Correio B

AGENDA CULTURAL

Fim de semana terá espetáculos, sessão gratuita de cinema e opções de lazer para diferentes públicos

Programação reúne espetáculos, sessão gratuita de cinema, atividades infantis, feira, atrações em shoppings e opções de lazer para diferentes públicos

Continue lendo...

O fim de semana chega a Campo Grande com uma programação cultural que passa pela literatura, pelo teatro, pelo cinema e pelas brincadeiras.

Entre hoje e domingo, a Capital recebe espetáculos voltados às crianças, sessões gratuitas de filmes, feira de brechós e atividades para famílias, além de atrações em shopping centers.

Entre os destaques está o retorno de Márcio de Camillo ao Teatro Glauce Rocha com “Crianceiras Mário Quintana”, espetáculo que transforma poemas do escritor gaúcho em música e teatro.

A agenda também inclui apresentações infantis no Sesc Teatro Prosa e no Bosque dos Ipês, além de novidades nas programações dos shoppings Campo Grande e Bosque dos Ipês.

MARIO QUINTANA NO PALCO

Depois de circular por diferentes cidades brasileiras e chegar também às escolas, o projeto “Crianceiras”, criado pelo cantor e compositor Márcio de Camillo, retorna ao local onde nasceu.

Nos dias 19 e 20 de setembro, às 16h, o Teatro Glauce Rocha recebe “Crianceiras Mário Quintana – Poesias Musicadas por Márcio de Camillo”.

POESIA Crianceiras - Montagem teatral feita pelo cantor e compositor Márcio de Camillo marca os 120 anos de nascimento do poeta Mario Quintana
Foto: Divulgação

A montagem marca os 120 anos de nascimento do poeta Mario Quintana e combina música ao vivo, teatro e recursos visuais inspirados no toy theater, conhecido também como teatro de papel.

No palco, figuras de papelão criam cidades e paisagens que acompanham a narrativa. A cenografia é assinada pelo designer e artista gráfico Carlo Giovani e a direção geral é de Luiz André Cherubini, do Grupo Sobrevento.

A história começa em um ambiente cinzento e solitário e acompanha sua transformação até uma celebração da primavera. A escolha do período da apresentação também estabelece uma relação direta com a narrativa do espetáculo.

“Eu tenho muitas histórias nesse teatro e respeito muito esse espaço. Para mim, é um dos grandes teatros da cidade e do Brasil”, afirma Camillo.

A relação do músico com Quintana, porém, começou ainda na juventude, quando recebeu de seu professor de literatura, Mestre João, uma edição da “Antologia Poética de Mario Quintana”.

A experiência também se relaciona com a proposta educacional do projeto, que passou a ser utilizado por professores para aproximar crianças e adolescentes da poesia.

“Eu cheguei à poesia por causa da educação. Então, essa homenagem também é para os educadores, que às vezes são responsáveis pelo sonho de uma pessoa”, diz.

O repertório reúne poemas como “Canção de Junto de Berço”, “Cidadezinha”, “Canção da Ruazinha Desconhecida”, “Canção de Nuvem e Vento”, “Cantiguinha de Verão” e “Canção da Primavera”, apresentados em ritmos como valsa, forró, jazz e rock.

A formação musical conta com Camillo na voz, violão e viola caipira; Nath Calan na percussão e bateria; Tiago Sormani no teclado, sanfona, flauta e clarinete; e Denise Ferrari no violoncelo.

Com 55 minutos de duração, a apresentação tem classificação livre. Os ingressos estão disponíveis pelo link bit.ly/CrianceirasMarioQuintanaCG. Não será permitida a entrada após o início do espetáculo.

SESC

Encerrando a Semana do Cinema no Sesc Teatro Prosa, hoje, às 19h, a programação termina com “Folhas de Outono”, filme finlandês dirigido por Aki Kaurismäki.

A comédia dramática acompanha Ansa, estoquista de supermercado, e Holappa, um ex-alcoólatra, que se conhecem por acaso em um bar de karaokê em Helsinque.

O encontro entre os dois dá início a uma relação marcada por solidão, dificuldades e mal-entendidos.

Os ingressos para as sessões são gratuitos e podem ser retirados pela plataforma Sympla.

