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Bola de neve

Evitar discussões de maneira crônica pode ter sérias consequências

Evitar discussões de maneira crônica pode ter sérias consequências

IG

28/03/2011 - 05h30
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Faz algumas semanas que Casey Heynes ganhou notoriedade: o australiano de 15 anos de idade é protagonista de um vídeo amador que vem circulando na internet e contabiliza centenas de milhares de acessos. Nas imagens, ele está no pátio do colégio quando toma um soco no rosto. O agressor, outro garoto, segue com os golpes, provoca. E então, num ímpeto, Casey suspende ao ar o colega de escola e o arremessa contra o chão, com fúria. O agressor inicial levanta-se cambaleante e desnorteado, enquanto Casey se afasta.

Já na fase posterior à fama repentina, ele explicou num programa de tevê que vinha sendo vítima de bullying havia três anos. Faziam troça de seu sobrepeso. Jamais reagira, e chegou mesmo a considerar suicídio, em suas próprias palavras. Até que veio o tal ataque furioso.

No caso (extremo) de Casey, há diversos componentes envolvidos no episódio: a reação ao vexame recorrente a que estava exposto, o sentimento acumulado por longo período etc. Mas, em alguma medida, pode-se especular que ocorreu um surto de raiva, que é uma das decorrências possíveis da opção por evitar conflitos a todo e qualquer custo.

Ao se falar em “conflitos”, agora, devem ser consideradas as discussões naturais, as trocas verbais, trocas de ideias – e nada de tomar isso como sinônimo de embate físico. Ocorre que há pessoas que fazem de tudo para escapar dessas situações. Evitam tanto quanto lhes for permitido, e tal postura periga provocar danos.

“Se você não coloca essa energia no lugar adequado, ela vai se expressar de alguma outra forma. Pode ser no físico (alguma doença) e pode ser no emocional (de maneira concreta, nos aspectos interpessoais, nos relacionamentos)”, aponta o psicólogo Lucio Guilherme Ferracini, diretor de ensino e ciências da ABPS (Associação Brasileira de Psicodrama e Sociodrama). Segundo ele, o indivíduo absolutamente avesso à discussão, em casos mais sérios, se isola, tem alteração prejudicial dos vínculos e sua produtividade diminui.

Para ‘não perder a amizade’


O coordenador de logística Hugo Fonseca Garcia, 34, de Belo Horizonte (MG), conta que sua maneira “pacífica” tem reflexos em todos os campos de sua vida e que já se sentiu prejudicado por diversas vezes. “Eu estive num relacionamento em que fui taxado até como ‘político’. Ela me perguntava: ‘Por que você é desse jeito, por que você não discute?’. Sem contar que a gente fica querendo soltar e também fica engolindo aquilo ali”, recorda. “Sofre por dentro de alguma maneira, e pode até descontar em outra coisa que não tem nada a ver.”

A despeito desses efeitos negativos, ele diz que gosta de ser assim e julga que os benefícios superam os problemas. Inclusive no emprego, em que ocupa uma posição que muitas vezes faz a ponte entre diretoria e operários. “É uma empresa italiana, a maioria discute, tem conflito. Já fui cobrado de ser mais assertivo, mas entendem meu jeito. E não quer dizer que eu não tenha opinião forte. O que eu faço é mostrar minha opinião de modo diferente.”

Observa, no entanto, que carrega alguns arrependimentos das brigas que “não comprou”, como aquela em que, tempos atrás, colocado contra a parede por um casal de amigos, optou por não tomar partido. “Fui omisso, para não perder a amizade. Deveria ter agido de outra forma”, assegura.

A exemplo de Hugo Garcia, o consultor empresarial Eduardo Eiji Vargas Kuwabara, 29, de São Bernardo do Campo (SP), afirma que sempre se esquivou das brigas. “Imagino que, em algumas situações, se eu tivesse tido uma postura mais enérgica, não teria sido afetado. Quando a pessoa percebe que você fica na defensiva, acaba abusando.” Refere-se, sobretudo, à época da escola.

Ele acha que, no momento atual, é necessário mais cuidado: “Hoje, vejo até um pouco como uma falha mesmo, principalmente na vida adulta. Não é bom ser 100% passivo, evitar o confronto. Tenho me policiado em certas situações, para tomar posição. Mas, ainda que queira adotar essa postura, é muito difícil para mim. Tenho um perfil muito mais conciliador, diplomático”.

Lidar com as diferenças


O psicanalista Ernesto Duvidovich, diretor do CEP (Centro de Estudos Psicanalíticos), entende que não há uma fórmula capaz de dizer quando vale a pena comprar uma briga. Depende da pessoa, da circunstância de vida de cada indivíduo. É matéria relativa, portanto, de acordo com a sua compreensão. As intensidades dos sentimentos variam de sujeito para sujeito. Ademais, vínculos e relações passam necessariamente por discussões, necessárias à saúde física e mental.

