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LITERATURA

Psicanalista e patrono do Museu de Freud, Antonio Quinet lança nova obra na Capital

O psicanalista, dramaturgo e patrono do Museu de Freud em Londres, Antonio Quinet, lança nova obra na Capital e participa de jornada nacional sobre clínica psicanalítica

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Campo Grande receberá, no fim deste mês, uma das figuras mais influentes da psicanálise contemporânea brasileira. Médico, psiquiatra, psicanalista, filósofo, dramaturgo e pesquisador, Antonio Quinet estará na capital sul-mato-grossense para o lançamento de seu mais novo livro, “O que Faz o Psicanalista: Ato, Semblante e Interpretação”, em uma noite de autógrafos aberta ao público.

O encontro acontece no dia 26, das 19h às 23h, no Olivia Rooftop Eat & Drink, localizado na Avenida Afonso Pena, em Campo Grande.

Além de apresentar a nova obra, Quinet conversará com leitores e admiradores de seu trabalho, que atravessa diferentes campos do conhecimento, reunindo reflexões sobre psicanálise, literatura, teatro, filosofia e cultura.

A visita à cidade ocorre em um momento particularmente simbólico de sua trajetória intelectual e artística.

Em maio deste ano, Quinet tomou posse na Academia de Letras e Artes do Estado do Rio de Janeiro, assumindo a cadeira que homenageia o poeta Carlos Drummond de Andrade, um dos maiores nomes da literatura nacional.

A nomeação representa um reconhecimento que ultrapassa os limites da clínica psicanalítica e consolida a presença do autor no cenário cultural brasileiro. Durante seu discurso de posse, Quinet destacou a importância da arte, da literatura e da escuta como instrumentos de transformação humana.

“As artes duram. As letras curam. As letras escritas, faladas, encenadas. O que nos impedem, senão as pedras no meio do caminho, de sermos o que somos? E o que somos? Poetas, seresteiros, psicanalistas, portadores de sonhos, desejo e utopias”, afirmou.

Em seguida, estabeleceu uma ponte entre a psicanálise e a obra de Drummond.

“Desempedre-se. Conheça teus caminhos num divã para que suas pedras se deixem contar, só-letrar. Pois como diz Drummond: ‘Ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho ímpar’. E assuma: vai ser gauche na vida”, complementou Quinet, em referência ao termo que ficou associado ao poeta mineiro.

ANALISTA EM FOCO

No centro da programação em Campo Grande está o lançamento de “O que Faz o Psicanalista: Ato, Semblante e Interpretação”, obra que propõe uma reflexão aprofundada sobre o papel do analista na clínica contemporânea.

Ao longo do livro, Quinet questiona o psicanalista como uma figura neutra e silenciosa que apenas observa. Em vez disso, apresenta o analista como alguém que participa ativamente do processo analítico por meio de atos, intervenções e interpretações que produzem efeitos na experiência do paciente.

A obra dialoga diretamente com conceitos desenvolvidos pelo psicanalista francês Jacques Lacan, mas o faz por meio de uma escrita acessível, marcada pela presença de referências artísticas e teatrais.

Segundo a proposta do autor, o ato analítico não se reduz a uma técnica ou procedimento. Trata-se de uma intervenção capaz de romper padrões repetitivos e abrir novas possibilidades de elaboração subjetiva.

Já o semblante aparece como um elemento fundamental para sustentar a transferência – conceito central na psicanálise – enquanto a interpretação ganha contornos de gesto poético, capaz de deslocar sentidos cristalizados.

O resultado é uma obra que aproxima clínica e arte, revelando a dimensão criativa presente na prática psicanalítica.

Essa aproximação não é novidade na trajetória de Quinet. Ao longo de décadas de produção intelectual, ele tem se dedicado a explorar as conexões entre o inconsciente e diferentes manifestações culturais, especialmente o teatro e a literatura.

Divã psicanalítico de Freud, no Museu Freud, em LondresDivã psicanalítico de Freud, no Museu Freud, em Londres - Foto: Reprodução

ENTRE O DIVÃ E O PALCO

A carreira de Antonio Quinet é marcada justamente pela circulação entre diferentes linguagens.

Além da atuação clínica e acadêmica, ele também desenvolve trabalhos como dramaturgo e diretor teatral. Fundador da Cia. Inconsciente em Cena, Quinet utiliza o palco como espaço de investigação dos processos psíquicos, transformando conceitos da psicanálise em experiências cênicas.

