, também conhecida como atopia, uma doença crônica, inflamatória e pruriginosa.

Ela provoca coceira e pode sofrer influência de fatores ambientais e sazonais. Outro quadro que merece atenção é a Dasp, quando as pulgas encontram condições mais favoráveis para atividade e proliferação, o que pode aumentar a exposição dos animais.

Entre os principais agentes ambientais relacionados às alergias estão os ácaros da poeira doméstica, como dermatophagoides farinae e blomia tropicalis; pólens de gramíneas, como paspalum notatum e cynodon dactylon; e fungos ambientais, como aspergillus fumigatus e alternaria alternata.

O clima da primavera também pode favorecer outros problemas de pele, como piodermites secundárias, picadas de pulgas e carrapatos, dermatites de dobras, principalmente em cães braquicefálicos, e dermatofitoses, doenças causadas por fungos geofílicos que apresentam maior transmissão em condições ambientais favoráveis.

Coceira persistente nem sempre é alergia

A coceira é um dos sinais mais conhecidos de uma crise alérgica. O pet pode se coçar com as unhas, morder ou lamber excessivamente determinadas regiões do corpo. Mas o sintoma, isoladamente, não é suficiente para indicar uma alergia.

Outras doenças dermatológicas, como a escabiose, também podem provocar coceira intensa. Por isso, os tutores devem observar sinais secundários, como vermelhidão, lesões na pele, queda de pelos, descamação, mau odor e infecções de ouvido ou otites, principalmente quando esses problemas aparecem de forma recorrente. A duração, a frequência e a evolução dos sintomas também são informações importantes para a investigação.

“A coceira excessiva não significa necessariamente que o animal tenha uma alergia. Para diferenciar uma doença alérgica de outras afecções dermatológicas, é importante avaliar a distribuição e a evolução das lesões, a intensidade da coceira e os outros sinais clínicos associados. Como a alergia é uma doença crônica, inflamatória e pruriginosa, os sinais podem se intensificar ao longo do tempo e sofrer influência de fatores ambientais e sazonais”, destaca Dra. Flávia.

A investigação veterinária pode incluir exames dermatológicos, como raspados cutâneos e citologias, além de culturas, triagens alérgicas e testes cutâneos.

Quando há suspeita de alergia alimentar, pode ser necessária uma dieta de eliminação. Já os testes alérgicos podem auxiliar na identificação dos alérgenos envolvidos e na indicação da imunoterapia.

O tutor deve buscar avaliação veterinária quando o pet apresentar coceira persistente, vermelhidão, queda de pelos, descamação, lesões, mau odor ou infecções de ouvido, principalmente quando os sintomas forem recorrentes ou estiverem piorando.

Uma alergia não tratada ou não controlada pode trazer consequências para a saúde do animal, como inflamação e coceira crônicas, infecções secundárias, otites recorrentes e alterações crônicas da pele e dos ouvidos.

“A avaliação profissional é importante não apenas para controlar os sintomas, mas para investigar a causa e definir a estratégia de tratamento. Em doenças dermatológicas, identificar corretamente o problema é fundamental para evitar que um sinal aparentemente simples, como uma coceira, se transforme em um quadro persistente”, ressalta Dra. Flávia.

Quais raças são mais predispostas e como agir preventivamente?

Algumas raças de cães também apresentam maior predisposição ao desenvolvimento de alergias. É o caso de shih tzu, buldogue francês, yorkshire terrier e golden retriever. Em felinos, essa predisposição racial é menos estabelecida, mas já foi observada em gatos siamês, persa e sem raça definida (SRD).

Embora não seja possível eliminar completamente os agentes alergênicos do ambiente, algumas medidas ajudam reduzir a exposição dos animais:

- Mantenha a casa limpa e ventilada;

- Aspire regularmente locais quem os pets tenham contato

- Higienize camas, mantas, estofados e outros locais

- Realize o controle dos ectoparasitas;

Nos animais que já apresentam alergias, o controle ambiental deve estar associado ao tratamento adequado. A abordagem é individualizada e pode incluir controle de alérgenos ambientais e de ectoparasitas, além de banhos terapêuticos, medicamentos imunomoduladores, anti-inflamatórios, antibacterianos e antifúngicos quando há infecções associadas.

Em alguns casos, pode haver indicação de imunoterapia imuno-específica, que ajuda a reduzir a sensibilidade aos alérgenos e a promover o controle da doença a longo prazo.

“O objetivo do controle ambiental é reduzir a carga de exposição aos agentes alergênicos. Nos animais alérgicos, essas medidas devem estar associadas ao tratamento adequado, que precisa ser individualizado de acordo com as características e necessidades de cada paciente”, orienta a especialista do Hospital Veterinário da UniMAX.

