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SAÚDE

Saiba como se prevenir contra o câncer de pele

Campanha Dezembro Laranja alerta para necessidade de cuidados para prevenção contra o câncer de pele, tipo de tumor mais frequente no País e no mundo; proteção diária, reconhecimento de sinais e o acesso ao tratamento adequado estão entre as recomendações

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A campanha Dezembro Laranja marca o movimento de conscientização sobre o câncer de pele, destacando o uso diário de proteção solar, o acompanhamento dermatológico e a identificação precoce de alterações suspeitas na pele.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) divulgou, na sexta-feira, uma lista com 16 fatos essenciais que ajudam a tirar dúvidas e orientam a população e profissionais da saúde sobre os principais cuidados para reduzir casos avançados.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de pele é o mais comum no Brasil, com estimativa de 220.490 novos casos de câncer de pele não melanoma para este ano, além de 8.980 novos casos anuais de melanoma, o tipo mais agressivo.

Na avaliação de Alberto Julius Alves Wainstein, cirurgião oncológico e membro da SBCO, este é um tipo de câncer que muitas das vezes é evitável. “Muitos dos fatores de risco ligados ao câncer de pele podem ser prevenidos, principalmente ao evitar a exposição solar sem proteção”, explica.

Embora a maioria dos casos ocorra em pessoas sem histórico familiar da doença, cerca de 10% dos melanomas estão associados a síndromes hereditárias, como o melanoma familial.

Conforme reforça a SBCO em seus materiais educativos, pele clara com muitas pintas ou sardas, uso de câmaras de bronzeamento, falta de proteção solar adequada, atividades ao ar livre sem proteção e idade avançada são fatores de risco relevantes. Confira 16 fatos essenciais sobre o câncer de pele.

O MAIS FREQUENTE

Ele responde por cerca de 27% a 30% de todos os tumores malignos registrados no Brasil, somando os tipos melanoma e não melanoma.

DOIS GRANDES GRUPOS

Há o câncer de pele não melanoma e melanoma. O primeiro é o mais incidente e, em geral, o de menor letalidade, enquanto o melanoma é menos frequente, porém muito mais agressivo. O tipo não melanoma acomete células que não produzem melanina; já o melanoma nasce dos melanócitos, responsáveis pela pigmentação da pele, cabelos e olhos. Essa diferença celular ajuda a entender por que o comportamento clínico e o risco de metástase são tão distintos entre os dois grupos.

DANOS PERMANENTES

O câncer de pele não melanoma é muito comum e pode causar danos permanentes se não tratado. O carcinoma basocelular representa cerca de 80% dos casos de câncer de pele não melanoma e costuma se desenvolver nas camadas mais profundas da epiderme.

O carcinoma espinocelular acomete as camadas mais superficiais, principalmente nas áreas mais expostas ao sol como rosto, orelhas, lábios e dorso das mãos.

MAIS LETAL

O melanoma é menos frequente, mas responde por grande parte das mortes. Embora represente cerca de 4% a 5% dos tumores cutâneos, o melanoma é responsável por aproximadamente 40% das mortes por câncer de pele.

Quando detectado em fase inicial, a taxa de cura ultrapassa 90%, mas cai para menos de 50% em tumores com espessura superior a quatro milímetros.

SINTOMAS

Os sintomas vão além da “pinta feia” e incluem feridas que não cicatrizam. Os sinais de alerta incluem manchas que coçam, descamam ou sangram, pintas que mudam de tamanho, formato ou cor e feridas que não cicatrizam em algumas semanas, especialmente em áreas expostas ao sol.

No câncer de pele não melanoma, é comum o surgimento de lesões avermelhadas, espessas, com crostas ou aspecto de ferida persistente. Já no melanoma, as lesões tendem a ser mais pigmentadas, mas podem ter apresentações variadas, o que reforça a importância da avaliação médica.

