Economia

VAGAS

Comércio estima contratar sete mil funcionários temporários neste ano

Levantamento aponta que 24% dos empresários pretendem aumentar o número de colaboradores

Continue lendo...

O comércio de Mato Grosso do Sul começa a vislumbrar um novo momento. Com a retomada do consumo e o crescimento da confiança do empresário, o setor projeta a contratação de sete mil colaboradores nos próximos meses. 

De acordo com o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio (IPF-MS), 24% dos empresários pretendem contratar até o fim do ano.  

A economista do IPF-MS, Daniela Dias, explica que as projeções para o mercado de trabalho são otimistas, mesmo diante dos reflexos da pandemia. 

“Se fizermos uma estimativa, considerando os fechamentos de empresas, e considerando que os empresários vão contratar pelo menos uma pessoa, teremos algo em torno de sete mil pessoas”, disse a economista, ressaltando que as contratações não serão todas temporárias.  

Daniela ainda destaca que o número pode ser maior ou menor, dependendo de muitas variáveis. 

“Pode ser que esse número se concretize ou não, porque é uma expectativa que leva em consideração o cenário econômico, político e a reação da saúde. Esses 24% [que pretendem ter novos colaboradores] foram os próprios empresários que disseram". 

"Nós precisamos evidenciar que se trata de um cenário bastante volátil; ao mesmo tempo que os empresários estão dizendo que podem contratar, essa expectativa sofre facilmente interferência de outras variáveis. Mas já é uma perspectiva bem positiva, visto que a pandemia surpreendeu a todos negativamente”, conclui Daniela.

Empresários confirmam tendência

Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta que a expectativa com a economia é positiva para 73,8% dos empresários da Capital, e especificamente para o comércio, esse porcentual foi de 72,2% dos entrevistados.  

O empresário do setor de joias e acessórios Djalma Santos tem três lojas em Campo Grande e está otimista com as vendas nos próximos meses.

 “Estamos imensamente confiantes que teremos um final de ano com resultados satisfatórios diante de toda essa situação atual. Iremos contratar mais no final de novembro, mas serão pelo menos 12 funcionários, quatro por loja”, disse.

No vestuário, a empresária Sueli Padovani também afirma que aumentará o número de funcionários em suas lojas. 

“Minhas expectativas são ótimas com as vendas dos próximos meses. Pretendo contratar pelo menos duas pessoas”, ressalta.

Otimismo para consumidores e empresários

O otimismo do consumidor foi aferido pela pesquisa. Segundo a CNC, a intenção de consumo das famílias de Campo Grande aumentou pela primeira vez depois da pandemia. 

No mês de setembro, o índice ficou em 83,7 pontos, avançando em relação a agosto (82 pontos).  

O índice é calculado levando em conta questões como a percepção do emprego e renda atuais, o nível atual de consumo e perspectiva de acesso ao crédito.

Outro dado positivo no mês passado foi o aumento da confiança do empresário. Depois de quatro meses de queda, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) volta a ficar positivo, ao registrar 100,8 pontos na Capital. 

Apesar de estar longe do índice positivo de abril (114,8), já demonstra um alento para a economia varejista.

“Ele é um indicador antecedente das vendas do comércio, a partir do ponto de vista dos empresários. Quando está acima de 100 pontos, significa que estamos na zona positiva, ou seja, estágio em que seria mais fácil transformar uma intenção em consumo efetivo”, ressalta Daniela. 

novo capítulo

Leilão da Malha Oeste atrai o interesse de 4 grupos gigantes

ANTT aponta que o edital sairá até o fim deste ano e o contrato de concessão no fim do primeiro semestre de 2027

23/09/2026 07h45

Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Continue Lendo...

As três maiores empresas de transporte ferroviário do País e o maior conglomerado empresarial privado em atividade no Brasil já manifestaram interesse formal para a reativação dos 1,6 mil quilômetros da ferrovia Malha Oeste e o leilão deve acontecer antes do fim do primeiro semestre de 2027. 

As informações foram repassadas ao Correio do Estado ontem, durante a Jornada Valor de Jornalismo em Concessões e Infraestrutura, que está sendo realizada na sede do jornal Valor Econômico, na cidade de São Paulo, por Marcelo Cardoso Fonseca, que atualmente exerce a função de diretor substituto da Diretoria da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e é titular da Superintendência de Concessão da Infraestrutura (Sucon) da Agência.

De acordo com Marcelo Fonseca, o edital para a realização do leilão sai até dezembro, mas depois disso o trâmite tende a ser rápido e antes do fim do primeiro semestre ele acredita que já seja assinado o contrato. 

O contrato anterior venceu no fim de junho e desde então ferrovia está sob os cuidados da Rumo, antiga concessionária, por conta de um contrato emergencial de 180 dias, que acaba no fim do ano.

