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Mães poderosas, mães ativas e mães perigosas: as séries e filmes para o Dia das Mães

Uma listinha de sugestões para curtir o domingo com a família e, claro, a mamãe

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Antes de mais nada para as mães leitoras: Feliz Dia das Mães! Anualmente fico aqui pensando o que sugerir para o domingo em família, para curtir uma série ou filme em um dia que espero que estejam curtindo uma merecida folga. Não é tarefa fácil, porque não quero me repetir e tem tantos perfis de mães diferentes! Mas tento.

Em 2023, a minha lista é para as mães poderosas, mães ativas e até mães perigosas, porque sabemos que são capazes de tudo pelos filhos. A estreia mais badalada, claro, é a assustadoramente linda e inalterada Jeniffer Lopez na Netflix, com o longa, A Mãe (The Mother).

É aventura pura, com uma Jeniffer enfrentando bandidos para proteger sua filha. Não espere grandes surpresas, é clichê mesmo, mas J-Lo sempre convence.

Se você é como a minha mãe – fã de ‘true-crime’ – tem duas séries novas que eu também vou incluir aqui, embora sejam um pouquinho mais pesadas. Ambas se destacaram no Festival de Berlim de 2023, mas valem uma conferida.

Mães da Máfia reconta a história verdadeira das mulheres que tiveram a ‘ousadia’ de se unir e enfrentar a ultra violenta facção criminosa calabresa, a ‘Ndrangheta, e está disponível na StarPlus.

Mescla suspense e drama, fazendo o coração ficar apertado e disparado ao mesmo tempo por ser uma história de coragem e muita determinação contada sob a ótica das mulheres que se uniram contra o Crime. É uma versão oposta de O Poderoso Chefão porque tem glamour e é contada pela perspectiva feminina.

Mães da Máfia - Divulgação

E na LionsgatePlus estreou a série Vanda, que traz a brasileira Joana de Verona ao lado de Gabriela Barros revivendo a história de uma cabeleireira portuguesa que se transformou em assaltante de banco para poder conseguir dinheiro para sustentar seu filho.

Pois é, é incrível, mas entre 2011 e 2011, Dulce Caroço ficou conhecida como a “viúva negra”, assaltando 11 agências de bancos diferentes em Lisboa, depois que foi traída e abandonada pelo marido, que deixou com ela as dívidas com a Receita também.

Em desespero e um impulso, quando faltou dinheiro para alimentar seu filho, ela entra para o crime. A série mudou os nomes das personagens e trouxe mais aventura para a trama, com personagens novos, mas ainda assim vale conferir.

Eu juro que tentei buscar conteúdo mais tranquilo para sugerir, mamães, mas as mães 2.3 são mesmo as que tomam as rédeas das coisas em mãos. Bem no estilo do filme vencedor do Oscar, que está disponível no StarPlus, Tudo em Todo o Lugar Ao Mesmo Tempo, cuja trama – confusa a princípio – é sobre o relacionamento complexo e fraturado entre mãe e filha, que no multiverso precisam reencontrar o elo que as une.

Vanda - Divulgação

Mas talvez o que fique igualmente interessante é a série da Apple TV Plus, A Última Coisa que Ele Me Disse, com Jeniffer Garner. O suspense que é muito bem produzido, saiu do best-seller de mesmo nome e tem a assinatura de Reese Witherspoon, com a mesma linha de Big Little Lies.

O livro, escrito por Laura Dave, foi um grande sucesso na pandemia e chegou a ser anunciado como um futuro projeto de Julia Roberts, que foi substituída por Jeniffer Garner.

A premissa é relativamente simples: uma mulher (Garner) é surpreendida pelo desaparecimento repentino de seu marido (Nikolaj Coster-Waldau) e não apenas tem que cuida dar problemática enteada de dezesseis anos (Angourie Rice) como procurar a verdade sobre seu marido.


Bom tem bastante horas para maratonar! É só pegar a pipoca e curtir!

crônica

O Tempero da Vigilância

22/04/2026 13h30

Arquivo

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Houve um tempo em que o macarrão, recém cozido, ia direto para debaixo da torneira. Uma heresia, diriam os italianos, mas um ritual comum nas cozinhas de Minas. Por lá também os frangos eram quase submetidos a um dia de spa: ensaboados, escaldados e esfregados antes de conhecerem a panela. Mas jabuticaba se comia no pé, com poeira e tudo; a goiaba e o jambo eram limpos na própria manga da camisa, se tanto.