REGRA DO ABCDE

A regra do ABCDE é uma aliada no autoexame da pele. Para facilitar a identificação de lesões suspeitas, recomenda-se a regra do ABCDE:

  • A de assimetria (metades diferentes da lesão),
  • B de bordas irregulares,
  • C de cor variada (preta, castanha, avermelhada, azulada ou branca em uma mesma pinta),
  • D de diâmetro maior que 6 mm
  • e E de evolução (mudanças ao longo do tempo).

Se uma pinta ou mancha apresenta uma ou mais dessas características, é sinal de que precisa ser avaliada por um especialista.

PIGMENTAÇÃO

Nem todo melanoma é escuro: existem formas pouco pigmentadas. Ao contrário do imaginário popular, melanoma não é apenas uma pinta preta. O subtipo amelanótico praticamente não tem pigmentação e pode ser róseo, avermelhado ou de cor semelhante à pele ao redor, o que dificulta a identificação.

Justamente por isso, qualquer lesão nova que cresça, mude de aspecto ou provoque coceira, dor, sangramento ou descamação merece atenção, mesmo que não seja escura.

EXPOSIÇÃO SOLAR

A exposição solar inadequada é o principal fator de risco e o dano é cumulativo. A radiação ultravioleta (UVA e UVB) é a principal responsável pelo desenvolvimento do câncer de pele.

As queimaduras solares na infância e adolescência aumentam o risco de tumores na vida adulta, pois o dano se acumula ao longo dos anos.

Os raios UVA estão presentes do nascer ao pôr do sol e se relacionam ao envelhecimento da pele e ao desenvolvimento de alguns tipos de câncer; já os raios UVB são mais intensos entre 10h e 16h e causam vermelhidão, queimaduras e aumento importante do risco de tumor.

FATORES DE RISCO

Idade, tipo de pele, histórico familiar e profissão também influenciam o risco. A prevalência de câncer de pele não melanoma é maior em pessoas de pele clara, acima dos 40 ou 45 anos, que trabalharam por muitos anos ao ar livre sem proteção.

No entanto, conforme alertam especialistas, a média de idade ao diagnóstico vem diminuindo, em parte por hábitos de exposição solar intensa e uso de bronzeamento artificial. Ter histórico familiar de melanoma, imunidade baixa ou síndromes genéticas específicas também aumenta o risco, exigindo vigilância redobrada.

ETNIAS

Todas as etnias podem ter câncer de pele, mas algumas regiões têm incidência maior. O câncer de pele pode acometer pessoas de todos os tons de pele, inclusive negras.

Embora peles claras sejam mais vulneráveis aos danos da radiação ultravioleta, pessoas negras e orientais podem desenvolver tumores em áreas menos comuns, como plantas dos pés e palmas das mãos.

No Brasil, a Região Sul concentra o maior número de casos de melanoma, em razão do predomínio de fototipos claros.

BARREIRAS DE PROTEÇÃO

Prevenção passa por filtro solar diário e barreiras físicas de proteção. Proteção solar não é só “assunto de praia”.

O uso de filtro solar com fator de proteção (FPS) de, no mínimo, 30, reaplicado a cada duas horas ou após entrar na água e suar excessivamente, é recomendado sempre que se estiver ao ar livre, mesmo em dias nublados.

Chapéus de abas largas, óculos escuros com proteção UV, roupas com tecido específico ou de trama mais fechada e permanecer em áreas sombreadas são medidas simples, mas decisivas para reduzir o risco de câncer de pele ao longo da vida.

BARRACAS E HORÁRIOS

O tipo de barraca e a faixa de horário fazem diferença na proteção. Nem toda sombra protege da mesma forma. Barracas de praia feitas de algodão ou lona podem absorver até metade da radiação ultravioleta, oferecendo proteção mais confiável. Já barracas de nylon deixam cerca de 95% dos raios UV atravessarem o material.

Por isso, mesmo na sombra, é indispensável usar filtro solar e evitar se expor nos horários de maior risco, entre 10h e 16h (ou 17h, em horário de verão), quando a radiação UVB é mais intensa.