Este contrato, porém, prevê basicamente que a Rumo faça uma espécie de segurança do patrimônio da ferrovia, já que as atividades de transporte estão completamente paradas desde o começo de dezembro do ano passado, quando ocorreu a última viagem para o transporte de minérios entre as minas de Corumbá e o distrito de Porto Esperança, num trecho de 45 quilômetros. 

Inicialmente a ANTT previa que o leilão ocorresse ainda neste ano, mas ainda existe uma série de indefinições que se referem principalmente aos trechos que terão de receber prioridade na reativação e aos investimentos que terão de ser realizados. 

Mas, apesar de seguidos adiamentos, o representante da ANTT se diz otimista de que desta vez o leilão ocorra, porque atualmente existem três empresas de olho na ferrovia. Inicialmente a agência havia informado que os interesses estavam restritos à Rumo, que desde 2015 tinha a concessão e deixou que a ferrovia “morresse”, e à MRS Logística, empresa que no ano passado transportou 213 milhões de cargas por ferrovias.

Agora, de acordo com Marcelo Fonseca, também está no páreo a empresa Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), que está no mercado desde 1996, época em que a Rede Ferroviária Federal foi concedida à iniciativa privada.

Ela atua em oito estados e hoje é a terceira maior operadora no setor de transporte ferroviário e em volume transportado, ficando atrás apenas da Rumo e da MRS. 

MAIOR DE TODOS

Além destas três gigantes do setor de transportes, o maior conclomerado empresarial do País, o grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, também está diretamente interessado na reativação da ferrovia.

Conforme Marcelo Fonseca, o principal interesse dos irmãos Batista é na reativação dos cerca de 45 km da ferrovia entre as minas de Corumbá e o porto Gregório Curvo, no distrito de Porto Esperança, de onde a mineradora LHG Mining pretende exportar até 15 milhões de toneladas de minério por ano pelo Rio Paraguai. 

Além disso, os empresários também controlam a fábrica de celulose Eldorado, em Três Lagoas, onde são produzidos atualmente 1,8 milhão de toneladas de celulose por ano.

A promessa dos irmãos Batista, porém, é dobrar este volume. Caso isso ocorra, somente a produção desta fábrica seria capaz de lotar diariamente um comboio com cerca de 110 vagões cheios de celulose rumo ao Porto de Santos. 

Mas, caso queiram reativar os trilhos próximo a Corumbá ou despachar a celulose pela ferrovia, terão de firmar parceria com algum dos gigantes do setor de transportes e reativar, mesmo que em períodos diferentes, a ferrovia de Corumbá e Mairinque como um todo, destaca Marcelo Fonseca, que acompanha de perto todo o processo para tentar reativar a velha ferrovia, construída no início do século passado.  

Além de atuar no setor de mineração e Celulose, o grupo J&F tem em Mato Grosso do Sul ao menos sete frigoríficos para abate de bovinos (JBS) e três abatedouros de aves (Seara), o que evidencia que a ferrovia também passaria a ser útil atender a estes setores. 

O grupo J&F Investimentos ocupa atualmente a 1ª posição no ranking dos maiores conglomerados privados do Brasil e se for considerado o cenário corporativo geral, que inclui empresas de capital misto e estatais, o grupo figura  na 2ª colocação em faturamento e escala, superado apenas pela estatal Petrobras. 

Conforme estimativas iniciais, a reativação da ferrovia exigiria investimentos da ordem de R$ 35 bilhões. O governo federal sinalizou que está disposto a injetar em torno de 10% deste montante para dar início aos investimentos. 

Agora, porém, conforme reportagem da Folha de São Paulo publicada ontem, a União e a concessionária Rumo estão numa disputa jurídica que chega a R$ 6 bilhões. 

A União alega que a empresa acumula dívidas relativas a outorgas não pagas e multas multimilionárias por descumprimento do contrato. A empresa, por sua vez, diz ter créditos relativos a investimentos que teria feito. Este impasse, porém, não impede a realização do leilão. 

SÓ GIGANTES

Leilão de R$ 35 bi da Malha Oeste atrai Irmãos Batista, Rumo, MRS e FCA

ANTT confirma edital até o fim do ano e disputa entre maiores ferrovias do país e grupo J&F para reativar 1,6 mil km de trilhos

23/09/2026 06h00

Trens que já foram usados na ferrovia que atravessa Mato Grosso do Sul estão sucateados no contorno ferroviário de Campo Grande

Trens que já foram usados na ferrovia que atravessa Mato Grosso do Sul estão sucateados no contorno ferroviário de Campo Grande Foto: Paulo Ribas

Continue Lendo...

As três maiores empresas de transporte ferroviário do país e o maior conglomerado empresarial privado em atividade no Brasil já manifestaram interesse formal para reativação dos 1,6 mil quilômetros da ferrovia Malha Oeste e o leilão vai ocorrer antes do fim do primeiro semestre de 2027. 

