Economia

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Alvo do governo Lula, Eletrobras eleva lucro em 21% em 2023, para R$ 4,4 bi

Pelo desempenho, a empresa distribuirá R$ 1,3 bilhão em dividendos

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A Eletrobras fechou 2023 com lucro líquido de R$ 4,4 bilhões, alta de 21% em relação ao ano anterior, resultado impulsionado principalmente por redução de custos e aumento das receitas de transmissão de energia.

Pelo desempenho, a empresa distribuirá R$ 1,3 bilhão em dividendos. O governo, que pressiona para ampliar sua influência na gestão, ficará com cerca de R$ 550 milhões por sua participação de 42,65%.

No texto de divulgação do balanço, o presidente da companhia, Ivan Monteiro, defendeu que seu novo modelo de negócios "tem gerado resultados consistentes, pautados na disciplina de capital, eficiência operacional, foco no cliente e um aumento importante na capacidade de investimentos".

"Avançamos muito e vamos seguir na trilha do crescimento, nos pautando sempre pela segurança das pessoas, dos ativos e na geração de energia limpa que contribua para a transição energética que precisamos acelerar", concluiu.

Foi o primeiro balanço anual completo após a privatização da companhia, em 2022. A transformação da ex-estatal em uma empresa sem controlador definido teve a oposição do PT e aliados na época e é hoje alvo de ações judiciais movidas pelo governo Lula.

Lula defende que a União deve ter mais influência na gestão da Eletrobras, já que o estatuto atual limita o poder de voto a 10% do capital votante. O tema hoje é foco de um processo de conciliação entre a empresa e o governo.

Monteiro disse em teleconferência com analistas nesta quinta-feira (14) que não pode comentar o andamento da conciliação, que está sob sigilo.

Além da Eletrobras, o governo Lula tem sob sua mira também a Vale, outra empresa sem controlador definido, na qual o presidente vem tentando aumentar influência. Na estatal Petrobras, ruídos entre o governo e a gestão da empresa também vêm gerando problemas, como o derretimento do preço das ações.

Em entrevista nesta quinta, Monteiro reforçou o argumento de que a nova estrutura da Eletrobras melhora sua capacidade de investimento da empresa. "Estamos tornando a empresa mais competitiva para aumentar o investimento", afirmou.

Neste primeiro ano todo sob gestão privada, a Eletrobras investiu R$ 9 bilhões, alta de 60% em relação ao ano anterior e quase o triplo de 2021. A alta nos investimentos reflete a retomada das obras da linha de transmissão entre Manaus e Boa Vista, que demandou R$ 3,3 bilhões, e pelo parque eólico de Coxilha Negra, com R$ 2,1 bilhões.

A expectativa é manter o mesmo valor de investimentos em 2024, com destinação de R$ 3,2 bilhões para segurança e qualidade do serviço, modernizando parte dos cerca de 60 mil equipamentos que a companhia tem espalhados pelo país.

As críticas do governo à gestão da empresa foram reforçadas pela realização de planos de demissão voluntária, que reduziram o número de empregados em 20% no primeiro ano após a privatização. O governo chegou a pedir que a empresa suspendesse programas de demissão.

Em janeiro de 2024, a Eletrobras tinha 7.911 empregados, queda de 18% em relação ao fim de 2022. Parte dos demitidos foi compensada com a contratação de 770 novos profissionais, destacou Monteiro.

As despesas com pessoal, material, serviços e outros caíram 27% no quarto trimestre de 2023, na comparação com o mesmo período do ano anterior, para R$ 1,8 bilhão. No quarto, a Eletrobras teve lucro líquido de R$ 893 milhões.

No fim do ano, em outra frente, o governo questionou a proposta de incorporação de Furnas à Eletrobras, processo que foi alvo de liminares pedidas por sindicatos em dezembro, mas acabou sendo concluído em janeiro.

Em 2023, a Eletrobras diversificou sua carteira de clientes de energia, uma das preocupações do mercado financeiro após o processo de descotização da energia das hidrelétricas da companhia, resultado do processo de privatização.

