Correio B

LITERATURA

Professores da UFMS fazem lançamento coletivo de suas obras

Do engajamento político e identitário ao misticismo cosmológico, quatro professores do curso de Letras da UEMS e da UFMS assinam livros de conto e poesia que ganham lançamento amanhã, no Sesc Cultura, a partir das 19h

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E se os professores derem um tempo das regras formais e rígidas impostas pela escola? Alunos, literatos e outros curiosos na resposta dessa pergunta podem conferir o resultado em forma de prosa e poesia com a assinatura de nomes, talvez, mais conhecidos na sala de aula.

Amanhã (28), a partir das 19h, quatro escritores de Campo Grande, que atuam como professores do curso de Letras da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) se reúnem para um lançamento coletivo no Sesc Cultura.

Durante o evento, com acesso gratuito para todo o público, Flávio Adriano Nantes, Fábio Dobashi, Volmir Cardoso e Ravel Paz trazem quatro obras plurais, oferecendo aos leitores uma pluralidade de perspectivas, sentimentos, realidades e experiências.

Em comum entre os escritores, além do amor pela escrita, também está o amor pela educação e o desejo de mobilizar uma lírica pessoal sobre um universo temático bem diversificado e candente.

Durante o lançamento, em uma conversa mediada pela escritora Adrianna Alberti, os quatro autores poderão dividir com os espectadores parte de seu processo criativo e o que eles podem esperar dessas leituras. Confira um pouco sobre cada obra e o perfil de seus autores.

INVISIBILIZAÇÕES

Flávio Adriano Nantes apresenta “Palimpsestos de Silêncios”, publicado em 2022 pela Editora Libertinagem.

A proposta do livro de poesia é tratar, conforme indicação do próprio título, de um amontoado de silêncios perpetrados historicamente contra determinados sujeitos; estes, nos poemas, enquanto entidades líricas, reivindicam vozes silenciadas.

Flávio explica que os poemas se transformam, então, na própria “materialização ou metaforização do silêncio, ganhando significações ao representar sujeitos-corpos invisibilizados”.

COVID-19 E NEOFACISMO

Volmir Cardoso traz o livro “A Peste e o País que se Perdeu”, publicado pela Kotter Editorial no ano passado. Os poemas deste livro foram escritos entre 2020 e o início de 2022, período em que o País e o mundo foram flagelados pela pandemia de Covid-19.

“Não bastasse a ‘peste’ viral, outras seguiram assolando o presente brasileiro, muitas delas advindas de nosso passado histórico, como fantasmas indissipáveis. O neofascismo militarista, com traços milicianos e religiosos, a violência interminável contra índios, negros, mulheres, sem-terra e gays, a algoritmização da vida, o desamparo que corrói o verniz da sociedade de consumo, enfim, todos esses temas se desdobram em personas líricas, em poemas sem pontuação cuja leitura leva inevitavelmente à perda do fôlego”, explica o autor.

ESPAÇO-TEMPORALIDADES

Fábio Dobashi apresenta o livro de contos “Batateogonia e Outras Histórias”, publicado em 2021 pela Mireveja Editora.

A obra, segundo ele, é um conjunto de textos concebidos ao longo de mais de duas décadas, não exclusivamente pelo autor, como também por “entidades de diversas dimensões espaço-temporais, que falam” através dele. As narrativas abarcam a trajetória do ser humano no planeta, desde a sua origem. 

TERROR E SCI-FI

Ravel Paz apresenta “O Poodle Preto e Outras Histórias Sinistras”, publicado em 2022 pela Editora Selo Jovem. O livro traz quatro contos, misturando terror, humor, ficção científica e dilemas adolescentes, tudo recheado com referências literárias e à cultura pop.

Vitrine docente

“Palimpsestos de Silêncios”

Advindos do apagamento social e histórico contra “determinados sujeitos”, os poemas do livro se transformam, então, na própria materialização e metaforização do silêncio, que ganha significações ao representar sujeitos-corpos invisibilizados.

A obra é dividida em três partes – silêncio primeiro, silêncio segundo e silêncio terceiro –, que se ligam por um fio “est(ético)” e se coadunam para completar um sentido global.

Na primeira e na terceira parte, os poemas indicam os sujeitos “do/para” o silêncio; na segunda, que une as outras duas, os poemas elucidam como eles são construídos a partir “do/no” silêncio.

