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Moda
Desfile de lançamento da coleção Verão 2027 do Atelier Kakô valoriza a produção sul-mato-grossense e traz para a passarela peças inspiradas em croquis de obras e construções históricas de Gil Carlos de Camillo
22/10/2026 09h00
Arquitetura local inspira modelos de ternos, camisas, vestidos de seda, calças, capas e mais Foto: Divulgação/ Matt Studios
Hoje, a partir das 19h em Campo Grande, o Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo torna-se passarela para a apresentação da coleção Verão 2027 do Atelier Kakô, uma runway com peças de seda e linho criadas pela estilista Claudia Ferraz e inspiradas em construções históricas e obras do arquiteto Gil Carlos de Camillo.
Em uma verdadeira união entre moda e a arquitetura que inclusive está fortemente presente na identidade urbana sul-mato-grossense, a marca de alta-costura inspira-se nos croquis de obras desenhados pelo arquiteto.
Batizada de Gil de Camillo Verão 2027, o desfile de lançamento que apresenta a coleção é produzido por Márcia Marinho Produções e conta com direção de passarela de Anderson Alves, com projeto do evento assinado pela arquiteta Débora Nazareh.
Formado pela faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo (FAU-USP), o profissional nascido no estado paulista deixou sua marca e tornou-se parte da identidade urbana de Mato Grosso do Sul.
Agora, suas edificações ganham vida pelas mãos da estilista Claudia Ferraz, coordenadora de estilo e diretora criativa do Atelier Kakô, uma marca sul-mato-grossense de moda premium especializada em alfaiataria e loungewear que tem produções autorais e toda uma valorização de matérias-primas naturais.
Kakô indica que as fachadas, detalhes de edifícios projetados, traços, linhas e volumes que foram projetados inicialmente por Gil de Camillo aparecem reinterpretados e agora aparecem na forma de estampas exclusivas. Segundo a estilista, todo esse estilo do arquiteto percorre a superfície dessas peças e ajuda a criar novos desenhos sobre o corpo.
Ao Correio do Estado, Kakô comenta sobre como é equilibrar essa característica intrínseca da moda de ditar novas tendências, muitas vezes revisitando o clássico que pode ser carregado de estilos mais tradicionais e formas consolidadas. Ela comenta que está no DNA da marca essa fusão de tecidos naturais, sustentabilidade, arte e a criação de peças atemporais com um toque contemporâneo.
"Dentro do atemporal a gente encontra o clássico, que é o que nunca sai de moda. O linho é uma matéria-prima que permite com que a gente trabalhe com ele de forma muito tradicional", afirma.
Segundo a profissional, a coleção Gil de Camillo Verão 2027 aparece como uma verdadeira homenagem a Campo Grande, transportando as obras que compõem a identidade urbana da Cidade Morena para esse universo da haute couture (termo francês para alta-costura).
Com duas décadas de experiência no mercado, este se trata do terceiro desfile promovido pela estilista, que tem como assinatura essa característica de levar a arte e a cultura sul-mato-grossense para o universo da moda de luxo. Nesse sentido, Kakô anota passagem por grifes nacionais e participação em projetos ligados ao São Paulo Fashion Week, além de coleções próprias e colaborativas.
Claudia é especialista em Gestão de Marcas de Luxo (do inglês Luxury Brand Management) com capacitação pela Paris School of Business, na França, sendo inclusive docente em diversos cursos, workshops e palestras.
À frente do Atelier Kakô desde 2022, nessa espécie de missão em desenvolver um trabalho que conecte moda, arte, arquitetura e design em uma verdadeira união com identidade regional, munindo-se de parcerias com nomes da arte sul-mato-grossense para alcançar seus objetivos, ela indica que essa inspiração e estudo para a criação da Coleção Gil de Camillo Verão 2027 começou ainda em 2023.
"A pesquisa dessa coleção começou há três anos. Interpretamos na moda as famosas e históricas construções do nosso Estado, assinadas por Gil de Camillo, esse expoente da arquitetura do Estado, filho do Rubens Gil de Camillo", cita a estilista.
