A cidade de Três Lagoas — a 338 quilômetros de Campo Grande — recebe nesta terça-feira o lançamento do livro “Sonhos Guaranis - A Poesia de Paulo Simões”, organizado pelo jornalista Danilo Japa Nuha e publicado pela Editora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Acompanhado da estreia, o músico que inspirou a obra subirá ao palco para uma apresentação no Anfiteatro da Unidade II do campus da universidade. As atividades começam às 20h.
Carioca de nascença, Simões escolheu Mato Grosso do Sul para viver e, hoje, é um dos maiores compositores regionais. Assina canções que se tornaram hinos ao Estado, como “Comitiva Esperança” e “Sonhos Guaranis”, em parceria com Almir Sater, e “Trem do Pantanal”, feita em conjunto com Geraldo Roca (morto em 2015). Tem quatro álbuns lançados, uma coletânea e um DVD.
O livro foi produzido em poucos meses, entre abril e agosto deste ano, mas a ideia amadurecia há um bom tempo na cabeça do organizador. “Eu entrevistei o Paulo em 2001, para um trabalho de conclusão de curso da faculdade, que sequer era sobre música, mas sim, sobre ditadura militar. Desde então venho pensando em reunir a obra dele em um livro e, depois de reencontrá-lo, encaminhamos o projeto”, narra Danilo Nuha.
As páginas de “Sonhos Guaranis” contêm todas as letras que Paulo Simões escreveu, informações e curiosidades sobre o processo de criação de algumas canções, depoimentos de amigos e parceiros do compositor, além de imagens da carreira do músico. “Ele não só topou fazer o livro como também abriu todo seu acervo para eu trabalhar em cima”, continua o jornalista.
Preocupado em não individualizar suas composições, muitas delas feitas em conjunto com outros artistas, Simões titubeou com o termo “poesia” logo na capa do livro, conforme lembra Nahu. “A maior preocupação dele foi em deixar claro que seus parceiros participam ativamente das músicas, que é um trabalho compartilhado. Por isso ele não quis o ‘poeta’, mas acabou aceitando”.
Simões brinca com a situação. “Não sei se quem compõe pode ser chamado de poeta, mas é um termo que está em evidência depois do Dylan”, expõe, citando o cantor e compositor norte-americano Bob Dylan, que ganhou o Nobel de Literatura este ano por “criar novas expressões poéticas dentro da grande tradição da música americana”, segundo justificou a Academia Sueca, responsável pela honraria.
O compositor ainda teimou em cortar dez músicas da lista de composições que entraram no livro, mas Nuha novamente manobrou e convenceu Paulo Simões. “Conversei com ele para a gente não cortar nenhuma, porque só assim a obra ficaria completa”, recorda.
Publicado pela UFMS, o livro terá um caráter educacional e será distribuído em escolas públicas e bibliotecas, mas poderá ser adquirido pelo site da editora universitária (www.editora.ufms.br) ou na loja física, localizada no Centro de Ciências Humanas e Sociais (CCHS), no campus de Campo Grande.
SHOW
A apresentação que acompanha o lançamento do livro será repleta das músicas mais significativas de Paulo Simões. “‘Trem do Pantanal’, ‘Comitiva Esperança’ e ‘Sonhos Guaranis’ são as que não posso deixar de tocar”, revela o compositor, que subirá ao palco acompanhado de Ju Souc (bateria e voz), Guga Borba (baixo e voz), Leandro Perez (guitarra), Romário Amorim (viola e banjo) e Alex “Fralda” (teclado e sanfona). A produção do show é de Karla Viegas.
A cidade que sedia o evento tem espaço reservado na memória afetiva de Simões, que viajava de trem do Rio de Janeiro até Mato Grosso do Sul na infância. Três Lagoas era uma das paradas. “Era um dos lugares mais simpáticos, à beira do Rio Paraná”.
Quem for ao Anfiteatro em Três Lagoas ainda vai presenciar Paulo Simões interpretando pela primeira vez a música “D de Destino”, composição sua com Almir Sater e Renato Teixeira, e que concorre como melhor canção em língua portuguesa a 17ª edição do Grammy Latino. “Nunca cantei essa música em público, mas o momento é propício”.
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Uma alimentação saudável requer alimentos in natura ou minimamente processados - Foto: Freepik
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