Economia

Roteiro

Consumo puxa recuperação lenta da economia, diz presidente do BC

Consumo puxa recuperação lenta da economia, diz presidente do BC

Folhapress

26/08/2017 - 21h00
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O roteiro da recuperação da economia, após a profunda recessão em que o país afundou há três anos, mudou nos últimos meses, segundo avaliação do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn.

Se há um ano acreditava-se que a atividade recobraria impulso com ajuda de novos investimentos, hoje o mais provável é que o consumo seja o motor da retomada.

"Há um ano, todos imaginavam que a economia brasileira poderia voltar a crescer a partir do aumento de confiança, que geraria investimentos, renda e consumo", disse o presidente do BC à reportagem, em entrevista concedida na quinta-feira (24). "Essa ordem está um pouco diferente."

Para Goldfajn, a queda acentuada da inflação, que está mais baixa do que o esperado há um ano, está produzindo um aumento da renda disponível e dando combustível para o consumo, apesar dos níveis de desemprego ainda muito elevados.

Desde que assumiu o governo com o afastamento de Dilma Rousseff, em maio do ano passado, o presidente Michel Temer tem se esforçado para recuperar a confiança de empresários, apostando que a volta dos investimentos faria a economia reagir.

Mas os investimentos não voltaram, e a economia parece estar saindo lentamente da recessão. Para Goldfajn, além da inflação mais baixa, fatores como a liberação do dinheiro das contas inativas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) contribuíram para animar a atividade.

Na sua visão, ela segue na mesma toada mesmo depois do impacto da crise política deflagrada pelas acusações feitas contra Temer pelo empresário Joesley Batista, que fez acordo de delação premiada com o Ministério Público.

"Para bater no investimento, a confiança tem que passar o obstáculo da capacidade ociosa, que ainda é muito grande", afirmou Goldfajn. "A confiança não gerou esse aumento de atividade no ano passado. Mas também não reduziu a atividade, mesmo com a incerteza recente."

Para o presidente do Banco Central, o desequilíbrio nas contas do governo federal, que aumentou a previsão de deficit no Orçamento deste e dos próximos três anos, não aumenta as incertezas, porque o governo segue empenhado em conter suas despesas e promover reformas como a da Previdência Social.
Goldfajn acha que a economia ainda sofre com os "excessos" do passado: "Excessos de gastos, empréstimos e endividamento [...] que tiveram que ser equacionados".

Pergunta - O rombo no Orçamento aumentou e o governo encontra dificuldades no Congresso para aprovar reformas e medidas que gerem receita. Isso preocupa o Banco Central?
Ilan Goldfajn - Não acho que as incertezas pioraram do fim de maio para cá [após o impacto inicial da delação dos donos da JBS, em meados de maio]. Até melhoraram. Tivemos avanços relevantes com a aprovação da reforma trabalhista, e a nova política de juros do BNDES está avançando.
As reformas geram mais conforto para a política monetária de longo prazo. Uma taxa [de juros] estrutural que permite chegar à meta de inflação de forma sustentável. E quanto menor [a taxa] for, melhor.

Pergunta - Mas a situação se agravou. O governo reviu sua projeção para o deficit do Orçamento.
Goldfajn - A gente sempre falou que essa questão, o curto prazo, é menos relevante do que a trajetória das contas públicas. Precisamos que as contas públicas estejam em ordem.

Pergunta - A dívida pública brasileira equivale a 73% do PIB (Produto Interno Bruto) e destoamos de outros países emergentes.
Goldfajn - Temos que trabalhar para ter uma dívida sustentável. Isso exige a reforma da Previdência e ações para conter despesas obrigatórias, a grande causa dos impactos fiscais.

Pergunta - A inflação caiu aceleradamente e está abaixo do que era esperado há um ano. O Banco Central não poderia ter começado a reduzir a taxa de juros mais cedo e com mais força?
Goldfajn - As projeções dos analistas para a inflação deste ano são de 3,5%, pouco abaixo da meta [fixada pelo governo, de 4,5%]. Em parte, isso tem a ver com um choque nos preços dos alimentos, que caíram.
Temos que nos acostumar com a ideia de que a inflação gira em torno da meta. Tivemos anos de inflação acima da meta. Era difícil imaginar que ela pudesse ficar abaixo.
Passamos dois anos com inflação alta, de dois dígitos, em meio a uma recessão relevante. Em 2014 e 2015. Mas a inflação só começou a cair no último trimestre de 2016.

