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LITERATURA

Festival reúne 18 textos inéditos que revelam novos autores de MS

"Antologia Festival da Juventude Contos, Poemas e Crônicas" reúne 18 textos inéditos que revelam lirismo, engajamento e experimentação de linguagem de novos autores do Estado; com tiragem de 3 mil exemplares, livro será lançado hoje na Reitoria da UFMS

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A Associação Amigos do Cinema e da Cultura (Aacic) e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) lançam hoje, na Sala de Atos da Reitoria da UFMS, às 14h, a “Antologia Festival da Juventude – Contos, Poemas e Crônicas”.

O volume reúne os melhores textos produzidos por jovens escritores no âmbito do concurso literário promovido pelo Festival da Juventude (FestJuv), realizado entre 25 e 28 de abril de 2024, na Cidade Universitária, em Campo Grande.

A obra apresenta 18 trabalhos selecionados a partir de mais de 700 inscrições nas duas categorias do concurso literário, divididas, por sua vez, conforme a faixa etária dos participantes – de 15 anos a 18 anos e de 19 anos a 24 anos.

Os contos, poemas e crônicas abordam uma variedade de temas que refletem as experiências, os anseios e a visão de mundo de uma nova geração de literatos e foram escolhidos por um júri especializado.

A escritora e professora Lucilene Machado diz que foi uma honrosa e prazerosa empreitada participar como jurada do evento.

“Foi uma surpresa ver os jovens do Estado ocupando o espaço da ficção com temas relevantes como desumanização, questões de preconceitos, povos indígenas e temas que simbolizam as lutas atuais da coletividade brasileira. Além disso, pudemos constatar experimentações da linguagem, subversões, narrativas místicas e míticas, o que constitui originalidade no fazer artístico”, afirma Lucilene.

A escritora Sylvia Cesco, também integrante do júri, reflete: "Quero falar de uma coisa... adivinha onde ela anda...’ Foi com esses versos da arrebatadora canção ‘Coração de Estudante’, dos mineiros Milton Nascimento e Wagner Tiso, que me vi fazendo parte do júri dos concursos literários do Festival da Juventude, ocorrido em abril de 2024, em Campo Grande. E foi ali que pude compreender por onde anda, efetivamente, a nossa linda juventude, que me surpreendeu, a cada leitura de seus textos em prosa e verso, pela espantosa revelação de seus gentis sentimentos guardados ou pela corajosa denúncia das perversidades sociais em ousadas experiências de linguagem”, afirma.

MAIS QUE PRÊMIO

“Ficou nítido para mim o fato de que os mais de 700 participantes não se inscreveram tão somente pela possibilidade de prêmios, mas por compromissos éticos e morais de, com suas crônicas, contos e poesias, poderem se defender ou defeder seus pares sem voz e vez. Que venham outros e sempre e mais Festivais da Juventude”, exalta Sylvia.

O Festival da Juventude, realizado em parceria da UFMS com a Aacic, com o apoio de emenda parlamentar destacada pelo deputado Vander Loubet, promoveu diversas atividades, como concursos, workshops, palestras, oficinas, shows e espetáculos teatrais, e culminou na seleção de 18 finalistas do concurso literário, cujos trabalhos integram esta antologia, que desde já se torna uma referência na literatura de Mato Grosso do Sul.

O FestJuv teve também o apoio das Secretarias de Estado de Turismo, Esporte e Cultura (Setesc), de Cidadania e de Educação, da Fundação de Cultura de MS (FCMS), da TVE, da Fetems, da Fecomércio-MS e do Sesc-MS.

A publicação da antologia marca uma etapa importante na promoção de novos talentos literários e contribui para dinamizar e pluralizar o cenário cultural sul-mato-grossense. O livro também é uma homenagem ao talento, à dedicação e à visão criativa dos jovens participantes, que, com suas palavras, oferecem uma leitura rica e diversificada.