FLÁVIO ADRIANO NANTES

É um escritor nascido em Campo Grande, onde atua como professor e pesquisador na área de teoria e crítica literária, na UFMS, articulando e orientando pesquisas entre o texto literário e as proposições teórico-críticas dos Gender Studies, Feminismos Plurais, Estudos Interseccionais, Vidas Subalternizadas/Precárias, Estudos LGBTs e do Patriarcado Eclesiástico.

Coordena o Coletivo de Estudos e Pesquisa em Literatura e Estudos de Gênero Federico García Lorca (Colege). O autor publicou, pela Penalux, o livro de contos “Desejo Sitiado”. Foi duas vezes finalista do Prêmio Off Flip de Literatura.

Tem contos e poemas publicados em revistas e espaços independentes. Autodeclara-se um gay feminista e militante no combate à violência “perpetrada ainda no hodierno contra determinados corpos”.

“Batateogonia e Outras Histórias” 

Trata-se de conjunto de textos concebido em circunstâncias muito peculiares, passando pelos tempos de “Terra Pré-plana”, nas “Aventuras de São Bigolin”, chegando até os nossos dias, em “O Nariz”, para finalmente mirar o porvir, em “A Invasão das Bacttrkias Fenuczianas”.

Já o conto “Sonho de Uma Noite de Verão” dialoga com todos os anteriores, em um plano de sentido submerso, que é preciso estar atento para captar, como alguém que escuta a passagem do tempo no fundo do oceano.

FÁBIO DOBASHI

É autor de “Diário de Um Hemorroidário” (2016). Formado em Jornalismo, pela Unesp de Bauru; e em Letras, pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Mestre e doutor em Teoria e História Literária – Literatura Brasileira, pela Unicamp, atua como docente de Literatura na UEMS desde 2008, sendo desde 2012, em Campo Grande, como professor efetivo.

Desenvolve projetos de pesquisa, ensino e extensão sobre a Literatura Fantástica e temas afins. Algumas de suas histórias foram adaptadas para a linguagem audiovisual, como “Batateogonia” (2007) e “As Aventuras de São Bigolin na Terra Pré-plana” (2019), pelo produtor Ricardo Botini; e “A Biografia Não Autorizada de São Bigolin” (2021), pelo diretor e ator Robson Marx.

“A Peste e o País que se Perdeu”

No livro, o autor tenta “escavar” os escombros da vida contemporânea brasileira. Seus poemas foram escritos entre 2020 e o início de 2022, período em que o País e o mundo foram flagelados pela pandemia de Covid-19.

Mesmo ante uma “dificuldade de respirar e conspirar, o verbo não recusa o desejo revolucionário, vislumbra utopias tecnosselvagens (como se Oswald de Andrade conversasse com Antonio Negri), torce as palavras em arranjos visuais sobre a página, reescreve a Carta de Caminha, sonha fundar um novo país, ainda que os versos indigestos, forjados sob um luto social mal cumprido, sejam inevitáveis”.

VOLMIR CARDOSO

Nascido em Batayporã (MS), é doutor em Letras pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e atua como professor na UEMS. Desenvolve pesquisas sobre literatura contemporânea, estudos interartes e crítica materialista.

“O Poodle Preto e Outras Histórias Sinistras” 

Composto de quatro contos, “O Poodle Preto e Outras Histórias Sinistras” mistura terror, humor, ficção científica e dilemas adolescentes, tudo recheado de referências literárias e à cultura pop.

RAVEL GIORDANO PAZ

Nasceu em 1972, no Rio de Janeiro (RJ), mas passou parte da infância e a adolescência em Corumbá (MS). Cursou Letras na UFMS, em Campo Grande, fez mestrado em Teoria e História da Literatura na Unicamp e doutorado em Letras Clássicas e Vernáculas na Universidade de São Paulo (USP).

É professor de Literatura na UEMS desde 2012. É autor do estudo “Serenidade e Fúria: o Sublime Assismachadiano” (Nankin/Edusp, 2009). “O Poodle Preto e Outras Histórias Sinistras” é seu quinto livro de ficção e o terceiro voltado para o público juvenil.

