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COMPORTAMENTO

Roberta D'Albuquerque: "Sabe o que ele contou?"

Roberta D'Albuquerque: "Sabe o que ele contou?"

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O homem é motorista de ambulância, e como se pode imaginar deve experimentar dias de esgotamento e desassossego. Por outro lado, há também os outros, os dos plantões enfadonhos, de 24hs sem chamado. Foi em um desses. Uma saída de horário de almoço. Ele precisava de um pouquinho de sol, procurou uma praça, e sentou ao lado da caixa de doação de livros. Pensou em não pegar nenhum, mas o banco e o sol eram tão convidativos. Eu poderia até dizer que pegou o primeiro que viu, mas quem pega o primeiro? Escolheu. E não só leu, como levou para casa o catálogo de uma exposição de ready mades em homenagem, claro, a Duchamp.

E embora nunca tenha sido um entusiasta da arte – nunca tenha sequer parado para pensar sobre ela –, ficou comovido. A partir dali, foi tomado por um desejo desmedido de produzir, e assim o fez. Dia após dia, juntou pedaços de tudo que lhe parecia feito para se juntar. Uma coisa com outra, outra com uma, até que começaram a surgir objetos invulgares e à medida que eles surgiam, aumentava seu arrebatamento. Ele queria entender. Primeiro o que naquele catálogo o movia, depois por que e como.

Com seu primeiro objeto em uma mão e o livro na outra, aproveitou a folga do serviço médico e andou até a galeria que expunha trabalhos de um dos artistas contemplados logo nas primeiras páginas do livro. Foi atendido por uma moça estudadíssima que, à primeira vista, lhe lançou um olhar preguiçoso, não, não tinha nenhum interesse na peça. "Não vendemos esse tipo de trabalho". Mas ele não queria vender, queria entender, já disse. E aí que voltou à praça.

E uma praça não para em pé em uma cidade sozinha, certo? Ela tem que estar ladeada por ruas, prédios, casas, padarias, escolas, restaurantes, farmácias – inúmeras farmácias – e lojas. Ele sentou no mesmo banco, olhou para a cidade e deu de cara com uma loja. Por alguma razão, a loja lembrava, ainda que de raspão, aquela agonia do livro. Nem preciso dizer que, na próxima folga, a loja, o cara da loja, o motorista e o objeto se encontraram para uma tarde longa, preciso?

Ocorre que o 'cara da loja' conhece bem essa agonia. Ih, se conhece... O motorista repetiu todas as palavras e era imprescindível que ele ouvisse cada uma delas. Ele ouviu. Sílaba por sílaba. E elas encontraram conforto em seus ouvidos, ou melhor, encontraram companhia. Também já quis entender. Anos atrás, fora beliscado por Duchamp. Vinha se deixando beliscar até então. E já nem se importa com o por quê, o quando e onde. "Bem vindo", foi o escolheu dizer.

Diálogo

No próximo dia 27, o estacionamento da Assembleia de MS vai... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta quarta-feira (24)

24/06/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Rita Lee - escritora e cantora brasileira

"Adoro cicatrizes, tatoos da vida. Me fazem lembrar que eu fui mais forte do que aquilo que me feriu...”

FELPUDA

No próximo dia 27, o estacionamento da Assembleia de MS vai se transformar em autêntico arraiá político. A maioria dos deputados deve aparecer a caráter, com chapéu de palha, camisa xadrez e o sorriso ensaiado que só. Não faltarão os tapinhas nas costas, abraços calorosos, selfies com servidores, etc. e tal. Nesse clima, situação e oposição devem trocar os debates por pipoca e muita cordialidade. Afinal, em ano de eleição, ser afável nunca é demais. O objetivo oficial é celebrar os santos de junho; o extraoficial, conquistar a simpatia e, quem sabe, alguns votos. E dê-lhe!

Diálogo

Desafio

Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados aprovou projeto que incentiva o humor terapêutico nos hospitais públicos, com direito a palhaçaria hospitalar, comicidade e até sessões de yoga do riso. Intenção é nobre: humanizar atendimento e aliviar o sofrimento dos pacientes e profissionais.

Mais

O problema é que, diante das intermináveis filas, da falta de leitos, demora excessiva para realizar exames e unidades superlotadas, poderá ser difícil encontrar alguém disposto a rir. Talvez o maior desafio do programa seja localizar a graça, né?

