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LITERATURA

Escritora de MS cria personagem em busca da alma gêmea impossível

Em "Ele: Uma Procura Infinita", escritora sul-mato-grossense acompanha um homem incapaz de compreender as mudanças nas relações e que passa por diferentes vínculos afetivos sem conseguir construir uma vida a dois

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A procura por uma companheira que corresponda a uma imagem construída no imaginário conduz o personagem central de “Ele: Uma Procura Infinita”, novo romance da escritora e jornalista Mazé Torquato Chotil.

Em pré-venda pela Editora Patuá, o livro acompanha a trajetória de um homem identificado apenas como Ele, suas relações com diferentes mulheres e os filhos que surgem ao longo desse percurso.

Por trás da sucessão de encontros, separações e recomeços, a autora constrói uma reflexão sobre identidade, convivência e as transformações nas relações entre homens e mulheres.

O romance também passa por Mato Grosso do Sul. Embora atualmente viva em Paris, na França, Mazé mantém na literatura a presença das terras onde nasceu.

Livro “Ele: Uma Procura Infinita” - Foto: Divulgação

Em “Ele: Uma Procura Infinita”, as lembranças da infância do personagem aparecem ao longo da narrativa, associadas às idas e vindas da memória. A presença do Estado, porém, não é apenas um recurso da história: para a autora, trata-se de um território que passa pela sua produção literária.

“Nas idas e vindas das páginas, ele se lembra situações de sua infância nessas terras sul-mato-grossenses. Na verdade, aqui é a autora que não consegue se desvencilhar dessa terra!”, afirma Mazé.

A história nasce de uma inquietação da autora diante das mudanças ocorridas nas relações sociais nas últimas décadas. Para Mazé, enquanto as mulheres conquistaram novos espaços, parte dos homens passou a enfrentar dificuldades para compreender o seu papel diante dessa transformação.

“O homem ficou um pouco perdido. A mulher lutou e tem conquistado espaço nas relações sociais, enquanto o homem não está sabendo muito bem como reagir”, explica. Para ela, esse processo não se restringe ao Brasil, mas integra uma mudança mais ampla nas relações humanas.

O personagem criado no romance representa justamente essa dificuldade de adaptação.

Ele não consegue compreender a necessidade de que cada pessoa possa construir sua identidade e ocupar o seu espaço. Em vez disso, procura nas mulheres que encontra uma figura que corresponda àquilo que idealizou como companheira.

É nesse ponto que surge a procura infinita do título. A busca não termina porque o que o personagem procura não existe na realidade, mas apenas na imagem que construiu. “O que está no seu imaginário não pode ser real. Mas ele pode mudar!”, afirma a autora.

A sucessão de relacionamentos, portanto, não funciona apenas como uma coleção de histórias amorosas. Cada vínculo revela a dificuldade do protagonista em lidar com a autonomia da outra pessoa.

Quando a companheira passa a assumir a identidade e deixa de corresponder ao comportamento que ele considera correto, Ele abandona a relação, muitas vezes sem explicar as razões.

dMazé Torquato Chotil - Foto: Divulgação

Para Mazé, esse comportamento produz uma violência que ultrapassa o rompimento amoroso. “Uma enorme violência para a outra pessoa”, define.

Ao mesmo tempo, a autora procura não construir o personagem apenas como alguém que provoca sofrimento. Ele também é apresentado como uma pessoa incapaz de compreender plenamente o outro e, por isso, igualmente preso às limitações que tem.

“Ele não aprendeu, não sabe lidar com o outro e termina sofrendo – porque ele também é humano. Precisa ser ajudado; caso contrário, continuará a encontrar pessoas que, mesmo diante de seu amor, de seu carinho e de sua ternura, perceberão que não é possível construir uma vida a dois”, diz.

As relações

Ao acompanhar a vida afetiva do protagonista, o romance coloca em cena também os filhos e as diferentes configurações familiares que surgem dessas relações. A autora afirma ter buscado mostrar personagens que possuem desejos pessoais e precisam ter espaço para construir suas identidades.

Essa questão aparece especialmente quando a narrativa trata da adolescência. Para Mazé, é nesse período que o indivíduo começa a se confrontar de maneira mais intensa com o mundo e com as expectativas daqueles que o cercam.

