O ano de 2026 tem sido especialmente significativo para Hugo Bonèmer. Entre os palcos, o streaming e novas experiências nos bastidores, o ator vive uma fase de reconhecimento e expansão profissional.
Atualmente, protagoniza o espetáculo Feliz Ano Velho, no qual interpreta Marcelo Rubens Paiva, autor do livro que inspirou o filme "Ainda Estou Aqui", vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional.
Em cartaz no Teatro Sabesp Frei Caneca, em São Paulo, a montagem tem emocionado o público e provocado reflexões para além da história apresentada. Para Hugo, dar vida a uma personalidade tão conhecida exige, acima de tudo, verdade e sensibilidade, sem a preocupação de reproduzir fielmente seus gestos ou características.
Outra experiência marcante neste ano foi O Talentoso Ripley, projeto no qual Bonèmer ampliou sua atuação artística ao assumir também a produção e a direção, ao lado de Kamilla Rufino.
A montagem passou por diferentes temporadas no Rio de Janeiro e conquistou três indicações ao Prêmio Cenym, reconhecimento que celebra o trabalho desenvolvido em diferentes áreas do espetáculo.
Na televisão, o ator integra a segunda temporada de Amor da Minha Vida, disponível no Disney+, e também estará no telefilme Voltei na Foto, da TV Globo, contracenando em uma história que aborda memórias e conflitos do passado.
Com tantos projetos e novas possibilidades no horizonte, Hugo encerra o ano olhando para além da interpretação, interessado em desenvolver histórias que também permitam explorar seu talento como diretor e produtor.
Hugo é a Capa do Correio B+ desta semana, e em entrevista exclusiva ao Caderno ele fala sobre sua carreira e também sobre seu atual trabalho em cartaz.
O ator Hugo Bonèmer é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Sergio Santoian - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia VianaCE - O último musical que você havia protagonizado foi ‘Ayrton Senna, o musical’, em 2017, me fala qual o sentimento de voltar aos palcos como protagonista em um musical?
HB - Faz tempo mesmo, mas prefiro falar disso sem colocar peso demais na palavra protagonista. Minha carreira é de coadjuvante, protagonizar é coisa que acontece de vez em quando.
Foi até por acreditar nisso que criei o Coadjuvantes, no canal Like, pra valorizar os papéis secundários, que sustentam qualquer história tanto quanto o papel principal.
E esse elenco de "Feliz Ano Velho" prova bem esse ponto. O João Côrtes protagoniza o Eddy e está ali fazendo um coadjuvante maneiríssimo. O Matheus Ribeiro já foi Bob Esponja, Chaves, Peter Pan, levou praticamente todos os prêmios de teatro musical nos últimos anos, e faz o Divino, um enfermeiro engraçadíssimo.
A Sabrina Korgut é a voz de dublagens das mais icônicas que existem, já protagonizou musical, fez série na Globo, e está ali construindo uma personagem difícil, de dupla personalidade. Então meu sentimento de voltar é esse, de estar cercado de artistas que eu admiro.
Acreditar no rótulo de protagonista como uma verdade fixa da carreira é a maior furada que existe. É uma responsabilidade que acontece de vez em quando na vida da gente, uma função passageira, não uma qualidade permanente.
CE - Como é viver uma pessoa como Marcelo Rubens Paiva, que tem um reconhecimento nacional e internacional?
HB - Existe um peso extra em viver alguém real, vivo, com obra marcante e hoje ainda mais exposto por causa de "Ainda Estou Aqui".
Não é interpretar uma ideia de personagem, é interpretar uma pessoa que pode assistir, que tem família, que carrega uma história pública entrelaçada com a história política do Brasil. Isso me obriga a uma responsabilidade dupla, com a dramaturgia e com a pessoa real por trás dela.
O Marcelo foi ver a peça na estreia, e validou meu trabalho em público, disse que se sentiu à vontade com a forma como foi representado. Isso me tranquilizou bastante, porque quer a gente queira ou não, o público sai do teatro se perguntando "então o Marcelo é assim?".
Pra uma pessoa aprovar ser representada com todas as suas qualidades e defeitos é preciso uma generosidade enorme com o artista que se arrisca nisso, e o Marcelo foi generoso assim comigo.
CE - Quando você soube que iria fazer o papel, como você se sentiu?
HB - O convite veio do produtor Thiago Hofman e do diretor Gustavo Barchilon, com quem eu já cogitava trabalhar junto havia alguns anos.
Li o texto da Marília Toledo algumas vezes antes de responder, e fui me encantando com a história e com as possibilidades cênicas que ela abria. Foi um sim fácil de dizer.
CE - Qual a mensagem que vocês querem dar com o espetáculo?
HB - É sobre quando a vida puxa o tapete da gente e é preciso construir um plano do zero. E aí não tem mensagem motivacional, não é sobre resiliência, não é sobre algo que se resolve.