Pergunta - A melhora recente no emprego e no consumo aponta uma virada no ritmo de atividade?
Goldfajn - Eu diria que está cada vez mais evidente que o pior ficou para trás, e a economia estabilizou. A dúvida é o ritmo de recuperação. É gradual, ou será mais forte? É nisso que nós estamos pensando agora.
Há um ano, todos imaginavam que a economia brasileira poderia voltar a crescer a partir do aumento de confiança, que geraria investimentos, renda e consumo. O emprego seria o último a se recuperar.
Essa ordem está um pouco diferente. A inflação caiu mais rápido do que se imaginava. Inflação baixa gera aumento de salário real, que gera consumo, e a economia começa a se recuperar. Essa é uma hipótese. A outra é [a liberação das contas inativas do] FGTS, que pode ter dado um alento.

Pergunta - Por que a volta da confiança não trouxe investimentos?
Goldfajn - Para bater no investimento, a confiança tem que passar o obstáculo da capacidade ociosa, que ainda é muito grande. O investimento, em geral, é para aumentar a capacidade. Existem alguns setores, infraestrutura, que poderiam ter aumento de investimento.
A confiança não gerou esse aumento de atividade no ano passado. Mas também não reduziu a atividade, mesmo com a incerteza recente [após a delação dos donos da JBS]. Outras forças continuaram puxando a atividade, a inflação em queda e talvez o FGTS.

Pergunta - Por que, apesar da redução da taxa básica de juros, as taxas cobradas de empresas e consumidores caem tão devagar?
Goldfajn - A tendência é de queda. Com a economia se recuperando e as incertezas diminuindo, o custo de crédito tende a diminuir. Leva um tempo.

Pergunta - Ainda é reflexo da renegociação de dívidas e outros problemas herdados da recessão?
Goldfajn - Tivemos uma herança de excessos: de gastos, empréstimos, endividamento. Houve muitos excessos nos últimos anos que tiveram que ser equacionados. No caso da pessoa física, como os empréstimos têm duração mais curta, esse processo foi mais rápido, e [o crédito] já está crescendo há meses.No caso das empresas, é mais lento.

Pergunta - Com a nova taxa de juros do BNDES, há risco de investimentos ficarem mais caros quando sairmos da recessão?
Goldfajn - Os investimentos vão se beneficiar quando houver juros menores para todo mundo. O sistema [bancário] privado hoje diz que não tem como competir com juros subsidiados. E o BNDES, que precisa financiar porque ninguém está investindo. É um ciclo vicioso, e tem que quebrar isso.

Pergunta - Críticos afirmam que a TLP encareceria os empréstimos e poderia esvaziar o BNDES.
Goldfajn - Bancos de desenvolvimento não necessariamente funcionam com subsídios, mas como um banco que encontra falhas de mercado, ou seja, setores onde de fato o banco precisa estar. Por exemplo, pequenas e médias empresas, que têm mais dificuldade de captar no mercado de capitais, no exterior ou nos bancos.
Se for importante o subsídio, é possível continuar dando, mas de forma transparente, no Orçamento. É difícil defender a ideia de que precisamos dar subsídio via diferencial da taxa de juros, que ninguém consegue ver direito e tem impacto na economia.
Por último: não existe nenhuma empresa no Brasil que consiga captar a taxas do Tesouro. Portanto, se você oferece a taxa do Tesouro [como a TLP faz], está oferecendo a menor taxa do mercado.

LOTERIAS

Resultado da Mega-Sena de hoje, concurso 3023, quinta-feira (25/06)

A Dupla-Sena tem três sorteios semanais, às segundas, quartas e sextas, sempre às 20h; veja quais os números sorteados no último concurso

25/06/2026 20h03

Arquivo

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A Caixa Econômica Federal realizou o sorteio do concurso 3023 da Mega-Sena na noite desta quinta-feira, 25 de junho de 2026, a partir das 21h (de Brasília). A extração dos números ocorreu no Espaço da Sorte, em São Paulo, com um prêmio estimado em R$ 3 milhões.

Confira o resultado da Mega-Sena de hoje!

Os números da Mega-Sena 3023 são:

  •   60 - 30 - 31 - 22 - 25 - 39 

O sorteio foi transmitido ao vivo pela Caixa Econômica Federal e pôde ser assistido no canal oficial da Caixa no Youtube.

Próximo sorteio: Mega-Sena 3024

Como a Mega Sena tem três sorteios regulares semanais, o próximo sorteio ocorre no sábado, 27 de junho, a partir das 20 horas, pelo concurso 3024. O valor da premiação vai depender se no sorteio atual o prêmio será acumulado ou não.

Para participar dos sorteios da Mega-Sena é necessário fazer um jogo nas casas lotéricas ou canais eletrônicos.

A aposta mínima custa R$ 6,00 para um jogo simples, em que o apostador pode escolher 6 dentre as 60 dezenas disponíveis, e fatura prêmio se acertar de 4 a 6 números.

Como jogar na Mega-Sena

A Mega-Sena paga milhões para o acertador dos 6 números sorteados. Ainda é possível ganhar prêmios ao acertar 4 ou 5 números dentre os 60 disponíveis no volante de apostas.

