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Agenda Cultural

Fim de semana terá shows, teatro e exposição de artes em Campo Grande, agradando a diversos públicos

Programação entre hoje e domingo reúne atrações gratuitas e pagas, com opções para crianças, famílias, fãs de rock, teatro, artes visuais e música

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O primeiro fim de semana de outubro chega a Campo Grande com uma programação cultural diversificada, que ocupa teatros, espaços públicos, centros culturais e casas de shows. Entre as opções estão o início da Mostra Cerrado Abierto, espetáculos infantis, exposição de artes visuais, apresentações musicais e noites dedicadas ao rock.

A agenda também reúne atividades para diferentes faixas etárias, desde a programação voltada às crianças até shows e eventos destinados ao público adulto. Confira os principais destaques.

CERRADO ABIERTO

A Mostra Cerrado Abierto – Fazendo arte com crianças de ontem, de hoje e de amanhã começa nesta sexta-feira e segue até o dia 9, com 15 atrações entre dança, teatro, circo, contação de histórias, oficinas, intervenções e brincadeiras. A programação é gratuita e reúne artistas e grupos de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás.

FOTO: GIL DOUGLAS

MOSTRA CERRADO ABIERTO

Programação segue até o dia 9, com 15 atrações entre dança, teatro, circo, contação de histórias, oficinas, intervenções e brincadeiras

Em uma edição especial chamada “Cerradinho”, a mostra propõe uma relação entre arte e infância a partir do brincar. A ideia é que crianças e famílias não sejam apenas espectadoras, mas participem das experiências, utilizando o corpo, os objetos, a memória e a imaginação como formas de criação.

Hoje, a programação começa pela manhã, com a oficina-instalação “Pés de Vento”, da Cia Dançurbana, na Emei Maria de Lourdes Vieira Castoldi. À tarde, na Escola Gappe, o grupo paulista Zumb.boys realiza a oficina “Jeito Zumb.boys”, seguida da apresentação de “Mané Boneco”.

A programação aberta ao público começa amanhã. Às 15h, o Teatro de Arena do Horto Florestal recebe “Mané Boneco”, do Zumb.boys. A intervenção parte do tradicional brinquedo brasileiro Mané Gostoso, boneco de madeira com braços e pernas articulados por cordões, para criar uma experiência que mistura dança, memória e brincadeira.

Às 15h30min, a palhaça Mixirica, personagem interpretada pela artista sul-mato-grossense Kelly Figueiredo, realiza um cortejo pelo Horto. A proposta é transformar o deslocamento pelo espaço em uma experiência de brincadeira, com movimentos, dança e interação com o público.

A mostra continua durante a semana, com apresentações da Cia Dançurbana, Circo do Mato, Ateliê do Gesto, Renda que Roda e Lagartixa na Janela, além de oficinas e atividades relacionadas às culturas indígena e popular.

O encerramento será no dia 9, no Centro Cultural José Octávio Guizzo, com oficina de grafismo indígena, contação de histórias e uma roda de danças populares brasileiras.
Todas as apresentações contarão com intérprete de Libras.

TEATRO INFANTIL

Amanhã, às 16h, o Sesc Teatro Prosa recebe “A Fabulosa História do Guri-Árvore”, do Grupo Fulano di Tal, que também integra a programação do Cerrado Abierto. A peça acompanha os irmãos Abílio e Palmiro, que encontram em um quintal um conjunto de objetos aparentemente sem utilidade.

A partir desse material, os personagens encontram uma espécie de dispositivo de memórias que os conduz à história de Bernardo, o Guri-Árvore. A montagem reúne referências da literatura e da cultura de Mato Grosso do Sul, incluindo personagens associados ao universo de Manoel de Barros, além de nomes como Lídia Baís, Wega Nery e Maria da Glória Sá Rosa.

O espetáculo utiliza teatro de objetos para aproximar o público infantil de uma ideia central da obra de Manoel de Barros: a possibilidade de transformar aquilo que parece pequeno, inútil ou banal em matéria de imaginação.
A classificação é livre e os ingressos gratuitos ficam disponíveis pela plataforma Sympla.

EXPOSIÇÃO

A Galeria Wega Nery, no Centro Cultural José Octávio Guizzo, abre hoje, às 19h, a exposição “O que permanece em nós?”, do artista visual Wendel Fontes. A abertura terá apresentação do grupo Vozmecê.

