Correio B

COMPORTAMENTO

Saúde e bem-estar serão as prioridades da população para este ano

Levantamento realizado em dezembro de 2025 mostra que 72% dos brasileiros elegem a saúde e o bem-estar como prioridades para 2026; 41% planejam viajar mais de uma vez, 57% querem aumento de renda e 35% planejam reformar a casa

Continue lendo...

O Brasil encerrou 2025 com o olhar fixo no horizonte da superação. Após um ano classificado como “desafiador” por 13% da população, o sentimento que impera para a virada de ciclo é de reconstrução.

Diferente de períodos anteriores, o brasileiro entra em 2026 com um planejamento pragmático: o foco saiu das grandes promessas externas e voltou-se para o controle individual, em que o autocuidado e a qualificação profissional aparecem como as principais ferramentas para garantir um ano “melhor” (11%) e com “esperança” (11%).

É o que aponta o novo levantamento do Hibou, instituto especializado em monitoramento e “insights” de consumo, que ouviu 1.501 pessoas em todo o País para traçar o DNA das expectativas nacionais.

SAÚDE E AMOR

A busca por uma vida mais equilibrada é o grande motor deste ano. Sessenta e oito por cento dos brasileiros afirmam que vão exercitar corpo e mente em busca de qualidade de vida, enquanto 72% pretendem manter atividades físicas regulares como principal forma de lazer.

O desejo de emagrecer (45%) e manter o amor que possui (31%) também figuram no topo da lista de resoluções. Para 17%, o ano será marcado pelo maior consumo de produtos orgânicos e 25% planejam se engajar em atividades sociais.

O MUNDO E A CASA

Mesmo com o orçamento vigiado, o lazer é inegociável. Para o brasileiro, viajar é sinônimo de “libertação” (10%) e “descanso” (6%). Quarenta e um por cento planejam realizar várias viagens ao longo do ano e 18% pretendem viajar em vários fins de semana.

O destino internacional é o sonho de 47%, seguido pela tranquilidade das praias desertas (41%) e o charme das cidades históricas (38%). Dentro de casa, o otimismo se traduz em melhorias: 35% querem reformar o lar e 21% já planejam essa reforma para os próximos 18 meses.

“O brasileiro resgatou a viagem como uma necessidade básica de saúde mental. Após anos de incertezas, o planejamento para 2026 mostra que o lazer não é mais visto como gasto supérfluo, mas como o combustível para a resiliência. O foco agora é viver o presente, seja descobrindo novos destinos ou melhorando o conforto do próprio lar”, analisa a publicitária Ligia Mello.

SEM COPA

O cotidiano deste ano será marcado pela convivência familiar. No verão, 30% sentem-se mais dispostos e 42% querem sair para se divertir. Entre os 16% que têm filhos, a estratégia para as férias é caseira: 52% farão atividades em casa e 44% em parques abertos.

O momento econômico do País mostra que 90% dos brasileiros não pretendem viajar para a Copa do Mundo da Fifa. No consumo de bens duráveis, o foco se mantém em carros (28%) e imóveis (23%), mostrando que, mesmo sob pressão, o brasileiro não desiste de consolidar seu patrimônio.

FORMAÇÃO E TRABALHO

No campo do trabalho, a qualificação é a estratégia para driblar a crise. Para enfrentar um mercado competitivo, 28% dos brasileiros pretendem estudar on-line e 21% querem finalizar cursos como idiomas, pós ou graduação.

O empreendedorismo e a gestão também ganham força, com 17% buscando cursos para gerir melhor negócios e equipes. Além disso, 19% estão abertos a novos desafios e pretendem mudar de área de atuação, enquanto 11% estão ativamente procurando emprego.

DÍVIDAS

Apesar do entusiasmo pessoal, a realidade financeira impõe um freio severo. O desejo número um para este ano é “ganhar mais dinheiro” (57%), uma necessidade urgente para os 39% que começam o ano endividados. 

