As carreiras ligadas ao sistema de Justiça concentram as maiores rendas declaradas em Mato Grosso do Sul. Levantamento do portal Salários do Brasil, elaborado a partir dos dados das declarações do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) deste ano, revela que quatro das cinco ocupações com maior rendimento médio anual no Estado pertencem ao Judiciário ou ao Ministério Público.
O ranking evidencia que, embora Mato Grosso do Sul tenha no agronegócio sua principal atividade econômica, são as carreiras vinculadas ao sistema de Justiça que concentram as maiores rendas médias declaradas pelos contribuintes, ocupando quatro das cinco primeiras posições e reforçando a elevada remuneração dessas funções no Estado.
Na liderança aparece a profissão de titular de cartório, cuja renda média anual declarada chega a
R$ 3.475.652, o equivalente a R$ 289,6 mil por mês. Ao todo, 167 pessoas informaram essa ocupação como atividade principal no IRPF.
O valor coloca Mato Grosso do Sul na sétima posição nacional entre os estados com maior rendimento para essa carreira e representa uma renda 24% superior à média brasileira da profissão.
Na sequência estão procuradores e promotores de Justiça, com renda média anual de R$ 1.476.155 (R$ 123 mil mensais), e juízes e membros do Judiciário, que declararam média de R$ 1.438.570 por ano, ou R$ 119,9 mil por mês.
As duas ocupações também figuram entre as maiores remunerações do Estado, consolidando a predominância das carreiras jurídicas no topo do ranking.
Fechando o grupo das quatro profissões mais bem remuneradas está a carreira de advogado público e defensor, cuja renda média anual declarada foi de R$ 771.826, cerca de R$ 64,3 mil mensais.
O único setor fora da estrutura do Judiciário entre os cinco primeiros colocados é o de produtor agropecuário, com rendimento médio anual de R$ 557.688.
A presença do agronegócio entre as maiores rendas reflete o peso da atividade na economia sul-mato-grossense.
Segundo o levantamento, 24.040 contribuintes declararam atuar como produtores agropecuários, número muito superior ao registrado nas carreiras jurídicas que lideram o ranking.
Ainda assim, o rendimento médio dos produtores ficou bastante abaixo dos valores declarados pelos titulares de cartório e integrantes do Ministério Público e do Judiciário.

OUTRAS PROFISSÕES
Depois das cinco primeiras posições aparecem médico (R$ 555 mil anuais), auditor fiscal (R$ 540 mil), cantor e compositor (R$ 395 mil), servidor das carreiras do Poder Judiciário (R$ 311 mil), atleta profissional (R$ 309 mil), professor universitário (R$ 301 mil), servidor das carreiras do Ministério Público (R$ 280 mil), agrônomo (R$ 269 mil), dirigente e diretor de empresas (R$ 258 mil) e membro do Poder Executivo (R$ 257 mil).
O levantamento também mostra que Mato Grosso do Sul ocupa a nona posição entre os estados brasileiros em renda média declarada pelos contribuintes do Imposto de Renda.
Conforme os dados, 544.348 pessoas declararam ocupação principal no IRPF deste ano, com renda média anual de R$ 156 mil, cerca de 7% abaixo da média nacional, estimada em R$ 166 mil.
O patrimônio médio declarado pelos contribuintes sul-mato-grossenses foi de R$ 361 mil. A idade média dos declarantes é de 44,3 anos, e as mulheres representam 41,2% do total.
Entre as ocupações analisadas, os titulares de cartório também se destacam pelo patrimônio médio declarado, que alcança R$ 4 milhões.
Procuradores e promotores declararam patrimônio médio de R$ 3,34 milhões, enquanto juízes registraram R$ 3,13 milhões. Já os produtores agropecuários informaram patrimônio médio de R$ 2,42 milhões, evidenciando o elevado nível de capitalização do setor rural.
NACIONAL
No ranking nacional de renda média anual declarada no Imposto de Renda, o Distrito Federal lidera com
R$ 227 mil por contribuinte, seguido por São Paulo (R$ 188 mil) e Rio de Janeiro (R$ 183 mil).
Completam as 10 primeiras posições Rio Grande do Sul (R$ 170 mil), Paraná (R$ 165 mil), Santa Catarina (R$ 164 mil), Espírito Santo e Mato Grosso (ambos com R$ 159 mil), Mato Grosso do Sul (R$ 156 mil) e Minas Gerais (R$ 155 mil).
O levantamento indica que os estados do Centro-Sul concentram as maiores rendas médias declaradas do País, enquanto MS aparece acima de Minas Gerais e entre as 10 unidades da Federação com maior rendimento médio dos contribuintes.