A mostra reúne 21 pinturas e uma instalação sonora produzidas ao longo de aproximadamente três anos. As obras partem de cenas cotidianas, fotografias, imagens de filmes e referências encontradas na internet para construir representações em que memória, infância e imaginação se misturam.

Crianças aparecem nas pinturas em situações de brincadeira, descoberta e introspecção. A infância, no entanto, não é apresentada apenas como lembrança nostálgica. As obras utilizam perspectivas distorcidas, sobreposições, objetos deslocados e cores intensas para criar situações em que realidade e ficção se confundem.

A instalação sonora também trabalha com a ideia de memória. Uma árvore seca de aproximadamente 2,5 metros recebe latinhas de alumínio penduradas nos galhos, em referência à brincadeira do telefone sem fio.

Por meio da instalação, o público poderá ouvir relatos de pessoas idosas sobre suas memórias de infância.
A exposição permanece aberta até o dia 30. A programação educativa terá visitas guiadas e oficinas de construção de imagem poética amanhã e nos dias 10, 17 e 24, das 14h às 17h.

MÚSICA

Hoje, o Teatro Dom Bosco recebe o cantor e compositor Dani Black, às 20h, com a turnê “Uma Cidade Chamada Eu Mesmo – O Maior Coral da Cidade”.

O espetáculo parte de dois momentos da trajetória do artista: o lançamento do álbum “Uma Cidade Chamada Eu Mesmo” e a experiência que ganhou repercussão nas redes sociais, quando Dani Black convidava pessoas nas ruas para cantar sua música “Muda Tudo” em formato de coral.

Na apresentação, a plateia assume o papel desse coral, acompanhando o artista em canções do novo álbum, músicas conhecidas de sua carreira e faixas inéditas preparadas para a turnê. Dani Black estará acompanhado por músicos, tocando violão e guitarra.
Os ingressos estão disponíveis pelo Sympla.

Ainda hoje, o Blues Bar recebe a banda Blaymorphed, especializada em repertório do Pearl Jam. O grupo realiza duas apresentações, hoje e amanhã, a partir das 20h. A programação inclui músicas como “Alive”, “Black”, “Jeremy” e “Even Flow”.

Amanhã, a Cervejaria Canalhas promove uma noite dedicada ao nu metal, com apresentações do System of a Down Cover Brasil e da banda Nu Metal Cover, em tributo ao Korn. O evento começa às 19h e reúne músicas de diferentes fases dos dois grupos.

ESPETÁCULO INFANTIL

O Teatro Glauce Rocha recebe hoje, às 19h, o espetáculo “Multiverso do Sonhar”. A montagem voltada para toda a família reúne personagens conhecidos do universo infantil, como Mickey, Minnie e Pateta, além de referências a “Toy Story”, “Frozen” e heróis da Marvel.

A história combina música, dança e humor em uma narrativa sobre amizade, coragem e a capacidade de acreditar nos sonhos. Os ingressos estão disponíveis pelo Sympla.

TERROR CINEMATOGRÁFICO

Para quem prefere cinema, o Sesc Teatro Prosa exibe hoje “A Praga”, dirigido por José Mojica Marins, o Zé do Caixão. O filme foi lançado em 2021 e acompanha Juvenal e Mariana, um jovem casal que encontra uma mulher durante uma viagem.

Depois de fotografá-la, Juvenal é atingido por uma maldição e passa a conviver com uma ferida que precisa ser alimentada com carne crua. A partir daí, a narrativa acompanha a transformação da vida do personagem, entre delírio e violência.

A sessão tem entrada gratuita, mediante retirada de ingressos pelo Sympla, e classificação indicativa de 16 anos.

CINEMA

O Shopping Campo Grande também reúne opções de lazer durante o fim de semana. Entre elas está o Adoleta Jump Park, instalado no estacionamento próximo ao Detran. O espaço ocupa 1.600 metros quadrados e reúne 22 atrações, entre circuito de obstáculos, rampas, escorregadores e estruturas para escalada.

A atração é indicada para pessoas a partir de 2 anos e funciona de terça-feira a sábado, das 16h às 22h, e aos domingos, das 16h às 21h. Os ingressos custam a partir de R$ 49,90.

Outra opção é a Arena Transformers, voltada para crianças de 2 a 13 anos. O espaço reúne piscina de bolinhas, escorregadores, cama elástica e estruturas infláveis inspiradas nos personagens da franquia.

A atração funciona de segunda a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos e feriados, das 12h às 22h. Os ingressos variam conforme o tempo de permanência.

