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Demissão em massa

Orquestra Sinfônica Brasileira perde metade dos músicos

Orquestra Sinfônica Brasileira perde metade dos músicos

G1

30/03/2011 - 21h21
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Chegou ao fim o Caso Orquestra Sinfônica Brasileira – 44 dos 79 músicos do grupo já estão em processo de demissão após quase três meses de batalha em torno das avaliações impostas pela Fundação OSB. A orquestra, durante todo esse tempo, insistiu na legalidade das audições programadas para o início de março; e os músicos, por sua vez, defendiam a posição de que as provas são uma medida autoritária e ineficaz no processo de avaliação do trabalho da orquestra.

Na justiça, a Fundação OSB conseguiu autorização para levar adiante as provas, consideradas legítimas – instituição privada, a orquestra teria direito de avaliar seus funcionários. Os músicos recorreram a instâncias como o Ministério do Trabalho, que enviou ao Rio, no começo desta semana, um representante que serviria de mediador nas negociações entre as duas partes. A Fundação, no entanto, não reconheceu a mediação do ministério e – com a decisão judicial embaixo do braço – demite agora por justa causa os artistas que se recusaram a obedecer a ordem de fazer as provas. Foi sugerido um Plano de Demissão Voluntária, mas os músicos optaram por não aceitá-lo.

Se o corporativismo às vezes resvala na teimosia, por outro lado as cartas de advertência e demissão enviadas antes da hora e a busca em audições por substitutos para vagas ainda não abertas também não sugerem a melhor das intenções. Depois da polêmica inicial em torno das provas, a fundação correu para dizer que o objetivo das avaliações jamais foi a demissão em massa. É, no entanto, justamente esse o desfecho da história. Há verdades e exageros para todos os lados. Em horas como essa, a lei parece ser um parâmetro isento ao qual recorrer: órgão privado, a OSB tem direito a demitir seus funcionários.

Mas há muitas nuances das quais a lei, em alguns casos, não dá conta. A OSB, afinal, tem dinheiro público, que vem da prefeitura do Rio, à qual correu anos atrás, quando enfrentava o risco de ser fechada por falta de verbas. Além disso, a repercussão internacional, com músicos e especialistas de todo o mundo se pronunciando, é sinal de que não estamos falando apenas da relação empregador/empregado em uma empresa específica. A proliferação de crises, que se repetem ciclicamente em orquestras brasileiras, é suficiente para mostrar que há muito mais em jogo. A lição, se é que podemos chamá-la assim, é que perdemos a chance de mudar o paradigma – ou ao menos sugerir um novo caminho – na relação trabalhista dentro de orquestras.

Ainda que uma ou outra exceção exista, o fato é que músicos e direção estão sempre em lados opostos, convivendo no limite do entendimento. Fazem música não em parceria, mas apesar do convívio. O caso OSB tem muito a nos dizer sobre a vida cultural brasileira e, mais especificamente, sobre a atividade sinfônica. É toda uma relação de trabalho – e um contexto institucional precário, prejudicial aos dois lados – que está em jogo. Saímos dessa história sem avançar um milímetro nessa questão.


Músicos estão sem emprego e, como classe, se fragilizaram mais – ainda que a coesão com que lidaram com a questão seja um exemplo raro de união em um meio marcado por individualismos de todos os tipos. Por sua vez, a OSB perdeu a chance de ter criado um sistema mais humano de substituições em seu quadro orquestral. Músicos experientes, que dedicaram uma vida toda à orquestra, poderiam ter recebido tratamento melhor no momento da aposentadoria; com menos truculência, o desejo concreto de desenvolvimento artístico talvez não tivesse parecido a tanta gente uma mera desculpa. Ainda que respaldada pela justiça, é bobagem achar que a Fundação OSB sai vitoriosa da questão. Todos – músicos, maestros, orquestras, público – saímos perdendo.


E é sob esse signo que nasce a nova OSB.

Lançamento literário

Suicídio indígena é tema do novo livro do poeta e teatrólogo Américo Calheiros

Obra do poeta e teatrólogo transforma em versos a dor provocada pelos altos índices de suicídio entre os povos originários e propõe reflexão sobre uma das mais graves questões sociais de Mato Grosso do Sul

08/06/2026 08h30

O título

O título "Suicígena" é um neologismo criado por Américo Calheiros que traduz a essência da obra Foto: RAQUEL DE SOUZA

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Amanhã será lançada uma obra que promete provocar reflexão e ampliar o debate sobre uma das mais delicadas questões sociais do Estado. O poeta, escritor e teatrólogo Américo Calheiros lança o livro “Suicígena”, publicação que reúne poemas inspirados na realidade enfrentada pelos povos indígenas de Mato Grosso do Sul, especialmente diante dos elevados índices de suicídio registrados entre essas populações.