Cinema Correio B+

I Play Rocky: quando o azarão de Rocky vira o próprio Stallone

Cinquenta anos depois, essa mesma história volta ao cinema, agora com outro ator relativamente desconhecido tentando convencer o público de que pode ser Sylvester Stallone.

26/09/2026 13h00

I Play Rocky: quando o azarão de Rocky vira o próprio Stallone

I Play Rocky: quando o azarão de Rocky vira o próprio Stallone Foto: Divulgação

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Há algo quase perfeito demais em I Play Rocky. Em 1976, Sylvester Stallone escreveu a história de um homem no qual ninguém acreditava, brigou para interpretá-lo quando ninguém acreditava que fosse capaz e acabou transformando Rocky em um dos maiores fenômenos da história de Hollywood.

Cinquenta anos depois, essa mesma história volta ao cinema, agora com outro ator relativamente desconhecido tentando convencer o público de que pode ser Sylvester Stallone.

A metalinguagem é tão evidente que poderia parecer fabricada, mas a própria história de Anthony Ippolito ajuda o filme. Quando soube que uma produção sobre a criação de Rocky estava sendo preparada, ele ainda não tinha recebido convite, roteiro ou material para um teste.

Mesmo assim, pendurou um saco de pancadas no porão da avó, chamou um amigo e um primo e gravou por conta própria uma tentativa de interpretar Stallone. O material chegou à produção, que então lhe enviou o roteiro e pediu uma audição oficial. Ippolito fez novos testes e acabou conquistando o papel.

É difícil imaginar uma forma mais apropriada de chegar a I Play Rocky. O ator também traz uma curiosa especialização em interpretar lendas do cinema antes de elas se tornarem lendas. Em The Offer, minissérie sobre a tumultuada produção de O Poderoso Chefão, Ippolito viveu o jovem Al Pacino.

Agora interpreta Stallone durante a criação de outro filme dos anos 1970 que terminaria a temporada levando o Oscar de Melhor Filme. Há ainda uma pequena ligação deliciosa entre as duas histórias: Talia Shire estava em O Poderoso Chefão e seria Adrian em Rocky.

Interpretar Stallone, porém, exige muito mais do que uma boa caracterização física. Talvez ele seja um dos atores mais fáceis de imitar e, justamente por isso, um dos mais perigosos de interpretar.

A voz arrastada, a assimetria do rosto, os movimentos dos ombros, a postura e a maneira de olhar são tão reconhecíveis que basta exagerar um pouco para que a atuação se transforme em caricatura.

Ippolito passou um longo período se preparando fisicamente e estudando não apenas a voz de Stallone, mas sua linguagem corporal e, principalmente, a diferença entre o homem que conhecemos hoje e aquele ator ainda desconhecido dos anos 1970.

Esse detalhe é fundamental. Ele não está interpretando o Stallone de Rambo, das grandes franquias ou das décadas de estrelato. Está tentando encontrar o homem que ainda não sabia se algum dia chegaria lá.

Essa é também a dificuldade central de I Play Rocky: todos nós sabemos o final. Sabemos que Stallone conseguiu fazer o filme, que Rocky se tornou um fenômeno, que ele foi indicado ao Oscar como ator e roteirista e que o longa venceu Melhor Filme. Sabemos que nasceu uma franquia, depois outra com Creed, e que Stallone se transformou em um dos maiores astros de sua geração.

Peter Farrelly, portanto, não pode depender de suspense para contar essa história. Assim como no próprio Rocky, a questão nunca é realmente saber quem vence, mas entender como alguém conseguiu permanecer de pé até o último round.

O filme volta ao período em que Stallone acumulava rejeições, problemas financeiros e pequenos papéis enquanto tentava descobrir uma maneira de entrar definitivamente em Hollywood. AnnaSophia Robb interpreta Sasha Czack, que viria a ser sua primeira mulher e aparece como uma das pessoas que o incentivam a escrever os próprios roteiros. Se ninguém estivesse disposto a lhe oferecer um grande personagem, talvez fosse necessário criá-lo.

Foi assim que surgiu Rocky Balboa, mas escrever um bom roteiro resolveu apenas metade do problema. Os produtores começaram a perceber o potencial do filme e Hollywood ficou interessada. O obstáculo passou a ser outro: queriam Rocky, mas não necessariamente queriam Stallone como Rocky.

I Play Rocky: quando o azarão de Rocky vira o próprio StalloneI Play Rocky: quando o azarão de Rocky vira o próprio Stallone - Divulgação

Ele não aceitou essa separação.

É daí que vem o próprio título. I Play Rocky resume a posição que transformaria a negociação em uma das histórias mais repetidas de Hollywood. Stallone podia precisar desesperadamente do dinheiro, podia não ter qualquer poder dentro da indústria e podia estar diante de produtores que enxergavam atores conhecidos como uma escolha muito mais segura, mas havia uma coisa da qual não estava disposto a abrir mão. Se o filme fosse feito, ele interpretaria Rocky.