Já o Cinemark tem entre os lançamentos da semana “Verity”, adaptação do livro de Colleen Hoover, e “Digger”, além de outros filmes em cartaz. Horários, classificações e ingressos devem ser consultados na programação do cinema.

ENCONTRO DELAS

Amanhã, o “5º Encontrinho da Isa” reúne mulheres em Campo Grande para uma tarde com música ao vivo, DJ, conversas e atividades de integração. O evento acontece das 15h às 22h e foi criado com a proposta de aproximar mulheres interessadas em fazer novas amizades.

A programação inclui banda ao vivo, DJ, mimos e outras atividades. A participação é exclusiva para mulheres e não exige que as participantes já façam parte da comunidade ou conheçam alguém antes do evento.
Os ingressos estão disponíveis pelo Sympla.

Diálogo

Tem candidato prometendo o que não pode cumprir e, pior, sem nem... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta quinta-feira (01)

01/10/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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George Bernard Shaw - escritor irlandês

"A vida é uma pedra de amolar: desgasta-nos ou afia-nos, conforme o metal de que somos feitos”.

FELPUDA

Tem candidato prometendo o que não pode cumprir e, pior, sem nem saber para que serve o cargo que disputa. O roteiro é conhecido: deixam o escrúpulo em casa, capricham nas promessas mirabolantes e oferecem o paraíso em troca do voto. E o País segue esperando o milagre dos “vendedores de sonhos”. Se metade do que se promete saísse do papel, o Brasil seria outro. Saúde ao alcance de todos, menos violência, impostos que não sufocassem quem produz e quem consome. E, de quebra, o fim da roubalheira. Mas tal qual papagaio, como se sabe, tudo só se repete...

Em falta

Convertido a esquerda e candidato a governador pelo PT, Fábio Trad, parece contar apenas com apoio dos petistas. Os milhares de votos que já o elegeram deputado federal, dizem por aí, evaporaram.

Mais

As pesquisas indicam os índices médios do PT em relação as eleições anteriores. A expectativa de Fábio era “engordar” a sua votação com apoio do eleitorado de origem. É esperar para ver.

DiálogoDivulgação/Andre Lorenzoni

No próximo sábado (3), às 16h, será apresentado o espetáculo infantil “A Fabulosa História do Guri-Árvore”, inspirado no universo poético de Manoel de Barros. A montagem é do Grupo Fulano di Tal e tem classificação livre. Ela propõe uma viagem pela imaginação a partir de objetos encontrados num quintal, tendo em cena os irmãos Abílio, interpretado por Douglas Moreira, e Palmiro, vivido por Edner Gustavo. Ao explorarem os objetos espalhados pelo espaço, eles encontram uma Geringonça Desreguladora de Memórias, responsável por conduzi-los à história de Bernardo, o Guri-Árvore. O espetáculo tem como local o Sesc Teatro Prosa e os ingressos estarão disponíveis pela plataforma Sympla.

DiálogoNerone Maiolino Junior, comemorando idade nova hoje - Foto: Guilherme Molento

 

DiálogoFátima Trad Martins, que hoje está aniversariando - Foto: Arquivo pessoal

Vai ou racha?

A temporada de chuvas se aproxima, e Campo Grande já conhece o “roteiro”. Quando a água encontra asfalto deteriorado, o buraco cresce, outro aparece, a boca de lobo entope e o problema se multiplica. Se a operação tapa-buraco não apresentar resultado agora, antes das chuvas mais fortes, a conta será ainda maior depois. A cidade não precisa de mais anúncio de força-tarefa. Necessita de ruas recuperadas e prestação de contas sobre o que foi feito. É o mínimo que se espera do poder público, pois é a população que paga a conta.

Empurrãozinho

A candidatura da deputada Mara Caseiro para uma cadeira na Câmara federal, abriu grande espaço para o seu colega Lídio Lopes tentar a reeleição. Eles dividem a mesma base eleitoral: região do extremo sul do Estado. Mara é de Eldorado e Lídio de Iguatemi. A distância de uma cidade para outra é de 34 km. Lídio ainda tem esperança de “beliscar” alguns votinhos dos eleitores que simpatizam com a sua esposa, a prefeita Adriane Lopes.

Só rezando...

“Rendido à polarização, o Supremo pede reza: Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por seus magistrados, supremos pecadores, agora e na hora da morte do tribunal. Amém. A campanha foi de um extremo ao outro. Estava dominada pelo escândalo do Master, com os candidatos tentando grudar Daniel Vorcaro um no outro. De repente, a festa das astronautas deu lugar ao voto religioso. E só se fala de Nossa Senhora Aparecida...” (Josias de Souza  - coluna do Uol).