O evento acontece a partir das 19h, na sede da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL), em Campo Grande, com entrada gratuita e aberta ao público.

Publicado pela Life Editora, o livro surge como um manifesto poético diante de uma realidade que há décadas desafia autoridades, pesquisadores, lideranças indígenas e organizações de direitos humanos.

A motivação para a criação da obra nasceu do impacto causado pelos números divulgados pelo Relatório de Violência contra os Povos Indígenas no Brasil, elaborado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Conforme os dados referentes a 2022, Mato Grosso do Sul registrou, em média, 24 casos de suicídio para cada 100 mil habitantes indígenas.

O índice é três vezes superior à taxa observada na população brasileira em geral, que no mesmo período foi de 8 casos a cada 100 mil habitantes, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Foi diante dessa realidade que Américo Calheiros encontrou na poesia uma forma de expressar sua inquietação e contribuir para que a temática alcance novos espaços de discussão.

O próprio título do livro sintetiza essa proposta. “Suicígena” é um neologismo criado pelo autor a partir da fusão parcial das palavras “suicídio” e “indígena”, dando origem a um conceito que traduz a essência da obra.

“É a síntese perfeita do espírito do livro, cuja ideia surgiu sob a égide dos suicídios indígenas em Mato Grosso do Sul, à medida que fui tomando contato, pela imprensa, desse fato e também das precárias condições de vida dos indígenas, que são o imediato pano de fundo dessa situação e fator determinante para a perda da vontade de viver das populações indígenas”, resume o autor.

Embora o tema central seja o suicídio indígena, Calheiros explica que o livro também se debruça sobre elementos que envolvem a cultura, a identidade e a resistência dos povos originários. Segundo ele, trata-se da primeira vez que sua produção literária aborda diretamente essa temática, motivada pela necessidade de ampliar a conscientização da sociedade.

“Foco de preconceitos dos mais diversos, de assoladora discriminação, do desinteresse e da desconsideração dos poderes constituídos, a população indígena foi, no decorrer da história, alvo dos maiores genocídios, que quase a exterminaram. Movido pelo sentimento que tudo isso me provocou, recorri à manifestação poética para tocar mentes e corações alheios à essa questão”, afirma.

CONSCIENTIZAÇÃO

Em “Suicígena”, a poesia assume o papel de transformar estatísticas em experiências humanas, revelando as consequências do preconceito, da exclusão social e dos conflitos por terra que marcam a realidade de diversas comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul.

O Estado concentra uma das maiores populações indígenas do País, reunindo povos como guarani, kaiowá, terena, kadiwéu, kinikinau, ofaié e atikum, entre outros.

Nas últimas décadas, a disputa por territórios tradicionais e as dificuldades relacionadas ao acesso à saúde, à educação, ao trabalho e à preservação cultural se tornaram fatores frequentemente apontados por especialistas como elementos que contribuem para o agravamento de doenças mentais.

A obra de Américo Calheiros não pretende oferecer respostas definitivas acerca desse problema, mas provocar reflexão e incentivar o diálogo sobre a necessidade de políticas públicas mais efetivas.

“A sociedade mundial tem uma dívida incomensurável com os povos originários. Claro que as vozes indígenas já estão dizendo o que precisam e o que querem, só precisam, efetivamente, ser ouvidas. Se a minha poesia contribuir, que seja um pouco, com essa causa, fico feliz”, detalha Calheiros.

A apresentação do livro ficou a cargo da escritora e ensaísta Ana Maria Bernadelli, integrante da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, que define a obra como um exercício de sensibilidade e compromisso social.

“A poesia contida na obra não busca o consolo fácil nem a metáfora ornamental. Ela é lâmina afiada e brasa sobre a pele da indiferença. O poeta Américo Calheiros, ciente da responsabilidade de sua voz, transforma em palavra o luto e a dor dos indígenas que, despojados de suas terras, de seus deuses e de sua dignidade, veem na morte seu último refúgio”, define.

O AUTOR

Professor e teatrólogo, Américo Calheiros é formado em Letras pela antiga Faculdade Dom Aquino de Filosofia, Ciências e Letras (FUCMT) e realizou especialização na Escola Martins Pena de Teatro, no Rio de Janeiro. Há décadas radicado em Campo Grande, dedicou 18 anos ao magistério em escolas de primeiro e segundo graus da Capital.