Amanhã, às 16h, o Sesc Teatro Prosa recebe “O Colecionador de Brincadeiras”, da Trupe Teatro de Brincar.

A montagem reúne cantigas, histórias, brinquedos e personagens ligados à cultura popular brasileira.

A apresentação nasceu do encontro de Edu Brincante com as mestras Lydia Hortélio e Lucilene Silva e apresenta referências de diferentes infâncias do Ppaís. Música, brinquedos, histórias e imaginação são utilizados para aproximar crianças e adultos das brincadeiras tradicionais.

A proposta também busca recuperar memórias de brincadeiras e estimular a participação do público durante a experiência.

Os ingressos estarão disponíveis pelo Sympla.

SHOPPINGS

TEATRO Tin Dô Lê Lê - Espetáculo utiliza bonecos, personagens, músicas e brincadeiras para criar uma experiência de interação entre crianças e familiares
Foto: Divulgação

A programação infantil também chega ao Shopping Bosque dos Ipês no domingo. Às 16h, o projeto Teatro no Bosque apresenta “Tin Dô Lê Lê – Edição Bonecos e Fantasias”, com Edu – Teatro de Brincar.

Voltado especialmente para crianças de 0 a 5 anos, o espetáculo utiliza bonecos, personagens, músicas e brincadeiras para criar uma experiência de interação entre crianças e familiares.

Depois da apresentação, às 16h40min, acontece a oficina “Desenhando a História”, na qual as crianças poderão transformar em desenhos os personagens e momentos vistos no espetáculo.

O teatro e a oficina são gratuitos, mediante inscrição antecipada.

Amanhã, o shopping também recebe o Campeonato Estadual de Xadrez Veteranos 2026, promovido pela Federação Sul-Mato-Grossense de Xadrez (Fesmax). A partir das 14h, acontece ainda o tradicional futebol de mesa, em parceria com a Federação de Futebol de Mesa de Mato Grosso do Sul (Fefumems).

Entre as atrações que permanecem no local está o Original Game, experiência destinada a participantes de 6 anos a 80 anos e inspirada em jogos medievais, parques, quermesses e festas populares. O Parque da Galinha Pintadinha, na Praça Central, também continua como opção para as crianças.

A programação religiosa inclui Santa Missa amanhã, às 17h30min, e no domingo, às 11h.

A partir de amanhã, o estacionamento do Shopping Campo Grande, próximo ao Detran, recebe o Adoleta Jump Park. A atração ocupa uma área de 1.600 m² e reúne 22 atividades, entre circuito de obstáculos, rampas, escorregadores e estruturas para escalada.

O espaço é destinado a pessoas a partir de 2 anos e conta com monitores. Os ingressos custam a partir de R$ 49,90 para 20 minutos e R$ 69,90 para 40 minutos. Pessoas com deficiência têm 50% de desconto mediante apresentação de carteirinha ou laudo.

O parque funciona de terça-feira a sábado, das 16h às 22h, e aos domingos, das 16h às 21h.

Outra atração em funcionamento é a Arena Transformers, voltada para crianças de 2 anos a 13 anos. O espaço tem piscina de bolinhas, inflável com escorregador, cama elástica, kids play e um portal inflável inspirado nos personagens.

Para crianças com menos de 5 anos, a presença de um responsável é obrigatória, sem cobrança de ingresso adicional para o adulto.

Os ingressos variam conforme o tempo de permanência: R$ 60, por até 40 minutos; R$ 70, de 41 a 80 minutos; R$ 80, de 81 a 120 minutos; e R$ 90, de 121 a 160 minutos.

Crianças com deficiência e pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) têm direito à meia-entrada mediante apresentação de carteirinha ou laudo médico.

A Arena funciona de segunda a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos e feriados, das 12h às 22h.
Nas salas de cinema, a programação da semana inclui animação, suspense e terror.

“Gatos no Museu 2: Tesouros do Egito” acompanha novamente o gato Vicent e o rato Maurice em uma aventura ambientada no Egito. A dupla busca um poderoso gênio enquanto percorre pirâmides e as margens do Rio Nilo. A animação tem classificação de 6 anos.

Já “Antártida” é um thriller psicológico brasileiro ambientado na Estação Comandante Diniz, no Polo Sul.