Entretanto, ele fala em “patologias de conflito”. “A falta total de conflito é a pior delas, se é definitiva, se é algo que predomina. É uma condição interna que precisa de tratamento, porque vai dificultar muito a vida do sujeito. Poderá adoecê-lo, e vai atrapalhar seu desempenho, tanto pessoal quanto profissional”, avalia.

Como exemplo típico, ele cita as discórdias entre casais. Existem, obviamente, os que não conhecem momentos de harmonia, de encontro – estes estariam com o tipo inverso de patologia. Mas aqueles que não têm nenhum conflito estão estagnados, não crescem e acabam estabelecendo uma relação “infantilizante”.

“Inclui-se, aí, uma questão fundamental, muito mais sutil: saber lidar com diferenças. Alguém que cronicamente se apaga ante qualquer diferença, que escolhe não confrontar em qualquer ordem, está incapaz de lidar com divergências. Tem a fantasia de que o outro nunca vai admitir uma diferença, é algo que ele projeta no outro. Ele não sabe lidar com a situação e supõe que ninguém saiba.”

Medo de ser rejeitado


O psicólogo Lucio Guilherme Ferracini ressalva que a pessoa que apresenta tal característica é costumeiramente vista como generosa. E tem medo de magoar, de provocar qualquer rejeição. No fundo, porém, ela talvez se afaste do enfrentamento para não perder a posição de bem vista, bem quista. “O preço que ela paga está numa balança desigual, pendendo mais para o sofrimento”, pondera.

Para Ernesto Duvidovich, o mal-estar, em si, não é patológico. Em relação a sentimentos íntimos, as pessoas podem viver arrependimentos, viver a culpa por tomar parte em entreveros, por expressar descontentamento, por não expressar. “O mal-estar faz parte do sujeito. A modernidade cria uma imagem de subjetividade induzindo algo como ‘você tem que ser feliz!’, e isso significaria não ter conflito, nada de brigas. Esse ideal subjetivo gera muitas inibições”.
 

Gastronomia Correio B+

Dia das Crianças (12/10): Panquecas Coloridas são opções criativas para surpreender a criançada

No dia delas, diversão e sabor à mesa com uma sugestão para a criançada cozinhar e se divertir com a família

11/10/2026 10h30

Dia das Crianças (12/10): Panquecas Coloridas são opções criativas para surpreender a criançada

Dia das Crianças (12/10): Panquecas Coloridas são opções criativas para surpreender a criançada Foto: Divulgação

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O Dia das Crianças é uma oportunidade de celebrar a alegria, a criatividade e os pequenos momentos que se transformam em grandes lembranças. E que tal aproveitar a data para reunir a família na cozinha e preparar uma receita divertida, colorida e cheia de sabor? Além de estimular a imaginação dos pequenos, cozinhar juntos é uma maneira deliciosa de compartilhar experiências e despertar o interesse das crianças pelos alimentos.

Para deixar a comemoração ainda mais especial, o Divino Fogão ensina a preparar uma panqueca colorida, que promete conquistar a criançada pelo visual e pelo sabor. Uma receita prática e criativa para transformar a hora da refeição em uma verdadeira brincadeira gastronômica. Quer aprender a fazer essa delícia em casa? Confira o passo a passo e entre nessa aventura de cores e sabores!
 

PANQUECAS COLORIDAS

Ingredientes:

  • 1 xícara de farinha de trigo
  • 1/2 xícara de leite
  • 1 ovo
  • 1/2 cenoura, espinafre e beterraba pequena cozidas.
  • 1 colher de sopa de óleo
  • 1/2 colher de chá de fermento químico
  • 1 pitada de sal

Modo de preparo:

Bata todos os ingredientes no liquidificador até obter uma massa lisa e homogênea. Aqueça uma frigideira antiaderente, coloque pequenas porções da massa e doure dos dois lados. Sirva em seguida.

 

Saúde Correio B+

Roer unhas pode provocar desgaste irreversível dos dentes e alterar a mordida, alertam especialistas

Hábito frequentemente associado à ansiedade pode causar danos permanentes ao esmalte dentário, sobrecarregar a mandíbula e aumentar o risco de infecções por bactérias presentes sob as unhas

10/10/2026 15h00

Roer unhas pode provocar desgaste irreversível dos dentes e alterar a mordida, alertam especialistas

Roer unhas pode provocar desgaste irreversível dos dentes e alterar a mordida, alertam especialistas Foto: Divulgação

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Muito além de uma simples mania, roer unhas pode provocar danos permanentes à saúde bucal. O hábito, conhecido clinicamente como onicofagia, favorece o desgaste irreversível do esmalte dentário, pode alterar a mordida, sobrecarregar a articulação da mandíbula e aumentar a exposição da boca a bactérias presentes sob as unhas.