Também não é sobre superação, é sobre reconstrução. São palavras do próprio Marcelo, que diz que renegocia todo dia, de novo, consigo mesmo o fato de estar numa cadeira de rodas.
CE - Além disso, você está no ar na segunda temporada de ‘Amor da minha vida’, você já acompanhava a série?
HB - Já tinha visto a primeira temporada inteira e estava apaixonado por ela, então ser chamado teve aquele gosto de fã sendo notado pelos próprios ídolos. Meu único arrependimento foi não ter tirado uma foto com a Bruna Marquezine.
Quando a conheci, agi igual fã sem jeito, tinha assunto pra puxar e não veio nenhum, fiz uma piada sobre pão de queijo e saí do camarim correndo achando que a piada tinha sido péssima. A série tem uma doçura imensa, escrita pelo Matheus Souza, com quem eu já tinha trabalhado em "Confissões de Adolescente", e dirigida pela Tatiana Fragoso.
O ator Hugo Bonèmer é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Andy Santana - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia VianaCE - Como foram as gravações?
HB - Além do texto do Matheus Souza na íntegra, a Tatiana Fragoso ampliou nossa participação com alguns improvisos que, pela reação da equipe no set, já imaginávamos que iam ficar no corte final. É muito gostoso, pra quem está num papel coadjuvante, quando isso acontece.
CE - Fala um pouco mais da construção do seu personagem?
HB - O Eduardo é paulistano da Faria Lima, formado em liberalismo econômico, do tipo que reproduz frases como "trabalhe enquanto eles descansam".
Ele chega na hamburgueria pra profissionalizar os processos, e ao comprar a maioria das cotas societárias passa a mandar em Victor, transformando o sonho de vida dele num pasteurizado de hamburgueria, só que em formato franqueável.
O Eduardo representa a vida adulta batendo à porta do Victor, lembrando como o capitalismo vai tirando a inocência da gente e trazendo competição e distanciamento no lugar dela.
Tem uma história de bastidor nesse papel que eu gosto de contar. A diretora de elenco, Bruna Bueno, já tinha me testado antes pra um papel maior na série, e quando esse não fechou, ela teve o cuidado de me sugerir o Eduardo, justamente pra eu me manter no elenco.
Fico feliz quando um diretor de elenco tem esse tipo de cuidado, de continuar apostando na gente dentro do mesmo projeto, mesmo quando o primeiro caminho não dá certo.
CE - Em 2026, você esteve não somente nos palcos, como nos bastidores, produzindo e codirigindo ‘O talentoso ripley’. Como foi essa experiência?
HB - Produzir, dirigir, atuar e cuidar das mídias sociais de "O Talentoso Ripley" virou até tema do meu TCC, porque em paralelo eu voltei às aulas na CAL pra completar o bacharelado em Teatro.
Uma coisa está ligada diretamente à outra: chamei pro elenco basicamente colegas da minha turma, seguindo um dos propósitos da própria faculdade, que é criar afinidade e colaboração entre artistas que já estão inseridos no mercado. Minha turma é voltada justamente pra isso, e faz essas trocas profissionais acontecerem de um jeito mais natural.
CE - A peça concorre a alguns prêmios, além de ter recebido ótimas críticas. Me fala mais desse momento?
HB - Crítica positiva é sempre bem-vinda, e "O Talentoso Ripley" teve cuidado especial na forma de apresentar a proposta ao público, simulando um programa de TV em que o próprio Ripley confessa as sombras e os mistérios da própria alma, em tom confessional, direto pra audiência.
As críticas negativas, muitas vezes, eram exatamente as mesmas coisas apontadas como positivas por outra pessoa, o que mostra que assumimos risco suficiente pra tornar a peça relevante. Dividir opinião, no teatro, costuma ser sinal de sucesso, não de fracasso.
CE - Qual o balanço que você faz desse ano?
HB - Foi um ano de simultaneidade, não de sequência. Em vez de um projeto atrás do outro, toquei vários ao mesmo tempo, em frentes diferentes.
Voltei pro teatro musical com "Feliz Ano Velho", voltei pra ficção seriada com "Amor da Minha Vida", e assinei um projeto inteiramente meu, "O Talentoso Ripley", acumulando atuação, produção, direção e as redes sociais da peça.
No meio disso tudo, voltei pra faculdade e fechei o bacharelado em Teatro. Se eu tivesse que resumir numa frase, diria que foi o ano em que parei de escolher entre ser ator ou ser autor do próprio trabalho, e descobri que dava pra ser as duas coisas ao mesmo tempo, sem que uma atrapalhasse a outra.
O Que é o Amor? Como anular um casamento sem apagar uma história? - Divulgação
O Que é o Amor? Como anular um casamento sem apagar uma história? - Divulgação
O Que é o Amor? Como anular um casamento sem apagar uma história? - Divulgação