ANIVERSARIANTES 

  • Nerone Maiolino Júnior, 
  • Fátima Trad Martins, 
  • Olga Maria Benevides, 
  • Nayara Lummy Arashiro de Lima,
  • Hyllen Suemi Monteiro Tomari, 
  • Dra. Eulália Ribeiro Meloti Brandão,
  • José Fernando Bazzoli Sader, 
  • Amilso Alves Quieroz,
  • Eduardo Harada,
  • Marcia Gomes da Costa,
  • Paulo Correa de Oliveira,
  • Fátima Natalia Sotoma Pavon,
  • Carlos Alberto Ferreira de Miranda,
  • Genesio Manoel dos Santos,
  • Francisco Carlos Lopes Oliveira,
  • Manoel Roberto Ovidio,
  • Iraci Barbosa Corrêa, 
  • Mônica Abujamra,
  • Adriana Junqueira Buainain, 
  • Adrianus Lodevicus Maria Vosters,
  • Atacino Teixeira Gomes,
  • Wilson Pereira da Bella, 
  • Helder Serem, 
  • Graziela Guizzo Couto Vieira,
  • Vanildo Gomes Martins,
  • José Ramos Avelino Neto,
  • Valdomiro Garcia Barbosa,
  • Cristiano Tomicha Farias,
  • José Anezi de Oliveira,
  • Arlindo de Assis,
  • Emerson Valle Petzold,
  • Marta Hoff Araújo,
  • Adão Verão Parentel,
  • Max Loosli Junior,
  • Teresa Kohatsu,
  • Rodolfo Trelha Jacques de Carvalho, 
  • Lisete Amorim de Barros,
  • Maria Cristina Soares,
  • Sofia Callejas Oliveira Lima,
  • Jaiane Aparecida Lopes Rosso,
  • Wagner Freitas,
  • Hugues Lemes Borges,
  • José Lino Benites,
  • Manoel Gersino Rocha,
  • Ricardo Vicente de Paula,
  • Elton Fabrício Tofano, 
  • Dr. Antônio Paulo Dorsa Vieira Pontes, 
  • Dirce Zornitta Rosse,
  • Nadia Samaniego,
  • Tereza Katsuco Tomari, 
  • Bruna Colagiovanni Girotto Fernandes,
  • Maria Helena Silva de Faria,
  • Paulo André Defante,
  • Dr. Wilson Coutinho,
  • Raimundo Rodrigues Nunes Filho,
  • Hélio Coelho Neto,
  • Marcos Antônio Vieira,
  • Cátia Batista,
  • Haydê Monteiro de Almeida,
  • Marcos Roberto da Silva,
  • Luciene Godoy,
  • Marcello Leite dos Santos,
  • Waldemiro de Arruda Fortes,
  • Silene Costa da Guia,
  • Ovídio Velasco de Oliveira,
  • Pedro Braga Filho, 
  • Maria Aparecida Rezek Albuquerque, 
  • Sílvia Saffe de Souza Chacha,
  • José Carlos da Silva,
  • Aires Ribeiro de Matos,
  • Lázaro de Godoy Neto, 
  • Edmilson Nogueira Escobar, 
  • Nilton Silva Tôrres,
  • Edson Aparecido Bernardinelli Junior,
  • Heitor Corrêa Lopes,
  • Acyr Comás,
  • Silvio Augusto Monteiro,
  • Ana Lia Medeiros,
  • Cristina Oliveira Mendes,
  • Fábio Soares Carmo,
  • Dulce Mara Bachega,
  • Luiz Carlos Lima,
  • Keila Nunes Leal,
  • Renata Barbosa da Silva,
  • Lucinda Cortinóvis Kauás,
  • Marilda Monteiro,
  • Sinval Martins Filho, 
  • Rodrigo Scardini, 
  • Dra. Eloina Brasil Ferreira, 
  • Pedro Carlos Lopes,
  • Paulo César Gomes,
  • Larissa Lima,
  • Sabrina Vieira,
  • Paula Flôres Macedo,
  • Carolina Gomes,
  • Mário Márcio Mesquita,
  • Lilian Melo Hodgson,
  • Josias Dias de Oliveira,
  • Artur Yutaka Moriya,
  • Luis Alberto Rodrigues Guimarães,
  • Otacílio Felipe de Mello,
  • Nildes Maria das Graças
  • Tristão Prieto,
  • Flávio Watanabe Yamazaki,
  • Moacir Akira Yamakawa,
  • Masuo Chumzun,
  • Roberto Augusto Calliari.