Encerrou 2023 com uma base de 469 clientes, sendo 393 no mercado livre de energia, um crescimento significativo em relação aos 249 clientes do ano anterior. Já em consumidores finais, a Eletrobras saiu de 46 no fim de 2022 para 269 no último trimestre de 2023.

"Num cenário de melhora dos preços de energia, como o que se desenha atualmente, o impacto dessas iniciativas (em comercialização) deve ser ainda mais visível nos resultados", disse a Eletrobras.

Em contingências, a Eletrobras apontou uma redução de 41% do estoque do empréstimo compulsório, o principal passivo de seu balanço, para 17,2 bilhões de reais, quando comparado aos 24,3 bilhões de reais do último trimestre de 2022.

Em todo o ano de 2023, as provisões operacionais da Eletrobras apresentaram uma melhora de 68%, passando de 6,928 bilhões de reais em 2022 para 2,196 bilhões. O estoque de empréstimos compulsórios, principal passivo judicial da empresa, caiu de R$ 24,3 bilhões para R$ 17,2 bilhões entre 2022 e 2023.

Pesquisa

Café pode custar quase o dobro em Campo Grande e diferença chega a R$ 21

Levantamento do Procon comparou 38 produtos em oito estabelecimentos

14/09/2026 14h45

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Levantamento do Procon encontrou variação de 88,24% no preço de uma mesma embalagem de 500 gramas; pesquisa avaliou 38 produtos em oito supermercados e atacadistas

O preço de um mesmo pacote de café pode variar mais de R$ 21 em Campo Grande, dependendo do estabelecimento escolhido pelo consumidor. Pesquisa do Procon Municipal encontrou diferença de até 88,24% entre os preços praticados para uma embalagem de 500 gramas do Café do Ponto, que foi encontrada por R$ 23,90 em um estabelecimento e chegou a R$ 44,99 em outro.

O levantamento foi realizado entre os dias 2 e 4 de setembro e avaliou 38 itens em oito supermercados e atacadistas da Capital. A pesquisa considerou diferentes marcas, tipos e apresentações de café e mostra que comparar os preços antes da compra pode representar uma economia significativa no orçamento doméstico.

No caso do Café do Ponto Tradicional e Extraforte a vácuo de 500g, a diferença entre o menor e o maior preço foi de R$ 21,09. Assim, quem encontra o produto por R$ 23,90 economiza praticamente o valor de uma segunda embalagem em comparação com o consumidor que paga R$ 44,99.

A diferença também é expressiva no Café Tradicional a vácuo de 500g da Três Corações. O produto foi encontrado por R$ 21,90 no menor preço pesquisado e chegou a R$ 37,99 no maior, uma diferença de R$ 16,09. A variação percentual foi de 73,47%, a segunda maior identificada pelo Procon.

Diferença

As diferenças ganham dimensão maior quando o café é comprado regularmente. No caso do Café do Ponto, por exemplo, a escolha pelo menor preço representa uma economia de R$ 21,09 em apenas uma embalagem de 500g.

Se o consumidor comprar dois pacotes do mesmo produto, a diferença entre escolher o menor e o maior preço chega a R$ 42,18. Em quatro embalagens, a economia acumulada seria de R$ 84,36.

Já na comparação entre os preços do Café Três Corações, duas embalagens compradas pelo menor valor custariam R$ 43,80, enquanto a mesma quantidade pelo maior preço chegaria a R$ 75,98. A diferença, nesse caso, seria de R$ 32,18.

Os cálculos consideram apenas os preços registrados na pesquisa e servem para demonstrar como pequenas diferenças por embalagem podem se acumular quando o produto é adquirido com frequência.

Apesar das diferenças encontradas entre alguns produtos, o levantamento também identificou cafés com preços iguais nos estabelecimentos pesquisados.

O Café Rancheiro almofada de 500g, nas versões tradicional e extraforte, foi encontrado pelo mesmo preço de R$ 32,90 nos locais avaliados. O Café Rincão almofada tradicional também apresentou estabilidade, com o pacote de 500g custando R$ 24,90 em todos os estabelecimentos considerados na pesquisa.