O perfil da dívida é alarmante: 30% devem mais de R$ 15 mil e 21% possuem débitos entre R$ 5 mil e R$ 15 mil.

Por outro lado, 49% conseguem manter as contas em dia e apenas 12% iniciam o ano com dinheiro sobrando. Para equilibrar as contas, 48% planejam economizar tudo o que podem e 44% buscarão promoções.

“Enquanto o brasileiro se sente capaz de cuidar da própria saúde e estudar, ele olha para o País com apreensão. O pessimismo com a economia obriga o consumidor a adotar um comportamento de ‘caçador de ofertas’, onde cupons (19%) e compras planejadas são as regras para manter os planos de consumo vivos”, explica Ligia Mello.

SEGURANÇA E CLIMA

Ao olhar para fora de casa, o otimismo diminui drasticamente. Apenas 25% acreditam em melhora na economia, contra 50% que preveem piora. 

O cenário ambiental também assusta: 48% acham que o meio ambiente vai piorar em 2026. A segurança pública é outra ferida aberta, com 45% esperando um agravamento da situação.

Na educação e saúde, a sensação majoritária é de estagnação, com 43% e 47%, respectivamente, acreditando que tudo permanecerá igual.

METODOLOGIA

A pesquisa do Instituto Hibou, que recebeu o nome de Expectativas 2026, foi realizada entre os dias 15 e 17 de dezembro de 2025.

O levantamento contou com uma amostra de 1.501 participantes que responderam os questionários. Os respondentes têm mais de 18 anos, pertencem às classes ABCDE e colaboraram via painel digital, cobrindo todo o território nacional. A margem de erro é de 2,5%.

Assine o Correio do Estado

Moda Correio B+

Entre Costuras e CuLtura: O que o Rio não chama de tendência, mas o mundo já tenta copiar

O que se viu foi uma moda em estado de fluxo, menos preocupada em apontar direções e mais interessada em afirmar presença.

18/04/2026 15h30

Entre Costuras e CuLtura: O que o Rio não chama de tendência, mas o mundo já tenta copiar

Entre Costuras e CuLtura: O que o Rio não chama de tendência, mas o mundo já tenta copiar Foto: Divulgação

Continue Lendo...

Na Rio Fashion Week 2026, a ideia de tendência parece pequena demais para dar conta do que se apresentou. O que se viu foi uma moda em estado de fluxo, menos preocupada em apontar direções e mais interessada em afirmar presença.

A alfaiataria, por exemplo, apareceu desobediente. No desfile da Osklen, linhos lavados, cortes amplos e uma sofisticação silenciosa apontam para um luxo menos rígido, mais vivido. Já a Handred trabalha volumes fluidos e proporções relaxadas, reforçando que estrutura, hoje, é algo que se negocia, não se impõe.

O artesanal deixa de ser detalhe e ocupa o centro. A Catarina Mina talvez tenha traduzido isso com mais precisão: crochês e tramas manuais que falam de tempo, autoria e território. Em outra direção, a Farm Rio sustenta uma narrativa visual intensa, onde cor e identidade caminham juntas sem esforço, mas talvez a mudança mais relevante esteja no corpo que atravessa a passarela.

O desfile da Blue Man foi direto ao ponto ao apresentar diferentes tipos de corpos, idades, medidas e presenças não como exceção, mas como parte natural da coleção. Aqui, a chamada “inclusão” perde o tom de discurso e ganha contorno de realidade. Chamar isso de tendência parece, no mínimo, atrasado.

A aceitação de múltiplos corpos já não opera como novidade, e sim como ajuste necessário a um mundo que nunca foi homogêneo. No Rio, essa mudança acontece com menos didatismo e mais naturalidade, como algo que simplesmente é.

Ao mesmo tempo, o corpo segue sendo linguagem. A Lenny Niemeyer trabalha recortes precisos que revelam a pele com controle e intenção. Já a Aluf tensiona formas e proporções, expandindo o olhar sobre o que o corpo pode ser dentro da roupa.