Durante o rigoroso inverno polar, a cientista Inês sofre uma violência sexual na primeira noite do confinamento, sem conseguir identificar o agressor. A partir daí, a base é tomada pela desconfiança enquanto a subcomandante Elisabeth conduz uma investigação.

O elenco reúne Andréa Beltrão, Lázaro Ramos e Marina Ruy Barbosa, entre outros nomes.

A programação também conta com mais um capítulo da franquia de terror “Resident Evil”. 

DESAPEGA CG

A 28ª edição do Desapega CG será realizada amanhã, das 8h às 16h, no Parque Jacques da Luz, nas Moreninhas. A feira, promovida pelo Coletivo Nós Amamos Brechó, estava inicialmente prevista para o Parque Ayrton Senna, no Aero Rancho.

A mudança ocorreu após as fortes chuvas que atingiram Campo Grande. As quadras do Parque Ayrton Senna foram interditadas na quarta-feira, o que levou a organização a buscar outro espaço para manter o evento na data prevista.

O novo endereço fica na Rua Barreiras, s/n, na Vila Moreninha III. Segundo os organizadores, a feira deve reunir cerca de 25 mil itens, entre roupas, calçados, acessórios, objetos e outros produtos.

A entrada é gratuita.

Moda Correio B+ - Entre Costuras & CuLtura

Entrevista exclusiva com a arquiteta Nauíra Cordeiro. A arte de viver com identidade e elegância

Ela compartilha de seu design autoral, e o talento de transformar o universo da arquitetura e designer

01/11/2026 17h00

Coluna Entre Costuras & CuLtura: Arquitetura, identidade e a arte de viver com elegância

Coluna Entre Costuras & CuLtura: Arquitetura, identidade e a arte de viver com elegância Foto: Divulgação

Continue Lendo...

À frente da NG Home, a arquiteta e empreendedora Nauíra Cordeiro vem construindo uma trajetória marcada pela criatividade, pelo olhar apurado e pela valorização do design autoral brasileiro.

Com experiência no universo da arquitetura, do mobiliário de alto padrão e do design italiano, ela encontrou no desenvolvimento de produtos uma nova forma de expressar sua identidade criativa, unindo estética, funcionalidade e pesquisa de materiais.

Suas criações propõem um novo olhar sobre os objetos do cotidiano, transformando-os em peças que carregam personalidade e elegância.

Em novembro, Nauíra participa do evento Sobre a Mesa, idealizado por Silmara Kassab, nos dias 17 e 18, em São Paulo, encontro que celebra a conexão entre mesa posta, design e gastronomia.

A agenda também inclui uma produção especial de mesa posta para o almoço de amigo secreto de Carol Bassi, dando continuidade a uma parceria que valoriza encontros, experiências e composições cheias de estilo.

Coluna Entre Costuras & CuLtura: Arquitetura, identidade e a arte de viver com elegânciaEla compartilha de seu design autoral, e o talento de transformar o universo da arquitetura e designer - Divulgação

CE - Como começou sua trajetória na arquitetura e em que momento surgiu a ideia de criar a NG Home? O que motivou essa transição para o universo do design e da decoração?
NC -
 Minha trajetória começou na arquitetura, mas sempre tive uma relação muito próxima com o design de produto. Em 2013, tive a oportunidade de trabalhar com importantes marcas italianas de mobiliário, experiência que ampliou meu olhar sobre o design autoral. A NG Home nasceu desse desejo de criar peças próprias, explorando a relação entre forma, matéria e função, com um olhar especial para a arte de receber.

CE -  A moda e a arquitetura têm algo em comum: ambas comunicam identidade. Como você enxerga essa relação entre a maneira como nos vestimos e os ambientes que escolhemos habitar?
NC -
 Acredito que tanto a moda quanto a arquitetura são extensões da nossa personalidade. A maneira como nos vestimos e os espaços que habitamos revelam nossas referências, escolhas e valores. Em ambos os universos, a verdadeira elegância está na autenticidade.

CE - O conceito de atemporalidade está cada vez mais presente na moda e no design. O que torna uma peça ou um ambiente verdadeiramente atemporal?
NC -
 Para mim, a atemporalidade está na capacidade de transcender tendências sem perder relevância. Uma peça atemporal tem identidade, qualidade e proporções bem resolvidas. É aquilo que continua fazendo sentido e despertando interesse independentemente da época.

