Correio B

Monólogo

Paulo Betti emociona público na abertura da 10ª FLIB com espetáculo sobre memória e literatura

Primeiro dia da Feira Literária de Bonito também premiou estudantes da rede pública, reuniu autoridades e celebrou os dez anos do evento, que transforma a Praça da Liberdade em um grande espaço dedicado aos livros e à cultura

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A 10ª edição da Feira Literária de Bonito (FLIB) começou na noite desta terça-feira (7) reafirmando o papel do evento como um dos principais encontros culturais de Mato Grosso do Sul. Com uma programação que reuniu estudantes, escritores, artistas e moradores na Praça da Liberdade, a abertura foi marcada pela valorização da educação, pela celebração dos dez anos da feira e, principalmente, pela apresentação do ator Paulo Betti, que emocionou o público com o monólogo "Autobiografia Autorizada".

O espetáculo foi o ponto alto da primeira noite da FLIB. Diante de uma plateia atenta, Betti conduziu o público por uma narrativa construída a partir de suas próprias memórias, revisitando a infância, a juventude, a relação com os pais e a descoberta do teatro. Em cena, o ator alterna humor, emoção e reflexões sobre identidade, pertencimento e classe social, transformando experiências pessoais em histórias capazes de dialogar com diferentes gerações.

Com mais de cinco décadas dedicadas às artes, Paulo Betti voltou à FLIB dez anos depois de sua primeira participação. O retorno, justamente na edição comemorativa da feira, reforçou o caráter simbólico de uma noite dedicada às histórias e à literatura.

Antes da apresentação, durante entrevista coletiva, o ator explicou que o espetáculo nasceu muito antes do livro homônimo, publicado em 2024. Segundo ele, a peça surgiu da necessidade de contar a própria história sem abrir mão de suas origens.

Paulo Betti já havia participado da FLIB em 2016 e durante a pandemia de maneira virtual

Betti contou que inicialmente pretendia montar um monólogo escrito pelo dramaturgo José Rubens Siqueira, mas desistiu ao perceber que o texto fazia referência a uma realidade social diferente da sua.

"Minha mãe era empregada doméstica. Eu não podia subir ao palco dizendo que ela tinha uma empregada doméstica. Eu precisava contar a minha história", afirmou.

Foi a partir dessa decisão que o ator reuniu décadas de anotações feitas à mão para construir o espetáculo que, somente depois do sucesso nos palcos, ganhou uma versão ampliada em livro.

Ele revelou que sempre cultivou o hábito de registrar pensamentos, lembranças e acontecimentos em cadernos e folhas soltas, prática que continua incentivando durante os encontros que promove pelo país.

"Tomem notas, se possível à mão. Existe um processo diferente quando você escreve. Você pensa, escolhe as palavras e isso ajuda até a memória", aconselhou.

CULTURA FORA DO EIXO

Ao comentar a importância de participar de uma feira literária realizada em Mato Grosso do Sul, longe do tradicional circuito Rio-São Paulo, Betti destacou que eventos como a FLIB aproximam novos leitores da literatura e reforçam o valor da cultura em um momento em que ela ainda é frequentemente tratada como algo supérfluo.

Leitor desde a adolescência, o ator lembrou que foi incentivado pela mãe, que não sabia ler e fazia dele seu "leitor oficial", responsável por ler cartas, livros e até passagens da Bíblia.

"A literatura é uma das coisas mais necessárias que existem. Uma feira literária num país onde parte das pessoas ainda acha que livro, teatro e cinema são supérfluos merece ser aplaudida", afirmou.

O artista também comentou suas impressões sobre Bonito. Ele relembrou a primeira visita à cidade, em 2016, quando conseguiu conhecer alguns atrativos turísticos, e contou que volta à cidade no fim do mês para participar do Bonito Cinesur, e aproveitará para trazer a esposa e aproveitar melhor o destino.

"Bonito é um lugar que todo mundo quer conhecer. Minha família inteira quer vir para cá", disse.

Durante a viagem até o município, Betti contou que observou a transformação da paisagem do Cerrado até a chegada às áreas preservadas próximas à cidade.

"Quando você vai chegando perto de Bonito, começa a aparecer mais mata. Isso me agrada muito", mencionou, comparando a preservação da natureza no município com as monoculturas que tomam conta de outras regiões no Estado.

UMA DÉCADA

Antes do espetáculo, a abertura oficial da FLIB teve início com um cortejo da Banda Municipal pelas ruas centrais de Bonito, convidando moradores e turistas para acompanhar a programação na Praça da Liberdade.

A cerimônia também foi marcada pela premiação dos vencedores do 4º Concurso de Redação da FLIB, que reconheceu estudantes da Rede Municipal de Ensino e os professores responsáveis pela orientação dos trabalhos.