BRONZEAMENTO ARTIFICIAL

Bronzeamento artificial é comprovadamente cancerígeno e não é opção segura. Cabines de bronzeamento artificial utilizam lâmpadas que emitem radiação ultravioleta em níveis que podem ser ainda mais nocivos do que a exposição direta ao sol. No Brasil, essa prática é proibida para fins estéticos justamente pelo risco de câncer de pele.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico está cada vez mais preciso, graças a exames específicos. O primeiro passo costuma ser o exame clínico da pele, realizado por dermatologista ou cirurgião oncológico.

Para aprofundar a avaliação, a dermatoscopia utiliza lentes de aumento e iluminação especial para analisar estruturas que não são visíveis a olho nu. Outras tecnologias permitem acompanhar a evolução das lesões e ajudam a decidir se é necessário remover a área suspeita.

O TIPO DE CÂNCER

A confirmação do tipo de câncer depende sempre da análise em laboratório. O diagnóstico definitivo é feito por biópsia, com remoção parcial ou total da lesão e posterior exame anatomopatológico.

Esse exame identifica se o tumor é melanoma ou não melanoma, qual o subtipo, a espessura e outras características que ajudam a definir o prognóstico e o tratamento.

TRATAMENTO

O tratamento é, em geral, cirúrgico e funciona melhor quando o tumor é descoberto cedo. Na maioria dos casos de câncer de pele não melanoma, uma cirurgia relativamente simples, em consultório ou centro cirúrgico, é o suficiente para remover a lesão com margens de segurança e obter altas taxas de cura.

Em alguns quadros, podem ser utilizados tratamentos como terapia fotodinâmica, criocirurgia ou imunoterapia tópica.

Já no melanoma, a abordagem é eminentemente cirúrgica: além da excisão da lesão, pode ser necessária a biópsia do linfonodo sentinela e, em situações selecionadas, a associação com imunoterapia, quimioterapia ou radioterapia.

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Cultura Correio B+

Um dos maiores nomes da dança brasileira, Thiago Soares retorna ao Rio com sua "Carmem"

Artista de trajetória consagrada nos principais palcos internacionais apresenta sua releitura latino-americana do clássico de Georges Bizet com a primeira bailarina do San Francisco Ballet, Sasha De Sola

30/08/2026 17h00

Um dos maiores nomes da dança brasileira, Thiago Soares retorna ao Rio com sua

Um dos maiores nomes da dança brasileira, Thiago Soares retorna ao Rio com sua "Carmem" Foto: Cainã Dittrich

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Um dos artistas brasileiros mais celebrados da dança internacional, Thiago Soares retorna aos palcos do Rio de Janeiro com “Carmem”, releitura do clássico de Georges Bizet criada para a Cia. de Dança Thiago Soares.

De 16 a 19 de setembro, no Teatro Multiplan, no VillageMall, o bailarino, coreógrafo e diretor artístico apresenta uma montagem que aproxima a personagem do universo latino-americano e combina a técnica clássica à dança contemporânea, às linguagens urbanas e à teatralidade.

Nas sessões de 17 e 19 de setembro, às 20h, o espetáculo contará com a participação especial de Sasha De Sola, primeira bailarina do San Francisco Ballet, em sua estreia no Brasil. Os ingressos estão à venda pela Sympla.

Conhecida por atravessar gerações como símbolo de desejo, sensualidade e insubmissão, Carmem ganha novos contornos nesta versão.

Mais do que a mulher fatal perpetuada pelo imaginário em torno da obra, ela surge como uma mulher consciente de suas escolhas, que se recusa a estabelecer suas relações a partir da ideia de posse. É essa liberdade, e o preço cobrado por ela, que conduz a narrativa.

A relação entre Carmem e José concentra o principal conflito da montagem. O que começa pelo desejo e pela paixão se transforma com a chegada do ciúme, do controle e da tentativa de determinar a liberdade do outro. Ao deslocar o foco da história, Thiago propõe uma leitura atual sobre a diferença entre amar alguém e acreditar que esse amor concede o direito de posse.