SONHO REALIZADO

“Sou a Mafer Cristino, apenas mais uma jovem de 17 anos da capital sul-mato-grossense, que encontrou na escrita um refúgio para a alma! Quando descobri o maravilhoso evento Festival da Juventude, produzido pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, logo me atentei a enviar meus textos e concorrer no festival. Tamanha ansiedade me rondava, mas, como sempre confiei que a literatura tem potencial de impactar profundamente a vida das pessoas, acreditei que meus textos seriam essenciais nesse festival”, diz a campo-grandense Mafer Cristino, de 17 anos.

“Agora estamos à espera do lançamento do tão sonhado livro ‘Antologia’, com todos os contos, poemas e crônicas premiados. E digo com muito orgulho que ganhei em duas categorias. Nós, jovens escritores, que tivemos nossos talentos incentivados pelo FestJuv, nos sentimos intensamente marcados até hoje com os efeitos desse evento. E esperamos ansiosamente pelo lançamento do querido livro. Esperamos que gostem do resultado. Me sinto muito grata”, celebra Mafer.

“Para mim, ter a oportunidade de fazer parte desta antologia e do Festival da Juventude é uma grande honra. E, para falar a verdade, quando eu enviei meu texto para o festival, eu não esperava ser um dos escolhidos para ser publicado. Eu escrevi por hábito e gosto pela escrita, era mais uma vontade de me expressar livremente para outras pessoas do que ambição”, conta Nicholas Notario, de 15 anos, nascido em Jardim.

“Mas quando meu nome foi anunciado no palco, aquilo foi um sonho sendo realizado. Para alguém como eu, que escreve como meio de traduzir pensamentos para a realidade, estar sendo publicado é algo extremamente gratificante. É como uma confirmação de que minha escrita faz, sim, sentido. Eu acredito que isso me ajudará muito no futuro”, avalia o jovem escritor.

A cerimônia de lançamento desta segunda-feira contará com a presença de Camila Ítavo, reitora da UFMS, além de outras autoridades acadêmicas, do deputado Vander Loubet, do diretor do Festival da Juventude, Nilson Rodrigues, da equipe organizadora do FestJuv e dos jovens autores participantes do livro.

Os 3 mil exemplares da tiragem serão distribuídos gratuitamente para alunos da rede pública de ensino, bibliotecas, jovens de aldeias indígenas, livrarias e clubes do livro.

Com este projeto, a Aacic e a UFMS reforçam seu compromisso com o fomento à cultura e à educação, “criando espaços para o desenvolvimento de talentos emergentes e promovendo o engajamento dos jovens com a literatura, as artes e a cadeia produtiva do livro e da leitura”.

SERVIÇO

Lançamento
“Antologia Festival da Juventude – Contos, Poemas e Crônicas”
Hoje, às 14h.
Sala de Atos da Reitoria da UFMS.

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Comportamento Correio B+

Coluna Desatando Nós: Quando a comida fala o que as palavras não conseguem dizer

No mês da Ação contra os Transtornos Alimentares, campanha que tem como objetivo quebrar preconceitos, informar a população sobre os riscos e promover o tratamento precoce destas condições, a Dra.em psicologia Vanessa Abdo fala sobre o assunto.

07/06/2026 16h00

Coluna Desatando Nós: Quando a comida fala o que as palavras não conseguem dizer

Coluna Desatando Nós: Quando a comida fala o que as palavras não conseguem dizer Foto: Divulgação

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Anorexia, bulimia e compulsão alimentar costumam despertar muitas dúvidas e, infelizmente, muitos julgamentos. Ainda é comum ouvir explicações simplistas, como atribuir esses transtornos à vaidade, à influência das redes sociais ou a um único acontecimento marcante. A realidade, porém, é muito mais complexa.

Os transtornos alimentares não surgem por uma única causa. Não existe uma relação direta de causa e efeito capaz de explicar, sozinha, por que uma pessoa desenvolve anorexia, bulimia ou compulsão alimentar.