Entre Costuras e CuLtura: O que o Rio não chama de tendência, mas o mundo já tenta copiarDesfile Blue Man - Divulgação

Nas cores, não há hesitação. Tons vivos, saturados, quentes, uma paleta que não pede licença e não busca neutralidade.

É nesse ponto que emerge o que se pode chamar de “suco carioca”. Não como estética óbvia, mas como lógica: a recusa em endurecer formas, a valorização do processo e uma intimidade quase estrutural com o improviso.

Fora do Brasil, esse movimento já encontra eco. O artesanal ganha espaço, a alfaiataria se torna mais leve, o corpo menos rígido. Ainda assim, existe uma diferença fundamental: enquanto no exterior essas mudanças aparecem como tendência, no Rio elas operam como condição. Não se trata apenas de vestir uma ideia, mas de habitá-la.

Entre Costuras e CuLtura: O que o Rio não chama de tendência, mas o mundo já tenta copiarAluf - Divulgação

A seguir irei compartilhar com você um checklist rápido e prático pra você que quer arrasar nos looks com “suco carioca”: 

                      Prefira peças leves e amplas

Tecidos naturais e modelagens soltas trazem movimento imediato ao look.

                      Inclua uma peça artesanal

Crochê, renda ou tramas manuais funcionam como ponto de destaque.

                      Escolha entre cor ou pele

Um elemento principal por vez: ou um tom vibrante, ou recortes estratégicos.

Entre Costuras e CuLtura: O que o Rio não chama de tendência, mas o mundo já tenta copiarFashion Rio 2026 - Divulgação

 

Entre Costuras e CuLtura: O que o Rio não chama de tendência, mas o mundo já tenta copiarGabriela Rosa - Consultora de Moda e estilo - Divulgação

 

Cinema Correio B+

Giovanna Antonelli e a construção de uma anti-heroína

Rio de Sangue marca a entrada da atriz no thriller de ação com uma personagem que não busca agradar

18/04/2026 14h00

Giovanna Antonelli e a construção de uma anti-heroína

Giovanna Antonelli e a construção de uma anti-heroína Foto: Divulgação

Continue Lendo...

Ao longo de mais de duas décadas de carreira, Giovanna Antonelli construiu uma trajetória rara no audiovisual brasileiro. Entre novelas de grande alcance, como O Clone, e séries que atravessam diferentes registros, sua presença sempre esteve associada a personagens de forte identificação popular: mulheres que, de alguma forma, organizam a narrativa ao seu redor.

No cinema, essa relação também se consolidou em produções voltadas ao grande público, como S.O.S. Mulheres ao Mar, que reforçaram sua conexão com histórias mais leves e acessíveis. É justamente por isso que Rio de Sangue marca um deslocamento interessante dentro de sua carreira. Ao assumir uma protagonista em um thriller físico, marcado por tensão constante e exigência corporal, Antonelli entra em um território que, embora próximo em intensidade emocional, raramente havia sido explorado por ela dessa forma.

Mas o que chama mais atenção não é apenas a mudança de registro. Em vez de se apoiar na ideia de força que costuma acompanhar personagens femininas em narrativas de ação, Rio de Sangue apresenta uma mulher que não nos conquista desde o início. Patrícia não é construída para agradar o espectador. Ela entra na história em queda, tentando reorganizar a própria identidade ao mesmo tempo em que precisa reagir a uma situação limite.

É a partir desse ponto que o filme se estrutura e é também desse lugar que Giovanna Antonelli fala com o CORREIO B+ sobre a personagem: não como uma heroína, mas como alguém em sobrevivência. O que a atrai não é a força da personagem, mas justamente o contrário: o fato de que ela não tenta agradar, não busca empatia imediata e se apresenta, desde o início, como alguém em sobrevivência.
Uma Giovanna bem diferente das que estamos acostumados a ver.

CORREIO DO ESTADO: Como esse projeto chegou até você e o que te fez escolher esse papel?

