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Música de MS

Rap indígena e rezas guarani e kaiowá ganham o mundo em lançamento internacional

Rap indígena e rezas guarani e kaiowá ganham o mundo em álbum que une espiritualidade, ciência e música contemporânea; produtor de Paul McCartney e Guns N' Roses está envolvido no projeto

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Um encontro entre mundos, sons e espiritualidades começa a ecoar para além das fronteiras do Brasil.

Lançado em vinil no sábado, o álbum “Shamans in Space” nasce de um diálogo profundo entre os povos guarani e kaiowá, de Mato Grosso do Sul, e artistas da música eletrônica internacional, propondo uma experiência que ultrapassa os limites tradicionais da música e se aproxima de um território sensorial, espiritual e político.

O projeto se apresenta como um gesto de resistência, preservação cultural e criação coletiva.

Com distribuição em cerca de 5 mil lojas ao redor do mundo e estreia nas plataformas digitais marcada para o dia 1º de maio, o álbum leva ao cenário internacional um conhecimento ancestral que, para esses povos, nunca foi apenas som – mas reza, tecnologia espiritual e forma de existência.

ALÉM DOS OUVIDOS

Para os guarani e kaiowá, o som não é entretenimento. Ele carrega um sentido profundo, ligado ao conceito de Mba’ekuaa, um conhecimento vivo que articula dimensões espirituais, práticas e comunitárias. Nesse contexto, cantar é também cuidar do equilíbrio entre mundos, preservar memórias e manter vivas as relações entre humanos, natureza e o invisível.

É a partir dessa compreensão que “Shamans in Space” foi concebido: não como uma simples fusão de gêneros musicais, mas como um encontro orientado pela escuta, pelo respeito e pela espiritualidade.

Capa do álbum Capa do álbum “Shamans in Space” - Foto: Divulgação

O projeto propõe uma ruptura com a lógica da indústria cultural tradicional, em que frequentemente há apropriação de saberes indígenas sem o devido reconhecimento ou participação efetiva das comunidades.

No centro dessa criação estão lideranças espirituais guarani e kaiowá, como Nhandesy Roseli, Nhandesy Fausta e Nhanderu Tadeu, que assumem não apenas a participação, mas a direção do projeto.

São eles que definem o que pode ser compartilhado, orientam os processos e garantem que os cantos sagrados – considerados pilares da cosmologia indígena – sejam preservados em sua integridade.

A pesquisadora e coordenadora do projeto, Fabi Fernandes, destaca que esse cuidado foi construído ao longo de anos de diálogo com as comunidades.

“A gente fez questão de que tudo seja construído com os anciãos, etapa por etapa. Eles são os diretores de tudo. Não é só colocar o nome deles como coautores, é garantir que a decisão final seja sempre deles. Isso muda completamente a forma de produzir arte e conhecimento”, explica.

RAP INDÍGENA

Entre as vozes que atravessam o álbum está a do rapper indígena Kelvin Mbaretê, integrante do Brô MC’s, considerado o primeiro grupo de rap indígena do País.

No projeto, Kelvin transforma o rap em uma ferramenta que conecta tradição e contemporaneidade. Sua participação não é apenas artística, mas espiritual.

“A música deixa de ser só música. Ela vira reza, vira mensagem, vira cura. O rap sempre foi minha arma de luta, mas os cantos sagrados são a voz dos nossos ancestrais. Quando essas duas forças se encontram, tudo muda”, afirma.

Oriundo de um território marcado por conflitos fundiários, violência e processos de retomada, o artista leva para o mundo uma narrativa que por muito tempo foi silenciada. “Antes, nossa luta era ouvida só aqui. Hoje, com a música, o mundo começa a ouvir.

A flecha vira palavra que atravessa fronteiras. É uma forma de mostrar que a gente continua resistindo, mas também criando, vivendo e sonhando”, diz.

Ao cantar em guarani, Kelvin também reforça a importância da língua como território simbólico. “A nossa língua é o nosso DNA. Mesmo quem não entende as palavras sente a energia. Ela vira ponte entre culturas. E mostra que a nossa língua pode viajar o mundo sem perder a raiz”, completa.

CENA INTERNACIONAL

O álbum também reúne nomes de peso da música internacional, criando uma ponte entre diferentes tradições sonoras. Entre eles está o produtor britânico Martin Youth Glover, conhecido por trabalhos com Paul McCartney, Pink Floyd, U2 e Guns N’ Roses.