O que a ciência tem demonstrado é que esses quadros costumam resultar da soma de diversos fatores de risco, que podem incluir predisposição biológica, características de personalidade, experiências emocionais, ambiente familiar, pressões sociais e culturais relacionadas ao corpo e à aparência.

Isso significa que duas pessoas podem passar pela mesma situação e responder de formas completamente diferentes. É justamente essa complexidade que exige cautela para evitar culpabilizações. Nem famílias são as únicas responsáveis, nem redes sociais explicam tudo, nem a força de vontade resolve o problema.

Ao mesmo tempo em que existem fatores de risco, também existem fatores de proteção. Relações familiares acolhedoras, ambientes em que emoções podem ser expressas sem julgamento, autoestima construída para além da aparência física, senso de pertencimento, desenvolvimento de habilidades emocionais e acesso à informação de qualidade são alguns elementos que contribuem para a saúde mental e para uma relação mais equilibrada com a alimentação e com o próprio corpo.

Outro aspecto fundamental é compreender que transtornos alimentares não são escolhas. São condições de saúde mental que podem trazer graves consequências físicas, emocionais e sociais. Quanto mais cedo forem identificados os sinais de sofrimento, maiores são as possibilidades de recuperação.

Por isso, o tratamento multidisciplinar é tão importante. Psicólogos, psiquiatras, médicos, nutricionistas e outros profissionais atuam de forma complementar, olhando para a pessoa em sua totalidade. Não se trata apenas de mudar comportamentos alimentares, mas de compreender emoções, fortalecer recursos internos e promover saúde de forma integrada.

Vamos desatar esses nós?

@vanessaabdo7

Coluna Desatando Nós: Quando a comida fala o que as palavras não conseguem dizerVanessa Abdo - Dra. em psicologia - Colunista do Correio B+

 

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Como diferentes formas de abuso podem afetar os direitos das mulheres na separação e aposentadoria

Especialistas explicam como a violência psicológica, patrimonial e econômica pode gerar consequências que se estendem por toda a vida da mulher

07/06/2026 14h00

Como diferentes formas de abuso podem afetar os direitos das mulheres na separação e  aposentadoria

Como diferentes formas de abuso podem afetar os direitos das mulheres na separação e aposentadoria Foto: Divulgação

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Quando se fala em violência contra a mulher, a agressão física costuma ser a forma mais visível e discutida. No entanto, muitas mulheres vivenciam diariamente outras formas de violência que, embora menos perceptíveis, podem causar impactos profundos e duradouros.

A violência psicológica, patrimonial e econômica afeta não apenas a autonomia da mulher durante o relacionamento, mas também sua segurança financeira após a separação e sua proteção previdenciária no futuro.

Segundo as advogadas Dra. Élide Sampaio, especialista em Direito das Famílias, e Dra. Natália Donato, especialista em Direito Previdenciário, compreender esses reflexos é fundamental para garantir a proteção integral dos direitos das mulheres.

Quando o cuidado com a família gera dependência financeira

Ainda hoje, é comum que muitas mulheres assumam a maior parte das responsabilidades relacionadas aos filhos, à organização da casa e ao cuidado de familiares. Em diversas situações, elas reduzem sua jornada de trabalho, deixam oportunidades profissionais de lado ou até interrompem suas carreiras para atender às necessidades da família.

Embora essa dedicação seja essencial para o desenvolvimento familiar, ela frequentemente resulta em menor independência financeira e menor participação na construção de patrimônio próprio.

"A divisão desigual das responsabilidades familiares pode gerar consequências importantes quando ocorre a separação. Muitas mulheres contribuíram significativamente para a família por meio do trabalho doméstico e dos cuidados com os filhos, mas chegam ao fim da relação em situação de vulnerabilidade econômica", explica a Dra. Élide Sampaio.

Violência patrimonial e econômica: formas silenciosas de controle

A violência patrimonial e econômica ocorre quando há controle excessivo dos recursos financeiros, impedimento ao exercício profissional, retenção de documentos, ocultação de patrimônio ou qualquer conduta destinada a limitar a autonomia financeira da mulher.