Frequentemente associado à ansiedade e a outros comportamentos repetitivos relacionados ao estresse emocional, o problema pode surgir em qualquer idade e, muitas vezes, evoluir de forma silenciosa. Como os danos costumam aparecer gradualmente, é comum que só sejam percebidos quando a estrutura dos dentes já foi comprometida.

Segundo a cirurgiã-dentista Dra. Jose Daniela Delgado, especialista em GBT (Guided Biofilm Therapy) da EMS e especialista em Estomatologia e Odontologia Legal e Forense, a onicofagia não deve ser encarada apenas como um hábito estético.

“A onicofagia é um comportamento repetitivo frequentemente relacionado à ansiedade e que acontece de forma inconsciente. Não representa falta de controle ou fraqueza, mas uma maneira que algumas pessoas encontram para lidar com determinadas emoções. O problema é que, quando se torna frequente, pode causar consequências importantes para a saúde bucal”, explica.

Embora fatores como rotina acelerada, excesso de estímulos e estresse sejam frequentemente associados ao aumento da ansiedade, a especialista ressalta que não existe um único gatilho para esse comportamento.

“Cada pessoa manifesta a ansiedade de uma forma diferente. Assim como algumas comem compulsivamente, outras desenvolvem hábitos repetitivos, como roer as unhas. Por isso, é importante compreender a origem desse comportamento para tratá-lo adequadamente”.

Um dos principais riscos está no desgaste do esmalte dentário, camada responsável por proteger os dentes e que não possui capacidade natural de regeneração.

O atrito constante entre os dentes provocado pelo hábito acelera esse processo e pode comprometer permanentemente sua estrutura.

“Diferentemente da pele, o esmalte do dente não se regenera. Quando ele é perdido, não volta naturalmente. Dependendo da extensão do desgaste, o paciente pode precisar de restaurações, facetas ou coroas para recuperar a função e a estética dos dentes”, alerta.

Além do desgaste, a onicofagia pode favorecer pequenas fraturas dentárias, aumentar a sensibilidade e provocar alterações na mordida. O esforço repetitivo também sobrecarrega a articulação temporomandibular (ATM), responsável pelos movimentos da mandíbula, favorecendo dores, inflamações, estalos e alterações funcionais da mastigação, especialmente em pessoas que também apresentam bruxismo ou apertamento dental.

Outro risco pouco conhecido está relacionado à contaminação por microrganismos.

As unhas entram em contato diariamente com diferentes superfícies e acumulam biofilme bacteriano. Ao levá-las repetidamente à boca, esses microrganismos podem ser introduzidos na cavidade oral, aumentando o risco de infecções e desequilíbrios da microbiota bucal.

“As unhas acumulam bactérias presentes nas superfícies que tocamos ao longo do dia. Ao levá-las repetidamente à boca, aumentamos a exposição a microrganismos que não fazem parte da microbiota bucal, favorecendo infecções e outros problemas de saúde”.

Além dos impactos físicos, a onicofagia é reconhecida pela comunidade médica como um comportamento repetitivo focado no corpo (Body-Focused Repetitive Behavior – BFRB). O transtorno está descrito no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5-TR), da American Psychiatric Association, e integra o grupo dos transtornos obsessivo-compulsivos e relacionados. Revisões científicas também apontam associação entre o hábito e desgaste dentário, alterações na mordida, lesões gengivais, disfunções da ATM e maior exposição da cavidade oral a microrganismos potencialmente patogênicos. 

Para interromper o comportamento, a especialista destaca que simplesmente tentar parar de roer as unhas costuma não ser suficiente.

“Parar de roer as unhas sem tratar a causa costuma ser apenas uma solução temporária. É preciso identificar o gatilho emocional. Dependendo do caso, o tratamento pode envolver acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, além de recursos odontológicos para proteger os dentes durante esse processo”.

Ela alerta ainda que muitas pessoas acabam substituindo a onicofagia por outros hábitos igualmente prejudiciais, como morder tampas de caneta, lápis ou outros objetos rígidos, o que pode intensificar o desgaste dentário.

Além do controle do comportamento, o acompanhamento odontológico periódico é fundamental para identificar precocemente sinais de desgaste e de acúmulo de biofilme. Nesse contexto, protocolos preventivos como o Guided Biofilm Therapy (GBT) permitem evidenciar o biofilme antes da remoção, tornando a limpeza profissional mais precisa e ajudando o paciente a compreender melhor sua condição e participar de forma mais ativa dos cuidados com a saúde bucal.

Para a Dra. Daniela, o principal alerta é não subestimar hábitos aparentemente inofensivos. “Quando um hábito começa a desgastar os dentes, alterar a mordida ou provocar dores na mandíbula, ele deixa de ser apenas uma mania e passa a ser uma questão de saúde. Quanto mais cedo o problema for identificado e tratado, maiores são as chances de evitar consequências permanentes”.

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