As informações foram repassadas ao Correio do Estado nesta terça-feira (22), durante a Jornada Valor de Jornalismo em Concessões e Infraestrutura, que está sendo realizada na sede do jornal Valor Econômico, na cidade de São Paulo, por Marcelo Cardoso Fonseca, que atualmente exerce a função de diretor substituto da Diretoria da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e é  Superintendente de Concessão da Infraestrutura (Sucon) da Agência.

De acordo com Marcelo Fonseca, o edital para o realização do leilão sai até dezembro, mas depois disso o trâmite tende a ser rápido e antes do final do primeiro semestre ele acredita que já ocorra a assinatura do contrato. 

O contrato anterior venceu no final de junho e desde então ferrovia está sob os cuidados da Rumo, antiga concessionária, por conta de um contrato emergencial de 180 dias, que acaba no fim do ano. Este contrato, porém, prevê basicamente que a Rumo faça uma espécie de segurança do patrimônio da ferrovia, já que as atividades de transporte estão completamente paradas desde o começo de dezembro do ano passado, quando ocorreu a última viagem para o transporte de minérios entre as minas de Corumbá e o distrito de Porto Esperança, num trecho de 45 quilômetros. 

Inicialmente a ANTT previa que o leilão ocorresse ainda em 2026, mas ainda existe uma série de indefinições que se referem principalmente as trechos que terão de receber prioridade na reativação e aos investimentos que terão de ser realizados. 

Mas, apesar de seguidos adiamentos, o representante da ANTT se diz otimista de que desta vez o leilão ocorra, porque atualmente existem três empresas de olho no ferrovia. Inicialmente a própria agência havia informado que os interesses estavam restritos à Rumo, que desde 2015 tinha a concessão e deixou que a ferrovia “morresse”, e à MRS Logística, empresa que no ano passado transportou 213 milhões de cargas por ferrovias.

Agora, de acordo com Marcelo, também está no páreo a empresa FCA (Ferrovia Centro-Atlântica), que está no mercado desde 1996, época em que a Rede Ferroviária Federal foi concedida à iniciativa privada. Ela atua em oito estado e atualmente é a terceira maior operadora no setor de transporte ferroviária e em volume transportado, ficando atrás apenas da Rumo e da MRS. 

Trens que já foram usados na ferrovia que atravessa Mato Grosso do Sul estão sucateados no contorno ferroviário de Campo Grande

MAIOR DE TODOS

Além destas três gigantes do setor de transportes, o maior conclomerado empresarial do país, o grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, também está diretamente interessado na reativação da ferrovia.

Conforme Marcelo Fonseca, o principal interesse dos irmãos Batista é na reativação dos cerca de 45 quilômetros da ferrovia entre as minas de Corumbá e o porto Gregório Curvo, no distrito de Porto Esperança, de onde a mineradora LHG Mining pretende exportar até 15 milhões de toneladas de minério por ano pelo Rio Paraguai. 

Além disso, os empresários também controlam a fábrica de celulose Eldorado, em Três Lagoas, onde são produzidos atualmente 1,8 milhão de toneladas de celulose por ano. A promessa dos irmãos Batista, porém, é dobrar este volume. Caso isso ocorra, somente a produção desta fábrica seria capaz de lotar diariamente um comboio com cerca de 110 vagões lotados de celulose rumo ao Porto de Santos. 

Mas, caso queiram reativar os trilhos próximo a Corumbá ou despachar a celulose pela ferrovia, terão de firmar parceria com algum dos gigantes do setor de transportes e reativar, mesmo que em períodos diferentes, a ferrovia de Corumbá e Mairinque como um todo, destaca Marcelo Fonseca, que acompanha de perto todo o processo para tentar reativar a velha ferrovia, construída no início do século passado.  

Além de atuar no setor de mineração e Celulose, o grupo J&F tem em Mato Grosso do Sul ao menos sete frigoríficos para abate de bovinos (JBS) e três abatedouros de aves (Seara), o que evidencia que a ferrovia também passaria a ser útil atender a estes setores. 

O grupo J&F Investimentos ocupa atualmente a 1ª posição no ranking dos maiores conglomerados privados do Brasil e se for considerado o cenário corporativo geral, que inclui empresas de capital misto e estatais, o grupo figura  na 2ª colocação em faturamento e escala, superado apenas pela estatal Petrobras. 

Conforme estimativas iniciais, a reativação da ferrovia exigiria investimentos da ordem de R$ 35 bilhões. O Governo Federal sinalizou que está disposto a injetar em torno de 10% deste montante para dar início aos investimentos. 

Agora, porém, conforma reportagem da Folha de S. Paulo publicada nesta terça-feira (22), a União e a concessionária Rumo estão numa disputa jurídica que chega a R$ 6 bilhões. A União alega que a empresa acumula dívidas relativas a outorgas não pagas e multas multimilionárias por descumprimento do contrato. A empresa, por sua vez, diz ter créditos relativos a investimentos que teria feito. Este impasse, porém, não impede a realização do leilão. 

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).