Os textos vencedores passaram a integrar uma coletânea especial publicada pela feira, fortalecendo o incentivo à leitura e à escrita entre crianças e adolescentes.

Ao abrir oficialmente a programação, o organizador Carlos Porto relembrou a trajetória construída ao longo de uma década e destacou a consolidação da FLIB como espaço de formação cultural.

Um dos momentos mais emocionantes da solenidade foi o discurso da curadora Maria Adélia Menegazzo, que resumiu o espírito da feira ao afirmar que "enquanto houver leitores, o mundo está salvo", afirmou.

O prefeito de Bonito, Josmail Rodrigues, também destacou a importância do evento para a cidade.

"A FLIB é um orgulho para Bonito. Ver a praça ocupada por estudantes, professores, escritores e famílias mostra a força que esse evento tem para a nossa comunidade", disse.

A programação da primeira noite foi encerrada com o show "Dois Lados", reunindo Carlos Colman, Maria Cláudia, Marcos Mendes e Ana Duarte em uma apresentação marcada pela poesia e pela música.

PROGRAMAÇÃO CONTINUA

A 10ª FLIB segue até domingo (12), com uma intensa programação gratuita que reúne mesas literárias, lançamentos de livros, oficinas, apresentações culturais, contação de histórias e encontros com autores de diferentes regiões do país.

Neste ano, a feira homenageia a escritora Lygia Fagundes Telles e o escritor e editor douradense Luciano Serafim, falecido em 2025, reconhecendo a contribuição de ambos para a literatura brasileira e sul-mato-grossense. Além disso, a edição celebra uma década de história consolidando Bonito como um dos principais polos de difusão da literatura no Centro-Oeste brasileiro.
 

Diálogo

Tem deputado que descobriu um jeito, digamos, elegante de mandar... Leia na coluna de hoje

Leia a Coluna Diálogo desta terça-feira (14)

14/07/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Cecília Meireles - escritora brasileira

"Aprendi com as primaveras a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira”

FELPUDA

Tem deputado que descobriu um jeito, digamos, elegante de mandar recado ao Governo: basta aparecerem trechos esburacados nas rodovias de MS para cobrar providências imediatas. A pauta, claro, é a conservação das estradas. Mas, nos bastidores, a leitura é outra. Quando a reclamação ganha tom de forma constante, deixa de ser apenas preocupação com a situação. Em ano de eleição, buraco também serve de outdoor político. Vale lembrar que tais problemas estão sendo “descobertos” somente agora, atribuindo-se à “queixas de moradores”. Huum...

Na sola

De olho em 2026, o deputado federal Beto Pereira buscou em São Paulo o respaldo do governador Tarcísio de Freitas e do presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira.

Mais

Apoio partidário é importante, mas a avaliação é outra: voto se conquista mesmo é percorrendo as ruas empoeiradas de MS. Palanque ajuda, mas sola de sapato continua sendo insubstituível.

DiálogoFoto: Arquivo Pessoal

A UFMS de Chapadão do Sul acaba de alcançar um marco importante. A pesquisadora Karoline Günther Morata tornou-se a primeira doutora formada pelo Programa de Pós-Graduação em Agronomia do câmpus. E estreou em grande estilo. Sua pesquisa desenvolveu uma tecnologia que combina sensores de alta precisão e inteligência artificial para identificar nematoides – os vermes que atacam as raízes de soja e algodão – antes mesmo de aparecerem os sintomas nas plantas. Assim, o produtor poderá agir mais cedo, reduzindo prejuízos e aumentando a produtividade. O estudo é considerado pioneiro e reforça o protagonismo da UFMS na produção de conhecimento voltado ao agronegócio.

DiálogoKamily Yuuna Kaibara Kubota, representante de MS, foi eleita Miss Nikkey Brasil durante a final realizada em São Paulo, dia 11 - Foto: Divulgação

 

DiálogoGiulianna Arcuri - Divulgação

Curto-circuito

A base da prefeita Adriane  Lopes anda mais parecida com oposição de si mesma. Na Câmara Municipal de Campo Grande, aliados trocam farpas com frequência preocupante. O clima esquentou tanto que o caso foi parar no Conselho de Ética. Um vereador teria insinuado que outro colega seria corrupto. Depois da acusação, o ambiente passou a ter, dizem, vários fios em curto-circuito. Assim, quem deveria defender a administração agora precisa acalmar os próprios aliados. Afe!

Recado

A carta de Jair Bolsonaro teve efeito imediato em Mato Grosso do Sul. Ao colocar Flávio como pré-candidato ao Planalto, também reorganizou o tabuleiro. Entre as peças que perderam espaço está o deputado Marcos Pollon. A esperança de disputar o Senado pelo PL ficou ainda mais distante. Quando o recado vem da principal liderança do partido, sobra pouco espaço para interpretação. Na política, certas cartas não admitem réplica.

