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MÚSICA

"Serenata de Amor Próprio", novo álbum da banda Terminal Guadalupe, será lançado em julho

Álbum reflete o amadurecimento do grupo e a retomada das relações sociais após a superação de tempos de ódio

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“É como se você ouvisse 10 bandas diferentes no mesmo disco”. Assim descreve o corumbaense Dary Jr., vocalista e letrista da banda curitibana Terminal Guadalupe, sobre o novo álbum, que será lançado em julho.

“Serenata de Amor Próprio” é um álbum inteiramente dedicado à construção da autoestima por meio da afirmação das próprias ideias, desejos e identidade. E a referência às serenatas se baseia na liberdade proporcionada a cada interpretação, o que torna cada canção de amor singular.

“A gente não é refém de um estilo, de um gênero musical. A gente é muito livre. Então, trabalhamos com esse conceito da serenata junto com a autoestima e, por isso, são músicas muito diferentes. Vai ter música em espanhol, vai ter música em inglês. É um disco livre, não tem amarra”, destaca Dary.

O nome Terminal Guadalupe também remete a essa pluralidade que é a essência da banda. Isso porque o Terminal Guadalupe, que outrora já foi uma rodoviária, no centro de Curitiba, é um ponto de encontro onde as mais diversas histórias se cruzam. 

“É um nome que a cidade não gosta muito, porque Guadalupe é um lugar cheio de contradições. Tem esse nome por causa de uma igreja, a Igreja Nossa Senhora de Guadalupe, mas tem prostituição, tem tráfico de drogas, tem crime… É uma zoeira. Mas também tem muita coisa legal. Até hoje é comum você encontrar pessoas com uma foto procurando um tio que sumiu e tal. Então, tem essas histórias bonitas também”, relata o músico.

AS SERENATAS

“Vá Ser Feliz”, música de abertura, mostra o amor-próprio por meio da libertação perante o outro, um ex-namorado, ex-chefe ou ex-professor que enche o saco.

“‘Vá Ser Feliz’ é um desabafo. Porque é ‘vá ser feliz longe daqui, vá ser feliz longe de mim’. Porque às vezes a gente precisa fazer isso também, para poder encerrar um ciclo e começar outro de peito aberto”.

O segundo single lançado, “Volta”, trata de forma melódica da retomada das relações. É uma ode que clama pela civilidade e pela reconciliação.

“A gente passou um período muito delicado na nossa história recente em que esse tom das relações pessoais foi completamente esquecido, que só interessava você ser grosseiro e hostil, se a pessoa não confirmasse aquilo que você pensa”, explica o letrista. 

“Além da Glória” também é sobre reconciliação, mas fala especificamente sobre a amizade de Dary com o guitarrista Allan Yokohama. Essa canção ainda ganhou um clipe, disponível no YouTube, com imagens dos primórdios da banda. 

“Eu e o Allan ficamos afastados muito tempo. E ‘Além da Glória’ é uma letra que celebra a retomada dessa relação, dessa amizade. Por isso que diz: ‘Meu coração ainda é seu. Quem disse que haveria um fim?’ E é interessante porque, a depender de como as pessoas ouvem, isso adquire uma outra interpretação, porque pode parecer uma canção de amor. Na verdade, é uma música sobre amizade”, afirma Dary.

A última música lançada até o momento é “Sara”, descrita por Dary como “quase infantil”. 

“É uma canção que o Allan fez para a filha dele. Ela é ingênua, é uma coisa que você ouve assim, tão simples. Porque um filho também te preenche, um filho também te inspira, um filho também te eleva. Isso também é uma estima”, pontua o vocalista.

Entre as demais músicas, que ainda serão lançadas, Dary destacou uma dedicada à resiliência feminina. Inspirada na mãe do letrista, a canção descreve o protagonismo e a força das mulheres. Outra música, chamada “Black Jesus”, terá letra em inglês e tratará de questões relacionadas à comunidade negra.

AMADURECIMENTO

“Serenata de Amor Próprio” e o álbum anterior, “Agora e Sempre”, lançado em 2022, surgiram de um reencontro. Como um ex-amor ou ex-amigo que retorna depois de anos com a cabeça mais madura e o coração mais calmo, Dary e Allan, o guitarrista da banda, voltaram um para o outro.