Com uma trajetória marcada pela experimentação sonora, Youth vê no projeto uma ampliação de sua pesquisa sobre o poder transformador do som

“Sempre senti que o som tem um efeito de cura e regeneração. O que me interessa é criar uma espécie de alquimia xamânica entre todos os envolvidos. A música pode nos reconectar com nós mesmos, com a Terra e com o cosmos”, afirma.

Outro participante é o músico Tymon Dogg, ligado ao universo do The Clash, que adiciona ao álbum elementos do folk e da música experimental por meio de seu violino.

Já Matt Black, cofundador da Ninja Tune, contribui com sua experiência na cultura do sampling e na música eletrônica contemporânea, ampliando as possibilidades sonoras do projeto sem deslocar seu centro espiritual.

Produzido pela gravadora Liquid Sound Design, o álbum chega ao mercado internacional com forte presença na cena de música eletrônica psicodélica, transitando entre gêneros como psytrance, ambient e downtempo.

Apesar do alcance global, o projeto mantém um compromisso direto com as comunidades indígenas. Todos os royalties do álbum serão destinados aos rezadores e rezadoras guarani e kaiowá, fortalecendo a continuidade dos cantos sagrados e a autonomia cultural desses povos.

CANTOS E REZAS

“Shamans in Space” se constrói em duas dimensões que coexistem de forma complementar. De um lado, estão as faixas que dialogam com a música eletrônica e com cantos tradicionais autorizados para experimentação, como os guahú e guaxiré, associados à celebração e à conexão com a natureza.

De outro, as rezas consideradas mais sensíveis são preservadas em sua forma original, sem qualquer tipo de interferência. Esses cantos aparecem como uma experiência paralela ao álbum principal, acessível por meio de um QR Code no encarte do vinil, que direciona para um registro especial de cerca de 15 minutos.

Essa escolha reforça o compromisso ético do projeto com os protocolos culturais dos povos envolvidos. Em vez de transformar tudo em produto, o álbum estabelece limites claros, respeitando o que deve permanecer no campo do sagrado.

CONHECIMENTO

O projeto é resultado de uma colaboração internacional que integra arte, pesquisa e saberes ancestrais.

“Shamans in Space” nasce dentro do Sounding Futures, desenvolvido em parceria com o UCL Multimedia Anthropology Lab, o Instituto para o Desenvolvimento da Arte e da Cultura e a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul.

Para a coordenadora Raffaella Fryer-Moreira, o álbum propõe uma transformação na forma de produzir conhecimento.

“Esse trabalho nasce de uma investigação sobre como fazer pesquisa de outras formas, mais abertas, colaborativas e acessíveis. Ao trazer o som como ferramenta central, o projeto questiona a divisão entre arte e ciência e mostra que a música também pode ser uma forma de conhecimento”, explica.

Segundo ela, o conceito de Mba’ekuaa revela que diferentes culturas têm suas próprias tecnologias. “Quando os anciãos dizem ‘esse é o nosso Mba’ekuaa’, eles estão falando de um saber fazer, de uma tecnologia própria. Assim como usamos câmeras e microfones, eles utilizam o som, a reza. São formas diferentes de produzir conhecimento e de se relacionar com o mundo”, afirma.

PRESENTE AO FUTURO

Em um mundo marcado por crises ambientais, distanciamentos culturais e desconexões profundas, “Shamans in Space” propõe outra forma de escutar. Uma escuta que não separa arte e vida, som e espírito, passado e futuro.

Entre beats eletrônicos, maracás, sintetizadores e takuapus, o álbum constrói uma travessia sensorial que convida o ouvinte a experimentar a música de forma mais profunda. Cada faixa carrega uma cosmologia própria, um tempo distinto e uma relação com o invisível.

Mais do que ouvir, a proposta é sentir. Permitir que o som atravesse o corpo, reorganize percepções e abra espaço para novas formas de conexão.

“Eu quero que, quando alguém ouvir esse álbum, sinta algo no coração. Porque isso é mais do que música. É a nossa história, nossa espiritualidade, nossa resistência viva”, resume Kelvin Mbaretê.

cinema

'O Grinch' ganhará sequência com retorno de Jim Carrey, quase 30 anos depois

O filme, ainda sem título, será escrito por Alec Berg, Jeff Schaffer e David Mandel, a equipe por trás da adaptação de O Gato, de 2003

18/06/2026 21h00

Jim Carrey retornará no papel de Grinch

Jim Carrey retornará no papel de Grinch Foto: Reprodução / Instagram

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Ron Howard, 72, deve retornar como diretor, após comandar a comédia natalina que teve Carrey como o icônico personagem criado pelo autor Dr. Seuss. Howard também produzirá o filme ao lado de seu sócio da Imagine Entertainment, Brian Grazer, segundo a revista The Hollywood Reporter.