Essa relação entre teatro e análise aparece de forma recorrente em sua produção bibliográfica e também está presente no novo livro. Ao abordar o trabalho do analista, o autor utiliza elementos da cena teatral para pensar o papel da fala, do silêncio, da escuta e da interpretação.

A combinação entre rigor conceitual e sensibilidade artística tornou-se uma das marcas de sua obra e explica o interesse que seus livros despertam para além do público especializado.

Entre seus trabalhos mais conhecidos estão “Um Olhar a Mais”, “Os Outros em Lacan”, “Édipo ao Pé da Letra” e “As 4 + 1 Condições da Análise”, publicados pela Zahar.

Suas publicações são frequentemente adotadas em cursos de formação em psicanálise, mas também encontram leitores interessados em filosofia, literatura e pensamento crítico.

RECONHECIMENTO INTERNACIONAL

Em 2024, Quinet foi nomeado patrono do Freud Museum, tornando-se o primeiro brasileiro a receber o título.

A instituição preserva a última residência de Sigmund Freud, em Londres, e é considerada um dos principais centros mundiais dedicados à memória e ao legado do criador da psicanálise.

Além disso, o autor atua como pesquisador da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, onde desenvolve estudos relacionados ao projeto Hilda & Freud – collected words.

Também integra o corpo docente do programa de Mestrado e Doutorado em Psicanálise, Saúde e Sociedade da Universidade Veiga de Almeida.

JORNADA NACIONAL

Além do lançamento do livro, no dia 27, ele será o conferencista da abertura da Jornada Preparatória para o Encontro Nacional da EPFCL/Brasil, evento que reunirá psicanalistas, estudantes, pesquisadores e interessados na área para debater os desafios da clínica contemporânea.

Organizada pelo Ágora Instituto Lacaniano e pelo Fórum do Campo Lacaniano de Mato Grosso do Sul, a jornada terá como tema Clínica Psicanalítica Hoje: Ensino e Transmissão.

A proposta é promover discussões sobre a formação dos analistas, os processos de transmissão do conhecimento psicanalítico e os desafios enfrentados pela prática clínica diante das transformações sociais contemporâneas.

>> Serviço

Noite de Autógrafos com Antonio Quinet.

Data: 26 de junho. 
Horário: das 19h às 23h.
Local: Olivia Rooftop Eat & Drink – Avenida Afonso Pena, nº 4.059, Jardim dos Estados;

A entrada é gratuita e aberta ao público. Os livros do autor estarão disponíveis para compra no local.

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Diálogo

Doze mil e duzentas autuações por descumprimento de horários, outras... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta terça-feira (9)

09/06/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Davi Roballo - escritor brasileiro

"Quem quiser encontrar o sentido da vida, deve preparar-se para nunca o encontrar, pois ele tem mil faces e muda constantemente".

 

FELPUDA

Doze mil e duzentas autuações por descumprimento de horários, outras 3,4 mil por omissão de viagens e 197 ônibus circulando acima da idade permitida pelo contrato. Os números ajudam a explicar a crise enfrentada pelo Consórcio Guaicurus. Durante audiência pública, foram reforçadas as conclusões já apontadas pela CPI da Câmara. O relatório dos vereadores recomendou a substituição imediata dos veículos irregulares e até intervenção na empresa. Os levantamentos da comissão confirmaram falhas operacionais recorrentes e outros problemas.Mas nadica de nada foi feito!...

Ampliando

A Câmara dos Deputados aprovou projeto que amplia direitos de pessoas com diabetes tipo1, além de reforçar o acesso a medicamentos pelo SUS. O texto passou pelo Senado, sem alterações.

Mais

O enquadramento como pessoa deficiente irá dependerdos critérios do Estatuto da Pessoa com Deficiência. Concessão do Benefício de Prestação Continuada também exigirá avaliação. 

DiálogoFoto: Divulgação/Alems

O maior tatu do mundo poderá ganhar uma data especial em Mato Grosso do Sul. Tramita na Assembleia Legislativa projeto de lei que institui o Dia Estadual do Tatu-Canastra, a ser celebrado em 13 de agosto. A proposta busca fortalecer ações de preservação da espécie, considerada vulnerável devido à perda de habitat, incêndios florestais e degradação ambiental. O tatu-canastra pode atingir até 1,5 metro de comprimento, pesar cerca de 50 quilos. Ele tem hábitos noturnos, baixa população e reprodução lenta, fatores que aumentam seu risco de extinção. A data escolhida coincide com o Dia Internacional do Tatu e conta com respaldo técnico do Instituto de Conservação de Animais Silvestres. A proposta é do deputado Rinaldo Modesto.

