Há mais de dois anos em cartaz pelo País com casas sempre cheias, o monólogo “Cora do Rio Vermelho” chega hoje a Campo Grande, no Teatro Glauce Rocha. A apresentação começa às 19h.
Com dramaturgia assinada por Leonardo Simões, direção de Isaac Bernat e a atriz Raquel Penner em cena, a peça celebra os 135 anos de uma das mais marcantes figuras da literatura brasileira – a poeta, contista e doceira Cora Coralina (1889-1985).
Os ingressos custam R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia). Com sucesso de público e de crítica em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, o espetáculo faz sua estreia em Mato Grosso do Sul e integra o projeto Cora do Rio Vermelho – No Coração do Brasil, que conta com o patrocínio oficial da Petrobras e o incentivo fiscal da Lei Federal de Incentivo à Cultura do governo federal.
Em “Cora do Rio Vermelho” (o título se refere ao rio que banha Goiás), Raquel Penner se torna uma contadora de histórias atravessada pelo amor e pela entrega que Cora dedicou à sua tradição e à sua gente.
A montagem faz um passeio pela vida e a obra da poeta, contista e doceira goiana, propondo uma relação de cumplicidade entre a atriz e a plateia, com momentos intimistas e divertidos.
A peça nasceu da vontade de Raquel montar o seu primeiro monólogo. Para ter ideias, ela começou a anotar frases, desejos e pensamentos soltos que, frequentemente, falavam sobre o universo da mulher brasileira.
Ao reler a obra de Cora Coralina, percebeu que a poesia e os contos da escritora iam justamente ao encontro de sua inquietação artística. A atriz diz que este se trata de um trabalho “forte e delicado”, assim como a escrita da poeta.
“Cora Coralina foi uma mulher múltipla e libertária. Removeu pedras e abriu caminhos para outras mulheres. Há pouco mais de 15 anos, tive meu primeiro encontro com ela, em uma exposição, no Rio de Janeiro.
Fiquei encantada por aquela senhora do interior do Brasil que falava firme e cantado, fazia doces e escrevia poesia, celebrava a vida e a simplicidade. Quando a reencontrei, a partir de um livro do Drummond, percebi que tudo o que eu queria dizer no palco estava ali”, lembra Raquel.
Cora
Pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, Cora Coralina é considerada uma das mais importantes escritoras brasileiras. Nascida na cidade de Goiás, ela viveu mais de quatro décadas em São Paulo.
Apesar de escrever seus versos desde a adolescência, ganhava a vida como doceira e seu primeiro livro só foi publicado em junho de 1965, quando tinha quase 76 anos de idade. Escreveu sobre os lugares onde viveu, as pessoas com as quais se relacionou e a natureza que observava.
Dramaturgia e direção
A dramaturgia reúne passagens de sua vida e diversos poemas retirados dos livros “Vintém de Cobre – Meias Confissões de Aninha”; “Meu Livro de Cordel”; “Villa Boa de Goyaz”; e “Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais”.
Ao longo da encenação, aparecem algumas músicas populares, unindo vozes femininas de cantoras atrizes do cenário teatral brasileiro: Aline Peixoto, Chiara Santoro, Clara Santhana, Cyda Moreno e Soraya Ravenle.
“A partir de um recorte sensível de obras feito pela Raquel e com a toada poética de Cora, busquei nessa abordagem teatral uma geografia de sensibilidade e memórias, uma paisagem sonora que a atriz observa e traduz a partir do simbólico quarto de escrita, mesclada aos seus fazeres de doçura”, explica o autor Leonardo Simões.
“Quando Raquel me convidou para dirigir ‘Cora’, meu coração se encheu de alegria. Há anos, uma das célebres frases da poeta conduz o meu comportamento artístico e profissional: ‘Todo trabalho é digno de ser bem-feito’.
E esta mesma frase também orienta o que espero e procuro oferecer às pessoas. Como bem disse Carlos Drummond de Andrade: ‘Na estrada que é Cora Coralina passam o Brasil Velho e o atual, passam as crianças e os miseráveis de hoje. O verso é simples, mas abrange a realidade vária’”, celebra o diretor Isaac Bernat.