Serviço

Lançamento coletivo

  • Com os autores Flávio Adriano Nantes, Fábio Dobashi, Volmir Cardoso e Ravel Paz
  • Amanhã (28), às 19 horas
  • Sesc Cultura – Avenida Afonso Pena, nº 2270
  • Entrada franca

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Saúde

Presidente da Associação Brasileira de Nutrologia alerta para uso de canetas emagrecedoras

Dr. Durval Ribas-Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia, afirma que agonistas incretínicos representam avanço no tratamento da obesidade, mas alerta para riscos do uso sem acompanhamento e defende que a doença seja tratada como condição

28/09/2026 10h00

Presidente da Abran, dr. Durval Ribas-Filho é especialista em Nutrologia, Clínica Médica e Endocrinologia

Presidente da Abran, dr. Durval Ribas-Filho é especialista em Nutrologia, Clínica Médica e Endocrinologia Foto: Divulgação

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As chamadas canetas emagrecedoras se tornaram um dos assuntos mais presentes nas conversas sobre perda de peso. Medicamentos à base de agonistas incretínicos, desenvolvidos inicialmente para o tratamento do diabetes, passaram a ser utilizados também contra a obesidade, depois que pesquisadores observaram a capacidade dessas substâncias de reduzir o peso corporal. 

O avanço, considerado uma revolução na terapia antiobesidade pelo presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), Dr. Durval Ribas-Filho, especialista em Nutrologia, Clínica Médica e Endocrinologia, veio, no entanto, acompanhado da banalização do uso.

Durante o Congresso Brasileiro de Nutrologia 2026 (CBN), realizado de sexta-feira a domingo, o médico afirmou que a popularização desses medicamentos precisa ser acompanhada de informação e monitoramento.

Para ele, o problema não está na existência dos medicamentos, mas na transformação de uma terapia médica em uma solução rápida para quem pretende perder poucos quilos.

“Os agonistas incretínicos não deixam de ser uma revolução na terapia antiobesidade. É uma descoberta maravilhosa”, afirmou. Segundo Ribas-Filho, a mesma velocidade com que as substâncias ganharam espaço no mercado também contribuiu para que fossem utilizadas fora do contexto para o qual foram desenvolvidas.

O especialista compara o fenômeno ao que ocorreu com o minoxidil, originalmente sintetizado para o tratamento da hipertensão arterial e que posteriormente passou a ser utilizado principalmente contra a queda de cabelo.

No caso dos agonistas incretínicos, a descoberta do efeito sobre o peso abriu caminho para uma nova geração de medicamentos contra a obesidade.

A origem dessas substâncias, explica o médico, é anterior às atuais canetas. Em 1932, o médico belga Jean La Barre identificou os hormônios produzidos pelo intestino e utilizou o termo incretinas.

Décadas depois, técnicas de DNA recombinante permitiram modificar a duração da ação dessas moléculas no organismo.

O GLP-1 natural, por exemplo, apresenta ação muito curta. A partir do desenvolvimento farmacológico, surgiram moléculas com duração muito maior.

A liraglutida passou a ter ação de cerca de 13 horas, enquanto a semaglutida e a tirzepatida apresentaram ação prolongada. Dessa forma, medicamentos passaram a reproduzir mecanismos hormonais relacionados à fome e à saciedade por períodos muito maiores.

A banalização

Para Ribas-Filho, a popularização dos medicamentos revela também uma dificuldade histórica de tratar a obesidade como uma doença. O médico afirma que, durante décadas, a condição foi encarada predominantemente como uma questão estética ou como consequência de escolhas individuais.

Ele utiliza uma situação cotidiana para ilustrar a diferença de percepção. Em uma festa, segundo o especialista, uma criança com diabetes tipo 1 costuma receber imediatamente a proteção dos adultos em relação ao consumo de açúcar. Já uma criança em tratamento contra a obesidade pode ouvir que “só hoje” não há problema em comer bolo ou tomar refrigerante.

“A obesidade nunca foi considerada uma doença, e sim um problema estético”, disse.

Na avaliação do médico, essa percepção ajuda a explicar por que o uso de medicamentos para emagrecimento acaba sendo banalizado. Ele relata que, ao longo de sua experiência clínica, já atendeu cerca de 55 mil pacientes impactados pela obesidade e ouviu repetidamente relatos de pessoas que começaram a tomar medicamentos prescritos para outras pessoas.

“Quantos e quantos chegam e dizem: ‘Olha, eu vim aqui porque a minha vizinha perdeu peso. Mas eu peguei o remédio dela e comecei a tomar e achei que foi bom’”, contou.

A mesma situação, segundo ele, seria muito menos comum com medicamentos destinados ao tratamento do diabetes. Para Ribas-Filho, isso demonstra que ainda existe uma percepção de que o tratamento da obesidade pode ser feito de maneira improvisada.