Diálogo Geraldo Maiolino - Foto: Arquivo Pessoal 

 

DiálogoDra. Fabiane Parizotto - Foto: Arquivo Pessoal

Mexidão

Ainda repercute o vídeo de Fábio Trad, pré-candidato ao governo, no qual dispara críticas contra lideranças evangélicas e senadores alinhados ao bolsonarismo. Na defesa de Lula e da indicação (rejeitada) de Jorge Messias ao STF, misturou religião, política e até referências bíblicas. Sobrou para os parlamentares, chamados de "fariseus". Nem as Escrituras escaparam da sua artilharia verbal. Quando alhos, bugalhos e ideologia dividem o mesmo discurso...

Vitrine

A audiência pública promovida pelo deputado Pedro Kemp, em Corumbá, transformou-se numa vitrine de críticas ao projeto de concessão da Hidrovia do Rio Paraguai. Foi feito o alerta que dragagens permanentes e até explosões de formações rochosas podem alterar a dinâmica natural do rio. O receio é que o ciclo  de cheias e vazantes do Pantanal seja afetado diretamente. Para os participantes, falta transparência e sobram dúvidas. 

Questionando

Outro ponto que provocou reação foi o avanço dos investimentos antes mesmo da conclusão do licenciamento ambiental. Durante o debate, lembraram que bilhões de reais já foram destinados à estrutura logística ligada à hidrovia, enquanto estudos seguem em discussão. Também surgiram questionamentos sobre a baixa geração de empregos do modelo proposto e a ausência de representantes da sociedade civil nos órgãos de acompanhamento. Kemp defendeu mais estudos e pediu a suspensão da obra até que os impactos sejam esclarecidos. 

ANIVERSARIANTES 

Geraldo Palhano Maiolino;
Paulo Roberto Álvares Ferreira;
Rejane Amorim Monteiro Mishima;
Fabiana Martins Jallad;
Ludmila Guimarães de Almeida;
Aluízio de Albuquerque;
Nicolas Godoy;
Valentina Toshiko Nomura Oyadomari;
Adão Nerez Marques;
Ieda de Oliveira Freitas;
João Carlos Nocera;
Dra. Maristela Harume Ogatha;
Armando Eijo Oshiro;
Roger Azevedo Introvini;
Sergio Romero Bezerra Sampaio;
Sivalte Carvalho da Silva;
Ricardo Arguelho de Queiroz;
Raulindo dos Santos;
Roney Hudson Valentim Fagundes Moreira;
Nilza Batista Siqueira;
Emilio Chehade Ibrahim Elosta;
Dr. Waldemar Casuo Abe;
Eduardo Rafael Fregatto;
Ademir Dias;
Thais Alfonso Matos;
Lauro Takeshi Miyasato;
Manoel Barbosa;
Antonio Claudio Duarte Mendes;
João Batista da Silva;
Roberta Somensi;
Eulina Espíndola;
André Luiz de Souza Anzoategui;
Maria Rodrigues Correa;
Marcos Assunção de Freitas;
Henrique Pires de Freitas;
Marina Giacomini;
Regis Lamas de Morais;
Generoso Pereira de Arruda;
Elcy Figueiredo Nunes de Barros;
Paulo Batista;
Antonio Lucas Brito Lustosa;
Jair da Conceição;
Valeria Alves Leão;
Wilson Rosilho;
Dr. Claudio Vinicius Sorrilha;
Luiza Kanashiro;
Gilson Perrupato de Souza;
Joaquim Olegário Almeida;
Antonio Firmino Ferreira Melo;
Cícero Gomes Coimbra;
Jessé Duarte Passos;
Nilda Rodrigues Cubel;
Alexandra Vilalba Duarte;
Maria Tagliari;
Oldemar Sanches;
Erone Amaral Chaves;
Meire Takimoto;
Regina de Souza;
Jofeli Paes de Carvalho;
Márcia do Vale Fernandes;
Wanderley Barros de Almeida;
Noemia Barbosa Navas;
Dr. Patrick Costa Vieira;
Vera Rute Pereira;
Maria Antonia Oliveira de Souza;
Varlene Rodrigues da Silva;
Paulo Márcio Silveira;
Paolla Menezes Moreira;
Neide Furquim de Oliveira;
Fábio Portela Machinsky;
Ademar Trelha;
João Henrique Maia;
Helena Florípedes Assunção;
Mário Sérgio da Costa;
Dra. Luciana Ramires;
João Vieira de Almeida Neto;
Reynaldo Passanezi;
Cleide Aparecida de Souza Leão;
Mariana Bernardy;
Carlos Alberto Avalos Cabanha;
Suzy Margareth Guilherme Rosalino;
Silvio Bueno Pereira;
Neuzinete Aparecida Montalvão;
Elton de Campos Galindo;
Carla Roa de Medeiros Guimarães;
Aleixo Fernandes Brugeff;
Eduardo Humberto Fernandes Brugeff;
Paula Barcellos Rodrigues;
Dra. Cibelle Olarte Dittimar;
Dr. Lucio Rogério Costa de Paula;
Hélio Sacht;
Márcia Cristina Chita do Espirito Santo;
Luiz Aranha de Albuquerque Júnior;
Cleide Barbosa de Araujo Adania;
Eduardo Cação;
Daniel Hidalgo Dantas;
Karla Danielle de Albuquerque Arruda;
Wolney Sandim Borges;
Délcio Ruiz Barbosa;
Márcia Mariko Asano;
Eusa Helena Medina Yano;
Guilherme Kaiper Cruz de Faria;
Anapaula Souza Moreira Stagliano;
João Marcos Arruda Dassoler;
Mário Massahide Goto Junior;
Rosana Paradeira Satti Donega. 

