A escritora e psicanalista Isloany Machado lança seu novo livro, “Voo Solo”, na Casa de Ensaio, em Campo Grande, no dia 4 de março, às 16h.
O evento será aberto ao público e contará com a presença do escritor Henrique Pimenta, autor de “Sonetos de Amor” (Ekos, 2012), “Compêndios de Evisceração” (Chiado, 2021), entre outros, e da profª Rosana Zanelatto, doutora em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e professora titular na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
Os escritores redigiram, respectivamente, o texto de orelha e o posfácio de “Voo Solo”.
A autora e seus convidados promoverão uma conversa sobre a obra, discutindo o texto e seu processo de construção.
“Voo Solo” (Cas’a Edições, 2022) traz uma narradora que questiona o peso da própria existência, em passagens que vão de um arrancar das próprias penas ao abandono da culpa, das dores de ser filha à (im)possibilidade de ser mãe.
Em uma narrativa contínua, mas que pode ser lida de forma desmembrada, o livro busca responder a questões como “pode um pássaro de chumbo voar?”, além de outras sobre pertencimento e história. O chumbo aqui também é a memória da personagem, que busca o eterno rearranjo de seu impossível. Nas palavras de Henrique Pimenta, “o foco desse material literário estranho é a dispersão”.
SOBREVOOS
A psicanalista conta à reportagem do Correio B que os itinerários de “Voo Solo” são constituídos de, quem sabe, sobrevoos.
“São passeios por diversos tempos na vida da narradora do livro: infância, adolescência, juventude e vida adulta. Sobrevoa traumas, dores, medos e outras passagens. Trata de um feminino, que pode ou não representar outros”, afirma a escritora.
“No campo do feminino há uma série de determinações sociais que são impostas às mulheres, com as quais é preciso romper. Algumas não rompem, outras levam o tempo de uma vida e, quando o fazem, muitas vozes ecoam no sentido de desencorajar. Trata-se aqui de uma caminhada, uma travessia”, instiga Isloany.
“É uma narrativa em fragmentos, como é o funcionamento da memória. Mas cada trecho pode ser lido um a um. Toda obra literária não escapa de aspectos vividos pelo autor, em maior ou menor medida. No entanto, toda memória, toda narrativa, é ficcional, porque não se alcança a experiência ou a coisa em si”, apresenta.
A escritora reitera a estrutura polinuclear de seu trabalho literário. “É um livro mais fragmentado em relação ao imediatamente anterior, ‘Nau dos Amoucos’ [romance], em que havia enlace e continuidade entre os capítulos”.
Isloany Machado tem ainda publicados os livros “Costurando Palavras” (Life, 2012), “Em Defesa dos Avessos Humanos” (Life, 2014) e “Nau dos Amoucos” (Metamorfose, 2017), além de ter contos e crônicas de sua autoria em diversas compilações.
Entre seus contos, “Fotografia”, que é parte de “Voo Solo”, foi finalista do Prêmio Off Flip 2022, selo de mesmo nome ligado à Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).
A autora é psicanalista, com clínica em Campo Grande, membro da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano, do Fórum do Campo Lacaniano de Mato Grosso do Sul e do Ágora Instituto Lacaniano.
É bacharel e mestra em Psicologia pela UFMS.
SERVIÇO
“Voo Solo”,
de Isloany Machado
4 de março (sábado), às 16h.
Casa de Ensaio
R. Visconde de Taunay, 203
(esq. com Av. Afonso Pena).
Entrada gratuita.



Ester Quintanilha Nogueira e o seu neto Gustavo Terra - Foto: Arquivo Pessoal
João Vitor Silva - Foto: Lu Prezia