Sua atuação, entretanto, extrapola a sala de aula e a literatura. Ao longo da carreira, participou ativamente da formulação de políticas culturais e do fortalecimento das artes no Estado.

Entre suas contribuições está a coordenação da comissão executiva responsável pelos festejos do primeiro centenário de Campo Grande.

Também criou o Grupo Teatral Amador Campo-Grandense (Gutac), iniciativa que ajudou a implantar o teatro como ferramenta educativa na Rede Municipal de Ensino, despertando em inúmeros estudantes o interesse pelas artes cênicas.

Américo ainda presidiu a Fundação Municipal de Cultura, Esporte e Lazer de Campo Grande (Funcesp) e a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), além de desenvolver diversos projetos culturais, entre eles, o programa Cesta Básica da Cultura, voltado à democratização do acesso às manifestações artísticas.

Sua produção literária reúne diferentes gêneros e temas, passando por poesia, contos e crônicas.

Entre os títulos publicados estão “Sem Versos”, “Memória de Jornal”, “Da Cor da Sua Pele”, “A Nuvem que Choveu”, “Poesia pra que Te Quero”, “Na Virada da Esquina” e “Campo Grande Aquarela de Luz – Patrimônio Vivo”.

O reconhecimento por sua contribuição à cultura sul-mato-grossense também veio por meio de homenagens institucionais.

Em setembro de 2010, recebeu da Assembleia Legislativa o título honorífico de cidadão sul-mato-grossense.

Em 2015, passou a integrar o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul e, atualmente, ocupa a Cadeira nº 7 da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, anteriormente pertencente ao saudoso acadêmico padre Félix Zavattaro.

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Felpuda

Quem está distribuindo sorrisos de orelha a orelha é o ex-governador...Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta segunda-feira (8)

08/06/2026 00h03

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Caio Fernando Abreu - escritor brasileiro
"Muita coisa que ontem parecia importante ou significativa amanhã virará pó no filtro da memória.  Mas o sorriso (...) ah, esse resistirá a todas as ciladas do tempo”

 

FELPUDA

Quem está distribuindo sorrisos de orelha a orelha é o ex-governador Reinaldo Azambuja. Junho, mês que antecede as convenções partidárias, chegou trazendo um presente daqueles para sua pré-campanha ao Senado. O inquérito do caso JBS, e que certamente seria explorado à exaustão pelos adversários, foi parar no arquivo, por decisão do STF. Com a pedra retirada do caminho, Azambuja ganha fôlego para seguir na disputa sem carregar esse peso político. Melhor ainda: as pesquisas de credibilidade continuam colocando seu nome entre os favoritos. Portanto...

Diálogo

Lá e cá

Diferentemente do cenário na Assembleia de MS, onde a bancada do PL reúne sete integrantes, na Câmara de Campo Grande esse número é de apenas três vereadores entre os 29 integrantes. O trio é formado por Ana Portela, André Salineiro e Rafael Tavares.

Mais

Ana é filha do Tenente Portela, amigo pessoal de Jair Bolsonaro. Salineiro, que é policial federal, já foi vereador, enquanto Tavares foi deputado estadual pelo PRTB, mas acabou cassado porque à época seu partido desrespeitou a legislação sobre cota de gênero.

DiálogoWagner Bertoli e Eléa Rocha Bertoli

 

DiálogoPetra Fiorin Fracaro

Reta final

Entre os dias 20 de julho e 5 de agosto serão realizadas as convenções para deliberar sobre coligações e escolha de candidatos para a disputa eleitoral. Mas, neste mês, começará o vale-tudo em alguns partidos, incluindo fogo amigo. Isso, para desestabilizar pré-candidaturas proporcionais (deputados estaduais e federais). Nas eleições deste ano não está sendo diferente em MS, tendo em vista que muitos atritos e desistências estariam ocorrendo. Afinal, como diz o ditado, “barata esperta não atravessa galinheiro”.

Mais calma

Para o Executivo, a situação aparentemente estaria mais calma com pré-candidatos já escolhidos. Eduardo Riedel (União Progressista formada pelo PP, seu partido, e União Brasil), que terá apoio do PL, e outros partidos de centro-esquerda; Fábio Trad, lançado pelo PT; João Henrique Catan, do Novo; Lucien Resende, do PSOL e Renato Gomes, do DC. Até o dia15 de agosto, as candidaturas deverão ser registradas na Justiça Eleitoral. Algumas surpresas poderão acontecer.