No corredor

Na eleição passada, Pollon foi o deputado federal mais votado de MS. O resultado alimentou a expectativa de ocupar a famosa “janelinha” do partido. Tentou viabilizar candidatura ao governo e encontrou a porta fechada. Inconformado, disparou críticas pesadas contra a cúpula do PL. O tempo passou, o cenário mudou e os ventos sopraram em outra direção. Na política, prestígio também tem prazo de validade. Quem sobe pelo elevador da votação pode descer pela escada da realidade. 

Aniversariantes

Maira Lúcia Pires de Rezende,
Marcos Vinicius Abreu Silva,
Vera Silvia Saad, 
Dr. Julizar Barbosa Trindade Júnior,
Mariana Braga,
Vania Cardoso, 
Altidor Garcia Lima Filho,
João Francischini Filho,
Maria Tereza Oliveira Franco,
Paulo Sérgio Sombra de Souza, 
Roseli Maria Cervi Kohl,
Sérgio Guimarães Dias,
João Cação,
Milton Oliveira da Silveira,
Paulo Cesar de Oliveira,
Carmem Lucia de Pierre Dalberto,
Marcelo Poy Frainer,
Thiago Segatto de Faria, 
Antônio Russo Netto,
Thiago Brandão,
Eduarda Almeida dos Reis,
Andréa Brandão,
Leonilce Gubert Brodzinski,
Noely Rabello de Barros Trindade,
Ana Patricia Saldanha Rodrigues,
Gilberto Roman Dias,
Marcílio Alves da Silva,
Maria Carolina El Daher,
Elso Gaban Júnior, 
Thiago Moura Nacer,
Mario Marcio Neres Dias,
Rubens de Carvalho,
Jorge Veimar Sayd Pinto,
Edna Knust Modesto,
Juliana Comparin,
Margareth Barbosa Medeiros,
Clovis Mareco,
Nedir Martins da Silveira,
Dr. Abdala Naufal,
Rubens Marques dos Santos,
Adonias Moreira de Souza Junior,
Ana Paula Rezende Munhoz,
Marcos Roberto Carvalho de Melo, 
João Câncio Alves Marques,
Maria Denise Pereira,
Estevan Caporossi,
Maria Waleska Bogalho Nogueira,
Renato Corrêa Gamba, 
Dra. Leila Borges Caminha Dias,
José Walbran Jucá,
Gilce Filartiga,
Domingos Sávio Gomes da Silva,
Waldir Coelho,
Benedito Freire,
Alair Aluísio Benevides,
Neuso de Melo,
Nubielli Dalla Valle Rorig,
Regis Fernando Oliveira Barbosa,
Brasília Lopes,
Norma Segovia,
Ana Carla Salomão Budib,
Eduardo Souza Neto,
Rosângela Valério Vilanova,
Cristina de Barros Faria,
Ruben Pedro da Rosa Angelini,
Júlio Fucuta Kotaro,
Dan Kjaer,
Augusto César Alexandre,
Suzete Maria Proença,
Suellen Ingrid Rossi Rodrigues,
Milane Ribeiro Toledo, 
Acir Silva Nascimento,
Helen Cristina Cabral Ferreira,
Miziane Garcia Freitas,
Juliane Laudisio Felicio,
Joacil Ferreira Gomes,
Abel Pavão da Silva,
Lourivaldo Nogueira Rodrigues,
Sebastião Amorim,
Boaventura Baptista, 
Leonardo de Souza, 
Geanne Lobo,
Alberto Zeiger, 
João Ribeiro Homem,
Lurdes Braga Fracalossi,
Veneide Galano Gonçalves Abrahão,
Camila Alacon Gomes,
Syrlo Fernandes Vieira,
Maria Augusta da Costa Nogueira,
Abel Moreira Júnior, 
Roza Vanilde Demundo,
Frederico Otto Filho,
Valéria Cristina Santos de Andrade,
Alisson da Silva Alvarenga,
Celso de Arruda,
Elair Prates Duarte,
Willian de Carvalho,
Jorge Antônio Bataiotti,
Fábio Leite Brandalise,
Aroldo Calves Dias,
Nelson Garragori Graces Lopes,
Osmar Reis de Siqueira,
José Rodolfo Marinho,
Luiz Guilherme Viana Nunes Carneiro,
Elizandra Nunes Pagani,
Maria Inês Domingues Castilho,
Fernando Cassiatori Gonçalves Bravo,
Andreia Carla Secretti Schwingel,
Daniela Brostolin da Costa.