Colaborou com Tatyane Gameiro

LITERATURA

Escritora de MS cria personagem em busca da alma gêmea impossível

Em "Ele: Uma Procura Infinita", escritora sul-mato-grossense acompanha um homem incapaz de compreender as mudanças nas relações e que passa por diferentes vínculos afetivos sem conseguir construir uma vida a dois

30/09/2026 08h30

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A procura por uma companheira que corresponda a uma imagem construída no imaginário conduz o personagem central de “Ele: Uma Procura Infinita”, novo romance da escritora e jornalista Mazé Torquato Chotil.

Em pré-venda pela Editora Patuá, o livro acompanha a trajetória de um homem identificado apenas como Ele, suas relações com diferentes mulheres e os filhos que surgem ao longo desse percurso.

Por trás da sucessão de encontros, separações e recomeços, a autora constrói uma reflexão sobre identidade, convivência e as transformações nas relações entre homens e mulheres.

O romance também passa por Mato Grosso do Sul. Embora atualmente viva em Paris, na França, Mazé mantém na literatura a presença das terras onde nasceu.

Livro “Ele: Uma Procura Infinita” - Foto: Divulgação

Em “Ele: Uma Procura Infinita”, as lembranças da infância do personagem aparecem ao longo da narrativa, associadas às idas e vindas da memória. A presença do Estado, porém, não é apenas um recurso da história: para a autora, trata-se de um território que passa pela sua produção literária.

“Nas idas e vindas das páginas, ele se lembra situações de sua infância nessas terras sul-mato-grossenses. Na verdade, aqui é a autora que não consegue se desvencilhar dessa terra!”, afirma Mazé.

A história nasce de uma inquietação da autora diante das mudanças ocorridas nas relações sociais nas últimas décadas. Para Mazé, enquanto as mulheres conquistaram novos espaços, parte dos homens passou a enfrentar dificuldades para compreender o seu papel diante dessa transformação.

“O homem ficou um pouco perdido. A mulher lutou e tem conquistado espaço nas relações sociais, enquanto o homem não está sabendo muito bem como reagir”, explica. Para ela, esse processo não se restringe ao Brasil, mas integra uma mudança mais ampla nas relações humanas.

O personagem criado no romance representa justamente essa dificuldade de adaptação.

Ele não consegue compreender a necessidade de que cada pessoa possa construir sua identidade e ocupar o seu espaço. Em vez disso, procura nas mulheres que encontra uma figura que corresponda àquilo que idealizou como companheira.

É nesse ponto que surge a procura infinita do título. A busca não termina porque o que o personagem procura não existe na realidade, mas apenas na imagem que construiu. “O que está no seu imaginário não pode ser real. Mas ele pode mudar!”, afirma a autora.

A sucessão de relacionamentos, portanto, não funciona apenas como uma coleção de histórias amorosas. Cada vínculo revela a dificuldade do protagonista em lidar com a autonomia da outra pessoa.

Quando a companheira passa a assumir a identidade e deixa de corresponder ao comportamento que ele considera correto, Ele abandona a relação, muitas vezes sem explicar as razões.

Mazé Torquato Chotil - Foto: Divulgação

Para Mazé, esse comportamento produz uma violência que ultrapassa o rompimento amoroso. “Uma enorme violência para a outra pessoa”, define.

Ao mesmo tempo, a autora procura não construir o personagem apenas como alguém que provoca sofrimento. Ele também é apresentado como uma pessoa incapaz de compreender plenamente o outro e, por isso, igualmente preso às limitações que tem.

“Ele não aprendeu, não sabe lidar com o outro e termina sofrendo – porque ele também é humano. Precisa ser ajudado; caso contrário, continuará a encontrar pessoas que, mesmo diante de seu amor, de seu carinho e de sua ternura, perceberão que não é possível construir uma vida a dois”, diz.

As relações

Ao acompanhar a vida afetiva do protagonista, o romance coloca em cena também os filhos e as diferentes configurações familiares que surgem dessas relações. A autora afirma ter buscado mostrar personagens que possuem desejos pessoais e precisam ter espaço para construir suas identidades.

Essa questão aparece especialmente quando a narrativa trata da adolescência. Para Mazé, é nesse período que o indivíduo começa a se confrontar de maneira mais intensa com o mundo e com as expectativas daqueles que o cercam.