Em muitos casos, a dependência econômica torna-se um dos principais fatores que dificultam o rompimento de relacionamentos abusivos.

"O agressor muitas vezes utiliza o controle financeiro como instrumento de poder, fazendo com que a mulher se sinta incapaz de reconstruir sua vida fora daquela relação", destaca a Dra. Élide Sampaio.

O ordenamento jurídico brasileiro prevê mecanismos de proteção para essas situações, incluindo a correta partilha dos bens adquiridos durante a união e a aplicação das medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha quando caracterizadas formas de violência patrimonial, psicológica ou econômica.

Como diferentes formas de abuso podem afetar os direitos das mulheres na separação e  aposentadoriaDra Élide Sampaio - Espealizada em direito das famílias e sucessões - Foto: Divulgação

A importância dos alimentos na busca pelo equilíbrio financeiro

Além da pensão destinada aos filhos, determinadas situações podem justificar a fixação de alimentos em favor do ex-cônjuge ou ex-companheiro.

Isso ocorre especialmente quando a separação evidencia um desequilíbrio econômico significativo entre as partes, decorrente da divisão de funções estabelecida durante o relacionamento.

"Existem situações em que a mulher dedicou anos ao cuidado da família e, por isso, teve sua capacidade de inserção profissional reduzida. Nesses casos, os alimentos podem exercer importante função de reequilíbrio, permitindo que ela tenha condições de reorganizar sua vida e retomar sua autonomia financeira", esclarece a Dra. Élide Sampaio.

Cada caso deve ser analisado individualmente, observando-se as necessidades de quem pede, as possibilidades de quem paga e as circunstâncias que envolveram a dinâmica familiar.

Os reflexos da maternidade e da dependência financeira na aposentadoria

As consequências da desigualdade vivenciada durante o relacionamento muitas vezes ultrapassam o momento da separação e alcançam a vida previdenciária da mulher.

Segundo a Dra. Natália Donato, a interrupção da atividade profissional para dedicação aos filhos e à família pode resultar em períodos sem contribuição ao INSS, reduzindo o tempo necessário para a aposentadoria e dificultando o acesso a benefícios previdenciários.

"Muitas mulheres chegam à fase de planejamento da aposentadoria com lacunas contributivas importantes porque passaram anos exercendo atividades essenciais dentro do ambiente familiar, mas sem remuneração e sem proteção previdenciária", explica.

Por essa razão, o planejamento previdenciário se torna uma ferramenta fundamental para identificar oportunidades de regularização das contribuições e garantir maior segurança financeira no futuro.

Dona de casa também pode construir proteção previdenciária

Uma informação que ainda é pouco conhecida é que a dona de casa pode contribuir para o INSS como segurada facultativa, mesmo sem exercer atividade remunerada.

Existem modalidades de contribuição acessíveis, inclusive para famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único, permitindo acesso a benefícios previdenciários como aposentadoria, auxílio por incapacidade temporária e salário-maternidade, desde que cumpridos os requisitos legais.

Como diferentes formas de abuso podem afetar os direitos das mulheres na separação e  aposentadoriaDra. Natália Donato - Especializada em direito previdenciário - Foto: Divulgação

Conhecimento e autonomia como formas de proteção

Para as especialistas, o enfrentamento da violência contra a mulher também passa pelo acesso à informação e pelo fortalecimento da autonomia financeira.

"Muitas mulheres desconhecem que situações aparentemente comuns podem configurar violência patrimonial ou econômica. Conhecer os próprios direitos é essencial para romper ciclos de dependência e construir um futuro com mais segurança e liberdade", concluem as advogadas.

A atuação conjunta do Direito das Famílias e do Direito Previdenciário permite uma proteção mais ampla da mulher, oferecendo instrumentos jurídicos capazes de preservar sua dignidade, sua autonomia financeira e sua segurança para o futuro.

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