Colaborou Tatyane Gameiro

feira literária

Itamar Vieira Junior defende literatura como instrumento de memória, justiça e esperança

Autor de "Torto Arado" afirma que a arte nasce do incômodo, preserva experiências humanas e amplia o debate sobre as desigualdades brasileiras

13/07/2026 17h03

Itamar Vieira Jr., autor de Torto Arado

Itamar Vieira Jr., autor de Torto Arado Mariana Piell

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Um dos escritores brasileiros mais importantes da atualidade, Itamar Vieira Junior levou à Feira Literária de Bonito (FLIB) uma reflexão que ultrapassa as páginas de seus livros. Autor do premiado Torto Arado, fenômeno editorial traduzido para dezenas de países, ele falou sobre literatura, direito à terra, memória, identidade, liberdade de expressão e os desafios sociais que continuam marcando o Brasil.

Ao longo da conversa, Itamar defendeu que a literatura não é apenas uma forma de entretenimento, mas um espaço de reflexão capaz de preservar memórias, dar voz às experiências humanas e estimular o debate sobre questões históricas que permanecem atuais.

"A arte é a expressão humana talvez mais sofisticada que existe. Ela não existe sozinha, existe acompanhada da imaginação, desse poder de criação que pertence a todos nós", afirmou.

Segundo o escritor, toda obra nasce de um incômodo. Para ele, escrever é um processo de investigação da própria realidade e da experiência coletiva.

"Escrever não é só escrever. Esse ato é acompanhado por uma grande fonte de reflexão, para que eu pense o mundo e uma história particular que quase sempre se replica em uma história coletiva", concluiu.

Esperança em meio às dores

Embora seus romances abordem temas como violência, desigualdade e conflitos sociais, Itamar acredita que suas histórias também carregam esperança.

Ao explicar esse equilíbrio entre dureza e afeto presente em suas obras, ele afirmou que essa característica faz parte da própria identidade brasileira.

"Apesar da dureza da nossa história e do nosso cotidiano, temos uma enorme capacidade de projetar um futuro diferente", afirmou.

Para o autor, o Brasil sobreviveu a processos traumáticos como a colonização, a escravidão e o genocídio dos povos indígenas sem perder completamente sua capacidade de imaginar outro futuro.

Ele também observou que, embora veja um país atualmente mais dividido politicamente, os brasileiros ainda conseguem encontrar pontos de união em manifestações culturais e populares.

O valor da terra

Tema central de Torto Arado, a relação entre as pessoas e a terra voltou a aparecer durante a conversa. Itamar destacou que o maior desafio vivido atualmente por comunidades quilombolas, indígenas e tradicionais continua sendo a garantia de seus territórios.

Segundo ele, a legislação brasileira possui instrumentos capazes de proteger essas populações, mas a aplicação dessas leis esbarra em disputas políticas e burocracias históricas.

"A terra não é apenas um bem econômico. Essa relação é muito maior. É uma relação vital, simbiótica", defendeu.

O escritor afirmou que assegurar o direito à terra significa preservar histórias, culturas e modos de vida.

"Se não temos um chão para pisar, uma casa para morar ou um campo para trabalhar, tudo isso está em risco", pontuou.

Ao recordar sua trajetória como servidor do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), onde trabalhou por 17 anos, Itamar lembrou dos inúmeros conflitos fundiários que presenciou e das lideranças ameaçadas e assassinadas durante esse período.

Segundo ele, essa vivência foi determinante para a construção de Torto Arado.

"Essa experiência me permitiu apresentar aos leitores um Brasil que muitas vezes não é observado, que é esquecido", afirmou.

Literatura que preserva 

Questionado sobre o papel da literatura na preservação da memória dos povos tradicionais, Itamar afirmou que os livros permanecem como registros históricos, mas possuem uma capacidade única de guardar também aquilo que dificilmente aparece em documentos oficiais: os sentimentos.

"A literatura trata da experiência humana. Ela registra não apenas a memória e a história, mas também a dimensão afetiva e subjetiva da vida", pontuou.

Para ele, justamente por depender da imaginação tanto de quem escreve quanto de quem lê, a literatura consegue alcançar aspectos profundos da existência humana.

Ele também destacou que essa liberdade criativa precisa ser preservada.

"A literatura não pode se censurar. Ela precisa ser livre e dar voz à imaginação", defendeu.

Longa jornada

Durante a entrevista, o escritor também falou sobre como sua atuação profissional influenciou diretamente sua produção literária.

Ele revelou que a primeira versão de Torto Arado foi escrita cerca de vinte anos antes da publicação do romance, quando ainda conhecia a realidade rural apenas pelas histórias contadas dentro de casa.

Foi somente depois de trabalhar no Incra e visitar comunidades quilombolas e assentamentos que conseguiu dar profundidade à narrativa.

"A imaginação se alimenta da vida,", afirmou.

Segundo ele, a convivência direta com essas comunidades permitiu construir personagens mais complexos e apresentar aos leitores um Brasil frequentemente invisibilizado.
 

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