A pesquisa incluiu ainda marcas comercializadas exclusivamente por determinados estabelecimentos. Segundo o Procon, a presença dessas opções demonstra a variedade de produtos disponíveis ao consumidor e reforça a necessidade de observar não apenas a marca, mas também o tipo e a apresentação do café antes de decidir pela compra.

Comparação pode reduzir gasto

Para o Procon, a diferença encontrada mostra que pesquisar antes de colocar o produto no carrinho pode fazer diferença no orçamento familiar.

O superintendente do Procon Municipal, José Costa Neto, afirmou que o café é um produto de consumo frequente e que a comparação entre estabelecimentos pode gerar economia para as famílias.

“O café é um produto indispensável na mesa dos campo-grandenses. A nossa pesquisa demonstra que, ao comparar os preços e as marcas disponíveis no comércio, o consumidor obtém uma economia expressiva que ajuda a aliviar o orçamento familiar”, afirmou.

O levantamento também funciona como uma fotografia dos preços praticados no período da coleta. Como os valores podem mudar conforme promoções, reposição de estoque e política comercial de cada estabelecimento, os preços encontrados entre os dias 2 e 4 de setembro não representam necessariamente os valores cobrados atualmente.

 

Expansão

MS tem quase R$ 90 bilhões em investimentos previstos

Carteira reúne megaprojetos de celulose, mineração, bioenergia e citricultura; UFN3 acrescenta R$ 5 bilhões à conta

14/09/2026 07h45

Carteira reúne megaprojetos de celulose, mineração, bioenergia e citricultura; UFN3 acrescenta R$ 5 bilhões à conta

Carteira reúne megaprojetos de celulose, mineração, bioenergia e citricultura; UFN3 acrescenta R$ 5 bilhões à conta Divulgação

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Mato Grosso do Sul mantém uma carteira próxima de R$ 90 bilhões em grandes investimentos previstos para os próximos anos, mesmo após a conclusão de empreendimentos que estavam no radar no levantamento realizado pelo Correio do Estado em 2025.

A nova panorâmica mostra avanço de obras, projetos que ganharam cronograma e também investimentos que foram reprogramados.

O levantamento atualizado pelo Correio do Estado reúne cerca de R$ 85 bilhões em investimentos privados entre projetos em implantação, confirmados ou em fase de estruturação.

A esse montante se soma a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), da Petrobras, com investimento superior a R$ 5 bilhões para a conclusão da fábrica em Três Lagoas. Com isso, o volume chega a cerca de R$ 90 bilhões.

O valor, portanto, é superior aos R$ 81,5 bilhões identificados na reportagem publicada no ano passado. A comparação, porém, não significa apenas o surgimento de novos recursos.

Alguns empreendimentos que constavam no levantamento anterior já entraram em operação, enquanto outros foram substituídos por uma nova geração de projetos.

Entre os maiores investimentos está o Projeto Sucuriú, da Arauco, em Inocência, estimado em R$ 25 bilhões.

A construção da fábrica avançou para uma etapa decisiva e a previsão é de início das operações no segundo semestre de 2027. A unidade terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano. 

A movimentação em torno do empreendimento também já alcança a logística. O ramal ferroviário da Arauco, que consumirá cerca de R$ 1 bilhão, chegou a 50,8% de execução e teve iniciado o orçamento das vigas de uma ponte de 270 metros.

Carteira reúne megaprojetos de celulose, mineração, bioenergia e citricultura; UFN3 acrescenta R$ 5 bilhões à conta Fonte: Reportagem/Semadesc/Petrobras

CELULOSE

O setor de celulose continua sendo o principal responsável pela concentração de capital na nova carteira de investimentos de Mato Grosso do Sul. Além da Arauco, a Bracell projeta uma fábrica no Estado, com investimento estimado pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) em R$ 25 bilhões.

O empreendimento, que inicialmente seria instalado em Água Clara, foi direcionado para Bataguassu e terá capacidade produtiva de aproximadamente 2,8 milhões de toneladas de celulose.