O médico cita ainda situações em que pacientes chegam ao consultório após iniciarem o uso por conta própria ou sem acompanhamento adequado. Entre os possíveis problemas estão náuseas, vômitos, constipação e alterações gastrointestinais. Ele também chama atenção para casos graves, como a pancreatite, que exigem atendimento hospitalar.

“Você fica sabendo que fulano perdeu 10 quilos, ciclano perdeu 20 quilos, beltrano perdeu 30 quilos. Mas quem foi internado por pancreatite, por refluxo, por náuseas e vômitos severos, por constipação intestinal, a gente não fica sabendo. Então, o problema é esse: a banalização”, afirmou.

Obesidade não tem fim

Outro ponto destacado pelo especialista é que a perda de peso não encerra o tratamento da obesidade. Para Ribas-Filho, o maior desafio não é apenas fazer o paciente emagrecer, mas ajudá-lo a manter o peso perdido.

“Obesidade é doença crônica. Doença crônica requer tratamento crônico. Se o tratamento para, a doença volta, a doença recrudesce”, declarou.

O raciocínio, segundo ele, é semelhante ao de outras doenças crônicas, como hipertensão e diabetes. A interrupção do tratamento pode levar novamente à alteração dos parâmetros que estavam controlados.

O organismo também apresenta mecanismos de defesa contra a perda de peso. De acordo com o médico, quando uma pessoa emagrece, alterações hormonais podem aumentar a fome e favorecer a recuperação do peso. Por isso, interromper abruptamente uma terapia sem acompanhamento pode dificultar a manutenção do resultado.

Ribas-Filho afirma que ainda não existem respostas definitivas para todas as questões relacionadas à manutenção do peso após o uso dos agonistas incretínicos. Segundo ele, uma das possibilidades estudadas na prática clínica é uma redução gradual da frequência ou da dose, mas a estratégia deve ser individualizada e acompanhada por profissional habilitado. “Parar totalmente é muito, muito, muito difícil”, disse.

Desafio sanitário

A popularização das canetas também abriu espaço para um mercado paralelo, com produtos de procedência duvidosa, armazenamento inadequado e substâncias que ainda não foram aprovadas para uso.

Ribas-Filho cita como exemplo a retatrutida, que vem sendo divulgada nas redes sociais como se já estivesse disponível para tratamento. Segundo ele, a substância ainda não havia sido aprovada para comercialização como medicamento.

“A ânsia por algo novo é tão grande que as pessoas acreditam que já tem a retatrutida no mercado e que podem utilizar. Ela não foi aprovada”, afirmou.

O médico classifica a comercialização de produtos apresentados como retatrutida como um grave problema de saúde pública.

Outra preocupação está relacionada ao armazenamento e ao transporte clandestino de medicamentos. Segundo Ribas-Filho, alguns pacientes chegam ao consultório com produtos transportados de maneira inadequada, fora das condições recomendadas de conservação.

“Esses produtos são iguais à insulina, tem que ter uma boa conservação, então, nós estamos diante de um desafio sanitário”.

O problema não se restringe à origem do produto. A forma como uma substância é armazenada, transportada e administrada também pode interferir em sua segurança.

No caso de medicamentos manipulados, o especialista ressalta que a manipulação de medicamentos faz parte da prática farmacêutica regulamentada e pode ser utilizada em situações específicas, como ajustes individualizados de doses. O problema, segundo ele, está nos produtos sem procedência, comercializados irregularmente ou utilizados sem acompanhamento.

Desinformação nas redes

Outro capítulo da popularização das canetas está nas redes sociais. Para Ribas-Filho, a velocidade de circulação de informações falsas ou distorcidas é um dos maiores desafios atuais da medicina.

O especialista chama atenção especialmente para adolescentes e jovens que buscam formas rápidas de emagrecer. Segundo ele, o fenômeno guarda semelhanças com períodos em que outras substâncias eram utilizadas indiscriminadamente com a promessa de perda rápida de peso.

“A versão de um fato científico é mais forte, é mais robusta do que o próprio fato científico”, destacou.

Ele cita uma pesquisa que, segundo seu relato, comparou a reação de jovens diante de informações científicas e versões não científicas de determinados fatos. A conclusão apresentada por ele é de que a forma como uma informação é apresentada pode ter grande influência sobre a crença do público.

Para o médico, isso cria uma vantagem para conteúdos produzidos por pessoas com grande alcance nas redes sociais, mesmo quando não têm formação ou respaldo científico para fazer determinadas afirmações.