CE - Você acredita que a elegância de uma casa está mais relacionada ao investimento financeiro ou à sensibilidade estética e ao repertório cultural de quem a habita?
NC - 
Sem dúvida, à sensibilidade e ao repertório. O investimento pode proporcionar acesso a materiais e peças excepcionais, mas não garante elegância. Uma casa verdadeiramente sofisticada é aquela que revela personalidade, histórias e escolhas feitas com intenção.

Coluna Entre Costuras & CuLtura: Arquitetura, identidade e a arte de viver com elegânciaTalento de transformar o universo da arquitetura e designer - Divulgação

CE - Como a cultura brasileira influencia suas escolhas criativas? Existe alguma característica do nosso design que você considera especialmente valiosa?
NC -
 O design brasileiro tem uma riqueza extraordinária, especialmente na relação com os materiais, na expressividade das formas e na valorização do fazer artesanal. Admiro essa liberdade criativa e a capacidade de unir sofisticação e espontaneidade, características que considero muito próprias da nossa cultura.

CE - Em tempos de tendências rápidas e excesso de referências nas redes sociais, como encontrar uma identidade própria na decoração?
NC -
 Acredito que o primeiro passo seja desenvolver o próprio olhar. Buscar referências na arte, nas viagens, na literatura e nas experiências pessoais, e não apenas nas redes sociais. A identidade surge quando deixamos de reproduzir fórmulas e passamos a fazer escolhas que realmente nos representam.

CE - A arte de receber também comunica valores, cuidado e comportamento. Qual é o papel da mesa posta e dos pequenos rituais na construção de uma experiência elegante e acolhedora?
NC -
 Receber é, acima de tudo, um gesto de generosidade. A mesa posta e os pequenos rituais demonstram cuidado e atenção aos detalhes, transformando encontros cotidianos em momentos especiais. Acredito que a elegância está muito mais na intenção de acolher do que na formalidade.

CE - Que conselho você daria a alguém que deseja transformar sua casa em um espaço mais sofisticado, acolhedor e com personalidade, sem necessariamente realizar grandes investimentos?
NC -
 Começaria pelos detalhes. Flores frescas, uma iluminação acolhedora, livros, objetos afetivos e pequenas mudanças na composição dos ambientes podem transformar completamente a atmosfera de uma casa. Sofisticação não está necessariamente em ter mais, mas em saber escolher e valorizar aquilo que temos.

Coluna Entre Costuras & CuLtura: Arquitetura, identidade e a arte de viver com elegânciaEla compartilha de seu design autoral, e o talento de transformar o universo da arquitetura e designer - Divulgação

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com o ator Hugo Bonèmer que celebra nova fase de conquistas em sua carreira

"O Marcelo foi ver a peça na estreia, e validou meu trabalho em público, disse que se sentiu à vontade com a forma como foi representado".

01/11/2026 16h00

Entrevista exclusiva com o ator Hugo Bonèmer que celebra nova fase de conquistas em sua carreira

Entrevista exclusiva com o ator Hugo Bonèmer que celebra nova fase de conquistas em sua carreira Foto: Divulgação

Continue Lendo...

O ano de 2026 tem sido especialmente significativo para Hugo Bonèmer. Entre os palcos, o streaming e novas experiências nos bastidores, o ator vive uma fase de reconhecimento e expansão profissional.

Atualmente, protagoniza o espetáculo Feliz Ano Velho, no qual interpreta Marcelo Rubens Paiva, autor do livro que inspirou o filme "Ainda Estou Aqui", vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional.

Em cartaz no Teatro Sabesp Frei Caneca, em São Paulo, a montagem tem emocionado o público e provocado reflexões para além da história apresentada. Para Hugo, dar vida a uma personalidade tão conhecida exige, acima de tudo, verdade e sensibilidade, sem a preocupação de reproduzir fielmente seus gestos ou características.

Outra experiência marcante neste ano foi O Talentoso Ripley, projeto no qual Bonèmer ampliou sua atuação artística ao assumir também a produção e a direção, ao lado de Kamilla Rufino.

A montagem passou por diferentes temporadas no Rio de Janeiro e conquistou três indicações ao Prêmio Cenym, reconhecimento que celebra o trabalho desenvolvido em diferentes áreas do espetáculo.