Nascida em 2003, a Terminal Guadalupe foi criada a partir de um trabalho do curso de pós-graduação em Audiovisual feito por Dary. As primeiras canções surgiram para a trilha sonora do curta-metragem.

“Burocracia Romântica”. Essa primeira formação durou até 2009, quando os integrantes se afastaram. 
Em 2018, Dary e Allan voltaram a se falar. Dessa vez, com novas bagagens musicais e de vida. Nos nove anos separados, os amigos se dedicaram às próprias famílias e a projetos musicais. 

“Quando a gente se afastou, eu tinha acabado de ter um filho e o Allan ainda não era pai. E o tempo ajuda. O tempo, de alguma forma, faz a gente observar algumas coisas que, no calor da situação, você não conseguia compreender com exatidão”, explica.

Fabiano (esq.), Rubens, Dary e Allan, a formação clássica que se reuniu para gravar "Além da Glória".Foto: Rapha Moraes

Em 2021, o guitarrista sugeriu, inspirado em artistas que lançaram trabalhos durante a pandemia, que a banda voltasse com a mesma proposta. Nesse contexto, “Agora e Sempre” foi feito à distância, com os integrantes alocados em quatro países diferentes.

“O Allan e o baixista que a gente arrumou estavam em Portugal. Nosso baterista era o Fabiano, que era da formação clássica da banda e estava na Alemanha. Eu estava no Brasil, e nós tínhamos também um músico convidado no Uruguai. E, aqui no Brasil, a gente tinha um carioca que morava em Florianópolis, que também participou do disco cantando, e o produtor era um gaúcho que morava em Belo Horizonte”, contextualiza Dary.

Em 2023, Allan voltou ao Brasil para um show comemorativo dos 20 anos da banda. Ali, eles sentiram que precisavam continuar. 

“Aquele show bateu muito forte nele porque a gente tocou com as pessoas cantando as músicas, todo mundo muito emocionado. Foi o primeiro show que a gente fez em muito tempo. Fazia 14 anos que a gente não tocava”.

Show do álbum ao vivo, após retomada da banda

Mas, além da banda, o público também amadureceu e ficou mais exigente. Agora, os shows precisam ser mais bem planejados para compor uma boa experiência.

“Quando você é moleque, não quer saber, você quer tocar em qualquer buraco, vai na esquina ali, bota uma caixa de som e tal. Hoje, se a gente quiser tocar em algum lugar, tem que estudar o local, a qualidade do som, o conforto das pessoas”, esclarece.

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Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com a atriz destaque na novela Três Graças da Rede Globo Alana Cabral

"Três Graças representa um encontro muito bonito entre maturidade e responsabilidade. Profissionalmente, é um passo importante, de una entrega, exposição e, sobretudo, muito aprendizado"

08/02/2026 19h30

Entrevista exclusiva com a atriz destaque na novela Três Graças da Rede Globo Alana Cabral

Entrevista exclusiva com a atriz destaque na novela Três Graças da Rede Globo Alana Cabral Foto: Divulgação

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Alana Cabral é um dos nomes mais promissores da nova geração de atrizes brasileiras e vive um momento decisivo em sua trajetória artística ao integrar o núcleo protagonista de Três Graças, novela das 9 da Globo.

Jovem, talentosa e com um olhar sensível para histórias que dialogam diretamente com a realidade social do país, a atriz consolida sua presença no audiovisual ao dar vida à Joélly, personagem que ganha cada vez mais força e complexidade na trama.

Na novela, Joélly começa a encarar com mais intensidade desafios profundos e delicados: a gestação na adolescência, o bullying, o medo de não conseguir continuar os estudos e as pressões impostas a uma menina periférica e a uma jovem mulher preta que precisa amadurecer rapidamente.

Questões que atravessam a vida de milhares de adolescentes brasileiras são retratadas com humanidade e responsabilidade, colocando a personagem no centro de debates urgentes e necessários.

O desafio de viver Joélly marca um ponto de virada na carreira de Alana. Em um horário de enorme alcance e impacto cultural, a atriz leva para o horário nobre uma narrativa potente sobre juventude, desigualdade, maternidade precoce e resistência.

Seu protagonismo em uma novela das 9 carrega um simbolismo importante: a presença de uma jovem mulher preta ocupando um espaço de destaque, com uma história complexa, longe de estereótipos, refletindo avanços e discussões essenciais do Brasil contemporâneo.