Giovanna Antonelli: Eu recebi o roteiro do Gustavo Bonafé, nunca tinha trabalhado com ele antes. A gente conversou e ele me disse: “Giovanna, eu tenho um personagem, você pode ler?”. Eu li e me apaixonei, porque adoro thrillers de ação. Quando vi, pensei: “Como vão filmar isso em cinco semanas?”. É um filme muito rico em ação.

E ele ainda falou que queria que me vissem de um jeito que nunca tinham visto na minha carreira. Aquilo me provocou. Foi a oportunidade de sair de uma caixinha, de fazer minha estreia no gênero com duas mulheres protagonizando esse tipo de história, com esse pano de fundo de amor entre mãe e filha.

CORREIO DO ESTADO: A Patrícia não é apresentada como uma heroína tradicional. Como você construiu essa personagem?

Giovanna Antonelli: O que mais me atraiu nela é que ela é apresentada com erro. É uma anti-heroína. Ela não faz esforço para agradar o público. E isso é raro, porque muitos personagens são construídos para conquistar o espectador. Aqui não. Ela está em sobrevivência.

É uma mulher que ruiu e precisa se reinventar. A relação com a filha também não é rasa — são duas pessoas muito diferentes, que não tentam se agradar. Precisaram de um evento extremo para se reconectarem. Eu gosto dessa imperfeição, porque torna tudo mais humano e mais identificável.

Giovanna Antonelli e a construção de uma anti-heroínaGiovanna Antonelli e a construção de uma anti-heroína - Divulgação

CORREIO DO ESTADO: Existe uma tensão entre força e vulnerabilidade o tempo todo. Como você trabalhou esse equilíbrio?

Giovanna Antonelli: A sobrevivência está na frente. É uma mulher que, quando tudo desmorona, precisa se reconstruir. Então não tem muito espaço para pensar em como ela é vista. Ela está reagindo ao que está acontecendo, tentando se reorganizar emocionalmente enquanto tudo acontece ao mesmo tempo.

CORREIO DO ESTADO: A relação entre mãe e filha é o eixo emocional do filme. O que te interessou nessa dinâmica?

Giovanna Antonelli: Essa história não fica no raso. São duas pessoas completamente diferentes, com discursos diferentes, que não tentam se agradar. Existe uma distância ali, um espaço de ar entre elas. E elas precisaram de um evento extremo para se reconectarem. Talvez, de outra forma, isso não acontecesse.

CORREIO DO ESTADO: As cenas de ação impressionam. Como foi trabalhar tecnicamente esse lado do filme?

Giovanna Antonelli: É importante dizer que as armas eram descarregadas. Tudo foi inserido na pós-produção. Então você precisa interpretar sem o som real, reagindo a comandos. Exige muita concentração e coordenação. Se você se distrai, perde o tempo da cena. É difícil, mas é uma delícia. A gente se diverte muito.

CORREIO DO ESTADO: Sair do ambiente urbano e filmar na Amazônia muda a percepção do trabalho?

Giovanna Antonelli: Nada disso seria possível sem a paixão pelo que fazemos. Estar ali é um privilégio. O que poderia ser visto como dificuldade, para a gente era um presente. Fazer cinema também é uma ferramenta social. E quando você está apaixonado pelo que faz, tudo ganha outro sentido.

CORREIO DO ESTADO: E o contato com outras culturas durante as filmagens?

Giovanna Antonelli: Eu sempre tive paixão por conhecer culturas. Desde O Clone, isso me atravessa. Estar ali foi uma conexão espiritual. Eu tenho uma relação forte com a natureza — planto árvores há mais de 20 anos, tenho meliponário.

Esse filme entrou e saiu da minha vida várias vezes, e em determinado momento eu entendi que era porque eu precisava estar ali. Eu acredito muito nisso: estar onde preciso estar.

CORREIO DO ESTADO: O que você leva dessa experiência?

Giovanna Antonelli: Conexão — com o todo e com as pessoas.

CORREIO DO ESTADO: E uma continuação?

Giovanna Antonelli: Claro. Para onde? Quando?

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).