Colaborou com Tatyane Gameiro

Lançamento literário

Suicídio indígena é tema do novo livro do poeta e teatrólogo Américo Calheiros

Obra do poeta e teatrólogo transforma em versos a dor provocada pelos altos índices de suicídio entre os povos originários e propõe reflexão sobre uma das mais graves questões sociais de Mato Grosso do Sul

08/06/2026 08h30

O título

O título "Suicígena" é um neologismo criado por Américo Calheiros que traduz a essência da obra Foto: RAQUEL DE SOUZA

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Amanhã será lançada uma obra que promete provocar reflexão e ampliar o debate sobre uma das mais delicadas questões sociais do Estado. O poeta, escritor e teatrólogo Américo Calheiros lança o livro “Suicígena”, publicação que reúne poemas inspirados na realidade enfrentada pelos povos indígenas de Mato Grosso do Sul, especialmente diante dos elevados índices de suicídio registrados entre essas populações.

O evento acontece a partir das 19h, na sede da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL), em Campo Grande, com entrada gratuita e aberta ao público.

Publicado pela Life Editora, o livro surge como um manifesto poético diante de uma realidade que há décadas desafia autoridades, pesquisadores, lideranças indígenas e organizações de direitos humanos.

A motivação para a criação da obra nasceu do impacto causado pelos números divulgados pelo Relatório de Violência contra os Povos Indígenas no Brasil, elaborado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Conforme os dados referentes a 2022, Mato Grosso do Sul registrou, em média, 24 casos de suicídio para cada 100 mil habitantes indígenas.

O índice é três vezes superior à taxa observada na população brasileira em geral, que no mesmo período foi de 8 casos a cada 100 mil habitantes, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Foi diante dessa realidade que Américo Calheiros encontrou na poesia uma forma de expressar sua inquietação e contribuir para que a temática alcance novos espaços de discussão.

O próprio título do livro sintetiza essa proposta. “Suicígena” é um neologismo criado pelo autor a partir da fusão parcial das palavras “suicídio” e “indígena”, dando origem a um conceito que traduz a essência da obra.

“É a síntese perfeita do espírito do livro, cuja ideia surgiu sob a égide dos suicídios indígenas em Mato Grosso do Sul, à medida que fui tomando contato, pela imprensa, desse fato e também das precárias condições de vida dos indígenas, que são o imediato pano de fundo dessa situação e fator determinante para a perda da vontade de viver das populações indígenas”, resume o autor.