Para realizar o sonho de ser milionário, você deve marcar de 6 a 20 números do volante, podendo deixar que o sistema escolha os números para você (Surpresinha) e/ou concorrer com a mesma aposta por 2, 3, 4, 6, 8, 9 e 12 concursos consecutivos (Teimosinha).

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MATO GROSSO DO SUL

Lula relança obra abandonada há 11 anos e tira UFN3 do papel

Empresas já se instalam no município antes do início das obras; investimento para a conclusão da fábrica é de R$ 5 bilhões

25/06/2026 08h00

Mairinco de Pauda/semadesc

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Após mais de uma década de paralisação, a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), em Três Lagoas, volta oficialmente à agenda de investimentos da Petrobras. Hoje, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participa da cerimônia que marca a retomada do empreendimento, ocasião em que a estatal assinará os contratos com as empresas vencedoras das licitações responsáveis pela conclusão da fábrica.

O evento representa um marco para um projeto que se tornou símbolo das obras inacabadas no País. Iniciada em 2011, a unidade teve os trabalhos interrompidos em 2014, quando já apresentava elevado porcentual de execução.

Agora, com investimento superior a R$ 5 bilhões e apoio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), a Petrobras prevê iniciar as atividades de campo ainda neste mês. 

A operação plena da fábrica está prevista para o primeiro semestre de 2029, conforme já havia adiantado o Correio do Estado em abril.

O projeto inicial do governo federal era de iniciar as operações da fábrica neste ano, mas, em decorrência da demora de todo o processo de retomada, o presidente vem a MS para lançar a obra no último ano de seu terceiro mandato. 

Além de Lula, participam da solenidade a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e outras autoridades federais, estaduais e municipais.

A retomada ocorre em um momento em que o governo federal busca ampliar a produção nacional de fertilizantes e reduzir a dependência brasileira de importações, principalmente após as crises internacionais que afetaram o fornecimento de insumos agrícolas.

“Vai ser uma visita para acompanhar a retomada da obra, até porque recentemente ele participou da inauguração/retomada de operações de uma outra fábrica da Petrobras, a Fafen-BA [Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia]”, disse o deputado federal Vander Loubet ao Correio do Estado.

RETOMADA

Embora as obras tenham permanecido paralisadas por mais de uma década, a estrutura da UFN3 não foi abandonada. A Petrobras manteve ao longo desse período uma equipe responsável pela preservação dos equipamentos e sistemas já instalados.

Motores, instrumentos, válvulas e demais componentes que serão utilizados nos processos de produção de amônia e ureia passaram por procedimentos contínuos de manutenção para evitar deterioração e garantir condições de reaproveitamento.

O gerente de Projetos da Petrobras, Dimitrios Chalela Magalhães, afirmou que a estatal pretende aproveitar praticamente toda a estrutura existente. “A UFN3 foi muito bem preservada durante esse tempo. Vamos aproveitar a totalidade do que já está pronto”.

Os primeiros sinais da retomada já podem ser observados em Três Lagoas. Conforme apurou o Correio do Estado, a Engeko Engenharia, uma das empresas vencedoras do processo licitatório, já instalou escritório no município para dar suporte às atividades que serão iniciadas nas próximas semanas.

A movimentação reforça a expectativa criada na cidade em torno do empreendimento, que há anos é visto como um dos principais vetores de diversificação industrial de Mato Grosso do Sul.

A Petrobras dividiu a conclusão da unidade em 11 pacotes de contratação.

IMPACTO

A construção da UFN3 deverá gerar entre 7 mil e 8 mil empregos no pico das obras, além de milhares de vagas indiretas nos setores de comércio, serviços, alimentação, hospedagem e transporte.

O empreendimento também deve impulsionar a arrecadação municipal e movimentar a economia de Três Lagoas, cidade que já concentra alguns dos maiores investimentos industriais.

O desafio, contudo, será encontrar trabalhadores suficientes para atender à demanda. Mato Grosso do Sul enfrenta atualmente escassez de mão de obra qualificada em diversos setores, situação agravada pela expansão simultânea de grandes projetos industriais, especialmente na cadeia da celulose.

Quando entrar em operação, a UFN3 terá capacidade para produzir fertilizantes nitrogenados, sendo 3.600 toneladas de ureia e 2.200 toneladas de amônia por dia.

Segundo a Petrobras, a unidade será capaz de atender aproximadamente 15% da demanda nacional de fertilizantes. Somada às demais plantas, a produção poderá suprir até 30% do consumo brasileiro de nitrogenados.

A companhia prevê ainda uma etapa intermediária antes da operação plena. Em 2027, deverá entrar em funcionamento o chamado “balcão de ureia”, permitindo a comercialização do produto antes da conclusão definitiva da fábrica.

Com isso, a retomada da UFN3 deixa de ser apenas uma promessa anunciada em diferentes governos e passa a entrar, efetivamente, na fase de execução.

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