Nesta quinta-feira, 18, uma publicação no Instagram feita por Howard e pela Imagine Entertainment, confirmou a notícia, legendando uma foto de Carrey caracterizado como o Grinch no set de filmagem com a frase: "Ele é malvado... Uma sequência de O Grinch está em desenvolvimento".

O filme, ainda sem título, será escrito por Alec Berg, Jeff Schaffer e David Mandel, a equipe por trás da adaptação de O Gato, de 2003.

Segundo o ComicBook, Carrey foi escolhido para o papel, na época, porque atendia aos rigorosos critérios estabelecidos pelos herdeiros de Seuss, falecido em 1991. Uma carta dos herdeiros especificava que o Grinch deveria ter uma altura e porte físico muito específicos, incluindo exemplos de atores que se encaixariam nas características, como Carrey, Jack Nicholson, Robin Williams e Dustin Hoffman.

Em 2024, o astro de O Máskara e Todo Poderoso falou que estaria disposto a interpretar o Grinch novamente se algumas questões como a pelagem verde e as pesadas próteses do personagem fossem resolvidas.

"O problema é que, no dia da gravação, eu uso muita maquiagem e mal consigo respirar. Foi um processo extremamente excruciante", disse ele na época ao ComicBook. "As crianças estavam sempre na minha cabeça. ‘É para as crianças. É para as crianças. É para as crianças.’ E agora, com a captura de movimento e coisas do tipo, eu poderia ter a liberdade de fazer outras coisas. Tudo é possível neste mundo."

Em outubro passado, foi noticiado que Carrey estava em negociações para estrelar uma adaptação cinematográfica em live-action de Os Jetsons. O vencedor do Globo de Ouro também reprisará seu papel como Dr. Robotnik em Sonic: O Filme 4, com estreia prevista para março de 2027.

Retrocar ms

Evento reúne carros antigos com exposição de Chevette e outras relíquias

"Esquenta" do evento, ocorre nesta sexta-feira (19), com transmissão do jogo Brasil x Haiti e exposição de alguns carros antigos

18/06/2026 15h25

Centenas de veículos  antigos em exposição na Praça do Papa

Centenas de veículos antigos em exposição na Praça do Papa Foto: Retrocar-MS/divulgação

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Exposição de carros antigos acontecerá nos próximos meses em Campo Grande e quem é apaixonado por antigomobilismo não pode perder esta oportunidade.

3ª edição da Retrocar MS ocorrerá em 15 e 16 de agosto de 2026, na Praça do Papa, localizada na avenida dos Crisântemos, número 457, vila Sobrinho, em Campo Grande.

Centenas de veículos  antigos em exposição na Praça do PapaFoto: Retrocar-MS/divulgação

Centenas de relíquias estarão expostas ao público. Fusca, Opala, Ford ‘bigode’, Chevette, Kombi, Variant, Ford Corcel, Fiat 147, Gol ‘quadrado’, Brasília e Ford Del Rey serão alguns dos veículos exibidos.

A expectativa é reunir centenas de visitantes. No evento, amantes de antigomobilismo ainda podem se reunir e trocar experiências de viagens, peças, manutenções preventivas e fazer novas amizades com outras pessoas que são fãs de carros antigos.

O projeto chama atenção por reunir diferentes gerações em torno da memória afetiva, preservação histórica e valorização da cultura automotiva. Durante a exposição, haverá atrações musicais.

Já o lançamento da Retrocar MS, “esquenta” do evento, ocorre na noite desta sexta-feira (19), na Academia do Chopp, localizada na rua Elvira Pacheco, número 1344, bairro Universitário, em Campo Grande.

O lançamento terá transmissão do jogo Brasil x Haiti, exposição de alguns carros antigos e música ao vivo.

SERVIÇO

Lançamento oficial - 3º Retrocar MS

  • Data: 19 de junho de 2026 (sexta-feira)
  • Horário: A partir das 19h
  • Endereço: Rua Elvira Pacheco, número 1344, bairro Universitário, em Campo Grande
  • Local: Academia do Chopp

Evento principal - Retrocar MS 2026

  • Dias: 15 e 16 de agosto de 2026 (sábado e domingo)
  • Local: Praça do Papa
  • Endereço: Avenida dos Crisântemos, número 457, vila Sobrinho, em Campo Grande

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