Não sei se fomos nós que ficamos mais sábios ou se o medo das bactérias microscópicas nos tornou mais desconfiados. Os mais velhos juram que naquela época criança comia de tudo e não adoecia. Doce, banha, fritura — o passaporte para o paraíso era livre. A verdade é que adoeciam, sim; só não tínhamos o nome do culpado no prontuário. O chocolate de hoje, com seus parcos 20% de cacau, é mais uma promessa de açúcar do que a iguaria de outrora.

Naquela cozinha de antigamente, o tempo era um ingrediente. O feijão dormia de molho, o molho apurava no canto do fogão e o cheiro da comida invadia a casa muito antes do prato chegar à mesa. Hoje, o fogo é rápido e o ato de comer virou uma tarefa espremida entre dois compromissos. Perdemos a intimidade com a casca e com o osso; trocamos o manuseio do alimento pelo das embalagens de ultraprocessados, que dominam as prateleiras por serem mais acessíveis, tornando-se um desafio real para a saúde de todos nós.

Essa mudança de cenário acabou me tornando mais cautelosa com o que ponho no prato. Criei certas resistências que hoje fazem parte do meu jeito de estar no mundo: em restaurantes, por exemplo, evito as folhas. É um receio silencioso do que não passou pelas minhas mãos. Em casa, busco o que é mais próximo do natural e dou preferência aos orgânicos sempre que posso. Acredito que a nossa saúde é construída ali, na calma da escolha de cada ingrediente, longe da pressa das linhas de produção.

Sinto falta daquela liberdade de criança, mas, sendo sincera, não sei se hoje eu teria coragem de comer a jabuticaba direto do pé (não por causa da poeira, mas do agrotóxico). Por mais saudoso que esse gesto pareça, o mundo ficou complexo demais para a nossa antiga inocência. No fim, trocamos o macarrão lavado sob a torneira — aquela nossa antiga ignorância culinária — pela consciência necessária de que o cuidado com a mesa é, no fundo, um modo de cuidar da própria vida.

Saúde

Conheça os mitos sobre a síndrome do ovário policístico, que não é sinônimo de infertilidade

Conheça os mitos sobre a condição, que afeta de 10% a 13% das mulheres, mas que apenas 30% recebem o diagnóstico adequado

22/04/2026 08h30

Síndrome dos ovários policísticos afeta até 13% das mulheres em idade reprodutiva e ainda é cercada de mitos sobre fertilidade

Síndrome dos ovários policísticos afeta até 13% das mulheres em idade reprodutiva e ainda é cercada de mitos sobre fertilidade Freepik

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A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma das condições hormonais mais comuns entre mulheres em idade reprodutiva e, ao mesmo tempo, uma das mais incompreendidas. Frequentemente associada à infertilidade, a síndrome carrega um estigma que, segundo especialistas, não corresponde à realidade.

Embora possa dificultar a gestação, a SOP não impede que mulheres engravidem, especialmente quando há acompanhamento médico adequado.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a SOP afeta entre 10% e 13% das mulheres em idade reprodutiva no mundo. Ainda assim, o diagnóstico muitas vezes não acontece: estima-se que até 70% das mulheres com a condição não saibam que a têm.

Esse dado reforça um problema central, a falta de informação, que contribui tanto para o atraso no tratamento quanto para a perpetuação de mitos.

Síndrome dos ovários policísticos afeta até 13% das mulheres em idade reprodutiva e ainda é cercada de mitos sobre fertilidadeDra. Loreta Canivilo, ginecologista - Foto: Divulgação 

A ginecologista Loreta Canivilo explica que a SOP é uma desordem hormonal caracterizada, principalmente, pelo aumento dos níveis de andrógenos, hormônios considerados masculinos, mas que também estão presentes no organismo feminino. Esse desequilíbrio pode provocar uma série de sintomas e impactar diretamente o funcionamento dos ovários.

“Entre os principais sintomas estão menstruação irregular ou ausência de ciclos menstruais, dificuldade para engravidar, acne persistente, aumento de pelos no rosto e no corpo, queda de cabelo, ganho de peso e presença de múltiplos pequenos cistos nos ovários”, detalha a especialista.