A produção reconstrói, portanto, não apenas Stallone, mas todo o pequeno universo que participou daquele nascimento. P.J. Byrne interpreta Irwin Winkler, Toby Kebbell é Robert Chartoff e Jay Duplass assume John G. Avildsen, o diretor que percebeu que o roteiro aparentemente sobre boxe era, antes de tudo, uma história de amor, solidão e dignidade. Stephan James interpreta Carl Weathers, enquanto Kiki Seto interpreta Talia Shire e Robert Morgan assume Burgess Meredith.

Matt Dillon ocupa um lugar diferente nessa reconstrução ao interpretar Frank Stallone Sr., pai de Sylvester. A relação difícil entre os dois oferece ao filme uma explicação mais íntima para a necessidade quase obsessiva que Stallone tinha de provar seu valor. A recusa em entregar Rocky a outro ator deixa, assim, de ser apenas uma disputa profissional e passa também pela necessidade de demonstrar que todas aquelas pessoas que haviam duvidado dele estavam erradas.

Há uma camada particularmente interessante nisso porque o verdadeiro Stallone não esteve inicialmente envolvido com I Play Rocky. Quando soube que o projeto estava sendo desenvolvido, contou que ninguém havia entrado em contato com ele e que descobrira a existência do filme pelas notícias. Não era, portanto, uma cinebiografia concebida sob sua supervisão ou com sua aprovação desde o começo.

A relação mudou depois. Ippolito conseguiu conversar com Stallone durante a preparação e encontrou alguém disposto a ajudá-lo a compreender aquele período de sua vida. Quando finalmente viu o trailer, Stallone também mudou publicamente de tom e desejou sucesso ao elenco e à equipe, dizendo estar ansioso para ver o começo de sua história ganhar vida.

É uma situação curiosa para alguém que passou meio século tão ligado ao personagem que criou. Stallone teve de assistir a outro ator interpretando o momento exato em que ele tentava convencer todo mundo de que ninguém além dele deveria interpretar Rocky.

Peter Farrelly também chega ao projeto carregando sua própria relação recente com o Oscar. Green Book, seu filme anterior para os cinemas, saiu de Toronto com enorme impulso e terminou a temporada vencendo Melhor Filme. Agora ele retorna com outra história construída para provocar uma resposta emocional forte do público, novamente baseada em personagens reais e novamente chegando em plena temporada de premiações.

I Play Rocky estreou no Festival de Toronto e deixou claro que tem vocação para agradar plateias. A atuação de Ippolito surgiu como um dos elementos mais comentados, o que naturalmente aproximou o filme da conversa sobre premiações. Isso não significa prever onde ele chegará, mas é impossível ignorar a simetria: 50 anos depois de Stallone ter sido indicado ao Oscar por interpretar Rocky, outro ator chega à temporada interpretando Stallone enquanto ele criava Rocky.

Talvez o maior risco do filme esteja justamente nessa proximidade com uma história que já conhecemos tão bem. Recriar os bastidores de Rocky significa competir constantemente com nossas lembranças do original e com uma lenda que Stallone, a imprensa e Hollywood passaram cinco décadas alimentando. Quanto mais reconhecível a cena, maior a tentação de transformar a cinebiografia em uma sequência de momentos que o público já espera encontrar.

O trailer sugere que Farrelly decidiu não combater essa mitologia. Ao contrário, I Play Rocky parece abraçá-la. O filme assume a história do sujeito sem dinheiro que escutou “não” repetidas vezes, escreveu a própria oportunidade e, quando Hollywood finalmente quis aquilo que ele havia criado, preferiu arriscar tudo a entregar o papel para outro ator. A cinebiografia sobre o criador de Rocky transforma Sylvester Stallone no verdadeiro Rocky Balboa.

Até “Gonna Fly Now” volta para completar o espelho. Em 1976, a música acompanhava Rocky enquanto ele começava a acreditar que conseguiria chegar até o fim. Cinquenta anos depois, ela acompanha o homem que o inventou durante sua própria tentativa de chegar ao topo.

No Brasil, Eu Sou o Rocky estreia em 19 de novembro, praticamente junto ao aniversário de 50 anos do filme original. O momento dificilmente poderia ser mais adequado. Em 1976, Hollywood assistiu a um ator praticamente desconhecido apostar tudo na certeza de que deveria interpretar Rocky. Meio século depois, Anthony Ippolito chega ao cinema interpretando justamente aquele momento, depois de também ter criado sozinho sua primeira oportunidade de conseguir o papel.

Talvez seja essa a ideia que une melhor os dois filmes. Às vezes ninguém oferece a oportunidade que estamos esperando, e continuar esperando não resolve nada.

Stallone escreveu a sua.

Cinquenta anos depois, Hollywood resolveu fazer um filme sobre isso.

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