Cinema Correio B+ - Especial

VMA 2026 reúne Madonna, Taylor Swift e uma nova voz do pop

Entre homenagens e estreias, a premiação celebrou quem criou suas imagens.

28/09/2026 09h00

VMA 2026 reúne Madonna, Taylor Swift e uma nova voz do pop

VMA 2026 reúne Madonna, Taylor Swift e uma nova voz do pop Foto: Divulgação

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Madonna abriu o VMA 2026 ao lado de Sabrina Carpenter e Charli xcx, 23 anos depois de sua última apresentação na premiação. Taylor Swift encerrou a noite recebendo o prêmio de vídeo do ano. Entre uma e outra, a cerimônia de domingo (27), em Los Angeles, encontrou tempo para lembrar Dolly Parton, George Michael e Nirvana, além de apresentar ao grande público uma cantora que talvez ainda não estivesse em seu radar: Sienna Spiro.

A volta de Madonna era o acontecimento mais aguardado. Desde “Like a Virgin”, na primeira edição do VMA, em 1984, ela entende o palco e o vídeo como lugares para contar histórias, criar imagens e provocar reações.

Sua abertura com Sabrina e Charli tornou visível uma influência que atravessa gerações. Madonna também foi a maior vencedora da edição: conquistou sete prêmios, entre eles artista do ano e melhor álbum por Confessions II. Três troféus foram anunciados durante a transmissão.

Taylor saiu com vídeo do ano por “The Fate of Ophelia” e melhor direção por “Opalite”. Recebeu ainda o primeiro Artist Director Honors, concedido por sua trajetória atrás das câmeras, e aproveitou o palco para estrear “Patient Zero”, seu novo videoclipe, com Dakota Johnson e Colin Farrell.

Se Madonna ajudou a estabelecer o videoclipe como um acontecimento cultural, Taylor conhece sua vida depois da estreia: cada detalhe se torna uma conversa com os fãs, que voltam às imagens em busca de novas interpretações.

Uma das homenagens mais emocionantes foi dedicada a Dolly Parton, morta em agosto. A apresentação começou com imagens da própria cantora interpretando “I Will Always Love You”. Kacey Musgraves entrou acompanhando os últimos versos e assumiu a canção que Dolly escreveu e gravou em 1974, décadas antes de ela ganhar outra vida na voz de Whitney Houston.

Mais tarde, ao receber o prêmio principal, Taylor também dedicou sua vitória a Dolly. A homenagem, assim, continuou presente até o fim da cerimônia.

O tributo a George Michael percorreu diferentes momentos de sua carreira. Sombr abriu com “Faith” e “Father Figure”, RAYE cantou “I Knew You Were Waiting (For Me)”, parceria original de Michael com Aretha Franklin, e Teddy Swims ficou com “Careless Whisper”.

A surpresa veio no encerramento: Adam Lambert apareceu para cantar “Freedom! ’90”. Em vez de confiar uma obra tão variada a uma única voz, o VMA reuniu artistas de estilos distintos para mostrar quantas portas George Michael abriu no pop.

O Nirvana recebeu o Video Vanguard das mãos de Chuck D, do Public Enemy. Dave Grohl, Krist Novoselic e Pat Smear subiram juntos ao palco, mas não tocaram. A ausência de uma apresentação musical deu outro peso à homenagem: as imagens e a lembrança de Kurt Cobain ocuparam o espaço que uma reunião da banda jamais poderia preencher.

Novoselic falou da autenticidade que, para ele, ainda aproxima o Nirvana de novas gerações e recordou Cobain como um artista único.

Em meio a tantos nomes consagrados, Sienna Spiro ganhou o prêmio de artista revelação. A britânica cantou “Great Expectation” sobre um enorme toca-discos, começando de maneira contida antes de deixar a apresentação crescer com o acompanhamento da banda.

O troféu lhe deu visibilidade; a performance mostrou por que valia a pena prestar atenção nela. Lisa, por sua vez, venceu a categoria pop e levou ao palco um número de grande escala.

Apresentado por Snoop Dogg, o VMA passou boa parte da noite olhando para os artistas que marcaram sua história. Fez sentido: a própria premiação cresceu graças ao poder das imagens de Madonna, George Michael e Nirvana. Mas a presença de Sienna lembrou que celebrar esse passado só tem graça se ainda houver espaço para alguém subir ao palco e começar sua própria história.

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