IMPACTO

A SOP não se limita a uma questão ginecológica. Trata-se de uma condição complexa, que envolve alterações hormonais e metabólicas.

Em muitos casos, está associada à resistência à insulina, condição em que o corpo tem dificuldade de utilizar adequadamente esse hormônio, responsável por regular os níveis de açúcar no sangue.

Esse fator metabólico contribui para agravar o desequilíbrio hormonal e pode desencadear um ciclo difícil de romper: o excesso de insulina estimula ainda mais a produção de andrógenos, o que, por sua vez, interfere na ovulação.

“É um efeito em cadeia. A resistência à insulina pode piorar os sintomas e dificultar ainda mais o funcionamento regular dos ovários”, explica Loreta.

Além dos impactos reprodutivos, a SOP também pode estar relacionada a outros problemas de saúde ao longo da vida, como diabetes tipo 2, síndrome metabólica e doenças cardiovasculares. Por isso o diagnóstico precoce é essencial, não apenas para lidar com os sintomas imediatos, mas também para prevenir complicações futuras.

MITOS SOBRE FERTILIDADE

Um dos maiores equívocos sobre a síndrome é a crença de que mulheres com SOP não podem engravidar. A ideia, segundo especialistas, surgiu da associação entre a condição e a irregularidade na ovulação.

“Quem tem síndrome dos ovários policísticos pode ter mais dificuldade para engravidar, mas pode, sim, engravidar, com acompanhamento adequado”, afirma Loreta Canivilo.

A explicação está no padrão irregular de ovulação. Diferentemente de mulheres sem a condição, que costumam ovular mensalmente, quem tem SOP pode não ovular todos os meses ou pode ovular de forma imprevisível. Isso reduz as chances estatísticas de gravidez, mas não elimina a possibilidade.

“Sem uma ovulação regular, fica mais difícil prever o período fértil. Isso contribuiu para a fama de infertilidade, mas é importante deixar claro que não se trata de uma infertilidade definitiva”, reforça a ginecologista.

TRATAMENTO

Apesar de não haver uma cura definitiva, a SOP pode ser controlada com tratamento adequado. O manejo da síndrome varia de acordo com os sintomas e os objetivos da paciente, seja regular o ciclo menstrual, controlar manifestações como acne e excesso de pelos ou buscar uma gestação.

Entre as principais abordagens estão mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada e prática regular de atividades físicas, que ajudam a melhorar a sensibilidade à insulina e o equilíbrio hormonal.

Em alguns casos, também são utilizados medicamentos para regular o ciclo menstrual ou induzir a ovulação.

“O tratamento pode incluir medicações que ajudam a coordenar a ovulação, aumentando significativamente as chances de gravidez”, explica Loreta.

Para mulheres que desejam engravidar, o acompanhamento médico é fundamental. Com orientação especializada, é possível identificar o melhor momento e, se necessário, recorrer a terapias específicas para estimular a ovulação.

DESINFORMAÇÃO

Além de gerar ansiedade e frustração, o mito da infertilidade pode levar a comportamentos de risco. Segundo a especialista, algumas mulheres com SOP deixam de utilizar métodos contraceptivos por acreditarem que não podem engravidar.

“Essa ideia é perigosa. Muitas acabam tendo relações sem proteção e, quando menos esperam, ocorre uma gravidez”, alerta.

Entender o próprio corpo e as particularidades da condição é essencial tanto para quem deseja engravidar quanto para quem quer evitar uma gestação.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico da SOP geralmente envolve a análise de sintomas clínicos, exames laboratoriais e, em alguns casos, ultrassonografia. Quanto mais cedo a condição for identificada, maiores são as chances de controlar os sintomas e reduzir impactos a longo prazo.

Apesar dos desafios, a síndrome não impede uma vida saudável nem a realização do desejo de maternidade. Com tratamento adequado e mudanças no estilo de vida, muitas mulheres conseguem equilibrar os hormônios, regular o ciclo menstrual e melhorar significativamente a qualidade de vida.

“O mais importante é entender que SOP não é uma sentença. Com acompanhamento médico, é possível controlar a síndrome e alcançar uma gestação, se esse for o desejo”, conclui Loreta Canivilo.

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