Ou seja, para abrilhantar o catwalk desta noite, a passarela traz as criações do arquiteto, aplicados em lenços e nos mais diversos cortes de roupas, como em modelos de ternos, camisas masculinas, vestidos de seda, calças de seda, bem como em capas e muitas outras versões, como bem cita a estilista, dignos obviamente de serem apreciados da front row.
Como bem reforça a organização do desfile, a apresentação da coleção Gil de Camillo Verão 2027 aparece como um verdadeiro movimento de transformação da criatividade regional em valor.
Em outras palavras, esse desfile aproxima diferentes segmentos do mercado de luxo, sendo também uma abertura de possibilidades para a arte, a cultura, o design e os talentos que existem regionalmente em Mato Grosso do Sul.
Cláudia complementa que a base do princípio da marca Kakô é trazer essa alfaiataria purista, em que o estilista valoriza exatamente o design das linhas e um acabamento premium. "Então, são linhas clássicas, mas que a gente traz para o contemporâneo", diz.
A estilista relembra que a marca iniciou na pandemia, e desde as primeiras coleções que eram pijamas de seda, para o dia a dia e estampados com obras de arte da própria mãe, Zila Soares , a Kakô trabalha com assimetrias que apareciam também em ternos, blazers de linho, etc.
"As calças de alfaiataria em linho e essa linha mais loungewear em seda, que a gente chama que é uma roupa, o homewear, o loungewear, que é essa roupa de circular dentro de casa. Você pode estar chique com uma peça de linho, um terno que você consegue circular num casamento, evento ou numa recepção dentro de casa".
Segundo a profissional, todo o lifestyle da marca sempre esteve conectado com arquitetura, nascendo na pandemia pensando nessa figura que estava de olho na casa, no bem-estar do lar.
"Essa mulher que quer sentar numa poltrona, que tem esse cuidado com a decoração e com objetos de arte, essa conexão que eu faço dessa mulher que veste a minha marca", destaca.
Para Cláudia, quando surge o olhar de transportar a estamparia presente na arquitetura para o mundo da moda e os tecidos em geral, os traços de Gil de Camillo são considerados por ela "extremamente contemporâneos e elegantes". Kakô ainda destaca semelhanças entre o olhar da estilista e o que enxerga o arquiteto ao visualizarem ambos um resultado final quando ainda há apenas o traçado de uma nova peça.
"A gente faz essa mesma mistura. Ele também parte do princípio do desenho à mão, começa no processo artesanal, na criação autoral. A nossa conexão é com um arquiteto que trabalha muito com o urbanismo, regional, nacional, ele aproveita a cidade, a natureza no projeto dele, o que tem no espaço, no entorno, ele coloca uma pirâmide que você consegue ficar conectada com o pôr do sol. Então, os projetos do Gil São pensados para uma arquitetura brasileira, assim como eu penso quando trago uma roupa clássica com uma estampa brasileira", reflete.
Kakô destaca que essa conexão de valores simbólicos é o que importa na construção da marca e nessas colabs artísticas, são os pesos de processos criativos para a marca que fazem sinergia com todo o DNA sobre aproveitar o que há de melhor na arte local.
Sobre colocar um patrimônio cultural na estamparia, ela explica que ainda no processo de passar as linhas de Gil para a caneta nanquim, ao passar para o tecido, dependendo do traço, é possível dar vida a peças mais streetwear, que ficam evidentes nos pretos e brancos da coleção, por exemplo.
"No linho, ele tem os traços dos prédios, que dão a impressão de uma roupa mais streetwear. Aí trazemos para seda, nos vermelhos e cinzas, os traços mais elegantes, refinados, linhas limpas do projeto do Gil que colocamos em peças mais loungewear e elegantes. É uma união de várias características, mas que o conceito e a intenção se afinam dentro dos próprios valores, de onde elas nascem, do propósito. Então, esse é o meu intuito como estilista, é trazer projetos que estão conectados com a nossa realidade, com a nossa realidade regional brasileira, mas que tem uma linguagem universal", conclui.