“As pessoas são elas mesmas, com seus desejos, e devem se assumir. Sobretudo na adolescência, elas precisam se confrontar com o mundo. Devem e podem ser ajudadas, mas não podem ser obrigadas a fazer o que o outro quer”, afirma.

A dificuldade de Ele está justamente em não conseguir estabelecer essa relação de convivência. Ele ama, demonstra carinho e ternura, mas tenta encaixar as pessoas em uma ideia personalista de como uma relação deve funcionar.

A pergunta que passa por todo o romance, nesse sentido, não é apenas sobre encontrar alguém para amar, mas sobre como duas pessoas podem permanecer juntas sem que uma precise abrir mão de sua identidade.

“É como viver juntos, como ser ajudado, sem impor ao outro o seu ponto de vista”, resume a escritora.

Construir esse personagem exigiu também da autora um exercício de deslocamento. Ao escrever sobre um homem e acompanhar seus pensamentos e comportamentos, Mazé precisou se colocar na perspectiva de alguém diferente dela.

“Tinha a preocupação de não deixar o leitor se perder entre as múltiplas mulheres e os filhos. Aliás, lembro ao leitor, nas primeiras páginas, o que ele vai encontrar, de forma a guiá-lo”, conta.

A estrutura do romance acompanha as idas e vindas da trajetória do protagonista e costura diferentes relações ao longo da narrativa. A autora afirma ter buscado construir as conexões entre os personagens progressivamente, de acordo com a trajetória imaginada para Ele.

Do jornalismo à literatura

Jornalista, com doutorado e pós-doutorado, Mazé também encontra na literatura uma maneira diferente de abordar questões que fazem parte de sua observação do mundo. Para ela, a ficção permite tratar de assuntos humanos sem a mesma obrigação de objetividade presente no jornalismo.

“Gosto da forma literária – mesmo tendo feito doutorado e pós-doutorado – porque ela nos dá essa liberdade”, afirma.

A diferença, segundo a escritora, está também na forma como o leitor entra em contato com as informações. No jornalismo, ela explica, o texto apresenta elementos sobre o objeto abordado. Na literatura, esses mesmos assuntos podem ser incorporados à narrativa e descobertos pelo leitor no decorrer da leitura.

“Como jornalista, dou aos meus textos informações sobre o objeto em questão, mas a literatura permite abordá-las todas de forma leve, deixando o leitor se introduzir nas palavras escritas, aprender, ver ‘sem esforço’”, diz.

Terra natal

Embora o romance tenha como centro as relações afetivas de Ele, Mato Grosso do Sul permanece como uma espécie de território de memória. O personagem tem os “pés de sua infância” fincados no Estado, segundo Mazé.

A presença sul-mato-grossense se relaciona também com a trajetória da autora, nascida em Glória de Dourados. As lembranças do Estado aparecem em diferentes trabalhos de sua produção e, neste novo romance, surgem ligadas às memórias do protagonista.

“Em todas as minhas obras, essas terras estão presentes, menos ou mais, dependendo de se a obra é um romance ou uma biografia de pessoas que vivem longe desse lugar”, afirma.

A escritora pretende retornar ao Brasil no fim de outubro. Antes de voltar ao Estado, no entanto, a programação de divulgação do romance começa em São Paulo, onde está localizada a Editora Patuá.

A previsão é de que novembro seja dedicado a atividades em diferentes espaços paulistas e, depois, ao Rio de Janeiro, onde Mazé pretende participar da Primavera dos Livros Mar Livre.

A passagem por MS está prevista para o início de 2027. “Começarei por Glória de Dourados, onde nasci e guardo um grande carinho, pelas lembranças do lugar da minha infância e adolescência e pelo seu povo, até chegar à nossa capital”, conta.

Apresentação

“Ele: Uma Procura Infinita” chega ao público com apresentação do escritor e professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Godofredo de Oliveira Neto, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL).

A aproximação entre os dois aconteceu em Paris, onde Mazé vive. Godofredo trabalhou durante anos na Sorbonne e, depois de conhecer o texto, recebeu da autora o convite para apresentar o romance.

A resposta foi recebida por Mazé como um reconhecimento importante para o trabalho. Entre as observações feitas pelo escritor está a avaliação de que o romance apresenta domínio da forma romanesca, originalidade na trama, estrutura capitular e uma temática relevante.