Antes de Três Graças, Alana já vinha construindo uma trajetória consistente no audiovisual. Recentemente, ela integrou o elenco do elogiadíssimo Salve Rosa, filme que chama atenção por abordar de forma contundente a relação de crianças e adolescentes com as redes sociais, fazendo um alerta necessário sobre exposição, limites e saúde emocional no ambiente digital. A obra dialoga diretamente com o público jovem e foi reconhecido por sua abordagem sensível e atual.

Outro destaque de sua carreira é o filme Quatro Meninas, exibido no Festival de Brasília, um trabalho potente que reúne meninas negras em uma narrativa sobre afeto, descobertas, identidade e pertencimento.

O projeto reforça o compromisso de Alana com histórias que ampliam representatividade e dão visibilidade a vivências frequentemente invisibilizadas no audiovisual brasileiro.

Com escolhas artísticas alinhadas a temas sociais relevantes, Alana Cabral se apresenta como uma atriz em plena ascensão, que alia talento, consciência e presença cênica.

Seu trabalho em Três Graças não apenas amplia sua projeção nacional, como também reforça a importância de narrativas plurais, capazes de emocionar, provocar reflexão e gerar identificação com o público.

Alana é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ela fala sobre carreira, escolhas e seu papel como uma das protagonistas de Três Graças.

Entrevista exclusiva com a atriz destaque na novela Três Graças da Rede Globo Alana Cabral  A atriz Alana Cabral é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Guilherme Leme - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Três Graças marca um momento importante da sua carreira. O que essa novela representa para você hoje, pessoal e profissionalmente?
AC -
 Três Graças representa um encontro muito bonito entre maturidade e responsabilidade. Profissionalmente, é um passo importante, de muita entrega, exposição e, sobretudo, muito aprendizado. Pessoalmente, me atravessa porque é uma história que fala de temas reais, urgentes, e me fez olhar para muitas questões com mais empatia e escuta. É um trabalho que vem me transformando. 

CE - Joélly enfrenta gravidez precoce, bullying e muitas pressões. Como foi construir essa personagem emocionalmente sem perder a delicadeza dela?
AC -
 Eu tentei olhar para a Joélly sempre a partir do afeto. Mesmo nos momentos mais duros, ela tem uma delicadeza muito própria, uma sensibilidade que não pode ser apagada pela dor. Foi um trabalho de escuta — escutar o texto, a direção, as histórias reais que inspiram essa trajetória — e de entender que a força também pode ser silenciosa.

CE - A personagem amadurece muito cedo. O que viver esse processo em cena te ensinou como atriz e como mulher?
AC -
 Me ensinou que amadurecer à força deixa marcas, mas também revela uma capacidade enorme de resistência. Como atriz, foi um exercício de sutileza, de mostrar transformações internas sem precisar verbalizar tudo. Como mulher, me fez refletir sobre quantas meninas no Brasil passam por isso todos os dias e seguem em frente, muitas vezes sem rede de apoio.

CE - Você sente que Joélly dialoga diretamente com a realidade de muitas adolescentes brasileiras? Como tem sido o retorno do público?
AC -
 Muito. E o retorno tem sido uma das partes mais emocionantes desse trabalho. Recebo mensagens de meninas que se veem nela, de mães, de educadores. Pessoas que dizem “essa história é a minha” ou “eu queria ter visto algo assim quando era mais nova”. Isso dá um sentido enorme para o que a gente faz.

CE - Houve alguma cena da novela que tenha sido especialmente desafiadora para você?
AC -
 Sim, as cenas em que a Joélly se sente completamente sozinha foram muito difíceis. Aquela solidão que não é só física, mas emocional. São momentos que exigem muito cuidado, porque você precisa acessar lugares sensíveis sem perder o controle emocional para continuar contando a história com verdade.

CE - O protagonismo na novela das 9 mudou algo na sua rotina ou na forma como você encara a profissão?
AC - 
Mudou a rotina, claro, mas principalmente ampliou meu senso de responsabilidade. A novela das 9 tem um alcance muito grande, então passei a encarar ainda mais o meu trabalho como um espaço de diálogo com o público. Isso não tira a leveza, mas traz mais consciência sobre o impacto do que estamos contando.