“Carmem sempre me interessou pela força da personagem e, principalmente, pelo que ela representa: liberdade, desejo e a recusa em pertencer a alguém. É uma obra muito conhecida, mas justamente por isso me interessava encontrar uma maneira de contá-la a partir do meu olhar e do nosso tempo. Minha intenção nunca foi simplesmente remontar um clássico, mas utilizar essa história como ponto de partida para construir uma linguagem própria”, afirma.

A música de Bizet permanece como um dos pilares da criação, mas a montagem não pretende reproduzir uma Espanha tradicional nem transportar literalmente a ópera para a dança. A narrativa se aproxima da América Latina, ganha características brasileiras e passa pela experiência dos corpos que estão em cena.

O vocabulário clássico convive com uma movimentação mais contemporânea, física e teatral, na qual os encontros, as tensões e os conflitos entre os personagens também constroem a dramaturgia.

Esse encontro entre a técnica clássica, as linguagens urbanas e a teatralidade acompanha Thiago desde o início de sua história com a dança.

Nascido em São Gonçalo e criado no Rio de Janeiro, ele começou pela dança de rua e pelo hip-hop antes de chegar ao balé clássico, aos 15 anos, no Centro de Dança Rio.

Dois anos depois, já integrava o corpo de baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Em 2001, conquistou a medalha de ouro no Concurso Internacional de Ballet de Moscou, resultado que projetou seu nome internacionalmente.

Em 2002, ingressou no The Royal Ballet, em Londres, e, quatro anos depois, alcançou o posto de Principal Dancer, posição máxima dentro de uma das companhias mais prestigiadas do mundo.

Durante sua trajetória no grupo britânico, interpretou personagens centrais de obras como “Romeu e Julieta”, “O Lago dos Cisnes”, “Giselle”, “A Bela Adormecida”, “Manon”, “Mayerling” e “Onegin”, além de participar de processos criativos com alguns dos principais nomes da dança internacional.

Em 2004, recebeu o prêmio de Outstanding Male Artist na categoria clássica do Critics’ Circle National Dance Awards, no Reino Unido.

Um dos maiores nomes da dança brasileira, Thiago Soares retorna ao Rio com sua "Carmem"Um dos maiores nomes da dança brasileira, Thiago Soares retorna ao Rio com sua “Carmem” -  Foto: Cainã Dittrich

A dimensão internacional da temporada se amplia com a participação especial de Sasha De Sola, primeira bailarina do San Francisco Ballet, que fará em “Carmem” suas primeiras apresentações no Brasil.

Integrante da companhia norte-americana desde 2007, ela foi promovida a Principal Dancer em 2017 e, três anos depois, recebeu o título de Diane B. Wilsey Principal Dancer.

Em seu repertório estão personagens centrais do balé clássico e contemporâneo, como Aurora, de “A Bela Adormecida”, e Kitri, de “Dom Quixote”, além de obras como “O Lago dos Cisnes”, “Giselle”, “Romeu e Julieta”, “O Quebra-Nozes” e “Onegin”.

O encontro entre artistas com carreiras construídas em duas das mais prestigiadas companhias de dança do mundo poderá ser visto nas sessões de 17 e 19 de setembro, às 20h.

A rotina de Thiago ao longo desses anos consolidou não apenas sua técnica, mas sua compreensão sobre a construção de uma carreira. Ao retornar ao Brasil, o artista passou a direcionar essa experiência também para a criação coreográfica, a direção artística e a formação de outros bailarinos.

“Depois de tantos anos construindo minha carreira fora, comecei a sentir uma necessidade muito grande de devolver ao Brasil parte de tudo o que a dança me proporcionou. Voltar não significava encerrar minha trajetória internacional, mas iniciar um novo capítulo, no qual eu pudesse compartilhar experiência, criar e contribuir para o desenvolvimento de outros artistas”, explica.

A Cia. de Dança Thiago Soares nasceu, em 2025, desse novo momento. Com sede na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, o grupo mantém uma rotina de aulas, preparação técnica, ensaios e criação de repertório, além de desenvolver um trabalho voltado à profissionalização de jovens talentos.