“O domínio romanesco da Mazé é evidente, a originalidade da ‘intrigue’, a sequência capitular, a escritura e o tema em si bem o provam. Obra importante na nossa literatura”, escreveu Godofredo.

Diálogo

Justamente quem deveria dar o exemplo na aplicação das regras para... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta terça-feira (29)

29/09/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Barão de Itararé - escritor brasileiro

"O banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro”.

FELPUDA 

Justamente quem deveria dar o exemplo na aplicação das regras para gastos com verbas públicas, contratou sem licitação uma vaga em curso para servidor. Curiosamente, a empresa escolhida foi fundada por alta autoridade do cenário nacional. A inexigibilidade é justificada pela suposta singularidade do serviço, argumento questionável quando se trata de um curso aberto a qualquer um que pague a inscrição. Tal atitude faz lembrar o conhecido dito popular: “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Bem assim...

DiálogoFoto: Divulgação/Senac

No dia 6 de outubro, às 15h, a Governança Regional (IGR) Celeiros do MS, receberá oficialmente uma plataforma web, criada por 14 alunos do curso Técnico em Desenvolvimento de Sistemas do Senac em Dourados. A plataforma reúne um catálogo digital de pontos turísticos, formulários para cadastro de informações e ferramentas de busca por cidade e categoria. A solução permitirá à IGR organizar e gerenciar o inventário turístico regional, acompanhar dados e ampliar a divulgação dos municípios participantes. O projeto foi feito no âmbito do Voucher Desenvolvedor, iniciativa do Senac MS e da Semadesc, visando modernizar e estruturar a divulgação dos atrativos turísticos dos municípios que integram a região. Para chegar à versão que será entregue, os estudantes participaram de todas as fases de desenvolvimento. Com a plataforma em funcionamento, a expectativa é facilitar o acesso de turistas e moradores às informações sobre os destinos da região Celeiros do MS. A ferramenta também deverá auxiliar gestores na organização das informações e no planejamento das ações relacionadas ao turismo.

DiálogoMarcelo de Paula Oliveira e Joana Carvalho - Foto: Studio Vollkopf

 

DiálogoPaola Cadore - Foto: Arquivo pessoal

Festival

Como ocorre em todo período de campanha eleitoral, a baixaria não ficou de fora nesta temporada. Nas redes sociais, há vídeos para todos os gostos, com ofensas, elogios, promessas e ataques pessoais desproporcionais, feitos unicamente para chamar a atenção e conseguir o maior engajamento possível. Tem até vídeo de candidata fazendo xixi na rua. Boas propostas, que seria bom, nadica de nada. Pode?

Caneladas

O que também se viu bastante nessa campanha eleitoral: líderes dos partidos aliados se atacando. Foi o caso da Rose Modesto, do União Brasil, que forma federação com PP. Ela não perdeu chances de  “chutar a canela” da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, que é do PP. As duas foram rivais nas eleições de 2024 para prefeitura. Adriane levou a melhor no segundo turno. Imagine se não fosse de partido aliado? E deu no que deu...

Gastança

O poder público brasileiro movimentou R$ 4,015 trilhões em despesas primárias ao longo de 2026, de acordo com dados da plataforma Gasto Brasil, que reúne, em um único painel, informações do Governo Federal, dos estados, do Distrito Federal (DF) e dos municípios. Do total contabilizado até o último dia 18, mais de R$ 1,86 trilhão corresponde ao dispêndio do Governo Federal. Já a despesa primária pública dos estados ficou em R$ 1,08 trilhão, e dos municípios em R$ 1,06 trilhão. Vai vendo...