Entrevista exclusiva com a atriz destaque na novela Três Graças da Rede Globo Alana Cabral  A atriz Alana Cabral é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Guilherme Leme - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Pelas redes sociais, dá para perceber um clima de amizade e descontração entre o elenco do núcleo da Chacrinha. Como é o processo de gravação ali nos bastidores e que relações você construiu com esse grupo?
AC
- O clima é muito bom. A Chacrinha é um núcleo intenso, com cenas emocionalmente fortes, então esse ambiente de afeto e leveza nos bastidores é fundamental. A gente conversa muito, troca experiências, ri, se apoia. Construí relações de muita parceria e confiança, que acabam refletindo diretamente em cena.

CE - Seus trabalhos costumam tocar em temas sociais. Isso é uma escolha consciente ou algo que foi acontecendo naturalmente na sua trajetória?
AC -
 Acho que foi acontecendo de forma natural, mas hoje é algo que faço com mais consciência. Sempre me interessaram histórias que conversam com a realidade, que provocam reflexão e empatia. Quando um trabalho tem esse impacto social, ele ganha um sentido ainda maior para mim.

CE - Fora do set, quem é a Alana? O que você gosta de fazer no tempo livre, hobbies, hábitos que te ajudam a recarregar as energias?
AC -
 Sou uma pessoa simples, muito ligada à minha família e aos meus amigos. Gosto de ficar em casa, ouvir música, assistir filmes e séries, ler, caminhar. Esses momentos mais tranquilos me ajudam a organizar as emoções e a voltar para o trabalho com mais presença. E não abro mão de um contato com a natureza, como banho de mar ou cachoeira.

CE -  Olhando para frente, que tipo de personagem ou história você ainda sonha em contar?
AC - 
Tenho muita vontade de continuar contando histórias que toquem as pessoas de alguma forma. Personagens femininas complexas, contraditórias, que não se fecham em rótulos. Histórias que provoquem conversa, reflexão e, se possível, transformação.

 

LITERATURA

Prêmio Sesc Literatura abre inscrições e dá R$30 mil, além de publicação

Autores interessados têm até o próximo dia 02 de março para inscreverem obras não publicadas de "Romance", "Conto" e "Poesia"

08/02/2026 16h30

Premiação tem o objetivo de oferecer ao autor estreante não apenas a publicação de sua obra, mas uma inserção real no mercado editorial e o contato direto com o público em todo o país

Premiação tem o objetivo de oferecer ao autor estreante não apenas a publicação de sua obra, mas uma inserção real no mercado editorial e o contato direto com o público em todo o país ElasticComputeFarm/Pixabay

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 Prêmio Sesc de Literatura está com inscrições abertas, até 2 de março, para obras ainda não publicadas nas categorias Romance, Conto e Poesia, sendo que os vencedores terão seus livros publicados pela Editora Senac Rio e receberão uma premiação em dinheiro no valor de R$ 30 mil cada.

Os escritores vencedores participarão também de bate-papos e mesas-redondas em eventos culturais promovidos pelo Sesc ao longo do ano que vem. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pelo site. 

“O Prêmio Sesc de Literatura cumpre o papel fundamental de identificar autores que, muitas vezes, mesmo fora dos grandes eixos de circulação, possuem obras de alto vigor artístico”, disse Leonardo Minervini, gerente interino de Cultura do Departamento Nacional do Sesc.

O processo de seleção dos trabalhos inscritos é realizado por comissões julgadoras compostas por críticos literários, escritores e editores, de diferentes regiões do país. O júri avalia os textos sem ter conhecimento da identidade dos autores.  

O resultado será divulgado em agosto e os vencedores vão ser apresentados ao público em uma cerimônia com noite de autógrafos no fim do ano.

Após a publicação, os livros serão distribuídos na rede de bibliotecas e escolas do Sesc, em todas as regiões do Brasil.

Minervini ressalta que a premiação tem o objetivo de oferecer ao autor estreante não apenas a publicação de sua obra, mas uma inserção real no mercado editorial e o contato direto com o público em todo o país. 

Criado em 2003, o prêmio já recebeu cerca de 24 mil originais e revelou ao mercado editorial 43 novos autores. Em 2025, os vencedores foram Marcus Groza (SP), com o romance Goiás; Leonardo Piana (MG), com o livro de poemas Escalar Cansa; e Abáz (BA), com a coletânea de contos Massaranduba.

 

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