“As pessoas são elas mesmas, com seus desejos, e devem se assumir. Sobretudo na adolescência, elas precisam se confrontar com o mundo. Devem e podem ser ajudadas, mas não podem ser obrigadas a fazer o que o outro quer”, afirma.

A dificuldade de Ele está justamente em não conseguir estabelecer essa relação de convivência. Ele ama, demonstra carinho e ternura, mas tenta encaixar as pessoas em uma ideia personalista de como uma relação deve funcionar.

A pergunta que passa por todo o romance, nesse sentido, não é apenas sobre encontrar alguém para amar, mas sobre como duas pessoas podem permanecer juntas sem que uma precise abrir mão de sua identidade.

“É como viver juntos, como ser ajudado, sem impor ao outro o seu ponto de vista”, resume a escritora.

Construir esse personagem exigiu também da autora um exercício de deslocamento. Ao escrever sobre um homem e acompanhar seus pensamentos e comportamentos, Mazé precisou se colocar na perspectiva de alguém diferente dela.

“Tinha a preocupação de não deixar o leitor se perder entre as múltiplas mulheres e os filhos. Aliás, lembro ao leitor, nas primeiras páginas, o que ele vai encontrar, de forma a guiá-lo”, conta.

A estrutura do romance acompanha as idas e vindas da trajetória do protagonista e costura diferentes relações ao longo da narrativa. A autora afirma ter buscado construir as conexões entre os personagens progressivamente, de acordo com a trajetória imaginada para Ele.

Do jornalismo à literatura

Jornalista, com doutorado e pós-doutorado, Mazé também encontra na literatura uma maneira diferente de abordar questões que fazem parte de sua observação do mundo. Para ela, a ficção permite tratar de assuntos humanos sem a mesma obrigação de objetividade presente no jornalismo.

“Gosto da forma literária – mesmo tendo feito doutorado e pós-doutorado – porque ela nos dá essa liberdade”, afirma.

A diferença, segundo a escritora, está também na forma como o leitor entra em contato com as informações. No jornalismo, ela explica, o texto apresenta elementos sobre o objeto abordado. Na literatura, esses mesmos assuntos podem ser incorporados à narrativa e descobertos pelo leitor no decorrer da leitura.

“Como jornalista, dou aos meus textos informações sobre o objeto em questão, mas a literatura permite abordá-las todas de forma leve, deixando o leitor se introduzir nas palavras escritas, aprender, ver ‘sem esforço’”, diz.

Terra natal

Embora o romance tenha como centro as relações afetivas de Ele, Mato Grosso do Sul permanece como uma espécie de território de memória. O personagem tem os “pés de sua infância” fincados no Estado, segundo Mazé.

A presença sul-mato-grossense se relaciona também com a trajetória da autora, nascida em Glória de Dourados. As lembranças do Estado aparecem em diferentes trabalhos de sua produção e, neste novo romance, surgem ligadas às memórias do protagonista.

“Em todas as minhas obras, essas terras estão presentes, menos ou mais, dependendo de se a obra é um romance ou uma biografia de pessoas que vivem longe desse lugar”, afirma.

A escritora pretende retornar ao Brasil no fim de outubro. Antes de voltar ao Estado, no entanto, a programação de divulgação do romance começa em São Paulo, onde está localizada a Editora Patuá.

A previsão é de que novembro seja dedicado a atividades em diferentes espaços paulistas e, depois, ao Rio de Janeiro, onde Mazé pretende participar da Primavera dos Livros Mar Livre.

A passagem por MS está prevista para o início de 2027. “Começarei por Glória de Dourados, onde nasci e guardo um grande carinho, pelas lembranças do lugar da minha infância e adolescência e pelo seu povo, até chegar à nossa capital”, conta.

Apresentação

“Ele: Uma Procura Infinita” chega ao público com apresentação do escritor e professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Godofredo de Oliveira Neto, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL).

A aproximação entre os dois aconteceu em Paris, onde Mazé vive. Godofredo trabalhou durante anos na Sorbonne e, depois de conhecer o texto, recebeu da autora o convite para apresentar o romance.

A resposta foi recebida por Mazé como um reconhecimento importante para o trabalho. Entre as observações feitas pelo escritor está a avaliação de que o romance apresenta domínio da forma romanesca, originalidade na trama, estrutura capitular e uma temática relevante.

“O domínio romanesco da Mazé é evidente, a originalidade da ‘intrigue’, a sequência capitular, a escritura e o tema em si bem o provam. Obra importante na nossa literatura”, escreveu Godofredo.

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