DiálogoMarilene Coimbra, idade nova hoje - Foto: Arquivo pessoal

 

DiálogoIsabella Santoni - Foto: Bruno Ryfer

Para pensar

A Defensoria Pública conseguiu reduzir a pena de um condenado por roubo em Campo Grande, após identificar erro na dosimetria aplicada há mais de duas décadas. O TJMS entendeu que a recuperação apenas parcial dos bens roubados não poderia justificar o aumento da pena. O caso reacende debate importante: quantas condenações podem carregar equívocos sem que sejam revisadas? No Direito, às vezes, a última palavra demora anos para ser escrita.

Na mira

O Ministério Público de MS abriu inquérito civil para investigar irregularidades na Unidade de Saúde da Família do Jardim Macaúbas, em Campo Grande. Relatório do Conselho Municipal de Saúde aponta problemas estruturais, falta de medicamentos, e déficit de profissionais, especialmente na enfermagem. O MPMS considera insuficientes as medidas adotadas até agora e requisitou informações à Secretaria Municipal de Saúde.

E agora?

O vereador Marcos Trad levantou questão sobre a nomeação do novo secretário de Obras e Infraestrutura, André de Moura Brandão, que antes de assumir o atual cargo era responsável pelos certames em Campo Grande. O questionamento dele é o seguinte: se o Brandão participou diretamente da elaboração dos editais, da condução das licitações, da assinatura de atos decisórios, como é que agora passa a fiscalizar e executar os contratos “desses mesmos processos”. Vem crise pela frente...

ANIVERSARIANTES 

Marilene Moraes Coimbra;
Renatha Camargo;
Jane Serrou Camy Mandetta;
Luciana do Amaral Rabelo;
Juliana de Oliveira Ayala;
Cecília de Oliveira Bernardo;
João Romero de Lima;
Raphael Salles Russo;
Joana Ubalda Pereira de Sant’Ana;
Eneida Peixoto de Azevedo;
João Batista Bandeira Almeida;
Joana Paes de Almeida;
Mário Gonda;
Joanita Rodrigues da Rosa;
Maria José Santos Fernandes;
Emanuel Ubirajara da Rocha Porfírio;
Nelson Fernando Dauer Júnior;
Roberto Shigueo Bando;
Hélio de Lima;
João José Jallad;
Beatriz Barros Marinho;
Dr. Abadio Rezende;
João Antônio de Marco;
Dr. Marcos Vinicius Vieira de Lima;
Dra. Auristela Machado Vidal;
Francieli Mascolli Benante Montalvão;
Daniel Ramalheira;
João Massatoshi Kawaguchi;
Dr. João Roberto de Lima;
Júlio Sacco;
Valterlina Pereira da Silva;
Wellington João Santiago Ramos;
Joana D’Arc Migliorini;
Dênis Renato Damaceno Lima;
João Batista de Cardoso;
Ângela Maria Costa;
João Lemes de Souza;
Túlio Alves Filho;
Sandra Elena Inocêncio;
Iracy Menezes Lourenço;
Sônia Aparecida Pereira;
José Roberto Tecchio;
Sandra Barberato Lobo;
Fábio Jun Capucho;
Gilberto Congro Bastos Filho;
Vanessa Menezes Amorim;
João Gonçalves;
Alberto Duque Portugal;
João Pedro Gay;
Antonio Batista Sancevero;
Ana Lúcia Gomes dos Santos;
Fernando Silva Rocha;
Vicência Bezerra de Souza;
Elenir Rodrigues Pereira;
Fernando de Matos Wanderley Neto;
Thiago Luiz Morente;
Joana Aparecida Stiegler;
Jonia Salgado Schultze;
Aparecida Moura Queiroz;
Gilberto Hidetoshi Ianas;
Joana Lugo de Cáceres;
Bruna Viveiros Barros;
Juliana Gava Boin;
Dorotéa de Araujo Rodrigues;
João Batista Dauria;
Hudson Garcia Moreira;
José Luiz Higa da Silva;
Luiz Batista Sguissardi da Rosa;
Elvira Pinto de Araújo Alarcon;
Dalva Ferreira Leite;
Maria Cristina Borges de Lara Campos;
Deyse Cristina da Silva Dias;
João Paulo Coimbra Neto;
Dulcelina Pereira Nantes;
Renan Fonseca;
Eliene Marta Breguedo do Nascimento;
Elisabeth Maria de Mendonça Silva;
João Batista Trindade Rodrigues;
Glauce Marla Arakaki;
Anaide da Silva Figueiredo;
Lhays Raquel Martins Regis;
André Luiz Fernandez de Moraes;
Fabiano Goes Nagata;
João Batista Ramos de Morais;
João Okogusiku;
Valéria Siqueira Jacini;
João Carlos Diaz Rodrigues;
Volnei Leandro Kottwitz;
Wilson João Bittencourt Bellincanta;
Jorge Luiz Godoy Gabinio;
Paulo Domingos Ribeiro Junior;
João Batista Pereira Lopes;
Léia Souza Pereira;
Paulo Douglas Almeida Moraes;
Armando Albuquerque;
Edilson de Alvarenga;
João Antonio Gusso;
Otávio Nascimento Prestes;
Elisângela de Paula Videgoi;
Scheilla Gauze;
Dilmara Monteiro Ferreira;
Ariadne Nobre de Oliveira Silva;
Rosely Debesa da Silva;
Alessandra Paulino Matheus;
Joana Ramos da Silva Cruz;
Maria de Fátima da Silva Gomes;
Luiza Conci.