Em julho deste ano, o governo estadual entregou a licença prévia para o empreendimento. Apesar do avanço no licenciamento, o início das obras foi reprogramado para 2027, depois de uma previsão inicial de começar em fevereiro deste ano.

O terceiro grande projeto é a segunda linha da Eldorado Brasil, em Três Lagoas. Depois de anos travada pelo conflito societário entre a J&F e a Paper Excellence, a proposta voltou ao radar após a solução da disputa.

O investimento estimado é de R$ 25 bilhões e elevaria a capacidade de produção da empresa de 1,8 milhão para aproximadamente 4,4 milhões de toneladas de celulose por ano.

O projeto, contudo, deve ser tratado com uma ressalva. Embora a expansão esteja novamente nos planos da empresa, ainda não há um cronograma oficial de inauguração. Por isso, o valor entra no levantamento como projeto confirmado, mas não como uma obra com data definida.

Somados, Arauco, Bracell e Eldorado representam R$ 75 bilhões, ou mais de 80% de toda a carteira mapeada.

BIOENERGIA

A segunda frente de grandes investimentos está no setor sucroenergético. A Atvos confirmou um pacote adicional de R$ 2,36 bilhões para Mato Grosso do Sul, destinado à instalação de três plantas, uma unidade de biometano e duas usinas de etanol de milho.

Em Nova Alvorada do Sul, a planta de biometano recebe investimento superior a R$ 350 milhões e já está em implantação. A unidade deverá produzir cerca de 28 milhões de metros cúbicos de biometano por safra, utilizando resíduos da cana-de-açúcar.

Também em Nova Alvorada do Sul, a Atvos recebeu licença de instalação para uma nova usina de etanol de milho. O projeto prevê investimento superior a
R$ 1 bilhão.

A terceira unidade prevista pela companhia será instalada em Costa Rica. Como os três projetos fazem parte do mesmo pacote de R$ 2,36 bilhões, o levantamento considera o valor consolidado para evitar dupla contagem.

Outra aposta na produção de biocombustíveis está em Jaraguari, onde a usina de etanol de amido Pioneiras prevê investimento de R$ 300 milhões.

O movimento reforça a mudança no perfil dos investimentos industriais do Estado, que deixa de depender exclusivamente da celulose e amplia a participação de etanol de milho, biometano e outras fontes de energia renovável.

OUTRAS FRENTES

Em Corumbá, a LHG Mining, do grupo J&F, prevê R$ 4 bilhões para ampliar as operações no complexo Morro do Urucum. O projeto pretende elevar a produção anual de minério de ferro de alto teor de 12 milhões de toneladas para 25 milhões de toneladas.

Na região sul do Estado, a Copasul mantém em implantação a indústria de processamento de soja em Naviraí, com investimento total de R$ 1,4 bilhão. A unidade deverá produzir farelo e óleo vegetal e agregar valor à produção de soja regional. 

A agroindústria também aparece com força na expansão da citricultura. A Cambuhy Agropecuária, do grupo Moreira Salles, anunciou R$ 1,2 bilhão para o plantio de laranja na região de Ribas do Rio Pardo e Água Clara. Já a Cutrale prevê R$ 500 milhões para o cultivo de cerca de 5 mil hectares na divisa entre Campo Grande e Sidrolândia.

A citricultura já acumula cerca de R$ 2,1 bilhões em investimentos anunciados no Estado, considerando diferentes grupos que estão implantando pomares. 

UFN3

Fora do cálculo dos investimentos privados, a UFN3 representa uma das principais novidades em relação ao levantamento do ano passado. Depois de mais de uma década de paralisação, a Petrobras retomou oficialmente as obras da fábrica de fertilizantes em Três Lagoas.

A estatal estima investimento de cerca de US$ 1 bilhão, equivalente a mais de R$ 5 bilhões, para concluir o empreendimento.

A previsão atual é de início das operações comerciais em 2029. A fábrica deverá responder por aproximadamente 15% da demanda nacional de ureia, reforçando a estratégia de reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados.

A retomada também representa uma mudança importante em relação à reportagem anterior, quando a UFN3 ainda era tratada como uma promessa sem definição concreta para o reinício das obras.

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