Diálogo
Leia a coluna desta quinta-feira (22)
22/10/2026 00h02
Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado
Caio Fernando Abreu - Escritor brasileiro
"Nada em mim foi covarde, nem mesmo as desistências: desistir, ainda que não pareça, foi meu grande gesto de coragem”.
Nem El Niño, nem “Super”. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), não houve em Campo Grande nenhum sinal do fenômeno climático invocado pela prefeitura para justificar o estrago de recernte temporal. Pelo visto, o tal “Super El Niño” só se manifestou nos discursos, em mais uma tentativa de maquiar o caos institucionalizado. O Inmet explicou o episódio: “Do ponto de vista meteorológico, a chuva de quinta-feira (15) foi resultado da presença de uma massa de ar quente, úmida e instável combinada à atuação de cavados (áreas de baixa pressão alongadas)”.
“Todo o padrão descrito favoreceu a intensificação da instabilidade atmosférica, contribuindo para formação de nuvens de tempestade, que resultaram na chuva intensa em curto intervalo de tempo e alguns acumulados mais expressivos.”
Isso, acompanhados rajadas de vento, além de raios sobre áreas de MS, que acabaram provocando impactos em algumas localidades. Traduzindo: foi tempestade, com causa explicável. Já a desculpa, essa sim, chegou com intensidade bem acima da média...
Foto: DivulgaçãoA partir de hoje (22) até o dia 30, o Sesc Teatro Prosa recebe seis encontros gratuitos do Arte da Palavra – Rede Sesc de Leituras, reunindo escritores, poetas e artistas de diferentes regiões do Brasil para apresentações e conversas com o público. A abertura será às 19h, com Midria, de São Paulo. Dia 23, também às 19h, a convidada é Tina Ribeiro, do Piauí. Camila Costa (foto), do Rio de Janeiro, encerra o Circuito de Oralidades no sábado (24), às 16h. As três apresentações propõem diferentes formas de experimentar a literatura para além da leitura convencional. Na semana seguinte, o foco passa para os encontros entre autores. No dia 28, às 19h, Simone Mota, do Rio de Janeiro, e Valéria Silva, do Piauí, participam de uma conversa mediada pelo escritor sul-mato-grossense Henrique Pimenta. No dia 29, às 19h, será a vez de Lilia Guerra, de São Paulo, e Tácio Pimenta, do Tocantins, dividirem o encontro, com mediação de Febraro de Oliveira, de MS. A programação termina dia 30, também às 19h, com Estrela Ruiz Leminski, do Paraná, e Renato Negrão, de Minas Gerais, em conversa conduzida por Marcelle Saboya Ravanelli, de MS. A programação é gratuita, com ingressos disponíveis pelo Sympla.
Dra. Celina Frota - Foto: Arquivo Pessoal
Daniela Cachich - Foto: DivulgaçãoO Conselho Nacional de Justiça prolongou por mais alguns dias a angústia do ex-presidente do Tribunal de Justiça de MS, Sérgio Martins. Ele está sendo julgado por suspeita de venda de sentença e já declarou que não fez parte de qualquer esquema de negociação judicial. Martins poderá perder o cargo numa eventual condenação.
As lideranças da direita de MS sentiram o baque da chacoalhada e entraram de sola na campanha de Flávio Bolsonaro. Só na Capital, dia 17, quase 5 mil carros foram adesivados pela tropa comandada por Reinaldo Azambuja.
A discussão sobre a operação tapa-buraco em Campo Grande acabou em confusão. Um servidor da prefeitura tomou cartazes, rasgou aos gritos e acabou sendo retirado à força pela segurança da Câmara Municipal. O servidor é ligado a prefeita e contra a criação da CPI Tapa-Buraco.
Nos bastidores do debate dos presidenciáveis na Band, os ex-ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e a do Planejamento, Simone Tebet, papeavam descontraidamente até a chegada do deputado federal Nikolas Ferreira. O parlamentar bolsonarista chegou perto deles e fez um vídeo chamando-os de “desempregados”. Simone não gostou do que ouviu, fechou a cara e saiu de perto, deixando Haddad sozinho.
Colaborou com Tatyane Gameiro
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