Colaborou com Tatyane Gameiro

Exposição

Mostra leva arte, memória e identidade regional ao Mirante dos Ipês

Exposição itinerante do artista Hemerson Silva, "Lida Pantaneira" transforma paisagens e tradições do Pantanal em narrativas visuais

23/06/2026 09h45

Divulgação

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Entre a paisagem exuberante do interior de Mato Grosso do Sul e as histórias que ajudam a construir a identidade regional, a exposição itinerante “Lida Pantaneira”, do artista visual Hemerson Silva, encontrou no Mirante dos Ipês, em Sidrolândia, um cenário ideal para promover o encontro entre arte, memória e cultura.

A mostra integrou a programação do Festival de Inverno Rural no último sábado e apresentou ao público uma coleção de obras inspiradas no cotidiano pantaneiro, nas tradições do homem do campo e nos elementos que fazem parte da construção histórica e cultural do Estado. 

A chegada da exposição ao Mirante dos Ipês aconteceu a partir de um convite da proprietária do espaço, Irlanda Pereira, que recebeu o artista para participar da iniciativa voltada ao fortalecimento do turismo de experiência e das manifestações culturais da região.

ARTE E MEMÓRIA

A série “Lida Pantaneira” é resultado de uma pesquisa visual que busca registrar e preservar aspectos da cultura regional por meio da pintura. Em cada tela, elementos da vida pantaneira ganham novos significados, transformando-se em símbolos de memória coletiva.

São cenas inspiradas nas comitivas de boiadeiros, nos trabalhadores rurais, nos rios, na fauna, na flora e nos costumes que atravessam gerações. 

Para o artista, a pintura funciona como um instrumento de preservação simbólica. Suas obras carregam lembranças, afetos e referências culturais que resistem às transformações do tempo, permitindo que tradições e modos de vida continuem sendo compartilhados com novas gerações.

Conhecido por retratar o Pantanal por meio de cores vibrantes e texturas marcantes, Hemerson desenvolveu uma linguagem própria baseada no uso da espátula, técnica que confere profundidade e movimento às suas composições.

Ao longo dos anos, seu trabalho passou a destacar cenas do cotidiano sul-mato-grossense, valorizando personagens muitas vezes invisibilizados e reforçando a importância da cultura regional como patrimônio vivo.

CURADORIA

A exposição conta com a curadoria de Sueli Moreira Silveira, responsável por construir a narrativa que conecta as obras ao espaço expositivo e à experiência do público.

Segundo a proposta curatorial, a mostra busca criar pontes entre diferentes universos, aproximando arte contemporânea, cultura rural e memória afetiva. O objetivo é permitir que cada visitante encontre suas próprias conexões diante das pinturas e reconheça, nelas, fragmentos de histórias pessoais ou coletivas.

MIRANTE DOS IPÊS 

Conhecido pelas belas paisagens e pela vista privilegiada da região de Sidrolândia, o espaço tornou-se parte integrante da narrativa artística proposta pela mostra. 

A interação entre as telas e a paisagem criou uma experiência imersiva para os visitantes, que puderam observar nas obras aspectos da mesma realidade que se revela ao redor do mirante.

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