A escolha dos bailarinos não se limita à execução: considera musicalidade, personalidade, presença cênica e disponibilidade para transitar entre diferentes qualidades de movimento. A técnica clássica sustenta o trabalho, mas dialoga com a dança contemporânea, as linguagens urbanas e a cultura brasileira na construção de uma identidade própria.

“Continuo sendo bailarino e continuo querendo estar no palco, mas hoje existe também uma responsabilidade e um desejo muito fortes de abrir caminhos, formar artistas e ajudar a construir novas possibilidades para a dança no Brasil”, diz Thiago.

Depois da temporada carioca de “Carmem”, a companhia pretende ampliar a circulação de seu repertório, estabelecer intercâmbios com outros artistas e instituições e fortalecer sua estrutura de trabalho no Rio de Janeiro.

Entre os projetos em desenvolvimento está uma montagem de “O Quebra-Nozes”, produção que amplia a atuação do grupo e dá continuidade ao projeto de construir, no Brasil, uma companhia capaz de dialogar com a dança produzida no mundo sem abrir mão de sua identidade.

Um dos maiores nomes da dança brasileira, Thiago Soares retorna ao Rio com sua "Carmem"Thiago Soares - Foto: Cainã Dittrich

SERVIÇO:

“Carmem” | Cia. de Dança Thiago Soares

Temporada: de 16 a 19 de setembro de 2026
Horários: quarta, quinta, sexta e sábado, às 20h; sábado também às 16h
Sessões com participação especial de Sasha De Sola: 17 e 19 de setembro, às 20h
Local: Teatro Multiplan – VillageMall
Endereço: Avenida das Américas, 3.900 – Barra da Tijuca – Rio de Janeiro/RJ
Ingressos: a partir de R$ 110
Vendas: Sympla
Duração: 80 minutos
Classificação etária: livre
Concepção, direção e coreografia: Thiago Soares
Convidada especial: Sasha De Sola

Astrologia Correio B+

A energia do Tarô da semana entre 31 de agosto e 06 de setembro. Parar também é uma forma de seguir

Sob a regência do Quatro de Espadas, a semana pede uma pausa consciente para recuperar as energias, silenciar os excessos e reorganizar a mente antes de retomar o movimento. É tempo de respeitar os próprios limites.

30/08/2026 12h00

A energia do Tarô da semana entre 31 de agosto e 06 de setembro. Parar também é uma forma de seguir

A energia do Tarô da semana entre 31 de agosto e 06 de setembro. Parar também é uma forma de seguir Foto: Divulgação

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Há semanas em que o melhor movimento é não fazer movimento algum. Depois de períodos de tensão, excesso de estímulos e desgaste acumulado, chega um momento em que insistir deixa de ser força e começa a ser desperdício de energia.

É como se a vida colocasse a mão no nosso ombro e dissesse, com delicadeza, mas sem muita negociação: agora, pare um pouco.

Nesta semana, temos o Quatro de Espadas como carta regente. E dificilmente haveria imagem mais adequada para um momento que pede desaceleração, recuperação e, principalmente, uma relação mais consciente com os nossos próprios limites.

O Quatro de Espadas é uma carta de pausa. Mas não de qualquer pausa.

Não é o descanso de quem desistiu. Não é a fuga de quem não quer lidar com a realidade. Tampouco é aquela “folga” em que o corpo está parado, mas a cabeça continua funcionando a mil por hora. É uma pausa necessária.

A imagem tradicional da carta mostra um cavaleiro deitado, em repouso, dentro de uma igreja. Três espadas estão suspensas acima dele e uma quarta permanece ao seu lado. Ele não está lutando. As armas continuam ali, mas, por enquanto, não precisam estar em suas mãos.

É uma imagem poderosa porque fala de uma coisa que nem sempre sabemos fazer: interromper a batalha antes de nos tornarmos a própria batalha.

Há problemas que não serão resolvidos hoje. Conversas que podem esperar até que a emoção diminua. Decisões que precisam de uma noite de sono. Projetos que precisam ser vistos de longe. E sentimentos que não precisam ser analisados até a exaustão para serem legítimos.