Embora o tema central seja o suicídio indígena, Calheiros explica que o livro também se debruça sobre elementos que envolvem a cultura, a identidade e a resistência dos povos originários. Segundo ele, trata-se da primeira vez que sua produção literária aborda diretamente essa temática, motivada pela necessidade de ampliar a conscientização da sociedade.

“Foco de preconceitos dos mais diversos, de assoladora discriminação, do desinteresse e da desconsideração dos poderes constituídos, a população indígena foi, no decorrer da história, alvo dos maiores genocídios, que quase a exterminaram. Movido pelo sentimento que tudo isso me provocou, recorri à manifestação poética para tocar mentes e corações alheios à essa questão”, afirma.

CONSCIENTIZAÇÃO

Em “Suicígena”, a poesia assume o papel de transformar estatísticas em experiências humanas, revelando as consequências do preconceito, da exclusão social e dos conflitos por terra que marcam a realidade de diversas comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul.

O Estado concentra uma das maiores populações indígenas do País, reunindo povos como guarani, kaiowá, terena, kadiwéu, kinikinau, ofaié e atikum, entre outros.

Nas últimas décadas, a disputa por territórios tradicionais e as dificuldades relacionadas ao acesso à saúde, à educação, ao trabalho e à preservação cultural se tornaram fatores frequentemente apontados por especialistas como elementos que contribuem para o agravamento de doenças mentais.

A obra de Américo Calheiros não pretende oferecer respostas definitivas acerca desse problema, mas provocar reflexão e incentivar o diálogo sobre a necessidade de políticas públicas mais efetivas.

“A sociedade mundial tem uma dívida incomensurável com os povos originários. Claro que as vozes indígenas já estão dizendo o que precisam e o que querem, só precisam, efetivamente, ser ouvidas. Se a minha poesia contribuir, que seja um pouco, com essa causa, fico feliz”, detalha Calheiros.

A apresentação do livro ficou a cargo da escritora e ensaísta Ana Maria Bernadelli, integrante da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, que define a obra como um exercício de sensibilidade e compromisso social.

“A poesia contida na obra não busca o consolo fácil nem a metáfora ornamental. Ela é lâmina afiada e brasa sobre a pele da indiferença. O poeta Américo Calheiros, ciente da responsabilidade de sua voz, transforma em palavra o luto e a dor dos indígenas que, despojados de suas terras, de seus deuses e de sua dignidade, veem na morte seu último refúgio”, define.

O AUTOR

Professor e teatrólogo, Américo Calheiros é formado em Letras pela antiga Faculdade Dom Aquino de Filosofia, Ciências e Letras (FUCMT) e realizou especialização na Escola Martins Pena de Teatro, no Rio de Janeiro. Há décadas radicado em Campo Grande, dedicou 18 anos ao magistério em escolas de primeiro e segundo graus da Capital.

Sua atuação, entretanto, extrapola a sala de aula e a literatura. Ao longo da carreira, participou ativamente da formulação de políticas culturais e do fortalecimento das artes no Estado.

Entre suas contribuições está a coordenação da comissão executiva responsável pelos festejos do primeiro centenário de Campo Grande.

Também criou o Grupo Teatral Amador Campo-Grandense (Gutac), iniciativa que ajudou a implantar o teatro como ferramenta educativa na Rede Municipal de Ensino, despertando em inúmeros estudantes o interesse pelas artes cênicas.

Américo ainda presidiu a Fundação Municipal de Cultura, Esporte e Lazer de Campo Grande (Funcesp) e a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), além de desenvolver diversos projetos culturais, entre eles, o programa Cesta Básica da Cultura, voltado à democratização do acesso às manifestações artísticas.

Sua produção literária reúne diferentes gêneros e temas, passando por poesia, contos e crônicas.

Entre os títulos publicados estão “Sem Versos”, “Memória de Jornal”, “Da Cor da Sua Pele”, “A Nuvem que Choveu”, “Poesia pra que Te Quero”, “Na Virada da Esquina” e “Campo Grande Aquarela de Luz – Patrimônio Vivo”.

O reconhecimento por sua contribuição à cultura sul-mato-grossense também veio por meio de homenagens institucionais.

Em setembro de 2010, recebeu da Assembleia Legislativa o título honorífico de cidadão sul-mato-grossense.

Em 2015, passou a integrar o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul e, atualmente, ocupa a Cadeira nº 7 da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, anteriormente pertencente ao saudoso acadêmico padre Félix Zavattaro.

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