Na televisão, o ator integra a segunda temporada de Amor da Minha Vida, disponível no Disney+, e também estará no telefilme Voltei na Foto, da TV Globo, contracenando em uma história que aborda memórias e conflitos do passado.

Com tantos projetos e novas possibilidades no horizonte, Hugo encerra o ano olhando para além da interpretação, interessado em desenvolver histórias que também permitam explorar seu talento como diretor e produtor.

Hugo é a Capa do Correio B+ desta semana, e em entrevista exclusiva ao Caderno ele fala sobre sua carreira e também sobre seu atual trabalho em cartaz.

Entrevista exclusiva com o ator Hugo Bonèmer que celebra nova fase de conquistas em sua carreiraO ator Hugo Bonèmer é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Sergio Santoian - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - O último musical que você havia protagonizado foi ‘Ayrton Senna, o musical’, em 2017, me fala qual o sentimento de voltar aos palcos como protagonista em um musical?
HB -
 Faz tempo mesmo, mas prefiro falar disso sem colocar peso demais na palavra protagonista. Minha carreira é de coadjuvante, protagonizar é coisa que acontece de vez em quando.

Foi até por acreditar nisso que criei o Coadjuvantes, no canal Like, pra valorizar os papéis secundários, que sustentam qualquer história tanto quanto o papel principal.

E esse elenco de "Feliz Ano Velho" prova bem esse ponto. O João Côrtes protagoniza o Eddy e está ali fazendo um coadjuvante maneiríssimo. O Matheus Ribeiro já foi Bob Esponja, Chaves, Peter Pan, levou praticamente todos os prêmios de teatro musical nos últimos anos, e faz o Divino, um enfermeiro engraçadíssimo.

A Sabrina Korgut é a voz de dublagens das mais icônicas que existem, já protagonizou musical, fez série na Globo, e está ali construindo uma personagem difícil, de dupla personalidade. Então meu sentimento de voltar é esse, de estar cercado de artistas que eu admiro.

Acreditar no rótulo de protagonista como uma verdade fixa da carreira é a maior furada que existe. É uma responsabilidade que acontece de vez em quando na vida da gente, uma função passageira, não uma qualidade permanente.

CE - Como é viver uma pessoa como Marcelo Rubens Paiva, que tem um reconhecimento nacional e internacional?
HB - 
Existe um peso extra em viver alguém real, vivo, com obra marcante e hoje ainda mais exposto por causa de "Ainda Estou Aqui".

Não é interpretar uma ideia de personagem, é interpretar uma pessoa que pode assistir, que tem família, que carrega uma história pública entrelaçada com a história política do Brasil. Isso me obriga a uma responsabilidade dupla, com a dramaturgia e com a pessoa real por trás dela.

O Marcelo foi ver a peça na estreia, e validou meu trabalho em público, disse que se sentiu à vontade com a forma como foi representado. Isso me tranquilizou bastante, porque quer a gente queira ou não, o público sai do teatro se perguntando "então o Marcelo é assim?".

Pra uma pessoa aprovar ser representada com todas as suas qualidades e defeitos é preciso uma generosidade enorme com o artista que se arrisca nisso, e o Marcelo foi generoso assim comigo.

CE - Quando você soube que iria fazer o papel, como você se sentiu?
HB -
 O convite veio do produtor Thiago Hofman e do diretor Gustavo Barchilon, com quem eu já cogitava trabalhar junto havia alguns anos.

Li o texto da Marília Toledo algumas vezes antes de responder, e fui me encantando com a história e com as possibilidades cênicas que ela abria. Foi um sim fácil de dizer.

CE - Qual a mensagem que vocês querem dar com o espetáculo?
HB -
 É sobre quando a vida puxa o tapete da gente e é preciso construir um plano do zero. E aí não tem mensagem motivacional, não é sobre resiliência, não é sobre algo que se resolve.

Também não é sobre superação, é sobre reconstrução. São palavras do próprio Marcelo, que diz que renegocia todo dia, de novo, consigo mesmo o fato de estar numa cadeira de rodas.

CE - Além disso, você está no ar na segunda temporada de ‘Amor da minha vida’, você já acompanhava a série?
HB -
 Já tinha visto a primeira temporada inteira e estava apaixonado por ela, então ser chamado teve aquele gosto de fã sendo notado pelos próprios ídolos. Meu único arrependimento foi não ter tirado uma foto com a Bruna Marquezine.