O Quatro de Espadas nos lembra que nem tudo precisa de uma resposta imediata. Às vezes, precisamos apenas de silêncio suficiente para conseguir ouvir o que já sabemos.

O descanso como necessidade, não como prêmio

Vivemos em uma cultura que transformou produtividade em medida de valor. Descansar, muitas vezes, vem acompanhado de culpa. Se não estamos produzindo, parece que estamos ficando para trás.

E assim passamos a tratar o descanso como uma recompensa: primeiro terminamos tudo, depois descansamos. O problema é que nunca terminamos tudo.

Sempre haverá uma mensagem para responder, uma tarefa para entregar, uma pendência para resolver, alguém esperando alguma coisa de nós. Se esperarmos o mundo ficar completamente em ordem para finalmente descansar, provavelmente nunca vamos descansar.

O Quatro de Espadas propõe uma inversão dessa lógica. Você não precisa estar exausto para merecer uma pausa. E talvez esse seja um dos recados mais importantes da semana.

O corpo costuma perceber antes da mente quando chegamos ao limite. A irritação aumenta. A concentração diminui. O sono deixa de reparar. Pequenas coisas ganham proporções enormes. Ficamos mais reativos, mais impacientes, mais sensíveis.

Por isso, esta é uma semana para observar onde você está insistindo além da conta. Onde está dizendo “eu aguento” quando, na verdade, gostaria de dizer “eu preciso parar”.

O Quatro de Espadas não pede que você abandone seus planos. Pede que você recupere as condições internas para continuar.

Entre um capítulo e outro

Existe ainda outra dimensão muito bonita nessa carta. O Quatro vem depois do Três de Espadas, associado à dor, às rupturas e às feridas emocionais. E antes do Cinco de Espadas, que nos coloca novamente diante de conflitos e disputas. O Quatro está exatamente no meio.

É o intervalo entre aquilo que já aconteceu e aquilo que ainda vai acontecer. E esse intervalo não é vazio. É nele que assimilamos experiências. É nele que uma ferida começa a cicatrizar. É nele que entendemos o que uma situação veio nos ensinar. É nele que recuperamos forças para escolher o próximo caminho.

Talvez você esteja vivendo justamente esse espaço entre capítulos. Ainda não sabe exatamente o que vem depois, mas já sabe que não pode continuar exatamente como antes. Não tenha tanta pressa de preencher esse vazio. Algumas respostas precisam nascer no silêncio.

No amor

Para os casais, o Quatro de Espadas pode indicar uma fase mais silenciosa, que não necessariamente significa distanciamento, mas a necessidade de recuperar o equilíbrio depois de um período desgastante.

Se houve tensão, talvez seja melhor dar um tempo antes de insistir em uma conversa. Uma pausa pode ajudar a retomá-la de outra maneira.

Mas atenção: dar espaço não pode virar uma maneira de desaparecer. O Quatro de Espadas pede pausa, não abandono. Vale perguntar: estamos dando um tempo para recuperar a relação ou para evitar aquilo que precisa ser encarado?

Para quem está solteiro (a), a carta pode indicar um período de recolhimento. Depois de uma relação intensa ou de uma decepção, estar só pode ser justamente o que permite recuperar a própria identidade.

Antes de perguntar “quem vem agora?”, talvez seja mais importante perguntar: “Como eu estou depois de tudo o que vivi?”

No trabalho e na carreira

No trabalho, o Quatro de Espadas pede uma pausa, descanso e recuperação após um período de estresse ou projetos difíceis. Esta é uma boa semana para se afastar um pouco das tensões, rever prioridades e enxergar o que realmente precisa ser feito.

Se existe uma decisão profissional importante, talvez ela não precise ser tomada no auge da ansiedade. Deixe a mente descansar e veja o que permanece quando o cansaço diminui.

Porque existe uma diferença entre “eu não quero mais isso” e “eu não aguento mais isso do jeito que está”. Às vezes, a resposta não é desistir. É mudar o ritmo.

No dinheiro

Nas questões financeiras, o Quatro de Espadas recomenda prudência. É uma carta de conservação, revisão e estabilidade, não de grandes movimentos.