“Batalha”

A disputa pela presidência da Fecomércio-MS promete capítulos extras. A vitória da chapa de oposição sobre a atual diretoria, por apenas um voto de diferença, segue “causando”. Após terem pedidos negados para suspender o resultado da eleição, sindicatos ligados à situação anunciam nova investida no Tribunal do Trabalho. No comando há 16 anos, o grupo já havia sinalizado a “batalha”, ao registrar em ata que o resultado era apenas “provisório”.

Aniversariantes

Leonardo de Almeida Gralha,
Sebastiana Cunha Barbosa,
João Valmir Tontini,
Tathiany Kléia da Silva Verone Parron,
Bruno Guimarães Brasil,
Alaide Alves de Macedo,
Gilsano Costa,
Maria Angélica Sanches Navarro,
Laucídio Coelho Neto,
Antonio Tibana,
Estacio de Souza,
José de Barros Netto,
Albertina Maria de Oliveira,
Diego Giuliano Dias de Brito,
Mário Fernandes Barbosa,
Rubens Prevatto,
Ernesto Pereira Gazal,
Luis Henrique Gironde Madalena,
Arnaldo Zambom,
Sérgio Ocampos Pissurno,
Cassio Castro,
Abel Rezende,
Márcio Rogério de Camillo,
Dr. Luiz Antônio Monteiro Simões,
Dra. Adriane Cristina Bovo,
Amélia Riroko Miyashiro Tobaru,
Honório Rodolpho Hattge,
Marlene do Amaral Moraes,
Márcio Belone,
João Batista da Silveira Milagres,
Cícero Prentice Barbosa Júnior,
Ivana Schwanz da Costa Marques,
Matildes Zorrilha Vogado,
Zulma Maria Silva Gonçalves,
Joel Luiz Monteiro,
Maria Eduarda Barros,
Paulo Roberto Portella,
Indiana Rondon Giugni,
Elim Batista Borges,
Edviges Coelho Derzi,
Anderson Anunciação,
Zeferina José de Arruda,
Osvaldo Gordo Filho,
Daniela Barreto Saalfeld,
Leida Aparecida de Souza Couto,
Dr. Hélvio Freitas Pissurno,
José de Souza,
Mercedes Gauto,
Oséias Ferreira de Rezende Gil,
Fernando Alves de Oliveira,
Ancomárcio Barbosa de Oliveira,
Edna Maria Lopes da Silva,
Daniel Silva Mattos,
Mauro César Pereira de Miranda,
Valéria Gazzanelli Giovenazzio,
Vera Regina Sapiezinski,
Eliane Ruiz,
Flávio Garcia da Silveira Neto,
Mário Márcio Siqueira,
Elisabeth Dias Sollitto,
Florípedes Matos,
Antonio Petenatti,
Guilherme da Silva Telles,
Leonardo Vieira,
Francisco Teixeira Coelho,
Adão José Mendes,
Hudson Roberto Sanches,
Antônio Diniz Ferreira dos Santos,
Moacir Saturnino de Lacerda,
Arnaldo Jordão de Almeida Serra,
Maria Irailza Gomes Pereira,
Josiane Brites Azevedo,
Marcelo de Assis Sandym,
Francisco das Chagas Silva,
Carlo Daniel Coldibelli Francisco,
Elizângela Ferreira Peralta,
Flávia Guedes Colombo,
Mauro César Cardoso Coquemala,
Frederico Favaro,
Idalina Rosa Geraldes Brandão,
Nelie Martins de Moura,
Dalva Maria Alves,
Antonio Carlos de Melo,
Marciano de Oliveira Silva,
Nivaldo Strogueia,
Janai Pompeu Silva,
Mary Azuaga Berg de Almeida,
Mara de Azambuja Salles,
Cláudia Guimarães Vieira de Souza,
Paulo Affonso de Toledo,
Josué Rubim de Moraes,
Dr.Fábio Kanomata,
Adonir Rocha Both,
Cristiane dos Santos Gomes,
Flaviana Brito de Miranda,
Tarcio Quinta Reis,
Renato Farias de Souza,
Marcelo Monteiro Padial,
Ana Flávia da Costa Oliveira Vieira,
Bruna Berguerand,
Marcos Antonio Montagna,
Arlete Viana de Almeida Martins da Silva,
Tales Trajano dos Santos,
Cristiany Incerti de Paiva,
Elizabeth Flores Margarejo Cristaldo,
Naudirene dos Santos Pinheiro,
Eliane Iguchi Nicolau,
Deberton Máximo,
Genaro Orosco. 

COLABOROU TATYANE GAMEIRO

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