Quando a conheci, agi igual fã sem jeito, tinha assunto pra puxar e não veio nenhum, fiz uma piada sobre pão de queijo e saí do camarim correndo achando que a piada tinha sido péssima. A série tem uma doçura imensa, escrita pelo Matheus Souza, com quem eu já tinha trabalhado em "Confissões de Adolescente", e dirigida pela Tatiana Fragoso.

Entrevista exclusiva com o ator Hugo Bonèmer que celebra nova fase de conquistas em sua carreiraO ator Hugo Bonèmer é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Andy Santana - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Como foram as gravações?
HB -
 Além do texto do Matheus Souza na íntegra, a Tatiana Fragoso ampliou nossa participação com alguns improvisos que, pela reação da equipe no set, já imaginávamos que iam ficar no corte final. É muito gostoso, pra quem está num papel coadjuvante, quando isso acontece.

CE - Fala um pouco mais da construção do seu personagem?
HB -
 O Eduardo é paulistano da Faria Lima, formado em liberalismo econômico, do tipo que reproduz frases como "trabalhe enquanto eles descansam".

Ele chega na hamburgueria pra profissionalizar os processos, e ao comprar a maioria das cotas societárias passa a mandar em Victor, transformando o sonho de vida dele num pasteurizado de hamburgueria, só que em formato franqueável.

O Eduardo representa a vida adulta batendo à porta do Victor, lembrando como o capitalismo vai tirando a inocência da gente e trazendo competição e distanciamento no lugar dela.

Tem uma história de bastidor nesse papel que eu gosto de contar. A diretora de elenco, Bruna Bueno, já tinha me testado antes pra um papel maior na série, e quando esse não fechou, ela teve o cuidado de me sugerir o Eduardo, justamente pra eu me manter no elenco.

Fico feliz quando um diretor de elenco tem esse tipo de cuidado, de continuar apostando na gente dentro do mesmo projeto, mesmo quando o primeiro caminho não dá certo.

CE - Em 2026, você esteve não somente nos palcos, como nos bastidores, produzindo e codirigindo ‘O talentoso ripley’. Como foi essa experiência?
HB -
 Produzir, dirigir, atuar e cuidar das mídias sociais de "O Talentoso Ripley" virou até tema do meu TCC, porque em paralelo eu voltei às aulas na CAL pra completar o bacharelado em Teatro.

Uma coisa está ligada diretamente à outra: chamei pro elenco basicamente colegas da minha turma, seguindo um dos propósitos da própria faculdade, que é criar afinidade e colaboração entre artistas que já estão inseridos no mercado. Minha turma é voltada justamente pra isso, e faz essas trocas profissionais acontecerem de um jeito mais natural.

CE - A peça concorre a alguns prêmios, além de ter recebido ótimas críticas. Me fala mais desse momento?
HB -
 Crítica positiva é sempre bem-vinda, e "O Talentoso Ripley" teve cuidado especial na forma de apresentar a proposta ao público, simulando um programa de TV em que o próprio Ripley confessa as sombras e os mistérios da própria alma, em tom confessional, direto pra audiência.

As críticas negativas, muitas vezes, eram exatamente as mesmas coisas apontadas como positivas por outra pessoa, o que mostra que assumimos risco suficiente pra tornar a peça relevante. Dividir opinião, no teatro, costuma ser sinal de sucesso, não de fracasso.

CE - Qual o balanço que você faz desse ano?
HB -
 Foi um ano de simultaneidade, não de sequência. Em vez de um projeto atrás do outro, toquei vários ao mesmo tempo, em frentes diferentes.

Voltei pro teatro musical com "Feliz Ano Velho", voltei pra ficção seriada com "Amor da Minha Vida", e assinei um projeto inteiramente meu, "O Talentoso Ripley", acumulando atuação, produção, direção e as redes sociais da peça.

No meio disso tudo, voltei pra faculdade e fechei o bacharelado em Teatro. Se eu tivesse que resumir numa frase, diria que foi o ano em que parei de escolher entre ser ator ou ser autor do próprio trabalho, e descobri que dava pra ser as duas coisas ao mesmo tempo, sem que uma atrapalhasse a outra.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).