Se existe uma decisão importante, evite agir por impulso ou sob pressão. Adiar uma movimentação por alguns dias pode ser mais inteligente do que decidir no limite.

É um bom momento para organizar, rever gastos e preservar o que já foi conquistado. Em vez de perguntar “o que posso fazer para crescer mais?”, talvez a pergunta da semana seja: “O que preciso preservar?”

Nem sempre crescer significa avançar. Às vezes, crescer é aprender a não colocar em risco aquilo que já construímos.

A paz que está por trás da carta

Existe um detalhe muito bonito na imagem do Quatro de Espadas: no canto superior do vitral aparece a palavra PAX, “paz” em latim. E talvez essa seja a palavra secreta da carta. Paz. Não a paz de uma vida sem problemas — isso provavelmente não existe —, mas a paz de não precisar lutar contra tudo o tempo inteiro. Como diz uma frase atribuída a Mahatma Gandhi: “A paz não é a ausência de conflito, mas a capacidade de lidar com ele.”

Porque paz também é saber quando baixar as armas, reconhecer os próprios limites e aceitar que nem toda batalha precisa ser vencida hoje.

Grande parte do nosso sofrimento nasce da tentativa de controlar aquilo que não está sob nosso controle. Queremos controlar o resultado, a resposta do outro, o tempo das coisas, o futuro, as escolhas alheias. E, nessa tentativa, gastamos uma quantidade enorme de energia.

O Quatro de Espadas pergunta: O que está roubando a sua paz porque você ainda insiste em controlar?

Pode ser uma relação. Uma expectativa. Uma decisão. Um caminho profissional. Uma imagem de como você imaginava que determinada situação deveria acontecer.

Talvez seja hora de aceitar que algumas coisas não vão acontecer da maneira que você planejou. E existe uma liberdade enorme nisso.

Quando paramos de tentar controlar o resultado, recuperamos energia para escolher o que fazer com aquilo que realmente está ao nosso alcance.

O Quatro de Espadas não quer que permaneçamos deitados para sempre. O cavaleiro da ilustração da carta vai precisar se levantar. As espadas continuam esperando.

A vida continua. Mas ele também não precisa se levantar antes da hora. Essa é a sabedoria da carta: saber quando é tempo de agir e quando é tempo de recuperar forças.

O conselho da semana

Nesta semana, escolha suas batalhas. Diminua o ruído. Durma um pouco mais. Faça uma caminhada. Fique em silêncio. Leia. Tome um banho demorado. Permita-se uma tarde sem tanta produtividade. Diga não àquilo que você só aceitaria por obrigação.

E, principalmente, não sinta culpa nem angústia por fazer uma pausa. A energia do Quatro de Espadas pode ser desconfortável justamente porque o recolhimento nem sempre traz tranquilidade imediata.

Quando finalmente paramos, podemos nos deparar com o cansaço, a inquietação e até com sentimentos que a correria ajudava a manter à distância.

Mas é preciso confiar no tempo da pausa.

Há sementes que crescem no escuro. Há feridas que começam a cicatrizar quando finalmente paramos de mexer nelas. Há respostas que só aparecem quando deixamos de persegui-las.

E há momentos em que o movimento mais importante é simplesmente deitar as espadas no chão.

O Quatro de Espadas chega para lembrar que a vida não é feita apenas de ação, conquista e movimento. Também existe um tempo para respirar, integrar o que vivemos e recuperar as forças.

Principalmente quando precisamos de uma trégua depois de uma “apunhalada” da vida, quando fomos feridos por uma situação, por alguém ou até pelas nossas próprias escolhas.

Nessas horas, parar não significa fraqueza. Significa dar àquilo que doeu o tempo necessário para cicatrizar.

E, quando chegar a hora de levantar, talvez você descubra que não precisava de uma nova estratégia. Precisava apenas de energia para enxergar com clareza o próximo passo.

A pausa não interrompe o caminho. Às vezes, ela é exatamente o que permite que a gente continue.

Uma ótima semana e muita luz,

Ana Cristina Paixão

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