ANIVERSARIANTES

  • Dra. Eduarda Nassar Tebet,
  • Ana Elizabete de Miranda Barros Arruda,
  • Cristiane Martins Escalante,
  • Eli dos Santos Morais de Brites,
  • Jaqueline Terra,
  • Vanessa Tannus,
  • Edinaldo Fidelis de Souza,
  • Miguel João Calepes,
  • Irineu Miguel Tissiane,
  • Milton do Prado Ferreira,
  • José Carlos Graffe,
  • Miguel de Souza Brito,
  • Raul Rosa da Silveira Falcão,
  • Mitihiro Mise,
  • Evaldo Aparecido Dueck,
  • Rodrigo Gonçalves Pimentel,
  • Miguel Rodrigues da Silva,
  • Gerson Miguel Winck,
  • Hudson Inácio Pereira,
  • Gilson Altair Saratt Balbe,
  • Herley de Melo Tobias,
  • Carlos Henrique Escalante,
  • Maria Cláudia Leite Rubio,
  • Cleusa Inêz Fialho Canale,
  • Dr. Miguel Marques de Oliveira,
  • Rubens Bernades Conceição,
  • Dra. Niva Gleuce de Ávila Minervini,
  • Luiz Miguel Caldart,
  • Jehnnifer Kariny Pereira Nantes,
  • Homero de Carvalho Bastos,
  • Dr. José Luiz de Aquino Amorim,
  • Célio Poveda,
  • Griselda Yule de Oliveira,
  • Gisele Vegas,
  • Isis Batista Morais,
  • Ramona Santiago,
  • João Clóvis Crivelli,
  • Dr. Vivaldo Sebastião Marques Filho,
  • Miguel Jost,
  • Juracy do Couto Nince,
  • Maria Amélia Ferreira,
  • Maristela Curado do Amaral,
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  • Miguel Carvalho Rebello,
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Colaborou com Tatyane Gameiro

Saúde Correio B+

Nutricionista e cientista social fala sobre ciência e escuta à mulher a partir dos 35 anos

"Passei a vida ouvindo mulheres dizerem que estavam bem quando não estavam e construí uma empresa para mudar isso".

28/09/2026 15h05

Nutricionista e cientista social fala sobre ciência e escuta à mulher a partir dos 35 anos

Nutricionista e cientista social fala sobre ciência e escuta à mulher a partir dos 35 anos Foto - Pinterest

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Vanessa Costa é nutricionista, cientista social e empresária. CEO-fundadora da NutrAlive, marca de suplemento alimentar para mulheres a partir dos 35 anos, ela criou a empresa para levar ao mercado e à comunicação a leitura que já fazia no consultório: a de que saúde da mulher não cabe só no exame.

“Eu nunca consegui olhar para a saúde da mulher só pelo prato ou pelo exame. Sempre olhei também para o contexto social: o que a sociedade espera dela, o que ela fala e o que ninguém pergunta”, explica.

“Eu via o mesmo padrão se repetir: mulheres competentes, informadas, que faziam tudo certo e mesmo assim não reconheciam as respostas do próprio corpo. O que faltava não era esforço delas, era explicação e escuta. Foi aí que eu entendi que a resposta que eu dava individualmente, no consultório, podia ser estruturada em formação de profissionais, conteúdo e comunidade”, Vanessa.

O suplemento alimentar da NutrAlive é uma dose diária de 6,5 g com 7 ativos: creatina (3000mg), vitamina D (20 μg), cálcio (500mg), beta-glucana (0,8 g), triptofano (200mg), ácido ortossilícico (0,5 mg) e extrato de cranberry (39 mg). A fórmula tem sabor natural de cranberry, sem conservantes, sem adoçantes artificiais e sem corantes. O produto é vendido na loja virtual própria da NutrAlive e na Amazon, com opção de assinatura mensal.

Natural do Rio de Janeiro (RJ), Vanessa Costa, 45, mora atualmente em São Paulo (SP). É casada e mãe de pet. Além da NutrAlive, é fundadora da MenoTech, criada em parceria com o professor e coordenador científico Kelvin Taporosky. A empresa capacita profissionais de saúde para o cuidado da mulher na menopausa, conecta esses profissionais às mulheres que buscam atendimento qualificado e apoia outras companhias a incluírem a saúde da mulher nessa fase em suas agendas de bem-estar. Vanessa também fundou uma comunidade que reúne mulheres que atravessam a transição, e é colunista da Gazeta de S. Paulo e do FitFeed, onde escreve sobre menopausa.

“A menopausa me escolheu antes de eu escolher o tema: ela apareceu na minha própria história como o assunto que ninguém tinha nomeado. Ali eu percebi que o problema não era falta de ciência — a ciência existe, é robusta e está publicada. O problema era falta de tradução e de escuta. Menopausa não é um evento clínico isolado: é um marco de longevidade que condiciona as décadas seguintes de saúde óssea, cardiovascular, metabólica e cognitiva da mulher”, completa.

Nutricionista e cientista social fala sobre ciência e escuta à mulher a partir dos 35 anosVanessa Costa - Divulgação

 

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